Call of Duty Finest Hour (Sony Playstation 2)

CoD Finest Hour PS2Capitalizando sobre o sucesso do jogo original, a Activision resolveu trazer a série Call of Duty também para as consolas de mesa. Em vez de uma simples conversão, o resultado foi um jogo diferente, com novas missões e algumas inovações na própria jogabilidade, mas que no entanto deixa bastante a desejar tendo em conta o jogo original do PC, tal como irei descrever. A versão que trago aqui é a versão Playstation 2, tendo sido comprada algures no ano passado no ebay UK. Está completa e em óptimo estado, não me tendo custado mais de 6€.

Call of Duty Finest Hour PS2
Jogo completo com caixa e manual

À semelhança da sua iteração original no PC, em Finest Hour jogamos 3 diferentes campanhas na vertente single-player. Passaremos pelas 3 mesmas forças, mas desta vez de ordem inversa, começando pelo exército Soviético, em mais uma re-imaginação da retoma de Estalinegrado, mas desta vez com um terço da adrenalina. Em seguida algumas missões das forças Britânicas no norte de África, culminando com a campanha norte-americana em terreno europeu. Desta vez, ao invés de encarnarmos apenas numa personagem por campanha, vamos saltando de personagem em personagem ao longo das missões, o que acaba por não se criar laços com ninguém, tornando a experiência um pouco mais genérica. No que diz respeito à jogabilidade, vários detalhes são herdados do jogo original, como a técnica de mirar pela “iron sight”, a hipótese de se poder movimentar em 3 poses diferentes, utilizar postos estacionários de metralhadoras pesadas ou artilharia, etc. O que foi introduzido de novidade foi a confução de tanques. Na verdade, quase 1/7 deste jogo é passado a conduzi-los, bem como batalhar com outros tanques, artilharia pesada ou simplesmente infantaria alemã que se lembre de passar à frente. Infelizmente os infames “tank controls” de outros jogos famosos aplicam-se na perfeição a manobrar os tanques deste Call of Duty. Os controlos são confusos e algo lentos, mas ao fim de algumas tentativas lá me consegui habituar à movimentação e à própria defesa. Infelizmente os controlos lentos não são exclusividade do controlo dos tanques, mas o maior defeito deste jogo em geral, na minha opinião. A movimentação do jogador é lenta, o que dificulta bastante naqueles momentos de maior aperto que acontecem ao longo do jogo. Para colmatar esta falha, incluíram uma pequena batota para “ajudar” a mirar nos inimigos – auto aim.

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As missões no norte de áfrica foram as mais divertidas, pena que foram poucas,

As missões, tal como na versão PC, são jogadas na sua maioria com o acompanhamento de vários outros soldados que nos vão auxiliando (ou não). Infelizmente para além de um grande enfoque para missões de tanque – eu gosto de FPS pela infantaria – houve também um grande foco em missões de escolta, quer de outros humanos, quer de frotas de tanques Aliados. Eu detesto missões de escolta por uma razão muito simples: os bots são burros na medida em que se deixam sempre a descoberto do fogo inimigo. Aqui não é excepção, infelizmente. Mas nem tudo é mau e mesmo assim existem algumas missões realmente empolgantes, como uma perseguição sobre soldados Britânicos em pleno deserto do Norte de África. De resto o jogo conta como sempre com um arsenal fiel ao da época, com a limitação de se carregar 2 armas em simultâneo, bem como uma série de granadas/explosivos. Infelizmente as granadas não têm grande física associada, visto que é impossível de controlar a distância a que queremos lançar a mesma.

Passando para a vertente técnica, este Finest Hour foi desenvolvido utilizando a engine “Renderware”, uma engine desenvolvida especificamente a pensar num desenvolvimento simples para as 3 plataformas em simultâneo – PS2, GameCube e Xbox. Infelizmente o resultado final não foi o melhor, graficamente já vi jogos bem mais aprimorados com essa engine, tal como o Sonic Heroes por exemplo (que apesar de bonitinho tem uma jogabilidade horrível). Os modelos não são muito definidos, mas o que chateia mais são mesmo as texturas muito simples e com baixíssima resolução. Medal of Honor Frontline, um jogo de 2001/2002 não é muito pior graficamente que este. Para piorar as coisas, o jogo sofre imensos slowdowns nos momentos mais caóticos. Isto tudo na versão PS2, não sei até que ponto é que o jogo será melhor nas outras 2 consolas. As animações das personagens também são fracas, e isso aliando a uns controlos lentos acaba por confundir bastante o jogador, pois nem sempre se consegue perceber se matamos mesmo um inimigo até que ele se volta a levantar. Sonoramente é um jogo competente, como com qualquer shooter histórico que tenha jogado. Apesar de não ter uma ambientação de topo, pelas razões que já mencionei, desempenha suficientemente bem o seu papel.

