Genji: Days of the Blade (Sony Playstation 3)

O Genji original da Playstation 2 foi uma das mais agradáveis surpresas que tive ao explorar a biblioteca da poderosa consola da Sony. Este era um interessante hack and slash com alguns elementos RPG, passado inteiramente num Japão feudal, com algumas mecânicas de jogo interessantes e, para 2005, já era um jogo bastante maduro a nível gráfico para a PS2. No ano seguinte, aproveitando o lançamento da sucessora Playstation 3, este Genji: Days of the Blade acabou por ser um jogo de lançamento da consola. Será talvez mais conhecido por todos os memes do giant enemy crab, que surgiram após a sua revelação na E3 de 2006. O meu exemplar veio da extinta New Game, algures em 2014, tendo-me custado menos de 5€.

Jogo com caixa e manual

No Genji anterior tínhamos como protagonistas a dupla de guerreiros Yoshitsune e Benkei, que representavam as forças de Genji numa batalha contra os Heishi que queriam controlar o Japão com punhos de ferro. A amahagane, umas esferas mágicas que conferiam aos guerreiros poderes especiais, era também um dos focos na história. Agora, com a maioria das forças Heishi derrotadas, tudo parecia estar bem, até que os mesmos voltam à carga, com um novo exército pumped up pela Mashogane, uma nova substância mágica que lhes conferiam super poderes. Yoshitsune e Benkei estão novamente de regresso, sendo que iremos também acabar por controlar duas outras personagens, a ninja Shizuka, que já tinha surgido no jogo anterior como o interesse amoroso de Yoshitsune, e um deus chamado Buson, que decide reencarnar no cadáver de um dos antagonistas do primeiro jogo, para nos auxiliar na luta contra as forças do mal.

Alguns inimigos, depois de derrotados, gentilmente nos deixam estas esferas de energia que nos regeneram parcialmente a barra de vida. Pena que mais lá para a frente isso deixe de acontecer.

No que diz respeito à jogabilidade, a primeira grande novidade é que, à medida que vamos desbloqueando os novos companheiros, podemos alternar entre eles livremente com recurso ao botão direccional. Cada personagem possui diferentes estilos de luta que serão úteis para defrontar alguns tipos de inimigos ou ultrapassar outros obstáculos. Yoshitsune é um guerreiro ágil equipado de 2 espadas, luta de forma ágil e graciosa mas também consegue correr em paredes o que será muito útil em algum segmentos de platforming. Benkei é uma força da natureza, sendo uma personagem lenta mas muito forte e pode também destruir alguns objectos do cenário, como portões e algumas paredes mais fracas. Shizuka é também uma personagem ágil, conseguindo saltar mais alto que Yoshitsune e usa láminas presas com correntes, possuindo ataques mais fracos, mas com longo alcance. Uma das suas outras habilidades é a de usar a sua arma como um gancho, permitindo-nos alcançar plataformas afastadas o suficiente para não as conseguirmos saltar. Já Buson, é também uma personagem ágil, talvez a melhor em evasão de ataques inimigos, mas o seu estilo de luta demora um pouco a habituar e não possui outras habilidades especiais.

O voice acting inglês é francamente mau, mas felizmente podemos ouvir o original japonês

O primeiro Genji tinha uma mecânica de jogo interessante onde, após encher uma barra de energia à medida que íamos atacando os inimigos, poderíamos desbloquear os Kamui, onde durante alguns seguindos, toda a acção à nossa volta se desencadeava em câmara lenta, permitindo-nos desencadear uma série de ataques rápidos e poderosos aos inimigos presentes. Aqui essa habilidade está novamente presente, embora de uma forma algo diferente. Quando a activamos, somos todos transportados para uma outra dimensão e os ataques que fazemos aos inimigos são desencadeados numa sequência rápida de QTEs. Não falhando as indicações dos botões a pressionar mantém-nos mais tempo com o Kamui activo e mais uma vez é uma óptima técnica a usar-se para enfrentar números mais avultados de inimigos, ou mesmo os bosses. Por outro lado, alguns inimigos também podem usar essa técnica contra nós, onde teremos mais alguns QTEs que se forem bem sucedidos permitem-nos defender dos golpes e contra-atacar de seguida.

