Buck Rogers: Countdown to Doomsday (Sega Mega Drive)

Voltando à Mega Drive, vamos agora ficar com a conversão de um Western RPG produzido pela SSI, a mesma emprea que desenvolveu imensos RPGs com a licença da Dungeons and Dragons e com belíssimas capas as tais Gold e Silver Box. Essa é uma série que tenho mesmo de me aventurar um dia destes! Mas adiante. Para além de Dungeons and Dragons, eles trabalharam também com outras propriedades, como foi o caso do Buck Rogers, um herói de banda desenhada de ficção científica com as suas origens no final da década de 1920! Um herói com quase 100 anos portanto! A Electronic Arts publicou uma versão para a Mega Drive que, apesar de ser uma versão simplificada do original PC, até me pareceu bem competente. O meu exemplar foi comprado a um amigo meu algures em Fevereiro de 2020.

Jogo com caixa

Ora este jogo leva-nos ao futuro num conflito interplanetário entre 2 organizações: o império militar dos Russo-American Mercantile (RAM) e a força da resistência dos NEO, ou New Earth Organization, da qual fazemos parte. O herói Buck Rogers irá aparecer algumas vezes ao longo da nossa aventura, mas nós encarnamos numa party de recrutas que iremos precisamente por começar a criar. Podemos então optar por seleccionar personagens masculinas ou femininas, dentro das raças Humana, Tinker ou Desert Runners e posteriormente a classe: Warrior, Rocket Jockey (o equivalente a Engineer), Rogue ou Medic (as personagens da raça Tinker, muito fracas fisicamente, podem ser apenas Medics). Depois lá lançamos os dados para serem atribuidos os nossos stats e felizmente podemos relançar os dados livremente até termos um resultado mais agradável. Em seguida temos 8 skill points que poderemos atribuir a uma série de diferentes skills que serão distintas de classe para classe. Tudo isto para cada personagem que criamos! Todas elas são importantes, mas os Warriors são imprescindíveis nos combates, os Rocket Jockeys para reparar a nossa nave e interagir com computadores ou outros sistemas electro-mecânicos e os Medics… bom, servem para curar os restantes membros da nossa party, pelo que também são muito importantes!

Começamos a aventura precisamente ao criar a nossa party. Atenção ao ícone com os dados, para fazer reroll das características até saírem valores aceitáveis.

Começamos a aventura na superfície do planta Terra, cujo começa a ser atacado pelas forças dos RAM e é aqui que começamos a por em práctica as nossas habilidades em combate! A exploração é feita numa perspectiva isométrica (ao contrário do original PC que possuí exploração em primeira pessoa) e eventualmente lá somos levados para uma série de batalhas, também numa perspectiva isométrica. Estas são batalhas por turnos, onde poderemos, individualmente, controlar cada membro da nossa party, movimentá-lo pelo campo de batalha e atacar o alvo que pretendemos. Também poderemos usar habilidades características de cada classe bem como consultar o inventário de cada personagem e mudar de equipamento se assim o desejarmos. No final de cada batalha ganhamos pontos de experiência e tipicamente itens também, que devemos aproveitar, quanto mais não seja para depois vender os excedentes. Depois desta batalha inicial à superfície da Terra, somos transportados para uma estação espacial que serve de centro de comando dos NEO, onde conhecemos o comandante lá do sítio e que nos vai dando missões para irmos completando, tendo de explorar vários recantos do espaço, desde estações espaciais inimigas em baías de asteróides, ou mesmo colónias em planetas como Vénus e Marte. Para isso vamos explorando o universo a bordo de uma nave espacial e frequentemente vamos encontrando naves inimigas.

A cutscene inicial conta-nos um pouco do que se passa naquele universo. Quais os seus habitantes e intervenientes no conflito!

