MDK (PC / Sony Playstation)

Das memórias que tenho ao ver o saudoso Templo dos Jogos durante a minha infância, um dos jogos que mais me marcou ao ver o seu gameplay era justamente este MDK, principalmente pela bizarrice das suas personagens e inimigos. Tendo sido produzido pela Shiny Entertainment, os mesmos que nos trouxeram Earthworm Jim, o facto de ser um jogo bizarro (e como vim mais tarde a descobrir, também tem um sentido de humor peculiar), não é propriamente de estranhar. Mas sendo um jogo tão negro, não era habitual tendo em conta o que eles tinham produzido até à altura. Bom, de qualquer das formas, apesar de ter sido um jogo que ficou bem guardado na minha memória devido ao tal programa televisivo, a verdade é que nunca me tinha passado pelas mãos ao longo de todos estes anos. Eventualmente, perto do final de 2016, lá me apareceu uma versão da PS1, sinceramente já não me lembro onde ou quanto custou, mas certamente não terá sido cara.

Jogo com caixa, manual e papelada

Então mas qual é o conceito deste jogo? A história anda à volta do inventor/cientista Fluke Hawkings, que observa um fenómeno estranho no espaço e decide construir uma estação espacial que orbita a Terra para o investigar. Para não estar sozinho no espaço, convence o seu empregado, o “faz tudo” Kurt Hectic a acompanhá-lo, e, já no espaço, cria também um cão cyborg de seis patas chamado Max/Bones. Eventualmente lá descobre que o tal fenómeno estranho que tinha observado é na verdade uma invasão alienígena que está prestes a decorrer na Terra, onde os aliens enviam naves gigantes para atacar as grandes cidades e consumir os recursos naturais do planeta. O doutor decide então enviar Kurt para ajudar a combater a ameaça e é aí que entramos em jogo.

Este paára-quedas todo estiloso pode ser usado a qualquer altura, o que nos deixa no ar mais tempo e é muito útil nos segmentos de platforming.

Comecei precisamente por jogar a versão da Playstation que, apesar de ser uma conversão sólida tendo em conta as limitações da consola, mais tarde apercebi-me que tinha na minha conta GOG uma cópia digital da versão PC, provavelmente oferecida algures no tempo e troquei logo de versão. Ainda bem que o fiz, até porque podemos customizar os controlos para um esquema WASD + rato, muito próximo dos jogos modernos, o que faz toda a diferença aqui. Em cada nível temos uma nave gigante para atacar, onde começamos por cair em queda livre desde a estação espacial atè à base em questão. Aqui apenas temos de nos preocupar em desviar dos radares e mísseis inimigos bem como, se possível, ir apanhando os itens que o doutor nos vai largando. A certa altura Kurt abre o seu páraquedas estiloso e entramos na base. Aqui o jogo assume-se mais como um shooter na terceira pessoa, embora a um ritmo frenético e com imensas armas e habilidades a ter em conta. Ocasionalmente teremos até alguns momentos de platforming, pelo que temos de saltar de plataforma em plataforma, podendo abrir o pára-quedas no momento do salto, que nos permite planar suavemente pelo ar e conseguir saltar distâncias maiores.

Conseguimos saber quanto nos falta para destruir certos inimigos pela sua barra de vida.

Mas no que diz respeito ao combate, a arma principal de Kurt, que está embutida no seu braço, possui munições básicas ilimitadas, embora possamos apanhar outras munições mais potentes ou diferentes tipos de bombas e granadas que podemos atirar livremente. Aqui começamos logo a ver o sentido de humor do jogo, pois umas das bombas chama-se “The World’s Smallest Nuke“, servindo principalmente para explodir com algumas portas, já outra é chamada “The World’s Most Interesting Bomb“, atraindo todos os inimigos para a sua proximidade, onde a poderemos depois detonar. Mas Kurt também pode desligar a sua arma do braço e ligá-la ao seu capacete, onde activamos o muito interessante sniper mode. Aqui podemos fazer zoom até 100x, bem como equipar a arma com diferentes tipos de munições (todas em número limitado), desde as balas normais de uma arma sniper, passando por outras mais chiques, como mísseis teleguiados ou morteiros que seguem trajectórias parabólicas. A visão do modo sniper possui também em cima 3 câmaras que seguem os projécteis que disparamos, o que é um toque interessante. Um dos itens que podemos apanhar permite-nos chamar o Max, que conduz a sua própria nave, para um ataque aéreo a uma zona que designamos previamente, precisamente com recurso ao modo sniper. Isto muitos anos antes dos Call of Duty e Battlefields! Para além de tudo isso há outras pequenas coisas que o jogo nos vai atirando ocasionalmente, como subir a bordo de um pequeno avião e bombardear os inimigos que estão no chão, ou atravessar certas zonas de um certo nível a fazer snowboard, por exemplo.

