X-Men vs. Street Fighter (Sony Playstation)

Vamos voltar às rapidinhas, agora para o primeiro verdadeiro crossover fighter que a Capcom lançou. Depois de terem produzido o X-Men: Children of the Atom e posteriormente o Marvel Super Heroes, alguém na Capcom achou que seria uma boa ideia fazer um jogo de luta em que colocassem as personagens da Marvel e da Capcom à batatada uns com os outros. O primeiro desses crossovers inclui apenas as personagens do universo X-Men da Marvel e Street Fighter do universo da Capcom, mas como todos sabemos isso acabou por mudar muito rapidamente. O meu exemplar foi comprado na Cash Converters algures em Dezembro deste ano, ficou-me por cerca de 40€ se bem me recordo.

Jogo com caixa

Devido às diferenças na arquitectura de hardware entre a Sega Saturn e Playstation, por vezes compromissos tiveram de ser feitos ao converter jogos para ambas as plataformas. Como é de cultura geral no retrogaming, o hardware da PS1 está mais preparado para renderizar gráficos em 3D poligonal, enquanto o da Saturn possui uma arquitectura (e mais memória RAM) que lhe permite um melhor processamento de sprites 2D. No caso de conversões de jogos 2D de origem arcade, como é o caso dos sistemas Capcom CPS2, CPS3 ou NeoGeo da SNK, tradicionalmente as versões Saturn são mais fieis às originais, enquanto que as versões Playstation tipicamente levam alguns cortes nas animações das personagens. Infelizmente esta versão do X-Men vs Street Fighter, para além dos cortes nas animações dos lutadores, teve outros cortes severos na jogabilidade.

Infelizmente a versão Playstation cortou quase por completo o conceito de tag team. Aqui a segunda personagem apenas pode ser invocada nalguns golpes especiais

Isto porque este é um fighter que, tal como os outros fighters da Capcom da mesma era, é um jogo de luta frenético com grande foco em combos e ataques especiais. Para além disso, é um jogo de luta no formato tag team, ou seja, em vez de escolhermos apenas uma personagem para jogar, temos de escolher também uma adicional. No original arcade e na conversão para a Sega Saturn (que infelizmente se ficou pelo Japão), poderíamos alternar livremente entre ambas as personagens escolhidas durante os combates, já na versão Playstation isso não acontece. Temos na mesma de escolher duas personagens, mas a segunda é apenas usada como um caracter secundário em que é invocada apenas em alguns ataques ou counters especiais. Para colmatar estas falhas, a Capcom introduziu outros modos de jogo adicionais que não estão presentes na versão Saturn. Para além do modo arcade e versus para 2 jogadores, temos também um modo de treino e um survival onde o objectivo é precisamente o de sobreviver o máximo de tempo possível a combates sucessivos. Infelizmente não acho que seja suficiente. De resto não deixa de ser um jogo de luta bastante sólido, e já com um leque bastante considerável de personagens disponíveis. Inicialmente dispomos de 8 personagens da Marvel e outras tantas da Capcom, mas podemos também desbloquear tanto o Apocalypse como o Akuma também.

Sempre gostei dos fighters 2D da Capcom pelos seus gráficos 2D muito bem detalhados

Do ponto de vista gráfico, este é um jogo que, como a Capcom tão bem nos habituou naquela época, possui sprites e backgrounds muito bem detalhados. É um jogo visualmente bastante apelativo, particularmente por todos os golpes especiais que podemos desencadear. Mas tal como referi acima, a versão Playstation não é a melhor opção, pois a nível gráfico as animações foram cortadas por limitações de memória, pelo que não é o jogo mais fluído. Ainda assim, numa primeira análise, o impacto visual é sempre positivo. Eu posso ser uma autêntica nódoa neste tipo de jogos, mas sempre adorei a arte visual destes fighters da Capcom e da SNK. A nível de som, nada de relevante a apontar, pois possui músicas competentes e efeitos sonoros também, embora eu prefira particularmente aqueles temas mais rock.

