Pitfall: The Mayan Adventure (Sega Mega Drive)

Continuando pela Mega Drive, agora para uma rapidinha, trago-vos cá um pequeno artigo sobre um jogo que sempre me passou ao lado mas quando lhe dei a oportunidade devida, acabou por me surpreender bastante. O Pitfall original era um autêntico clássico da era da Atari 2600, aproximando-se das mecânicas de jogo que viriam a ser muito populares anos mais tarde em jogos de plataforma. Após uma sequela inovadora também para o mesmo sistema, a série acabou por ficar adormecida muito tempo. Não estou a contar claro com o horrível Super Pitfall da NES, até porque nem foi desenvolvido pela Activision. Em 1994 sai este The Mayan Adventure e o meu exemplar foi comprado algures em 2016 na Cash Converters de Alfragide. Creio que me custou 6 ou 7€.

Jogo com caixa

A história deste Mayan Adventure é simples. Nós controlamos Pitfall Harry Junior, filho do famoso explorador dos jogos anteriores, onde ambos se encontravam a explorar umas ruínas da civilização Maia. A certa altura o pai é raptado por personagens misteriosas e cabe-nos a nós salvar o nosso pai. A primeira coisa que reparamos neste jogo é no quão bem detalhados estão os seus gráficos, tanto nos níveis em si, como nas animações das personagens. Os níveis são algo variados, alternando entre segmentos em pura selva, lagos, templos ou ruínas maias, ou cavernas com minecarts (onde não poderiam faltar as minecart rides!). Os níveis são tão densos e populados com inimigos (geralmente animais ou outras criaturas místicas) ou armadilhas que temos de ter algum cuidado em os atravessar, pois é muito fácil sofrer dano. O layout dos níveis também é algo labiríntico, onde muitas vezes temos mesmo de andar aos S para os concluir. Felizmente que espalhados pelos níveis vão estando várias estátuas que servem de marcadores de checkpoint e nos indicam também qual o caminho a seguir.

Tal como os Pitfall originais, obstáculos e inimigos é coisa que não falta.

De resto, tal como referido acima, o jogo está muito bonito e com óptimas animações. Uma das queixas dos críticos e na qual eu também vou concordando, está mesmo no facto de o jogo ser tão bem animado, que por vezes os controlos sofrem com isso, pois temos de esperar que termine uma animação da sprite antes de o jogo processar novos inputs nossos, o que pode resultar em sofrer dano. De resto, pequenos detalhes como o aspecto do pai do Junior (que vemos no final do jogo), ou a própria barra de vida que retrata o herói a fugir de um crocodile e que vai tendo diferentes animações consoante o dano sofrido, são detalhes deliciosos e que mostram o esforço colocado pela equipa neste jogo. As músicas são também bastante agradáveis.

As animações estão fantásticas neste jogo

Pitfall: The Mayan Adventure é então um jogo de plataformas muito interessante e que merece sem dúvida ser jogado. Sofre um pouco com a dificuldade devido ao layout labiríntico dos níveis, a quantidade de inimigos e armadilhas e algum lag no processamento dos controlos, mas de resto é mesmo um óptimo jogo. Possui ainda o Pitfall original como um extra desbloqueável, o que é excelente. Resta também referir que foi um jogo que saiu em muitas outras plataformas. Da Sega, é dos poucos jogos que recebeu um lançamento para a Mega Drive, Mega CD e 32X, mas das três versões possivelmente a da Mega CD é superior. Para além de ter cutscenes em fullmotion video e som em CD Audio, possui também uma série de novos níveis que não estão presentes na Mega Drive ou Super Nintendo. A versão 32x por outro lado é um pouco decepcionante. Os gráficos estão mais polidos que na Mega Drive e Mega CD, mas a jogabilidade não é tão fluída, e apesar de também possuir alguns níveis extra, não tem tantos quanto na versão Mega CD.