O modo sniper, muito original não só a nível de jogabilidade mas também artisticamente.

Já do ponto de vista técnico este é um jogo igualmente interessante, pois foi lançado numa altura de pioneirismo de jogos de acção completamente em 3D. E ora acima de tudo a Shiny queria um jogo bastante fluído, e com o facto de ser possível ampliar o cenário em 100x com recurso ao modo sniper, isto significa que o jogo tem de estar constantemente a renderizar uma grande percentagem do cenário, principalmente em zonas mais abertas, enquanto muitos outros jogos contemporâneos usavam o pop-in dos polígonos a uma certa distância ou então tentavam mascarar o mesmo com recurso a efeitos de nevoeiro. Aqui não temos nada disso, pelo que para manter sempre uma boa performance (e inicialmente o jogo saiu sem qualquer suporte a placas aceleradoras 3D!) o detalhe das texturas e número de polígonos teve de ser de certa forma sacrificado. Por isso as texturas são muito simples e de baixa resolução e detalhe, mesmo quando comparado com outros jogos de acção da época e muitas vezes o jogo utiliza o seu próprio estilo artístico em vantagem, com muitos polígonos a não possuirem texturas sequer, sendo inteiramente negros (o que resulta bem em zonas mais escuras), ou de outras cores. O próprio protagonista é uma sprite em 2D,  se bem que muito bem detalhada e animada, algo que a Shiny, especialmente alguns dos seus funcionários mais séniores já bem nos habituaram em clássicos como Aladdin ou Earthworm Jim. Exepto na fase inicial de cada nível onde caímos em queda livre até chegar à base alienígena e na fase final onde acontece o reverso, aí Kurt já possui um modelo em 3D poligonal. Os inimigos são no entanto completamente em 3D, se bem que com pouco detalhe.

Artisticamente este é mesmo um jogo muito original e bizarro. Adoro!

Mas tirando a conversa mais técnica, sinceramente este é daqueles jogos onde é mesmo uma pena que os seus direitos já tenham dado muitas voltas. Adoraria ver a equipa original a pegar novamente neste jogo e fazer um remake a sério. Isto porque a nível artístico, é um jogo tão bizarro, no entanto tão bem conseguido, que ver este mundo com a qualidade gráfica que merece seria mesmo muito interessante. Já NO QUE DIZ RESPEITO ÀS MUSICAS

Falando um pouco da versão Playstation (que foi convertida pela Neversoft, os mesmos do Tony Hawk), apenas joguei as 2 primeiras missões e, naturalmente que prefiro a versão PC. Não só por os controlos serem melhores (dá para configurar um setup WASD + rato parecido aos shooters actuais), mas a nível gráfico esta versão é mais pobre. Não que seja muito mais pobre pois ainda podemos fazer zoom a altas distâncias, mas as texturas e modelos poligonais são ainda mais primitivos em contrapartida. Mas não deixa de ser um jogo divertido, atenção! Se bem que os controlos também não são os mais adequados…

Tenho pena que estes ecrãs da base dos heróis não sejam cutscenes. Certamente seriam bastante cómicas!

De qualquer das formas volto a reiterar que fiquei agradavelmente surpreendido por este MDK. A impressão que sempre tive do jogo desde novo é que era algo sombrio e bizarro, talvez influenciado pela arte de H.R. Giger, em certos pontos. E de certa forma se calhar até é, mas a partir do momento em que leio o manual e vejo toda aquela paródia entre as personagens, e mesmo alguns bons momentos de humor ao longo do jogo propriamente dito, já deu para entender que não é tão sombrio assim, pelo que um remake em condições seria mesmo uma óptima notícia.

