Battle Arena Toshinden URA (Sega Saturn)

Battle Arena Toshinden URAO artigo de hoje é mais uma rapidinha pois o tempo infelizmente tem sido escasso. E será uma rapidinha pois o jogo que escreverei hoje é apenas uma conversão infelizmente não muito boa de um jogo de Playstation. Battle Arena Toshinden URA, assim como o Remix foi a conversão do primeiro jogo da série, este Ultimate Revenge Attack é uma conversão do segundo jogo para a Saturn, mas mais do que uma conversão, tem algumas personagens diferentes, assim como a própria história que me parece que não é a mesma do original da Playstation. Este jogo foi-me oferecido por um amigo de infância, há alguns anos atrás, infelizmente não está no melhor estado…

Battle Arena Toshinden URA
Jogo com caixa e manual pt.

Infelizmente, tal como é habitual, a própria história também não é a melhor coisa de sempre e como de costume existe uma organização misteriosa que organiza um torneio mundial de artes marciais com segundas intenções, acabando por atrair lutadores de todo mundo, todos com diferentes backgrounds e motivos para estarem ali. E aqui não é muito diferente, embora antes do torneio muitos lutadores de artes marciais em todo o mundo começaram a desaparecer misteriosamente.

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Achei uma certa piada ao look propositadamente retro da cutscene inicial. Propositadamente, acho eu.

Battle Arena Toshinden foi dos primeiros jogos que imitou o sistema de combate 3D introduzido pelo Virtua Fighter, no entanto acabaram por colocar armas brancas nos lutadores para não parecer exactamente a mesma coisa. Os controlos são simples, com botões para pontapés fortes e fracos, ataques com as armas fortes e fracos e botões para ataques especiais. Podemos também rodar na arena, resultando num movimento inteiramente 3D. Como normal, todos os lutadores têm diferentes golpes especiais, mas todos eles possuem golpes overdrive e secret attack. Os primeiros podemos desencadeá-los sempre que enchemos uma barrinha no fundo do ecrã, já os segundos apenas quando estivermos mesmo encostados às cordas e quase a morrer é que podem ser executados. De resto os modos de jogo são bastante simples: temos o tradicional arcade e duas vertentes do versus, uma contra um amigo, e uma outra onde podemos lutar contra o CPU mais uma vez.

Graficamente é um jogo algo pobre para a Saturn. Os lutadores em si até que nem estão mal, o problema está mesmo nas arenas muito pouco detalhadas. E onde a versão arcade ou mesmo a de Playstation tem os backgrounds inteiramente em 3D, na Saturn são imagens 2D que vão sendo “rodadas” à medida que a arena gira. Mas isto já era algo que acontecia no primeiro port para a Saturn e mesmo em jogos como os Virtua Fighter ou Fighting Vipers convertidos pela própria Sega também sofreram desse mal. A CG de abertura também a achei algo engraçada, por ter as personagens todas poligonizadas, quase ao mesmo nível da conversão saturn do primeiro Virtua Fighter. Mas vai-se a ver ingame e… aparecem com mais detalhe. Os efeitos sonoros são OK, assim como a música que é bastante variada, tendo temas de diversos géneros musicais incluindo alguns mais rockalhados que eu aprecio mais.

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Os lutadores em si até que nem estão maus de todo, mas as arenas e backgrounds deixam um pouco a desejar

No fim de contas acho este um jogo interessante, mesmo para os fãs da série na Playstation, as versões Saturn devem ser sempre tidas em conta pelo seu conteúdo diferente, seja a nível de história, seja mesmo nos lutadores. Isso faz o jogo ter a sua própria identidade e não apenas uma conversão que possivelmente a Takara já sabia de antemão que não ficaria tão boa como a versão original.

