Tomb Raider (Nintendo Gameboy Color)

Tomb Raider - GBCPois é pessoal, mais uns quantos dias sem escrever nada aqui, o meu tempo livre não aumentou muito nestes últimos tempos. Mas hoje lá se arranja uma horinha para mais uma rapidinha. E o jogo que escolhi hoje é nada mais nada menos que a primeira iteração portátil da longa franchise Tomb Raider, para a Gameboy Color, lançado no ano de 2000. Este meu exemplar veio de uma cash há uns meses atrás. Não consigo precisar bem onde e quando, mas certamente não terá sido mais de 2€.

Apenas cartucho
Apenas cartucho

Em 2000 ainda se vivia aquela quintologia com a fórmula clássica desta série, com Tomb Raider Chronicles previsto sair no final do ano. Mas a Gameboy Color era um sistema muito diferente das máquinas que corriam os jogos dessa série até então. E como tal tiveram de adaptar o que era um jogo completamente 3D, onde a exploração, puzzle solving e saltos complicados eram o prato do dia, para um sistema bem mais modesto. E se por um lado até conseguiram de certa forma replicar muitas coisas dos jogos principais, por outro tornaram o jogo bastante repetitivo. Mas já lá vamos. O objectivo desta aventura é o de levar Lara em busca de mais um artefacto misterioso, uma espécie de cristal que alberga um poderoso e maléfico espírito de um antigo rei que governou todos os povos ancestrais da américa do Sul. Iremos então explorar um enorme templo antigo, que nos levará por várias outras paisagens até que finalmente consigamos atingir o nosso objectivo.

Por vezes também somos forçados a alguma exploração subaquática, onde temos de ter em conta o oxigénio
Por vezes também somos forçados a alguma exploração subaquática, onde temos de ter em conta o oxigénio

Voltando então à jogabilidade, podemos resumir este Tomb Raider no seguinte: explorar os níveis com muitas escaladas, saltos entre plataformas, procurar alavancas que nos abram outras passagens, ou procurar barras de dinamite para abrir certos caminhos. Pelo meio teremos de enfrentar vários animais ou bandidos, bem como inúmeras armadilhas, como projécteis a serem disparados de paredes, chão ou tectos, bem como espinhos a surgirem de todos os lados. Um pouco como nos Tomb Raider clássicos, portanto, mas tudo em 2D. Os controlos também replicam um pouco os clássicos, com a existência de um botão para acções, outro que serve para correr e agarrar/subir superfícies. O salto é que fica relegado para o D-Pad, pois não há botões para tudo. Sacar dos revólveres faz-se com o select, disparando depois com o action button. O start para além de pausar leva-nos para o ecrã de inventário, onde poderemos seleccionar itens como as barras de dinamite acima referidas, medkits que vamos encontrando ou alternar no tipo de munições para as pistolas de Lara. Sim, apenas podemos usar a mesma arma, cuja munição standard é infinita. As outras duas basicamente permitem usar rapid fire, ou são munições de maior calibre, capazes de causar mais dano. As pistolas de Lara são muito versáteis neste jogo!

O nosso inventário muitas vezes irá se assemelhar a este
O nosso inventário muitas vezes irá se assemelhar a este

Graficamente é um jogo interessante, tendo em conta que estamos a falar de uma Gameboy Color. Se tivermos com atenção aos detalhes (…ok, é algo que se nota bem mais ao jogar em emulação ou pela Game Boy Advance SP devido à falta de retro iluminação), veremos que a sprite de Lara está muito bem animada e a sua movimentação, incluindo todas as “acrobacias” ficaram bastante fluídas. Por outro lado, há pouca variedade de inimigos e os mesmos não têm a mesma atenção ao detalhe. Os níveis são também bastante coloridos, embora não exista assim uma grande variedade de ambientes. Grande parte do jogo é passado no mesmo templo, incluindo as suas catacumbas e câmaras de tesouro, mas teremos também cavernas e um vulcão para explorar. Os efeitos sonoros cumprem o seu papel, e as músicas, tal como nos jogos clássicos, são practicamente inexistentes, tocando apenas nas cutscenes ou como “introdução” a alguma zona nova que exploremos. Mas num jogo que se torna tão repetitivo como este, a inclusão de música de forma permanente seria a meu ver uma mais valia.