 

DecapAttack (Sega Mega Drive)

Depois do Psycho Fox da Master System, a Vic-Tokai desenvolveu um outro jogo de plataformas, agora para a Mega Drive, com a mesma jogabilidade base, ou seja o seu platforming algo escorregadio, devido à inércia que vamos ganhando à medida que aceleramos. O jogo foi originalmente lançado no Japão como uma adaptação do anime Magical Hat, que sinceramente nunca ouvi falar. Talvez por isso a Sega tenha decidido em alterar completamente o jogo quando o trouxe para o ocidente e o resultado foi este DecapAttack. O meu exemplar veio do Reino Unido no final do ano passado, custou-me umas 14 libras se bem me recordo.

Jogo com caixa e manual

O protagonista principal é uma múmia sem cabeça (Chuck D. Head), se bem que possui um rosto no seu torso. Somos uma criação do Dr. Frank. N. Stein, que nos traz à vida para combater um vilão qualquer, que decide separar os territórios da ilha onde nos encontramos. Ilha essa que tem a forma de um esqueleto, onde cada conjunto de níveis decorre numa parte do corpo desse esqueleto? Já estão confusos? As coisas não fazem muito sentido neste jogo, é verdade.

Chuck pode não ter uma cabeça, mas a cara que tem no seu tronco é letal

Mas o que interessa reter é que no fundo este é um jogo de plataformas com algumas mecânicas básicas: um botão para saltar, outro para atacar. Podemos destruir os inimigos ao saltando em cima deles várias vezes seguidas, ou atacando-os com o botão respectivo. E como ataca o Chuck? Com a cara que tem implantada no seu torso, lançando-a contra os inimigos. À medida que vamos avançando nos níveis vemos algumas estátuas por lá espalhadas, estas podem e devem ser destruidas, pois  geralmente possuem vários itens e power ups, mas também podem ter armadilhas como abrigar fantasmas que acabaremos por libertar. O power up mais comum é uma caveira que assim que a apanharmos, fica agarrada ao corpo de Chuck e pode também ser usada como arma. Isto porque tendo a cabeça equipada, ao pressionar o botão de ataque, Chuck irá atirar a sua cabeça para a frente, sendo que alguns segundos depois ela volta ao nosso corpo. Algo interessante a reter é que mesmo que tenhamos falhado o alvo, a cabeça fica no chão por alguns segundos, causando dano a todos os inimigos que lhe toquem. Talvez porque lhes esteja a morder??? No entanto basta sofrer dano uma vez que perdemos a cabeça irremediavelmente, tendo de procurar outra.

Esta é a estranha ilha de Chuck que temos de voltar a reunir

Os restantes itens que poderemos apanhar podem ser vidas extra, corações que nos restabelecem ou extendem a nossa barra de vida, moedas que nos dão direito a começar o nível de bónus ou então diferentes poções mágicas que vão para um inventário. E é aqui que entra o terceiro botão facial do comando da Mega Drive, para aceder ao inventário e usar as poções que vamos encontrando. Estas podem-nos dar invencibilidade, destruir todos os inimigos presentes no ecrã, outras tornam-nos mais rápidos, etc. Os efeitos de cada poção duram tipicamente 10 segundos, pelo que as devemos usar nos momentos de maior aperto. Por sua vez, os níveis de bónus que falei são muito simples. Temos 5 caminhos para escolher, onde desses 5 caminhos alguns dão recompensas, outros não dão nada. Por cada moeda que coleccionamos num nível podemos colocar um Chuck num desses caminhos. O seu progresso até ao topo não é linear, pelo que é uma questão de sorte mesmo. No entanto, se forem minuciosos a explorarem os níveis, podemos apanhar sempre 5 moedas, o que nos garante conseguir todos os bónus nestes níveis. De resto, ainda na jogabilidade, uma outra das mecânicas estranhas neste jogo é o facto de depois de saltarmos, se continuarmos a pressionar o mesmo botão de salto, vemos o Chuck a dar às pernas no ar, o que vai suavizando a sua queda e nos permite mais tempo no ar. Alguns níveis possuem alguns maiores desafios de platforming onde temos de usar bem esta técnica, entre outras.

No final de cada mundo temos sempre um boss para defrontar

No que diz respeito aos audiovisuais, há uma temática do horror que nos vai acompanhando ao longo de todo o jogo, mas sempre com um design mais cartoon, como se estivéssemos a ver um episódio de animação da série Addams Family. Isto é especialmente verdade na banda sonora, que é bastante agradável e as músicas têm sempre um certo factor assombroso nas suas melodias. Graficamente é um jogo interessante dentro das limitações da Mega Drive, com inimigos também bem detalhados, pelo menos no que diz respeito aos seus desenhos mais cartoony. Já os níveis em si, não há propriamente um grande fio condutor que os distinga bem uns dos outros, o que é pena. Pelo que vi do Magical Hat, a tal versão original japonesa sobre um anime que nunca tinha ouvido falar, parecia-me estar bem mais colorida e coesa neste aspecto. Os efeitos sonoros, porém, esses infelizmente já os achei muito irritantes.