Shizuka consegue usar a sua arma como gancho, permitindo-nos alcançar algumas plataformas longínquas, assim como o Link em alguns Legend of Zelda

As influências de RPG estão mais uma vez presentes na medida em que poderemos melhorar os atributos de cada personagem e das suas armas. Para os primeiros, temos de encontrar as “essências de Amahagane”, escondidas ao longo dos níveis. Sempre que passamos nalgum local e a esfera Amahagane da personagem escolhida começar a brilhar, é porque há uma essência da Amahagane escondida algures. Temos de ir varrendo a área à nossa volta com ataques até finalmente a encontrar. Com estas poderemos aumentar a barra de vida ou de Kamui de cada personagem. Para evoluir as armas, temos de usar o Mashogane, que absorvemos ao derrotar os inimigos com uma cor púrpura brilhante. Ao longo do jogo, à medida que vamos abrindo baús e destruindo outros objectos como taças e ãnforas espalhadas pelos cenários, também poderemos ir coleccionando vários itens diferentes, desde itens regenerativos, outros que nos aumentam temporariamente atributos como ataque ou defesa, ou mesmo os raríssimos Unsullied Amahagane, que fazem upgrade às barras de vida e kamui a todas as personagens em simultâneo.

Podemos melhorar os pontos de vida, kamui bem como as armas de cada personagem.

Para terminar a parte das mecânicas de jogo, deixem-me só fazer um pequeno parêntesis aos controlos. Os botões direccionais servem para irmos alternando entre as personagens disponíveis, com os botões faciais a servirem para saltar, ou despoletar diferentes tipos de golpes. Os de cabeceira servem para outras acções como bloquear, trocar de arma ou activar o kamui. O analógico esquerdo serve para mover a personagem, já o direito permite-nos desviar e evadir dos ataques na direcção pretendida. Não temos como controlar a câmara, pelo que temos de assumir que o jogo irá controlar a cãmara de forma dinâmica. Bom, esse é um dos maiores problemas deste Genji, sem dúvida o que recebeu mais críticas. A cãmara é dinâmica sim, mas muitas vezes, principalmente em zonas mais fechadas, a câmara posiciona-se de uma maneira em que nem sequer conseguimos ver os inimigos à nossa frente. Num jogo deste calibre, onde temos de estar atentos às suas movimentações e bloquear/evadir/atacar em timings certos, não poder ver o que estamos a fazer é uma grande porcaria.

O Kamui leva-nos desta vez a uma outra dimensão, e agora com QTEs!

No que diz respeito aos audiovisuais, contem uma vez mais com uma mistura de níveis passados na natureza, principalmente em montanhas ou cavernas, bem como outros passados em grandes infrastruturas tradicionais japonesas, como o castelo dos Genji no início do jogo, uma grande batalha naval onde temos de saltar de barco em barco, ou mais uma ou outra fortaleza. Apesar de as personagens estarem bem detalhadas, já os cenários, especialmente os que não decorrem em paisagens naturais, deixaram algo a desejar. As texturas são demasiado simples e limpas, não sei bem explicar o porquê, mas sinceramente acho o primeiro Genji muito melhor conseguido no campo visual, até porque corre numa plataforma muito mais limitada. Talvez por a PS3 ser uma plataforma ainda muito recente quando jogo foi desenvolvido? Ou pela própria Game Republic não ter tido muito tempo para o desenvolver? Nota-se bem que é um jogo de primeira geração da PS3. No (longo) capítulo da batalha marítima podemos ver água a toda a nossa volta, e esta também não ficou lá muito next gen. Mas passando para o som, e começando pelo voice acting, se não alterarem nenhuma opção do jogo, está todo em inglês e com vozes horríveis, mas felizmente podemos alternar para a dublagem original em japonês, o que num jogo de tamanha influência nipónica é o que mais faz sentido. A banda sonora é também muito bizarra e bastante étnica. Como seria de esperar possui muitos motivos e instrumentação tradicional japonesa, mas temos também muita percursão e cânticos de guerra, quase tribais, ao longo de practicamente todo o jogo. É sem dúvida diferente.

