Folklore (Sony Playstation 3)

Lançado originalmente em 2007, ainda nos primeiros tempos de vida da Playstation 3, este Folklore é um interessante action RPG produzido pela Games Republic e SCE Japan, que mistura conceitos de jogos de “coleccão de monstros” como Pokémon, com as mecânicas de jogo de um action RPG e uma história muito peculiar e interessante. O meu exemplar foi comprado algures em 2014 ou 2015, tendo vindo da Cash Converters de Alfragide. Lembro-me de ter sido bastante barato na altura, algo entre os 5 e 7.5€.

Jogo com caixa e manual

Como referi anteriormente, este Folklore possui uma história muito original, cuja acção decorre na pequena aldeia irlandesa de Doolin, onde os seus habitantes acreditam na existência de fadas e a possibilidade de comunicar com mortos. A cutscene inicial mostra-nos os 2 protagonistas: a jovem Ellen que recebe uma carta da sua suposta falecida mãe e que lhe pede para a visitar em Doolin, e Keats, editor de uma revista do sobrenatural e que recebe uma chamada alarmante de uma mulher que o implora que vá até Doolin, pois acredita correr risco de vida ao ser atacada por fadas. Quando ambos chegam à ilha, Ellen depara-se com uma mulher encostada na ponta de uma falésia, de costas voltadas para ela. Keats chega pouco depois e entretanto descobrem que essa senhora já estava morta. Chegando a noite, tanto Ellen como Keats ouvem uma voz que lhes indica para ir ao Pub local e, quando lá chegam, descobrem que o pub é habitado por halflives, criaturas meio fantasmagóricas que lhes falam do Netherworld, um mundo espiritual onde é possível entrar em contacto com os mortos, cujo portal de entrada é o monumento megalítico localizado nas imediações da aldeia. Determinados a descobrir mais sobre aquele mistério, ambos aventuram-se no mundo das fadas e ao longo do jogo iremos desvendar 17 anos de mistérios e outros assassinatos que envolvem todos os sobreviventes daquela aldeia.

Ao contrário de Ellen, os Folks de Keats não se materializam completamete, deixando-o mais vulnerável a sofrer dano

Os primeiros 5 capitulos podem ser jogados de forma alternada, tanto com Keats como com a Ellen, sendo que a partir do sexto capítulo, ambas as personagens têm de ter passado todos os capítulos anteriores para entrar na recta final do jogo. Já no que diz respeito à jogabilidade, apesar de existirem algumas diferenças entre Ellen e Keats, na base as mecânicas de jogo são semelhantes, andando todas à volta dos Folks, criaturas que encontraremos nos diversos reinos do Netherworld e que podemos capturar. Cada Folk possui diferentes ataques e afinidades elementais e poderemos ir equipando-os ao longo dos 4 botões faciais do comando da PS3. E como os capturamos? Ao absorver as suas almas. Basicamente depois de os atacarmos um pouco, as suas almas ficam a pairar sobre os seus corpos e com uma cor rosa/avermelhada. Depois teremos de pressionar no botão R1 e fazer um movimento vertical para cima com o comando da PS3. No entanto, alguns folks, especialmente os bosses e mini-bosses, são um pouco mais complexos na sua captura, exigindo diversos tipos de movimentos com o comando e durante algum tempo. Se em vez de os absorver continuamos a atacar, os folks morrem.

Podemos absorver os Folks depois de os atacar o suficiente, deixando-os temporariamente imóveis e com as suas almas de fora

Agora, que outras mecânicas de RPG temos aqui? Bom, Ellen e Keats ganham pontos de experiência por cada folk que absorvem, mas a cada nível que subam, isto traduz-se apenas num crescimento da sua barra de vida, afinal eles não atacam directamente os folks, mas sim através dos espíritos dos folks que absorvem e invocam nas batalhas. E estes também podem “evoluir”, não com pontos de experiência, mas ao cumprir uma série de objectivos único para cada folk e que podemos consultar a qualquer momento nos menus de pausa. Alguns folks exigem que absorvamos um certo número de folks idênticos, que lhes demos alguns itens específicos e que poderemos ir encontrando ao longo do jogo, ou simplesmente podem exigir que derrotemos um número de outros folks, indiscriminados, ou folks específicos. E aqui “derrotar outros folks” não é absorvê-los, é matá-los mesmo, não ganhando pontos de experiência nesse processo. Ao cumprir estes objectivos de cada folk, poderemos aumentar o seu poder de ataque, diminuir a quantidade de mana necessária para os invocar, entre outras melhorias.

