1080º Snowboarding (Nintendo 64)

As séries Alpine Racer/Surfer nas Arcades e Cool Boarders na Playstation foram o pontapé de saída não só para videojogos baseados em desportos radicais na neve, como para muitos outros desportos radicais que lhe seguiram. A Nintendo não quis ficar atrás, pelo que desenvolveram eles mesmo para a sua Nintendo 64 este 1080º Snowboarding. Sinceramente, apesar deste tipo de jogos serem geralmente bastante divertidos, nunca foram um foco na minha colecção, mas como tinha arranjado o 1080º Avalanche para a Nintendo Gamecube (uma das minhas consolas preferidas), lá tive também de procurar o primeiro. E acabei mesmo por comprar uma versão completa no UK há uns meses atrás, tendo ficado bastante barata – cerca de 8 libras se bem me recordo.

Jogo com caixa e manual

Neste 1080* Snowboarding dispomos de diversos modos de jogo, alguns com o foco em corridas, outros com o foco em realizar acrobacias para amealhar mais pontos. Na categoria de corridas, o primeiro modo de jogo é o match race, onde mediante a dificuldade escolhida, iremos competir em 4, 5 ou 6 circuitos e o objectivo é chegar à meta à frente do nosso oponente. Um detalhe engraçado é que apesar de irmos repetindo os primeiros circuitos em cada grau de dificuldade, estas corridas vão decorrendo em diferentes fases do dia e/ou com diferentes condições metereológicas. À medida que vamos completando o jogo nas diferentes dificuldades, os circuitos extra trazidos por cada grau de dificuldade vão sendo desbloqueados para usar nos restantes modos de jogo. O modo time attack, como devem calcular, é o modo de jogo onde o objectivo é fazer o melhor tempo possível no circuito disponível. Temos também um versus para 2 jogadores – infelizmente o multiplayer neste jogo resume-se apenas a dois jogadores, o que acredito que tenha sido uma oportunidade perdida pela Nintendo para fazer um jogo que realmente se destacasse da concorrência.

Cada concorrente possui atributos próprios, assim como as diferentes pranchas à escolha

Paralelamente aos modos corrida, temos dois modos de jogo onde o objectivo é fazer o máximo de pontos possível, aproveitando todas as rampas para saltar e pressionar uma série de botões do comando da Nintendo 64 para fazer vários truques. Nos modos corrida também os podemos fazer, mas não nos trazem benefícios nenhuns e se caírmos podemos perder alguns segundos preciosos. Paralelamente ao Time Attack temos o Trick Attack, onde não só podemos correr nos circuitos normais que já tenhamos desbloqueado, bem como em 2 circuitos próprios para este modo, um half-pipe ou uma grande rampa que nos dá muito tempo no ar para fazer combos de truques. O objectivo é, claro, fazer o máximo de truques possível. O outro modo de jogo é o Contest, onde tal como em competições profissionais, teremos de passar uma série de checkpoints coloridos, ou pela esquerda, ou pela direita, bem como ir fazendo alguns truques. Para practicar tudo isto temos um modo de treino também.

Temos de ter algum cuidado com o dano sofrido pela prancha

Os controlos são algo intuitivos, e no modo match race, vamos ter mesmo de os por bem em práctica pois teremos curvas apertadas, alguns obstáculos como árvores, casas ou carros, e se embatermos nestes, não só perdemos alguns segundos preciosos, como a nossa prancha vai sofrendo algum dano, podendo inclusivamente partir e sermos retirados da prova. Nos modos de jogo mais focados em realizar acrobacias, recomendo uma passagem pelo training, onde os podemos por todos em práctica. Saltos de 180º ou aqueles onde vamos agarrando a prancha são simples, com a dificuldade a ir aumentando progressivamente em saltos de 360º, 540º, 720º, 900º e 1080º, ou seja quatro voltas completas no ar.

Para além de corridas, temos outros modos de jogo com foco total nas acrobacias

No que diz respeito aos gráficos, até que foi um jogo que me surpreendeu pela positiva, não só pela sua fluidez, mas também pela variedade nos circuitos, que vão aumentando de dificuldade progressivamente na inclusão de diversos obstáculos que teremos de ultrapassar. O nível que atravessa uma pequena cidade na montanha é provavelmente o meu preferido nesse aspecto, pela variedade de polígonos e texturas que vai apresentando. Ocasionalmente vamos também apanhando neve a cair, o que é outro efeito gráfico interessante. Os snowboarders em si estão bem detalhados, só é pena não haverem mais a competir em simultâneo. As músicas são bastante agradáveis, vamos ouvindo temas com uma toada rock mais ligeira, mas que assentam bem ao estilo de jogo.

