Ittle Dew (PC)

Recentemente escrevi para o site da PUSHSTART uma review a um jogo indie chamado Ittle Dew. Numa primeira vista, Ittle Dew parece ser um clone de Zelda, mas para mim vai bem mais longe que isso. É uma sincera homenagem mas também sátira à conhecidíssima franchise de videojogos. É um produto do estúdio Ludosity e tem um grande foco no puzzle solving, ao invés do combate. Certamente um jogo a ter em conta se o encontrarem a um bom preço. No meu caso, foi um jogo que me foi oferecido através de um sorteio.

screenshot_19Podem ler a análise na íntegra aqui.

PUSHSTART #41

Já venho tarde no anúncio, mas mais vale tarde que nunca. A edição #41 da PUSHSTART já se encontra disponível para download!

Nesta edição:

– Preview: Infamous: Second Son

– Especial: Lego nos videojogos e não só!

– Old Vs New: The Bard’s Tale (PC) vs The Bard’s Tale (Android)

– 4X4: Aliens Colonial Marines

– Visão: A ascensão e queda do Flappy Bird

– Gamer em Tempos de Crise: Star Wars the Old Republic, MariO, Super Hot

Opinião: WASD? OPQA!, Não tem Check Point e save Game? Não jogo!

– Reviews: DmC – Devil May Cry, Donkey Kong Country: Tropical Freeze, The Banner Saga, New Super Luigi U,  Inazuma Eleven 3: Team Ogre Attacks!, Adventure Time: Hey Ice King! Why’d you steal our garbage?!!, LEGO the Movie, Alisia Dragoon, Super Metroid

Para download AQUI.

Road Rash (Sega Saturn)

Road RashRoad Rash remete-me logo para 2 memórias: A atitude “cool” dos anos 90 e o tempo em que a Electronic Arts era uma empresa realmente criativa e um colosso bem respeitado por todos. A série tem as suas raízes na Mega Drive, com a temática de violentas corridas ilegais de moto por estradas estaduais dos EUA. O facto de podermos andar à pancada com outros condutores e também fugir à polícia era algo que tornava Road Rash num jogo único na sua altura. E como todas as séries de sucesso na Electronic Arts, foram lançadas imensas sequelas e conversões ao longo de toda a década de 90. Um desses lançamentos foi um remake do primeiro Road Rash para a 3DO, versão essa que acabou por ser lançada também noutras consolas, entre as quais a Sega Saturn. A minha cópia foi comprada algures em Janeiro/Fevereiro deste ano por 5€, na feira da Ladra em Lisboa.

Road Rash - Sega Saturn
Jogo completo com caixa e manuais

Este Road Rash é um remake do primeiro jogo, pelo que toda a acção decorre em várias estradas estaduais da Califórnia, nomeadamente as localidades “The City, The Peninsula, Pacific Coast Highway, Sierra Nevada e Napa Valley”. Tal como os outros jogos da série, o modo “campeonato” coloca-nos a correr nesses 5 circuítos, ao longo de 5 níveis de dificuldade, com os mesmos circuitos a tornarem-se gradualmente mais longos e os oponentes mais agressivos. Nesse mesmo modo Championship é obrigatório chegar pelo menos em 3º lugar em cada corrida, de forma a podermos avançar para a próxima. Quando melhor classificados ficamos, mais dinheiro ganhamos, que será bem útil para comprar novas motos, reparar estragos ou pagar multas caso tenhamos sido caços pela polícia. Uma das novidades neste Road Rash é o facto de podermos ter amizades e rivalidades ao longo do jogo, o que até dá alguma pica extra para mandar umas boas patadas nos rivais em plena corrida.

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Ao cair da moto, às vezes voamos para bem longe e depois temos de voltar para trás a correr.

Infelizmente tem o grande problema de não ter um multiplayer em split screen, tal como o Road Rash II para a Mega Drive introduziu. Tal como o Road Rash original, o multiplayer existe apenas em jogar as corridas de forma alternada, o que é um bocadinho (muito) chato, especialmente nas últimas corridas onde as distâncias são bem grandinhas. Nos circuitos por vezes também há bifurcações que nos levam por caminhos alternativos, mas nada de especial. De resto as mecânicas de jogo são semelhantes e os controlos também: um botão para acelerar, outro para travar e um outro para atacar, onde podemos obter várias armas como os típicos bastões de baseball ou correntes de metal.