Lord of Arcana (Sony Playstation Portable)

Lord_of_Arcana_CoverApesar de a Playstation Portable não ter tido o mesmo sucesso de vendas que a Nintendo DS e por isso possuir um catálogo mais reduzido de jogos, gosto bastante da plataforma na mesma, principalmente pelo seu elevado número de RPGs, sejam conversões de jogos clássicos, oferecendo alternativas mais económicas de jogos a preços proibitivos da Playstation 1 como o Valkirye Profile ou os primeiros Personas, outras séries como Ys, Disgaea, Breath of Fire, Final Fantasy Tactics ou mesmo jogos mais hack and slash como os Phantasy Star Portable ou mesmo este Lord of Arcana. O jogo foi comprado na feira da Ladra em Lisboa há uns meses atrás por 5€. Que eu tenha conhecimento, na europa o jogo foi lançado em formato físico apenas como a Slayer Edition, que para além do jogo em caixa normal, traz também um CD com a banda sonora e um art-book, que infelizmente não tenho. E ainda por cima está em francês…

Lord of Arcana - Sony Playstation Portable
Jogo com caixa, manual e papelada. Gostava de saber o que é que o antigo dono fez ao resto da Slayer Edition…

Mas continuando, este jogo vai buscar óbvias inspirações aos Monster Hunter, com todo o loot que podemos retirar dos monstros que derrotamos a servir para construir items, armaduras, armas e outras coisinhas. Inicialmente podemos customizar a nossas personagem com vários tipos de caras, cor de cabelo e afins. Depois escolhemos qual a arma que preferimos usar, existindo vários géneros que podemos escolher, desde o tradicional setup de espada e escudo, machado, espada longa que requer 2 mãos para ser usada, entre outros. Começamos a aventura como um guerreiro relativamente bem dotado ao atravessar uma dungeon e despachar uma série de inimigos com alguma facilidade. Após derrotarmos o boss dessa dungeon, somos levados ao distante mundo de Horodyn, mais precisamente para a vila de Porto Carillo, onde perdemos todas as nossas memórias, todo o equipamento fancy e todo o poder que tínhamos, começando do nível 1 e com uma arma bem foleirinha.

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Estas são as Arcana Stones, onde aceitamos as quests finais de cada capítulo e enfrentamos um boss.

 

Depois passamos o resto do jogo a aceitar quests, que consistem em ir para uma determinada zona e matar alguns monstros específicos, arranjar alguns items chave ou mesmo derrotar um boss. Ao lado da vila existe um grande templo com uma série de pedras com os poderes mágicos das Arcana. No final de cada capítulo temos uma quest especial contra um novo boss, estas são as “Arcana Release Quests” e após derrotarmos esse boss, podemos herdar os poderes dele e utilizá-lo como summon, mas para isso temos de criar uma carta própria para o usar. Isto porque para além dos ataques físicos também podemos utilizar magia, tendo para isso de forjar uma carta com magia embutida e equipá-la. As magias são as tradicionais elementais como fogo, electricidade, gelo, luz ou trevas, mas para além dessas temos as tais cartas especiais que guardam os poderes dos bosses que derrotamos. No entanto esses poderes apenas podem ser utilizados quando enchemos uma barrinha de energia própria. De resto, à medida que vamos combatendo e completando quests, ganhamos vários tipos de pontos de experiência, seja para subir de nível, aumentar a nossa habilidade com o tipo de arma equipado, a nossa aptidão para os ataques mágicos ou mesmo pontos para subir o “guild level“. Isto porque para cada quest que podemos aceitar é necessário ter um guild level mínimo, e na recta final do jogo vamos acabar por rejogar imensas missões antigas até conseguirmos o nível necessário para jogar a missão seguinte, o que acaba por ser bastante chato, até porque o combate é algo tediante como já explicarei.

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Estas são as meninas do Guild Counter. Com a da direita podemos mexer com o nosso inventário, a da esquerda é a que nos atribui as quests.

