Halo: The Masterchief Collection (Microsoft Xbox One) – Parte 2: Halo 2 Anniversary

OK, tenho de dar o braço a torcer. As minhas críticas à série Halo eram bastante infundadas. Quer dizer, continuo a achar o primeiro jogo bastante aborrecido por toda a repetição que nos obriga a fazer nos seus níveis gigantes, particularmente a partir da metade do jogo, mas a sequela melhora em tudo a experiência. Eu já tinha jogado o Halo 2 há mais de 10 anos atrás na sua versão de PC e ao reler as minhas impressões dessa altura eu já tinha achado a sequela bem melhor que o primeiro jogo. Mas jogá-lo novamente ao fim de mais de 10 anos, ainda por cima com esta versão graficamente superior, devo dizer que fiquei rendido. Este artigo será então uma rapidinha, onde me irei focar precisamente nas diferenças introduzidas pelo remake da sua versão de aniversário, que está aqui presente nesta compilação Halo: The Masterchief Collection.

Compilação com caixa

A história decorre pouco tempo após os eventos do primeiro jogo, onde os Covenant atacam o planeta Terra e uma vez repelido o ataque, iremos no seu encalço e atacá-los na sua casa. Por outro lado, a própria sociedade Covenant está a atravessar um certo período atribulado, com o jogo a levar-nos também a jogar alguns níveis na pele de um Elite de renome, entretanto renomeado (leia-se: fortemente despromovido) para Arbiter, após ter falhado a sua missão de nos impedir no primeiro jogo. Uma das coisas que a 343 Industries fez neste jogo foi refazer as cut-scenes e se por um lado não me recordo de todo se o diálogo foi expandido nas novas cut-scenes, existem no entanto vários terminais espalhados pelo jogo que, ao serem interagidos, nos mostram cenas adicionais que expandem a história e nos dão mais detalhes do que tem estado a acontecer.

Das poucas coisas que não gostei muito neste jogo são as áreas onde os inimigos parecem surgir sem fim, o que me levou a desistir de os combater a todos e simplesmente andar em frente

A nível de jogabilidade as mecânicas base do Halo mantêm-se, seja com a vida regenerativa (no entanto não temos mais a distinção entre vida e armadura), um arsenal bem variado de armas humanas e covenant que poderemos vir a utilizar (apesar de apenas podermos carregar duas de cada vez) assim como a existência de vários veículos que poderemos vir a conduzir. A grande novidade foi a introdução das mecânicas de “dual wield“, que nos permitia usar duas armas pequenas em simultâneo, com a penalização de não podermos atirar granadas. E claro, a introdução de um Elite como personagem jogável em certos pontos da história. A única diferença no entanto entre jogar com o Master Chief e o Arbiter é que este último se pode tornar temporariamente invisível. De resto é também um jogo com uma forte componente multiplayer e pela primeira vez no caso da versão original de Xbox, permitia partidas online e foi um tremendo sucesso na comunidade Xbox por isso mesmo. No entanto não me vou alongar nesse tópico pois não a cheguei a experimentar, nem nas versões originais, nem nesta nova versão.

O dual wield foi uma das introduções na jogabilidade do Halo 2

Visualmente este jogo é muito bom. Já a versão original teve um salto notório de qualidade desde o primeiro jogo na Xbox, mas este remake está muito melhor. O salto gráfico entre versões Anniversary é também bem bastante superior, visto que o Halo CE Anniversary foi desenvolvido originalmente para a Xbox 360, enquanto que este já foi para a Xbox One, um sistema da geração seguinte. As cut-scenes em CGI estão fantásticas e fora isso, a qualquer outro momento no jogo poderemos alternar entre os gráficos da versão original e os desta nova versão (e uma vez mais a diferença é abismal). Uma coisa que também alterna entre uma versão e outra é a banda sonora, algo que me passou completamente despercebido na versão original. E sim, a banda sonora continua excelente, bastante diversificada nos seus géneros musicais, alternando entre músicas épicas e orquestrais, outras mais electrónicas, ambientais ou mesmo grandes metaladas em momentos de maior aperto.