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Tanya a introduzir uma missão toda "sniper"

Por fim resta-me apenas mencionar a componente multiplayer. Ao invés de ter o tradicional split-screen, o jogo tem apenas suporte ao multiplayer directamente online. Já agora, de todos os jogos de PS2 que analisei por cá e que teoricamente teriam jogo online, este Call of Duty foi o único que me deixou ir online e até participar numas partidas. Tudo isto porque todos os outros pediam-me que criasse um perfil de rede através do Network Access Disk que vinha junto do broadband adapter original da PS2. Como eu tenho uma PS2 Slim, a placa de rede já vem integrada, mas a Sony falhou em não fornecer esse disco de acesso, ou incluir essas funções no próprio firmware. Este Call of Duty permitiu-me criar o tal perfil no cartão de memória, que todos os outros jogos com suporte a jogo online reconheceram posteriormente. Emfim, adiante: os modos de jogo disponíveis são os habituais Deathmatc, Team DM, Capture the Flag e um “Seek and Destroy”, onde à semelhança do Counter Strike uma equipa encarregua-se de defender um determinado objectivo enquanto a outra o tenta destruir. Ainda nos dias de hoje, com um jogo não muito bom lançado em 2004, consegui encontrar algumas almas penadas a jogar isto pela net.

Finalizando, o jogo tem também alguns desbloqueáveis, tais como artwork e pequenos filmes com imagens e clipes do making of, sendo alguns bónus agradáveis, na minha opinião. Também na minha opinião, o começo da série Call of Duty nas consolas não foi de facto a melhor. Não sei como o jogo se comporta técnicamente uma Xbox ou Gamecube, mas na PS2 para além de haver shooters com a mesma temática mais bonitos, há com jogabilidade bem mais suave. A PS2 viria a receber mais uns 3 Call of Duty, todos eles com a temática da IIª Guerra Mundial e que eu trarei aqui brevemente. Estou a meio do Call of Duty 2: Big Red One e já é uma boa melhoria face a este.

Call of Duty – Game of the Year (PC)

Call of Duty best ofCom o sucesso de séries como Medal of Honor, naturalmente que iriam surgir outros jogos baseados no mesmo conceito: um first person shooter de caracter histórico baseado na Segunda Guerra Mundial. Call of Duty foi um dos “copycats“, mas que na verdade acabou por fazer tudo melhor que o original, tendo evoluído para o colosso que é nos dias de hoje, mesmo actualmente se basear em guerra moderna. A versão que trago aqui é a chamada “Game of the Year”, que infelizmente não traz a expansão “United Ofensive”, mas sim vários updates que tinham sido previamente disponibilizados para download, tais como novos mapas e modos de jogo no multiplayer. A minha cópia foi comprada na loja portuense TVGames, tendo-me custado algo entre os 4€ e está completa.

Call of Duty GOTY PC
Jogo completo com caixa e manual

Call of Duty distingue-se do seu “antecessor” Medal of Honor Allied Assault na medida em que é ligeiramente mais realista: as guerras não foram vencidas por um super soldado, mas sim com o trabalho em equipa de vários batalhões. Apesar de não ser um simulador na mesma óptica que o Brothers in Arms introduziu mais tarde, já é um avanço. Neste jogo iremos lutar ao lado de soldados que nos irão ajudar na cruzada, bem como morrer ao nosso lado. A narrativa passa-se em 3 facções diferentes: começamos junto de paraquedistas americanos nas primeiras batalhas por alturas do desembarque na Normandia, posteriormente com soldados britânicos também em solo europeu (embora sejam missões mais “Commando-style”) e por fim com o Exército Vermelho numa campanha verdadeiramente épica da retoma da cidade de Estalinegrado. A jogabilidade é a tradicional de um FPS, embora Call of Duty tenha introduzido algumas diferenças, tais como a “Aim Down the Sight”, onde miramos os alvos através das “miras” ou objectivas das armas que carregamos, dando um pequeno efeito de zoom e uma precisão maior. Este método é algo que vingou até aos dias de hoje. O “shellshock effect”, a visão, movimentação e audição deturpada após a explosão de uma granada ou projéctil pesado também foi algo introduzido pela primeira vez neste jogo, salvo erro. De resto, para além de só podermos transportar um número limitado de armas, a jogabilidade mantém-se igual aos FPS clássicos, com a saúde a ser regenerada através de items médicos, e não automaticamente como nos jogos seguintes.