Portanto, se olharmos para este X-Men vs Street Fighter como se apenas esta versão PS1 existisse, não deixa de ser um jogo de luta em 2D bastante sólido como a Capcom bem nos habituou. No entanto o corte da jogabilidade por tag team parece-me mesmo uma medida drástica que sinceramente não estava à espera. Já contava que a versão Playstation pudesse ter animações menos fluídas comparando com as outras versões, mas um corte tão grande nas mecânicas de jogo foi mesmo uma grande surpresa. Infelizmente a opção mais barata é mesmo a de emular o original da MAME, pois a versão PS1 é caríssima e mesmo a versão Saturn que, apesar de superior, é também bastante cara, particularmente a versão que inclui a expansão de memória RAM que é necessária para o jogo correr.

Bomberman (PC-Engine)

Vamos voltar à PC-Engine para mais um clássico: o primeiro Bomberman para esta consola! Lançado em 1990, é o primeiro de muitos Bomberman que a Hudson foi lançando ao longo da década de 90 e diria mesmo que é o primeiro que já tem aquele look mais moderno e cartoony que todos conhecemos hoje em dia. O meu exemplar veio de um lote de uns 11 jogos que importei do Japão por pouco mais de 20€. Já as despesas de transporte e alfândega… é melhor não falar nisso. Fica a lição que usar a DHL para envios de fora da UE, apesar de ser um serviço super rápido, fica também muito dispendioso principalmente pelos custos associados ao desalfandegamento.

Jogo com caixa e um papel que deve ser um spine card.

Este foi também um jogo que saiu no ocidente para a Turbografx-16, mas felizmente o lançamento japonês é muito import friendly pois os menus estão todos em inglês e a jogabilidade é bastante intuitiva, pelo que a barreira de linguagem não existe. Temos então o modo de história single player, consistindo em 64 níveis espalhados por 8 zonas diferentes onde temos de levar o Bomberman herói a salvar uma rapariga que tinha sido raptada por uns monstros. Temos também uma forte vertente multiplayer que infelizmente não cheguei a testar, mas esta está aqui representada em duas vertentes: a primeira é o modo battle que permite até 5 jogadores em simultâneo (com recurso a um multi-tap), já a segunda é uma curiosidade interessante, pois é direccionada para a portátil PC-Engine GT (ou Turbo Express no ocidente). Essa consola é literalmente uma TG-16/PC-Engine portátil e esta opção permite ligar 2 sistemas entre si e jogar multiplayer com outro jogador.

Acho que todos sabemos bem como isto se joga

A nível de mecânicas de jogo creio que todos conhecem o Bomberman. Vamos tendo ecrãs com blocos indestrutíveis num padrão de axadrezado e pelo meio algumas blocos destrutíveis, bem como inimigos. Com um dos botões plantamos bombas e a ideia é a de eliminar todos os inimigos em cada nível e depois procurar a sua saída, que está escondida por detrás de um dos blocos destrutíveis. Quando limpamos o ecrã de inimigos o jogo indica-nos sempre onde poderemos encontrar um power up escondido por detrás de algum bloco destrutível. Estes podem ampliar o poder de fogo, aumentar o número de bombas que podemos plantar em simultâneo ou mesmo poderes bem mais valiosos como o de detonar as bombas remotamente ou a capacidade de atravessar os blocos destrutíveis. Claro que se perdermos uma vida infelizmente perdemos alguns destes power ups e, apesar de à medida em que formos avançando no jogo os inimigos vão ficando mais rápidos e letais, o maior perigo somos sempre nós próprios. Cair nas nossas próprias armadilhas, principalmente quando já temos um grande poder de fogo, acaba por ser algo frequente. Mas isso também faz parte da magia e simplicidade da fórmula Bomberman!

Outra regra a relembrar, não explodir nenhuma bomba perto do portal de saída. Caso o mesmo seja atingido por fogo, traz uma série de inimigos adicionais para enfrentar!

Graficamente é um jogo simples, com cenários e sprites simples e pequenas, mesmo quando enfrentamos os bosses. Mas lá está, é suposto que assim seja e os níveis até que vão sendo algo variados entre si nos seus cenários, mas esperem sempre pelos habituais padrões axadrezados de blocos indestrutíveis. Ao menos é um jogo super colorido e as músicas, apesar de não serem muitas, são bastante agradáveis e facilmente ficam no ouvido.