Portanto este Genji acaba por ser um jogo que me deixa com sentimentos mistos. Por um lado continua a ser um hack and slash sólido, embora desta vez tenha sido ligeiramente mais influenciado pelas mecânicas de jogo de God of War, com os QTEs quando activamos o kamui. A possibilidade de alternar entre personagens com um simples toque de botão, assim como alternar entre armas pré-equipadas foi uma mecânica benvinda, pois escusamos de ter de abrir menus e quebrar o ritmo do jogo para isso, no entanto a câmara deixa mesmo muito a desejar. A nível audiovisual recomendo vivamente que mudem para o voice acting nipónico e, apesar de ser um jogo muito limpinho, continuo a preferir o primeiro Genji no aspecto gráfico também.

MDK (PC / Sony Playstation)

Das memórias que tenho ao ver o saudoso Templo dos Jogos durante a minha infância, um dos jogos que mais me marcou ao ver o seu gameplay era justamente este MDK, principalmente pela bizarrice das suas personagens e inimigos. Tendo sido produzido pela Shiny Entertainment, os mesmos que nos trouxeram Earthworm Jim, o facto de ser um jogo bizarro (e como vim mais tarde a descobrir, também tem um sentido de humor peculiar), não é propriamente de estranhar. Mas sendo um jogo tão negro, não era habitual tendo em conta o que eles tinham produzido até à altura. Bom, de qualquer das formas, apesar de ter sido um jogo que ficou bem guardado na minha memória devido ao tal programa televisivo, a verdade é que nunca me tinha passado pelas mãos ao longo de todos estes anos. Eventualmente, perto do final de 2016, lá me apareceu uma versão da PS1, sinceramente já não me lembro onde ou quanto custou, mas certamente não terá sido cara.

Jogo com caixa, manual e papelada

Então mas qual é o conceito deste jogo? A história anda à volta do inventor/cientista Fluke Hawkings, que observa um fenómeno estranho no espaço e decide construir uma estação espacial que orbita a Terra para o investigar. Para não estar sozinho no espaço, convence o seu empregado, o “faz tudo” Kurt Hectic a acompanhá-lo, e, já no espaço, cria também um cão cyborg de seis patas chamado Max/Bones. Eventualmente lá descobre que o tal fenómeno estranho que tinha observado é na verdade uma invasão alienígena que está prestes a decorrer na Terra, onde os aliens enviam naves gigantes para atacar as grandes cidades e consumir os recursos naturais do planeta. O doutor decide então enviar Kurt para ajudar a combater a ameaça e é aí que entramos em jogo.

Este paára-quedas todo estiloso pode ser usado a qualquer altura, o que nos deixa no ar mais tempo e é muito útil nos segmentos de platforming.

Comecei precisamente por jogar a versão da Playstation que, apesar de ser uma conversão sólida tendo em conta as limitações da consola, mais tarde apercebi-me que tinha na minha conta GOG uma cópia digital da versão PC, provavelmente oferecida algures no tempo e troquei logo de versão. Ainda bem que o fiz, até porque podemos customizar os controlos para um esquema WASD + rato, muito próximo dos jogos modernos, o que faz toda a diferença aqui. Em cada nível temos uma nave gigante para atacar, onde começamos por cair em queda livre desde a estação espacial atè à base em questão. Aqui apenas temos de nos preocupar em desviar dos radares e mísseis inimigos bem como, se possível, ir apanhando os itens que o doutor nos vai largando. A certa altura Kurt abre o seu páraquedas estiloso e entramos na base. Aqui o jogo assume-se mais como um shooter na terceira pessoa, embora a um ritmo frenético e com imensas armas e habilidades a ter em conta. Ocasionalmente teremos até alguns momentos de platforming, pelo que temos de saltar de plataforma em plataforma, podendo abrir o pára-quedas no momento do salto, que nos permite planar suavemente pelo ar e conseguir saltar distâncias maiores.

Conseguimos saber quanto nos falta para destruir certos inimigos pela sua barra de vida.

