Colecção de videojogos – alguns "rants" e análises
Autor: cyberquake
Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
The Need for Speed, ou como lhe podemos chamar pelo seu nome completo “Road & Track Presents: The Need for Speed”, é o primeiro capítulo da famosa série de jogos de corrida da Electronic Arts. Como muitos dos primeiros jogos 3D da Electronic Arts nesse período dos anos 90, este jogo saiu originalmente para a mal amada 3DO, com conversões a sairem posteriormente para a Saturn, Playstation e PC. A minha cópia chegou-me às mãos após ter sido comprada há uns meses atrás na feira da Ladra em Lisboa, por 5€. Como todos os jogos da EA para a Saturn, vem com uma caixa bem grossa e um manual a condizer.
Jogo completo com caixa e manuais
Este é mais um artigo em jeito de “rapidinha”, pois também nunca joguei este Need for Speed assim tanto a fundo. Na biblioteca de jogos de corrida da Saturn, sempre preferi os jogos da Sega desse segmento. Mas adiante, este NFS é um jogo não tão arcade como os restantes jogos da época, e permite-nos estar ao volante de vários maquinões da época, como o Dodge Viper ou o Lamborghini Diablo. O jogo apresenta vários modos de jogo, desde o single race para quem quiser jogar uma partida rápida, até ao modo Tournament, onde temos de chegar em primeiro lugar em todos os circuitos para vencer este modo de jogo e também desbloquear um circuito bónus em Las Vegas. Existe também um Time Attack, mais voltado para as provas em contra-relógio, mas o que marca realmente a diferença em Need for Speed, é o Head 2 Head mode, que tanto pode ser jogado contra o CPU ou em multiplayer local. Este modo de jogo é um duelo entre 2 carros que, se for jogado num dos circuitos “abertos”, concorremos com tráfico local e polícias que vão patrulhando a estrada. Isso obviamente que resulta em perseguições policiais e se nos deixarmos apanhar levamos com uma multa. Na segunda multa somos logo desclassificados da corrida, o que tenho a ideia que acontece apenas na terceira multa noutras versões.
As pistas decorrem em diferentes paisagens e climas, onde podemos escolher também o período do dia em que correr
No que diz respeito ao audiovisual é um jogo razoável. Isto porque é uma conversão do original da consola 3DO, um produto inferior tecnologicamente. Os cenários têm uma coisa boa, a sua draw distance é bem grandinha se comparada a muitos outros jogos de corrida da época, mas claro que isso está a custo de um detalhe menor nos cenários no geral. Os carros vistos de fora também não têm grande detalhe, parecem paralelipípedos com rodas, mas se passarmos para o interior, então é de admirar o trabalho feito com os interiores dos carros, que me parecem bem realistas e não era algo assim tanto comum de se ver nos jogos de corrida da época. Felizmente a banda sonora eu achei-a muito boa. Toda ela é composta pela dupla de artistas Jeff Dyck & Saki Kaskas, e tanto tem música electrónica, como outras bem mais a abrir e cheias de guitarradas como eu gosto.
O interior dos carros dão um toque mais realista à coisa
Apesar dos seus visuais datados, acho que este Need For Speed não é um mau jogo a ter-se no catálogo da Saturn. Claro que a versão PC que saiu mais tarde para o Windows 95 é muito superior, mas ainda assim não achei nada mau o jogo, dá perfeitamente para nos divertirmos, e no fundo isso é o que interessa.
Voltando às “rapidinhas”, desta vez para um jogo simples da Sega Master System. Dick Tracy é uma personagem de banda desenhada, cujas raízes remontam aos anos 30, bem no tempo de todas as “gangster wars”, temática principal de Dick Tracy, o intrépido detective norte-americano. Em 1990 foi feito um filme sobre esta personagem, onde até a artista Madonna teve uma participação. E como em todos os filmes de “gabarito”, um videojogo lá acabou por ser desenvolvido para as várias plataformas existentes na altura, entre as quais esta versão para a Master System que aqui trago. A minha cópia foi comprada há pouco mais de um mês na Pressplay Porto, por 4.50€, faltando-lhe o manual.
