Genji: Days of the Blade (Sony Playstation 3)

O Genji original da Playstation 2 foi uma das mais agradáveis surpresas que tive ao explorar a biblioteca da poderosa consola da Sony. Este era um interessante hack and slash com alguns elementos RPG, passado inteiramente num Japão feudal, com algumas mecânicas de jogo interessantes e, para 2005, já era um jogo bastante maduro a nível gráfico para a PS2. No ano seguinte, aproveitando o lançamento da sucessora Playstation 3, este Genji: Days of the Blade acabou por ser um jogo de lançamento da consola. Será talvez mais conhecido por todos os memes do giant enemy crab, que surgiram após a sua revelação na E3 de 2006. O meu exemplar veio da extinta New Game, algures em 2014, tendo-me custado menos de 5€.

Jogo com caixa e manual

No Genji anterior tínhamos como protagonistas a dupla de guerreiros Yoshitsune e Benkei, que representavam as forças de Genji numa batalha contra os Heishi que queriam controlar o Japão com punhos de ferro. A amahagane, umas esferas mágicas que conferiam aos guerreiros poderes especiais, era também um dos focos na história. Agora, com a maioria das forças Heishi derrotadas, tudo parecia estar bem, até que os mesmos voltam à carga, com um novo exército pumped up pela Mashogane, uma nova substância mágica que lhes conferiam super poderes. Yoshitsune e Benkei estão novamente de regresso, sendo que iremos também acabar por controlar duas outras personagens, a ninja Shizuka, que já tinha surgido no jogo anterior como o interesse amoroso de Yoshitsune, e um deus chamado Buson, que decide reencarnar no cadáver de um dos antagonistas do primeiro jogo, para nos auxiliar na luta contra as forças do mal.

Alguns inimigos, depois de derrotados, gentilmente nos deixam estas esferas de energia que nos regeneram parcialmente a barra de vida. Pena que mais lá para a frente isso deixe de acontecer.

No que diz respeito à jogabilidade, a primeira grande novidade é que, à medida que vamos desbloqueando os novos companheiros, podemos alternar entre eles livremente com recurso ao botão direccional. Cada personagem possui diferentes estilos de luta que serão úteis para defrontar alguns tipos de inimigos ou ultrapassar outros obstáculos. Yoshitsune é um guerreiro ágil equipado de 2 espadas, luta de forma ágil e graciosa mas também consegue correr em paredes o que será muito útil em algum segmentos de platforming. Benkei é uma força da natureza, sendo uma personagem lenta mas muito forte e pode também destruir alguns objectos do cenário, como portões e algumas paredes mais fracas. Shizuka é também uma personagem ágil, conseguindo saltar mais alto que Yoshitsune e usa láminas presas com correntes, possuindo ataques mais fracos, mas com longo alcance. Uma das suas outras habilidades é a de usar a sua arma como um gancho, permitindo-nos alcançar plataformas afastadas o suficiente para não as conseguirmos saltar. Já Buson, é também uma personagem ágil, talvez a melhor em evasão de ataques inimigos, mas o seu estilo de luta demora um pouco a habituar e não possui outras habilidades especiais.

O voice acting inglês é francamente mau, mas felizmente podemos ouvir o original japonês

O primeiro Genji tinha uma mecânica de jogo interessante onde, após encher uma barra de energia à medida que íamos atacando os inimigos, poderíamos desbloquear os Kamui, onde durante alguns seguindos, toda a acção à nossa volta se desencadeava em câmara lenta, permitindo-nos desencadear uma série de ataques rápidos e poderosos aos inimigos presentes. Aqui essa habilidade está novamente presente, embora de uma forma algo diferente. Quando a activamos, somos todos transportados para uma outra dimensão e os ataques que fazemos aos inimigos são desencadeados numa sequência rápida de QTEs. Não falhando as indicações dos botões a pressionar mantém-nos mais tempo com o Kamui activo e mais uma vez é uma óptima técnica a usar-se para enfrentar números mais avultados de inimigos, ou mesmo os bosses. Por outro lado, alguns inimigos também podem usar essa técnica contra nós, onde teremos mais alguns QTEs que se forem bem sucedidos permitem-nos defender dos golpes e contra-atacar de seguida.

