Hogs of War (Sony Playstation)

roduzido pela Infogrames Sheffield, o mesmo estúdio conhecido anteriormente por Gremlin Interactive, este Hogs of War é um divertidíssimo jogo de estratégia por turnos que sempre me passou um pouco ao lado pois eu achava que era um RTS. Na verdade, pensem neste jogo como um Worms, totalmente em 3D, mas com porcos militares em vez de minhocas, e um óptimo sentido de humor! O meu exemplar foi comprado algures em Setembro de 2018, numa das minhas idas à feira da Vandoma no Porto. Já não me recordo do preço mas foi certamente barato, menos de 5€.

Jogo com capa e manual, versão Best Of Infogrames que planeio substituir assim que houver oportunidade

O jogo é sem dúvida inspirado pela primeira Guerra Mundial, não só pelos uniformes das nações envolvidas no conflito, mas também por muitas das armas que poderemos utilizar, incluindo os bombardeamentos aéreos que podemos invocar, com bombas largadas por Zeppelins que sobrevoam os campos de batalha. No modo de campanha, começamos precisamente por escolher qual a nação que queremos representar: O Reino Unido está representado pelos Tommy’s Trotters, com uniformes verde escuro, a França pelos Garlic Grunts e uniformes azuis escuros, a Alemanha pelos Sow-A-Krauts e seus uniformes cinzentos, os Estados Unidos pelos Uncle Ham’s Hogs e seus uniformes azuis claros, a Rússia pelos Piggystroika e uniformes vermelhos e por fim o Japão pelos Sushi Swine e uniformes amarelos. E sim, o jogo está repleto de esteriótipos de diferentes nações, desde os nomes dos próprios soldados (o Japão tem um chamado Raw Fish) mas também pelos diálogos e pronúncias dos diferentes exércitos, com muitos americanos com sotaque sulista, ou Russos alcoolizados. Se o Hogs of War fosse um jogo recente, certamente iria ser muito criticado pelos paladinos do teclado que vemos hoje em dia, mas eu sinceramente não vejo nada de errado com aqueles esteriótipos, quando todos são usados com sentido de humor e não há nenhuma nação aqui representada que não os tenha!

Antes de começarmos a campanha temos direito a um tutorial extensivo que nos ensinam os controlos e as mecânicas base

Mas pronto, depois de termos escolhida a nação que queremos representar, somos levados a um campo de treino, onde aprenderemos os controlos do jogo. Uma vez passado, começamos a verdadeira campanha: todas as nações acima mencionadas procuram controlar as ilhas do arquipélago de Saustralasia, conhecidas pelas suas reservas naturais de lavagem, bastante cobiçadas por todas as nações suínas. E aqui vamos tendo um esquadrão de 5 porcos (mais 3 de reserva), que iremos gerir ao longo das mais de 2o missões que teremos de jogar no modo campanha, onde em cada uma conquistaremos território ocupado por forças inimigas. Inicialmente cada porco é um soldado raso, com pouca vida e um equipamento limitado a uma espingarda mais respectiva baioneta, ou granadas. Mas à medida que vamos avançando na campanha e também cumprindo objectivos secundários (como destruir artilharia inimiga) vamos sendo recompensados com os promotion points, que poderemos usar para evoluir as nossas tropas.

O maior desafio será mesmo calcular o ângulo e força necessária para a maior parte dos projécteis explosivos

De soldado raso poderemos depois especializar-nos em 4 ramos distintos, que irão influenciar o equipamento que cada soldado carrega ao iniciar cada missão. Teremos então os heavy weapons, onde poderemos vir a utilizar bazookas, morteiros ou lança chamas, os engineers, que vão mantendo um arsenal com vários tipos de explosivos e minas, para além de serem uma classe que consegue identificar a localização das minas em campos minados. A classe de espionage vai-nos dando sniper rifles, bombas de gás venenoso, a possibilidade de se camuflarem ou roubarem itens a soldados inimigos. Os espiões têm também a vantagem da sua posição não surgir no mini-mapa, pelo que teremos de a memorizar sempre que os vemos em movimento. Por fim temos a classe médica, cujo armamento, para além do arsenal básico dos soldados rasos, vai tendo vários itens para regenerar vida dos restantes soldados. Cada uma destas classes tem 3 níveis de patentes, com os pontos de vida a incrementar entre si e o armamento que carregam também. Mas depois todas estas opções de carreira convergem nas últimas duas patentes: os Commandos e Heroes, que vão buscar um bocadinho dos arsenais das classes anteriores, mais a possibilidade de nadar em corpos de água sem perder vida e usar jetpacks. A classe dos Heroes, sendo a mais avançada que podemos alcançar, é a que tem um máximo de pontos de vida e a única que possui no seu armamento base a possibilidade de chamar um raid aéreo. No entanto, ao longo do jogo vamos recebendo alguns air drops contendo munições especiais, ou mesmo medkits, que tanto podem ser apanhados e usados por nós, como pelos soldados inimigos.