Portanto este DecapAttack até que é um jogo de plataformas muito bizarro, no entanto divertido e desafiante. A ideia de apanharmos os power ups e usá-los apenas quando realmente precisarmos deles faz sentido, mas confesso que estava à espera de ver algumas mecânicas de jogo diferentes. Por exemplo, creio que seria mais interessante se o Chuck pudesse equipar diferentes cabeças, cada qual com diferentes poderes ou habilidades.

Lemmings and Oh No! More Lemmings (Sony Playstation)

Depois de ter analisado com algum detalhe a versão Mega Drive do Lemmings, é tempo para mais uma rapidinha, trazendo cá agora a versão Playstation do mesmo jogo. A nível gráfico, esta versão é mais fiel ao original Commodore Amiga, com os níveis mais longos que  foram retirados ou modificados na versão Mega Drive a marcarem aqui a sua presença. Para além disso inclui também a expansão Oh No! More Lemmings, uma de muitas que foram lançadas originalmente para o Commodore Amiga. O meu exemplar foi comprado em Janeiro de 2018 na feira da Vandoma no Porto por 4€.

Jogo com caixa e manual

Temos ao todo mais de 200 níveis pela frente em diversos graus de dificuldade, onde tal como antes, o objectivo de cada nível é o de guiar os lemmings em segurança para a saída de cada nível. O número mínimo de lemmings que temos de salvar, o tempo limite, bem como as habilidades que poderemos usar vão diferindo de nível para nível, sendo cada vez mais restringidos em níveis de dificuldade superiores, tanto na conversão do Lemmings original quanto da sua expansão/sequela. O Oh No! More Lemmings traz então uma série de níveis novos, distribuídos em 5 graus de dificuldade distintos, desde os fáceis Tame, até aos Havoc. A nível de mecânicas de jogo tudo está aqui presente, e uma vez mais alguns níveis exigem uma precisão practicamente pixel perfect para activar as habilidades de forma a chegar à sua conclusão, pelo que esperem na mesma por alguns níveis bastante frustrantes. A expansão/sequela não inclui nenhumas novas habilidades, possuindo apenas gráficos algo distintos.

Os níveis mais longos que ficaram de fora de algumas conversões para plataformas mais limitadas estão aqui presentes.

A nível audiovisual, esta é uma conversão muito mais fiel aos originais do ponto de vista gráfico, o que por um lado é bom, por outro também poderíamos estar à espera de cenários mais detalhados pois a Playstation já é um hardware que teria bem mais capacidade para tal. Ainda assim, mesmo tendo mais de 200 níveis pela frente, nem todos os níveis de ambos os jogos estão aqui presentes, o que sinceramente não se entende muito bem o porquê. Se cabiam num par de disquetes no Commodore Amiga, 650MB num CD não seriam suficientes? É verdade que temos algumas cutscenes em CGI ocasionalmente, bem como toda a banda sonora em CD audio, mas mesmo assim acredito que haveria espaço suficiente para mais níveis, não?

Esta versão possui algumas cutscenes em CGI mas não esperem por nada de espectacular

Portanto esta conversão do Lemmings, apesar de não ser perfeita, é mais uma sólida conversão do clássico da Psygnosis/DMA Design. O facto de ter sido lançada num sistema mais acessível nos dias de hoje, incluir o Oh No! More Lemmings e possuir quase todo o seu conteúdo original, são pontos decididamente fortes. Esperaria no entanto que esta versão tivesse sofrido alguns melhoramentos a nível gráfico, mas tivemos de esperar até 2006 para que isso acontecesse. Na PSP e PS2.