Sendo este um RPG, podemos tentar a nossa sorte e evitar um confronto, o que irá depender da maneira como evoluímos o carisma do líder da party. Caso tenhamos de batalhar, o jogo assume uma vez mais um sistema de batalha por turnos, onde podemos tentar atingir diversos pontos chave da nave inimiga e caso tenhamos um Rocket Jockey connosco, poderemos também reparar o dano sofrido. Uma vez causado dano suficiente na nave inimiga, podemos invadi-la, matar todos os seus passageiros e conquitá-la, o que nos dará mais pontos de experiência. Evoluir as personagens é algo que não é tão trivial como na maioria dos RPGs, pois mesmo se tivermos pontos de experiência suficientes para subir de nível, teremos primeiro de visitar um ginásio, que aí sim, nos permitirá evoluir e atribuir novos skill points às skills disponíveis. E uma vez mais, sendo este um RPG ocidental, há aqui também um certo nível de não linearidade. Podemos explorar o universo à nossa vontade, desbloquear uma série de side missions que, mesmo sendo opcionais, a experiência é valiosa e para além disso, mesmo quando vamos explorando certos cenários, vamos tendo sempre vários eventos a surgir e que nos dão diferentes hipóteses de escolha, o que por sua vez poderá mudar um pouco o rumo das coisas.

As batalhas são por turnos e podemos controlar cada personagem individualmente

A nível audiovisual acho um jogo bastante simples. As dungeons, como já referi acima, são apresentadas numa perspectiva isométrica e uma boa parte do ecrã é tomada por janelas de texto. No canto superior direito vemos sempre uma representação do cenário onde nos encontramos ou dos inimigos/NPCs que iremos enfrentar ou interagir. E sendo este um jogo baseado numa personagem de banda desenhada antiga, há muito daquele imaginário retro-futurista, que eu pessoalmente até aprecio. A nível de som, bom, é um jogo bastante simples, as músicas não são nada de especial, particularmente as músicas dos combates, que são apenas clips relativamente pequenos com percurssões.

As dungeons apresentam gráficos simples, mas sempre gostei da arte que vai sendo mostrada no canto superior direito

Portanto devo dizer que até fiquei agradavelmente surpreendido por este Buck Rogers. A sua história até que é interessante, até pela quantidade de conteúdo opcional que poderemos vir a descobrir. Para além disso, e da mudança de perspectiva na exploração face ao original de PC, houve uma série de outras mudanças que o simplificaram, tendo em conta que a Mega Drive não tem um teclado. A gestão de inventário e de skills é toda feita usando ícones, o que acaba por ser muito mais cómodo do que se mantivessem a interface original. Por outro lado, a versão PC é também mais complexa, não só no maior número de raças, classes e skills disponíveis, bem como a preocupação adicional das armas de fogo consumirem munição. Portanto, esta conversão para a Mega Drive apesar de ter algum conteúdo cortado, ainda assim me pareceu um jogo bastante sólido. A ver se jogo mais coisas da SSI em breve!

Assassin’s Creed IV: Black Flag (Sony Playstation 4)

Lançado em 2013, Assassin’s Creed IV mantém o seu foco no território norte-americano, mas desta vez uns bons anos antes das aventuras de Connor no Assassin’s Creed III, até porque controlamos nada mais nada menos que Edward Kenway, seu avô. E com as batalhas navais introduzidas no seu antecessor até tiveram sucesso, a Ubisoft decide dedicar esta aventura precisamente aos piratas nos mares das Caraíbas. Foi um jogo lançado numa altura de transição de gerações de consolas, com versões para as consolas principais de ambas as gerações. Originalmente até tinha comprado a versão PS3, mas acabei mais tarde por trocar por uma versão PS4, já não me recordo quando nem onde, mas foi certamente barata.

Jogo com caixa, manual (o que é raro num jogo PS4!) e papelada

Este Assassin’s Creed começa de uma forma algo diferente, pois Edward Kenway era mesmo um mero pirata e que, em busca de lucro fácil, acaba por envolver numa conspiração dos Templários e que, inedvertidamente acaba por enfraquecer a posição dos Assassinos da região. Eventualmente Edward consegue também o seu próprio barco, faz amizades com outros capitães piratas notáveis e começa também, aos poucos, a colaborar com a ordem dos Assassinos locais. Em paralelo há também uma trama a decorrer no presente, onde controlamos um funcionário da Abstergo que navega pelo Animus para explorar não as memórias dos seus antepassados, mas sim as memórias de uma certa personagem também muito importante naquele universo. Teoricamente a Abstergo (Entertainment) está a explorar essas memórias para criar filmes ou diversões de realidade virtual sobre aventuras de piratas, mas na verdade o que lhes interessa são informações cruciais de artefactos da tal primeira Civilização.