Jogo com caixa
Este é daqueles jogos que eu desde miúdo, ao ver imagens dele em revistas e catálogos sempre tive curiosidade em jogar, daí tê-lo comprado. Mas como diz o ditado “não se deve julgar um livro pela capa”, o jogo não é lá grande coisa. Basicamente está dividido em 6 áreas diferentes, cada uma com 3 níveis, onde simplesmente temos de matar todos os gangsters que nos apareçam à frente, incluindo um boss para cada área. Há muito pouca diversidade, tanto no grafismo como na jogabilidade, inclusivamente as primeiras 4 áreas são quase clones umas das outras.
O ecrã título do jogo, bem ao estilo da banda desenhada original
O jogo é um sidescroller, onde temos de ir da esquerda para a direita até chegar ao final do nível, com inimigos a surgirem de todos os lados. Se estiverem longe, disparamos com o revólver, se estiverem perto, então distribuímos socos a torto e a direito. O twist é que surgem também inimigos no background. Na versão Mega Drive existe um botão próprio para sacarmos da nossa fiel metralhadora Tommy Gun e limpar o sebo a todos os que estão atrás, surgindo para isso uma mira para nos ajudar. Aqui teremos de deixar pressionado o botão de ataque para isso acontecer e nenhuma mira aparece. Para apontar teremos então de ver o rasto de balas no chão ou paredes e guiar a metralhadora dessa forma. Infelizmente os controlos demoram um pouco a responder, portanto acaba por ser frequente ficarmos encurralados e ver a nossa vida a descer rapidamente. Felizmente ao carregar nos botões 1 e 2 ao mesmo tempo podemos chamar reforços que limpam todos os inimigos no ecrã, embora só o possamos fazer uma vez no nível.
Os inimigos que aparecem em background têm de ser despachados com rajadas da nossa Tommy Gun
Os níveis tanto podem ser sidescrollers bem simples sem obstáculos, em ruas, dentro de armazéns ou mesmo no esgoto. Existem alguns que são passados em perseguições de carro, onde Dick Tracy tem de matar e esquivar-se das balas dos outros gangsters que também viajam nos seus carros. Existem alguns níveis (uns 2 ou 3) onde não temos armas, todos os inimigos têm de ser derrotados apenas com os nossos punhos e existe um ou outro nível mesmo lá mais para o final onde temos de saltar sobre alguns precipícios. Infelizmente os saltos são terríveis e é bem fácil cair num precipício bem estreito se não saltarmos no pixel certo. No final de cada área temos sempre um combate contra um boss que surge sempre em background, disparando contra nós, e com outros capangas de lado também a meterem-se ao barulho. Pois, não é um jogo fácil. Entre cada área vamos tendo um nível de bónus, onde poderemos ganhar mais continues. É uma galeria de tiro, onde personagens vão surgindo aos pares e o objectivo é atingir o máximo de bandidos possível e não matar nenhum inocente. O botão 1 dispara para a esquerda e o 2 para o boneco da direita.
Exemplo de um dos níveis de perseguição automóvel
Graficamente falando, as únicas coisas que valem a pena referir é mesmo as pequenas cutscenes que vemos entre cada área, parecem mesmo retiradas das comics clássicas e até ficaram bonitinhas na Master System. De resto, os inimigos e os próprios níveis são bastante simples, assim como as músicas e efeitos sonoros que não são propriamente memoráves. Gostei no entanto do detalhe de podermos danificar as paredes com a metralhadora. No fim de contas, acho este Dick Tracy um jogo meramente mediano, apenas recomendado a coleccionadores.
A Daedalic é uma produtora alemã que já tive o prazer de jogar e analisar muitos dos seus jogos de aventura point and click. O Edna & Harvey: The Breakout é inclusivamente o primeiro jogo que a Daedalic desenvolveu, cujo lançamento original já data de 2008. No entanto apenas chegou ao steam em 2013, se não estou em erro, bem depois de a sequela Edna & Harvey: Harvey’s New Eyes ter sido lançada. O jogo teve a sua origem como um projecto universitário e isso nota-se bem à medida em que vamos jogando. E lá veio parar à minha colecção num dos Humble Bundles, creio que foi no próprio Weekly Bundle dedicado à Daedalic, tendo ficado bem barato no conjunto.