Mas no que diz respeito ao combate, a arma principal de Kurt, que está embutida no seu braço, possui munições básicas ilimitadas, embora possamos apanhar outras munições mais potentes ou diferentes tipos de bombas e granadas que podemos atirar livremente. Aqui começamos logo a ver o sentido de humor do jogo, pois umas das bombas chama-se “The World’s Smallest Nuke“, servindo principalmente para explodir com algumas portas, já outra é chamada “The World’s Most Interesting Bomb“, atraindo todos os inimigos para a sua proximidade, onde a poderemos depois detonar. Mas Kurt também pode desligar a sua arma do braço e ligá-la ao seu capacete, onde activamos o muito interessante sniper mode. Aqui podemos fazer zoom até 100x, bem como equipar a arma com diferentes tipos de munições (todas em número limitado), desde as balas normais de uma arma sniper, passando por outras mais chiques, como mísseis teleguiados ou morteiros que seguem trajectórias parabólicas. A visão do modo sniper possui também em cima 3 câmaras que seguem os projécteis que disparamos, o que é um toque interessante. Um dos itens que podemos apanhar permite-nos chamar o Max, que conduz a sua própria nave, para um ataque aéreo a uma zona que designamos previamente, precisamente com recurso ao modo sniper. Isto muitos anos antes dos Call of Duty e Battlefields! Para além de tudo isso há outras pequenas coisas que o jogo nos vai atirando ocasionalmente, como subir a bordo de um pequeno avião e bombardear os inimigos que estão no chão, ou atravessar certas zonas de um certo nível a fazer snowboard, por exemplo.

O modo sniper, muito original não só a nível de jogabilidade mas também artisticamente.

Já do ponto de vista técnico este é um jogo igualmente interessante, pois foi lançado numa altura de pioneirismo de jogos de acção completamente em 3D. E ora acima de tudo a Shiny queria um jogo bastante fluído, e com o facto de ser possível ampliar o cenário em 100x com recurso ao modo sniper, isto significa que o jogo tem de estar constantemente a renderizar uma grande percentagem do cenário, principalmente em zonas mais abertas, enquanto muitos outros jogos contemporâneos usavam o pop-in dos polígonos a uma certa distância ou então tentavam mascarar o mesmo com recurso a efeitos de nevoeiro. Aqui não temos nada disso, pelo que para manter sempre uma boa performance (e inicialmente o jogo saiu sem qualquer suporte a placas aceleradoras 3D!) o detalhe das texturas e número de polígonos teve de ser de certa forma sacrificado. Por isso as texturas são muito simples e de baixa resolução e detalhe, mesmo quando comparado com outros jogos de acção da época e muitas vezes o jogo utiliza o seu próprio estilo artístico em vantagem, com muitos polígonos a não possuirem texturas sequer, sendo inteiramente negros (o que resulta bem em zonas mais escuras), ou de outras cores. O próprio protagonista é uma sprite em 2D,  se bem que muito bem detalhada e animada, algo que a Shiny, especialmente alguns dos seus funcionários mais séniores já bem nos habituaram em clássicos como Aladdin ou Earthworm Jim. Exepto na fase inicial de cada nível onde caímos em queda livre até chegar à base alienígena e na fase final onde acontece o reverso, aí Kurt já possui um modelo em 3D poligonal. Os inimigos são no entanto completamente em 3D, se bem que com pouco detalhe.

Artisticamente este é mesmo um jogo muito original e bizarro. Adoro!

Mas tirando a conversa mais técnica, sinceramente este é daqueles jogos onde é mesmo uma pena que os seus direitos já tenham dado muitas voltas. Adoraria ver a equipa original a pegar novamente neste jogo e fazer um remake a sério. Isto porque a nível artístico, é um jogo tão bizarro, no entanto tão bem conseguido, que ver este mundo com a qualidade gráfica que merece seria mesmo muito interessante. Já NO QUE DIZ RESPEITO ÀS MUSICAS

Falando um pouco da versão Playstation (que foi convertida pela Neversoft, os mesmos do Tony Hawk), apenas joguei as 2 primeiras missões e, naturalmente que prefiro a versão PC. Não só por os controlos serem melhores (dá para configurar um setup WASD + rato parecido aos shooters actuais), mas a nível gráfico esta versão é mais pobre. Não que seja muito mais pobre pois ainda podemos fazer zoom a altas distâncias, mas as texturas e modelos poligonais são ainda mais primitivos em contrapartida. Mas não deixa de ser um jogo divertido, atenção! Se bem que os controlos também não são os mais adequados…

Tenho pena que estes ecrãs da base dos heróis não sejam cutscenes. Certamente seriam bastante cómicas!