Sim, também podemos disparar enquanto estamos a meio de alguma escalada
Sim, também podemos disparar enquanto estamos a meio de alguma escalada

Este primeiro Tomb Raider portátil é um jogo que me impressionou pela positiva, mas também me desiludiu. Por um lado pela forma como conseguiram traduzir as mecânicas chave dos Tomb Raider clássicos nesta modesta portátil (incluindo os clunky controls!), mas por outro torna-se uma experiência bastante repetitiva, pois iremos estar constantemente a fazer as mesmas coisas ao longo de todo o jogo.

Deathtrap Dungeon (PC/Sony Playstation)

Deathtrap DungeonSó de olhar para a capa do jogo e ver a sua arte e o título, Deathtrap Dungeon soava-me a um RPG da primeira pessoa, algo à semelhança de jogos como Dungeon Master, Ultima Underworld ou Eye of the Beholder, onde a exploração de cavernas labirínticas e cheias de perigos e armadilhas eram o prato do dia. Mas não. Deathtrap Dungeon é na verdade uma espécie de Tomb Raider dos clássicos, passado num mundo fantasioso, e com muitas doses de sadismo à mistura. O meu exemplar da Playstation foi comprado algures há quase 2 anos na feira da Ladra em Lisboa, por cerca de 5€. A versão digital do steam veio nalguma promoção de natal por uma ninharia.

Deathtrap Dungeon - Sony Playstation
Jogo completo com caixa, manuais, papelada e um interessante bestiário

Este Deathtrap Dungeon, ou Ian Livingstone’s Deathtrap Dungeon é na verdade uma adaptação para videojogo de um dos livros da série Fighting Fantasy, que eram na verdade gamebooks, pequenos RPGs de tabuleiro na forma de livro. Mas ao contrário do The Forest of Doom que realmente pegou nesse conceito e traduziu-o para um videojogo, aqui foi adaptado a um jogo de acção/aventura. A história aqui é muito simples: encarnamos num bárbaro (chaindog) ou numa guerreira amazonas que mais parece saída de uma sessão de bondage (Red Lotus), com o objectivo de exploramos estes calabouços, enfrentando os seus perigos e encontrar preciosos tesouros no final.

O sistema de inventário permite-nos alternar de itens/power ups livremente
O sistema de inventário permite-nos alternar de itens/power ups livremente

Quando traço estes paralelismos à série Tomb Raider é porque o Deathtrap Dungeon é também um jogo de acção e exploração na terceira pessoa, foi também publicado pela Eidos e possui os mesmos tank controls do Tomb Raider clássico. A grande diferença é o maior foco nos combates e nas armadilhas, muitas vezes resolvidas em puzzles por vezes mais discretos. Alçapões, cenas que disparam setas ou fogo em todas as direcções, blocos de pedra que nos esmagam, inimigos que surgem teleportados vindos do nada, são algumas das coisas que teremos de nos preocupar. Algo que até se pode adivinhar só ao ver a cutscene de apresentação. Até coisas como “o que faz  esta alavanca? só há uma maneira de saber… e morri” fazem parte da experiência que é ultrapassar estes perigos. Por vezes temos pistas do que poderá acontecer ao ver esqueletos humanos próximos de algum local suspeito, outras vezes vemos esqueletos em sítios completamente inofensivos só para nos chatear. Basicamente este é um jogo em que morremos muito. Muito mesmo. E com saves apenas em certos locais irá certamente frustrar os mais impacientes. Não só pelas armadilhas, mas pelos combates também. Felizmente poderemos encontrar um grande arsenal de armas desde armas brancas a coisas como lança rockets e granadas “medievais”, ou magias como as fiéis bolas de fogo.

