Vamos continuar na Mega Drive para mais uma rapidinha a um jogo desportivo. Este ISS Deluxe até merecia um artigo mais completo, é verdade, mas é na verdade uma conversão (pela germânica Factor 5) do clássico que tinha saído um ano antes para a Super Nintendo, pelo que recomendo que leiam esse artigo. O meu exemplar custou quase 5€, tendo vindo de uma loja no Norte do país algures no passado mês de Setembro.
Jogo com caixa e manuais
Aqui temos os mesmos modos de jogo da SNES, desde partidas amigáveis, bem como diversos tipos de torneios e campeonatos que poderão inclusivamente ser jogados com 1 a 4 jogadores. O modo Scenario é uma espécie de desafio para 1 jogador, onde teremos de completar diversas missões, como dar uma reviravolta a um resultado negativo com pouco tempo disponível. Temos também modos de treino e de cobrança de penalties. O jogo não possui qualquer licenciamento da FIFA, pelo que teremos apenas 36 selecções nacionais com jogadores fictícios, mais algumas equipas all stars para desbloquear. A jogabilidade é excelente, com controlos até relativamente complexos pela variedade de jogadas que podemos efectuar (um comando de 6 botões é recomendado para tal). Tal como muitos outros jogos da época, poderemos alternar tácticas e formações, bem como teremos uma boa perspectiva das estatísticas de cada equipa e jogador.
A Factor 5 converteu o jogo da melhor forma possível
A nível gráfico é um jogo muito semelhante à sua versão da SNES. Temos uma perspectiva algo oblíqua e com um radar no centro que é bastante útil, embora por vezes tenha dado algum jeito se a câmara estivesse mais longe. A Factor 5 converteu o jogo da melhor forma possível, tanto que até herda a resolução mais curta da Super Nintendo, o que é pena pois até dava jeito os píxeis extra para ver um pouco mais do campo. Vamos tendo também algumas animações interessantes sempre que há golos. A acompanhar as partidas vamos tendo ruídos do público e algumas frases curtas do relatador desportivo, sempre que há um remate, falta ou um corte da defesa. As músicas são óptimas, as apenas as ouvimos nos menus entre partidas.
Portanto estamos perantes um óptimo jogo de futebol na Mega Drive, apesar de já ter saído tardiamente no ciclo de vida da consola (1996). O FIFA 97, que curiosamente saiu no mesmo ano, é para mim o jogo de futebol da Mega Drive que mais impacto nostálgico tem em mim, pois foi o que mais joguei com amigos no seu tempo. Mas este ISS Deluxe é sem dúvida um jogo mais divertido. Certamente dos melhores da era 16bit.
Vamos a mais uma rapidinha para a Dreamcast, até porque já cá trouxe a sua versão para a Playstation 2 e esta versão Dreamcast do Silent Scope é practicamente a mesma coisa, pelo que recomendo vivamente que consultem antes esse artigo. Lançado originalmente nas arcades pela Konami, esta acabou por ser a primeira adaptação para consolas domésticas e, apesar de ser um light gun shooter originalmente, aqui também somos obrigados a usar o comando apenas. O meu exemplar veio de um bundle Dreamcast, consola mais alguns jogos que acabei por comprar a um particular no passado mês de Agosto.
Jogo com caixa e manuais
Tal como referi na versão Playstation 2, este é um shooter arcade, com a particularidade de a nossa arma ser uma sniper rifle e, como a maioria dos inimigos estão distantes, teremos de usar a mira telescópica com muita regularidade. E sendo um jogo arcade, é um jogo por tempo cujo relógio vai sendo extendido à medida que vamos derrotando inimigos. Ocasionalmente teremos caminhos alternativos para explorar e no final do nível teremos sempre um boss para enfrentar. Um detalhe interessante é que a maioria dos bosses têm uma barra de vida, mas têm também um ponto fraco (geralmente a cabeça) que se for atingido, são derrotados imediatamente. De resto, os modos de jogo são os mesmos presentes na versão da PS2.
É uma pena não podermos usar uma light gun aqui!
