Wip3out (Sony Playstation)

Wip3outDe volta para a primeira consola da Sony, para a quarta iteração de uma série que infelizmente nos dias que correm me parece caminhar para o limbo. Wip3out, ou para os americanos Wipeout 3 – espera lá, não disseste que era o quarto jogo da série, perguntam vocês – sim, pois entretanto tinha saído o Wipeout 64 para a consola da Nintendo. Este jogo saiu já no ano de 1999, altura em que um estúdio competentíssimo como a Psygnosis já não guardava segredos com o hardware da Playstation, sendo o produto final um resultado tecnicamente impressionante e do ponto de vista de jogabilidade também. Foi comprado há coisa de um mês a um particular por cerca de 5/6€, onde infelizmente a caixa apresentava imensos danos e foi eventualmente substituída.

Wip3out - Sony Playstation
Jogo com caixa, manual e papelada

Tal como os jogos anteriores, este Wip3out decorre num futuro onde corridas a alta velocidade com naves que planam pelo ar e com recurso a armas destrutivas são perfeitamente permitidas no meio de grandes cidades e não só. Dispomos de bastantes modos de jogo diferentes, onde poderemos desbloquear uma série de circuitos e naves adicionais mediante a nossa performance nas corridas. Desses temos o Single Race que é auto explanatório e podemos escolher qualquer circuito ou nave que já tenhamos desbloqueado anteriormente nesse modo de jogo, para além de existirem também vários graus de dificuldade. O Time Trial coloca-nos sozinhos (ou contra a nossa nave fantasma) a correr num circuito sem armas ou checkpoints onde o único objectivo é alcançar o melhor tempo possível. Dentro dos Challenges temos 3 tipos diferentes de desafios: O Race Challenge exige que terminemos em primeiro lugar num circuito, o Time Challenge obriga-nos a bater um determinado tempo prédefinido e o Weapon Challenge obriga-nos a eliminar, com recurso às armas que vamos ganhando à medida que navegamos nos circuitos, uma série de oponentes. Por fim temos o Combo Challenge que nos exige tudo dos outros 3 desafios.

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Os menus são completamente minimalistas e funcionais. Ah, e o jogo tem um suporte nativo a widescreen.

Para além do mais ainda temos o Elliminator, que é uma espécie de deathmatch, onde o objectivo é fazer X pontos e o primeiro que o fizer vence a prova. Os pontos são ganhos cada vez que eliminamos um oponente ou completamos uma volta. Por fim temos o Tournament onde o objectivo é fazer o máximo de pontos possível em cada corrida, onde os primeiros 3 lugares dão direito a medalhas de ouro, prata ou bronze. Para além do mais temos ainda a vertente multiplayer, que tanto pode ser jogada no single race, elliminator ou tournament. De resto este é um jogo que começa relativamente fácil, mas rapidamente o grau de dificuldade sobe à medida que nos vamos aventurando por graus de dificuldade mais elevados. Os controlos são bons, mas com a enorme velocidade (aqui excelentemente representada) e circuitos por vezes com curvas apertadas e outros obstáculos, exigem alguma maestria dos controlos avançados, como utilizar os air brakes laterais para curvas mais apertadas ou tirar partido do hyperthrust para andar ainda mais rápido. Para nos ajudar temos ao nosso dispor vários itens que podemos apanhar nas corridas que tanto podem ser armas, como vários tipos de mísseis ou minas, ou mesmo powerups que nos deixam temporariamente invisíveis, com um escudo ou a função de autopiloto, bastante útil em alguns troços de alguns circuitos. De resto, existindo armas é também normal que exista alguma protecção e de facto temos uma barra de energia que vai sendo diminuída cada vez que sofremos dano, sejam de armas ou colisões, podendo ser regenerada ao passar por uma espécie de “boxes”, trechos secundários dos circuitos, como se vê nos F-Zeros.