Quake II (PC / Sony Playstation)

quake-iiAh, o Quake II… adorei o primeiro jogo, assim como tudo o que a id software tinha feito até então. Mas o Quake II foi a primeira wake up call que tive que precisaria de fazer um upgrade ao meu PC, algo que só veio a acontecer muito depois. O primeiro Quake marcou a passagem dos FPS pseudo 3D (pois usavam sprites para inimigos e itens) para modelações completamente 3D. O segundo acabou por ser uma evolução do primeiro e foi talvez o maior responsável pela popularização e crescimento na adopção de placas aceleradoras 3D, o que a minha placa com 1MB de VRAM dificilmente faria. O jogo foi também convertido para algumas consolas e  a versão Playstation foi surpreendentemente boa. O artigo irá falar no Quake II no geral, destacando as particularidades da PS1 sempre que necessário. Os meus exemplares vieram de locais distintos. A versão Playstation foi a primeira que arranjei, em Julho ou Agosto de 2016 na Cash Converters de Benfica por 3.5€. A de PC veio logo no mês seguinte, na feira da Vandoma do Porto. Ficou-me por volta de 3€, o que foi um excelente preço visto ser a big box completa e aquela que eu sempre quis ter quando era miúdo mas o meu PC não aguentava.

quake-ii-pc
Big Box completa com manuais e papelada

Enquanto o primeiro Quake levava-nos por viagens interdimensionais a mundos algo medievais e com criaturas retiradas de algum universo Lovecraftiano, fruto também de um desenvolvimento algo atribulado, a história deste Quake II já é muito mais o que seria esperado de um estúdio como a id. Aqui a raça humana estava em Guerra com os Stroggs, uma civilização alienígena. O jogo começa com os Space Marines a prepararem-se para aterrar no planeta dos Stroggs e tentar eliminar o seu líder, de forma a prevenir uma eventual invasão ao nosso planeta. Mas as coisas não correm bem e todos os soldados acabam por ser mortos ou capturados assim que aterram no planeta. Todos, claro, menos nós que sofremos um pequeno acidente de percurso e acabamos por aterrar ilesos. Como todos os first person shooters da época, acabamos por ser nós sozinhos a lutar contra todo um exército, mas seria de estranhar se fosse de outra forma em Quake.

Quake II para a Playstation, com caixa e manuais
Quake II para a Playstation, com caixa e manuais

O jogo continua rápido e visceral como seria de esperar. Há no entanto uma série de mudanças. O jogo já não está repartido em níveis mas sim em missões com diferentes objectivos para cumprir. Os níveis em si, ou digamos, áreas de jogo, são bem grandinhos e por vezes teremos mesmo de revisitar áreas antigas de forma a progredir no jogo. Algumas das armas presentes no primeiro jogo, como as shotguns ou os lança granadas/rockets, marcam aqui o seu regresso. Outras armas como metralhadoras, railguns ou armas futuristas foram introduzidas, incluindo uma nova versão da BFG do Doom. De resto, a jogabilidade mantém-se como se quer, com inimigos agressivos e violência a rodos, em acção non-stop. Podemos carregar todas as armas e a vida não é auto regenerativa, mas sim com recurso a medkits, mesmo como manda a lei. A versão Playstation naturalmente a nível de controlos não é tão boa, embora os mesmos se possam customizar bastante e possui também suporte ao rato official da Playstation. Essa versão é também mais curta, possuindo muito menos níveis que a versão PC e os mesmos estão algo diferentes, existindo muitos corredores que separam umas áreas das outras, devido aos loadings que vamos ter de passar. Essa é uma das grandes desvantagens da versão Playstation, os loadings.

Muitos dos Stroggs contra quem lutávamos eram antigos Space Marines que foram "transformados" em cyborgs grotescos
Muitos dos Stroggs contra quem lutávamos eram antigos Space Marines que foram “transformados” em cyborgs grotescos

Depois temos o multiplayer, que no PC era excelente, com variantes do deathmatch, capture the flag e podendo também jogar o modo história de forma cooperativa. Eu pouco joguei, pois na altura o meu PC não conseguia correr o Quake II. Mas nas LANs da escola isso já era outra conversa… A versão Playstation apenas permite multiplayer em split screen com até 4 jogadores, se bem que as arenas desta versão são exclusivas para a Playstation.