Lemmings (Sega Mega Drive)

Desenvolvido pela mesma equipa que veio mais tarde criar a série Grand Theft Auto, Lemmings é um muito interessante jogo de puzzle lançado originalmente em 1991 através da Psygnosis para uma série de computadores como o Commodore Amiga. Acabou por ser convertido para inúmeras outras plataformas, com a versão Mega Drive (e Super Nintendo também) a ser convertida nada mais nada menos do que o braço nipónico da Sunsoft. O meu exemplar foi adquirido em duas fases: numa primeira comprei a caixa e manual por uns 2/3€, já há vários anos atrás numa das minhas idas à feira da Vandoma no Porto. Andei depois muito tempo a ver se encontrava um cartucho solto, algo que acabou por acontecer algures em Abril do ano passado, cujo acabou por me ser oferecido por um particular.

Jogo com caixa e manual

Ora então qual é o conceito deste Lemmings? Estas criaturas são roedores que vivem já perto do Árctico e ficaram muito conhecidos pelas suas suas concentrações em grande número e supostas tendências suicidas, ao serem filmados a atirarem-se de penhascos. Pelos vistos não são suicidas, mas também não sou especialista na espécie, de qualquer das formas a DMA design achou boa ideia desenvolver um jogo à volta desse conceito. Basicamente o que aqui teremos são dezenas de níveis cheios de obstáculos onde teremos de encaminhar um determinado número de Lemmings até á saída do mesmo. Para isso teremos ao nosso dispor uma série de habilidades que podemos assignar individualmente aos Lemmings que vão caindo de um alçapão. Mas quais as habilidades que temos disponíveis, bem como o número de vezes que as podemos assignar é também variável consoante o nível em questão, pelo que teremos de ser por vezes muito criativos e ocasionalmente, sacrificar alguns lemmings acaba memso por ser inevitável.

Em cada nível temos uma quota mínima de lemmings a salvar

Isto porque os Lemmings vão caindo de um alçapão (cujo spawn rate poderemos ajustar) e a partir do momento em que caem em segurança numa superfície começam imediatamente a andar para a direita. Caso embatam numa parede, mudam de direcção e por aí fora. Então teremos de ter cuidado com precipícios, poças de água, chamas, espinhos e outras armadilhas escondidas que iremos encontrar à medida que vamos experimentando os níveis. Com os números de lemmings sempre a aumentar, temos de garantir que “a manada” vai sendo encaminhada com segurança, quando temos alguns lemmings escolhidos por nós para ir abrindo caminho até à saída, usando para isso as habilidades que podemos escolher. Estas consistem em assignar um guarda-chuva que serve de pára-quedas, permitindo ao lemming cair em segurança de alturas maiores, outra para escalar paredes, três habilidades para cavar superfícies, uma verticalmente, outra horizontalmente e uma outra de forma diagonal, sempre de cima para baixo. Outra das habilidades muito úteis é a de construir pequenas escadas de 12 degraus, o que servirá para construir pontes ou escadarias. Temos ainda a possibilidade de assignar lemmings “bloqueadores”, servindo de paredes e por conseguinte fazendo com que os outros lemmings mudem de direcção assim que entrem em contacto. A última habilidade disponível é a de activar lemmings bombistas suicidas, que explodem ao fim de 5 segundos. Qual a utilidade disto a não ser para satisfazer o sadismo do jogador? Bom, o lemming ao explodir rebenta também com parte do cenário à sua volta, e por vezes não temos habilidades de escavação suficientes (ou nenhumas de todo!) para conseguir abrir caminho onde necessário, pelo que sacrificar alguns dos pobres roedores é mesmo a única opção.

Temos de ter em atenção que os lemmings nunca param, pelo que temos de arranjar forma de os encaminhar na direcção correcta

Portanto resumindo, em cada nível temos um determinado número de lemmings disponíveis, cuja taxa de “nascimento” pode ser algo controlada, e onde teremos de levar pelo menos uma determinada percentagem de lemmings até à saída do nível, dentro de um tempo limite também previamente estabelecido. Em cada nível também teremos uma série de habilidades que estamos autorizados a usar, bem como o número de vezes que podemos usar cada uma. Ao longo dos níveis temos de atravessar vários obstáculos como precipícios, escavar túneis ou pontes, sendo que os lemmings não páram de nascer e estão em constante movimento. Para além disso, existem superfícies impenetráveis e outras que apenas nos permitem escavar numa certa direcçao. Portanto, pegando em toda esta informação, o resultado é um jogo de puzzle muito interessante e desafiante, que nos obriga a ter reflexos rápidos e planear minuciosamente o que podemos fazer tendo em conta os recursos disponíveis. Para além deste extenso modo single player, o jogo oferece também a possibilidade de jogarmos com um amigo num modo multiplayer competitivo. Aqui cada jogador pode comandar apenas os lemmings correspondentes à sua cor, mas o objectivo é o de abrir caminhos e tentar encaminhar o maior número possível de lemmings para a sua saída, mesmo que sejam criaturas do outro jogador. Confesso que não perdi muito tempo com este modo de jogo, mas acredito que tenha sido bastante divertido para a altura.

