Ben There, Dan That! + Time Gentlemen, Please! (PC)

De volta com os jogos indie para PC, desta vez não com apenas um, mas sim 2 jogos englobados no mesmo post. A razão para tal é que o primeiro jogo é bastante curto, e com as mecânicas básicas de um jogo de aventura. O segundo já é maior e com mais novidades, mas partilha muitas coisas com o jogo anterior, portanto resolvi abordar os jogos desta forma. Ambos são jogos de aventura point and click, repletos de um bom sentido de humor e uma história completamente non-sense. Os jogos foram desenvolvidos pelo pequeno estúdio Zombie Cow Studios, agora conhecido como Size Five Games. Comprei-os na Steam Summer Sale que terminou há pouco mais de uma semana atrás, pela super módica quantia de 39 cêntimos. Adoro estas promoções malucas.

screenshotVamos primeiro para o “Ben There, Dan That!”. Neste jogo controlamos uma dupla (sim, o Ben e o Dan), e quando digo que a história é completamente non-sense não estou a brincar. O primeiro cenário do jogo coloca-nos em plena selva amazónica, com o Dan transformado em zombie. A maneira de o curar era construir uma catapulta que o levasse até à cabana de um médico/curandeiro qualquer lá do sítio. Depois somos logo transportados para o apartamento deles, onde querem ver TV e não conseguem pois a mesma está avariada. Ao arranjar finalmente maneira de ver TV, são atingidos por um raio que os transporta para outra dimensão! Depois o resto do jogo é passado em saltar de dimensão em dimensão, cada uma mais bizarra que a outra, até que eles consigam finalmente regressar a casa a tempo de ver o seu programa de TV preferido. Entretanto vamos visitando dimensões como uma igreja cheia de zombies e um padre bizarro, um estúdio de dinossauros desenvolvedores de videojogos e fãs de Star Wars, entre outros!

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E assim começa a primeira aventura.

Já a sequela (Time Gentlemen, Please!) decorre logo após os eventos do jogo anterior, e é igualmente repleta de humor negro e non-sense. Devido aos acontecimentos que aconteceram no final do outro jogo, Ben e Dan têm agora de viajar no tempo e arranjar maneira de evitar que essas coisas acontecessem. Por alguma razão ilógica, decidiram que a melhor maneira seria impedir que as cruzetas fossem inventadas, e com as trapalhadas que fizeram alteraram completamente o rumo da história do planeta, para uma realidade alternativa onde Hitler tinha vencido a 2a Guerra Mundial e invadir o Reino Unido com um “mech” copiado ao último boss do Sonic 2 da Mega Drive e um exército de clones de dinossauros. Também ao longo do jogo iremos viajar por entre diversas eras, sempre alterando o rumo das coisas de forma a resolver os puzzles que nos aparecem. Desde visitar o futuro com um palhaço pedófilo, à pré-história com uma disco-caverna, mais uma vez há de tudo.

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Os jogos não têm problemas nenhuns com gore e referências sexuais

A jogabilidade é a clássica de um jogo de aventura point and click. Para avançar no jogo temos de coleccionar os mais variados e estapafúrdios items, combiná-los e utilizá-los noutros objectos para solucionar os puzzles. Enfiar um braço de um cadáver na sanita imunda do Hitler para ficar com algum ADN lá marcado? Vale tudo. Falar com outras personagens também é uma constante para obter novas informações, ou convencê-los a fazer o que quisermos também é habitual. Apesar de em ambos os jogos existir uma dupla, a maior parte das acções são feitas pelo Ben. No segundo jogo já existem alguns segmentos em que temos obrigatoriamente controlar o Dan, apesar de ser possível em ambos os jogos tentar utilizar todos os objectos no Dan, ou mesmo seleccioná-lo para examinar algumas coisas para que ele faça os seus comentários. No segundo jogo, que está mais refinado, introduziram uma série de elementos novos. É possível a qualquer altura seleccionar no mapa qual a localização que queremos visitar, bem como existem outros pequenos jogos embutidos, como uma aventura de texto como as que existiam para computadores nos finais dos anos 70 / primeira metade da década de 80, ou mesmo uma outra pequena aventura gráfica com o Hitler que também podemos jogar. Aliás, devemos mesmo pois é necessário para avançar no jogo. Os puzzles em Time Gentlement, Please! são também muito mais elaborados, sendo necessário muito mais backtracking que no primeiro jogo.

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Um jogo de aventura dentro de outro! Adventureception!

No que respeita à apresentação, ambos os jogos são bastante simples. Os jogos foram criados utilizando a ferramenta freeware “Adventure Game Studio”, assim como os jogos da série Blackwell que já analisei anteriormente. No primeiro jogo os visuais são bastante simples, mas também bizarros, fazendo-me lembrar aqueles cartoons dementes da Nickelodeon, ou mesmo os Terrence & Phillip de South Park, com toda a grosseria. As animações são quase inexistentes, o que aumenta a bizarrice quando pomos as personagens a andar de um lado para o outro com as suas pernas de alfinetes. O segundo jogo apresenta uns visuais do mesmo calibre, porém já introduz alguns outros extras, ao inspeccionar alguns items de perto, oferecendo muito mais detalhe, ou mesmo a jogar os mini-jogos que referi anteriormente. O grande senão, na minha opinião é mesmo a ausência de voice acting. Os diálogos estão cheios de bizarrices, sarcasmo, humor negro e inúmeras referências aos jogos de aventura e seus clichés, e ter um voice acting de qualidade seria uma mais-valia brutal para ambos os jogos. A música no primeiro jogo é pouco variada, e faz mesmo lembrar aquela música “de centro comercial” que por vezes se ouvia nalguns desses cartoons da Nickelodeon. No “Time, Gentleman Please!” as músicas já são um pouco mais elaboradas e até “cinemáticas”.

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Humor negro é coisa que não falta

Ainda assim, face ao valor baixíssimo que me custou na promoção (e os jogos continuam a não custar muito actualmente), valeu completamente a pena. Este são daqueles jogos que dá mesmo vontade de experimentar todas as combinações possíveis e imaginárias de acções que podemos fazer, só mesmo para ler os diálogos que isso gera. São jogos que usam e abusam do sarcasmo e humor negro que eu tanto gosto, bem como uma dose industrial de non-sense. Volto a referir, para os fãs de jogos deste género, estes são dois “budget titles” que valem totalmente a pena conferir.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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