Armadilhas são coisas que não faltam...
Armadilhas são coisas que não faltam…

Infelizmente Deathtrap Dungeon não envelheceu bem. A nível técnico a maior prova disso seria a forma muito rudimentar como o jogo é corrido em sistemas operativos mais recentes, mas vamo-nos focar mais na versão Playstation pois foi a que joguei mais. Os controlos de tanque muito popularizados por jogos como Tomb Raider ou Resident Evil nunca foram propriamente boas coisas, a câmara também nem sempre a melhor e apesar de o jogo nos permitir alternar temporariamente para uma visão em primeira pessoa, por vezes o tempo que perdemos em ver o que queremos em primeira pessoa pode ser demasiado e lá se vai mais uma morte.

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Alguns itens, como a Strength potion devem ser usados nas alturas certas, especialmente contra bosses.

De resto, a nível mais técnico, este Deathtrap Dungeon também é um jogo algo simples, mesmo para os padrões da Playstation 1. O facto de ser todo jogado em calabouços e cavernas, nunca chega a haver realmente lá muita variedade de cenários, já que nem tão pouco dá para vislumbrar a luz do dia. Os inimigos possuem poucos polígonos, os cenários texturas simples, embora por vezes ainda se vejam algumas gravuras interessantes. No PC as coisas não melhoram muito, apesar de poder ser jogado naturalmente a resoluções mais altas que a versão PS1. As músicas e efeitos sonoros sinceramente passaram-me um pouco ao lado.

No fundo, este Deathtrap Dungeon não deixa de ser um jogo interessante e com potencial, agora que há um certo interesse em jogos difíceis como a série Souls ou Bloodborne. Se fosse  mais polido, com melhores controlos e jogabilidade, acho que acabaria por ser um jogo mais bem sucedido do que o que se tornou.

 

Tomb Raider Chronicles (Sony Playstation)

Tomb Raider ChroniclesA série Tomb Raider foi uma espécie de Assassins Creed na era das consolas de 32bit, isto é, a cada ano lançavam um novo jogo! E apesar de todos eles serem sucessos comerciais, o facto de desde o primeiro jogo até este Chronicles terem utilizado sempre o mesmo motor gráfico, nunca conseguiram evoluir muito na fórmula, pelo que apesar de as vendas deste Chronicles terem sido boas, já eram muito inferiores às dos anteriores. Como tal, a Eidos e a Core decidiram recomeçar do zero com o Angel of Darkness a sair anos mais tarde na Playstation 2, mas antes disso, decidiram fazer uma despedida desta era com este Chronicles. Este exemplar foi-me oferecido pelo Miguel Coelho do podcast The Games Tome e colega colaborador na PUSHSTART, a quem agradeço imenso!

Tomb Raider Chronicles - Sony Playstation
Jogo completo com caixa, manuais e papelada

E começando por um spoiler do jogo anterior, que no final de contas, a menos que ainda vivam numa caverna e por acaso do destino estão a ler esta review porque alguém a imprimiu e depois a deitou fora, acaba por nem ser spoiler nenhum. No final do Tomb Raider the Last Revelation, é dado a entender que Lara Croft morreu. Então neste jogo, Winston, o velho e leal mordomo da mansão Croft, convida uns 2 amigos de Lara e juntam-se numa sala, confraternizando e recordando algumas das aventuras de Lara Croft que nunca haviam sido contadas… até agora. Neste jogo iremos percorrer os subúrbios de Roma e das ruínas do seu coliseu na procura da Pedra Filosofal, visitar uma base militar russa na esperança de recuperar a Spear of Destiny de um submarino naufragado no fundo do oceano, retornar aos tempos da sua juventude, onde Lara deu uma escapadinha a uma ilha irlandesa após ouvir rumores de eventos paranormais que por lá se passavam, culminando numa aventura onde Lara se infiltrou num largo complexo empresarial/industrial para roubar o artefacto de Íris nada mais nada menos ao próprio Von Croy, acabando assim por ser uma espécie de introdução aos acontecimentos que decorreram antes do jogo anterior.