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Estes rastos de luz sempre me fascinaram desde o primeiro jogo

Enquanto a dificuldade deste Wip3out poderá alienar muitos jogadores, é difícil ficar indiferente a tamanha fluidez, sensação de velocidade e bons gráficos que este jogo nos proporciona. As naves e os circuitos estão muito bem representados e mesmo com as velocidades estonteantes que por vezes corremos, a draw distance porta-se bastante bem. O framerate do jogo não me deixou com razões de queixa, não me lembro de ter havido algum slowdown das vezes que joguei e a sensação de velocidade está muito bem conseguida, bem como a alta resolução a que o jogo corre (e o suporte nativo a widescreen que não sei que mais outro jogo da PS1 suporte). O design aparentemente foi todo renegado para uma empresa profissional da área, resultando nuns menus extremamente fluídos e com um aspecto bastante futurista, algo que não é de todo novo nos WipEout, mas aqui ficou muito melhor. Mesmo a informação presente durante as corridas me parece muito atractiva, e o mesmo pode ser dito dos ícones que representam os powerups/armas que apanhamos, estão muito cuidados e no aspecto visual este é um jogo muito consistente. Os efeitos sonoros também são bons e bastante futuristas, como a voz automatizada que nos informa os powerups que apanhamos. As músicas mais uma vez apostam numa onda bem techno que, não sendo de todo “a minha cena”, tenho de admitir que está mais uma vez uma banda sonora coesa e que se adequa perfeitamente ao estilo do jogo.

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As pistas estão bem desenhadas e são em locais variados

Por fim, e apesar deste Wip3out me parecer ser o melhor da série nesta era Saturn/PS1/N64, para nós europeus ainda tivemos direito a um brinde extra que recomendo a todos a sua compra se a oportunidade vos surgir. Wip3out Special Edition é uma reedição do mesmo jogo lançada em 2000, que contém todo o conteúdo desta versão normal, bem como a reintrodução de 8 circuitos dos 2 jogos anteriores da Playstation (3 do primeiro WipEout, 5 do WipEout 2097), mais 2 circuitos protótipos, alguns melhoramentos ao jogo como um todo e por fim multiplayer para 4 jogadores com recurso a 2 TVs e Playstations, ligadas com o Link Cable.

SpellCaster (Sega Master System)

SpellcasterVoltando para uma das minhas consolas preferidas, o jogo que escreverei agora não diria que é uma hidden gem, mas sim um daqueles jogos que muita curiosidade me despertou quando era pequeno e ficava a imaginar como seriam os jogos da Master System simplesmente ao olhar para um screenshot num catálogo. Com um screenshot apenas, esse jogo sempre me deixou com vontade de o jogar, tal era o poder da imaginação naquela altura. E na verdade é um jogo bastante peculiar, misturando conceitos de RPG, sidescroller de acção e aventura gráfica. Este Spellcaster entrou na minha colecção há uns meses atrás, após ter sido comprado a um particular por 7€, faltando-lhe o manual.

Spellcaster - Sega Master System
Jogo com caixa

Originalmente no Japão o jogo chama-se Kujakuou, seguindo a história de uma manga/anime do mesmo nome. Penso que alterações para a release ocidental foram inevitáveis, mas para além do nome da personagem principal, que aqui se chama Kane, não sei que mais foi alterado, até porque desconheço por completo a obra original de onde o jogo se inspira. Basicamente Kane é uma espécie de guerreiro com poderes místicos, onde desde jovem treinou sob a alçada de Kaikak, líder do Summit Temple e dominou uma série de poderes mágicos e poderosos feitiços, tornando-o num grande guerreiro. Ainda assim a vida de Kane era pacífica até que uma onda de violência levada a cabo por um exército desconhecido e com criaturas maléficas destruiu muitos dos outros templos e matou também muitos dos seus guardas. Kane é então enviado ao templo mais próximo de Enriku para investigar esses acontecimentos, e é aí que começa a nossa aventura onde teremos muitos combate e exploração para fazer.

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O ecrã título japonês é bem mais trabalhado do que o que tivemos direito

O jogo está então dividido em 2 modos de jogo distintos: as secções de sidescrollers, geralmente passadas quando queremos ir de uma localização à outra ou até em combates contra bosses, ou os segmentos de exploração que de acção têm muito pouco. Nos primeiros temos a fórmula tradicional de jogos como Contra ou Shinobi, onde andamos do ponto A ao ponto B, tentando destruir tudo o que mexa e ultrapassar alguns obstáculos de platforming. A diferença é que aqui em vez de termos uma metralhadora, ou armas brancas, Kane está munido dos seus poderes, lançando bolas de energia que podem até ser carregadas para um golpe mais devastador. Na parte de cima do ecrã temos 2 indicadores: força e energia. Os primeiros referem-se aos pontos de vida, se deixarmos que chegue a zero não é nada difícil adivinhar o que acontecerá. O outro é o medidor de energia, que vai sendo gasto à medida em que usamos os feitiços. Tanto uma como a outra podem ser restabelecidas ao apanhar orbs deixadas pelos inimigos e à medida em que vamos progredindo no jogo o seu limite máximo também pode ser aumentado. Mas falando nos feitiços, parte integral deste jogo, os mesmos podem ser consultados ao pressionar o botão de pausa. Desde o início do jogo que temos logo todos os feitiços à disposição (excepto um que gera uma password com os dados do jogo, para “save game”, que aprendemos pouco depois do início da nossa aventura), o que na minha opinião seria melhor se fossemos aprendendo ou desbloqueando esses feitiços gradualmente.