Portanto este 1080 Snowboarding é um jogo interessante e sólido, até porque foi desenvolvido pela própria Nintendo. A Nintendo 64 possui mais um ou outro jogo de desportos de inverno, como o Snowboard Kids da Atlus ou o Twisted Edge, mas a maioria destes acabaram por não sair na Europa, pelo que o 1080º Snowboardng acaba por ser a opção de eleição para esta consola, caso sejam fãs do género, até porque vai sendo bastante comum. Pena no entanto pela falta de um modo multiplayer para 4 jogadores!

 

Formula One 2000 (Sony Playstation)

Tempo agora para mais uma rapidinha a um jogo de F1, com mais uma entrada da série Formula 1, outrora publicada pela Psygnosis. Depois do renascimento bem sucedido da série com o Formula One 99 por parte do envolvimento dos também britânicos Studio 33, a mesma equipa preparou também a iteração dos anos seguintes para a Playstation 1, muito possivelmente usando o mesmo motor de jogo de Formula One 99, que sinceramente já era bastante bom. O meu exemplar foi comprado juntamente com o jogo anterior, na feira da Vandoma em Janeiro de 2018, por 4€.

Jogo com caixa e manual

O ponto forte do jogo continua a ser o seu modo Grand Prix, que uma vez mais representa fielmente uma nova temporada de corridas, com os mesmos circuitos, equipas e pilotos que na vida real (e uma vez mais Jacques Villeneuve cedeu os seus direitos de imagem!). Aqui podemos optar por entre conduzir em corridas singulares ou enveredar por uma temporada completa, onde uma vez mais poderemos customizar muitas das mecânicas de jogo, sejam as condições metereológicas, activar ou desactivar funcionalidades como consumo de combustível, desgaste de pneus, implementar regras de bandeiras ou customizar o nível de dano que os carros podem sofrer. No modo temporada, cada corrida é extendida ao longo de três dias, com o primeiro a servir unicamente para practicarmos e ficar a conhecer melhor cada circuito, o segundo fica reservado para a prova de qualificação e por fim temos a corrida em si. Tal como nos anteriores, podemos dispensar estas fases adicionais e avançar logo para a corrida, com a desvantagem de partirmos em último lugar. Mas a grande novidade deste jogo está mesmo no regresso do modo arcade onde teremos muitos desafios para ultrapassar e uma jogabilidade menos exigente.

Agora vamos tendo indicações visuais que nos avisam das curvas que se aproximam

No que diz respeito aos audiovisuais, o jogo parece usar o mesmo motor gráfico do seu antecessor, apresentando os carros e circuitos com um óptimo nível de detalhe gráfico, para uma Playstation. As diferentes condições metereológicas adicionam alguns efeitos gráficos interessantes, não só de partículas com a chuva, mas também de luz e reflexos. De novidade serão mesmo as indicações visuais que vão surgindo no ecrã, avisando-nos das curvas que se seguem. Os menus, que já no jogo anterior tinham sofrido um bom redesign, estão uma vez mais bastante apelativos visualmente e bastante intuitivos. Na parte do som, nada a apontar. As músicas, que existem entre corridas, são bastante agradáveis. No modo arcade podemos ouvir uma música toda mexida e com algumas guitarradas, o que me agrada mais. Já os comentadores, estes agora possuem muitos mais diálogos, pelo que foi mais uma boa melhoria.

Tirando o facto de censurarem os patrocinadores com referências a tabaco ou álcool, é como se víssemos a transmissão televisiva!

Portanto este Formula 1 2000 parece-me uma óptima evolução do seu predecessor, mantendo a excelência nos audiovisuais, e melhorando ainda mais na sua diversidade, ao trazer o modo arcade de volta. Foi seguido pelo F1 2001 cujo teve dois lançamentos distintos: a versão PS1, uma vez mais desenvolvida pelo Studio 33, e a versão PS2 e PC, desenvolvida pela própria Psygnosis, agora renomeada para SCEE Studio Liverpool. Não planeio continuar a coleccionar a série na PS2 em diante, mas a versão PS1 há-de cá parar algum dia.