Havana é uma das várias cidades que iremos explorar

A nível de controlos, os mesmos foram ligeiramente modificados, a meu ver para melhor, no que diz respeito ao combate corpo-a-corpo, armas de fogo e o habitual parkour. As habilidades estão todas lá na mesma, mas simplificaram ligeiramente alguns dos seus controlos. O que gostei mais é o facto do sistema de notoriedade (nas cidades) ter sido eliminado. Agora podemos fazer asneiras quanto baste que para a nossa notoriedade baixar já não temos de andar a subornar pessoas ou rasgar cartazes de criminosos procurados, mas sim basta sairmos de cena, procurar um local isolado e esperar algum tempo até ficarmos completamente anónimos de novo. Já nas batalhas navais, que estão mais uma vez de regresso (ou não fosse este um jogo dedicado a piratas), quantos mais navios atacarmos, maior será a nossa notoriedade e, sendo esta suficientemente elevada, iremos também atrair navios de caçadores de piratas. Mas felizmente essa notoriodade também é fácil de ser reduzida.

Espalhados pelos oceanos podemos também encontrar náufragos que podemos adicionar à nossa tripulação ou carga perdida

De resto esperem pelas habituais mecânicas de um Assassin’s Creed, sendo este um jogo de mundo aberto, esperem por vários coleccionáveis para apanhar e missões secundárias para cumprir. A grande diferença está mesmo na sua magnitude, pois vamos ter algumas pequenas cidades para explorar, mas muitas outras ilhas desertas e localizações de interesse ao longo dos oceanos. Portanto, para quem quiser fazer todas as sidequests e apanhar todos os coleccionáveis, têm aqui muitas horas de jogo pela frente. O sistema de caça e crafting marca cá uma vez mais a sua presença, agora com a possibilidade também de caçarmos tubarões ou baleias em alto mar, mas não há um foco tão grande na caça como no jogo anterior. O que está também de volta é todo o sistema de trading que podemos gerir, ao criar uma frota de navios e levá-los em várias rotas comerciais, algo muito útil para fazer dinheiro extra, até porque todos os upgrades que podemos comprar para o Edward Kenway, a sua residência, ou mesmo o seu barco Jackdaw custam dinheiro e/ou outros recursos como madeira ou metais que teremos de obter ao assaltar outros navios. De todo este conteúdo opcional, o que não gostei nada foram as missões de exploração subaquática. Os controlos não são de todos os melhores os mares estão repletos de perigos como tubarões, medusas ou moreias, para além de estarmos constantemente pressionados pela falta de ar.

Sendo um jogo baseado em aventuras piratas, não podiam faltar mapas de tesouros escondidos!

A nível gráfico é um jogo que sofre por estar ali numa transição de gerações. Mesmo jogando-o numa Playstation 4, o salto gráfico não é ainda tão considerável assim, quando comparado com uma versão PS3 ou Xbox 360. Ainda assim é bastante competente e gostei bastante de explorar as Caraíbas. O jogo possui um sistema de meteorologia dinâmica e num minuto podemos estar a navegar em oceanos calmos, como noutro já podemos estar rodeados de tufões e ondas gigantes. E quando temos de enfrentar armadas e/ou fortes inimigos nestas condições? Gostei bastante! De resto, o voice acting é bastante competente e apesar de, na maior parte do jogo iremos enfrentar forças espanholas ou inglesas, há um certo ponto na história onde iremos enfrentar uma armada portuguesa. E apesar dos actores portugueses não terem sido propriamente os melhores, é agradável ouvi-los a falar uns com os outros em português de Portugal. Ou mesmo quando os combatemos, ouvir um “anda cá otário!” é delicioso.