O modo multiplayer tem pinta de ser viciante!

Temos ao todo no modo single player 180 níveis para completar, ao longo de 6 diferentes níveis de dificuldade, é muita coisa mas felizmente dão-nos uma password após completar cada nível. O original possuía 4 níveis de dificuldade, com 120 níveis ao todo. Aqui a conversão é mais ou menos fiel, com alguns níveis modificados, aparentemente aqueles que eram maiores nas versões Amiga e PC foram substituídos por níveis mais curtos ou até retirados da expansão Oh No! More Lemmings, como li por aí. De qualquer das formas, 180 níveis é muita coisa, pois alguns são mesmo muito desafiantes, obrigando-nos a timings muito precisos e uma gestão impecável de recursos.

No que diz respeito aos audiovisuais, a nível gráfico é um jogo muito simples. Os níveis em si vão sendo algo variados nas suas temáticas (incluindo alguns mais infernais certamente inspirados em Shadow of the Beast), mas a implementação da Mega Drive acaba por sofrer alguns cortes no detalhe dos lemmings e as cores dos níveis, que são um pouco mais deslavadas nesta versão. As músicas são um prato misto, desde interpretações de alguns temas clássicos como Mozart ou Tchaikovsky, passando por músicas bem mais alegres e mexidas, típicas da comunidade Amiga. Já no que diz respeito aos efeitos de som, estes são quase inexistentes nas definições por defeito das opções. Isto porque podemos jogar com música e efeitos sonoros limitados, desligar a música e melhorar a qualidade e número de efeitos sonoros, ou desligar tudo.

As skills que podemos assignar vão sendo muito mais limitadas em níveis de dificuldade mais elevados

Mas mesmo com estas limitações técnicas, o que interessa da jogabilidade continua aqui presente, sendo esta, na altura, uma conversão bastante sólida do clássico original. Mas o Lemmings continuou a ser convertido para inúmeras plataformas, incluindo a versão Playstation que para além dos níveis originais, inclui também toda a expansão “Oh No! More Lemmings“. Ou um remake completo lançado em 2006 para a PSP e PS2 também poderão ser alternativas bem válidas. No que diz respeito às consolas da Sega, a Master System e Game Gear receberam também conversões, que acabam por ser muito mais humildes.

 

Assassin’s Creed III (Sony Playstation 3)

Depois do fecho da trilogia de Ezio Auditore com o Assassin’s Creed Revelations, a saga da eterna luta entre as ordens dos Assassinos e Templários continua, agora com a Ubisoft a virar as agulhas para longe do continente Europeu e assentar-se na costa leste dos Estados Unidos, entre 1754 e 1783, atravessando então aquele período da Revolução Americana que acabou por levar as colónias britânicas a alcançarem a sua independência. O meu exemplar foi comprado usado há uns anos atrás, creio que por 7€. Infelizmente o código de DLC já tinha sido usado pelo que acabei por jogar a edição mais básica deste jogo – que mesmo assim já possuía conteúdo quanto baste!

Jogo com caixa, manual e papelada

Continuamos então a reviver os antepassados de Desmond Miles, em busca de mais artefactos da primeira civilização, começando por encarnar na personagem de Haytham Kenway, um aparente aristocrata britãnico que, após armar alguma confusão no seu país, parte para as colónias Norte-Americanas em busca de templos da Primeira Civilização. Entretanto coisas acontecem, a narrativa avança alguns anos e passamos a jogar antes com Ratonhnhaké:ton (Connor para os amigos), filho de Haytham e uma nativa de uma tribo do povo dos Mohawk. É com Connor que todas as novas mecânicas de jogo se revelam e iremos também acompanhar de perto a trama que levou ao povo Norte-Americano a revoltar-se, naturalmente com interferência de Templários e Assassinos.

