Vamos voltar às rapidinhas a jogos de desporto da PC-Engine, agora com um jogo de voleibol. Super Volleyball teve as suas origens como um jogo arcade da Videosystem lançado em 1989, tendo posteriormente recebido conversões para a PC-Engine / Turbografx-16 em 1990 e para a Mega Drive em 1991 embora esta última nunca tenha cá chegado à Europa. O meu exemplar é a versão japonesa da PC-Engine e foi comprada algures em Dezembro num lote considerável de jogos, infelizmente a maioria de desporto, mas que mesmo assim me ficou a cerca de 5€ por jogo, já a contar com portes e alfândega. Edit: arranjei recentemente uma versão Turbografx-16 nacional, pelo que acabei por acrescentar a esta na colecção.
Jogo com caixa, manual embutido na capa e registration card
Este é então um jogo de volleyball com uma perspectiva vista de lado e que muito me fez lembrar o Hyper V-Ball da Super Nintendo, também produzido pela Videosystem. A diferença é que, pelo menos na altura em que o joguei através de emulação há cerca de 20 anos atrás, tinha gostado bastante do jogo. Já este jogo aqui da PC-Engine, infelizmente não foi o caso. Mas vamos começar pelo básico. Podemos escolher modos de jogo para um ou para dois jogadores, onde no primeiro caso poderemos jogar partidas individuais ou uma espécie de campeonato do mundo onde teremos de escolher uma de 8 selecções nacionais e defrontar as restante sete. Existe também uma opção para observar o CPU a jogar entre si e uma outra para criar a nossa própria equipa, embora não tenha perdido tempo com isso, confesso.
Jogo com caixa, manual embutido na capa e um manual adicional em português.
Os controlos são relativamente simples. O botão I é o principal botão de acção, sendo usado para servir, passar a bola entre os nossos colegas de equipa e atirá-la para a área adversária, enquanto o botão II serve para bloquear os “remates” da equipa adversária. Existem no entanto diferentes combinações de botões para os serviços, bem como algumas técnicas mais avançadas para os spikes, mas infelizmente não consegui arranjar uma versão digitalizada do manual norte-americano, pelo que não consigo dar mais detalhes. Em todos os momentos nós podemos controlar o posicionamento jogador que fica numa posição mais de retaguarda com o d-pad e a maior dificuldade que tive foi precisamente perceber qual a melhor localização que deveria tomar para receber as jogadas adversárias. A maior parte das vezes não estava bem posicionado e lá perdia mais uns quantos pontos. Mesmo a atacar ou bloquear por vezes há também um certo timing que devemos ter em atenção e por vezes já não reagia a tempo. Por exemplo, quando estamos a preparar o serviço ou o spike e atiramos a bola pelo ar, durante breves momentos esta fica vermelha e é a indicação que o jogo nos dá que deveremos atacar a bola nessa altura.
Uma das opções que poderemos customizar é a duração de cada set
A nível audiovisual é um jogo super simples, embora as personagens até que têm um bom detalhe e animações. As músicas só existem no ecrã título, menus e entre partidas, existindo também um ou outro jingle quando alguma equipa pontua. São músicas agradáveis, mas durante as partidas apenas iremos ouvir o ruído dos jogadores a interagirem com a bola, os apitos do pavilhão desportivo e algumas reacções do público. É um jogo super simples visualmente.