E infelizmente tédio é uma palavra que muitas vezes acompanha este jogo, sendo para isso recomendado que seja jogado em doses moderadas, ou quando vamos de viagem e precisamos de algo com que nos entreter. O facto de o jogo não ter uma história muito boa e basear-se unicamente em quests sem grande objectivo para andarmos apenas a matar monstros e recolher loot para forjar itens ou equipamento depressa torna as coisas demasiado monótonas e repetitivas. O combate também deveria ter sido melhor pensado na minha opinião, pois em cada quest somos largados num mapa para explorar, sendo que cada mapa está dividido em várias secções. Ao vaguear por essas localidades vamos vendo os inimigos a passear de um lado para o outro. O normal seria ir de encontro aos bichos e carregar no botão para atacar, mas embora façamos isso, o jogo leva-nos para uma “arena” onde o combate será passado na realidade, podendo estar presente mais que um inimigo. Ora tudo isto traz loadings desnecessários e era bem melhor que os combates fossem directos, tal como se vê no Phantasy Star Portable, por exemplo. E embora consigamos por vezes executar alguns golpes bem gory, não apaga o facto de o combate ser tediante e de terem complicado o que seria tão simples. Nos combates contra bosses temos ainda 2 melee duels repletos de QTEs e infelizmente é mesmo necessário passá-los (pelo menos o segundo) para derrotar o boss, não interessando quanto dano lhe damos.

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No combate, L faz lock-on nos inimigos, R corre. Mas temos de deixar sempre o dedo lá pressionado e isso acaba por cansar um pouco as mãos.

Outra coisa que não gostei muito, mas é certamente algo propositado é o inventário reduzido que dispomos quando estamos em quests, forçando-nos muitas vezes a deitar itens fora para ficar com outros que nos dão jeito. Noutros jogos como o Phantasy Star Online é possível usar um teleporte e voltar rapidamente à cidade para vender ou armazenar o que temos em excesso. Aqui tal não me pareceu possível e num jogo que requer doses industriais de tudo o que seja loot, o facto de isso não ser possível só indica que a Square Enix queria que jogássemos o maior número de horas possível nisto e repetir cada quest à exaustão. Tudo bem que em Porto Carillo temos um banco que nos deixa depoisitar 1000 tipos diferentes de items, o problema está mesmo em decidir o que levar ou deitar fora em cada quest. Principalmente se quisermos levar de antemão items de suporte, para nos curar ou dar alguns buffs nos stats gerais. O sistema de crafting é ok, embora por vezes me pareça desnecessariamente complicado vender peças do nosso equipamento, por exemplo. Para além de tudo isto é possível jogar as quests em multiplayer até 4 jogadores, tal como nos Phantasy Star. Mas com suporte apenas para redes locais ad-hoc, não foi algo que eu tenha experimentado.

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Em Porto Carillo podemos falar com vários NPCs, mas a verdade é que são todos desinteressantes.

Graficamente não é um mau jogo, sendo tudo em 3D. Pareceu-me um pouco pobre em texturas e alguns cenários poderiam ter um pouco mais de detalhe, mas isto é um jogo de PSP, não PS2. Ainda assim gostei do facto de cada peça do nosso equipamento ser fielmente renderizada na nossa personagem. Os inimigos também são bastante variados, mas alguns com designs melhores que outros na minha opinião. A música sinceramente passou-me ao lado, das vezes em que não joguei este jogo em mute não me deixou grandes memórias e infelizmente também não há qualquer voice acting, mas também para um jogo tão impessoal e com uma história quase não existente também não seria de estranhar.No fim de contas, até nem acho este Lord of Arcana um jogo assim tão mau e deu para entreter em muitas das minhas viagens entre Porto e Lisboa nos últimos meses. É um clone de Monster Hunter com o selo da Square Enix, mas como hack and slash tinha a obrigação de ter uma jogabilidade de combates muito melhor. Ainda assim lá saiu no Japão o Lord of Apocalypse, sequela deste jogo que infelizmente nunca cá chegou, pois já saiu numa altura em que o mercado da PSP estava practicamente morto em todo o lado menos no Japão. Tenho muita curiosidade em jogar um dia um pouco desse Lord of Apocalypse só mesmo para ver se a Square Enix chegou a corrigir algum destes problemas.

