The Great Ace Attorney Chronicles (Sony Playstation 4)

Vamos agora voltar aos Ace Attorney da Capcom, uma série onde habitualmente representamos um advogado de defesa que terá de defender uma série de clientes (tipicamente inocentes) das suas acusações de homicídio. Já cá trouxe uns quantos jogos dessa série no passado e esta Chronicles é na verdade uma compilação dos The Great Ace Attorney Adventure e The Great Ace Attorney 2: Resolve, ambos lançados originalmente na Nintendo 3DS em 2015 e 2017. Em 2021 foram relançados de forma remasterizada nesta compilação que acabou por receber lançamentos físicos no Japão e Ásia, com a linguagem em Inglês disponível. O meu exemplar foi comprado na Gaming Replay algures em Setembro passado, por cerca de 55€.

Jogo com caixa, pequeno manual e papelada, versão asiática

A história leva-nos a encarnar no jovem japonês e aspirante a advogado de defesa, Ryunosuke Naruhodo, algures no final do século XIX. Inicialmente acusado de cometer um homicídio de um professor Inglês em solo nipónico, teremos de nos defender sozinhos, pelo que este primeiro capítulo serve sempre como uma espécie de tutorial para as mecânicas de jogo que tradicionalmente são adoptadas nesta série, pelo menos na parte dos julgamentos. Ultrapassando esse primeiro capítulo, a restante aventura ao longo dos dois jogos será passada maioritariamente em solo Britânico, onde teremos uma série de homicídios por resolver e provar a inocência dos nossos clientes. O segundo jogo é uma sequela directa do primeiro, pois ainda ficaram algumas pontas soltas por resolver de alguns mistérios mais abrangentes introduzidos ao de leve no primeiro jogo, e que se irão adensando ao longo da segunda aventura.

Fora dos tribunais poderemos explorar diversos cenários, incluindo a cena do crime, e examinar objectos ou falar com pessoas de forma a obter pistas ou provas

No que diz respeito à jogabilidade, convém começar com um disclaimer: esta série Ace Attorney já é bastante longa e o último jogo que tinha jogado foi o Apollo Justice, vulgo quarto jogo da saga. Entre esse e o lançamento do The Great Ace Attorney Adventure original da Nintendo 3DS, já uns quantos outros jogos haviam sido lançados pelo meio. Portanto é possível que algumas das novidades que irei aqui apontar já tenham de facto sido introduzidas noutras sequelas lançadas anteriormente, mas vamos a isso. Ora, tal como os restantes jogos da série que joguei até à data, este é um misto entre uma visual novel e uma aventura gráfica e a jogabilidade divide-se em duas formas distintas. Fora dos tribunais teremos de explorar uma série de locais, examinar os seus cenários (incluindo as cenas de crime) e falar com pessoas em busca de pistas sobre os crimes e que possam posteriormente serem usadas em tribunal para o apuramento da verdade e defender a inocência dos nossos clientes. Uma das novidades chave nessas fases de exploração é a interacção com Sherlock Holmes (aqui apelidado de Herlock Sholmes). Sim, o famoso detective fictício é uma das personagens centrais com as quais vamos interagindo e nestes dois jogos ele tem uma personalidade muito peculiar. Vezes sem conta vamos assistir aos seus momentos de dedução lógica para resolver algum mistério, mas as suas conclusões saem sempre ao lado. Teremos então depois de o acompanhar nas suas deduções e corrigir algumas das suas observações, que tipicamente envolvem observar e apontar alguns objectos suspeitos nas imediações, para que consigamos chegar à conclusão certa.

Barok Van Zieks, o implacável procurador que iremos enfrentar nos tribunais

Já nos tribunais, a jogabilidade básica de pressionar e confrontar testemunhas sempre que queiramos extrair mais informação dos seus depoimentos, ou detectemos alguma contradição com base em provas recolhidas, permanece bem enraizada nestes dois jogos. Uma das novidades é que muitas vezes temos várias testemunhas a prestarem depoimentos conjuntos e por vezes quando uma testemunha mente, uma das que estão ao seu lado reage de alguma forma suspeita, permitindo-nos interpelá-la para obter mais detalhes, o que geralmente acaba sempre por expor alguma mentira ou informação adicional. A outra das novidades é que na maioria dos julgamentos em solo britânico os mesmos são presididos por um juri que, quando convencidos da inocência ou culpa do réu, anunciam o seu voto que, após ser unânime levará o juiz a proferir a sentença final. Naturalmente que em várias situações o juri vai considerar, por unanimidade, o réu como culpado. Mas nem tudo está perdido pois quando isso acontece desencadeamos o processo de “Summation Examination”, que consiste em questionar as razões que levaram a cada membro do juri a considerar o réu culpado. Tal como nos interrogatórios das testemunhas, poderemos procurar inconsistências entre os membros do juri e convencê-los a mudar o seu voto e deixar o julgamento continuar.

Ocasionalmente teremos de corrigir as deduções trapalhonas do Sherlock Holmes

Graficamente é um jogo interessante e uma lufada de ar fresco na série, pois representa tanto o Reino Unido na sua era Victoriana, como o Japão no seu período Meiji e está, como é habitual, repleto de personagens bastante bizarras e carismáticas com as quais iremos interagir. No entanto, apesar de ser um remaster que apresenta visuais mais trabalhados e em melhor resolução, não esperem por gráficos fora de série, pois este não deixa de ser uma visual novel e com as suas origens na modesta Nintendo 3DS. As personagens estão agora representadas em 3D, o que lhes dá mais umas quantas animações, embora ainda tenham um aspecto muito anime, o que para mim não é de todo um problema. Entre cada capítulo temos uma breve cutscene animada e narrada e em certos pontos chave da história, os diálogos são também narrados, mas infelizmente a esmagadora maioria do tempo os diálogos são apenas acompanhados daqueles sons típicos de videojogos mais antigos. Nesta versão podemos no entanto optar por ouvir vozes em inglês ou japonês, com legendas em várias linguas. A banda sonora vai sendo bastante diversificada entre si e acaba por ser uma agradável companhia a todo o desenrolar da narrativa.

Habitualmente teremos mais que uma testemunha para entrevistar em simultâneo, o que nos dá novas formas de cavar a verdade

Portanto esta compilação é mais um lançamento que irá certamente agradar a quem já for fã da série Ace Attorney. A narrativa, apesar de por vezes aparentar ser desnecessariamente longa, vai-nos levar por uma série de diferentes casos policiais, com os últimos casos da sequela a começarem finalmente a unirem algumas pontas soltas e conspirações de maior escala que íamos suspeitando, com uma série de interessantes reviravoltas à mistura. As “novas” mecânicas de jogo foram também adições bem conseguidas e fico muito contente por a Capcom ter relançado estes jogos recentemente e também em formato físico. A razão pela qual eu paguei tanto foi mesmo para mostrar o meu apoio à Capcom e encorajá-los de alguma forma para que tragam também o resto do catálogo, se possível com um lançamento físico. Isto porque alguns dos jogos da DS que não foram relançados começam a ser cada vez mais caros (pelo menos as suas versões ocidentais), já os da 3DS saíram apenas em formato digital no ocidente. Tendo em conta que a eShop irá fechar em breve na Nintendo 3DS e WiiU, seria muito bom que a Capcom assim o fizesse!

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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