Em cima, a roxo, vemos a posição dos receivers, que podem ser controlados a qualquer momento com o d-pad, mesmo que a câmara oculte a sua posição
Portanto devo dizer que este Super Volleyball acabou por ser uma desilusão, porque eu lembro-me de ter jogado uma das suas sequelas há muitos anos atrás (o tal Hyper V-Ball da Super Nintendo) e não ter tido grandes problemas com a jogabilidade como tive neste jogo da PC-Engine. Mas também pode ser a memória a pregar-me partidas…
Vamos agora voltar aos Ace Attorney da Capcom, uma série onde habitualmente representamos um advogado de defesa que terá de defender uma série de clientes (tipicamente inocentes) das suas acusações de homicídio. Já cá trouxe uns quantos jogos dessa série no passado e esta Chronicles é na verdade uma compilação dos The Great Ace Attorney Adventure e The Great Ace Attorney 2: Resolve, ambos lançados originalmente na Nintendo 3DS em 2015 e 2017. Em 2021 foram relançados de forma remasterizada nesta compilação que acabou por receber lançamentos físicos no Japão e Ásia, com a linguagem em Inglês disponível. O meu exemplar foi comprado na Gaming Replay algures em Setembro passado, por cerca de 55€.
Jogo com caixa, pequeno manual e papelada, versão asiática
A história leva-nos a encarnar no jovem japonês e aspirante a advogado de defesa, Ryunosuke Naruhodo, algures no final do século XIX. Inicialmente acusado de cometer um homicídio de um professor Inglês em solo nipónico, teremos de nos defender sozinhos, pelo que este primeiro capítulo serve sempre como uma espécie de tutorial para as mecânicas de jogo que tradicionalmente são adoptadas nesta série, pelo menos na parte dos julgamentos. Ultrapassando esse primeiro capítulo, a restante aventura ao longo dos dois jogos será passada maioritariamente em solo Britânico, onde teremos uma série de homicídios por resolver e provar a inocência dos nossos clientes. O segundo jogo é uma sequela directa do primeiro, pois ainda ficaram algumas pontas soltas por resolver de alguns mistérios mais abrangentes introduzidos ao de leve no primeiro jogo, e que se irão adensando ao longo da segunda aventura.
Fora dos tribunais poderemos explorar diversos cenários, incluindo a cena do crime, e examinar objectos ou falar com pessoas de forma a obter pistas ou provas
No que diz respeito à jogabilidade, convém começar com um disclaimer: esta série Ace Attorney já é bastante longa e o último jogo que tinha jogado foi o Apollo Justice, vulgo quarto jogo da saga. Entre esse e o lançamento do The Great Ace Attorney Adventure original da Nintendo 3DS, já uns quantos outros jogos haviam sido lançados pelo meio. Portanto é possível que algumas das novidades que irei aqui apontar já tenham de facto sido introduzidas noutras sequelas lançadas anteriormente, mas vamos a isso. Ora, tal como os restantes jogos da série que joguei até à data, este é um misto entre uma visual novel e uma aventura gráfica e a jogabilidade divide-se em duas formas distintas. Fora dos tribunais teremos de explorar uma série de locais, examinar os seus cenários (incluindo as cenas de crime) e falar com pessoas em busca de pistas sobre os crimes e que possam posteriormente serem usadas em tribunal para o apuramento da verdade e defender a inocência dos nossos clientes. Uma das novidades chave nessas fases de exploração é a interacção com Sherlock Holmes (aqui apelidado de Herlock Sholmes). Sim, o famoso detective fictício é uma das personagens centrais com as quais vamos interagindo e nestes dois jogos ele tem uma personalidade muito peculiar. Vezes sem conta vamos assistir aos seus momentos de dedução lógica para resolver algum mistério, mas as suas conclusões saem sempre ao lado. Teremos então depois de o acompanhar nas suas deduções e corrigir algumas das suas observações, que tipicamente envolvem observar e apontar alguns objectos suspeitos nas imediações, para que consigamos chegar à conclusão certa.