Tekken 4 (Sony Playstation 2)

Tekken 4 PlatApesar do Tekken Tag Tournament ter sido o primeiro jogo da série na Playstation 2, esse jogo não era nada mais que um “dream match” com as novas mecânicas de “Tag Team”. Tekken 4 é o verdadeiro sucessor do excelente jogo que a Playstation original recebeu, embora o seu leque de lutadores seja mais reduzido que Tag Tournament, pois este jogo segue a linha temporal da história da saga. Já comprei este Tekken 4 há uns aninhos, não me recordo quanto custou mas sei que foi muito barato, pois foi comprado em bundle no antigo leiloes.net juntamente com o já referido Tekken Tag Tournament, Tekken 5 e Virtua Fighter 4, tendo o conjunto custado-me menos de 10€ se a memória não me falha. Apesar de ser a versão platinum, acho que foi uma boa compra. E esta edição traz um dvd bónus com trailers de vários outros jogos disponíveis para a PS2.

Tekken 4 Platinum - Sony Playstation 2
Jogo completo com caixa, manual francês, papelada e dvd bónus com vários videos de outros jogos da PS2. Versão Platinum.

A história é algo que se evidencia bastante neste jogo, havendo uma distinção entre o arcade mode – conversão directa do original das arcadas e o story mode, que pouco mais é do que o arcade mode com cutscenes iniciais, antes do boss final e finais. Mas pela primeira vez vi que tentaram realmente dar mais atenção à história do jogo, com os eternos conflitos entre Heihachi, Jin Kazama e Kazuya Mishima (que marca o seu regresso após a sua aparição em Tekken 2) a tomarem o foco principal. Mais uma vez Heihachi a convoca o King of Iron Fist Tournament 4, de forma a atrair Jin e Kazuya para mais um dos seus planos maquiavélicos, mas também onde a promessa de obter uma autêntica fortuna com a empresa de Heihachi atrai lutadores de todo o mundo, cada um com as suas distintas razões em participar no torneio. Mas esse “filme” já todos o vimos em dezenas de outros jogos de porrada.

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O menu principal mostra-nos muitas opções de jogo

A jogabilidade é semelhante á fórmula tradicional de Tekken, existindo porém um maior cuidado com as “arenas” e o que nos rodeia, com a possibilidade de usar o meio ambiente para causar mais dano aos adversários. De resto, e não sendo eu um expert na matéria, nem nunca foi, pois jogo este género de videojogos de uma forma mais casual, as coisas parecem-me semelhantes aos anteriores, o que para os fãs dos Tekken é certamente uma boa notícia. Os modos de jogo existentes também são similares aos Tekken anteriores, onde para além desta pequena distinção entre o Arcade e o Story mode não há grandes novidades neste campo. Podem então contar com modos secundários como o Time Attack, onde o objectivo é chegar ao final do modo arcade no menor tempo possível, o survival que nos coloca numa série de lutas e o objectivo é, tal como o nome indica, sobreviver ao maior número de combates possível. O Team battle também tem aqui o seu regresso, onde podemos juntar equipas de até 8 lutadores e lutar entre si até eliminar todos os lutadores adversários. Obviamente também temos o versus para combates multiplayer e existem não um mas dois modos de treino/tutoriais. Um onde podemos treinar livremente todos os movimentos existentes para cada personagem e um outro com um maior foco nos timings necessários para desencadear combos e afins. O que marca também o seu regresso do Tekken 3 é o beat ‘em up à moda antiga, o Tekken Force, onde podemos escolher um lutador e temos de o levar ao longo de vários níveis, enfrentando as forças do exército privado de Heihachi aos magotes, sempre com um boss no final de cada nível, até enfrentarmos Heihachi no final. Este é um minijogo que eu acho muito benvindo, pena pela pouca variedade nos inimigos e níveis, mas compreende-se pois esse é apenas um extra e não o foco principal deste Tekken 4.

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Family’s issues. Yep, são abundantes em Tekken.