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Balançar-se numa corda… uma das novas habilidades de Lara.

A nível de jogabilidade pouca coisa mudou. A acrescentar ao já elevado número de “manobras” e saltos que Lara é capaz de fazer, temos a possibilidade de dar uma cambalhota ao sair de um túnel em que estivemos a rastejar, ou equilibrarmo-nos numa corda como fazem os trapezistas num circo. De resto, se jogaram qualquer um dos Tomb Raiders anteriores, a mesma fórmula mantém-se e certamente que se familiarizarão rapidamente com as mecânicas do jogo. Continuamos com muita exploração a fazer, saltos medonhos para dar, escalar escarpas perigosas, procurar chaves, arrastar blocos cúbicos, andar aos tiros contra humanos ou criaturas mitológicas, you name it. E embora existam só 4 diferentes localidades para explorar desta vez, os níveis em si são gigantescos, pelo que sim, vai-nos dar trabalho a conhecê-los de uma ponta à outra. Felizmente que podemos fazer save a qualquer momento. No entanto a Core ainda tentou trazer algo de novo, como missões em que estamos completamente indefesos e teremos de ter uma abordagem mais cuidada, ou outras secções em que ser-se furtivo é a palavra chave.

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…e inspecionar prateleiras e gavetas também!

Graficamente nota-se uma boa evolução desde o primeiro jogo, apesar de partilharem a mesma engine. Tanto Lara como os seus adversários têm muito mais detalhe e o mesmo pode ser dito dos cenários e efeitos como os da água. Infelizmente a câmara continua com alguns problemas e todos os cenários continuam a ser muito “quadrados”… heranças que ficaram desde o primeiro jogo. A música continua a surgir apenas em alguns momentos chave no jogo. Na maior parte do tempo somos deixados a explorar os cenários completamente sossegados no ruído ambiente, com pequenas melodias a surgirem quando descobrimos algo majestoso ou por outro lado, quando algo mau acontece, como emboscadas ou tiroteios, uma música mais tensa acompanha-nos. O voice acting também me parece ser o melhor da série até esse momento. Os diálogos são bem mais frequentes nas cutscenes e os mesmos acabaram por ser bem mais trabalhados e melhor interpretados pelos seus intervenientes.

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A melhoria a nível de polígonos e texturas do primeiro jogo até este é bem notável

Para concluir, este Tomb Raider Chronicles até é um bom jogo. Mas comer arroz com feijão 5 vezes seguidas acaba por ser cansativo, mesmo que se vá variando um pouco os seus condimentos. A Eidos e a Core estiveram bem em decidir dar um novo rumo à série com a chegada da PS2, pois aquelas mecânicas de jogo já estavam a ficar gastas. Agora se o Angel of Darkness foi a melhor maneira de reintroduzirem a Lara Croft ao mundo… bom… “não percam o próximo episódio, porque nós também não”!

Battlestations: Midway (PC)

De volta para os jogos com a temática da Segunda Guerra Mundial para mais uma rapidinha no PC. Battlestations Midway é um misto de shooter/estratégia em tempo real, na medida em que tanto podemos controlar um veículo directamente, bem como comandar outros que estejam à nossa disposição para atacarem ou se moverem para locais específicos, um pouco como é feito no Battallion Wars, mas para além de ser com um tom mais sério, as batalhas são todas em pleno Oceano Pacífico. E este jogo entrou na minha conta steam após ter sido comprado num recente Humble Bundle com jogos da Eidos, digo, Square-Enix, a um preço muito convidativo.