Barok Van Zieks, o implacável procurador que iremos enfrentar nos tribunais
Já nos tribunais, a jogabilidade básica de pressionar e confrontar testemunhas sempre que queiramos extrair mais informação dos seus depoimentos, ou detectemos alguma contradição com base em provas recolhidas, permanece bem enraizada nestes dois jogos. Uma das novidades é que muitas vezes temos várias testemunhas a prestarem depoimentos conjuntos e por vezes quando uma testemunha mente, uma das que estão ao seu lado reage de alguma forma suspeita, permitindo-nos interpelá-la para obter mais detalhes, o que geralmente acaba sempre por expor alguma mentira ou informação adicional. A outra das novidades é que na maioria dos julgamentos em solo britânico os mesmos são presididos por um juri que, quando convencidos da inocência ou culpa do réu, anunciam o seu voto que, após ser unânime levará o juiz a proferir a sentença final. Naturalmente que em várias situações o juri vai considerar, por unanimidade, o réu como culpado. Mas nem tudo está perdido pois quando isso acontece desencadeamos o processo de “Summation Examination”, que consiste em questionar as razões que levaram a cada membro do juri a considerar o réu culpado. Tal como nos interrogatórios das testemunhas, poderemos procurar inconsistências entre os membros do juri e convencê-los a mudar o seu voto e deixar o julgamento continuar.
Ocasionalmente teremos de corrigir as deduções trapalhonas do Sherlock Holmes
Graficamente é um jogo interessante e uma lufada de ar fresco na série, pois representa tanto o Reino Unido na sua era Victoriana, como o Japão no seu período Meiji e está, como é habitual, repleto de personagens bastante bizarras e carismáticas com as quais iremos interagir. No entanto, apesar de ser um remaster que apresenta visuais mais trabalhados e em melhor resolução, não esperem por gráficos fora de série, pois este não deixa de ser uma visual novel e com as suas origens na modesta Nintendo 3DS. As personagens estão agora representadas em 3D, o que lhes dá mais umas quantas animações, embora ainda tenham um aspecto muito anime, o que para mim não é de todo um problema. Entre cada capítulo temos uma breve cutscene animada e narrada e em certos pontos chave da história, os diálogos são também narrados, mas infelizmente a esmagadora maioria do tempo os diálogos são apenas acompanhados daqueles sons típicos de videojogos mais antigos. Nesta versão podemos no entanto optar por ouvir vozes em inglês ou japonês, com legendas em várias linguas. A banda sonora vai sendo bastante diversificada entre si e acaba por ser uma agradável companhia a todo o desenrolar da narrativa.
Habitualmente teremos mais que uma testemunha para entrevistar em simultâneo, o que nos dá novas formas de cavar a verdade
Portanto esta compilação é mais um lançamento que irá certamente agradar a quem já for fã da série Ace Attorney. A narrativa, apesar de por vezes aparentar ser desnecessariamente longa, vai-nos levar por uma série de diferentes casos policiais, com os últimos casos da sequela a começarem finalmente a unirem algumas pontas soltas e conspirações de maior escala que íamos suspeitando, com uma série de interessantes reviravoltas à mistura. As “novas” mecânicas de jogo foram também adições bem conseguidas e fico muito contente por a Capcom ter relançado estes jogos recentemente e também em formato físico. A razão pela qual eu paguei tanto foi mesmo para mostrar o meu apoio à Capcom e encorajá-los de alguma forma para que tragam também o resto do catálogo, se possível com um lançamento físico. Isto porque alguns dos jogos da DS que não foram relançados começam a ser cada vez mais caros (pelo menos as suas versões ocidentais), já os da 3DS saíram apenas em formato digital no ocidente. Tendo em conta que a eShop irá fechar em breve na Nintendo 3DS e WiiU, seria muito bom que a Capcom assim o fizesse!
Com o surgimento de Virtua Fighter, Tekken e outros jogos de luta em 3D poligonal nas arcades, a Capcom naturalmente também quis entrar nessa onda. E que melhor propriedade intelectual para isso que não o Street Fighter? Essa tarefa acabou por ficar a cargo da Arika, empresa fundada por ex-funcionários da Capcom, que lançaram na recta final de 1996 o Street Fighter EX nas arcades. No ano seguinte seguiram-se dois updates: O Street Fighter EX Plus que, para além dos habituais balanceamentos na jogabilidade inclui uma série de novas personagens e, ainda em 1997 sai também uma esperada versão para a Playstation (até porque o lançamento original sai no sistema Sony ZN, com uma arquitectura semelhante à da PS1) que é a que cá trago hoje. O meu exemplar foi comprado em Dezembro numa loja online por menos de 20€, estando em óptimo estado.