O combate continua brutal como sempre!

Portanto o meu balanço para este Assassin’s Creed IV Black Flag acaba por ser bastante positivo no final. Gostei da forma como a personagem Edward Kenway vai evoluindo com o tempo e é um jogo que nos apresenta de facto imensas coisas para fazer em paralelo à história principal. E navegar pelos mares das Caraíbas, descobrir ilhas desertas, ou simplesmente atacar navios aleatórios que se atravessavam no nosso caminho, foi de facto uma experiência muito agradável. Mas confesso que, perto do fim, já me estava a cansar um pouco. A minha ideia era pegar no Assassin’s Creed Rogue logo de seguida, mas acho que lhe vou dar um ou dois meses de intervalo.

King’s Quest V (PC)

O quinto King’s Quest foi o primeiro jogo da Sierra já com uma nova versão do seu motor gráfico SCI. Para além de suportar sistemas VGA, o que resultou num grafismo com muito mais detalhe, possui também, pela primeira vez na série, um interface verdadeiramente point and click, ou seja, já não precisamos de escrever quais os comandos a executar! O meu exemplar, tal como os outros veio cá parar após ter comprado um bundle com dezenas de clássicos da Sierra a um preço muito reduzido, algures no ano passado.

Neste jogo voltamos a controlar o rei Graham, agora já mais velhote, e que, a certo dia depois de dar um passeio, vê o seu castelo (com toda a sua família) a desaparecer! Tal feito só pode ser obra de um poderoso feiticeiro, sem dúvida! Pelo menos é o que nos diz Cedric, uma coruja falante com uma voz super irritante e que nos irá acompanhar ao longo da aventura, onde viajamos até ao reino de Serenia para tentar recuperar a família de Graham e o seu castelo.

Às vezes o jogo avisa-nos que vamos enfrentar situações de perigo. Bom, pelo menos o Cedric sim.

A nível de jogabilidade, tal como referi acima este é finalmente um jogo de aventura gráfica verdadeiramente point and click, ou seja, com cursores que representam diferentes acções, como mover, falar ou interagir e apenas temos de escolher a acção que queremos, apontar e clicar. Já não precisamos de escrever as acções numa linha de comandos! De resto contem com os habituais perigos da série King’s Quest (excepto escadas traiçoeiras) pelo que convém fazer uma boa gestão de saves. Mas se calhar o melhor é mesmo seguirem um guia, pois tal como em muitos outros jogos de aventura da época é perfeitamente possível alcançar cenários onde não conseguimos ganhar, seja por não termos apanhado algum item anteriormente, ou por o ter usado onde não deveríamos, desperdiçando assim várias horas do nosso tempo. E claro, alguns puzzles não são lá muito lógicos (adivinhem lá como é que temos de derrotar o Yeti?).

A variedade de cenários está muito bem conseguida nesta aventura!

A nível audiovisual, este é de facto um grande avanço perante os títulos anteriores. O facto de o jogo suportar o sistema VGA permite pela primeira vez à série apresentar cenários muitíssimo bem detalhados e repletos de cor. E iremos visitar ambientes muito distintos entre si, desde desertos, florestas assombradas, montanhas geladas ou mesmo outras cidades, todos eles muito bem representados graficamente. A acompanhar este novo detalhe gráfico está também, pelo menos na versão CD-ROM que felizmente é a que vem na compilação onde o joguei, voice acting! Infelizmente o voice acting não é o melhor de todos, especialmente na voz incrivelmente irritante da coruja Cedric. Mas não deixa de ser um avanço tecnológico muito bom para um jogo de 1990. As músicas são também de muito maior qualidade que qualquer outro jogo da série que tinha sido lançado até então.

Portanto considero este King’s Quest V um óptimo jogo de aventura gráfica, embora ainda tenha alguns elementos mais frustrantes, como uns labirintos confusos e a possibilidade de arruinar o progresso do jogo ao esquecermo-nos de apanhar algum item que venha a ser importante lá mais perto do final do mesmo. Portanto, a menos que queiram jogar isto como se fosse 1990, recomendo vivamente que usem um guia!