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O ecrã de selecção dos circuitos

Graficamente falando não é um jogo propriamente colossal. As motos, veículos no geral e pedestres são todos sprites digitalizados, tal como foi feito no Road Rash 3 para a Mega Drive. A única coisa em 3D poligonal pareceram-me ser mesmo os edifícios e desfiladeiros que não possuem assim tanto detalhe quanto isso mas o bom framerate da versão Sega Saturn chega bem para compensar essa falha. Outra coisa  engraçada são as cutscenes. Nos originais da Mega Drive essas cutscenes eram sempre algo engraçadas e aqui tentaram fazer o mesmo, mas em full motion video com actores reais. Existem várias cutscenes para vitórias, derrotas ou quando somos presos pela polícia. Umas até que têm piada, outras nem por isso. A banda sonora é que tanto é excelente como uma desilusão. Passo a explicar: o jogo está repleto de faixas licenciadas de bandas de rock como Soundgarden ou Monster Magnet. Isto é completamente OK in my books. Mas infelizmente isso apenas aontece nos menus e afins, pois durante o jogo em si já mudaram para músicas mais genéricas e o barulho das motas é tão forte que nem dá para as apreciar.

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O artwork das personagens do jogo está completamente caricaturado

Infelizmente este é o único jogo da série que chegou à Sega Saturn. Depois deste ainda sairam mais uns 3 jogos diferentes, já totalmente em 3D, mas apenas para as consolas Playstation e Nintendo 64. Apesar de ser um jogo que falhou no modo multiplayer – foi realmente uma oportunidade perdida, não acho este Road Rash um mau jogo de todo. A sensação de velocidade é bem convincente e poder distribuir pancada noutros motoqueiros é sempre divertido. É pena que a Electronic Arts nunca mais tenha voltado a pegar na série, após um port manhoso para a Gameboy Advance. Mas veremos o que o futuro lhe reserva. Ainda sobre este jogo, saiu também uma versão para a Mega CD, que herda a mesma banda sonora, vídeos e pouco mais, pois a parte gráfica do jogo em si já é muito semelhante a outros Road Rashs da Mega Drive.

Altered Beast (Sega Mega Drive)

Altered BeastVamos lá voltar à consola de 16bit da Sega, para uma breve análise a um clássico da consola. Altered Beast foi um dos poucos jogos de lançamento da Mega Drive tanto em solo japonês como norte-americano, tendo sido o jogo com maior destaque para demonstrar as capacidades superiores da Mega Drive face à NES. Na Europa e particularmente em Portugal onde recebemos oficialmente a consola mais tarde, já chegou cá com um catálogo mais bem compostinho. E o Altered Beast entrou na minha colecção algures durante o mês passado, tendo sido comprado na feira da Vandoma no Porto por uma quantia a passar um pouco dos 3€.

Altered Beast - Sega Mega Drive
Jogo com caixa e manual europeu

“RISE FROM YOUR GRAVE!” é logo o nosso cartão de boas-vindas quando Zeus nos ressuscita, incumbindo-nos de uma simples missão: salvar a sua filha Athena das mãos do malvado deus demoníaco do underworld, Neff. Apesar de Neff não ser Hades, dá para perceber que este é um jogo com muitas influências da mitologia da Grécia Antiga.

Numa primeira olhada, Altered Beast é um beat ‘em up difícil, mas simples. Ao contrário de Double Dragon ou Golden Axe, a nossa personagem e inimigos movem-se num único plano, ao invés de ser simulado um espaço 3D. Não há uma grande variedade de golpes, temos um botão para murros, outro para pontapés e um outro para saltar. É possível atacar quando saltamos, ou ao pressionar o direccional para baixo. O que diferenciou Altered Beast de todos os outros jogos na altura é mesmo a licantropia dos heróis, sendo capazes de se transformar em diversos animais. O jogo está dividido em 6 níveis distintos e em cada um podemos nos transformar em animais diferentes, cada um com os seus poderes e habilidades características.