Começamos por incarnar no papel de Haytham Kenway, pai do futuro protagonista principal

Mas então o que traz este jogo de novo? Na sua essência continua a ter um grande open world para ser explorado, repleto de missões opcionais e coleccionáveis que poderemos procurar. Entre as áreas de jogo a explorar temos Boston, Nova Iorque e a vasta floresta Norte-Americana, com algumas pequenas comunidades aqui e ali. Connor é ainda mais ágil que os seus antecessores, podendo agora saltitar entre os ramos de árvores como se nada fossem, bem como poderemos caçar animais e coleccionar alguns dos seus recursos como peles e carne. Ora isto abriu portas para muita coisa nova, pois nos Assassin’s Creed de Ezio nós iríamos renovar edifícios espalhados pelas diferentes cidades e os seus ocupantes nos pagariam uma renda. Aqui vamos montando uma própria comunidade à volta da nossa base de operações, onde cada novo habitante que “recrutamos” contribui com produtos agrícolas, alimentos, madeira, metais, entre outros. Podemos comprar os ingredientes que produzem, usar um sistema de crafting para construir novos itens, que podemos depois comercializar em caravanas ou mesmo em navios que os transportam para outras cidades. O crafting e respectivo comércio acaba agora por ser a nossa maior fonte de rendimentos, mas por outro lado também nos dá muito mais trabalho.

O sistema de combate foi ligeiramente alterado, mas as mecânicas base mantêm-se

Inicialmente este comércio é de risco moderado/elevado pois a nossa mercadoria está sujeita a imposto forçado pelas forças britânicas, bem como ser atacada pelas mesmas, pelo que por vezes teremos de defender as nossas mercadorias no terreno. Mas à medida que vamos atacando e libertando os fortes britânicos espalhados pelo jogo este risco e imposto vai diminuindo, tornando o comércio mais seguro e rentável. E se por um lado temos também imensas lojas onde podemos comprar e vender directamente os produtos que carregamos, bem como comprar novas armas, o sistema de crafting também nos permite criar novas armas e outros equipamentos para o próprio Connor, geralmente com melhores atributos do que os que podemos encontrar nas lojas.

Mais ou menos a meio do jogo podemos também desbloquear novos aprendizes a Assassinos, onde tal como nos jogos anteriores, podem ver as suas habilidades a evoluirem ao executarem missões em territórios vizinhos, mas também ao serem chamados ao terreno para nos auxiliarem directamente. Infelizmente apenas os podemos chamar nas cidades de Boston e Nova Iorque, tinha dado imenso jeito a sua ajuda para conquistar os fortes nas florestas. Isto também porque os soldados que combatemos são agora em muito maior número, patrulhando as cidades e zonas florestais em patrulhas com uns 6 ou 7 elementos, pelo que arranjar conflitos em zonas urbanas com maior concentração de soldados pode se tornar num grande desafio principalmente na primeira metade do jogo onde o nosso arsenal é muito mais limitado. Para além disso eles são mais organizados e atentos. Alguns juntam-se um pouco mais longe em fileiras de tiro enquanto outros (incluindo alguns soldados bem fortes no combate corpo a corpo) nos rodeiam. Usar os counters e movimentos de desarmamento ou quebra-defesas são imperativos nesses combates mais intensos. E mesmo aquele truque que antes usava de subir para telhados e executar um air assassination a um ou 2 soldados de cada vez agora é inútil pois a partir do momento que os soldados estejam com os seus olhos postos em cima de nós conseguem precaver esses ataques. Para além disso, em zonas mais fechadas, a câmara muitas vezes acaba por atrapalhar bastante nestes combates tão exigentes de reflexos rápidos aos movimentos dos nossos oponentes.

Mandar os assassinos em missões é bom para ganharem experiência e trazer alguns trocos extra.

Para além de tudo isto temos ainda pela primeira vez as missões navais, uma das outras grandes novidades introduzidas neste jogo, e exploradas ainda mais na sua sequela. Para além de algumas missões pertencentes à história principal, teremos também um grande número de sidequests para completar que tipicamente reduzem o risco de ataque em caso de enviarmos um navio com bens comerciais. Nas missões marítimas geralmente teremos de conduzir o navio, alternando entre diferentes configurações das velas para controlar a velocidade e ter melhor manobrabilidade quando precisamos de evitar alguns obstáculos à nossa volta como recifes. Mas também teremos de combater navios inimigos, onde podemos ordenar a nossa tripulação para gerir os canhões principais do navio e outros secundários, ideais para destruir barcos mais pequenos ou causar dano localizado em navios maiores. Também podemos comprar upgrades para o navio que melhoram não só o seu poder de ataque, como munições incendiárias ou correntes que se disparadas “à queima roupa” podem destruir os mastros de um navio oponente, imobilizando-o. Mas também podemos melhorar as defesas do navio, bem como comprar uma “cunha” que nos permite albarroar os navios dos nossos oponentes. Ainda nas mecânicas de jogo só me resta mesmo mencionar que uma vez mais temos aqui uma componente multiplayer que eu sinceramente nem toquei, pelo que não me vou alongar na mesma.