Jogo com caixa e manual
Apesar dos gráficos (ainda primitivos) em 3D poligonal, na sua essência este é ainda um jogo que mantém uma jogabilidade 2D, embora possua uma câmara dinâmica que vai mudando os seus ângulos à medida que os confrontos vão decorrendo. De resto contem com os controlos habituais de um Street Fighter, com 3 botões para socos e outros 3 para pontapés de diferente intensidade. À medida que vamos dando/apanhando porrada vamos também enchendo uma barra de energia que poderá atingir até 3 porções e que poderemos gastar para aplicar special moves e super combos. Introduziram também um sistema de cancel que nos permite encadear esses golpes especiais uns nos outros, com cada um a consumir uma porção dessa barra de special.
Sakura foi a única personagem do Street Fighter Alpha que marcou a presença neste primeiro EX.
No que diz respeito aos modos de jogo, esta versão da Playstation até que é bastante generosa no seu conteúdo. Para além dos habituais arcade e versus, podem também contar com o team battle, time attack, survival e um modo de treino. O modo team battle permite-nos escolher equipas de 5 lutadores e o objectivo é o de derrotar 5 lutadores adversários, de forma sequencial. O modo time attack leva-nos a lutar contra uma sequência fixa de oponentes e o objectivo é o de os derrotar no menor tempo possível. O survival, tal como o nome indica, leva-nos a uma série de combates seguidos e o objectivo é vencer o maior número de combates possivel, com a nossa barra de vida a ser ligeiramente regenerada entre cada combate vitorioso. Por fim resta-me referir o modo expert, que é na verdade uma espécie de challenge mode. Mediante a personagem escolhida, o jogo vai-nos obrigar a completar uma série de objectivos, realizar alguns super combos e encadeá-los uns nos outros. Para um jogo de luta de 1997, até que tem bastante conteúdo adicional na sua versão doméstica!
Apesar de a jogabilidade ser ainda 2D, a câmara vai mudando dinâmicamente os seus ângulos
Mas o que mais me surpreendeu aqui foi o elenco de personagens. A série Street Fighter EX não é considerada canónica por parte da Capcom e provavelmente uma das razões para isso ter acontecido é o grande número de personagens inteiramente novas que a Arika criou. Esta versão EX Plus Alpha é a que possui um maior leque de personagens e das 22 personagens jogáveis ao todo (incluindo secretas), apenas 9 são caras já conhecidas da Capcom, como Ryu, Ken, Chun-Li ou Guile. As restantes 13 são personagens inteiramente novas, algumas muito peculiares como é o caso do Skullomania com o seu fato de esqueleto, que sempre foi a que achei mais memorável. No entanto, a maior parte das novas personagens são algo desinspiradas a meu ver.
Graficamente está longe de ser o jogo mais bonito da Playstation mas até que sinto uma certa nostalgia quando vejo jogos assim
De resto a nível gráfico este é um jogo com lutadores em 3D inteiramente poligonal mas ainda algo primitivo, com um número de polígnos bastante reduzido, resultando em personagens muito “quadradas”. Por um lado sinto uma certa nostalgia dos anos 90 quando vejo videojogos com este aspecto, mas por outro lado, acabo por preferir de longe os visuais 2D bem detalhados e com belíssimas animações e cenários com óptimo pixel art da série principal. Para além das personagens em 3D poligonal, os cenários são no entanto imagens pré-renderizadas, que até vão rodando de forma algo dinâmica juntamente com a câmara. Já a banda sonora até que é bastante agradável, possuindo músicas que abrangem os mais variados géneros musicais como o rock, pop, jazz ou até temas mais tradicionais e folclóricos de culturas orientais.