Battlestations MidwayO jogo coloca-nos principalmente no papel de Henry Walker, um marinheiro com aspirações a subir tanto na carreira militar como o seu pai, bem como com o seu amigo Donald Locklear, um piloto exímio. E tal como deve dar para adivinhar pelo nome, as batalhas que vamos travando decorrem no teatro de guerra do Oceano Pacífico, começando pela batalha de Pearl Harbour e culminando na de Midway, que serviu como ponto de viragem para os Norte-Americanos e o seu confronto com as forças Imperiais Japonesas.

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Inicialmente começamos o jogo com um barquinho de brincar destes

Inicialmente controlamos apenas um pequeno PT Boat para defender Pearl Harbour dos aviões nipónicos, mas à medida que vamos progredindo no jogo e também subindo na carreira militar, acabamos por ter ao nosso dispor um enorme batalhão naval, incluindo um porta-aviões com os seus caças e bombardeiros. Nessas batalhas maiores, o ideal é mesmo ir ao mapa e comandar directamente as rotas o os alvos a abater de todas as nossas unidades, mas como isso para mim sempre foi algo chato, nada nos impede de assumir o controlo de um submarino e disparar torpedos para cruzeiros inimigos, usar a artilharia antiaérea dos nossos navios, ou porque não controlar mesmo os nossos aviões para abater outros aviões inimigos, ou fazer os míticos voos picados sobre os navios inimigos e deixar-lhes um presente explosivo? Essa é a vertente do jogo que gostei, já o resto, não é mesmo a minha praia. Para além da campanha single player com as suas 11 missões, o jogo possui ainda uma vertente multiplayer que sinceramente nem testei, bem como os “Challenges”. Estes são uma série de desafios, pequenas missões com um grau de dificuldade mais elevado e que se dividem em missões de navios, submarinos ou aviões.

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Highway to the Danger Zone…

Graficamente é um jogo competente, com gráficos detalhados e um look muito clean, se calhar até demais para o meu gosto. Isto porque por vezes não parece que estamos num cenário de guerra, mas talvez seja a calma dos oceanos e céus azuis que nos trazem essa ilusão. Entre cada missão vamos vendo algumas cutscenes que estão bem feitas, mas o voice acting é um bocadinho mau e os diálogos são para esquecer. Mas isso é um mal menor. Os efeitos sonoros são bons e a música é o tradicional em jogos deste género: épica e orquestral.

No fim de contas este Battlestations Midway para mim não foi um jogo que me encheu as medidas, muito por causa de toda a componente estratégica que é algo que eu nunca fui grande fã, mas também por o foco do jogo serem as batalhas navais, algo que também nunca me encheu as medidas. Mas não posso dizer que seja um mau jogo e certamente terá algo que agrade tanto a entusiastas de jogos da Segunda Guerra Mundial como a fãs de estratégia em tempo real.

 

Ninja Shadow of Darkness (Sony Playstation)

Ninja Shadow of DarknessEste jogo foi mais um daqueles que comprei como se estivesse em 1994, ou seja, completamente às cegas sem o conhecer de lado nenhum. Tinha uma vaga ideia de a capa do jogo me ser algo familiar, provavelmente vi nalguma revista ou catálogo da época, mas ao ver os nomes de Eidos e Core, resolvi arriscar e trazer este jogo para casa. Tal como muitos outros desde que me mudei para a zona de Lisboa, foi comprado na feira da Ladra, por uma quantia entre os 2 e os 3€ se a memória não me falha.

Ninja Shadow of Darkness - Sony Playstation
Jogo completo com caixa e manuais

A história do jogo é simples, duas facções distintas de lordes feudais japoneses andavam em guerra já há muitos anos, mas as suas forças eram bastante equilibradas e a guerra não chegou a lugar nenhum. Então lá decidiram assinar umas tréguas de forma a trazer a paz ao Japão novamente. Mas um desses lordes feudais, o espertinho lá do sítio, tenta tirar partido da situação, ao invocar demónios para lutarem ao lado dele. O plano saiu furado e os demónios invadiram por completo o Japão. O outro lorde lá envia o seu melhor ninja para resolver a situação e o resto não será difícil de adivinhar.