Gale Racer (Sega Saturn)

Hoje trago cá a conversão para a Sega Saturn do Rad Mobile, um jogo de corridas arcade da própria Sega lançado originalmente em 1991, tendo sido conhecido não só por ser o primeiro videojogo que marca uma aparição de Sonic the Hedgehog, antes da futura mascote da Sega ter o seu primeiro videojogo oficialmente lançado, bem como sendo o primeiro jogo 32bit da empresa nipónica, tendo sido lançado originalmente no sistema System 32. Ainda assim era um jogo maioritariamente em 2D, apresentando no entanto sprites com muita melhor definição que os seus esforços anteriores. Em 1994, por alturas do lançamento Japonês da Sega Saturn, a Sega acabou por lançar uma conversão deste jogo sob o nome de Gale Racer. Infelizmente não é muito boa, pelo que o jogo acabou por ficar em solo japonês apenas. O meu exemplar veio da loja Mr. Zombie no mês passado, tendo-me custado 6€.

Jogo com caixa, manual e papelada

Rad Mobile foi um dos primeiros jogos arcade que eu alguma vez joguei. O primeiro foi o Out Run, numa máquina que ficava à entrada de um hipermercado onde os meus pais faziam compras no início dos anos 90. O segundo estou na dúvida se terá sido o Insector X ou o Rad Mobile, que tinha eventualmente substituído a máquina do Out Run que mencionei anteriormente. Este era um jogo onde, tal como o Out Run, teríamos de atravessar os Estados Unidos, desde a sua costa Oeste à Leste, garantindo no entanto que fossemos ultrapassando uma série de rivais pelo caminho, de forma a chegar a Nova Iorque em primeiro lugar. Aqui o objectivo mantém-se idêntico, com o número de rivais a bater a aumentar de 14 para 21, no entanto. E se na arcade a experiência era non-stop, aqui o jogo vai estando dividido em diversos segmentos separados por ecrãs de loading. Sinais dos tempos!

Curvas inclinadas! Parece que são lombas mas é mesmo assim, do motor do jogo

Ao longo do jogo teremos então não só de garantir que vamos atravessando cada checkpoint antes que o nosso tempo se esgote, bem como ultrapassar  todos os rivais que vão surgindo. Para além disso teremos de ter em atenção ao restante trãnsito que vamos vendo na estrada, inclusivamente para carros que venham em sentido contrário. Ocasionalmente vamos encontrar alguns rivais mais agressivos que servem também de bosses do jogo, como um camião gigante, porém rapidíssimo a subir uma estrada na encosta de uma montanha, onde temos de ter cuidados adicionais para não cair no desfiladeiro. Para além do modo arcade temos também um versus para 2 jogadores em split screen, bem como um modo time attack onde o objectivo é fazer o melhor tempo possível. Um detalhe interessante é o boneco do Sonic que temos pendurado no carro e que vai abanando. Esta foi a primeira aparição oficial do ouriço num videojogo, visto que Rad Mobile foi lançado em Janeiro de 1991, com o primeiro jogo oficial de Sonic a ser lançado mais tarde nesse mesmo ano. Nesta conversão, no entanto, quanto mais formos jogando este Gale Racer, vamos desbloqueando novas bonecos que vão substituindo o Sonic, como é o caso do Tails, Knuckles, Eggman, Metal Sonic ou outros elementos mais desconhecidos do universo Sonic, como o Mighty the Armadillo e Ray the Flying Squirrel.

O versus para 2 jogadores coloca-nos a competir um contra o outro em split screen

Originalmente este era um jogo inteiramente em 2D, no entanto o sistema System 32 possuía um hardware mais poderoso que os seus antecessores, disponibilizando sprites com melhor qualidade, alguns efeitos gráficos interessantes como a chuva a cair e os carros a levantar água da estrada molhada. As estradas em si eram também bem mais dinâmicas, apresentando não só as já habituais lombas, bem como se inclinando em curvas mais apertadas. Ora os efeitos metereológicos e as curvas inclinadas estão aqui presentes, mas as sprites foram substituídas por polígonos muito simples, assim como as suas texturas. Infelizmente a performance não é tão boa quanto no original arcade, e mesmo os polígonos aqui presentes serem muito simples e com texturas de baixa qualidade, a draw distance dos circuitos é muito reduzida. As mecânicas de detecção de colisões também deixam um pouco a desejar, vemos carros a atravessarem uns aos outros como se fossem fantasmas! No que diz respeito aos restantes audiovisuais, a Sega incluiu algumas cutscenes em CGI e as músicas apesar de não serem propriamente desagradáveis, ficam aquém do que mais tarde conseguiram fazer em jogos como Sega Rally, por exemplo.