Infelizmente a maior parte do elenco são personagens criadas pela Arika e que não voltaram a ser reaproveitadas nos Street Figters fora dos EX
Portanto este Street Fighter EX Plus Alpha é um jogo que me desperta alguns sentimentos mistos. No que diz respeito à jogabilidade não tenho nada de especial a apontar, é bastante competente. No entanto o facto de se terem introduzidas tantas novas personagens (a maioria sem grande charme) que acabaram por ficar retidas nestes Street Fighter EX (e outros jogos de luta que a Arika veio a desenvolver no futuro), ao invés de terem incluido mais personagens clássicas, não me pareceu uma boa decisão. A nível gráfico é também um jogo algo divisor de opinião, pois eu até que gosto (pela nostalgia) de jogos em 3D poligonal primitivo como é este o caso, mas é inegável que os visuais 2D que a Capcom conseguiu incutir nos seus jogos de luta que foram saindo nos sistemas CPS2 e CPS3 resistiram bem melhor ao teste do tempo.
Vamos voltar às rapidinhas à PC-Engine para um jogo que em imagens me pareceu muito porreiro mas depois, quando chegou a vez de o jogar, todo o entusiasmo inicial desvaneceu-se por completo. Este Genocide, produzido originalmente pelos nipónicos Zoom para o mítico computador Sharp X68000 em 1989, acabou por receber uma versão para a PC-Engine CD em 1992, cuja conversão ficou a cargo da também nipónica e desconhecida Brain Grey. O meu exemplar foi comprado num lote considerável de jogos PC-Engine / Turbografx-16 que comprei a um particular algures em Janeiro. Este foi dos mais baratos do lote, tendo-me custado menos de 5€.
Jogo com caixa e manual embutido na capa
Ora a história decorre algures no futuro, onde a civilização avançou bastante a nível tecnológico e uma inteligência artificial MESIA (presumo que queiram ter antes referido messiah, de messias) governava de forma eficiente a população. Mas claro, eis que o super computador se revolta contra os humanos, criando um grande exército de robots para os dizimar. Nós somos então a última esperança da humanidade, um piloto de um mecha que terá de enfrentar todos esses perigos sozinho.
Infelizmente os inimigos são numerosos e não nos dão quaisquer tréguas. Para além disso são autênticas esponjas de dano!
Graficamente até que é um jogo interessante, como irei detalhar um pouco mais em seguida, mas as imagens enganam pois a jogabilidade é horrível. A nível de controlos não há muito que enganar pois temos um botão para saltar, e um outro para que o nosso mecha ataque com a sua espada. Os níveis são todos num estilo 2D sidescroller onde teremos de limpar todos (ou quase todos) os inimigos do ecrã, avançar até ao final do nível e destruir uma barreira que nos permita avançar para a zona seguinte, onde teremos de repetir o processo e eventualmente enfrentar um boss. A partir de certa altura herdamos um equipamento novo, uma espécie de satélite que flutua em cima de nós. Para além dessa esfera absorver qualquer dano que a atravesse, a ideia é que, ao manter o botão de ataque pressionado durante alguns segundos, essa esfera se carregue de energia e ao soltar o botão de ataque mais um direccional, lancemos o satélite nessa direcção causando dano no primeiro alvo que tocar.
Entre cada nível vamos tendo cutscenes simples que pouco variam a nível visual, tendo no entanto muito texto.
É isto o jogo todo e o problema está precisamente na jogabilidade que apesar de simples, está longe de ser refinada. Os inimigos surgem em grande número, rápidosm agressivos e são todos autênticas esponjas de dano. Será impossível não sofrer dano em muitos momentos, dano esse que nem sempre é consistente, pois o ataque que sofremos pode não causar dano, tirar-nos apenas um ou dois traços da barra de vida, ou uma grande parte de uma só vez… e isto para o mesmo inimigo/ataque! Vamos ter então de pressionar constantemente o botão de ataque, não só para causar dano mas também para prevenir que os projécteis dos inimigos nos atinjam e eventualmente saltar para evadir alguns ataques também. Infelizmente os power ups que nos regeneram a barra vida são raros e a nossa barra de vida não é restabelecida entre níveis, pelo que vai ser um jogo bastante desafiante por essa razão.