De qualquer das formas volto a reiterar que fiquei agradavelmente surpreendido por este MDK. A impressão que sempre tive do jogo desde novo é que era algo sombrio e bizarro, talvez influenciado pela arte de H.R. Giger, em certos pontos. E de certa forma se calhar até é, mas a partir do momento em que leio o manual e vejo toda aquela paródia entre as personagens, e mesmo alguns bons momentos de humor ao longo do jogo propriamente dito, já deu para entender que não é tão sombrio assim, pelo que um remake em condições seria mesmo uma óptima notícia.

 

DecapAttack (Sega Mega Drive)

Depois do Psycho Fox da Master System, a Vic-Tokai desenvolveu um outro jogo de plataformas, agora para a Mega Drive, com a mesma jogabilidade base, ou seja o seu platforming algo escorregadio, devido à inércia que vamos ganhando à medida que aceleramos. O jogo foi originalmente lançado no Japão como uma adaptação do anime Magical Hat, que sinceramente nunca ouvi falar. Talvez por isso a Sega tenha decidido em alterar completamente o jogo quando o trouxe para o ocidente e o resultado foi este DecapAttack. O meu exemplar veio do Reino Unido no final do ano passado, custou-me umas 14 libras se bem me recordo.

Jogo com caixa e manual

O protagonista principal é uma múmia sem cabeça (Chuck D. Head), se bem que possui um rosto no seu torso. Somos uma criação do Dr. Frank. N. Stein, que nos traz à vida para combater um vilão qualquer, que decide separar os territórios da ilha onde nos encontramos. Ilha essa que tem a forma de um esqueleto, onde cada conjunto de níveis decorre numa parte do corpo desse esqueleto? Já estão confusos? As coisas não fazem muito sentido neste jogo, é verdade.

Chuck pode não ter uma cabeça, mas a cara que tem no seu tronco é letal

Mas o que interessa reter é que no fundo este é um jogo de plataformas com algumas mecânicas básicas: um botão para saltar, outro para atacar. Podemos destruir os inimigos ao saltando em cima deles várias vezes seguidas, ou atacando-os com o botão respectivo. E como ataca o Chuck? Com a cara que tem implantada no seu torso, lançando-a contra os inimigos. À medida que vamos avançando nos níveis vemos algumas estátuas por lá espalhadas, estas podem e devem ser destruidas, pois  geralmente possuem vários itens e power ups, mas também podem ter armadilhas como abrigar fantasmas que acabaremos por libertar. O power up mais comum é uma caveira que assim que a apanharmos, fica agarrada ao corpo de Chuck e pode também ser usada como arma. Isto porque tendo a cabeça equipada, ao pressionar o botão de ataque, Chuck irá atirar a sua cabeça para a frente, sendo que alguns segundos depois ela volta ao nosso corpo. Algo interessante a reter é que mesmo que tenhamos falhado o alvo, a cabeça fica no chão por alguns segundos, causando dano a todos os inimigos que lhe toquem. Talvez porque lhes esteja a morder??? No entanto basta sofrer dano uma vez que perdemos a cabeça irremediavelmente, tendo de procurar outra.

Esta é a estranha ilha de Chuck que temos de voltar a reunir

Os restantes itens que poderemos apanhar podem ser vidas extra, corações que nos restabelecem ou extendem a nossa barra de vida, moedas que nos dão direito a começar o nível de bónus ou então diferentes poções mágicas que vão para um inventário. E é aqui que entra o terceiro botão facial do comando da Mega Drive, para aceder ao inventário e usar as poções que vamos encontrando. Estas podem-nos dar invencibilidade, destruir todos os inimigos presentes no ecrã, outras tornam-nos mais rápidos, etc. Os efeitos de cada poção duram tipicamente 10 segundos, pelo que as devemos usar nos momentos de maior aperto. Por sua vez, os níveis de bónus que falei são muito simples. Temos 5 caminhos para escolher, onde desses 5 caminhos alguns dão recompensas, outros não dão nada. Por cada moeda que coleccionamos num nível podemos colocar um Chuck num desses caminhos. O seu progresso até ao topo não é linear, pelo que é uma questão de sorte mesmo. No entanto, se forem minuciosos a explorarem os níveis, podemos apanhar sempre 5 moedas, o que nos garante conseguir todos os bónus nestes níveis. De resto, ainda na jogabilidade, uma outra das mecânicas estranhas neste jogo é o facto de depois de saltarmos, se continuarmos a pressionar o mesmo botão de salto, vemos o Chuck a dar às pernas no ar, o que vai suavizando a sua queda e nos permite mais tempo no ar. Alguns níveis possuem alguns maiores desafios de platforming onde temos de usar bem esta técnica, entre outras.