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Os inimigos vão sendo variados entre si e têm um bom detalhe

Para nos transformarmos, ao longo de cada nível vamos vendo uns lobos azuis, ao derrotá-los eles soltam umas orbs azuis que devemos coleccionar. Por cada orb coleccionada, o jogador ficará cada vez mais poderoso, quase a rebentar com os músculos que ganham. Por fim ao apanhar a terceira orb, transformam-se no tal animal. No primeiro nível transformam-se num lobo capaz de atirar bolas de fogo e saltos horizontais que levam tudo à frente, no seguinte num dragão voador com ataques eléctricos, depois um urso que petrifica os inimigos e é capaz de se enrolar sobre si mesmo. Os últimos dois, são um tigre, também cospe bolas de fogo e tem saltos verticais que levam tudo acima ou abaixo e por fim, no último nível, temos novamente o lobo, desta vez dourado e mais poderoso.

Altered Beast é um jogo para os duros, pois começamos o jogo com apenas 3 vidas e uma barra de energia que não regenera de nível para nível. E os inimigos vão ficando cada vez mais resilientes e agressivos, o que nos irá dar algumas dores de cabeça. No entanto, através de alguns cheat codes obscuros, é possível desbloquear um menu que nos permite mudar a dificuldade do jogo de Normal até Very Hard (awesome), o número de vidas ou o tamanho da health bar. Existem ainda ou outros códigos que nos vão deixando continuar o jogo após um game over, ou mesmo um código que nos deixa escolher qual o bicho que nos queremos transformar em cada nível, por exemplo.

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Os bosses são grandinhos e gore quanto baste.

Graficamente, apesar de ser um jogo que não tira o maior partido da biblioteca da Mega Drive, afinal é um jogo de lançamento, percebe-se perfeitamente o porquê da Sega of America ter-lhe dado um grande destaque por alturas do seu lançamento. As suas sprites grandes e bem detalhadas, tanto dos lutadores, inimigos e bosses, ou mesmo as fantásticas animações quando nos transformamos numa das bestas, eram certamente impressionantes para os padrões nos finais dos anos 80, mostrando claramente a superioridade gráfica da Mega Drive face à concorrência 8bit. A versão Mega Drive é muito parecida à versão arcade, embora possua menos detalhe nas sprites e background, mas para compensar tem um efeito de scrolling em parallax melhor. As músicas também são mais pujantes na versão arcade, assim como os próprios samples de voz são mais nítidos. Ainda assim não deixa de ser awesome ouvir na Mega Drive “Welcome to your doom!” antes de cada luta de boss.

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Esta imagem serviu para muitos screenshots em todas as revistas da especialidade. Back in the day, sempre achei esta imagem fenomenal.

No fim de contas, Altered Beast acaba por ser um jogo que não envelheceu muito bem a nível de mecânicas de jogo, mas não deixa de ser divertido e uma pedra importante tanto do catálogo da Mega Drive, como mesmo da própria Sega. É um jogo que também foi convertido por outras empresas para inúmeros sistemas, não só a Master System, mas para vários computadores (Atari ST, Spectrum, Commodore 64 e Amiga, entre outros), como para consolas da concorrência, como a PC-Engine/TG-16 ou mesmo a NES. Mas a versão da Mega Drive é superior a todas essas conversões. O jogo acabou por aparecer também noutras plataformas mais recentes em várias compilações, aí já com emulações bem competentes: Dreamcast, Xbox, X360, PS3 ou o Virtual Console da Nintendo Wii. Mas a melhor conversão de todas parece-me mesmo ser a mais recente, que saiu na 3DS, com o jogo a ser retocado para tirar partido do ecrã 3D da portátil da Nintendo.

Ninja Shadow of Darkness (Sony Playstation)

Ninja Shadow of DarknessEste jogo foi mais um daqueles que comprei como se estivesse em 1994, ou seja, completamente às cegas sem o conhecer de lado nenhum. Tinha uma vaga ideia de a capa do jogo me ser algo familiar, provavelmente vi nalguma revista ou catálogo da época, mas ao ver os nomes de Eidos e Core, resolvi arriscar e trazer este jogo para casa. Tal como muitos outros desde que me mudei para a zona de Lisboa, foi comprado na feira da Ladra, por uma quantia entre os 2 e os 3€ se a memória não me falha.

