Virtual Chess 64 (Nintendo 64)

Vamos agora para uma super rapidinha a um jogo que pouco teve a oportunidade de aquecer a minha Nintendo 64. Virtual Chess 64, tal como o nome indica é um jogo de xadrês e eu não sei jogar xadrês, daí não ter perdido lá muito tempo com ele, apesar do mesmo possuir um modo tutorial até bem interessante. O meu exemplar foi comprado algures durante o mês de Abril a um particular, tendo-me custado 12€ se bem me lembro. Comprei-o mais pela curiosidade de ser um título da Titus do que por outra coisa!

Jogo com caixa e papelada

Portanto… um jogo de xadrês que pode ser jogado com tabuleiros em 2D ou inteiramente em 3D. Possui algumas funcionalidades “cómicas”, na medida em que podemos alternar a temática dos tabuleiros, trocando as peças por animais ou personagens heróicas contra demonícacas. Se jogarmos com tabuleiros em 3D, e a opção das cutscenes estiver activada, sempre que uma peça elimina outra, temos direito a uma pequena cutscene bem humorada a mostrar precisamente esse combate.

Temos vários níveis de inteligência artificial para escolher.

No que diz respeito ao tutorial, sinceramente não o cumpri todo por falta de paciência, mas fiquei a saber muito mais de xadrês do que sabia antes de lhe ter pegado, pois possui um modo tutorial muito extenso, explicando todas as regras do jogo, algumas jogadas básicas e sempre de uma forma interactiva que nos obriga a pensar e agir. Gostei bastante desta parte, e garantidamente hei-de voltar ao jogo no futuro só para fazer o tutorial completo. De resto, jogando contra o computador podemos definir vários níveis de inteligência artificial, o que nos pode dar muitos problemas pois em níveis avançados de dificuldade e em situações mais complexas, o CPU pode demorar horas até tomar uma decisão.

Visualmente estamos perante um jogo simples

No que diz respeito aos audiovisuais, as cutscenes até que são engraçadas, mas felizmente que temos a opção para desactivá-las permanentemente, ou assim que as virmos pelo menos uma vez. Poderia no entanto haver uma maior variedade de temáticas e cutscenes, o que não acontece. De resto é um jogo de xadrez, não estava à espera de gráficos propriamente espectaculares, a não ser uma maior variedade de “temáticas” de tabuleiros. As músicas são poucas e são bastante calmas, passando algo despercebidas. Mas uma vez mais, não estava à espera de mais e nem seria suposto, pois este é um jogo que requer concentração.

A menos que desactivemos essa opção, cada vez que uma peça é eliminada temos direito a uma cutscene com algum humor

Portanto este Virtual Chess 64 até que acabou por me surpreender pela positiva devido ao seu tutorial bastante completo e interactivo. É provável que existam muito mais jogos de xadrez com a mesma funcionalidade, mas sinceramente é algo que desconheço.

Sherlock Holmes: The Awakened Remastered (PC)

Após uma ausência motivada por razões profissionais, é tempo de regressar às rapidinhas para mais um jogo da série Sherlock Holmes da Frogwares. O terceiro jogo da saga principal é este The Awakened, que possui uma temática bem mais obscura sobre o mito Lovecraftiano de Chthullu. Lançado originalmente em 2007, é o primeiro jogo da série que descarta os cenários pré-renderizados em detrimento de cenários renderizados em tempo-real e com uma liberdade total de movimentos na primeira pessoa. No ano seguinte é lançada uma versão remastered que, para além de alguns updates gráficos, permitiu também o regresso da perspectiva de terceira pessoa com mecânicas de jogo mais tradicionais de point-and-click. Tal como a maior parte dos jogos desta saga que tenho na minha conta steam, este também deu entrada há uns anos atrás através de um humble bundle comprado a um preço bastante acessível.

A história começa de uma forma muito ligeira: Sherlock Holmes está entediado sem nenhum mistério para resolver até que alguém pede ajuda pelo desaparecimento de um criado de algum ricalhaço lá do sítio. Ao investigar essa situação, Sherlock começa a descobrir um rasto de outros desaparecimentos semelhantes, ao que nos leva a investigar as docas de Londres. Lá acabamos por descobrir um armazém com uma cave secreta onde as pessoas raptadas eram mantidas, antes de serem transportadas em caixões para destinos incertos. É nessa altura que reparamos que a narrativa nos vai levando por contornos mais sinistros, com um culto maléfico por detrás não só de raptos, mas também de tortura e homicídios. É um jogo bem mais gore que os seus predecessores, e que nos leva a diferentes localizações fora do Reino Unido, tal como um manicómio nos confins da Suíça, ou a nova Orleães, nos EUA.