Uma das inovações do Quake II eram as marcas deixadas nos inimigos
Uma das inovações do Quake II eram as marcas deixadas nos inimigos

A  nível gráfico este era um jogo excelente para a época em que foi lançado, tirando partido das primeiras placas aceleradoras 3D, com os cenários e inimigos a ganharem mais detalhe, mais polígonos e texturas e efeitos de iluminação melhores. Detalhes dos ferimentos causados pelo combate foram uma das coisas novas que a tecnologia deste Quake II nos trouxe, algo que foi ainda mais explorado na série Soldier of Fortune, que usa versões modificadas do motor gráfico deste Quake II. Infelizmente não há é muita variedade de cenários, sendo na sua maioria instalações militares ou industriais, onde os tons de castanho de metal oxidado e cinza do cimento são uma constante. A versão Playstation surpreendentemente acaba por se portar muito bem. Os gráficos não são tão polidos e bastante mais pixelizados, mas ainda assim acaba por mostrar um nível de detalhe e fluidez impressionantes para uma Playstation 1. Diria ainda que é o jogo 3D mais bonito da consola! A nível de som é também um óptimo trabalho, com a banda sonora a assentar principalmente em rock e metal. As guitarradas ficam muito bem num jogo deste género. Na Playstation a banda Sonora também é similar, incorporando temas também das expansões. No entanto, cada vez que há um loading, a música muda, e com os loadings frequentes da versão Playstation não dá para apreciar tão bem a banda sonora.

Mesmo não sendo tão bom quanto a versão PC, a versão para a Playstation é impressionante tendo em conta as limitações de hardware.
Mesmo não sendo tão bom quanto a versão PC, a versão para a Playstation é impressionante tendo em conta as limitações de hardware.

Portanto Quake II é um clássico. Talvez dos últimos grandes FPS clássicos, antes de Half-Life ter surgido em cena e mudado por completo o paradigma dos FPS single player. O multiplayer de Quake II foi também muito forte, com a sua sequela, o Quake III Arena a focar-se exclusivamente nessa vertente de jogo.

Call of Duty: World at War (PC)

Call of Duty - World at WarJá há bastante tempo que não trazia cá nenhum Call of Duty. Não que me faltem jogos da franchise por jogar, o que falta é tempo e muita vez a vontade de pegar neste ou naquele jogo não é a maior. Mas lá lhe dei uma oportunidade e até gostei daquilo que joguei. Nesta altura já não havia o frenesim de anos anteriores em FPS da segunda guerra mundial. Na verdade a Activision entrou pelos tempos modernos no Call of Duty Modern Warfare, lançado antes deste, e a coisa a partir daí esmoronou. Mas, com a Treyarch a desenvolver este World at War, foi tempo da Activision revisitar pela última vez (até agora) os teatros de guerra da 2a Guerra Mundial. Este meu exemplar foi comprado por cerca de 5€ na já extinta New Game do Maiashopping, algures em 2013.

Jogo com caixa, manual e papelada
Jogo com caixa, manual e papelada

Em conjunto com este World at War foi também lançado para a PS2 uma adaptação chamada Call of Duty World at War: Final Fronts, que já tinha referido num outro artigo. E apesar deste também se focar nas campanhas finais da Segunda Guerra, aqui apenas controlamos as tropas norte-americanas na conquista da ilha de Pelelieu e posterior invasão a Okinawa, enquanto que no teatro de guerra europeu, apenas jogamos com as tropas Soviéticas, principalmente da sua invasão da Alemanha e conseguinte tomada da cidade de Berlim.

Há que começar as coisas com algum dramatismo!
Há que começar as coisas com algum dramatismo!

E eu nunca fui um grande fã das batalhas do pacífico, pois são quase todas em clima de guerrilha, com japoneses camuflados enfiados em foxholes, ou escondidos nas árvores. Mas aqui, se calhar os bons gráficos para a época ajudaram, e até achei a campanha norte-americana no pacífico bem agradável desta vez. A soviética é toda jogada nos olhos do mesmo soldado, cujo primeiro nível começa na batalha de Estalingrado, após os Nazis a terem conquistado e assassinado imensos compatriotas soviéticos. Essa primeira missão soviética é uma sniping mission, onde teremos quase sempre de ter uma abordagem muito mais furtiva. As outras missões são mais genéricas, com os típicos objectivos de destruir artilharia pesada, ou de invadir e controlar alguns pontos estratégicos. Claro que, no lado do pacífico, nos vai levar por muitas selvas e culminando num grande castelo em Okinawa, já no lado soviético serão em paisagens rurais, mas também nas ruínas de grandes cidades como Estalinegrado ou Berlim, com passagens inclusivamente pelas suas estações de metro. Ainda assim teremos também 2 missões de veículos. Do lado americano faremos parte da tripulação de um avião anfíbio, onde teremos de destruir uma frota japonesa e resgatar alguns dos nossos soldados em pleno oceano, já do lado soviético controlamos um tanque e iremos enfrentar algumas batalhas de tanques bem interessantes.