Ninja Shadow of Darkness - Sony Playstation
Jogo completo com caixa e manuais

A história do jogo é simples, duas facções distintas de lordes feudais japoneses andavam em guerra já há muitos anos, mas as suas forças eram bastante equilibradas e a guerra não chegou a lugar nenhum. Então lá decidiram assinar umas tréguas de forma a trazer a paz ao Japão novamente. Mas um desses lordes feudais, o espertinho lá do sítio, tenta tirar partido da situação, ao invocar demónios para lutarem ao lado dele. O plano saiu furado e os demónios invadiram por completo o Japão. O outro lorde lá envia o seu melhor ninja para resolver a situação e o resto não será difícil de adivinhar.

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Os níveis são consideravelmente longos e não é possível fazer save durante os mesmos. Felizmente existem vários checkpoints (o leque voador da figura)

O jogo mistura os conceitos de um beat ‘em up em 3D, com elementos de platforming. A jogabilidade é simples, mas a dificuldade é elevada. O jogo está dividido em vários níveis grandinhos e obriga-nos muitas vezes a derrotar todos os inimigos de forma a progredir, inimigos esses que teimam em nos cercar e atacar “aos magotes”. Como beat ‘em up, podemos executar algumas combos de pontapés e murros e temos também um ataque de longo alcance, onde podemos atirar kunais/shurikens. Mas voltando aos ataques melee, nos cestos que encontramos ao longo do jogo, ou nas lojas que visitamos entre cada nível, podemos encontrar/comprar outras armas (e demais powerups). Existem várias armas diferentes como katanas ou machados, sendo umas mais fortes que outras. Dos outros powerups disponíveis, para além de itens que restabelecem saúde, vidas e powerups de ataque, dispomos também de outros items especiais como as bombas ou ataques mágicos, bastante úteis em lutas contra bosses ou grupos de inimigos.

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O jogo vai tendo algumas cutscenes renderizadas em CG, que até têm boa qualidade

Como referi acima, estes itens podem ser comprados em lojas que visitamos no final de cada nível, onde também podemos fazer savegame, ou podem ser encontrados em cestos espalhados ao longo dos níveis. Este cestos podem também ter chaves necessárias para abrir portas de forma a que consigamos progredir no jogo, ou então podem também estar armadilhados, pelo que é sempre recomendada caução ao abri-los. Para além da vertente beat ‘em up, o jogo tem também um grande foco no platforming, onde temos também de nos esquivar das mais variadas armadilhas, como no Tomb Raider. Mas isto tem uma grande desvantagem face à câmara do jogo que passo a explicar: O jogo tem maioritariamente uma perspectiva isométrica com uma câmara que não podemos controlar. A câmara vai-se movimentando de forma simples, fazendo scroll em várias direcções à medida em que vamos avançando no caminho e vai mudando o ângulo mediante a complexidade do nível. Ora isto dificulta bastante o platforming, pois o ângulo muitas vezes não é o melhor. Quem jogou o Landstalker sabe do que falo.

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Se há coisa que não falta, são armadilhas para nos esquivarmos

Graficamente é um jogo minimamente competente. O jogo utiliza o mesmo motor gráfico visto nos Tomb Raiders, embora isso possa não ser imediatamente perceptível devido à câmara ser mais fixa e não ser possível de controlar. No entanto ao olhar com atenção dá para perceber algum clipping nos polígonos do chão e plataformas, todos eles blocos “quadrados”, tal como em Tomb Raider. Os cenários vão tendo alguma variedade, desde bosques, cavernas, fortalezas até chegar às profundezas da terra, onde a lava é um perigo constante. Não gostei muito do design tanto da personagem principal como dos próprios inimigos (excepto aqueles com trajes mais samurai ou ronin, esses gostei). Os efeitos sonoros também não são nada de especial e a música, apesar de ter alguma variedade, não é algo que fique na memória.

No fim de contas, este é um jogo que na minha opinião não envelheceu muito bem. Não propriamente pela dificuldade elevada, que muitos jogadores mais hardcore até possam apreciar, mas pela “linearidade” e simplicidade que nos acompanha ao longo de todo o jogo. É sempre “arroz”durante todo o jogo, não há grande variedade, e por isso não fica a vontade de lhe voltar a pegar. A Core já fez jogos muito melhores.