Ys Book I and II (PC-Engine CD)

E depois de ter escrito sobre o Ys I & II Chronicles+, um dos últimos relançamentos dos primeiros jogos desta série, vamos ficar agora com um breve artigo sobre a sua adaptação para a PC-Engine CD, que ficou a cargo da Hudson e Alfa System, tendo também recebido um lançamento em solo norte-americano. Mas naturalmente a versão Japonesa é bem mais acessível economicamente, pelo que foi essa que acabei por comprar num pequeno lote que comprei no eBay algures no passado mês de Fevereiro, por cerca de 10€ mais portes.

Jogo com caixa e manual embutido na capa. Versão japonesa.

Esta conversão dos dois primeiros títulos para PC-Engine tem a curiosidade de ser a primeira vez que o Ys II acaba por ser lançado no ocidente (Estados Unidos apenas) para o sistema Turbo CD. E a transição para o formato CD acaba por incluir uma série de músicas em formato redbook, algum voice acting em certos pontos chave da história e algumas cutscenes adicionais, embora estas sejam ainda relativamente simples, até porque este é um lançamento CD-ROM² e não um Super CD-ROM² que usa alguma RAM adicional. Mas já lá vamos.

Tal como noutras versões, alguns NPCs têm direito a janelas de diálogo especiais

A nível de jogabilidade é um jogo que mantém toda a sua base dos originais, sendo RPGs de acção onde não temos um botão de ataque, mas sim temos de ir contra os inimigos (de preferência num certo ângulo para não sofrer dano). Calculo que o design das dungeons e cidades seja mais próximo aos lançamentos originais, pois as edições mais recentes incluem algumas áreas adicionais que não estão aqui presentes (como a aldeia piscatória de Barbado logo no início do primeiro Ys). Mas o que se sente mesmo mais falta perante os lançamentos recentes é o facto de não nos podermos mover na diagonal. É que mover diagonalmente é muito útil para os combates e atacar os inimigos num ângulo onde conseguimos causar dano contínuo e muito raramente sofrer dano! Então, para quem que, como eu, jogou as conversões dos Ys I & II mais recentes, acabamos por ter mais trabalho em reaprender o combate. No artigo anterior eu disse que o Ys II é uma sequela directa do primeiro e de facto nesta versão o jogo transita rapidamente do primeiro para o segundo título, com Adol a herdar os seus stat points entre ambos os jogos, o que acho bem, mas não deixa de ser necessário algum grinding posteriormente na mesma.

O design das áreas de jogo parece ser bem mais fiel aos originais

A nível audiovisual, este é um jogo muito interessante por incluir algum voice acting e, depois de jogar um pouco a versão norte-americana emulada, até me pareceu bem competente para um jogo de 1990. As músicas são compostas por todas aquelas melodias super sonantes e confesso que a banda sonora parece-me algo dividida entre temas em formato cd audio, e outros chiptune. São músicas excelentes, mas não há como não preferir as suas versões gravadas com instrumentos reais como ouvimos mais tarde nas versões Chronicles. Graficamente é um jogo simples, com sprites pequenas, mas ocasionalmente temos direito a algumas cutscenes mais trabalhadas, embora ainda não com um nível de detalhe como iremos ver mais tarde noutros jogos desta série para o PC-Engine.

Nesta versão vamos tendo também algumas cutscenes ocasionais

Eu não joguei esta versão na sua totalidade, mas as quase 2 horas de jogo já me deixaram com uma boa ideia das suas capacidades e a ideia que me dá é que, para 1990, são adaptações muito competentes dos primeiros jogos da série. Mas com as versões Eternal/Complete/Chronicles que possuem uma jogabilidade mais fluída, a possibilidade de nos movermos na diagonal, e audiovisuais muito superiores (principalmente nas músicas), torna-se muito difícil voltar a versões mais antigas.