A campanha norte-americana exige alguma discrição e furtividade. Afinal, o clima é sempre de guerrilha
A campanha norte-americana exige alguma discrição e furtividade. Afinal, o clima é sempre de guerrilha

A jogabilidade é a tradicional de um Call of Duty, com a possibilidade de equipar apenas 2 armas em simultâneo, mas com uma grande oferta de diferentes tipos de armas, tanto americanas, soviéticas, nazis ou japonesas. A vida passa também a ser regenerativa, deixam de haver recursos aos medkits. E connosco acompanham-nos outros membros do nosso esquadrão que nos auxiliam a combater o fogo inimigo, bem como nos dão algumas dicas do que teremos de fazer (como se as estrelinhas que marcam os objectivos no mapa já não fossem ajuda suficiente). De resto teremos também a vertente multiplayer, que tanto pode ser a campanha jogada em modo cooperativo, ou o multiplayer competitivo mais robusto, com direito a diferentes níveis e rankings que podem ser evoluídos consoante a nossa performance. Não perdi muito tempo nisto, assim como pouco tempo perdi no modo de jogo que desbloqueamos após chegar ao final da campanha, os Nazi Zombies. Aqui enfrentamos ondas após ondas de zombies nazis e o nosso objectivo é meramente o de sobreviver. Quantos mais zombies matarmos, mais dinheiro ganhamos, dinheiro esse que pode ser gasto a comprar mais e melhor armamento ou melhorar as nossas defesas. Sei que seria muito a pedir à Treyarch, que provavelmente desenvolveram aquilo só numa de brincadeira, mas acho que teria bem mais piada em fazer uma pequena campanha com nazi zombies.

O apogeu está precisamente na invasão a Berlim, e sua conquista casa-a-casa até finalmente se invadir o Reichstag
O apogeu está precisamente na invasão a Berlim, e sua conquista casa-a-casa até finalmente se invadir o Reichstag

Nos audiovisuais é um jogo bem competente. Para quem jogou o Modern Warfare na sua época, este World at War possui gráficos ligeiramente melhores, pois usa o mesmo motor gráfico do anterior. E quando o joguei, ao ver as “bonitas” paisagens, suspirei de saudades em termos um novo FPS do género. Com a capacidade gráfica dos PCs e consolas actuais, um novo Call of Duty nesta época cairia que nem ginjas. Ou melhor… boa dica para a Gearbox, eles que terminem a história dos Brothers in Arms que já dava jeito. As músicas tanto vão daquelas orchestrações mais épicas que séries como esta ou Medal of Honor tanto nos habituaram, ou então música mais electrónica ou rock em certos segmentos que, apesar de nem resultar mal de todo, não deixa de ser um pouco estranho estar a ouvir algo tão descontextualizado.

A ver se em breve instalo o Call of Duty Modern Warfare 2 e dou finalmente o seguimento à série que até nem levam muito tempo a serem finalizados os modos de campanha. Resumindo, achei este um FPS competente, não reinventa a roda, mas para quem gostar de videojogos centrados na Segunda Guerra Mundial, terá aqui mais um bom exemplo para se divertir.

Activision Anthology (Sony Playstation 2)

Activision Anthology - Sony Playstation 2A rapidinha de hoje será sobre uma colectânea que sinceramente nunca pensei que me fosse divertir tanto. Esta Activision Anthology tal como o nome indica pega numa grande parte do catálogo da Activision (e não só) para a Atari 2600 e junta-o num só disco repleto de extras. Este meu exemplar foi comprado na Cash converters de Alfragide por 2.50€ algures durante o ano de 2015.

Activision Anthology - Sony Playstation 2
Jogo completo com caixa, manual e papelada

Aqui podemos encontrar desde jogos bastante simples como Boxing e Checkers (jogo das Damas), a outros clássicos que ainda hoje se jogam bastante bem como Pitfall, H.E.R.O. ou o excelente shooter River Raid. Para além disso, ainda temos alguns jogos (em menor número) de outras empresas como a Imagic ou a Absolute Entertainment. O porquê desses jogos lá terem ido parar não sei, pelo menos esta últimafoi fundada por ex funcionários da Activision, já a Absolute foi fundada por ex-funcionários da Atari, tal como a Activision o foi.

