Bloodshot (Sega Mega Drive)

Voltando à Mega Drive, vamos cá ficar com um jogo que sempre me despertou curiosidade. Desde que descobri o Doom algures na década de 90, fiquei logo com o bichinho por tudo o que fosse first person shooter, pelo que experimentar os FPS em consolas como a Mega Drive despertou também a minha curiosidade. Embora não esperasse por um grand feito tecnológico, é sempre interessante ver consolas que não foram desenhadas para suportar nativamente jogos 3D se safam com este estilo de jogo. E sem o recurso a hardware adicional! O meu exemplar foi comprado algures em Dezembro de 2018 através do Facebook, custou-me 12€.

Jogo com caixa e manual

Bloodshot é um jogo futurista, onde teremos de nos infiltrar numa nave espacial alienígena e repleta de robots e bombas poderosíssimas, cujo destino seria mesmo atacar o nosso planeta. Então a única maneira que os humanos arranjaram para combater essa ameaça é a de levar um space marine a bordo da nave alienígena, com a missão de destruir os seus 12 núcleos e assim neutralizar a ameaça por completo.

A área de jogo é impressionante tendo em conta o Zero Tolerance, mas é verdade que os inimigos poderiam estar melhor caracterizados.

Este é um FPS relativamente simples, os cenários são todos labirínticos, repletos de corredores estreitos e serpenteantes. O objectivo em cada nível é o de procurar o núcleo, destruí-lo e voltar ao ponto de partida, pois a partir do momento em que destruímos o núcleo, é activada uma sequência de auto destruição que destrói todo o andar onde estamos. Não temos desníveis, e todas as superfícies fazem um ângulo de 90º entre si. É então um clone de Wolfenstein 3D, portanto, mas com uma série de particularidades. A primeira é que não vemos a arma que equipamos no ecrã, mas não há problema, certamente a Domark conseguiu ganhar mais uns frames assim. Depois ao olhar para toda a interface gráfica é que nos vamos apercebendo de todas as particularidades deste Bloodshot.

Destruindo o núcleo, temos alguns segundos para refazer o caminho de volta para o ponto de partida

À esquerda de todo temos uma barra de energia que vai diminuindo à medida que sofremos dano, mas pode ser restabelecida ao apanhar alguns power-ups para o efeito. Na parte superior do ecrã temos o resto do que interessa. Da esquerda para a direita vemos duas matrizes, com 9 células cada. A primeira vai armazenando as chaves coloridas que podemos apanhar e que abrem certas portas . A segunda serve para armazenar as armas que vamos apanhando, sendo que o indicador seguinte mostra-nos quantas munições essa arma ainda tem disponíveis. Por defeito temos uma arma fraca com munição infinita, mas que não aparece nesse menu. A partir do momento que vamos apanhando novas armas, deixamos de conseguir usar a arma por defeito, a menos que esgotemos todas as suas munições. Depois essas armas são todas descartáveis, é possível encher aquele quadro só com armas do mesmo tipo, cada qual com a sua munição e a partir do momento que uma dessas armas fique sem munição, a mesma é descartada. Temos uma série de diferentes armas, algumas com rapid fire, outras com tiros em leque, outras que disparam explosivos, uma outra com um mecanismo de lock-on em alvos, entre outros.

Temos também um modo multiplayer para 2 jogadores com split screen vertical

No canto superior direito temos as restantes indicações visuais. Uma é o número de vidas disponíveis, a outra é alusiva a mais uma peculiaridade deste Bloodshot, o sistema bónus. Basicamente se destruirmos um inimigo sem sofrer qualquer dano, é acesa uma luzinha. Se conseguirmos destruir 3 inimigos em seguida sem sofrer qualquer dano, somos presenteados com uma chave branca, que pode ser usada para abrir salas com alguns goodies, sejam boas armas ou medkits. Naturalmente que também teremos outras salas secretas que podemos descobrir ao interagir com as paredes, sendo que essas salas não aparecem no mapa, também do lado direito do ecrã. Os controlos são simples, com o botão direccional a servir para nos movimentarmos, sendo que se mantivermos o botão A premido permite-nos fazer strafing, ou seja, andar lateralmente, muito útil para nos esquivarmos do fogo inimigo. O botão B dispara e o botão C permite-nos percorrer o inventário e seleccionar uma arma. Para além do modo história temos também uma vertente multiplayer em split screen vertical, que eu sinceramente não cheguei a experimentar, mas é uma espécie de deathmatch para 2 jogadores.