Visualmente o remake está muito bom, facilmente uma geração à frente face ao remake do Halo original.

Portanto devo dizer que gostei bastante de ter voltado a jogar este Halo 2, que na sua versão Anniversary possui visuais muito mais apelativos. Já não me lembrava também que o jogo termina num grande cliffhanger, pelo que entendo perfeitamente a ansiedade dos fãs da série pelo terceiro jogo. Vou agora fazer uma pequena pausa na série Halo, sendo que irei jogar futuramente o Halo 3 ODST, algures nas próximas semanas.

Atomic Runner (Sega Mega Drive)

Vamos voltar agora à Sega Mega Drive para mais um dos jogos desenvolvidos pela Data East para esta consola. Este Atomic Runner é então um jogo de acção 2D sidescroller que por vezes mais parece um shmup. É também uma adaptação do Atomic Runner Chelnov, jogo arcade de 1988, embora esta versão Mega Drive muda consideravelmente o seu aspecto gráfico e som, felizmente para melhor! O meu exemplar foi comprado numa CeX algures no mês passado.

Jogo com caixa e manual

A história leva-nos a controlar Chelnov, filho de um cientista que acaba por ser atacado aliens e também raptam a sua irmã Chemi. O pai de Chelnov aparentemente já sabia da existência dessa raça alienígena e dos seus planos para dominarem a Terra, pelo que preparou uma armadura especial para que Chelnov os pudesse combater! Aparentemente a versão original arcade possui uma história diferente que envolve ensaios nucleares falhados pela União Soviética, uma clara inspiração do desastre de Chernobyl.

As mecânicas de jogo são um pouco estranhas ao início. Este é mais que um run ‘n gun, pensem mais num shmup com elementos de plataforma. Isto porque o ecrã faz scrolling automaticamente e Chelnov também está constantemente a correr na direcção de scrolling do ecrã, mesmo que não pressionemos nenhum botão. Para além disso, por defeito Chelnov apenas dispara na direcção para o qual está virado e mesmo que pressionemos o direccional para trás, Chelnov irá andar para trás, mas mantendo-se virado para a frente. Podemos também atacar os inimigos ao saltar em cima deles, o que faz com que Chelnov ressalte nos mesmos, pelo que também os poderemos usar como plataformas temporárias, algo que inclusivamente teremos de fazer forçosamente nalguns segmentos mais desafiantes de platforming. Tendo em conta todas estas premissas, os controlos por defeito funcionam da seguinte forma: o direccional movimenta Chelnov para a esquerda ou direita, enquanto se mantém voltado na mesma direcção. O botão A serve para saltar (sendo que se pressionado em conjunto com o direccional para a esquerda ou direita permite-nos fazer um mortal), botão B para disparar e botão C (em conjunto com o direccional) serve para Chelnov se virar de um lado para o outro. Existem outros controlos alternativos que simplificam um pouco as coisas, com o botão C a ser usado para virar de direcção sem necessitar do direccional. Um outro esquema de controlo usa o botão B para saltar e os A e C para disparar para a esquerda ou direita, com Chelnov a virar-se automaticamente para essa direcção.

A história desta versão foi modificada para remover referências à USSR e ao desastre de Chernobyl, que estavam presentes no original arcade.

Independentemente do método de controlo seleccionado, estas mecânicas requerem alguma habituação, pelo que a curva de aprendizagem é considerável e claro, sendo este um jogo com origens arcade, esperem que o mesmo seja desafiante, com vários inimigos a surgirem de todos os lados e alguns segmentos de platforming mais exigentes. Felizmente teremos muitos power ups à nossa disposição, que tanto podem melhorar o alcance dos saltos, dos disparos, velocidade dos ataques bem como o dano que infligem. Outros itens como moedas apenas nos dão pontos extra. Inicialmente dispomos apenas de uma arma que dispara raios laser, mas também poderemos encontrar outros itens com armas diferentes como bumerangues, mísseis teleguiados, esferas metálicas com espinhos que são disparadas em múltiplas direcções, entre outros, sendo que cada arma terá diferentes características no dano infligido, área afectada e velocidade. Naturalmente, ao mínimo dano sofrido perdemos logo uma vida e todos os power-ups e armas coleccionados.