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Era por causa de screenshots como este que sempre tive curiosidade com este jogo quando era novinho

De qualquer das formas, esses feitiços são bastante variados, abrangendo coisas como voar, um escudo que nos torna temporariamente invulneráveis, ataques mais fortes, regenerar os pontos de vida, ou então ataques devastadores que afectam todos os inimigos no ecrã e que são bastante úteis contra os bosses. Mais uma vez, o facto de termos todo este arsenal ao nosso dispor logo desde o início do jogo penso que retira algum do desafio do mesmo, mediante a nossa disponibilidade de pontos de energia, para usar estes feitiços continuamente. Avançando para o modo aventura, aqui somos apresentados a vários ecrãs estáticos e com um menu onde podemos escolher vários comandos como “olhar”, “falar”, “mover”, “pegar” ou “usar”. São mecânicas de jogo algo arcaicas mas bastante comuns em jogos de aventura de consolas ou mesmo nos PCs na década de 80, onde o uso dos ratos era ainda uma miragem. Infelizmente estas secções são bastante lineares e não apresentam grandes desafios, a não ser aquela secção em que temos de procurar um item no fundo do mar, isso foi chatinho. Os elementos RPG estão também na parte de podermos equipar várias armas e armadura, aumentando os nossos stats gerais.

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É nesta parte de “aventura” que os diálogos vão surgindo

Graficamente achei o jogo bom. Nas partes de acção temos sprites detalhadas e níveis coloridos, com vários inimigos no ecrã e coisas a acontecer. Na parte de aventura as coisas são também bastante coloridas e detalhadas, usando bem as capacidades da Master System nesse campo. Os efeitos sonoros, que sempre foram o calcanhar de Aquiles da Master System são OK, assim como as músicas que apesar de não serem memoráveis, também não são irritantes.

No fim de contas, apesar de não considerar este jogo como uma hidden gem da Master System, acabei por gostar bastante dele na mesma pela sua originalidade. O jogo perde na sua linearidade, tornando as secções de exploração e aventura algo inúteis, bem como os elementos de RPG a poderem ser um pouco melhor trabalhados e o facto de termos logo de início acesso a todo o arsenal de poderes não me pareceu a melhor decisão. Mas não deixa de ser um bom jogo e as fases de acção são realmente boas. Para a Mega Drive existe uma sequela que mais uma vez chegou cá com um nome completamente diferente: Mystic Defender. Esse jogo sempre me passou ao lado, mas estou bastante curioso em ver como foi a evolução desde este SpellCaster.

D (Sega Saturn)

D - SaturnVamos voltar às rapidinhas para uma breve análise a um jogo muito bizarro que infelizmente não envelheceu nada bem. D é um jogo do já falecido Kenji Eno, a mesma pessoa que nos trouxe o já referido Enemy Zero e também o próprio D2 que eventualmente comprarei para a Sega Dreamcast. Este é um jogo de aventura na primeira pessoa com um ambiente de terror e muita bizarrice. Foi comprado há umas semanas atrás na Pressplay do Porto por 14€, estando num estado pristino. Eu já há algum tempo que o queria comprar e eventualmente até o poderia arranjar mais barato, mas procurar na internet por um jogo chamado apenas “D” é uma tarefa ingrata.

D - Sega Saturn
Jogo completo com 2 discos e capa internacional

Neste jogo encarnamos no papel de Laura Harris, filha de um competente médico chamado Dr. Ritcher Harris que, sem que nada o fizesse prever, barricou-se no hospital onde trabalhava e chacinou todos os que lá ficaram. Laura decide ir até ao hospital e investigar o que terá acontecido com o seu pai. Mal lá chega e vê todos os cadáveres, é meio que transportada para um estranho mundo dentro de um castelo medieval. Curiosa, levaremos Laura a explorar todas as divisões do castelo e fazer os possíveis para encontrar o seu pai e tentar resolver todo esse mistério. Resumidamente é isto, mas devo dizer que mesmo enquanto vamos jogando a história não se desenvolve de uma forma muito fluída e, embora se chegarmos ao final fiquemos a saber o que aconteceu com o pai de Laura, e outras coisas sobre o passado da protagonista que prefiro não revelar, a história não é lá muito bem contada. E o jogo tem de ser terminado em 2h, o que mesmo com alguns puzzles a resolver, não é assim tão difícil.