Temos algumas cutscenes mas só no início e fim do jogo

Graficamente, é um jogo bem conseguido tendo em conta as limitações da consola para gráficos em 3D nativo, sem recurso a hardware adicional, ao contrário do Doom para a SNES. Já o Zero Tolerance era um FPS para a Mega Drive, desenvolvido sem quaisquer recursos adicionais e o resultado é algo modesto. Este Bloodshot apresenta uma maior área visível de jogo, mas em contrapartida as texturas são mais simples e sem grande variedade ao longo dos níveis. No que diz respeito ao som, nada de especial a apontar a não ser para a falta de música durante os níveis em si, certamente algo a pensar em economizar recursos de hardware para renderizar todo o jogo.

Portanto, e sendo muito sincero, este é um jogo que recomendo apenas aos entusiastas de FPS e curiosos em achievements técnicos em consolas retro. Tecnicamente é impressionante visto que corre numa Mega Drive sem qualquer recurso a hardware adicional, mas o jogo em si é muito repetitivo e envelheceu mal. Mas fica a curiosidade de ser um lançamento exclusivo europeu, visto que nos Estados Unidos o jogo foi disponibilizado apenas no serviço Sega Channel – que por si só já merecia um artigo. De resto temos também uma versão Mega CD, que aparentemente é ligeiramente diferente da versão Mega Drive. Não sei se contém música em CD Audio, mas simplificaram um pouco o jogo, com menos inimigos nos níveis e alguns dos níveis mais pequenos, aparentemente de forma a que cada nível coubesse inteiro na memória RAM do sistema, de forma a evitar tempos de loading a meio da acção.

Ninja Gaiden (Sega Master System)

A série Ninja Gaiden é uma popular série de jogos de acção da Tecmo, bastante popular na NES, e que só bem mais tarde, com a primeira Xbox, é que houve um verdadeiro renascer da série, já completamente em 3D. Pelo meio, as consolas da Sega tinham ficado de fora, mas aparentemente algures nos anos 90 a Sega conseguiu uma licença para produzir as suas próprias versões dos Ninja Gaiden. Para a Game Gear, o resultado foi este, para a Mega Drive havia um jogo em desenvolvimento mas que eventualmente foi cancelado e esta versão Master System, exclusiva em solo europeu, acaba por ser um dos títulos mais fortes da plataforma. O meu exemplar foi comprado em Junho num evento de retrogaming, tendo-me custado 30€.

Jogo com caixa e manuais

A história coloca-nos uma vez mais no papel do ninja Ryu Hayabusa, que vê o seu clã a ser completamente dizimado por bandidos, que roubaram Bushido, uma scroll sagrada que confere enormes poderes a quem a utilizar. Durante o jogo vamos então seguir o rasto dos bandidos e tentar resgatar o Bushido antes que seja tarde demais. Claro que eventualmente teremos de defrontar um ser demoníaco que iria utilizar a scroll para dominar o mundo e essas coisas todas.

Tal como é hábito na série, aqui também temos cutscenes no início e final de cada nível

A jogabilidade deste Ninja Gaiden é bem mais próxima dos originais de NES, sendo um jogo de plataformas exigente e onde teremos de contar com a agilidade de Ryu, que consegue saltar entre paredes e escalar plataformas. Esta versão do jogo é muito generosa com o número de power ups que podemos encontrar, que podem ser armas secundárias, “munição” para as armas secundárias, itens que regeneram a nossa barra de energia, entre outros. As armas secundárias, muitas delas (senão todas) existem também nos Ninja Gaiden de NES, como a possibilidade de lançar shurikens em 4 direcções, lançar bolas de fogo teleguiadas para os oponentes mais próximos, ou um escudo de fogo que nos dá invencibilidade temporária, podendo destruir os inimigos se formos contra eles nesta forma. Cada vez que usamos uma arma secundária gastamos “munições”. No entanto o jogo tem um bug que, se alcançarmos um número máximo de munições de 999, acabamos por ficar com munições infinitas, o que nos facilita bastante a vida nos últimos níveis. Temos também um desperation attack, um ataque muito poderoso capaz de destruir todos os inimigos presentes no ecrã em simultâneo, a custo de alguma da vida de Ryu. É activado ao pressionar os 2 botões faciais em simultâneo, o que pode causar por vezes que seja activado por engano.