Graficamente até que é um jogo muito competente, pena que seja quase injogável!
No que diz respeito aos visuais, o jogo até que é algo apelativo, ao apresentar níveis variados, com alguns efeitos de parallax scrolling, e sprites grandes e bem detalhadas. Os cenários tanto podem ter temáticas mais urbanas ou industriais, bem como cenários mais naturais como florestas ou outros mais orgânicos, o que me leva a entender que não são só robots que nos atacam, mas outras criaturas monstruosas e aparentemente alienígenas também. Intercalado com os níveis vamos tendo uma série de cutscenes muito simples que vão avançando a história. Não têm é qualquer voice acting a acompanhar, pelo que vamos ter de lidar com muito texto em japonês. Já a banda sonora por outro lado até que é bastante agradável, com alguns temas rock e repletos de sintetizadores, mesmo como era típico na décade de 80.
Portanto este Genocide é um jogo muito fraquinho, pelo menos na versão PC-Engine, pela sua jogabilidade horrível, apesar de até ter gráficos interessantes. A versão original de 1989 para o X68000 visualmente até que parece bem superior a esta conversão, mas fico curioso se a jogabilidade será tão má quanto esta. Presumo no entanto que o jogo tenha tido algum sucesso pelo Japão (quanto mais não seja pelo lançamento original do Sharp X68000), pois a Zoom ainda desenvolveu um Genocide 2 que acabou por receber uma conversão para a Super Famicom e ainda um Genocide² exclusivo do FM-Towns.
Videojogos homebrew para consolas retro não são uma coisa nova. Desde que vim a descobrir com mais atenção o admirável mundo novo da emulação no final da década de 90 e inícios dos anos 2000 que volta e meia me deparava com roms catalogadas como PD, ou Public Domain. Tirando uma ou outra excepção, como o caso do Zero Tolerance em que os seus autores decidiram tornar o jogo freeware, disponibilizando uma ROM para download no seu website, todos os outros eram pequenos títulos ou demos técnicas desenvolvidos por amadores. No entanto, com a crescente popularização do retrogaming, começaram a surgir pessoas que para além de criarem os seus próprios jogos, também começaram a produzir e comercializar cartuchos com os mesmos. No caso da Mega Drive, recordo-me de ver alguns lançados originalmente de forma não licenciada no mercado chinês nos anos 90, a receberem traduções para inglês e lançamentos em cartuchos, a começar no ano de 2006, com o lançamento de Beggar Prince. Mais alguns títulos chineses nos anos seguintes e em 2010 surge a infame Watermelon com o seu muito aclamado Pier Solar (que eu tenho mesmo de jogar um dia destes!). A pouco e pouco o comboio foi ganhando cada vez mais ímpeto e nos últimos 4 anos tivemos dezenas de novos lançamentos em formato físico para a Mega Drive. Este Demons of Asteborg, o primeiro jogo produzido pelos franceses da Neofid Studios, foi lançado em 2021 após uma campanha de kickstarter. E revelou-se numa excelente surpresa! O meu exemplar foi comprado a um particular por cerca de 20€, o que se revelou num excelente preço.
Jogo com caixa, manual e stickers. O postal, cartas e stickers restantes creio que seriam bónus para quem tivesse feito a pré-reserva, pois não é suposto virem junto do jogo base e realmente vieram embrulhados num saquinho à parte quando o jogo me chegou às mãos
Vamos começar pela história. Demons of Asteborg é um jogo de fantasia medieval, que decorre precisamente na terra de Asteborg, onde humanos e demónios há muito que se defrontavam numa guerra sangrenta. Eventualmente os humanos arranjaram forma de exilar os demónios numa outra dimensão, voltando a trazer a paz aos seus habitantes. Nós controlamos o Gareth, órfão que acabou por ser criado (e treinado) por Bohort, um importante e poderoso guerreiro. E quando Gareth já é crescido, eis que os demónios conseguem arranjar forma de escaparem da sua prisão e invadem novamente Asteborg, aterrorizando tudo e todos. Claro que nos caberá a nós o papel de os combater a todos!