Shizuka consegue usar a sua arma como gancho, permitindo-nos alcançar algumas plataformas longínquas, assim como o Link em alguns Legend of Zelda

As influências de RPG estão mais uma vez presentes na medida em que poderemos melhorar os atributos de cada personagem e das suas armas. Para os primeiros, temos de encontrar as “essências de Amahagane”, escondidas ao longo dos níveis. Sempre que passamos nalgum local e a esfera Amahagane da personagem escolhida começar a brilhar, é porque há uma essência da Amahagane escondida algures. Temos de ir varrendo a área à nossa volta com ataques até finalmente a encontrar. Com estas poderemos aumentar a barra de vida ou de Kamui de cada personagem. Para evoluir as armas, temos de usar o Mashogane, que absorvemos ao derrotar os inimigos com uma cor púrpura brilhante. Ao longo do jogo, à medida que vamos abrindo baús e destruindo outros objectos como taças e ãnforas espalhadas pelos cenários, também poderemos ir coleccionando vários itens diferentes, desde itens regenerativos, outros que nos aumentam temporariamente atributos como ataque ou defesa, ou mesmo os raríssimos Unsullied Amahagane, que fazem upgrade às barras de vida e kamui a todas as personagens em simultâneo.

Podemos melhorar os pontos de vida, kamui bem como as armas de cada personagem.

Para terminar a parte das mecânicas de jogo, deixem-me só fazer um pequeno parêntesis aos controlos. Os botões direccionais servem para irmos alternando entre as personagens disponíveis, com os botões faciais a servirem para saltar, ou despoletar diferentes tipos de golpes. Os de cabeceira servem para outras acções como bloquear, trocar de arma ou activar o kamui. O analógico esquerdo serve para mover a personagem, já o direito permite-nos desviar e evadir dos ataques na direcção pretendida. Não temos como controlar a câmara, pelo que temos de assumir que o jogo irá controlar a cãmara de forma dinâmica. Bom, esse é um dos maiores problemas deste Genji, sem dúvida o que recebeu mais críticas. A cãmara é dinâmica sim, mas muitas vezes, principalmente em zonas mais fechadas, a câmara posiciona-se de uma maneira em que nem sequer conseguimos ver os inimigos à nossa frente. Num jogo deste calibre, onde temos de estar atentos às suas movimentações e bloquear/evadir/atacar em timings certos, não poder ver o que estamos a fazer é uma grande porcaria.

O Kamui leva-nos desta vez a uma outra dimensão, e agora com QTEs!

No que diz respeito aos audiovisuais, contem uma vez mais com uma mistura de níveis passados na natureza, principalmente em montanhas ou cavernas, bem como outros passados em grandes infrastruturas tradicionais japonesas, como o castelo dos Genji no início do jogo, uma grande batalha naval onde temos de saltar de barco em barco, ou mais uma ou outra fortaleza. Apesar de as personagens estarem bem detalhadas, já os cenários, especialmente os que não decorrem em paisagens naturais, deixaram algo a desejar. As texturas são demasiado simples e limpas, não sei bem explicar o porquê, mas sinceramente acho o primeiro Genji muito melhor conseguido no campo visual, até porque corre numa plataforma muito mais limitada. Talvez por a PS3 ser uma plataforma ainda muito recente quando jogo foi desenvolvido? Ou pela própria Game Republic não ter tido muito tempo para o desenvolver? Nota-se bem que é um jogo de primeira geração da PS3. No (longo) capítulo da batalha marítima podemos ver água a toda a nossa volta, e esta também não ficou lá muito next gen. Mas passando para o som, e começando pelo voice acting, se não alterarem nenhuma opção do jogo, está todo em inglês e com vozes horríveis, mas felizmente podemos alternar para a dublagem original em japonês, o que num jogo de tamanha influência nipónica é o que mais faz sentido. A banda sonora é também muito bizarra e bastante étnica. Como seria de esperar possui muitos motivos e instrumentação tradicional japonesa, mas temos também muita percursão e cânticos de guerra, quase tribais, ao longo de practicamente todo o jogo. É sem dúvida diferente.

Portanto este Genji acaba por ser um jogo que me deixa com sentimentos mistos. Por um lado continua a ser um hack and slash sólido, embora desta vez tenha sido ligeiramente mais influenciado pelas mecânicas de jogo de God of War, com os QTEs quando activamos o kamui. A possibilidade de alternar entre personagens com um simples toque de botão, assim como alternar entre armas pré-equipadas foi uma mecânica benvinda, pois escusamos de ter de abrir menus e quebrar o ritmo do jogo para isso, no entanto a câmara deixa mesmo muito a desejar. A nível audiovisual recomendo vivamente que mudem para o voice acting nipónico e, apesar de ser um jogo muito limpinho, continuo a preferir o primeiro Genji no aspecto gráfico também.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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