No final de cada missão vamos recebendo promotion points de acordo com a nossa performance, que podem ser gastos ao promover as nossas tropas, adquirindo novas habilidades e mais pontos de vida.

Tal como nos Worms, as missões são jogadas por turnos, com cada turno a alternar entre soldados de facções diferentes. Aqui teremos alguns segundos para nos movimentarmos à vontade, apanhar pick-ups e finalmente atacar os adversários, que irá finalizar o nosso turno. Tal como no Worms também, atirar granadas, ou qualquer outro explosivo com uma trajectória parabólica será sempre algo tentativa-erro, pois teremos de não só escolher o ângulo, mas também a força do lançamento. E claro, podemos sempre atingir soldados da nossa equipa (sim, temos friendly fire) e mesmo quando conseguimos matar um soldado inimigo, temos de ter cuidado pois eles explodem depois de morrer, o que nos pode causar dano se estivermos muito próximos. De resto, para além do modo campanha, teremos também uma vertente multiplayer com algumas variações de deathmatch, mas confesso que não as experimentei.

Ocasionalmente lá teremos algumas cutscenes cheias de bom humor!

A nível audiovisual devo dizer que este é um título interessante. De um ponto meramente técnico, é um jogo simples, pois cada área de jogo é um mapa relativamente pequeno e com pouco detalhe gráfico, com algumas montanhas e terrenos distintos, algumas peças de artilharia ou outros edifícios básicos. Mas se os gráficos em si são simples e banais, é precisamente na apresentação, nas animações e falas repletas de um bom sentido de humor que este Hogs of War marca todos os seus pontos. Tal como referi anteriormente, é um jogo repleto de esteriótipos de todas as nações intervenientes, mas sempre com bom humor na minha opinião. Acho que se alguém se sentir ofendido com coisas tão banais e sem maldade, deve ser simplesmente uma pessoa muito triste. De resto, contem também com algumas cutscenes ocasionais repletas de bom humor, bem como inúmeras falas também bem humoradas, como já referi anteriormente.

Portanto, devo dizer que fiquei agradavelmente surpreendido com este Hogs of War. Na minha opinião um óptimo clone de Worms em 3D, muito antes de ter saído o primeiro Worms em 3D também! Para além da versão Playstation, o jogo tinha saído também no PC, cuja versão acabou por ser adaptada para correr em sistemas operativos mais recentes, estando disponível tanto no steam e GOG, mas confesso que não as conheço, nem sei se trazem algum extra face à versão PS1.

Super Kick Off (Sega Mega Drive)

Mais uma rapidinha a um jogo desportivo, desta vez à versão Mega Drive do Super Kick-Off, depois de já cá ter trazido as versões 8bit para a Master System e Game Gear. Curiosamente a versão Mega Drive já saiu quase 2 anos depois das versões 8bit, sendo um jogo já algo diferente e sem algumas das decisões estranhas que tinham tomado na versão 8bit, como a opção de escolher estrangeiros estar associada à linguagem escolhida do jogo. O meu exemplar foi comprado numa loja online algures durante o mês de Abril, tendo-me custado algo à volta dos 5€.

Jogo com caixa e manual

O jogo possui diversos modos de jogo como seria de esperar, mas a menos que já estejam familiarizados com as mecânicas de jogo da série Kick Off, recomendo vivamente que comecem pelo modo de treino, onde poderemos treinar a “simples” arte de controlar a bola, bem como algumas jogadas específicas, como centros ou a marcação de penalties. É que este Super Kick Off é daqueles jogos de futebol com a bola solta, ou seja é muito difícil mudar de direcção em controlo da bola. Basicamente temos de mudar de direcção apenas quando o jogador está em pleno contacto com a bola caso contrário mudamos nós de direcção e a bola continua a ir sozinha. Mesmo para passar, com o botão B, temos de o deixar pressionado perto da bola para a segurar, escolher a direcção do passe e só depois soltar o botão. É um jogo que exige portanto muita práctica e, apesar de por defeito a jogabilidade ser muito rápida, é possível tornar o jogo mais lento, o que será certamente uma ajuda.