Portanto este Bomberman é um jogo bem sólido e agradável de se jogar e uma forte razão para arranjar um multitap para este sistema, visto que uma das maiores limitações desta consola para mim sempre foi o facto de só ter uma porta para um comando. De resto existem muitos outros Bomberman lançados para a PC-Engine, pelo que estou um pouco curioso em ver em que as suas sequelas inovaram.

Virtua Fighter (Sega 32X)

Continuando pelas rapidinhas, vamos revisitar a 32X, já que em Novembro consegui adicionar mais um jogo dessa consola à colecção. Nada mais nada menos que a versão do Virtua Fighter, que arranjei numa Cex na zona do Porto algures em Dezembro. Custava 35€ mas consegui trazer por um valor mais em conta após ter despachado alguns jogos repetidos que por cá tinha.

Jogo com caixa e manuais

Ora eu já cá trouxe a versão Sega Saturn deste jogo e, apesar da versão inicial da Saturn ser uma conversão muito fraca, tanto a nível audiovisual, como em conteúdo, algo que foi posteriormente corrigido com o lançamento do Virtua Fighter Remix, esta versão para a 32X é naturalmente mais fraca tecnicamente, mas impressionante devido ao hardware onde corre. E tem mais conteúdo que a versão Saturn!

Apesar de não serem propriamente impressionantes, temos mais alguns modos de jogo nesta versão

A nível de jogabilidade apenas precisamos do comando de 3 botões, com um botão para bloquear, outro para socos e outro para pontapés. Mas no caso de termos um comando de 6 botões, podemos optar por um layout que coloca os botões X, Y e Z como combinações de 2 botões pressionados em simultâneo, o que pode ser bastante útil para desencadear alguns golpes especiais. No que diz respeito aos modos de jogo, enquanto que no lançamento original da Saturn apenas tínhamos o arcade e o versus para 2 jogadores, aqui temos também o ranking mode que é virtualmente idêntico ao modo arcade mas no final apresentam-nos algumas estatísticas da nossa performance de jogo. Temos também um modo torneio que nos permite organizar torneios customizáveis, o que apesar de não ser nada de especial, sempre é mais qualquer coisa face ao original.

Os lutadores possuem muito menos polígonos, logo menos detalhe, nesta versão. Mas graficamente é um jogo bem mais estável que a versão Saturn

Graficamente é, como referi acima, uma versão bem mais modesta, com as personagens a possuir um número de polígonos ainda inferior à primeira versão Saturn, mas neste caso a 32X é também um sistema mais modesto nas suas capacidades. E para além de ser uma versão que tem suporte nativo a widescreen, é uma versão que tem também uma boa performance e sem muitos dos bugs gráficos que a primeira versão da Saturn possui. Ainda nos gráficos, os backgrounds também são de menor qualidade, suspeito até que sejam processados pela própria Mega Drive, enquanto a 32X trata da arena e lutadores. De resto as músicas parecem-me ser as mesmas da versão Saturn mas em versão chiptune, tendo naturalmente menos qualidade do que músicas em formato CD Audio.

Portanto este Virtua Fighter para a 32X, apesar de ser tecnicamente uma versão bem mais modesta quando comparado com a versão Saturn (e nem se fala do original arcade) acaba por ser surpreendentemente bem jogável, estável e até com algum conteúdo extra. É para mim um esforço bem melhor do que a Sega fez com versão a Saturn, mas ainda assim… a nostalgia leva o melhor de mim e continuo a preferir a versão Saturn.

Sensible Soccer (Sega Mega CD)

Continuando pelas rapidinhas a jogos desportivos, vou só deixar aqui um artigo muito breve sobre a versão Mega CD do Sensible Soccer. É que é practicamente a mesma versão que já cá trouxe da Mega Drive, com alguns extras que o suporte em formato CD permite. Recomendo então uma leitura pelo artigo da Mega Drive para maior detalhe. O meu exemplar foi comprado numa CeX aqui da zona do Porto algures em Dezembro. Custava 30€ mas trouxe-a bem mais barata pois tinha aqui algum material repetido para troca que abateu no preço. Curioso que esta versão traz também uma demo do Battlecorps, que me faz lembrar que tenho o jogo por cá já há uns anos e ainda não lhe peguei. A tratar disso em breve.