No que diz respeito aos audiovisuais, este Tekken 4 é uma notória evolução do jogo anterior em ambos os aspectos. No quesito gráfico, os lutadores possuem um nível de detalhe superior e o mesmo se pode dizer das “arenas” que são variadas e possuem um bom nível de detalhe. As cutscenes em CG também não são más de todo, apresentando na minha opinião diferentes qualidades, com a cutscene de abertura a ter um nível de detalhe superior às outras. O voice acting é competente e achei interessante o facto de termos lutadores a falar em japonês e outros em inglês, embora sempre com legendas. Naturalmente Heihachi e Kazuya a terem as prestações mais imponentes. No que diz respeito às músicas, este parece-me ser o Tekken com mais variedade neste campo também, apresentando uma óptima evolução desde os primeiros 2 jogos com músicas electrónicas de qualidade questionável, pelo menos para mim. Aqui para além da electrónica e rock, até chegamos a ouvir alguns laivos de jazz, o que me agradou bastante.

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O Tekken Force é mais uma vez uma alternativa bem agradável às lutas 1 contra 1.

No fundo este é mais um jogo de luta que a meu ver me parece bastante competente, embora como já referi várias vezes não sou jogador hardcore neste campo, pelo que os haters de Tekken até poderão ter razão nas críticas que fazem à série. Para mim passa-me ao lado e tirando o design de algumas personagens e a história demasiado mastigada, acho uma boa série e este jogo não lhe foge à regra.

Ecco: The Tides of Time (Sega Mega Drive)

Ecco 2Voltando agora à Mega Drive para mais um jogo de uma das séries mais originais do portefólio da Sega que apenas muito recentemente eu aprendi a gostar. Ecco 2, lançado originalmente em 1994 para ambas as plataformas de 16bit da Sega, existindo então tanto esta versão em cartucho como uma outra versão para a Mega CD com banda sonora em red book audio, herda muitas mecânicas de jogabilidade do primeiro jogo, mas também introduziu umas quantas novas. Comprei-o há uns bons meses atrás por 2€ na Feira da Vandoma no Porto, estando completo e em óptimo estado.

Ecco The Tides of Time - Sega Mega Drive
Jogo completo com caixa, manuais e papelada

A história segue os acontecimentos do primeiro jogo, onde Ecco conseguiu parar a ameaça extra-terrestre da raça Vortex, que ameaçou toda a vida do planeta e resgatar todos os golfinhos do seu grupo, tendo para isso também utilizado uma máquina do tempo perdida algures na cidade afundada da Atlântida. A certa altura acontece um grande terramoto e Ecco perde os poderes que tinha herdado de Asterite (uma estranha forma de vida ancestral que parece um conjunto gigante de ADN) da aventura anterior. Algo está errado e aparentemente alguém assassinou Asterite. Ao tentar descobrir o que terá acontecido, Ecco encontra-se com um estranho golfinho que diz ser seu descendente longínquo e leva-nos para o futuro. Aqui, num estranho planeta Terra, Ecco encontra-se com Asterite que lhe diz que apesar de ter derrotado a Vortex Queen no jogo anterior, ela sobreviveu e voltou a atacar e devido a Ecco ter utilizado a máquina do tempo, criou 2 linhas temporais diferentes, uma com um futuro brilhante, onde Ecco estava na altura e uma outra com um futuro que deixou a Terra em ruínas. O resto do jogo será então passado a tentar ressuscitar Asterite e combater mais uma vez a ameaça dos Vortex.

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Mais uma vez os gráficos estão muito bons