As mecânicas de jogo aqui introduzidas são algo invulgares o que nos obrigam a uma maior curva de aprendizagem

Uma das grandes mudanças deste jogo perante a sua versão arcade são mesmo os seus audiovisuais e felizmente esta foi uma mudança para melhor. Apesar do original arcade ser de 1988, nessa altura as arcades já tinham outros videojogos em 2D com um detalhe gráfico bem superior, basta ver o que empresas como a Sega, Namco, Capcom, SNK ou a própria Data East estavam a fazer (a versão arcade do Robocop é deles e é um óptimo exemplo visto ser do mesmo ano). Portanto, felizmente os gráficos foram refeitos para a esta versão Mega Drive, apresentando cenários muito mais ricos em detalhe, bonitos efeitos gráficos como parallax scrolling e os inimigos e bosses estão igualmente bem detalhados. Os cenários vão sendo bastante variados, tendo no entanto uma inegável influência de antigas culturas. Vamos explorar ruínas em selvas mutantes, maias, egípcias ou tibetanas, com o jogo a culminar em confrontos em plena cidade de Nova Iorque, para contrastar um pouco. A banda sonora foi também melhorada e sinceramente acho que é de longe o melhor desta adaptação! As músicas não só são boas por si mesmo, como soam bastante bem. Parabéns à Data East por ter conseguido tirar bom partido das capacidades do chip de som da Mega Drive, cuja má fama acho muito injusta.

Visualmente esta versão é bem mais detalhada que o original arcade, com este nível no Egipto a ser o meu favorito.

Portanto este é um jogo algo estranho e desafiante pelas mecânicas de jogo que nos introduz, obrigando-nos a uma curva de aprendizagem num contexto de jogo exigente onde ao mínimo dano perdemos uma vida e todos os power ups coleccionados. É também algo bizarro nos seus cenários e inimigos, mas isso já digo mesmo no bom sentido, assim como a banda sonora que é excelente. Apesar de não ser de longe um clássico incontornável na biblioteca da Mega Drive, acho-o um bom exemplo de como adaptar um jogo arcade nesta consola!

Halo: The Masterchief Collection (Microsoft Xbox One) – Parte 1: Halo CE Anniversary

Vamos então continuar pela compilação Halo: The Masterchief Collection. Visto que já tinha jogado os primeiros 2 Halo nas suas versões PC, o meu plano original era jogar apenas os restantes, mas visto que até gostei do do Halo 3 e não me recordava nada da história do que aconteceu anteriormente, lá me decidi também a rejogar as prequelas novamente visto que os mesmos estão aqui incluídos nas suas versões Anniversary, ou seja, remakes. O meu plano seguinte era o de apenas actualizar o artigo que já havia publicado em 2013 sobre o primeiro Halo, mas na verdade ao fim de tanto tempo a minha opinião sobre esse jogo já é consideravelmente diferente pelo que preferi então escrever um novo artigo focado precisamente nesta versão.

Compilação com caixa

Ora o Halo foi um jogo originalmente desenvolvido pela Bungie que já havia trabalhado noutros títulos no passado, sempre com um grande foco nas plataformas Mac (como é o caso da série Marathon que gostaria de cá trazer num dia destes). A Microsoft ficou impressionada com o trabalho a ser desenvolvido pela Bungie no que se viria a tornar neste Halo e com a sua primeira consola à porta, precisavam de um título bastante forte para fazer frente à concorrência, pelo que acabaram por comprar a própria Bungie e tornar Halo num jogo exclusivo de Xbox. Para além de enormes níveis e a introdução de veículos jogáveis, Halo foi também responsável por de certa forma modernizar o género, ao introduzir vida regenerativa, progresso salvo em checkpoints e a possibilidade de apenas carregarmos 2 armas em simultâneo, mas com um grande leque das mesmas à nossa escolha. Ora este Halo Combat Evolved Anniversary foi um jogo lançado originalmente em 2011 para a Xbox 360 para celebrar o décimo aniversário do lançamento original.