Como seria de esperar pelo nome, neste jogo controlamos Edna e Harvey. Edna é uma rapariga aprisionada num asilo, por motivos inicialmente desconhecidos e Harvey é o seu coelho de peluche falante – que obviamente apenas fala na sua imaginação. A única coisa que sabemos é que Edna aparentemente é maltratada pelo director lá do sítio, o médico Dr. Marcel, que por acaso era seu vizinho de infância. Edna é orfã, o seu pai foi condenado à pena de morte por aparentemente ter assassinado o filho de Marcel, que também era “amigo” de Edna. A única coisa que Edna sabe é que todos os dias o Dr. Marcel tenta-lhe apagar a memória, suspeitando que o psiquiatra tenta encobrir alguma coisa do seu passado e sempre acreditando que o seu pai é inocente. O jogo todo consiste em levarmos a dupla de Edna e Harvey a fugir do asilo e tentar então encontrar o que aconteceu no seu passado, provar a inocência do seu pai e incriminar o Dr. Marcel.
Estes são os “gémeos siameses” lá do sítio
As mecânicas de jogo são algo arcaicas, mesmo como os grandes clássicos do género. Como qualquer point and click que se preze, temos de clicar em todos os objectos no ecrã, interagir e misturá-los, falar com todas as personagens e tentar resolver uma série de puzzles para progredir na história. Mas para isso, temos sempre de escolher uma de quatro acções, disponíveis na parte de baixo do ecrã: look to, talk to, use ou pick up. Existem vários jogos deste género que fazem estas opções de uma forma mais intuitiva, e isso foi algo que a Daedalic foi aprendendo ao longo dos seus jogos. Mas não deixa de ser interessante tentar fazer combinações estapafúrdias de itens e objectos só mesmo para ouvir a resposta, e no entanto algumas dessas coisas até funcionam! Sim, este é daqueles jogos em que alguns dos puzzles acabam por não ter lógica nenhuma mas hey, isto é passado num manicómio, portanto vale tudo. Existem também uma série de coisinhas que podemos fazer que não têm influência nenhuma na história, nomeadamente vandalizar com canetas, ketchup e mostarda o escritório do Dr. Marcel e outras salas, ou mesmo amassar e arranhar o seu caro carro.
Em algumas partes do jogo “voltamos ao passado” para relembrar algumas coisas do passado, nestes momentos a jogabilidade é um pouco diferente, podemos controlar também o Harvey
Visualmente é um jogo simples. Infelizmente a adaptação para computadores modernos, mesmo para os padrões de 2008 não é a melhor. Sendo assim eu acabei por preferir jogá-lo no modo janela, de outra forma a resolução tão baixa estragava um pouco as coisas. O jogo tem um aspecto cartoonish bastante insano, o que se adequa perfeitamente ao tema. No entanto nota-se perfeitamente que as animações simples, e em algumas situações até inexistentes foram mesmo fruto de este ser um jogo com origens num projecto académico. Aliás, mesmo no próprio jogo isso é ironizado por várias vezes pelos próprios criadores de jogo. Uma das secções que temos de atravessar é quando entramos numa sala de terapia de grupo. O tema? Terapia para Game Designers, onde o criador do jogo se lamenta por ter achado uma óptima ideia ter feito um jogo destes para o seu projecto de tese e ter de animar sozinho todas as possíveis animações num curto intervalo de tempo de alguns meses.
Esta é a cela de Edna, logo no início do jogo
Os diálogos são sempre bem humorados, e como conhecemos todos os outros pacientes daquele manicómio, não podem esperar personagens mentalmente muito estáveis, e com isso os diálogos também vão sendo bastante surreais. Infelizmente na recta final do jogo acontecem algumas coisas bem mais “sérias”, que me deixaram assim um pouco impressionado, por não estar mesmo nada à espera do tom que essas coisas tomaram. Prefiro não “spoilar” pormenores, mas quem já jogou este jogo até ao fim creio que sabe bem do que me refiro. De resto os diálogos (experimentei naturalmente o voice-acting em inglês) parecem-me competentes, mas lá está, a Daedalic depois acabou por fazer bem melhor. O mesmo para as músicas, que tirando a música título, bastante alegre e viciante, as restantes cumprem bem o seu papel, mas depois acabam por passar despercebidas.
Assim sendo, Edna & Harvey: The Breakout se calhar é um jogo um pouco caro para o preço base que vemos na loja do Steam. O facto de ter sido um projecto académico e o produto final ser inferior a muitos outros jogos que a Daedalic acabou por desenvolver, é uma razão pela qual eu venderia esse jogo mais barato como preço base. No entanto não deixa de ser divertido e bem humorado, pelo que se o voltarem a ver numa boa promoção e gostarem de jogos deste género, então certamente será uma boa compra.