Apesar de ser um jogo que dê algum foco na utilização de diferentes estratégias nas várias missões, como o flanqueamento, o uso constante de granadas e de suppressing fire, não deixa de ser ainda algo “arcade” e de acção rápida (não que eu tenha algum problema com isso). Os níveis são bastante lineares, e repletos de scripted events. Na HUD dispomos de uma bússola que indica a direcção dos vários objectivos que temos de completar, pelo que nunca andamos propriamente à deriva. As missões em si são bastante variadas, desde controlar localidades, a missões de resgate, sabotagem e mesmo missões com perseguições de carros. Não acho que tenha havido um único momento de encher chouriços, o jogo cumpre bem o seu papel de cativar o jogador, e no fim acaba por saber a pouco. Gostei particularmente das missões do exército soviético, foi uma lufada de ar-fresco que os outros jogos da época não tinham explorado.

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A retoma de Estalinegrado é provavelmente a melhor parte do jogo

Com um modo single-player tão bom que acaba por parecer algo curto, Call of Duty tem também uma vertente multiplayer importante. Apesar de não ser tão avançada como nos jogos que lhe prosseguiram, colocou umas boas fundações para o futuro. Para além dos tradicionais Deathmatch e Team DM, existe uma variante do Capture the Flag com o nome de “Retrieval”. A diferença é que ao invés de invadir a base inimiga para capturar uma bandeira e regressar, o objectivo é capturar documentos. Search & Destroy é um modo dividido em equipas onde uma tem de defender um determinado objectivo e a outra destruí-lo. Headquarters é um modo semelhante, onde o objectivo é localizar e controlar um radio colocado aleatoriamente no mapa, pelo maior tempo possível. Finalmente, existe também o “Behind Enemy Lines”, onde um grupo pequeno de soldados Aliados vê-se a combater um grande número de Nazis. Os aliados ganham pontos em sobreviver e matar o maior número de inimigos possível. Um jogador do Eixo sempre que matar um Aliado é “ressuscitado” como um Aliado em seguida.

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Killcam - óptimo para detectar cheaters no multiplayer

Passando para a parte técnica, Call of Duty foi desenvolvido utilizando uma versão modificada da ID Tech 3, a engine por detrás de jogos como Quake III Arena e dos próprios Medal of Honor Allied Assault e expansões. Para um jogo lançado em 2003, os gráficos estão bons, em particular as personagens que estão muito bem modeladas, e as suas falas estão sincronizadas com o movimento dos lábios. Mesmo nos dias de hoje, não deixa de ser um jogo agradável de se jogar. Os mapas já apresentam texturas mais fracas, principalmente considerando o cenário actual. Mas repito, não são gráficos propriamente desagradáveis, acho que o jogo “envelheceu” bem. A nível de som é excelente. O voice acting é bom, e todo o caos dos campos de batalha enriquece bem a experiência. Os berros dos soldados alemães, o barulho frenético das armas, os companheiros a darem dicas estratégicas, etc. A música é mais orquestral, como tem sido habitual em jogos deste tipo. E de facto, tendo em conta o caracter épico e histórico de algumas das principais batalhas da II Guerra Mundial, é a escolha mais acertada.

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Sniper Rifles - a superar o cão como melhor amigo do homem desde 1914

O jogo durante muito tempo manteve-se exclusivo para o PC (com um porte para MAC no ano seguinte). Também no ano seguinte saiu um spin-off para as consolas da altura – PS2, Gamecube e Xbox, com o subnome “Finest Hour”. Por acaso estou a acabar de o jogar no momento, e será o próximo artigo do blogue, mas está muito longe da qualidade do original. Em 2009 acabou por sair uma versão remasterizada em HD para Xbox360 e PS3, sendo provavelmente a versão definitiva do jogo – apesar do multiplayer estar limitado a um máximo de 8 jogadores em simultâneo. Call of Duty marca o início de uma das maiores franchises de sucesso dos tempos actuais e é um belo jogo. Não é estratégico como Brothers in Arms ou Hidden & Dangerous, mas uma “viagem de montanha russa” repleta de momentos frenéticos. Eu recomendo.