As cores dos uniformes nem sempre batem certo…

De resto temos uma série de clubes internacionais (de entre as quais uma certa equipa da capital), algumas selecções nacionais, incluindo a portuguesa, mas também um maior foco na liga inglesa. Para além de partidas amigáveis poderemos também criar ligas ou diversos tipos de torneios com as equipas/selecções disponíveis. Poderemos editar as equipas, os seus jogadores e naturalmente, antes de cada partida, seleccionar a sua táctica e o 11 inicial. Outras opções como faltas, tipo de relvado ou condições metereológicas podem também ser ajustadas.

Graficamente é um jogo simples, com o jogo a possuir uma vista de cima, mas com os jogadores maiores e com mais detalhe do que o Sensible Soccer, por exemplo. A acompanhar as partidas temos também uma espécie de radar que mostra o posicionamento dos jogadores e da bola, sinceramente acho-o bastante distractivo, até porque não é fácil perceber onde está a bola, pois esta é um pequeno ponto branco nesse radar. O problema é que os jogadores de ambas as equipas são pontos negros e brancos, portanto a bola acaba por se confundir. A nível de audio, nada a apontar. Os efeitos sonoros não são nada do outro mundo mas também não são irritantes e as músicas até que são agradáveis.

Este radar estava de facto a tirar-me um pouco do sério

Portanto este Super Kick-Off, apesar de ser um jogo na minha opinião melhor idealizado do que as suas versões 8bit, não é certamente um jogo de futebol que irá agradar a toda a gente, pela sua jogabilidade muito particular e frenética. Mas experimentem se tiverem a oportunidade de o jogar e digam de vossa justiça, até porque hoje em dia perco muito pouco tempo com videojogos desportivos.

[GHZ] Backlogging 101 #04 – Abril 2020

Pois é malta, eu desde o início do ano, em virtude de ter mais tempo disponível, voltei a gravar com alguma regularidade no youtube mas acabei por me esquecer de anunciar aqui também. Basicamente a série de vídeos que estou a lançar agora incide nos jogos que fui jogando ao longo do mês, principalmente os que mais me marcaram. Todos tiveram também direito a um artigo aqui no blog, mas no vídeo falo deles de forma um pouco mais informal. Podem ver o último vídeo aqui:

Folklore (Sony Playstation 3)

Lançado originalmente em 2007, ainda nos primeiros tempos de vida da Playstation 3, este Folklore é um interessante action RPG produzido pela Games Republic e SCE Japan, que mistura conceitos de jogos de “coleccão de monstros” como Pokémon, com as mecânicas de jogo de um action RPG e uma história muito peculiar e interessante. O meu exemplar foi comprado algures em 2014 ou 2015, tendo vindo da Cash Converters de Alfragide. Lembro-me de ter sido bastante barato na altura, algo entre os 5 e 7.5€.

Jogo com caixa e manual

Como referi anteriormente, este Folklore possui uma história muito original, cuja acção decorre na pequena aldeia irlandesa de Doolin, onde os seus habitantes acreditam na existência de fadas e a possibilidade de comunicar com mortos. A cutscene inicial mostra-nos os 2 protagonistas: a jovem Ellen que recebe uma carta da sua suposta falecida mãe e que lhe pede para a visitar em Doolin, e Keats, editor de uma revista do sobrenatural e que recebe uma chamada alarmante de uma mulher que o implora que vá até Doolin, pois acredita correr risco de vida ao ser atacada por fadas. Quando ambos chegam à ilha, Ellen depara-se com uma mulher encostada na ponta de uma falésia, de costas voltadas para ela. Keats chega pouco depois e entretanto descobrem que essa senhora já estava morta. Chegando a noite, tanto Ellen como Keats ouvem uma voz que lhes indica para ir ao Pub local e, quando lá chegam, descobrem que o pub é habitado por halflives, criaturas meio fantasmagóricas que lhes falam do Netherworld, um mundo espiritual onde é possível entrar em contacto com os mortos, cujo portal de entrada é o monumento megalítico localizado nas imediações da aldeia. Determinados a descobrir mais sobre aquele mistério, ambos aventuram-se no mundo das fadas e ao longo do jogo iremos desvendar 17 anos de mistérios e outros assassinatos que envolvem todos os sobreviventes daquela aldeia.