No final de cada mundo temos sempre um boss, um Folklore para defrontar

No que diz respeito às diferenças entre Ellen e Keats, Ellen é a única que, ao invocar os folks, os materializa por completo, acabando também por servirem de escudos enquanto atacam. Para além disso, Ellen também poderá vir a encontrar diferentes roupas que lhe poderão dar protecções contra alguns tipos de dano elemental. Já Keats, os folks que invoca não se materializam completamente, aparecendo sempre como uma espécie de espectros, pelo que estará sempre mais desprotegido. No entanto é uma personagem mais ágil e, à medida que vamos absorvendo folks, iremos também preencher uma barra de energia que, uma vez cheia, nos permite transformar numa versão super poderosa e atacar bastante rápido, sem consumir mana, durante alguns segundos. De resto é isto! Não temos quaisquer lojas para comprar equipamento ou mantimentos. A única maneira de regenerar vida é ao tocar nos portais que iremos encontrar espalhados pelo Netherworld, ou ao apanhar itens que nos regenerem a vida, geralmente como drops dos folks, ou escondidos em cristais espalhados pelo Netherworld. Felizmente ao morrer não perdemos nenhum folk ou pontos de experiência amealhados deste o último save, simplesmente acordamos junto do portal mais próximo.

Muitas das cutscenes são apresentadas com sequências de imagens estáticas e diálogos com balões de banda desenhada

No que diz respeito aos audiovisuais, sinceramente gostei bastante do jogo, mais pela sua direcção artística e conceitos, do que propriamente pela qualidade dos gráficos e som em si. Por um lado vemos bem que este é um jogo lançado ainda no início de vida da PS3, com gráficos muito simples ainda, com pouca geometria e personagens pouco detalhadas. As cutscenes, temos algumas em CGI com voice acting, outras com o próprio motor gráfico do jogo, mas muitas delas com diálogos em painéis de banda desenhada, sem qualquer voice acting. O pouco voice acting que há é de qualidade, mas teremos muitas cutscenes completamente silenciosas e confesso que estava à espera de ouvir mais vozes. No entanto é inegável que o jogo possui uma direcção artística muito forte e isso é sem dúvida o que acaba por prevalecer. Conseguiram mesmo capturar a essência de uma pequena aldeia costeira irlandesa e os dólmens megalíticos, algumas crenças pagãs que são aqui abordadas, tudo contribuiu positivamente para a atmosfera misteriosa, por vezes sombria, mas certamente solitária que iremos encontrar ao explorar Doolin. Já o Netherworld, vai possuindo mundos algo distintos entre si. Temos as florestas onde habitam as fadas, a Warcadia, um mundo em eterno conflito, um palácio subaquático ou mesmo o próprio inferno (que por acaso aqui está representado de uma maneira bem soft). Já no que diz respeito ao som, devo dizer que gostei da banda sonora, com músicas de géneros variados mas sempre agradáveis. Por exemplo, desde músicas alegres e circenses enquanto exploramos o bonito mundo das fadas, enquanto em Doolin a nossa exploração é acompanhada de acordes melancólicos num jazz muito minimalista.

A misteriosa vila de Doolin está muito bem representada, sendo acompanhada de melodias jazz muito melancólicas e minimalistas

Portanto, este Folklore foi para mim uma agradável surpresa. Não é um jogo perfeito, está longe disso, pois algumas side quests são bastante frustrantes (especialmente quando temos de escoltar alguém) e algumas das mecâncias de motion controls também me irritaram um pouco. A história, apesar de ser contada a conta gotas, está muito bem conseguida e tenho pena que o jogo não tenha vendido bem o suficiente, pois acho que tinham aqui material para explorar melhor este universo.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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