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Mesmo sendo todo em CG, é fácil ver que envelheceram muito mal

As mecânicas de jogo são quase as de um point and click na primeira pessoa, o problema é que a movimentação é muito lenta e o jogo tendo algum backtracking não melhora nada a situação. Isto porque com o comando escolhemos a direcção onde queremos deslocar e para cada movimento é passado um clipe de vídeo em CG com os lentos passos e movimentos de Laura. Um pouco como foi feito nas partes de exploração do Enemy Zero. E para além disso temos também alguns puzzles simples que tal como manda o género, consistem na sua maioria em procurar objectos ou chaves que nos permitam abrir portas ou resolver outros puzzles para irmos avançando no jogo e explorar novos recantos do misterioso castelo. Coisas como armadilhas para desarmar também são outro dos exemplos do que temos pela frente.

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Como nos jogos de aventura normais, vamos tendo um inventário onde podemos interagir com items e objectos

Graficamente é um jogo mau, creio que não há outra volta a dar ao esquema, isto porque apesar de ser todo jogado como se uma CG gigante se tratasse, em 1995 ainda não haviam CGs de qualidade como começou a ser vista em jogos como Final Fantasy VII e então as personagens e os cenários têm muito pouco detalhe. Ainda assim não deixa de ser um jogo bastante competente nesse quesito tendo em conta o estado da arte de 1995, até porque este foi também um jogo criado de raíz para a consola 3DO. O voice acting infelizmente também não era o melhor mas mais uma vez em 1995 nunca se gastou muito budget com voice actings decentes. As músicas, na sua maioria são músicas ambiente ou bem sinistras, contrastando por completo da música dos créditos finais, que é uma faixa bem heavy metal, com guitarradas e uma bateria agressiva em especial na recta final da música, mesmo como eu gosto.

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Por vezes vemos alguns flashbacks bem bizarros que contam o mistério por detrás do passado de Laura

Concluindo, para mim este é um jogo que vale unicamente pelo seu valor histórico, pois a sua jogabilidade muito travada tira-lhe toda a piada e mesmo a nível gráfico apesar de ter sido um jogo competente em 1995, hoje em dia envelheceu muito mal. Ainda assim o Kenji Eno não deixou de ser um designer bastante irreverente que infelizmente deixa saudades destes jogos bizarros que o mercado japonês por vezes nos brinda.

Tenchu: Wrath of Heaven (Sony Playstation 2)

Tenchu Wrath of HeavenApesar de já conhecer a série há bastante tempo, apenas recentemente é que me fui dedicando aos jogos da mesma, tendo jogado até agora com atenção os dois primeiros para a Playstation 1 e este Wrath of Heaven, o terceiro jogo da série já lançado para uma consola de uma geração superior, onde o melhor hardware foi sem dúvida um tónico para a série. E este jogo foi comprado algures durante o ano passado se não estou em erro e foi na minha localidade natal, na cash do Porto Alternativo da Maia, tendo-me custado 5€.

Tenchu Wrath of Heaven - Sony Playstation 2
Jogo com caixa e manual

Tenchu 2 foi uma prequela do original, já este Wrath of Heaven decorre um ano após os acontecimentos do primeiro jogo, onde Rikimaru aparentemente tinha sido deixado para morrer após ter conseguido derrotar Mei-Oh e tentar salvar Ayame e a princesa Miku. Mas Rikimaru tinha ficado aprisionado numa outra dimensão, e tentava voltar ao seu mundo e sua época, tendo conseguido até enviar uma “sombra” de si mesmo. Entretanto novos conflitos voltam a surgir no Japão, e mais uma vez os 2 ninjas são enviados em distintas missões, mas que se acabam por interligar. Enquanto Rikimaru luta para regressar a 100% ao seu mundo, Ayame parte à procura de umas jóias poderosas a pedido do seu lorde Gohda de forma a que se evite que caiam em más mãos. Para além de Ayame e Rikimaru, existe uma terceira personagem que com quem podemos jogar, Tesshu Fujioka, médico respeitável durante, mercenário e hitman durante a noite, e também a sua história vai-se cruzar com a dos outros 2 ninjas, para além de ter uma jogabilidade distinta.