Tal como no seu predecessor teremos de analisar bem alguns cadáveres e outras pistas

Esta edição remaster deixa-nos alternar livremente entre uma perspectiva de primeira e terceira pessoa. Desta vez podemos pela primeira vez deslocarnos livremente pelos cenários, sem qualquer restrição a não ser as que o jogo por vezes nos impõe para desenrolar a história da melhor forma. O cursor do rato muda de forma quando passamos por alguma coisa que poderemos investigar de perto (lupa) ou interagir (mão). Para os puristas das mecãnicas de jogo point and click, podemos, na terceira pessoa, usar o rato para tudo. O sistema de inventário, tal como no jogo anterior, guarda todas as conversações que tivemos com NPCs, bem como documentos lidos e outras pistas que poderão ser úteis. Ocasionalmente teremos de fazer mesmo trabalho de detective, ao passar a lupa em cadáveres ou pegadas, para que Sherlock consiga descobrir algumas pistas. Também, na primeira fase do jogo, poderemos fazer algumas experiências no laboratório de Sherlock, mas esta componente mais de “mãos na massa” não está tão presente quanto no jogo anterior.

Desta vez o jogo aborda uma temática muito mais sinistra e não têm medo de chocar.

A nível gráfico este é um jogo que transita dos cenários pré-renderizados que caracterizaram os seus predecessores para um 3D real. Naturalmente que os gráficos acabaram por perder assim algum detalhe, mas não ficou mau de todo. As texturas de superfícies longas como o chão, ou paredes e muros é onde se nota mais alguma perda de qualidade. Mas sinceramente prefiro isso do que ter a movimentação toda capada pelo jogo. No que diz respeito ao som, o voice acting não é mau, principalmente nos diálogos de Watson e Holmes. Outras personagens já poderão não estar tão boas. Ao contrário do jogo anterior não temos música clássica a tocar a todo o tempo, com o jogo a optar por uma abordagem muito mais atmosférica e minimalista. Tendo em conta a temática sobrenatural deste jogo, acho que resulta melhor.

Sherlock Holmes: The Case of the Silver Earring (PC)

Continuando pelas rapidinhas, o jogo que cá trago agora é o segundo jogo da saga Sherlock Holmes, desenvolvida pela Frogwares. Tal como o seu predecessor, o Mystery of the Mummy, este é também um jogo de aventura point and click, desta vez na terceira pessoa. E também deu entrada na minha conta steam através de um Humble Bundle comprado por uma bagatela há uns anos atrás.

Como não poderia deixar de ser, neste jogo protagonizamos uma vez mais o famoso detective Sherlock Holmes, mas também o seu fiel assistente Dr. Watson, que se vêm convidados para uma festa do magânimo Sir Melvyn Bronsby, um ricalhaço que enriqueceu à custa do colonianismo britânico e que teria um importante anúncio a fazer na festa. E é nessa mesma festa onde acabamos por testemunhar o seu assassinato, dando início a uma extensiva pesquisa pelo culpando, com a história a levar-nos numa trama de suspeita, conspiração e outros homicídios.

Uma vez mais os cenários são pré-renderizados, mas desta vez estão mais polidos

Felizmente este jogo está muito melhor que o seu predecessor, tanto nas mecânicas de jogo, como na narrativa ou mesmo nos audiovisuais. Mas vamos começar pelas mecânicas de jogo. Este é uma vez mais um point and click onde teremos de inspeccionar exaustivamente os cenários em busca de pistas, questionar pessoas e resolver um ou outro puzzle ocasional. A perspectiva desta vez é na terceira pessoa, mas uma vez mais os cenários são pré renderizados, o que nos leva a ângulos fixos de câmara e uma vez mais a alguma restrição nos movimentos, pois apenas nos podemos movimentar onde o cursor do rato mudar para a forma de pegadas. Este é um ponto menos positivo, mas por outro lado acabamos mesmo por fazer um papel de detectives. Para analisar algumas das pistas nos cenários teremos mesmo de usar utensílios como a lupa ou uma fita métrica, bem como o jogo vai tomando notas de todos os diálogos que teremos com as outras personagens, ou das pistas que encontramos. No fim de cada capítulo temos sempre de fazer um resumo das descobertas, respondendo a uma série de perguntas, usando como prova objectos que encontremos ou testemunhos das pessoas interrogadas. É uma mecânica de jogo muito interessante!

À medida que vamos avançando na investigação, poderemos questionar as pessoas sobre diferentes tópicos.