A jogabilidade herda então muitas mecânicas do primeiro jogo, tal como referi acima. Com Ecco navegamos os oceanos, sempre com a preocupação que, sendo Ecco um mamífero, necessita de ar e para isso teremos que vir à superfície com alguma regularidade. O sonar de Ecco é elemento central na jogabilidade, servindo para ecolocalização (a função de mapa do nível), comunicar com outros golfinhos ou cetáceos, interagir com os cristais/glyphs para abrir passagens ou ganhar habilidades como invencibilidade temporária, por exemplo. Mas outras coisas fazem parte do cardápio de Ecco, como os peixes que podemos comer para recuperar vida. Mas também introduziram coisas novas, como uma perspectiva pseudo-3D onde a cama se posiciona na retaguarda do golfinho e temos de o guiar por uma série de anéis, evitando os inimigos que também navegam pelo oceano e caso falhemos um determinado número de anéis, teremos de recomeçar do início. Estes anéis tanto podem estar debaixo de água como no ar, pelo que teremos também de espreitar lá fora de vez em quando. Outros power-ups novos consistem num ataque ainda mais poderoso do sonar, lançando ondas em todas as direcções. Infelizmente apenas podemos usar essa habilidade apenas nos níveis em que os encontramos. Existem ainda umas esferas estranhas que nos transformam temporariamente noutros animais, como uma gaivota, tubarão ou até um cardume de peixes, entre outros. Isto tema vantagem de podermos passar despercebidos por um conjunto de tubarões, mas por outro lado teremos os golfinhos a atacar. O primeiro jogo era difícil e este parece-me ainda mais. Os níveis estão repletos de inimigos e existem imensos níveis estranhos em que a exploração se torna mais complicada. Em especial no futuro, temos secções de água que percorrem os céus e temos de as percorrer, ou no futuro sinistro dos Vortex, também exploramos uma enorme base com tanques de água separados por secções sem água e outras coisas como gravidades invertidas. Claro que teremos também vários combates com bosses que geralmente também não são pera doce.

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No futuro, os golfinhos voam

Graficamente é mais um jogo muito bonito, com as paisagens subaquáticas cheias de detalhe e os oceanos cheios de vida. Nos níveis que decorrem no futuro temos também gráficos bonitos, por um lado os cenários paradisíacos e estranhos corredores de água que atravessam os céus, e por outro no futuro alternativo governado pelos vortex, toda a vida terrestre erradicada e a água a tornar-se em algo muito escaço com os cenários a parecerem mais os de uma gigante fábrica. Os efeitos sonoros são OK tal como no jogo anterior e a música é mais uma vez um destaque. Para além daquelas melodias mais calminhas e atmosféricas, temos também várias outras cheias de energia, bem mais “rockalhadas” que sinceramente me surpreenderam. E isto tudo em chiptune da Mega Drive, estou bastante curioso em ouvir o que fizeram com a versão da Mega CD.

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Agora temos vários níveis com esta perspectiva onde temos de passar por esses portais

Resumindo, este Ecco 2 é mais um jogo bastante original e com inovações que só alguém com muita imaginação é que se lembraria (água nos céus? golfinhos com asas/barbatanas??). Mas continua a não ser um jogo para todos e o seu grau de dificuldade certamente deixará muita frustração.

 

The 7th Guest (PC)

7th Guest

Vamos voltar aos jogos retro mas para o PC, com uma análise ao 7th Guest. Lançado originalmente em 1993, este é um jogo produzido pela Trilobyte, tornando-se num dos maiores impulsionadores dos jogos de aventura em full motion video com a temática de terror, como os Phantasmagoria ou Gabriel Knight que lhe seguiram, apesar de aqui as coisas ainda serem naturalmente muito “cruas” e pouco elaboradas, mas a semente foi definitivamente plantada. Este jogo entrou na minha colecção há poucos meses atrás, após ter sido comprado num bundle com outros jogos na Feira da Ladra em Lisboa. Infelizmente apenas contém a caixa em jewel case com os discos e o manual embutido em livrete. A edição Big Box trás muito mais coisas, mas foi o que se arranjou e o baixo preço que lhe paguei, não posso mesmo me queixar. Mais tarde encontrei também numa feira de velharias e ao desbarato, uma big box foleira mas vazia, pelo que a juntei à colecção.