Demorei um pouco a habituar-me às mecânicas das missões navais, mas depois de algum tempo (e upgrades!) já era imparável nos oceanos.

Todas estas novidades nas mecânicas de jogo foram muito benvindas e deram de facto um novo fôlego à série, mas este Assassin’s Creed também possui um motor de jogo inteiramente novo. Graficamente é então um jogo superior aos seus predecessores, não só nas áreas urbanas, mas principalmente maior detalhe das zonas florestais onde todos os detalhes geográficos, a vegetação e vida animal estão muito bem implementados. Para além de ciclos de dia e noite, temos também ciclos de estações do ano e diferentes condições meteorológicas. Caminhar pela floresta coberta de neve é de facto muito diferente de o fazer na Primavera ou Verão. E para além disso, se atravessarmos um nevão, a visibilidade dos soldados inimigos também é reduzida, o que nos pode ajudar bastante se optarmos por uma jogabilidade mais furtiva. No entanto nem tudo são coisas boas, pois por vezes temos alguns problemas de performance, algo que já acontecia nos jogos anteriores. Mas este foi o primeiro Assassin’s Creed cujos bugs e glitches me afectaram directamente. Desde alguns glitches gráficos que deturpam toda a visibilidade do ecrã, se bem que temporariamente, ou outros que chegaram inclusivamente a crashar o jogo e deixar a Playstation 3 sem qualquer capacidade de resposta, obrigando-me a fazer reset. Outros bugs mais funcionais também me atrapalharam ocasionalmente, obrigando-me a por vezes a repetir alguma missão, ou voltar atrás nalgum checkpoint. De resto, a nível de apresentação como um todo, está realmente um jogo muito bom, pois sentimos que voltamos mesmo ao século XVIII  e conseguimos viver a experiência de como seria a vida das pessoas nas cidades coloniais, bem como nas florestas, repletas de vida animal e bonitas paisagens. O voice acting continua excelente e as músicas quando existem tendem a ser mais épicas ou tensas consoante o contexto do momento.

Neste capítulo temos muito mais atenção ao detalhe, especialmente nas florestas, repletas de vida selvagem.

Portanto este Assassin’s Creed III acabou por me agradar bastante principalmente pelas novas mecânicas que lhe introduziram. Achei-o também um jogo mais desafiante, pelos soldados mais bem equipados, em maior número e mais agressivos. Temos uma vez mais um grande número de sidequests, desafios e coleccionáveis para apanhar, pelo que se quisermos fazer o jogo a 100%, teremos mesmo de dispender muitas horas. Até porque agora para ganhar grandes quantias de dinheiro temos mesmo de usar bem as mecânicas de caça, crafting e trading, o que acaba por ser um processo mais moroso do que simplesmente esperar 20 minutos e receber uns milhares na conta automaticamente.

Depois este Assassin’s Creed III acabou também por receber um conjunto considerável de conteúdo extra na forma de DLCs. Infelizmente o código do meu jogo já tinha sido usado pelo que joguei a versão 100% vanilla, mas confesso que até fiquei com vontade de jogar pelo menos o The Tyranny of the King Washington. Claro que, à boa maneira da Ubisoft, os DLCs continuam à venda para a PS3, mas a full price. Ora numa plataforma já completamente obsoleta, não faria sentido eles baixarem o preço dos DLCs? Portanto, caso ainda não tenham experimentado este jogo, recomendo mesmo que joguem a sua versão remasterizada para as consolas de geração actuais, pois que eu tenha conhecimento é a única que traz todos os DLCs, com o bónus de trazer também o AC Liberation, que planeio jogar muito em breve. É que mesmo nas outras compilações que a Ubisoft lançou entretanto e que incluiram este AC III, nenhum dos DLCs vinha incluído, o que é simplesmente estúpido.