No que diz respeito aos audiovisuais, bom, tal como referi acima os cenários são pré-renderizados, o que uma vez mais não nos dá muita elasticidade para poder jogar este jogo em resoluções mais altas, o que é chato. Mas ao menos não tive os problemas de compatibilidade que tive com o jogo anterior e a verdade é que os cenários desta vez estão muito mais polidos, agradáveis e detalhados. O mesmo pode ser dito das cutscenes em FMV que também estão boas. O voice acting parece-me minimamente competente excepto para a voz de uma criança que aparece algures a meio do jogo. É nitidamente um adulto a fazer voz de criança o que não resulta lá muito bem. A banda sonora é composta por música clássica, de autores como Dvorak ou Tchaikovsky. Bastante agradável, portanto! Pena é por algumas inconsistências nos volumes em certas partes do jogo.

Tudo tem de ser observado ao detalhe, pois pode ser uma pista para um puzzle ou para o mistério em si

Portanto este Case of the Silver Earring, apesar de ainda estar longe de perfeito, acaba por ser uma aventura gráfica muito mais competente que o seu predecessor. Não só por tecnicamente ser mais polido, mas pela jogabilidade ser melhor, fazendo-nos sentir um verdadeiro detective por vezes, e a própria história também acabou por se revelar interessante.

Sherlock Holmes: The Mystery of the Mummy (PC)

Tempo para mais uma rapidinha, indo agora às aventuras gráficas no PC. Produzido pela Frogwares, empresa que acabou por ficar responsável pelo lançamento de jogos baseados no Sherlock Holmes. Este The Mystery of the Mummy foi o primeiro lançamento da saga e é uma aventura gráfica na primeira pessoa, um pouco como os clássicos Myst e Atlantis. O meu exemplar foi comprado há uns anos atrás através de um Humble Bundle que ficou naturalmente muito barato.

Neste jogo Sherlock Holmes recebe o pedido de ajuda de Elizabeth Montecalf, aparentemente sua futura prima por afinidade, para investigar o misterioso desaparecimento do Lord Montecalf, um arqueologista britânico, muito famoso pelas suas expedições em descoberta dos mistérios do Antigo Egipto. Ao explorar a sua casa iremos ver imensos artefactos arqueológicos, resolver puzzles relacionados com a mitologia egípcia e a história a enveredar por várias conspirações diferentes relacionadas com o desaparecimento do dono.

Este é um jogo de aventura na primeira pessoa com cenários pré-renderizados, ou seja, não temos lá muita liberdade de movimento.

No que diz respeito às mecânicas de jogo, estas fazem lembrar jogos como Myst ou Atlantis, na medida em que é uma aventura gráfica na primeira pessoa, onde os cenários são todos pré-renderizados. Podemos olhar livremente em 360º a partir da posição em que estamos, mas apenas nos podemos movimentar nos cenários nas direcções que o jogo permite, algo assinalado com o cursor do rato a mudar de forma sempre que o passamos por uma zona “livre de movimento”. O cursor também muda de forma sempre que passamos o rato por algum objecto que pode ser apanhado, ou outros locais no cenário que podem ser interagidos, onde muitas das vezes teremos de usar algum objecto que tenhamos apanhado antes. Para além disso teremos alguns puzzles também para resolver.

Alguns puzzles ainda nos fazem coçar um pouco a cabeça

Portanto o jogo exige a nossa atenção máxima ao cenário e olhar atentamente em todos os ângulos possíveis, à procura de pistas ou de objectos que sejam mais tarde necessários. Infelizmente visto ser um jogo com cenários pré-renderizados limita-nos muito a liberdade de movimento, mas para quem for fã de jogos do género do Myst já estaria à espera que assim fosse.

A nível técnico é um jogo que envelheceu muito mal. O facto do jogo possuir cenários pré-renderizados não nos permite customizar muito a resolução em que o jogo corre, pelo que convém o correr em modo janela, para não forçar o monitor a mudar para uma baixa resolução (ainda por cima em 4:3!). Os gráficos não envelheceram lá muito bem devido a isto, mas o voice acting também não é grande espingarda. Para além disso, se o correrem num computador recente (com Windows 10 actualizado) também terão muitos problemas de compatibilidade, incluindo o rato que não funciona ou (após uns fixes manhosos) fica a funcionar de forma invertida o que é uma grande chatice. Lá tive de ligar o meu velhinho Pentium 4 para jogar isto em condições!

Ocasionalmente também temos algumas cutscenes em CGI mas essas também não são lá grande obra de arte.

É difícil recomendar este jogo, a não ser que sejam grandes fãs de aventuras na primeira pessoa com mecânicas clássicas do Myst ou Atlantis. Os Sherlock Holmes recentes pareceram-me muito interessantes, daí ter despertado o meu interesse nesta série. Mas este vai ser difícil de digerir, quanto mais não seja pelos seus problemas técnicos em máquinas recentes.