No início e fim de jogo temos direito a uma cutscene em CGI – a nova geração prometia!

Portanto este Gale Racer foi uma oportunidade perdida de fazerem uma conversão decente de um jogo arcade lançado originalmente 3 anos antes. O sistema System 32 apesar de poderoso para a época, era um sistema lançado ainda com jogos 2D em mente. Gale Racer por sua vez foi lançado em 1994, tendo sido o primeiro jogo de corridas na plataforma. Creio que a Saturn seria capaz de correr uma conversão mais fiel ao arcade se mantivessem o mesmo estilo gráfico. No entanto, tendo sido um jogo de lançamento, é possível que o seu desenvolvimento tenha sido apressado e a Sega quisesse fazer uma conversão em 3D total para melhor mostrar as capacidades da consola, pelo que infelizmente o resultado não foi o melhor. A Saturn possui jogos de corrida inteiramente em 3D bem mais competentes que este Gale Racer e talvez por isso, por altura dos lançamentos ocidentais da consola, tenhamos recebido apenas o Daytona USA e este Gale Racer se tenha ficado apenas no Japão.

36 Great Holes (Sega 32X)

Voltando agora às rapidinhas e para um jogo desportivo, vamos ficar com um título de Golf, esse desporto que a mim me diz muito pouco, mas surgiu a hipótese de comprar um jogo 32X completo a um preço muito convidativo pelo que não a deixei escapar. Este meu exemplar veio de uma loja da Áustria, mais precisamente em Viena. Um amigo meu também coleccionador foi lá passar uns dias, descobriu a loja e acabou por me comprar umas coisas também. Este meu exemplar ficou por 9€.

Jogo com caixa e manual

Ora 36 Great Holes parece o título de um filme de origem questionável, pelo que o seu nome completo é Golf Magazine: 36 Great Holes Starring Fred Couples. Portanto o jogo parece ter o patrocínio não só de uma revista de golf, mas também de um jogador que sinceramente nunca tinha ouvido falar. E também como o título do jogo refere, aqui vamos poder jogar em 36 buracos de diferentes circuitos Norte Americanos. Ou seja, não há um circuito completo para jogar, mas sim um conjunto de partes de diferentes circuitos.

O ecrã título mostra-nos um curto, porém bastante fluído e nítido vídeo de Fred Couples a dar-nos as boavindas

Inicialmente vemos que temos diferentes modos de jogo para experimentar, desde um modo de treino que convém visitar quanto mais não seja para nos familiarizarmos com os controlos, bem como outros modos de jogo como é o caso de torneios, Stroke play. Scramble (este é um modo de jogo em equipa, onde só as melhores tacadas de equipa são aproveitadas), Shoot Out, etc. Dentro de muitos destes modos de jogo podemos escolher jogar um circuito completo de 36 buracos, ou algumas selecções pré-determinadas de circuitos de 18. Antes de começarmos o quer que seja podemos optar por jogar com o tal Fred Holes ou criar o nosso próprio jogador, num menu que mais faz lembrar RPGs, pois podemos escolher o tipo de corpo e cara, a cor das calças, t-shirt, entre outros.

Não convém mandar a bola para a água, são tacadas completamente desperdiçadas

Uma vez em jogo, sendo este um simulador, teremos várias opções a todos os tempos, desde ajustar a posição dos pés em relação ao tee, mudar de tacos e uma estimativa da distância máxima que a bola pode alcançar com cada taco diferente, activar grelhas de nível para melhor ter uma ideia da superfície de jogo, entre muitos outras coisas. Uma vez assumindo que queremos dar uma tacada, começamos por ver uma barra de energia a mover-se. Esta é a potência da tacada, e para cada jogada o CPU indica qual é a zona perfeita da barra de energia que deveremos atingir. Uma vez seleccionada a potência, outra barra de energia começa a mover-se, esta define a precisão da nossa jogada e uma vez mais o objectivo é alinhar a barra de energia com o limite sugerido pelo CPU.