No que diz respeito aos audiovisuais, esta também me pareceu ser uma versão virtualmente idêntica à da PS2, o que não é dizer muito. Possui aqueles gráficos típicos de jogos da Dreamcast, com um detalhe considerável para a altura, mas ainda bastante “quadrados”. Têm no entanto o blue sky que já não se vê tanto como há uns anos! Tal como manda a tradição também, o voice acting é terrível mas isso faz parte do charme.
Antes dos filmes protagonizados por Tom Cruise, Mission: Impossible era uma série televisiva que foi transmitida ao longo da década de 60 e 70, no apogeu da Guerra Fria e de todo o romaticismo à volta das agências secretas, bem como no final da década de 80, onde uma nova série televisiva surgiu e é daí que este videojogo se baseia. Produzido pela Konami, embora através da label Ultra Games/Palcom, este é um jogo muito interessante (e desafiante também), lançado originalmente em 1990. O meu exemplar foi comprado numa loja online no passado mês de Julho por cerca de 12€ se bem me recordo.
Apenas cartucho
A nossa missão impossível é a de resgatar o Dr. 0 e sua secretária das garras da organização terrorista Sinister Seven, que estará certamente a tramar alguma coisa não muito agradável. Ao longo do jogo poderemos alternar livremente entre três agentes secretos, cada qual com a sua barra de vida e habilidades distintas. Max Harte é o agente mais corpulento, mais lento, porém equipado com uma metralhadora de munição infinita e bombas capazes de derrotar uma série de inimigos à sua volta. Grant Coller é o mais ágil, mas o seu ataque principal são os seus punhos e o especial são umas granadas paralizantes. Por fim temos o Nicholas Black, cuja agilidade está algures no meio entre a de Max e Grant e a sua arma principal é um bumerangue. A sua habilidade especial é das mais úteis em situações onde teremos muitos inimigos pela frente, pois permite-nos disfarçar de soldado inimigo e passar despercebido pelo perigo, se bem que de forma muito temporária.
Tal como na série, a mensagem auto destrói-se no final
Logo no primeiro nível somos largados numas ruas em Moscovo, onde temos carros prontos a nos atropelar, soldados inimigos que nos atacam mal nos põe os olhos em cima, bem como transeuntes inocentes que não deveremos atacar, caso contrário a nossa personagem seleccionada no momento acaba por ser presa pela polícia e deixamos de a poder usar até ao final do nível. Depois poderemos entrar em vários edifícios ou passagens, onde teremos mais inimigos, NPCs que nos vão dando algumas dicas (como a de arranjar um street pass, que é muito importante para não sermos presos por forças inimigas) e/ou vários interruptores e alavancas que irão activar ou desactivar armadilhas e outras passagens espalhadas pelo nível.
O passe é necessário para passar alguns checkpoints, teremos de o descobrir na maioria dos níveis
A dificuldade está mesmo na longevidade dos níveis, repletos de inimigos e armadilhas como alçapões, paredes que se movem e nos tentam esmagar, câmaras de segurança, entre outros! Muitas destas armadilhas podem ser evitadas se explorarmos bem os níveis e descobrirmos as alavancas que as desactivam, o que nos levará a muita tentativa-erro. E se perdermos alguma personagem, poderemos arruinar o nível por completo, pois há situações em que as suas habilidades dão jeito ou são mesmo necessárias para progredir. Por exemplo, as portas trancadas, apenas uma das personagens tem a habilidade de as destrancar, se a perdermos num nível e precisarmos de abrir uma dessas portas… mais vale fazer reset. Vamos tendo uma password por nível e vá lá que ao menos temos continues infinitos! A versão norte-americana é ainda mais difícil pois alguns dos inimigos e/ou armadilhas causam mais dano que na versão europeia que já veio um pouco mais balanceada nesse aspecto. Portanto este Mission: Impossible é um jogo sádico, que nos obriga mesmo a jogar cautelosamente e memorizar o layout dos níveis, onde estão as armadilhas e onde as poderemos desactivar. As coisas só vão ficar mais complicadas à medida que vamos progredindo no jogo!