No final de cada mundo temos sempre um boss para defrontar

No que diz respeito aos audiovisuais, há uma temática do horror que nos vai acompanhando ao longo de todo o jogo, mas sempre com um design mais cartoon, como se estivéssemos a ver um episódio de animação da série Addams Family. Isto é especialmente verdade na banda sonora, que é bastante agradável e as músicas têm sempre um certo factor assombroso nas suas melodias. Graficamente é um jogo interessante dentro das limitações da Mega Drive, com inimigos também bem detalhados, pelo menos no que diz respeito aos seus desenhos mais cartoony. Já os níveis em si, não há propriamente um grande fio condutor que os distinga bem uns dos outros, o que é pena. Pelo que vi do Magical Hat, a tal versão original japonesa sobre um anime que nunca tinha ouvido falar, parecia-me estar bem mais colorida e coesa neste aspecto. Os efeitos sonoros, porém, esses infelizmente já os achei muito irritantes.

Portanto este DecapAttack até que é um jogo de plataformas muito bizarro, no entanto divertido e desafiante. A ideia de apanharmos os power ups e usá-los apenas quando realmente precisarmos deles faz sentido, mas confesso que estava à espera de ver algumas mecânicas de jogo diferentes. Por exemplo, creio que seria mais interessante se o Chuck pudesse equipar diferentes cabeças, cada qual com diferentes poderes ou habilidades.

Lemmings and Oh No! More Lemmings (Sony Playstation)

Depois de ter analisado com algum detalhe a versão Mega Drive do Lemmings, é tempo para mais uma rapidinha, trazendo cá agora a versão Playstation do mesmo jogo. A nível gráfico, esta versão é mais fiel ao original Commodore Amiga, com os níveis mais longos que  foram retirados ou modificados na versão Mega Drive a marcarem aqui a sua presença. Para além disso inclui também a expansão Oh No! More Lemmings, uma de muitas que foram lançadas originalmente para o Commodore Amiga. O meu exemplar foi comprado em Janeiro de 2018 na feira da Vandoma no Porto por 4€.

Jogo com caixa e manual

Temos ao todo mais de 200 níveis pela frente em diversos graus de dificuldade, onde tal como antes, o objectivo de cada nível é o de guiar os lemmings em segurança para a saída de cada nível. O número mínimo de lemmings que temos de salvar, o tempo limite, bem como as habilidades que poderemos usar vão diferindo de nível para nível, sendo cada vez mais restringidos em níveis de dificuldade superiores, tanto na conversão do Lemmings original quanto da sua expansão/sequela. O Oh No! More Lemmings traz então uma série de níveis novos, distribuídos em 5 graus de dificuldade distintos, desde os fáceis Tame, até aos Havoc. A nível de mecânicas de jogo tudo está aqui presente, e uma vez mais alguns níveis exigem uma precisão practicamente pixel perfect para activar as habilidades de forma a chegar à sua conclusão, pelo que esperem na mesma por alguns níveis bastante frustrantes. A expansão/sequela não inclui nenhumas novas habilidades, possuindo apenas gráficos algo distintos.

Os níveis mais longos que ficaram de fora de algumas conversões para plataformas mais limitadas estão aqui presentes.