Uma das coisas que o Halo original impressionou na altura era mesmo a imensidão dos seus níveis, tanto que a Bungie originalmente até queria que este fosse um jogo open world.

O que traz de novo esta edição? O que salta logo à vista são os seus gráficos modernizados, com cenários e personagens muito melhor detalhados e com texturas de maior resolução. Um detalhe interessante é a possibilidade de, a qualquer momento com o pressionar de um botão, alternar entre os visuais antigos e os modernos, o que nos dá uma grande perspectiva do esforço que tiveram em modernizar os visuais. Mas não foi apenas um mero update gráfico, a geometria dos cenários também foi alterada ligeiramente, com certos obstáculos como arbustos ou rochas apenas existirem na versão moderna. Por exemplo, várias vezes utilizei o a funcionalidade de alternar entre os visuais novos e antigos para conseguir acertar em inimigos que se escondiam por detrás de objectos apenas existentes na versão moderna, por exemplo. A banda sonora foi também regravada e sinceramente gostei do resultado e o multiplayer, que no lançamento original na Xbox apenas permitia split screen, aqui também estaria disponível como online. Mas uma vez mais, nem sequer toquei no multiplayer, pelo que não me vou alongar nesse tópico.

Uma das novidades do remake é mesmo os visuais modernizados, com mais detalhe, polígonos e melhores texturas

A história também foi ligeiramente expandida, principalmente com a introdução de vários terminais espalhados pelos níveis e que, quando interagidos, mostram algumas cut-scenes que melhor detalham a narrativa com os eventos dos jogos seguintes. E a história, que foi uma das minhas maiores críticas quando escrevi o artigo sobre o Halo original, até que se mostrou bem mais interessante agora que o joguei novamente (e também com os eventos do Halo 3 bastante frescos na memória). Aparentemente tanto a Bungie como a 343 Industries têm vindo a trabalhar bastante no lore desta série ao longo dos anos, pelo que há que lhes dar o devido crédito também. Ainda assim, alguma backstory adicional antes de começar a aventura, por exemplo, quem são os covenant e de onde é que eles vieram, também teria sido bem-vinda.

Posso estar mesmo mal habituado, mas estes indicadores de objectivo poderiam ser um pouco mais comuns. Várias vezes fiquei algum tempo preso sem saber o que fazer só porque o interruptor para abrir uma passagem me passou completamente despercebido!

No entanto, apesar de ter apreciado mais este Halo agora do que nas minhas primeiras tentativas, há uma crítica que preciso mesmo de manter. A partir da segunda metade do jogo, o mesmo começa a ficar bastante repetitivo. Não tenho nada contra níveis grandes (até porque esse era também um dos selling points do jogo), mas quando os níveis tornam-se em tarefas de atravessar os mesmos corredores vezes sem conta, com layouts idênticos entre si, começa a cansar. E os últimos níveis têm muito disto, infelizmente.

Portanto devo reiterar que dou mais valor ao primeiro Halo agora que joguei esta versão mais recente, principalmente pela grande variedade de armas que poderemos utilizar, particularmente as armas alienígenas que são bastante originais no seu design e funcionalidade. O uso ocasional de vários tipos veículos também foi bastante agradável, embora tivesse sentido a falta de uma IA que me permitisse conduzir os jipes, enquanto eu próprio tratava da metralhadora pesada, o que acontece no Halo 3. No entanto o design de grande parte dos níveis acabou por se tornar, para mim, de longe o ponto mais fraco deste jogo. É que a certa altura já não me estava a divertir mas só a esperar que o próximo corredor igual aos outros fosse o último! Segue-se então o remake do Halo 2 que o iniciarei muito em breve!