Claro que a Sega tinha de deixar o seu cunho pessoal

Não é um jogo tão difícil quanto os da NES, devido à generosidade de power ups que temos, bem como ao facto de os inimigos não fazerem respawn constante. Ainda assim, e principalmente nos níveis mais avançados, teremos alguns bons desafios de platforming que nos obrigarão a usar todas as habilidades de Ryu com precisão, até porque uma vez mais teremos alguns inimigos muito bem posicionados para nos causar dano. E cada vez que sofremos dano, Ryu dá um ressalto para trás, o que em níveis com alguns abismos sem fim pode causar a nossa morte e vidas extra é coisa que não é lá muito comum aqui.

A nível técnico este Ninja Gaiden está muito bem conseguido. Os gráficos são coloridos, bem detalhados e temos imensas cutscenes num estilo manga, como tem sido habitual na série, mas não tão habitual na Master System, o que é excelente. Fica é a perder na questão de não ter scrolling, os níveis são um conjunto de ecrãs estáticos, o que não é lá muito bom. As músicas também são agradáveis, e só consigo imaginar o que seria se este jogo tivesse suporte ao som FM. No entanto nem tudo são rosas e temos aqui muitos typos. No ecrã de introdução de cada nível vemos escrito Ninjya Gaiden, e logo no segundo nível vemos também escrito Pursit in Tokyo, em vez de Pursuit. É pena mas são erros perfeitamente evitáveis, parece que ninguém que sabia minimamente inglês fez o QA do jogo.

No final de cada nível temos sempre um boss para derrotar

Portanto este Ninja Gaiden, apesar de não ser perfeito, não deixa de ser um excelente jogo de acção, mesmo não pertencendo à série principal. Dos Ninja Gaiden em que a Sega trabalhou é facilmente o melhor, e para mim um dos melhores jogos de acçao que a Master System alguma vez recebeu.

Earthworm Jim: Menace 2 the Galaxy (Nintendo Gameboy Color)

Voltando às rapidinhas vamos agora para uma pequena desilusão para a Gameboy/ gameboy Color. Os primeiros 2 Earthworm Jim foram sem dúvida dos jogos mais originais e divertidos que surgiram na era das 16bit, no entanto esto novo jogo para a portátil 8bit para a Nintendo acabou por desiludir. O mesmo também poderá ser dito do Earthworm Jim 3D, mas isso será tema para outro dia, até porque ainda tenho de o arranjar. O meu exemplar foi comprado já nem sei onde, quando, nem quanto custou, mas certamente não terá sido mais do que 2/3€.

Apenas cartucho

Provavelmente não sabiam, mas a minhoca Jim tem um irmão gémeo maléfico, o Evil Jim. Este estava a preparar das suas, ao construir uma arma super poderosa que poria a vida de toda a galáxia em risco e claro, cabe-nos a nós, no papel do Good Jim, de impedir que isso aconteça. Este é também um jogo de plataformas, mas muito mais simplificado face aos clássicos, que tinham vários níveis com mecânicas de jogo completamente diferentes entre si, e mesmo nos níveis de puro platforming, havia sempre qualquer coisa de doidos a acontecer, o que nos empolgava ainda mais. Aqui é mesmo um platformer genérico, com as habilidades de Jim a ficarem muito reduzidas, com um botão para saltar e outro para disparar a arma. Felizmente lá poderemos encontrar algumas armas diferentes para equipar, bem como um foguetão que nos permite voar livremente pelo nível durante algum tempo. O objectivo em cada nível? Coleccionar um certo número de itens que parecem donuts gigantes e procurar a saída, um teletransporte que nos leva ao nível seguinte. Caso percamos uma vida, temos de recomeçar o nível do zero, voltando a apanhar os itens todos. Ocasionalmente lá encontramos algumas caras conhecidas de outros jogos, na forma de bosses que teremos de derrotar.

Continuamos a ter alguma parvoíce, mas em doses muito reduzidas quando comparando com os originais

A nível audiovisual é um jogo minimamente competente. No início de vida da Gameboy Color era práctica comum os jogos serem retrocompatíveis com a Gameboy original, com os cartuchos a possuirem um formato similar aos clássicos, mas em cor negra, o que é o caso deste jogo. Se o jogarmos numa Super Gameboy temos mais algumas cores que a mera escala de cinzentos, mas o ideal é jogar mesmo numa Gameboy Color, ficando com uma paleta de cores mais correcta e completa. Ainda assim, naturalmente que a sprites não possuem o mesmo brilhantismo das versões 16bit dos originais, algo que seria esperado. Mas por outro lado a adaptação do Earthworm Jim original para a Game Gear é muito mais rica tecnicamente, a meu ver. As músicas nada de especial a apontar, algumas são agradáveis, outras já nem tanto mas não incomodam.