Ao contrário de Ellen, os Folks de Keats não se materializam completamete, deixando-o mais vulnerável a sofrer dano

Os primeiros 5 capitulos podem ser jogados de forma alternada, tanto com Keats como com a Ellen, sendo que a partir do sexto capítulo, ambas as personagens têm de ter passado todos os capítulos anteriores para entrar na recta final do jogo. Já no que diz respeito à jogabilidade, apesar de existirem algumas diferenças entre Ellen e Keats, na base as mecânicas de jogo são semelhantes, andando todas à volta dos Folks, criaturas que encontraremos nos diversos reinos do Netherworld e que podemos capturar. Cada Folk possui diferentes ataques e afinidades elementais e poderemos ir equipando-os ao longo dos 4 botões faciais do comando da PS3. E como os capturamos? Ao absorver as suas almas. Basicamente depois de os atacarmos um pouco, as suas almas ficam a pairar sobre os seus corpos e com uma cor rosa/avermelhada. Depois teremos de pressionar no botão R1 e fazer um movimento vertical para cima com o comando da PS3. No entanto, alguns folks, especialmente os bosses e mini-bosses, são um pouco mais complexos na sua captura, exigindo diversos tipos de movimentos com o comando e durante algum tempo. Se em vez de os absorver continuamos a atacar, os folks morrem.

Podemos absorver os Folks depois de os atacar o suficiente, deixando-os temporariamente imóveis e com as suas almas de fora

Agora, que outras mecânicas de RPG temos aqui? Bom, Ellen e Keats ganham pontos de experiência por cada folk que absorvem, mas a cada nível que subam, isto traduz-se apenas num crescimento da sua barra de vida, afinal eles não atacam directamente os folks, mas sim através dos espíritos dos folks que absorvem e invocam nas batalhas. E estes também podem “evoluir”, não com pontos de experiência, mas ao cumprir uma série de objectivos único para cada folk e que podemos consultar a qualquer momento nos menus de pausa. Alguns folks exigem que absorvamos um certo número de folks idênticos, que lhes demos alguns itens específicos e que poderemos ir encontrando ao longo do jogo, ou simplesmente podem exigir que derrotemos um número de outros folks, indiscriminados, ou folks específicos. E aqui “derrotar outros folks” não é absorvê-los, é matá-los mesmo, não ganhando pontos de experiência nesse processo. Ao cumprir estes objectivos de cada folk, poderemos aumentar o seu poder de ataque, diminuir a quantidade de mana necessária para os invocar, entre outras melhorias.

No final de cada mundo temos sempre um boss, um Folklore para defrontar

No que diz respeito às diferenças entre Ellen e Keats, Ellen é a única que, ao invocar os folks, os materializa por completo, acabando também por servirem de escudos enquanto atacam. Para além disso, Ellen também poderá vir a encontrar diferentes roupas que lhe poderão dar protecções contra alguns tipos de dano elemental. Já Keats, os folks que invoca não se materializam completamente, aparecendo sempre como uma espécie de espectros, pelo que estará sempre mais desprotegido. No entanto é uma personagem mais ágil e, à medida que vamos absorvendo folks, iremos também preencher uma barra de energia que, uma vez cheia, nos permite transformar numa versão super poderosa e atacar bastante rápido, sem consumir mana, durante alguns segundos. De resto é isto! Não temos quaisquer lojas para comprar equipamento ou mantimentos. A única maneira de regenerar vida é ao tocar nos portais que iremos encontrar espalhados pelo Netherworld, ou ao apanhar itens que nos regenerem a vida, geralmente como drops dos folks, ou escondidos em cristais espalhados pelo Netherworld. Felizmente ao morrer não perdemos nenhum folk ou pontos de experiência amealhados deste o último save, simplesmente acordamos junto do portal mais próximo.