Halo: The Masterchief Collection (Microsoft Xbox One) – Parte 3: Halo 3

Lamento o título confuso, mas decidi recentemente jogar o Halo 3, que apenas o tinho disponível nesta colectânea Masterchief Collection. Visto que já havia jogado tanto o Halo original como a sua sequela Halo 2 nas suas versões de PC, o meu plano original era o de jogar apenas os restantes títulos desta compilação. Mas confesso que, apesar de até ter gostado deste Halo 3, já não me lembrava nada da sua história pelo que decidi voltar a jogar os primeiros títulos desta série também. Até porque ambas as versões desses jogos aqui presentes são remakes (inclusivamente o remake do primeiro Halo já havia sido lançado antes, ainda em pleno ciclo de vida da Xbox 360). Supostamente o remake do segundo Halo segue os mesmos padrões, pelo que também o deverei jogar novamente. Então o que farei quando os terminar será rever e actualizar os artigos originais acima mencionados com um parágrafo adicional com as minhas impressões dessa nova versão aqui disponível nesta colectânea. O meu exemplar foi comprado numa CeX, quer em Dezembro, quer no início de Janeiro, pouco tempo depois de eu ter arranjado uma Series X para a colecção. Custou-me 12€ o que acho um óptimo preço para todo o conteúdo aqui presente.

Jogo com caixa

Posta longa esta introdução, resta-me só deixar um disclaimer adicional: eu nunca joguei o Halo 3 na sua versão original de Xbox 360 (no momento de escrita deste artigo nem sequer possuo a consola) pelo que me irei focar exclusivamente nesta versão e na sua campanha single player. Sei bem que o multiplayer sempre foi um dos pontos fortes da série (e uma razão para o sucesso do serviço Xbox Live) mas tal nunca foi do meu interesse.

Infelizmente o Halo Reach e o 3 ODST não estão incluídos nativamente nesta compilação mas podem ser comprados como DLC. E o interface dos menus também parece ter sofrido alterações.

Ora o Halo 3 foi um jogo lançado originalmente em Setembro de 2007 e como seria de esperar era um jogo bastante esperado pelos fãs da série, visto ser o primeiro num sistema de nova geração. Foi ainda produzido pela Bungie e a história leva-nos a encarnar uma vez mais no super soldado Master Chief, algures após os eventos do segundo jogo, onde o space marine aterra bruscamente no planeta Terra. Confesso que já não me lembrava nada da história quando comecei este jogo, pelo que era practicamente tudo novo para mim. O objectivo será então o de lutar uma vez mais contra os Covenant, uma facção altamente religiosa de uma raça extraterrestre e também o de resgatar Cortana, uma inteligência artificial com uma forma feminina e que nos acompanhou ao longo dos jogos anteriores. A acompanhar-nos também está o Arbiter, líder de uma outra facção dos Covenant que nos irá auxiliar em diversos momentos.

Uma das novidades introduzidas no Halo 2 é a possibilidade de usarmos duas armas ligeiras em simultâneo, perdendo no entanto a possibilidade de atirar granadas

O Halo original foi um jogo bastante influente, não só por toda a fortíssima componente multiplayer que tirava partido da robusta infraestrutura de rede da Microsoft (Xbox Live), mas também por ter introduzido uma série de mecânicas que perduraram em muitos outros first person shooters que foram saindo ao longo do tempo, seja a sua vida regenerativa, ou a possibilidade de apenas carregarmos 2 armas em simultâneo (de um arsenal bastante diverso entre armas humanas e covenant). Para além disso, muitos dos seus níveis, particularmente os que se focavam nas zonas exteriores, eram bastante amplos e a introdução de veículos (muitos que poderiam ser operados cooperativamente) foram também introduções muito bem recebidas. Ora este Halo 3 herda todas essas mecânicas, incluindo a possibilidade de equiparmos duas armas ligeiras em simultâneo (se bem que com isso perdemos a possibilidade de utilizar granadas ou golpes corpo-a-corpo). De novidade temos a possibilidade de carregar um de diferentes itens adicionais que nos poderão dar escudos extra, regenerar a nossa vida, invencibilidade temporária ou uma melhor armadura quando activados. Temos vários veículos que podemos conduzir e uma das coisas que gostei é, no caso do jipe, o facto de podermos simplesmente controlar a metralhadora pesada, enquanto um dos NPCs que nos vai acompanhando pode controlar o veículo em si. Infelizmente a IA não é a melhor e por vezes tinha de abandonar a metralhadora, ocupar o lugar do motorista e conduzir eu mesmo para a próxima zona, mas preferia sempre ser eu a controlar o fogo. Uma das excepções é a primeira vez que precisamos de combater um mecha gigante na forma de um escaravelho. Aí é preferível sermos nós a controlar o veículo e deixar os NPCs atacarem as pernas do boss.