Ocasionalmente lá teremos alguns bosses para defrontar

Portanto este Earthworm Jim Menace 2 the Galaxy é, infelizmente, um medíocre jogo de plataformas com muito poucos elementos que tornaram os originais clássicos absolutos da era 16bit.

Legend of Sayuki (Sony Playstation 2)

Kiki KaiKai, ou como é conhecida cá no ocidente como Pocky & Rocky, é uma série de interessantes shmups com as suas origens nas arcades da Taito, algures no final da década de 80. A temática é sempre a mesma, controlamos uma shrine maiden, uma espécie de sarcedotisa que tomam conta de templos japoneses, nas suas aventuras de exorcizar uma série de demónios. É uma série que conta já com alguns jogos no seu catálogo e este Legend of Sayuki seria para ser um novo capítulo da saga. Entretanto problemas no seu desenvolvimento surgiram, o acordo com a Taito/Square Enix caiu e a Starfish redesenhou todo o jogo, removendo todas as referências a Pocky and Rocky, para o conseguir publicar. Felizmente a 505 Games conseguiu publicá-lo na Europa algures em 2008. O meu exemplar foi comprado numa CEX por 10€ há uns meses atrás.

Jogo com caixa e manual

Neste jogo controlamos então Sayuki, uma deusa da neve, que vê um rapaz da aldeia vizinha, de quem ela gosta, vítima de uma maldição que o deixou num estado dormente. Então, para curar o rapaz teremos de cozinhar uma poção mágica, onde acabamos então por visitar diversos lugares diferentes em busca de cada ingrediente. Pequeno spoiler: este jogo sofre do mesmo síndrome dos Ghosts ‘n Goblins / Ghouls ‘n Ghosts no que diz respeito à história, ou seja, após chegarmos ao “fim” da primeira vez, somos convidados a rejogar tudo de novo para ver o final verdadeiro. Por outro lado, se decidirmos jogar com um amigo, é possível jogar cooperativamente, mas com uma história diferente colocando a irmã de Sayuki como personagem jogável para o segundo jogador.

Ao contrário do original, que devido à sua natureza arcade, possui níveis curtos mas desafiantes, os níveis aqui são bem grandes e amplos

A nível de mecânicas de jogo, este é um shmup onde nos podemos movimentar livremente pelo ecrã. Temos um botão de ataque normais, outro para evasão, um outro para ataques especiais e como é habitual em shmups, vamos tendo uma série de power ups para apanhar. Desde itens regenerativos ou outros que extendem mesmo a nossa barra de vida, vidas extra, upgrades para os nossos ataques normais, ou mesmo upgrades para os ataques mágicos. Geralmente quando derrotamos um inimigo eles deixam as suas almas para trás e podemos apanhá-las, servindo estas de munição para os nossos ataques especiais. Sendo Sayuki uma deusa da neve, os nossos ataques especiais consistem em ataques de gelo, capazes de congelar uma série de inimigos com os quais entram em contacto. Uma vez congelados, podemos destruí-los de uma só vez, o que nos dá mais pontos e também mais almas para apanhar.

Os bosses são sem dúvida o que nos vão dar mais trabalho

É um grande desafio, especialmente quando defrontamos os bosses, pois temos de nos estar constantemente a desviar dos projécteis inimigos e temporizar bem os nossos ataques especiais para conseguir anular alguns dos ataques inimigos. Mas o maior desafio está mesmo na ausência da possibilidade de gravar o progresso no jogo. A única coisa remotamente parecida é que o jogo grava o nosso highscore e desbloqueiam os bosses que já derrotamos na história para o boss rush mode. Podemos também vir a desbloquear a opção de stage select mas sinceramente não sei como. E sendo este um jogo algo exigente, não só a nível de dificuldade mas também na duração de cada nível, parece-me muito despropositado não se poder gravar o progresso a meio da aventura.