Estes inimigos com escudos são extremamente perigosos. Não só levam imenso tempo para morrer, como nos podem empurrar para a morte certa
No que diz respeito aos audiovisuais, esperem pela competência habitual da Konami neste período. Teremos então um jogo bem trabalhado graficamente, com bonitos detalhes como as pequenas cutscenes que ocasionalmente vamos vendo entre cada nível. Os níveis vão atravessando localizações como a Moscovo, Veneza, os Alpes Suíços, culminando na base secreta dos Sinister Seven algures na ilha do Chipre. As músicas são igualmente excelentes, desde a adaptação do tema clássico da franchise no ecrã título, bem como as restantes músicas que são bem catchy e orelhudas.
Portanto este Mission: Impossible é um jogo que me surpreendeu pela positiva, tanto pela pela sua jogabilidade como na variedade de mecânicas de jogo, até porque há dois níveis que fogem das mecânicas de jogo “normais”. Temos um nível que mais parece retirado do Spyhunter onde conduzimos uma lancha e outro onde escapamos da Suíça numa autêntica perseguição com skis. Mas se a jogabilidade é boa e variada, o jogo é também extremamente desafiante, obrigando-nos a jogar constantemente de forma cautelosa para não perdermos nenhuma personagem e memorizar os níveis para evitar e/ou desactivar as suas inúmeras armadilhas. Vai dar trabalho, principalmente no último nível que é de bradar aos céus.
Ronin Blade é um título muito interessante produzido pela Konami para a Playstation. Com gráficos pré-renderizados, ângulos de câmara fixa e claro, com a temática dos samurais, ninjas e afins, misturado com samurais zombie e outras estranhas criaturas que teremos de enfrentar, traçar um paralelismo com a série Onimusha que acabou por ser lançada anos mais tarde pela Capcom é uma ligação algo lógica. O meu exemplar foi comprado algures em Março de 2019 numa loja no norte do país. Creio que me custou cerca de 20€, estando completo e em óptimo estado.
Jogo com caixa e manuais
Ao começar a aventura podemos optar por jogar com Kotaro, um ronin, ou seja, um samurai solitário, ou a jovem ninja Lin. Ambos viajam para uma qualquer cidade Japonesa por razões diferentes, mas ambos são rapidamente atacados pela polícia local, que parecem comportar-se de maneira estranha. À medida que vamos avançando na história, vamos começar a enfrentar criaturas cada vez mais bizarras e descobrir uma conspiração que planeia conquistar todo o Japão, com recurso a forças demoníacas.
Podemos encontrar itens pelo caminho e assigná-los a um botão de uso rápido
No que diz respeito à jogabilidade, esta mistura conceitos dos survival horrors da época como Resident Evil, mas a acção de um hack ‘n slash. Vamos ter então cenários pré-renderizados com ângulos de câmar fixos como em muitos survival horrors, mas um sistema de combate mais dinâmico. Certamente este foi um jogo que veio a influenciar mais tarde a série Onimusha, apesar desta ter sido desenvolvida pela Capcom. Até porque vamos tendo também algumas mecânicas de RPG, nomeadamente pontos de experiência que, à medida que vamos subindo de nível, vamos também aprendendo novos combos para usar nos combates. Também temos uma barra de magia que se vai enchendo à medida que vamos derrotando inimigos e esta magia pode ser usada para despoletar alguns golpes mais poderosos. Kotaru é um samurai que apenas usa espadas, e ao longo do jogo iremos mesmo encontrar muitas espadas que poderemos trocar livremente. Já Lin terá ao seu dispor menos espadas ao longo do jogo (e todas de lâmina curta), mas terá acesso a um arsenal de kunais, shurikens ou até explosivos que também poderá usar. Tanto Kotaru como Lin podem também seleccionar um item do seu inventário para ficar disponível durante o jogo, sendo facilmente usado com um simples pressionar de um botão.