Até ao Tekken 2, devo dizer que sempre preferi os Virtua Fighters da Sega Saturn. Mas a Namco com este Tekken 3 consegui inverter completamente a balança. Já a versão arcade deste jogo me parecia impressionante, e conseguiram fazer um excelente trabalho ao trazê-la para a consola, pois para além de tecnicamente ser um jogo excelente, a Namco deu-se ao trabalho de incorporar uma série de extras que os outros ports de arcade não costumam trazer. E este jogo lá deu entrada na minha colecção algures durante o ano passado, tendo sido comprado a um particular por algo em torno dos 5 ou 6€.
Jogo com caixa e manual, versão platinum
Confesso que me cansa um pouco ter de escrever sobre a história de jogos de luta, pois para além de estar sempre repleta de clichés, no fim de contas acaba por não ser uma coisa a que demos assim muita importância. Mas muito resumidamente, após Heihachi ter vencido o torneio anterior e recuperado o controlo do seu poderosíssimo grupo empresarial, Heihachi tenta fazer um favor ao mundo e utiliza a sua riqueza para obter paz mundial. Meanwhile, Jun Kazama engraviou do filho de Heihachi, Kazuya Mishima, quando este estava possuído por um demónio. De Jun e Kazuya nasce Jin Kazama, a nova estrela da série Tekken que teve aqui a sua estreia. Entretanto após umas escavações arqueológicas algures no méxico, Heihachi descobre um ser bastante poderoso e tenta utilizá-lo novamente para tentar dominar o mundo. Fica assim aberto o novo torneio dos King of Iron Fist. O jogo decorre assim 19 anos após o jogo anterior, com todas as personagens conhecidas a aparentarem ser mais velhas.
Jin é a nova coqueluche da série
A jogabilidade herda as mesmas mecânicas dos jogos anteriores da série, na medida em que cada botão facial representa um golpe de um membro (braço esquerdo ou direito e o mesmo para as pernas). A grande novidade está mesmo na inclusão do movimento de sidestepping que outrora era exclusivo de alguns movimentos especiais de algumas personagens, agora todos dispõem dessa habilidade, bastando carregar ligeiramente no direccional para cima ou baixo. Desta vez para além dos tradicionais modos de jogo como o arcade, versus e os outros modos de jogo vistos em Tekken 2, temos ainda mais 2 extras. Do Tekken 2 lá herdou o Practice onde podemos praticar os movimentos especiais de cada personagem, o survival onde teremos de sobreviver uma série de combates seguidos e o Time Attack, onde temos de vencer uma série de combates seguidos dentro de um certo limite de tempo e o Team Battle, onde podemos escolher uma equipa e lutar em combates 1 contra 1 até todos os lutadores adversários terem sido derrotados.
Tekken sempre teve alguns lutadores para a parvalheira e este não é excepção
Os novos modos de jogo existentes nesta conversão são os Tekken Ball e Tekken Force. O primeiro é um mini-jogo algo parecido com o voleibol de praia e o jogo do “mata”. O objectivo para marcar pontos tanto pode ser ao atacar o adversário, ao atirar-lhe com a bola em cima, ou fazer com que a bola caia ao chão do lado do campo do adversário. Mais divertido que isto é o modo Tekken Force, que é nada mais nada menos que um pequeno tributo aos beat ‘em ups de outrora. Infelizmente é um jogo curto, com apenas 5 níveis bastante simples. No final de cada nível temos sempre um combate contra um boss, que vai sendo diferente mediante a personagem escolhida. No entanto, o boss final é sempre Heihachi. Estes 2 modos de jogo não são propriamente grande coisa por si só, mas não deixam de ser alternativas interessantes que a Namco deu-se ao trabalho de fazer. Nos jogos seguintes este Tekken Force ainda foi mais aprimorado, pois era um modo de jogo com muito potencial, mas isso será assunto para outra altura.