As animações estão muito bem detalhadas!
Ora este é então um jogo de acção em 2D sidescroller que, apesar dos seus criadores dizerem que contém elementos de metroidvania, isso acaba por não ser bem verdade, pois o jogo é bastante linear (embora existam áreas de exploração um pouco mais aberta) e acima de tudo dividido em níveis. Mas não deixou de ser uma óptima surpresa a meu ver! Mas vamos começar pelo básico, ou seja, pelos controlos. O botão A serve para atacar com a espada, botão B para saltar e o C para usar magias que tenhamos eventualmente desbloqueado. Mas Gareth é um guerreiro bastante ágil, pelo que poderemos também saltar entre paredes, ou fazer uma espécie de roll com B e baixo, permitindo-nos desviar rapidamente de ataques inimigos. E caso tenhamos desbloqueado esse ataque, poderemos ao saltar, pressionando A e baixo, lançar um ataque inferior que nos faz ganhar alguma altura adicional ao atacar os inimigos e com isso alcançar zonas que de outra forma não conseguiríamos lá chegar. Mais perto do final do jogo iremos jogar momentanteamente com outras personagens e o próprio Gareth, sem querendo estragar a surpresa, irá também ganhar habilidades diferentes.Cada nível terá os seus desafios tanto de platforming com puzzles à mistura, como de combate, existindo zonas em que só nos permitem avançar caso derrotemos todos os inimigos no ecrã.
As magias que iremos desbloquear terão de ser usadas para progredir no nível, mas também no combate contra o boss.
Em cada nível vamos ter também acesso a diferentes magias que nos conferem habilidades distintas e essas terão de ser usadas não só na exploração dos cenários para resolver certos puzzles, mas também para defrontar o boss que iremos encontrar. Alguns exemplos: a primeira magia que encontramos permite-nos lançar um projéctil mágico de médio alcance e isso terá de ser usado não só para soltar algumas plataformas suspensas no ar, mas também para atacar o primeiro boss ao fazer com que uma guilhotina lhe caia em cima no momento certo. A segunda magia é um escudo momentâneo que, quando activado emite um campo de força capaz de repelir objectos. Os desafios de platforming que teremos pela frente vão-nos obrigar a usar esse escudo para redireccionar algumas bombas para locais específicos para que estas ao explodir, nos desbloqueiem o caminho. O boss, uma espécie de lobisomem, irá obrigar-nos a usar esta habilidade para reflectir as facas que ele nos atira directamente de volta para si mesmo. Outras magias são, por exemplo, o poder de lançar fogo, andar pelo ar, parar o tempo, ou até controlar temporariamente certos inimigos. Esta última achei bastante interessante pois para além de a termos de usar para ultrapassar certos obstáculos no platforming, quando chegamos ao boss, que é um esqueleto gigante, teremos de controlar uma das suas mãos e usá-la para dar murros na sua cabeça.