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Nesta compilação temos um quarto para interagir e os jogos são escolhidos de uma rack como esta

E se o facto de termos aqui alguns clássicos que resistiram muito bem ao teste do tempo já seria uma boa desculpa para arranjar esta compilação, a quantidade de pequenos extras que lhe colocaram foram mimos ainda maiores! A primeira coisa que impressiona é que somos transportados para um quarto de um adolescente em plenos anos 80, com a sua TV, rádio com leitor de cassetes e uma “rack” onde estão guardados os cartuchos dos jogos que podemos escolher para jogar. E nessa altura além de o escolhermos como uma réplica do cartucho real, podemos também ver um modelo em 3D da sua caixa e uma adaptação do manual de instruções original, agora com os botões do comando da PS2 a substituirem as switches da consola e o joystick da Atari 2600.

Podemos ver o cartucho e caixa do jogo escolhido como um modelo 3D fiel ao original, para além de ler uma adaptação do manual de instruções
Podemos ver o cartucho e caixa do jogo escolhido como um modelo 3D fiel ao original, para além de ler uma adaptação do manual de instruções

Para além disso, em vários jogos temos alguns desafios para cumprir de forma a obter algum conteúdo extra, uma espécie de achievements se assim os quiserem chamar, como por exemplo fazer um certo número de pontos no Pitfall, ou levar 30 galinhas para o outro lado da estrada numa partida do Freeway. Esses desafios desbloqueiam uma série de coisas tais comos vídeos de anúncios da TV de alguns destes jogos, réplicas de patches reais que a Activision oferecia aos fãs que lhes submetessem fotos com o seu highscore, ou até outros modos de jogo que alteram o ecrã dos mesmos.

O Pitfall é sem dúvida um grande clássico desta era
O Pitfall é sem dúvida um grande clássico desta era

Mas os mimos não se ficam por aqui! Como sabem, os videojogos naquela altura não era habitual que tivessem música, então o que decidiram fazer aqui foi colocar uma banda sonora de vários artistas pop/rock da década de 80 que nos vão acompanhar (ou não, caso decidamos dessa forma) ao longo de todas as nossas partidas. Ouvir a We’re Not Gonna Take It dos Twisted Sister enquanto disparamos uns tiros pelo River Raid até que sabe bem! Outros temas sonantes são a Tainted Love dos Soft Cell, ou a Mexican Radio dos Wall of Vodoo – se bem que esta apenas conhecia pela cover dos Celtic Frost, mas adiante… Se bem me lembro apenas o Pitfall 2 e o River Raid 2 tinham músicas próprias.

Alguns jogos são um feito tecnológico impressionante, o que não é o caso deste Title Match Pro Wrestling
Alguns jogos são um feito tecnológico impressionante, o que não é o caso deste Title Match Pro Wrestling

Por estas razões achei que esta Activision Anthology tenha sido uma excelente surpresa, e ainda deu para conhecer uns quantos títulos que me surpreenderam bastante como o MOON QUALQUER COISA que é um shooter bastante fluído e que simula um 3D muito interessante. E falando em fluidez, o Decathlon também foi outro dos jogos que me impressionou tecnicamente, aquele conjunto de pixeis que formam o atleta também ficaram com óptimas animações. E é também interessante ver um bocadinho do que foi aquele crash de 83 no mercado Americano, pois também se notou que nesse período houve um grande número de jogos da Activision e a sua qualidade era bastante díspar, tendo obras primas e outros jogos sem grande cabimento a sairem em simultâneo.

Call of Duty Roads to Victory (Sony Playstation Portable)

Call of Duty Roads to VictoryApesar de não ser a melhor plataforma para jogos deste género devido à falta de um segundo analógico, a PSP ainda recebeu uns quantos first person shooters. E como não poderia deixar de ser, a série Call of Duty foi mais uma delas a marcar presença nesta portátil da Sony. E claro que teria de ser um jogo mais simples do que os lançamentos principais ou outros secundários nas consolas pois a falta de botões assim o exigia. E se encararmos este Call of Duty com essas simplicidades forçadas pelo hardware, até acaba por ser um jogo que entretém. Este meu exemplar foi comprado algures numa cash, já não me recordo bem quando nem onde, mas certamente me terá custado menos de 5€.