Sinceramente até achei a narrativa bastante interessante e isso foi uma das razões que me levou a querer rejogar os lançamentos originais.

Uma das coisas que gostei deste Halo 3 é o facto de os níveis, apesar de terem zonas amplas ou simplesmente longas como é habitual na série, os mesmos nunca se tornam demasiado repetitivos ou aborrecidos (algo que entretanto me voltei a lembrar do primeiro jogo, agora que o estou a jogar novamente). Para além disso, a narrativa acho que está bem mais interessante do o que eu me lembrava dos dois primeiros jogos e no fundo esta acabou por ser uma boa experiência. A nível audiovisual apesar de não achar o jogo nada do outro mundo, é um claro salto qualitativo em relação aos originais de Xbox. Os cenários e personagens têm muito mais detalhe, as texturas são de muito melhor qualidade e um dos benefícios da versão aqui presente nesta colectânea é o facto de a sua resolução estar upscaled e a performance sempre a apontar para os 60 fps ou até 120fps no caso da Series X. Jogando isto numa Series X e num monitor ultra wide, também não tive quaisquer problemas, com o jogo a suportar essa resolução. A banda sonora é bastante eclética, contendo temas mais épicos e orquestrais, outros com uma toada mais eletrónica e que acabam por funcionar bem com a acção e a narrativa que nos apresentam. O voice acting é bom, nada de especial a apontar neste aspecto!

Portanto devo reafirmar que até gostei deste Halo 3 e fez-me olhar para a série de uma forma bem mais positiva para aquilo que eu considerava inicialmente com os seus dois primeiros jogos. Esta compilação para a Xbox One traz todos os jogos principais desta série até ao Halo 5 (exclusive), pelo que é uma óptima maneira de alguém se introduzir na série. Está também disponível para PC e as suas vertentes multiplayer, seja competitivo, seja cooperativo (todas as campanhas neste disco podem ser jogadas cooperativamente) podem ser jogadas entre jogadores de ambas as plataformas.

Apollo Justice: Ace Attorney Trilogy (Sony Playstation 4)

Nas últimas semanas voltei à série Ace Attorney da Capcom para jogar mais uma das compilações que têm vindo a sair nos últimos anos para vários sistemas actuais. Esta compilação em específico foca-se na segunda trilogia Ace Attorney, com o jovem advogado Apollo Justice (e não só) como um dos principais protagonistas. Visto que o primeiro dos jogos desta trilogia, o Apollo Justice: Ace Attorney, lançado originalmente ainda para a Nintendo DS, é um jogo que já tinha jogado no passado, irei-me focar nos dois títulos restantes, assim como algum eventual conteúdo adicional aqui incluído.