A nível audiovisual, esta é uma conversão muito mais fiel aos originais do ponto de vista gráfico, o que por um lado é bom, por outro também poderíamos estar à espera de cenários mais detalhados pois a Playstation já é um hardware que teria bem mais capacidade para tal. Ainda assim, mesmo tendo mais de 200 níveis pela frente, nem todos os níveis de ambos os jogos estão aqui presentes, o que sinceramente não se entende muito bem o porquê. Se cabiam num par de disquetes no Commodore Amiga, 650MB num CD não seriam suficientes? É verdade que temos algumas cutscenes em CGI ocasionalmente, bem como toda a banda sonora em CD audio, mas mesmo assim acredito que haveria espaço suficiente para mais níveis, não?

Esta versão possui algumas cutscenes em CGI mas não esperem por nada de espectacular

Portanto esta conversão do Lemmings, apesar de não ser perfeita, é mais uma sólida conversão do clássico da Psygnosis/DMA Design. O facto de ter sido lançada num sistema mais acessível nos dias de hoje, incluir o Oh No! More Lemmings e possuir quase todo o seu conteúdo original, são pontos decididamente fortes. Esperaria no entanto que esta versão tivesse sofrido alguns melhoramentos a nível gráfico, mas tivemos de esperar até 2006 para que isso acontecesse. Na PSP e PS2.

Lemmings (Sega Mega Drive)

Desenvolvido pela mesma equipa que veio mais tarde criar a série Grand Theft Auto, Lemmings é um muito interessante jogo de puzzle lançado originalmente em 1991 através da Psygnosis para uma série de computadores como o Commodore Amiga. Acabou por ser convertido para inúmeras outras plataformas, com a versão Mega Drive (e Super Nintendo também) a ser convertida nada mais nada menos do que o braço nipónico da Sunsoft. O meu exemplar foi adquirido em duas fases: numa primeira comprei a caixa e manual por uns 2/3€, já há vários anos atrás numa das minhas idas à feira da Vandoma no Porto. Andei depois muito tempo a ver se encontrava um cartucho solto, algo que acabou por acontecer algures em Abril do ano passado, cujo acabou por me ser oferecido por um particular.

Jogo com caixa e manual

Ora então qual é o conceito deste Lemmings? Estas criaturas são roedores que vivem já perto do Árctico e ficaram muito conhecidos pelas suas suas concentrações em grande número e supostas tendências suicidas, ao serem filmados a atirarem-se de penhascos. Pelos vistos não são suicidas, mas também não sou especialista na espécie, de qualquer das formas a DMA design achou boa ideia desenvolver um jogo à volta desse conceito. Basicamente o que aqui teremos são dezenas de níveis cheios de obstáculos onde teremos de encaminhar um determinado número de Lemmings até á saída do mesmo. Para isso teremos ao nosso dispor uma série de habilidades que podemos assignar individualmente aos Lemmings que vão caindo de um alçapão. Mas quais as habilidades que temos disponíveis, bem como o número de vezes que as podemos assignar é também variável consoante o nível em questão, pelo que teremos de ser por vezes muito criativos e ocasionalmente, sacrificar alguns lemmings acaba memso por ser inevitável.

Em cada nível temos uma quota mínima de lemmings a salvar

Isto porque os Lemmings vão caindo de um alçapão (cujo spawn rate poderemos ajustar) e a partir do momento em que caem em segurança numa superfície começam imediatamente a andar para a direita. Caso embatam numa parede, mudam de direcção e por aí fora. Então teremos de ter cuidado com precipícios, poças de água, chamas, espinhos e outras armadilhas escondidas que iremos encontrar à medida que vamos experimentando os níveis. Com os números de lemmings sempre a aumentar, temos de garantir que “a manada” vai sendo encaminhada com segurança, quando temos alguns lemmings escolhidos por nós para ir abrindo caminho até à saída, usando para isso as habilidades que podemos escolher. Estas consistem em assignar um guarda-chuva que serve de pára-quedas, permitindo ao lemming cair em segurança de alturas maiores, outra para escalar paredes, três habilidades para cavar superfícies, uma verticalmente, outra horizontalmente e uma outra de forma diagonal, sempre de cima para baixo. Outra das habilidades muito úteis é a de construir pequenas escadas de 12 degraus, o que servirá para construir pontes ou escadarias. Temos ainda a possibilidade de assignar lemmings “bloqueadores”, servindo de paredes e por conseguinte fazendo com que os outros lemmings mudem de direcção assim que entrem em contacto. A última habilidade disponível é a de activar lemmings bombistas suicidas, que explodem ao fim de 5 segundos. Qual a utilidade disto a não ser para satisfazer o sadismo do jogador? Bom, o lemming ao explodir rebenta também com parte do cenário à sua volta, e por vezes não temos habilidades de escavação suficientes (ou nenhumas de todo!) para conseguir abrir caminho onde necessário, pelo que sacrificar alguns dos pobres roedores é mesmo a única opção.