Graficamente é um jogo interessante, porém um pouco mais de detalhe não fazia mal

A nível audiovisual é um jogo minimamente competente. Eu adoro jogos com um look retro e em 2D e foi isso que mais me chamou à atenção neste jogo, muito antes de saber que era um sucessor espiritual de KikiKaiKai/Pocky & Rocky. As sprites é verdade que não são muito detalhadas, mas o design das mesmas (e dos níveis em si) estão repletos de referências a elementos do folclore japonês, algo que me agrada bastante. As músicas é verdade que poderiam ser mais interessantes. Possuem na mesma vários temas alusivos ao folclore japonês, mas não são tão memoráveis assim. De resto, nota-se bem que é um jogo budget, pois não temos qualquer voice acting e as cutscenes, que só existem no início e final do jogo, são representadas por imagens estáticas acompanhadas por texto.

Portanto este Legend of Sayuki (conhecido nos Estados Unidos como Heavenly Guardian), é um jogo interessante para quem quiser algo com um feeling mais retro. Existem no entanto algumas arestas a serem limadas com a impossibilidade de gravar o progresso no jogo e se o mesmo tivesse mais tempo/budget para desenvolvimento, talvez os audiovisuais pudessem ser ainda mais melhorados.

Dick Tracy (Sega Mega Drive)

Dick Tracy é uma personagem da banda desenhada norte-americana com a sua origem nos anos 30. É um detective impiedoso que luta contra o crime organizado, muito em voga nessa época. Em 1990 foi também lançado um filme para o cinema e naturalmente que surgiram algumas adaptações para videojogos. As versões Nintendo são muito diferentes das versões Sega, cujo desenvolvimento ficou a cargo da própria nipónica. A versão Master System já a trouxe cá noutra altura e é essencialmente o mesmo jogo que esta versão 16bit, embora tecnicamente muito inferior. O meu exemplar foi comprado a um particular algures no mês de Maio por cerca de 5€.

Jogo com caixa e manual

Tal como na versão Master System, este é um sidescroller de acção, onde a maior parte dos níveis são jogados em 2 planos. Temos o plano de acção por onde Dick caminha e aí o botão A serve para disparar o nosso revólver, ou dar socos se os inimigos estiveram muito próximos. Mas também podem surgir inimigos no fundo da rua e é aí que entra em acção a nossa Tommy Gun, através do botão C. Aí Dick fica parado e com o botão direccional podemos apontar a metralhadora para o plano de fundo e matar todo o bandido que por lá apareça. Temos outros níveis no entanto com um único plano e onde não podemos usar armas, apenas socos. Para além disso ocasionalmente temos alguns níveis onde andamos em perseguições policiais, a disparar sobre bandidos que seguem em outros carros e ocasionalmente lá vão espreitando ou saindo das suas janelas ou portas.

BAM! In your face!

O jogo está dividido em conjuntos de 3 níveis sendo que os dois primeiros vão alternando entre os tipos de jogabilidade que já mencionei, o terceiro coloca-nos sempre num confronto contra um boss que, no meio dos seus minions, vai surgindo em várias posições do ecrã, possui uma barra de energia maior que a nossa e vamos ter que o combater aos poucos. De resto, entre cada boss vamos tendo também alguns níveis de bónus que são galerias de tiro com 3 imagens que vão rodando. Cada um dos botões faciais do comando da Mega Drive corresponde a um dos alvos e ao pressioná-los disparamos sobre os respectivos. Obviamente que vai havendo um misto de bandidos e civis, e a ideia é não atingir nenhum civil, nem deixar bandidos escaparem.

Entre cada nível vamos tendo pequenas cutscenes que entram dentro do espírito da BD

A nível técnico, até que é um jogo bem conseguido para 1990. Os inimigos estão bem detalhados e animados (se bem que todos usam fatinhos e chapéus fedora mas com cores diferentes). Os cenários não são muito variados, sendo ruas de cidades, armazéns, portos à beira rio, zonas urbanas no geral. Agora a parte gira é que com a Tommy Gun podemos destruir parte dos cenários como as janelas e montras das lojas. As músicas também são surpreendentemente bastante agradáveis. Algumas são bastante calmas com uns toques de jazz, o que não deixa de ser irónico pois andamos a dizimar gangsters com uma Tommy Gun.

Portanto este Dick Tracy até que foi uma surpresa agradável, já que não gostei assim tanto da versão Master System, apesar de ser muito semelhante a nível de jogabilidade. Mas um botão extra no comando da Mega Drive e todo o poderio de uma 16bit fizeram bem a diferença.