Jogo com caixa em jewel case, os dois discos e livrete/capa

A história é das coisas mais bizarras que já joguei. Inicialmente assistimos a uma cutscene sobre a vida do demente Henry Stauf, que era uma pessoa perfeitamente normal, mas devido à grande depressão sentida nos finais dos anos 20, tornou-se num sem abrigo e ladrão. Certo dia decide assaltar uma mulher e acabou por a assassinar. A partir dessa altura as coisas ficaram estranhas, pois Stauf começou a ter visões de brinquedos, construíndo-os em seguida. Os seus brinquedos acabaram por ter um enorme sucesso e Stauf ficou rico. Até que tem uma outra visão e decide construir uma mansão sinistra numa colina. Por essa altura um estranho vírus incurável afectou várias meninas que tinham bonecas do Stauf e para além disso, Stauf convida um conjunto de pessoas a passar um serão na sua casa misteriosa e é aí que a acção começa. Nós encarnamos numa misteriosa personagem simplesmente chamada de “Ego”, que tem o cliché de sofrer de amnésia e não saber como foi ali parar. Também vamos vendo alguns clips de vídeo dos anteriores convidados a chegar à casa, como se fantasmas se tratassem.

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Henry Stauf, o antagonista do jogo também tem direito ao seu próprio puzzle

A exploração da casa é toda ela feita na primeira pessoa, onde com o rato podemos clicar em vários locais no ecrã e de acordo com o tipo de ponteiro do rato que nos aparece, podemo-nos deslocar nessa direcção, ver cutscenes “dramáticas” dos restantes convidados que vão contribuindo para a história, outros eventos mais “assustadores”, ou então a resolução de puzzles. Inicialmente dispomos apenas de 2 locais que podemos visitar e à medida que vamos resolvendo mais puzzles, novos locais da casa vão sendo desbloqueados, com mais puzzles para resolver e cutscenes para assistir. Os puzzles ao contrário de muitos outros jogos de aventura point and click aqui fazem completa justiça ao seu nome, pois são mesmo puzzles lógicos (e não só) que teremos de resolver, como vários baseados em peças de xadrez, cartas, adivinhar palavras ou ordenar letras e por aí fora, ou outros bem mais “chatinhos” como um jogo de Reversi num microscópio ou mesmo seguir uma melodia de 18 notas num piano. Felizmente existe um hint book localizado na biblioteca da casa que nos vai dando algumas dicas de como resolver cada puzzle. Se o livro for consultado três vezes para um determinado puzzle, o jogo assume que o jogador completou o puzzle, mas com uma pequena penalização de não ver a cutscene que seria desbloqueada ao completá-lo normalmente.

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A baixa resolução e poucas cores não permitiram filmagens de elevada qualidade, mais uma razão para o jogo ter envelhecido mal

Graficamente é um jogo algo primitivo, apesar dos seus cenários completamente pré-renderizados e as tais cutscenes em full motion video com actores reais terem sido verdadeiramente impressionantes na época em que o jogo saiu. Hoje em dia, esses mesmos cenários pré-renderizados são bastante simples e a qualidade das filmagens também deixa a desejar, até porque o jogo corre em resoluções muito baixas para os standards actuais. Mas este é mesmo daqueles jogos em que temos forçosamente de os analisar tendo em conta o contexto temporal e para os padrões de 1993 está um produto muito bem conseguido. Os actores em si não são propriamente um elenco de luxo, o acting não é o melhor, mas sinceramente acho que isso também faz parte do charme, assim como de vez em quando até sabe bem ver uma paródia qualquer de Bollywood só para nos divertirmos. Devo dizer no entanto que gostei bastante das distorções “maléficas” que foram dando a algumas vozes de forma a torná-las mais assustadoras. A música no geral é algo atmosférica e tensa, mas infelizmente não é muito variada. De qualquer das formas não é nada que não se aguente.

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Muitos dos puzzles existentes abordam regras do Xadrez… pena que eu não as saiba!

Concluindo, acho este The 7th Guest um clássico dos jogos de aventura de PC da primeira metade da década de 90. Embora tenha envelhecido mal com todos estes anos, o que é normal em practicamente todos os jogos do género com FMV à mistura, não deixou de ser uma peça fundamental dentro do género, abrindo caminho a clássicos como os Phantasmagoria de serem produzidos. Actualmente é um jogo que se consegue arranjar com alguma facilidade no steam com boas promoções, pelo que recomendo a sua compra a todos os que ficaram curiosos com o jogo.