Temos de ter em atenção que os lemmings nunca param, pelo que temos de arranjar forma de os encaminhar na direcção correcta

Portanto resumindo, em cada nível temos um determinado número de lemmings disponíveis, cuja taxa de “nascimento” pode ser algo controlada, e onde teremos de levar pelo menos uma determinada percentagem de lemmings até à saída do nível, dentro de um tempo limite também previamente estabelecido. Em cada nível também teremos uma série de habilidades que estamos autorizados a usar, bem como o número de vezes que podemos usar cada uma. Ao longo dos níveis temos de atravessar vários obstáculos como precipícios, escavar túneis ou pontes, sendo que os lemmings não páram de nascer e estão em constante movimento. Para além disso, existem superfícies impenetráveis e outras que apenas nos permitem escavar numa certa direcçao. Portanto, pegando em toda esta informação, o resultado é um jogo de puzzle muito interessante e desafiante, que nos obriga a ter reflexos rápidos e planear minuciosamente o que podemos fazer tendo em conta os recursos disponíveis. Para além deste extenso modo single player, o jogo oferece também a possibilidade de jogarmos com um amigo num modo multiplayer competitivo. Aqui cada jogador pode comandar apenas os lemmings correspondentes à sua cor, mas o objectivo é o de abrir caminhos e tentar encaminhar o maior número possível de lemmings para a sua saída, mesmo que sejam criaturas do outro jogador. Confesso que não perdi muito tempo com este modo de jogo, mas acredito que tenha sido bastante divertido para a altura.

O modo multiplayer tem pinta de ser viciante!

Temos ao todo no modo single player 180 níveis para completar, ao longo de 6 diferentes níveis de dificuldade, é muita coisa mas felizmente dão-nos uma password após completar cada nível. O original possuía 4 níveis de dificuldade, com 120 níveis ao todo. Aqui a conversão é mais ou menos fiel, com alguns níveis modificados, aparentemente aqueles que eram maiores nas versões Amiga e PC foram substituídos por níveis mais curtos ou até retirados da expansão Oh No! More Lemmings, como li por aí. De qualquer das formas, 180 níveis é muita coisa, pois alguns são mesmo muito desafiantes, obrigando-nos a timings muito precisos e uma gestão impecável de recursos.

No que diz respeito aos audiovisuais, a nível gráfico é um jogo muito simples. Os níveis em si vão sendo algo variados nas suas temáticas (incluindo alguns mais infernais certamente inspirados em Shadow of the Beast), mas a implementação da Mega Drive acaba por sofrer alguns cortes no detalhe dos lemmings e as cores dos níveis, que são um pouco mais deslavadas nesta versão. As músicas são um prato misto, desde interpretações de alguns temas clássicos como Mozart ou Tchaikovsky, passando por músicas bem mais alegres e mexidas, típicas da comunidade Amiga. Já no que diz respeito aos efeitos de som, estes são quase inexistentes nas definições por defeito das opções. Isto porque podemos jogar com música e efeitos sonoros limitados, desligar a música e melhorar a qualidade e número de efeitos sonoros, ou desligar tudo.

As skills que podemos assignar vão sendo muito mais limitadas em níveis de dificuldade mais elevados

Mas mesmo com estas limitações técnicas, o que interessa da jogabilidade continua aqui presente, sendo esta, na altura, uma conversão bastante sólida do clássico original. Mas o Lemmings continuou a ser convertido para inúmeras plataformas, incluindo a versão Playstation que para além dos níveis originais, inclui também toda a expansão “Oh No! More Lemmings“. Ou um remake completo lançado em 2006 para a PSP e PS2 também poderão ser alternativas bem válidas. No que diz respeito às consolas da Sega, a Master System e Game Gear receberam também conversões, que acabam por ser muito mais humildes.