Ys I and II Chronicles + (PC)

A série Ys sempre me despertou o interesse desde que vi um screenshot do ecrã título do primeiro jogo algures num catálogo da Master System. Mas essa versão não é propriamente barata nem nunca me apareceu a um bom preço… mas felizmente os dois primeiros Ys foram convertidos, remasterizados e refeitos vezes sem conta ao longo dos anos! Os remakes mais recentes têm por base os Ys Eternal, que sairam originalmente para PC em 1998 e 2000 no Japão, possuindo gráficos redesenhados em 2D e em maior resolução, bem como a história de ambos os jogos acabou por ser expandida e a banda sonora refeita. Essas versões foram a base do lançamento do Ys I & II Chronicles pela XSeed, que os localizou ambos para um lançamento no ocidente. Originalmente joguei-os na PSP (pirateados) e é essa a versão que gostava mesmo de ter na colecção, mas o seu preço tem vindo a se tornar cada vez mais proibitivo. Então acabei por comprar antes a versão digital para PC no Steam, algures há uns meses atrás por um preço muito mais convidativo, nalguma steam sale.

Os Ys são uma série de RPGs de acção, com uma jogabilidade frenética e tipicamente são acompanhados de uma excelente banda sonora. Os primeiros Ys possuem no entanto algumas particularidades mais old school que mesmo nestes lançamentos mais recentes não foram descuradas. A principal é, claro, a da não existência de um botão de ataque. Para atacar os inimigos temos simplesmente de ir contra os mesmos, mas tal como o jogo nos alerta logo no início da aventura, não devemos ir directamente contra os inimigos, mas sim num certo ângulo, para evitar sofrer dano. No entanto, com algumas destas conversões mais recentes, o facto de nos podermos mover na diagonal já é uma grande ajuda e tipicamente já sofremos muito menos dano atacando dessa forma. O facto de o primeiro e segundo Ys terem sido lançados juntos em muitos dos seus lançamentos ao longo de quase 35 anos não é por acaso: o primeiro Ys é um jogo incrivelmente curto e acaba por ser uma espécie de prólogo para a sua sequela, cujos eventos decorrem imediatamente após o final do primeiro jogo.

As dungeons possuem um design tipicamente labiríntico e temos de ter cuidado para não sermos encurralados por alguns inimigos

Aqui encarnamos então no jovem espadachim Adol Christin e o seus cabelos ruivos. Adol é um guerreiro de uma terra distante que procura novos desafios enquanto viajava de barco, acaba por naufragar e ir parar a uma praia de uma aldeia piscatória algures na ilha de Esteria. E à medida que vamos explorando aquela nova terra, vamo-nos apercebendo que a ilha foi invadida por demónios, coisas estranhas estão a acontecer e tudo parece estar interligado à terra de Ys, uma ilha flutuante que havia sido elevada para os céus há 700 anos atrás, para proteger a sua civilização da invasão demoníaca que estava a acontecer à superfície. Para quem, como eu, que tinha jogado primeiro o Ys Origin, já sabia de toda esta “lenda” por detrás. E é engraçado ver como o Ys Origin é na verdade todo um “fan service” pois inclui imensas referências aos primeiros dois jogos da série.

Naturalmente que teremos também vários bosses para enfrentar, cada qual com pontos fracos distintos

Ora então teremos alguns NPCs com quem conversar e lojas onde comprar itens e equipamento novo, mas a maior parte do tempo vai mesmo ser passado a explorar dungeons que vão sendo consideravelmente grandes e com um design bastante labiríntico. E apesar de não haver propriamente puzzles para resolver, o jogo tem uma quantidade considerável de backtracking na busca de itens que nos vão desbloqueando o acesso a certas partes dessas mesmas dungeons. Mas também é verdade que a jogabilidade rápida ajuda bastante e mesmo o eventual grinding que é necessário fazer para evoluir a personagem para sobreviver aos encontros com os bosses ou alguns inimigos mais poderosos acaba por ser bem mais agradável do que qualquer RPG com batalhas por turnos.

Estes remakes incluem arte redesenhada, se bem que poderemos alternar entre a arte das edições Eternal/Complete e a mais recente usada nos Chronicles, que por sua vez inclui algumas cutscenes anime.