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A nova personagem, Tesshu, com uma jogabilidade algo diferente pelo seu close combat

No que diz respeito à jogabilidade, este Wrath of Heaven segue os mesmos padrões dos anteriores, onde é suposto nós termos sempre uma abordagem mais furtiva e matar os inimigos sem sermos detectados, caso contrário eles tornam-se bem mais agressivos e duros de matar. Para além do mais, se conseguirmos fazer pelo menos 9 stealth kills em cada nível desbloqueamos novos movimentos, como várias combos ou a “ninja vision” que é nada mais que um zoom mode, bastante útil por sinal. Os controlos parecem-me melhorados, com a câmara a poder ser controlada manualmente e o facto de podermos fazer lock-on nos inimigos. Se a memória não me falha, no Tenchu 2 poderíamos arrastar os corpos das nossas vítimas para os manter fora do alcance dos olhares inimigos, aqui infelizmente retiraram essa funcionalidade, que voltou a ser adicionada na conversão que saiu posteriormente para a Xbox. De resto, para além das armas normais, podemos carregar com 6 items, os quais alguns poderemos comprar antes de cada missão, outros encontramos durante e uns outros ainda poderemos desbloquear tendo em conta a nossa performance. Os items são bastante variados, desde armas adicionais como shurikens, items que regenerem saúde, vários tipos de bombas ou outros feitiços e poderes mágicos, como nos tornar invisíveis temporariamente. Esses items são bastante úteis e um deles está sempre disponível, o gancho que podemos utilizar para subir andares ou mesmo para os telhados dos edifícios.

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Desta vez até contra zombies vamos lutar

De resto, para além da barra de energia temos também o ki meter, algo que também já vinha de trás na série e serve como uma espécie de radar, onde caso não tenhamos sido descobertos por ninguém, mostram a distância ao inimigo mais próximo, mesmo que não o consigamos ver. Quando somos descobertos esse mostrador muda de figura, deixando os inimigos bem alerta e caso consigamos escapar, os mesmos ficam algo suspeitos durante algum tempo e depois voltam às suas rotinas normais, tal como em outros jogos como os Metal Gear. Para além disso ainda temos a tal personagem “secreta”, o Teshuu, cuja jogabilidade é um pouco diferente, pois Teshuu utiliza muito mais os seus punhos e pontapés para atacar os inimigos, bem como usa e abusa de agulhas de acumpunctura. Foi sem dúvida uma personagem algo refrescante. Por fim, para além do modo de campanha ainda existem alguns modos multiplayer, nomeadamente um versus, que se trata de uma espécie de deathmatch onde para além do 1 contra 1 ainda podemos deixar algumas outras NPCs à mistura no campo de batalha, que poderão atacar qualquer um dos jogadores. Temos ainda um modo co-operativo, onde poderemos jogar uma série de pequenas missões em conjunto com um amigo, tendo até alguns movimentos de stealth kill em conjunto. Essas missões tanto podem meramente furtivas, como combater um pequeno exército, ou mesmo de escolta.

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Desta vez temos também 2 modos multiplayer

Graficamente é um jogo competente, tendo em conta a PS2. Os cenários são bastante variados, abrangendo pequenas aldeias ou fortalezas tradicionais japonesas que para mim foi excelentes as poder explorar, ou então outras cavernas ou minas ou cenários mais fechados. Os inimigos são também bastante variados, com os já tradicionais ronins e outros ninjas para combater, mas também outros inimigos mais estranhos, como pequenos autómatos ou mesmo seres espirituais ou infernais. As stealth kills são variadas e bem bonitas de se ver, em particular as do Tesshu, com os seus movimentos mais brutais e o uso das agulhas a provocarem mesmo alguns ouchies. E aqui já não temos aquele fog effect e a reduzida draw distance características dos jogos da PS1, o que nos dá logo muita mais margem de manobra para planear o que vamos fazer. As músicas são boas, existindo alguns remixes de músicas já conhecidas na série, outras com as naturais influências de música tradicional japonesa, mas também temos músicas mais “modernas” a acompanhar. Os efeitos sonoros e o voice acting também não são maus, mas neste género de jogos eu preferiria de longe ter o voice acting original com as legendas em inglês.