Muitas das cutscenes são apresentadas com sequências de imagens estáticas e diálogos com balões de banda desenhada

No que diz respeito aos audiovisuais, sinceramente gostei bastante do jogo, mais pela sua direcção artística e conceitos, do que propriamente pela qualidade dos gráficos e som em si. Por um lado vemos bem que este é um jogo lançado ainda no início de vida da PS3, com gráficos muito simples ainda, com pouca geometria e personagens pouco detalhadas. As cutscenes, temos algumas em CGI com voice acting, outras com o próprio motor gráfico do jogo, mas muitas delas com diálogos em painéis de banda desenhada, sem qualquer voice acting. O pouco voice acting que há é de qualidade, mas teremos muitas cutscenes completamente silenciosas e confesso que estava à espera de ouvir mais vozes. No entanto é inegável que o jogo possui uma direcção artística muito forte e isso é sem dúvida o que acaba por prevalecer. Conseguiram mesmo capturar a essência de uma pequena aldeia costeira irlandesa e os dólmens megalíticos, algumas crenças pagãs que são aqui abordadas, tudo contribuiu positivamente para a atmosfera misteriosa, por vezes sombria, mas certamente solitária que iremos encontrar ao explorar Doolin. Já o Netherworld, vai possuindo mundos algo distintos entre si. Temos as florestas onde habitam as fadas, a Warcadia, um mundo em eterno conflito, um palácio subaquático ou mesmo o próprio inferno (que por acaso aqui está representado de uma maneira bem soft). Já no que diz respeito ao som, devo dizer que gostei da banda sonora, com músicas de géneros variados mas sempre agradáveis. Por exemplo, desde músicas alegres e circenses enquanto exploramos o bonito mundo das fadas, enquanto em Doolin a nossa exploração é acompanhada de acordes melancólicos num jazz muito minimalista.

A misteriosa vila de Doolin está muito bem representada, sendo acompanhada de melodias jazz muito melancólicas e minimalistas

Portanto, este Folklore foi para mim uma agradável surpresa. Não é um jogo perfeito, está longe disso, pois algumas side quests são bastante frustrantes (especialmente quando temos de escoltar alguém) e algumas das mecâncias de motion controls também me irritaram um pouco. A história, apesar de ser contada a conta gotas, está muito bem conseguida e tenho pena que o jogo não tenha vendido bem o suficiente, pois acho que tinham aqui material para explorar melhor este universo.

Megaman ZX Advent (Nintendo DS)

Depois do lançamento do Megaman ZX para a Nintendo DS, a Capcom não perdeu muito tempo em produzir mais uma sequela, que, a nível de jogabilidade não difere muito do seu predecessor, o que não é nada mau pois tal como o Megaman ZX, este Advent também possui vários elementos de metroidvania, onde poderemos evoluir a nossa personagem ao absorver as habilidades dos bosses que vamos defrontando, bem como o grande foco na exploração, ao podermos revisitar áreas previamente exploradas para descobrir novos segredos. Na verdade, este é mais um dos exemplos de um jogo que já tinha jogado e terminado há vários anos atrás, através de um flashcart. Algures no Verão do ano passado acabei finalmente por arranjar uma cópia deste jogo, tendo sido comprada por 10€ a um outro coleccionador, mas só agora é que me lembrei de escrever algo sobre o jogo.

Jogo com caixa, manual e papelada, versão norte-americana

Ora este Megaman ZX Advent decorre algum tempo após os acontecimentos do jogo anterior, desta vez com uma dupla de diferentes protagonistas, a rapariga Ashe, ou o reploid Grey. Tal como no jogo anterior podemos jogar com uma personagem masculina ou feminina, sendo que desta vez ambas possuem backgrounds diferentes, mas fora a sua introdução, o seu progresso ao longo do restante jogo será muito semelhante. Aile ou Vent, os protagonistas do jogo anterior, também irão marcar a sua presença, dependendo da personagem escolhida. Mas a história aqui anda à volta uma vez mais dos biometals, entidades capazes de se fundir com humanos ou reploids, conferindo-lhes bastantes poderes. Ashe ou Grey irão-se fundir com o biometal model A logo no início do jogo, quando são atacados por mavericks, e eventualmente lá nos apercebemos que o model W, estará uma vez mais no centro da história, com os novos vilões a querem reactivá-lo para levar a cabo os seus planos de dominar o mundo.