O Ys II decorre logo após os acontecimentos do primeiro jogo, com Adol a ser transportado para a ilha flutuante de Ys, onde irá conhecer pessoas novas, mas também defrontar os verdadeiros vilões por detrás dos acontecimentos do primeiro jogo. Aparentemente nalguns lançamentos a transição entre o Ys I e II é mais fluída, com Adol a herdar o equipamento e os stats com que finalizou a primeira aventura, mas aqui temos de recomeçar do zero. E a jogabilidade é ligeiramente alterada, pois agora iremos desbloquear uma série de magias, como a possibilidade de lançar bolas de fogo, iluminar áreas escuras, entre outras, como a possibilidade de Adol se transformar num Roo, uma criatura fofinha capaz de entender a linguagem dos monstros e teremos inclusivamente de usar essa habilidade para atravessar certos obstáculos em alguns momentos do jogo. Ora isto torna os combates ainda mais fluídos pois podemos também usar os poderes mágicos para atacar à distância. Alguns bosses são completamente imunes a dano físico inclusivamente! De resto, as mecânicas de jogo são muito similares ao seu antecessor, mas Ys II é um jogo mais longo, com mais localizações para descobrir e explorar, tanto dungeons, como aldeias/cidades.

No Ys II já podemos usar magias e uma delas permite-nos transformar num Roo, onde não somos atacados pelos inimigos e mais, podemos até falar com eles.

Ao longo dos inúmeros relançamentos, conversões e afins, por vezes foram sendo incluídos algum conteúdo original. Estas versões Chronicles, que por sua vez são baseadas nos Eternal e Complete, possuem diálogos expandidos, ocasionais cutscenes anime, algumas novas localizações para explorar, side quests opcionais, diferentes graus de dificuldade, mas também alguns modos de jogo adicionais, o que é o caso dos Boss Rush, que sinceramente não cheguei a testar (já tenho pesadelos suficientes com o boss final do primeiro Ys para o tentar enfrentar novamente!).

A nível audiovisual estes remakes mantém um bom nível de fidelidade perante os originais. Apresentam portanto um mundo 2D tipicamente 8/16-bit, embora as suas sprites e cenários sejam renderizados numa maior resolução e há aqui alguns efeitos gráficos adicionais visíveis particularmente nas dungeons ou quando invocamos as magias. Antes de iniciarmos a aventura podemos optar por jogar o modo Chronicles ou Complete, que irá diferenciar-se nalgum do artwork e cutscenes, mas também podemos definir se queremos que o jogo seja apresentado num formato 4:3 ou em widescreen. O formato 4:3 é a resolução original, onde a área de jogo é apresentada numa janela, com o resto do ecrã a ser preenchido com alguma arte e informações gerais do nosso estado e o dos inimigos que enfrentamos. Já o formato widescreen descarta o sistema de janelas típico destes RPGs da velha guarda, mas apresenta os gráficos ligeiramente ampliados e com um campo de visão ligeiramente inferior. A versão PSP tinha-a jogado dessa forma, já no steam preferi a abordagem 4:3. Já no que diz respeito à banda sonora, bom, já os lançamentos originais possuíam músicas excelentes e repletas de melodias memoráveis. Nestes remakes as músicas já estão num formato redbook, mantêm as mesmas melodias sonantes, mas com um maior foco no instrumental. Temos aqui muitas adaptações principalmente para o rock, repletas de grandes guitarradas e que me agradaram bastante, embora hajam também algumas músicas mais calmas e relaxantes, típicamente quando exploramos alguma cidade/aldeia.

Alguns NPCs especiais têm direito a janelas de diálogo mais interactivas, assim como os donos das lojas com os quais interagimos

Portanto eu adoro estes remakes dos dois primeiros Ys e só tenho pena que não existam lançamentos em formato físico mais recentes que os da PSP, pelo menos que tenham chegado até à Europa. Espero que a Falcom um dia faça uma compilação com alguns desses Ys mais antigos, quanto mais não seja para a Switch, pois os lançamentos da PSP estão cada vez mais com preços proibitivos. Mas muito em breve, prometo trazer mais Ys aqui para o blogue!