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Os níveis são consideravelmente longos e não é possível fazer save durante os mesmos. Felizmente existem vários checkpoints (o leque voador da figura)

O jogo mistura os conceitos de um beat ‘em up em 3D, com elementos de platforming. A jogabilidade é simples, mas a dificuldade é elevada. O jogo está dividido em vários níveis grandinhos e obriga-nos muitas vezes a derrotar todos os inimigos de forma a progredir, inimigos esses que teimam em nos cercar e atacar “aos magotes”. Como beat ‘em up, podemos executar algumas combos de pontapés e murros e temos também um ataque de longo alcance, onde podemos atirar kunais/shurikens. Mas voltando aos ataques melee, nos cestos que encontramos ao longo do jogo, ou nas lojas que visitamos entre cada nível, podemos encontrar/comprar outras armas (e demais powerups). Existem várias armas diferentes como katanas ou machados, sendo umas mais fortes que outras. Dos outros powerups disponíveis, para além de itens que restabelecem saúde, vidas e powerups de ataque, dispomos também de outros items especiais como as bombas ou ataques mágicos, bastante úteis em lutas contra bosses ou grupos de inimigos.

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O jogo vai tendo algumas cutscenes renderizadas em CG, que até têm boa qualidade

Como referi acima, estes itens podem ser comprados em lojas que visitamos no final de cada nível, onde também podemos fazer savegame, ou podem ser encontrados em cestos espalhados ao longo dos níveis. Este cestos podem também ter chaves necessárias para abrir portas de forma a que consigamos progredir no jogo, ou então podem também estar armadilhados, pelo que é sempre recomendada caução ao abri-los. Para além da vertente beat ‘em up, o jogo tem também um grande foco no platforming, onde temos também de nos esquivar das mais variadas armadilhas, como no Tomb Raider. Mas isto tem uma grande desvantagem face à câmara do jogo que passo a explicar: O jogo tem maioritariamente uma perspectiva isométrica com uma câmara que não podemos controlar. A câmara vai-se movimentando de forma simples, fazendo scroll em várias direcções à medida em que vamos avançando no caminho e vai mudando o ângulo mediante a complexidade do nível. Ora isto dificulta bastante o platforming, pois o ângulo muitas vezes não é o melhor. Quem jogou o Landstalker sabe do que falo.

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Se há coisa que não falta, são armadilhas para nos esquivarmos

Graficamente é um jogo minimamente competente. O jogo utiliza o mesmo motor gráfico visto nos Tomb Raiders, embora isso possa não ser imediatamente perceptível devido à câmara ser mais fixa e não ser possível de controlar. No entanto ao olhar com atenção dá para perceber algum clipping nos polígonos do chão e plataformas, todos eles blocos “quadrados”, tal como em Tomb Raider. Os cenários vão tendo alguma variedade, desde bosques, cavernas, fortalezas até chegar às profundezas da terra, onde a lava é um perigo constante. Não gostei muito do design tanto da personagem principal como dos próprios inimigos (excepto aqueles com trajes mais samurai ou ronin, esses gostei). Os efeitos sonoros também não são nada de especial e a música, apesar de ter alguma variedade, não é algo que fique na memória.

No fim de contas, este é um jogo que na minha opinião não envelheceu muito bem. Não propriamente pela dificuldade elevada, que muitos jogadores mais hardcore até possam apreciar, mas pela “linearidade” e simplicidade que nos acompanha ao longo de todo o jogo. É sempre “arroz”durante todo o jogo, não há grande variedade, e por isso não fica a vontade de lhe voltar a pegar. A Core já fez jogos muito melhores.