Como é habitual teremos imensos bosses para defrontar

Como já referi acima, o jogo segue as mesmas mecânicas do seu predecessor, mas agora teremos ainda uma maior variedade de poderes para adquirir. Teremos então 8 pseudoroids para enfrentar e adquirir as suas formas e habilidades, mas também outros 5 reploids, outros Mega Man equipados com biometals, que também poderemos absorver as suas habilidades. Tipicamente Ashe ou Grey podem saltar entre paredes, dashing e usar as suas armas de fogo mas iremos amealhar outras habilidades bastante úteis como voar, abrandar o tempo à nossa volta durante alguns segundos, usar armas brancas à semelhança do Megaman Zero, destruir blocos que seriam previamente indestrutíveis,  entre muitas outras. Ou mesmo para dar novas funcções ao ecrã de baixo da Nintendo DS, que tipicamente apenas mostra informação do mapa ou servindo de atalho para alternarmos entre as diferentes formas que vamos desbloqueando. Poderemos então adquirir habilidades que mostram informação como a localização de tesouros escondidos, ou a barra de vida dos inimigos que vamos enfrentando, por exemplo.

Tal como na prequela, teremos vários NPCs para interagir e sidequests opcionais para cumprir

Ora e também como já referi acima, teremos também várias sidequests completamente opcionais para ir cumprindo, mas que também nos podem dar algumas recompensas valiosas como os sub tanks que são reservatórios de energia, ou itens que extendem a nossa barra de vida. Espalhados pelo mundo, e muitas vezes também em locais de difícil acesso, estão dezenas de data disks com curiosidades diversas para ir coleccionando. Para além de tudo isto, também poderemos desbloquear uma série de minijogos. O Gem Buster nunca joguei pois é multiplayer, mas parece-me ser um clone de Tetris, já o Survival Road é uma espécie de boss rush, onde teremos de enfrentar todos os bosses do jogo de forma consecutiva. O Quiz Advent, é uma espécie de concurso onde temos de adivinhar quais são os “pokémons” que vão aparecendo no ecrã, sinceramente não achei nada de especial. Por fim temos o MegaMan A (Ancient), este sim, um excelente mini-jogo! É basicamente uma homenagem aos Megaman das antigas, onde jogamos uma série de pequenos níveis, com um aspecto completamente 8bit e onde apenas podemos usar a pistola e o dash.

Ocasionalmente teremos algumas cutscenes anime, com voice acting, embora este seja horrível…

A nível gráfico devo dizer que mais uma vez não difere muito do jogo anterior, que por sua vez também não difere muito dos Megaman Zero da Gameboy Advance, que já possuíam gráficos em 2D bem detalhados para uma consola portátil. Os títulos da Nintendo DS possuem os cenários com mais algum detalhe, visto a consola correr numa resolução superior, mas se jogaram qualquer título anterior, então já dá para ter uma ideia do que contar aqui. Tanto temos cidades high-tech, como outras em ruínas, enormes zonas industriais, bem como outras mais naturais, como um mundo repleto de gelo, outros subaquáticos ou mesmo florestas e desertos. As músicas são também agradáveis tal como tem sido habitual. Agora a grande novidade está mesmo na inclusão de voice acting em inglês, pelo menos na maior parte das cutscenes mais relevantes. Temos bem mais vozes do que estava à espera num cartucho da Nintendo DS, embora infelizmente a qualidade do voice acting seja terrível. Talvez com os actores originais japoneses a coisa ficasse melhor, visto que todos os diálogos possuem legendas. Aparentemente a versão Europeia possui menos vozes, talvez por ter mais texto traduzido para outras línguas, e em circunstâncias normais eu ficaria satisfeito por a minha versão ser a norte americana, mas neste caso acreditem que não perdem nada de especial.

Um dos minijogos que podemos desbloquear é uma autêntica homenagem aos Megaman das antigas!

Portanto este Mega Man ZX Advent é mais um jogo sólido na já longínqua série dos Mega Man, embora sinceramente não acrescente nada de mais ao que já fizeram anteriormente. Terminando o jogo no modo hard vemos um final extendido que abre o pano para uma sequela, coisa que acabou por não acontecer pois a Capcom acabou por deixar de se focar nesta já longa franchise depois do lançamento digital do Mega Man 10. Talvez, com os lançamentos recentes do Mega Man 11 e compilações do Mega Man, Mega Man X e Zero/ZX (que incluem este ZX Advent!) a Capcom decida dar um novo fôlego à série. Veremos.