Sempre que metemos uma bola no buraco temos a possibilidade de ver e/ou gravar o replay da jogada

No que diz respeito aos audiovisuais, assim que surge o ecrã título vemos uma pequena janela de vídeo onde o atleta Fred Palmer nos dá as boas vindas ao jogo. É uma sequência de vídeo curta, mas muito bem definida. No jogo em si, tudo está num 2D muito bem representado, com cores vivas e gráficos bem definidos. Já na Mega Drive  tínhamos alguns títulos de golf com visuais com alguns gráficos poligonais primitivos, e a 32X, tendo sido um aparelho a pensar precisamente em oferecer algumas características mais fortes de representação poligonal em 3D, seria de esperar que houvesse alguns gráficos poligonais neste jogo, mas não é o caso. E sinceramente ainda bem, pois acabou por se tornar num dos jogos de golf 2D mais bonitos da sua época. No que diz respeito ao som, tudo parece também ser competente. As músicas vão surgindo apenas nos menus, sendo que nas partidas de golf apenas ouvimos a natureza, as nossas tacadas e alguns comentários ocasionais de Fred Palmer. É verdade que estes poderiam ser um pouco mais variados, mas a qualidade dos samples de voz estão muito bons.

Portanto este 36 Great Holes acabou por me surpreender pela positiva, pois não só parece ser um jogo de golf bastante sólido como simulador, como visualmente muito apelativo. A aposta em gráficos 2D de alta qualidade a meu ver acabou por ser a melhor, pois fez com que o jogo tenha envelhecido melhor.

Night Trap (Sega Mega CD)

Vamos voltar à Mega CD, agora com mais um dos muitos jogos full motion video prestentes no sistema, embora este tenha um legado especial, muito pelas polémicas que esteve envolvido, bem como as suas origens. O meu exemplar foi comprado a um particular no Reino Unido há uns meses atrás, tendo-me custado algo em torno das 20 libras.

Jogo com caixa, manual e 2 discos

Ora então qual é o conceito deste Night Trap? Basicamente uma série de raparigas adolescentes desapareceram misteriosamente depois de terem ido dormir a casa de uma amiga. A polícia tentou investigar o caso mas a família dona da casa, os Martins, mostrou resistência à polícia para investigarem o interior da casa, pelo que o caso passou para uma polícia de elite, os SCAT (Sega Control Attack Team), que se infiltraram na casa e descobriram um complexo sistema de câmaras de vigilância e armadilhas montadas na maioria das divisões. Suspeitando então do envolvimento dos Martins no desaparecimento das adolescentes, eles instalaram um cabo no sistema de controlo das cãmaras e armadilhas, transferindo o seu controlo para o jogador.

Apresento-vos os Auger, os vampiros mais fatelas que já viram

Ou seja, em real-time teremos acesso a todas as câmaras da casa, onde não só poderemos ir vendo as conversas entre as personagens intervenientes (as adolescentes e a família Martin), bem como o que vai acontecendo nas outras divisões, onde desde muito cedo começamos a ver a casa a ser invadida por homens vestidos todos de preto, com um andar muito peculiar (parecem todos mancos) e munidos de umas máquinas estranhas. Mais lá para a frente descobrimos que estas criaturas são na verdade Augers, uma espécie de vampiros muito fraca (daí mexerem-se de forma estranha), que precisam de beber muito sangue humano para se tornarem mais fortes e eventualmente vampiros a sério, algo que os Martins aparentemente já o são.

Se acham que isto tem uma vibe muito anos 80, não é por acaso, as filmagens foram feitas em 1987

Ora a ideia é ir circulando pelas divisões e activar as suas armadilhas, sempre que algum auger passe junto de uma, algo que vemos quando uma barra de energia na parte de baixo do ecrã se aproxima do vermelho. Ao longo de todo o jogo teremos 95 Augers para apanhar, sendo que para alcançar um bom final temos de pelo menos conseguir capturar metade. Isto faz com que não consigamos estar sempre a seguir a história do ponto de vista das outras personagens, que no início apenas fazem coisas parvas de adolescente e nao perdemos grande coisa a não ser alguns momentos cringe, mas a certa altura os Augers começam mesmo a atacá-las, pelo que teremos de levar a câmara à divisão certa e activar a armadilha local no momento certo, ou seja quando um Auger passa pelo local da armadilha, não a adolescente que queremos salvar. Naturalmente que isto nos obrigará a jogar muitas vezes para memorizar onde os Augers aparecem e quando se dão os ataques às vítimas. Também temos de espiar os Martins, pois eles podem mudar o código de controlo do sistema de vigilância, algo que nós também teremos de mudar do nosso lado, caso contrário deixamos de conseguir activar as armadilhas. Ou seja, não capturar Augers suficientes e deixar morrer algumas vítimas chave dão-nos direito a uma de várias sequências diferentes de game over, sendo que para alcançar o final perfeito temos de capturar os 95 augers, os membros da família Martin, salvar todas as vítimas e não capturar acidentalmente alguns dos bons da fita. Isto é algo muito difícil de obter sem seguir um guia à risca.