Ocasionalmente temos alguns bosses para enfrentar
É um jogo interessante, que peca principalmente por dois motivos: a jogabilidade não é tão intuitiva quanto isso e o facto dos ângulos de câmara serem fixos e nem sempre os melhores, vai-nos dar algum trabalho a ambientar aos controlos e defender/evadir dos golpes inimigos que também é bem importante. A segunda desilusão passa mesmo pelo jogo ser muito curto. Quando nos habituarmos aos controlos vamos ver que em poucas horas passamos o jogo se bem que, para alcançar o verdadeiro final, teremos de jogar a aventura com ambas as personagens, que vão tendo percursos algo diferentes e explorar algumas àreas comuns, mas também exclusivas a cada personagem. O mesmo para os bosses. Isto aumenta a longevidade do jogo, mas ainda assim pareceu-me bem mais curto do que estaria à espera.
As cutscenes são simples, sem voice acting, infelizmente
No que diz respeito aos gráficos, bom, os cenários pré-renderizados confesso que poderiam estar um pouco mais detalhados. Por vezes é confuso orientarmo-nos, principalmente em salas fechadas. Já as personagens principais e inimigos, parecem-me estar bem detalhadas quanto baste, tendo em conta que estamos a falar da primeira Playstation. Já no que diz respeito ao som, bom, os efeitos sonoros são convincentes, mas o jogo peca também por não ter qualquer voice acting, nem sequer nas cutscenes. As músicas são agradáveis, mas também podem soar um pouco bizarras tendo em conta que estamos a jogar algo que se passa num Japão feudal. Isto porque apesar das músicas terem notórias influências folclóricas nipónicas, misturam essas melodias com ritmos techno ou mesmo rock, o que poderá soar um pouco desajustado.
Portanto este Ronin Blade é um jogo de acção muito interessante da Konami e, tal como já referi acima, parece mesmo um protótipo da série Onimusha que viria a ser lançada pouco tempo depois, pela Capcom. Se gostam de jogos com samurais e com um ligeiro toque de horror, recomendo vivamente que espreitem este Ronin Blade.
Continuando pelas rapidinhas, embora este jogo até merecesse um artigo bem mais extenso, a razão pela qual não o faço é porque já cá trouxe a versão para a Mega Drive, que analisei mais extensivamente no passado. O meu exemplar foi comprado no passado mês de Junho, na loja Ingame em São João da Madeira, tendo-me custado 30€ e está completo.
Jogo com caixa e manuais
Recomendo vivamente que leiam o artigo da versão Mega Drive, pois aqui vou fazer apenas algumas breve menções nas diferenças entre ambas as versões. A Super Nintendo foi a consola que serviu de base para a criação deste jogo, e a meu ver acaba também por levar a melhor particularmente nos seus audiovisuais. A nível gráfico como seria de esperar a versão SNES é bem mais colorida e para além disso os níveis possuem um pouco mais de detalhe quando comparados à versão Mega Drive. Mas a diferença mais notória é, mesmo a existência de uma barra vertical do lado direito, com o radar, a barra de vida e as armas e itens seleccionados no momento, que retira algum do campo de visão. Isto na versão Mega Drive, claro. Na Super Nintendo a barra de vida e armas/itens seleccionados estão sobrepostos à área de jogo na parte superior do ecrã, já o radar teremos de o activar/desactivar manualmente, sobrepondo-se também à área de jogo, se bem que possui um fundo transparente. As músicas e efeitos sonoros também ficaram mais bem conseguidas nesta versão.
A versão SNES é mais colorida, melhor detalhada e joga-se igualmente bem!
Já no que diz respeito à jogabilidade, essa felizmente continua excelente, com as mesmas mecânicas de jogo. Os botões extra no comando da SNES permitem-nos mapear melhor cada acção, embora esse problema deixa de existir na Mega Drive caso usemos um comando de 6 botões. De resto, o único problema que aponto aqui é mesmo no grande número de níveis e, apesar de ser um jogo extremamente divertido pela grande variedade de armas ou itens que podemos usar e segredos para descobrir, o facto de possuir cerca de 50 níveis acaba por torná-lo um pouco repetitivo ao fim de algum tempo.