Tekken Force, apesar de curto é uma homenagem aos beat ‘em ups de outrora
No campo audiovisual, Tekken 3 é excelente. Obviamente que tem menos eye-candy que a sua versão arcade, cuja corre num hardware mais poderoso, mas ainda assim não deixa de ser impressionante o detalhe que conseguiram manter nos lutadores na versão PS1. Já na altura quando via screenshots deste jogo em revistas ficava bastante impressionado, já ao vê-lo ao vivo e a cores era ainda melhor. Os lutadores têm bastantes polígonos e boas texturas e o mesmo pode ser dito dos cenários, embora os backgrounds não estejam tão bons como na versão arcade. As animações são também bastante fluídas e os golpes especiais estão repletos de efeitos especiais. Sinceramente em jogos de porrada em 3D prefiro o maior realismo de Virtua Fighter, mas não deixa de ser verdade que Tekken 3 é um jogo impressionante em todos os aspectos.
Até na música, que anteriormente achei bastante aborrecida, sempre com passagens electrónicas de mau gosto, desta vez eles esmeraram-se, apresentando uma banda sonora bem mais variada, e com algumas boas rockalhadas à mistura, como eu gosto. Para quem gosta das “electroniquices”, o género não foi esquecido e acho que neste jogo melhoraram bastante as composições também.
A CG de abertura está muito boa e Yoshimitsu está cada vez mais estranho
Posto isto tudo, é impossível não recomendar o Tekken 3 como um dos melhores jogos da biblioteca da Playstation, pelo menos de tudo o que eu tenha jogado até agora. O jogo apresenta um lineup bem sólido de personagens, muitas desbloqueáveis como de costume, e bastantes modos de jogo que nos deixavam entretidos durante muito tempo. A série Tekken não se poderia ter despedido da Playstation original de uma maneira melhor.
A série Shinobi da Sega sempre foi daquelas cujos jogos separavam os meninos dos homens. Chegar ao fim de um jogo da série fazia-nos logo crescer barba e cabelo no peito e este Revenge of Shinobi para a Mega Drive não foge à regra. Lançado originalmente para a Mega Drive e depois nas arcades para o sistema Mega-Tech (essencialmente uma Mega Drive na mesma), este é ainda um dos jogos de primeira geração desta consola e que apesar de ter saído em inúmeras compilações que vinham inclusivamente em bundles com a consola, é um jogo que eu sempre fiz questão em ter a sua versão standalone. E felizmente isso veio a acontecer numa incursão que fiz à feira da Vandoma no Porto no mês passado, onde o consegui comprar num bundle ficando-me por pouco mais de 3€.
Jogo com caixa e manual pt.
Este é uma sequela directa do primeiro Shinobi que também possuo para a Master System e figura mais uma vez o melhor ninja do clã Oboro, Joe Musashi. Após Musashi (porque Joe não tem piada nenhuma) ter derrotado o grupo mafioso de Zeed no primeiro jogo, este reforma-se como Neo-Zeed e a sua primeira acção foi mesmo vingar-se do clã Oboro, assassinando o mestre de Musashi e raptando a sua namorada Naoko. Ao longo do jogo Musashi irá atravessar meio mundo até finalmente chegar à fortaleza de Zeed e fazer o que lhe compete: dar um infesto de porrada em Zeed mais uma vez.
O fantástico ecrã título. Genesis does what Nintendon’t.
A jogabilidade é simples, um botão para saltar, outro para atacar e um outro para utilizar as magias ninjutsu, que já detalharei mais à frente. Os ataques tanto podem ser melee, se estivermos ao lado do inimigo, como podem ser de longo alcance através das shurikens que podemos apanhar ao longo dos níveis. Existe um cheat code que nos deixa com shurikens infinitas, código esse que me acompanhou em toda a infância e mesmo assim as coisas não eram fáceis. Para além do salto normal, podemos também dar um duplo salto com uma cambalhota no ar, que para além de nos permitir alcançar locais mais altos, podemos também disparar um molho de shurikens em várias direcções, um golpe bastante útil. Existem também níveis com 2 planos distintos, como o nível da base militar, onde temos inimigos no background e foreground, e é com esse duplo salto que alternamos de plano. Ao longo dos níveis podemos encontrar diversos caixotes que podem ter vários powerups, ou então estão armadilhados com bombas. Dos powerups, para além de mais shurikens, items que regeneram a nossa barra de vida ou mesmo vidas extra, temos powerups para armas, ou para as magias. Os primeiros tornam as nossas shurikens envoltas em fogo, capazes de dar duas vezes o dano das normais e equipam Musashi de uma espada também poderosa para close encounters. Mas como isto é um Shinobi, basta levar com um ponto de dano que perdemos esse bónus.