Kirby: Nightmare in Dream Land (Nintendo Gameboy Advance)

Algures em 2002 saiu para a Gameboy Advance mais um óptimo jogo de plataformas da série Kirby. Mas este Nightmare in Dream Land não é uma entrada normal na saga, mas sim um remake completo do Kirby’s Adventure, o segundo jogo da saga, lançado originalmente para a NES. Tal como jogos como o Super Mario Advance, este é um remake completo, não só melhorando bastante os audiovisuais, mas também acresentando muito conteúdo adicional. É um Kirby melhorado para as mecânicas de jogo mais modernas (para a altura) que a série já tinha implementado noutros jogos. O meu exemplar veio de um stock de loja, comprado por intermédio de um terceiro, algures durante o mês de Abril. Custou-me cerca de 10€.

Jogo com caixa, manual e papelada

A história por detrás deste jogo leva-nos uma vez mais ao mundo Dream Land, onde os seus habitantes subitamente deixaram de sonhar. Kirby decide investigar e descobre que o vilão King DeDeDe está uma vez mais por detrás dos problemas. DeDeDe roubou a Star Rod, fonte de poder da Fonte dos Sonhos, partiu-a em vários pedaços e distribuiu-a pelos seus companheiros. Kirby terá então de atravessar as várias regiões da Dreamland e recuperar os pedaços da Star Rod, incluindo enfrentar vilões como Metaknight e o próprio King DeDeDe.

Como é habitual, Kirby pode absorver as habilidades dos inimigos, enriquecendo bastante as possibilidades na jogabilidade

As mecânicas de jogo são muito similares aos tradicionais jogos de plataformas do Kirby. Este tem a capacidade de engolir os inimigos e absorver os seus poderes, sendo essa a mecânica de jogo chave para completar o jogo. Cada habilidade possui poderes específicos, por exemplo ao absorver as habilidades de inimigos de fogo ou gelo permitem Kirby usar ataques de fogo ou gelo respectivamente, os espadachins dão uma espada a Kirby, outros deixam-no transformar-se numa pedra, entre muitos outros poderes variados. A progressão do jogo vai-se dando através de um mapa mundo onde vamos desbloquear os níveis seguintes e não só, também poderemos jogar alguns minijogos para obter mais pontos ou vidas extra. Nestes temos o Bomb Rally, onde quatro Kirbies andam a atirar uma bomba entre si e aquele que tiver o azar da bomba lhe rebentar sai fora do jogo. Vence quem ficar em último! Temos também o Kirby’s Air Grind onde uma vez mais 4 Kirbies competem entre si ao deslizar em longos tubos com alguns obstáculos pelo caminho. Vence quem chegar em primeiro. O último minijogo é conhecido para quem já tiver jogado o Kirby’s Fun Pak da Super Nintendo. É o Quick Draw, um duelo entre samurais que é um jogo que testa o nosso tempo de reacção, pois temos de pressionar um botão logo a seguir a um sinal, vencendo o mais rápido.

Algumas das habilidades são bastante originais!

Eventualmente desbloqueamos também outros modos de jogo como o Boss Endurance que como o nome indica é uma sequência dos vários bosses e mini-bosses para combatermos. Podemos desbloquear também o Extra Mode, um modo de jogo mais difícil e se completarmos esse, desbloqueamos ainda o Meta-Nightmare Mode, um modo de jogo onde controlamos o poderoso Meta-Knight. Aqui não conseguimos copiar as habilidades dos oponentes! Para além disso, temos ainda o multiplayer que sinceramente não testei. Mas pelo que diz o manual, até 4 jogadores podem-se juntar e jogar a aventura completa de forma cooperativa, ou participar competitivamente nos minijogos acima referidos.

No que diz respeito aos audiovisuais, este é um jogo muito bem conseguido. Mesmo o original da NES ser um feito tecnológico para uma consola com as suas limitações, naturalmente esta versão GBA está muito superior em todos os campos. As sprites estão muito melhor detalhadas e animadas, os cenários são muito mais coloridos e detalhados também. As músicas também possuem mais qualidade como seria de esperar. Um jogo com um 2D muito bonito, que nada fica a dever aos melhores títulos da SNES nesse campo.

Graficamente é um excelente update da versão original

Portanto este Kirby’s Nightmare in Dreamland acaba por se revelar um excelente remake, ultrapassando o original da NES em todas as categorias e é um jogo que recomendo vivamente se forem fãs de jogos de plataforma em 2D. Ainda assim o Kirby’s Adventure para a NES mantém-se na minha wishlist, pois como já referi acima, é um grande feito tecnológico para a NES e um óptimo jogo de plataformas também.