Ghouls ‘n Ghosts foi sem dúvida uma das inspirações deste nível
Usar as magias requer mana e, apesar de podermos ocasionalmente encontrar garrafas com um líquido azul que nos regeneram a barra de mana, esta acaba também por regenerar automaticamente com o tempo. Outros power ups incluem garrafas com líquido vermelho que nos regeneram a barra de vida, outras que nos dão invencibilidade temporária, vidas extra, ou itens com a forma de um raio que são na verdade ataques especiais que poderemos desencadear com baixo + C. Itens como pontos vermelhos dão-nos pontos e depois poderemos encontrar também várias moedas ou jóias que nos dão dinheiro. Entre cada nível podemos visitar uma loja que nos permite precisamente comprar novos itens ou habilidades novas como vidas extra, novos ataques e combos, a possibilidade de extender a barra de vida, regenerar a barra de mana mais rápido, entre outros. Portanto estavam aqui todos os ingredientes reunidos para se fazer um metroidvania, mas infelizmente isso não aconteceu. No fim de cada nível desaprendemos a magia e lá teremo s de encontrar uma nova no nível seguinte. É verdade que o jogo possui puzzles, desafios de platforming e confrontos contra bosses muito bem feitos que requerem estas habilidades, mas seria muito interessante poder-se fazer algumas misturas e poder alternar entre magias livremente. Antes de avançar, só um ponto que não gostei lá muito. A maior parte dos bosses são autênticas esponjas de dano e, mesmo depois de entendermos qual a estratégia a adoptar para lhes causar dano, vão demorar imenso tempo a morrer.
Para derrotar os bosses também teremos de usar as magias que aprendemos naquele nível. Pena que alguns sejam autênticas esponjas de dano!
No que diz respeito aos audiovisuais, devo dizer que gostei bastante do que a Neofid conseguiu implementar aqui. Por um lado o jogo possui visuais medievais algo sinistros e que muito fazem lembrar jogos como Ghouls ‘n Ghosts ou até o Castlevania (aliás o nível no castelo é mesmo uma grande homenagem a Castlevania, até as medusa heads e esqueletos que atiram os seus próprios ossos lá estão!). E essa direcção artística numa onda mais dark fantasy sempre foi algo que gostei. Mas para além disso, o jogo possui, na maior parte do tempo, gráficos muito bem detalhados, tanto nos níveis com as suas múltiplas camadas de parallax scrolling, como no detalhe e animações de personagens principais e certos inimigos. Há um ou outro nível se calhar menos trabalhado, mas no geral acho que a Neofid fez um óptimo trabalho na parte gráfica. É que também ao optar por tons mais escuros nos gráficos, acaba também por ser uma óptima maneira de camuflar as limitações da própria Mega Drive, cujo hardware não consegue apresentar, nativamente, mais do que 64 cores em simultâneo no ecrã. As músicas são também bastante variadas e agradáveis. Alguns dos temas fazem-me lembrar de forma imediata as músicas enérgicas, com melodias sonantes e ocasionalmente com alguns arranjos mais sinistros dos Castlevania, outras como o tema dos bosses ou quando apanhamos um power up de invencibilidade são bem mais rock. Ou a música super tensa, mas em crescendo, do nível da caverna! Há aqui uma boa variedade e criatividade e a Neofid conseguiu tirar bom proveito do chip de som da Mega Drive.
A escolha de cores em usar apenas tons mais escuros foi sem dúvida uma opção acertada
Portanto este Demons of Asteborg, apesar de não ser um jogo perfeito, acabou por se revelar numa excelente surpresa. Gostei de todas as mecânicas de jogo que a Neofid introduziu em cada um dos níveis e este acaba por se revelar num jogo de acção 16bit muito competente e que nada fica a dever aos bons títulos que a Mega Drive recebeu ao longo do seu ciclo de vida normal. Acho que este universo Asteborg tem margem para crescer e muito recentemente a Neofid anunciou que irá criar mais dois Kickstarters em breve para financiar dois novos jogos (uma vez mais com a velhinha Mega Drive no centro das atenções) neste universo. O primeiro será um roguelike para 2 jogadores chamado Astebros, já o segundo jogo será aparentemente um metroidvania no mesmo universo. E depois do que vi neste Demons of Asteborg, estou convencidíssimo que esta equipa conseguirá fazer um metroidvania bem competente se assim o quiserem. Os ingredientes já estão cá todos, é só juntar. Será uma campanha de kickstarter que irei acompanhar sem dúvida!