Compilação com caixa, folhetos e disco

Independentemente dos jogos aqui incluídos nesta compilação, as mecânicas de jogo base são as mesmas de sempre para esta série. Nós encarnamos então num advogado de defesa (ou mais visto que a equipa de Phoenix Wright vai aumentando) com o objectivo de ilibar o nosso cliente de acusações de homicídio. Cada caso está tipicamente dividido em duas fases distintas, que poderão ou não acontecer mais que uma vez: investigação e julgamento. Na primeira teremos de explorar vários cenários (tipicamente os locais do crime) e falar com diversas pessoas, em busca de provas e/ou testemunhos que possam ilibar o nosso cliente e revelar o verdadeiro culpado por detrás dos crimes. Na fase dos julgamentos, vamos debater com os procuradores da acusação e questionar testemunhas, em busca de contradições e inconsistências nos seus testemunhos, uma vez mais para ilibar o nosso cliente e encontrar o verdadeiro culpado.

O Dual Destinies introduz-nos uma nova personagem a juntar-se à equipa de Phoenix Wright e Apollo Justice

Assim sendo, o segundo título desta compilação é o Phoenix Wright: Ace Attorney – Dual Destinies, lançado originalmente em 2013 para a Nintendo 3DS (e que nunca havia chegado a ser lançado em formato físico no ocidente nesse sistema). A grande novidade diria que está na inclusão de mais uma personagem para a equipa de Phoenix Wright, a jovem advogada Athena Cykes, que por sua vez nos traz algumas novas mecânicas de jogo. Enquanto o Phoenix tem a habilidade de usar uma magatama para conseguir identificar que pessoas lhe estão a esconder coisas, o Apollo tem a habilidade de analisar linguagem corporal e assim identificar quando as pessoas estão a mentir, a Athena tem também algo de novo. Para além de advogada, Athena estudou também psicologia e visto que tem um sentido de audição extremamente apurado, ela consegue então sentir discrepâncias entre o tom de voz das pessoas e aquilo que estão na realidade a sentir. Durante os julgamentos iremos colocar isto à prova várias vezes, em busca de contradições e inconsistências entre os testemunhos e aquilo que eles realmente sentem. A outra novidade está na inclusão de vários DLCs no lançamento original de 3DS e que estão felizmente incluídos nesta compilação. Para além de roupas extra para as personagens principais, existe também um novo caso para jogar e que, apesar de não ter ligação directa com a história principal que se vai desenrolando nos 5 casos normais, este até que acabou por ser uma boa surpresa. É que vamos ter de provar a inocência de uma orca no assassinato de um dono de um parque aquático!

Athena tem formação em psicologia e teremos de usar os seus talentos para procurar inconsistências entre os testemunhos e os sentimentos que realmente experienciaram

O terceiro jogo desta trilogia é o Phoenix Wright: Ace Attorney – Spirit of Justice também lançado originalmente para a 3DS em 2016 e tal como o seu percursor, o lançamento físico havia-se ficado apenas pelo Japão! Phoenix Wright viaja para o longínquo e exótico país de Khura’in a fim de visitar a sua amiga Maya Fey (sua assistente na primeira trilogia) que lá se encontrava a treinar para se tornar a líder do seu clã, enquanto Apollo e Athena permaneceram em casa. Khura’in é um lugar exótico nos costumes dos seus habitantes, mas também extremamente penalizador para advogados de defesa. Isto porque caso alguém seja considerado culpado de um crime, o advogado que defenda essa mesma pessoa, será também condenado à mesma pena que o seu cliente. Os procuradores e os próprios juízes são bastante severos e autoritários e quando acusam alguém, essa pessoa é declarada culpada muito rapidamente. Uma das razões pelas quais isso acontece é porque uma médium espiritual é chamada no início de cada julgamento para realizar um ritual muito peculiar: invocar o espírito do falecido e assistir às suas últimas memórias antes de ter sido assassinado. Naturalmente, teremos de utilizar isto em nosso favor e procurar quaisquer inconsistências entre as memórias do falecido e a interpretação que lhes é dada pela acusação. A parte interessante é que todos 5 sentidos são reflectidos nesse ritual, pelo que para além do que o falecido viu antes de morrer, temos também de ter em conta outros sentidos como cheiros, ruído ou tacto. E essa é a principal novidade nas mecânicas de jogo aqui introduzidas.

No Spirit of Justice são nos introduzidas as últimas memórias das vítimas e uma vez mais teremos de procurar inconsistências entre a interpretação dada pela acusação e o que é visível.