Por muito que tentemos repelir os Augers, as raparigas irão ser todas atacadas e temos de activar as armadilhas no momento certo

Mas para além de maus actores e sequências algo cómicas, há muito mais para falar sobre este Night Trap. Apesar de ter saído originalmente em 1992 para a Mega CD, na verdade o mesmo foi todo filmado e produzido em 1987, tal como o Sewer Shark que também trarei cá em breve. Ambos os jogos eram supostos serem os títulos de lançamento de uma consola que a Hasbro quase lançou para o mercado, precisamente com foco em videojogos baseados em full motion video, e com leitores de VHS embutidos. Felizmente a coisa não chegou a ir em frente mas tanto o Night Trap como o Sewer Shark já estavam practicamente prontos, pelo que os criadores do jogo fundaram a Digital Pictures e formaram um acordo com a Sony, que nesta altura estaria a preparar a Playstation, juntamente com a Nintendo como um add-on para a consola de 16bit. Esse projecto acabou também por ser descartado, pelo que ambos os jogos acabaram por ser lançados posteriormente na concorrência.

Ora em 1993 dá-se também o lançamento das versões domésticas do Mortal Kombat, um jogo de luta extremamente violento para a altura. Tanto o Mortal Kombat, como este Night Trap, que na verdade nem tem qualquer gore ou violência explícita no seu ecrã, foram alvos de duras críticas por parte de um congressista norte americano. A polémica resultou no estabelicimento do sistema de rating de videojogos ERSB e uma das cenas, a parte em que uma jovem estava em camisa de dormir na casa de banho sendo posteriormente atacada pelos Augers, acabou por ser censurada. Mas injustamente, pois não há violência explícita, sangue e nem sequer nudez.

A infame cena da casa de banho que acabou por ser censurada na versão norte-americana

No que diz respeito aos audiovisuais, obviamente que a qualidade dos actores não é a melhor, os diálogos são muitas vezes cringe, os Augers parecem idiotas a andar, as suas armas são ridículas, as armadilhas espalhadas pela casa ainda mais. Mas tudo isso faz parte do charme! Mas sendo mais objectivo, a qualidade do vídeo é um bocado má, algo que já estamos habituados na Mega CD, infelizmente. Nos anos seguintes o jogo foi convertido e relançado noutras plataformas como o PC/Mac e a consola 3DO, esta última supostamente com a melhor qualidade de vídeo e sem qualquer censura que a versão Mega CD mais tarde recebeu, pelo menos em solo americano. Mas ainda nas consolas da Sega, em 1994 o jogo recebeu um novo update, tendo sido relançado como um dos poucos títulos “Mega CD 32X”, ou seja jogos em formato de CD mas que também requeriam o addon extra da 32X para apresentar melhores visuais. Aqui os vídeos possuem uma qualidade melhor, mas não superior à versão 3DO.

Portanto este Night Trap apesar de ser um jogo que envelheceu mal tal como a maioria dos jogos baseados em full motion video seus contemporâneos, na verdade até tinha algumas ideias originais nas suas mecãnicas de jogo. Acho que se não houvessem tantos Augers para capturar e nos dessem mais tempo para apreciar as histórias à volta dos personagens principais até seria mais interessante! De resto, se o quiserem mesmo experimentar, aparentemente a Digital Pictures (ou o que resta deles) voltaram a relançar o jogo em 2017, ano que celebravam os 25 anos do lançamento original. Por acaso não cheguei a experimentar, nem sei se traz algumas novas funcionalidades, mas fica a dica. Outros jogos do seu reportório como o Corpse Killer ou o Double Switch foram também relançados.