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Podemos também usar outras armas, embora estas não entrem para as contas do stealth kill

No fim de contas gostei bastante deste Tenchu, apesar de infelizmente ter de dar uma pausa nesta série pois o jogo seguinte, Fatal Shadows, ainda não teve a amabilidade de aparecer na minha colecção. De qualquer das formas pareceu-me uma excelente transição da era 32bit para a PS2, mesmo que mantendo a mesma fórmula, os controlos e gráficos melhorados foram sem dúvida um bom tónico na série. Para além desta versão, no ano seguinte saiu uma conversão para a Xbox com o nome “Return from Darkness”, com gráficos melhorados, novos movimentos incluindo a habilidade de arrastar corpos e multiplayer online. Se tiverem uma Xbox original, essa será certamente a versão definitiva deste Tenchu.

Syberia II (PC)

Voltando aos point and clicks clássicos no PC, o jogo que falarei hoje é o Syberia II, mais uma obra por parte da Microids. As mecânicas de jogo são semelhantes às do anterior, pelo que não me irei alongar muito neste artigo. E tal como o primeiro jogo, este também foi comprado num bundle por uma bagatela, juntamente com outros jogos com a mão da Microids, como os Post Mortem e Still Life, também já aqui analisados.

Syberia II PCO jogo anterior terminou num enorme cliffhanger, com o mesmo a terminar onde tudo o que havia de interessante estaria para começar. Nesse jogo encarnamos numa advogada norte-americana que acabou por se ver envolvida na procura de um herdeiro misterioso de uma empresa de brinquedos e aparelhos mecânicos que estava para ser comprada por uma gigante multinacional de brinquedos. Essa sua procura por Hans Voralberg acabou por a colocar a caminho da Siberia, interagindo com imensas pessoas com um carácter muito peculiar e várias cidades ou vilas igualmente bizarras ou inóspitas. Mas também fomos descobrindo a estranha obsessão de Hans por uma ilha misteriosa chamada Syberia onde ainda poderiam viver mamutes que conseguiram sobreviver durante todos este anos. Se ainda não jogaram esse primeiro jogo então ignorem o que vou dizer a seguir, pois o jogo terminou precisamente no momento em que encontramos Hans Voralberg e finalmente partimos juntos para descobrir Syberia. E é aí que começamos, mas à medida que vamos progredindo no jogo devo dizer que me deixou um pouco desapontado, pois enquanto no anterior visitamos vários locais bem bonitos com personagens doidas varridas, aqui há poucos locais a visitar e a interaçcão com personagens é muito menor, até porque muitos dos NPCs que vemos nos cenários não dizem nada sequer.

screensthot
infelizmente não há uma variedade tão grande de locais como no primeiro jogo

A jogabilidade, tal como referi anteriormente é muito semelhante à do jogo anterior, que por sua vez é semelhante à maioria dos jogos deste género, ao podermos interagir com pessoas e objectos, resolvendo puzzles ou dialogando para irmos avançando no jogo. Em relação ao jogo anterior notei uma melhoria, ao clicar em diferentes posições dos cenários, devido aos mesmos serem prérenderizados e estáticos, as imagens vão sendo mudadas quando atravessamos de um lado para o outro no monitor. Mas cada ecrã poderia ter várias saídas e por vezes umas próximas das outras. Onde antes apenas tínhamos um ícone luminoso indicando que ali havia uma mudança de área, agora para além do ícone do rato se iluminar também nos indica qual a direcção por onde a personagem se vai movimentar. Os outros problemas, como por vezes um excessivo backtracking e o facto de Kate se deslocar por caminhos predefinidos, ao invés de tomar os atalhos que por vezes queremos que ela tome. Mas isso são pequenas picuinhices minhas.

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Mais uma vez os documentos que encontramos são bastante realistas

Graficamente continua um jogo bem bonito, devido aos seus cenários pré-renderizados. Infelizmente, tal como referi acima, desta vez não temos cenários tão interessantes como antes, o que é pena. A resolução também continua presa aos 800×600 o que também poderá ser um problema para alguns. A música, que continua a ser bastante ambiental e entra apenas quando é absolutamente necessária é excelente, e o mesmo pode ser dito do voice acting que continua muito bom, pelo menos do inglês que foi o que ouvi. No fim de contas este continua a ser um bom jogo, principalmente para quem gostar do género e tiver gostado do anterior, apesar de achar que está uns furinhos abaixo. Algo que me surpreende é um Syberia 3 estar nos planos, visto este jogo não ter terminado num cliffhanger como no anterior. Certamente o irei jogar mais tarde ou mais cedo.