Jogo com caixa, manuais e cd demo do Battlecorps

Então o que traz de novo esta versão para a Mega CD? Algumas cutscenes em CGI primitivo e de baixa resolução, mas também músicas e efeitos sonoros de muito melhor qualidade, como cânticos do público. O gameplay parece-me inalterado, bem como o conteúdo a nível de equipas e modos de jogo, quando comparado com a versão Mega Drive. Agora se isso justifica a compra desta versão em comparação com a da Mega Drive, sinceramente eu diria que não.

Dino Dini’s Soccer (Sega Mega Drive)

Vamos voltar às rapidinhas com mais um jogo de desporto, desta vez a conversão para a Mega Drive do Goal! de Dino Dini, que foi a mente por detrás dos primeiros dois Kick Off, jogos de futebol que tiveram bastante sucesso na Europa no início da década de 90. O meu exemplar veio cá parar à colecção após uma troca que fiz com um amigo no passado mês de Dezembro.

Jogo completo com caixa e manual

Bom, este é um jogo não licenciado, onde apenas podemos representar selecções nacionais e com uma jogabilidade rápida mas, tal como em jogos como o Sensible Soccer, a bola anda sempre bastante solta pelo que para mim sempre obrigou a uma maior habituação aos controlos, pois é difícil controlar a direcção para onde queremos encaminhar a bola. Por vezes queremos virar para a esquerda ou direita e a bola continua a seguir a sua trajectória original… O jogo obriga-nos então a encaminhar a bola sempre que os nossos pés estejam prestes a tocar nela, o que é difícil se estivermos em corrida. De resto é mais um daqueles jogos em que implementam o after touch, ou seja, depois de rematar, podemos definir uma trajectória de arco ao manter o botão direccional pressionado na direcção pretendida.

Podemos também customizar as equipas, que naturalmente possuem nomes fictícios

A nível de modos de jogo temos bastantes, desde o modo amigável, um modo de treino para practicar os controlos, um modo arcade onde o objectivo é o de defrontar vitoriosamente o máximo de equipas possível e por fim temos as competições propriamente ditas. Para além de campeonatos por pontos podemos também simular um campeonato do mundo, desde as qualificações continentais, até à sua fase final. De resto durante as partidas podemos definir tácticas e temos de ter em conta a condição física dos jogadores, pois estes podem também se lesionar e sermos obrigados a substituí-los.

Para quem não estiver habituado a controlos mais soltos como os do Kick Off ou Sensible Soccer, o modo de treino é obrigatório

A nível audiovisual é um jogo simples porém eficaz. Tipicamente o jogo apresenta uma câmara de scrolling vertical com uma vista de cima, mas podemos mudar para uma câmara de scrolling horizontal se assim o desejarmos. Em certas alturas, como nos replays ou quando marcamos um pontapé de baliza, a câmara faz um zoom out que nos dá uma maior perspectiva do posicionamento dos jogadores, o que é um pormenor interessante. De resto, o jogo tem música durante as partidas o que sinceramente até se adequa bem dado a natureza mais “arcade” deste jogo. Nada a apontar aos efeitos sonoros que cumprem bem o seu papel, só mesmo deixar um comentário ao clip de voz que ouvimos ao iniciar o jogo: Dino Dini’s Soccer – it’s in the name! É não só uma óbvia referência ao slogan da EA Sports, mas também ao peso que Dino Dini e o seu Kick Off deixou nos jogadores europeus.

Em certas alturas o câmara muda para uma perspectiva mais distante, o que nos dá uma maior visibilidade do campo. É bom para os livres!

Portanto estamos aqui perante um jogo de futebol que até me parece bastante competente, mas eu nunca consegui habituar-me completamente à jogabilidade de jogos com o Kick Off, precisamente pela bola andar muito solta e obrigar-nos a ter muito mais controlo sobre a nossa movimentação, passes e remates. Mas para quem for fã do género, estou certo que têm aqui um bom jogo. Este foi também lançado para a Super Nintendo, mas aparentemente o Dino Dini não teve qualquer envolvimento no seu desenvolvimento, pelo que presumo que esta versão seja então superior.