Call of Duty Roads to Victory - Sony Playstation Portable
Jogo com caixa, manual e papelada

Neste Roads to Victory iremos participar em várias missões que decorrem em diferentes teatros de guerra na Europa ao longo da década de 40, algumas operações bem conhecidas como a Market Garden entre várias outras, sob o ponto de vista de tropas americanas, canadianas ou britânicas, cada nação aliada com a sua respectiva campanha no jogo. Infelizmente por algum motivo deram um foco bem maior aos norte-americanos do que aos restantes, pois os norte-americanos têm o mesmo número de missões (ou mais) que os canadianos e britânicos juntos. Não é muito difícil de adivinhar o porquê pois este é um produto norte-americano, mas gostava que tivesse havido um maior balanço neste campo.

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Enfrentar tanques apenas com armas leves? Sim, também teremos de o fazer

A jogabilidade tenta aproveitar o melhor possível dos botões disponíveis na PSP, ficando o analógico para movimentar e os botões faciais principais para mover a câmara, um pouco como os Medal of Honor Heroes também o fizeram. O D-Pad fica com as funções de mudar a posição para em pé/agachado/deitado, recarregar a arma, atirar granadas e alterar entre armas (uma vez mais apenas podemos carregar com 2 em simultâneo, mas temos imensas armas para utilizar ao longo da campanha, tanto aliadas como nazis). Os botões de cabeceira servem para disparar e utilizar o aiming down the sights. De resto só tenho pena que as personagens se movam muito lentamente e o analógico da PSP não é de todo o melhor para jogos deste género. De qualquer das formas há um mecanismo de auto-aim que nos ajuda bastante. Para o combate à distância a ideia é equipar uma rifle, deixar o auto-aim “pré-apontar” para os inimigos e fazer o aiming down the sights nessa posição para um tiro certeiro. Para os combates próximos de metralhadora, por vezes o melhor é mesmo deixar o dedo no gatilho… As missões em si vão tentando mimicar as mesmas dos jogos principais, com objectivos como atacar (e defender) posições estratégicas, limpar zonas de snipers, proteger companheiros, destruir tanques, entre outros.

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Felizmente que as MG42 aqui não sobreaquecem e têm munição ilimitada

De resto, o jogo mesmo sendo simples tenta aliciar-nos a jogar mais através de conteúdo bónus. Existem vários graus de dificuldade e no final de cada nível a nossa performance é avaliada. Com isso vamos desbloqueando conteúdo “enciclopédico” de armas, veículos e artilharia pesada da 2a Guerra Mundial, bem como wallpapers e no caso de chegarmos ao fim da campanha pelo menos uma vez, também desbloqueamos alguns cheats como munição infinita ou invencibilidade. Para além disso o jogo tem naturalmente uma vertente multiplayer mas como em tudo ou quase tudo o que jogo na PSP nem sequer cheguei a testar. De qualquer das formas a única maneira que temos para jogar com amigos é mesmo por redes ad-hoc, nada de infrastrutura com servidores, ou seja temos mesmo de ter alguns amigos por perto para o fazer. Pelo que vi os modos de jogo são variantes de deathmatch, capture the flag e king of the hill.

A nível gráfico é um jogo comptente, com uns níveis minimamente bem detalhados dentro das limitações da PSP. Sendo na europa, e quase sempre em zonas urbanas, não há assim uma grande variedade de cenários. O framerate de vez em quando lá sofre uns solavancos nas situações de maior aperto e apercebi-me de um ou outro bug como ver através de paredes ou alguns inimigos serem invencíveis até alguém nos ordenar atacá-los. As músicas são épicas como sempre e não tenho nada a apontar da narrativa ou efeitos sonoros. Para uma portátil estão mais que bons!

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A falta de um botão apenas para “acção” tem as suas desvantagens. A primeira vez que tive de destruir uma Flak 88 fiquei montes de tempo preso sem saber o que fazer, tudo porque não tinha eliminado um Nazi que estava encostado a um canto…

No fundo este Call of Duty é um jogo minimamente sólido para a PSP e serve bem para entreter. Ainda assim, de todos os first person shooters com a temática da 2a guerra mundal existentes para a PSP acho que o Medal of Honor Heroes 2 leva a taça pois pareceu-me um jogo muito melhor em practicamente todos os aspectos, principalmente na jogabilidade que me pareceu mais fluída.