O jogo está então dividido uma vez mais em 5 casos distintos, sendo estes divididos entre os casos defendidos pelo Phoenix Wright no reino de Khura’in e os defendidos por Apollo Justice e Athena Cykes no seu país de origem. Infelizmente, ao contrário dos títulos anteriores onde haveriam algumas ligações entre os casos mais importantes, aqui os casos defendidos por Phoenix e os restantes advogados inicialmente não têm grande ligação para a “história” principal, embora os dois últimos casos já estejam bastante relacionados entre si e tornaram-se bastante épicos até! De resto, tal como no percursor, o lançamento original de 3DS recebeu vários DLCs como roupas adicionais para as personagens principais, um caso extra para ser resolvido e algumas pequenas histórias extra. Nesta compilação foram incluídos alguns dos DLCs de vestimentas adicionais, bem como o tal caso extra, que sinceramente não achei tão bom quanto o DLC do jogo anterior.

A compilação traz vários extras, incluindo uma extensa banda sonora

A nível audiovisual, o Apollo Justice é muito similar aos jogos da primeira trilogia, visto que este foi ainda um lançamento original de Nintendo DS. As personagens e cenários continuam em 2D, embora tenham sido redesenhadas e são apresentadas numa maior resolução. Os outros dois jogos da trilogia já foram lançados originalmente para a Nintendo 3DS, pelo que a Capcom “modernizou” os gráficos para um 3D algo simples. Sinceramente prefiro a arte original em 2D, mas visto que a 3DS é uma portátil com a particularidade de renderizar imagens em três dimensões num dos seus ecrãs, é compreensível que a Capcom queira ter tirado partido dessa funcionalidade. Ainda assim, as personagens continuam com um aspecto bastante cartoon e as suas animações continuam hilariantes, particularmente as das bizarras testemunhas com as quais nos iremos cruzar, portanto mantiveram toda a identidade da série. Já no que diz respeito as efeitos sonoros, estes são os mesmos de sempre nos 3 jogos, com os diálogos a serem acompanhados de bips, excepto nas interjeições habituais como os clássicos “objection!” que já são acompanhados por vozes. A excepção vai para o Spirit of Justice, que possui alguns diálogos chave narrados. Para além disso vamos tendo várias cut-scenes em momentos chave do jogo, particularmente nos títulos da 3DS. A banda sonora vai sendo bastante eclética e agradável ao longo da trilogia, embora para mim a do Spirit of Justice seja a melhor.

Gosto sempre de ver a arte do jogo em mais detalhe e felizmente temos aqui uma galeria para isso mesmo.

De resto, a compilação traz também algum conteúdo adicional. Para além dos DLCs dos jogos 3DS acima mencionados, temos também muito artwork que poderemos explorar, acesso a banda sonora e rever as cutscenes dos 3 jogos. Temos também um pequeno estúdio de animações onde poderemos criar pequenas sequências, mas não perdi muito tempo com isso. Um modo história onde a narrativa se desenrola sem qualquer input da nossa parte também existe, assim como activar a funcionalidade de “consultar” o nosso assistente caso tenhamos alguma dificuldade nos julgamentos.

Para quem não quiser ter mesmo trabalho nenhum e apenas apreciar a história é possível activar uma opção para esse efeito!

Portanto cá está mais uma óptima compilação da série Ace Attorney, que eu tanto gosto pelos seus casos bizarros e personagens bem humoradas. Tenho mesmo de agradecer à Capcom o esforço que tiveram em trazer os jogos desta série em formato físico, tanto para a Nintendo Switch, como para a Playstation 4. Os lançamentos originais ora estavam a ficar caríssimos, ora nem sequer haviam saído fisicamente fora do Japão! No momento de escrita deste artigo, a compilação Ace Attorney Investigations Collection acaba também por sair (e pela primeira vez com um lançamento físico europeu na PS4), pelo que também deverei jogar esses jogos daqui a uns meses.