Ao dar um duplo salto podemos disparar shurikens por uma vasta área
O segundo deixa-nos utilizar mais uma magia no nível em questão. Existem 5 magias distintas, que podemos escolher qual queremos equipar no menu de pausa. Podemos utilizá-las em qualquer altura do nível, mas apenas o podemos fazer uma vez. A menos claro, que apanhemos esse powerup. Os Jitsus mágicos podem então ser o Ikazuchi, um escudo eléctrico que nos protege de 4 golpes; Karyu, onde Musashi invoca 4 dragões de fogo que dão dano a todos os inimigos no ecrã; Fushin, onde Musashi ganha uma maior destreza física, capaz de saltar ainda mais e por fim Mijin, mais uma magia que dá dano a todos os inimigos no ecrã, mas a troco da vida de Musashi. No entanto, apesar de ser um ataque suicida, restabelece a barra de vida e deixa-nos utilizar uma outra magia mais uma vez.
Um dos jitsus que podemos invocar, este dá dano a todos os inimigos no ecrã.
O jogo está dividido em 8 zonas, todas elas distintas visualmente entre si e divididas em 2 níveis de plataforma e um boss. Começamos o jogo em ruínas japonesas, lutando contra outros ninjas e guerreiros com armaduras samurai, e vamos atravessando cidades, bases militares e industriais, incluindo alguns níveis fora-de-série, como lutar em cima de um comboio, ou sobre um veículo que transporta mísseis intercontinentais. O último nível então é uma fortaleza labiríntica, onde existem imensas portas que o mais certo é não levarem a lado nenhum de interesse, levando-nos assim muito tempo até encontrar a saída. Mas para “piorar” as coisas, não fosse este um Shinobi, é practicamente obrigatório chegar ao boss final com um poder mágico extra e com o power-up que dê mais dano. Isto porque mal começamos a enfrentar Zeed, vemos Naoko aprisionada em background e Zeed solta uma armadilha em que o tecto da sua cela começa a descer lentamente. Sendo assim o jogo deixa-nos com 2 finais distintos: derrotar Zeed e Naoko morrer, ou derrotar Zeed a tempo e salvar Naoko. Por isso é que ter 2 poderes mágicos e/ou o powerup de dar mais dano é practicamente obrigatório. Não podia também deixar de referir outros bosses como o Hulk, Spiderman, Batman ou Godzilla. Inicialmente a Sega utilizou estas sprites (ou parecidas) sem autorização dos seus autores, pelo que existem em circulação diversas versões deste jogo, com sprites diferentes consoante as licenças na altura. Infelizmente não tenho a minha Mega Drive comigo em Lisboa, pelo que confesso que não sei qual das versões do jogo eu possuo.
Exemplo de um dos níveis em que podemos alternar entre 2 planos de acção distintos
Visualmente, apesar de ser um jogo de primeira geração da Mega Drive, não deixou de impressionar bastante na altura e mesmo nos dias de hoje porta-se bem. Ver aquela “cutscene” inicial do Musashi a defender-se com a espada de um monte de shurikens em grande plano sempre me impressionou quando era miúdo e mesmo hoje em dia continua-me a agradar. É verdade que outros jogos da Mega Drive, como por exemplo o excelente Shinobi III são melhores graficamente, mas este é bem competente, especialmente tendo em conta o facto de ser um jogo de primeira geração. Sprites grandes e detalhadas, níveis bem desenhados, não tenho razões de queixa. As músicas essas são autoria do grande senhor Yuzo Koshiro, que quem estiver por dentro do que ele faz, já sabe o que esperar. Músicas bem catchy, e sendo este um jogo de ninjas têm também um toquezinho oriental.
O Godzilla foi um dos bosses “polémicos”, por questões de copyright. Existem versões que trocam esta sprite por um esqueleto
No fim de contas, The Revenge of Shinobi é um excelente jogo. Não é por acaso que fez parte de imensos bundles e compilações até na própria Mega Drive. É um jogo bonito, com excelentes músicas e com uma jogabilidade simples, mas com uma dificuldade elevada. É jogo para separar os meninos dos homens, como sempre foram os jogos desta série. Joe Musashi, temos saudades tuas.