Yakuza (Sony Playstation 2)

Yakuza-PS2Desde a descontinuação da Dreamcast que a Sega andou aí um período à deriva, com vários jogos medianos e alguns mesmo mauzinhos. Ainda assim, alguns bons jogos foram surgindo e na minha opinião nesta era “HD” a Sega está a voltar a lançar jogos de qualidade com maior regularidade. Este Yakuza na minha opinião foi dos poucos jogos realmente originais que a Sega lançou desde o desmantelamento da Dreamcast. A minha cópia do Yakuza foi comprada no ano passado na Amazon UK, não me recordo quanto terá custado ao certo, mas não foi acima de 10€. Está em óptimo estado.

Yakuza PS2

Jogo com caixa e manual

Yakuza é um jogo que tenta misturar a vida do crime organizado de Grand Theft Auto, com a aventura “livre” numa cidade tal como Shenmue, e um sistema de batalhas aleatórias como num RPG. Confusos? A história coloca-nos na pele de Kazuma Kiryu, um membro da Yakuza do Clã de Tojo, mais precisamente da famíla Dojima. Kazuma é um Yakuza honrado e, ao fim de vários anos de serviço à família Dojima, Kazuma recebe um “serviço” que lhe gerará um bom lucro para começar a sua própria família. As coisas estavam a correr muito bem, quando Nishiki, o melhor amigo de Kazuma, enlouquece e comete um crime passional, assassinando o seu Oyabun, Dojima. Oyabun é o chefe da família: o “Padrinho”, digamos assim. Por motivos pessoais, e para salvar a pele de Nishiki, Kazuma decide tomar as culpas do crime, acabando por passar 10 anos na prisão, sendo expulso desonradamente da Yakuza, e com a sua cabeça a prémio. Quando sai da prisão, encontra o Tojo Clan em plena guerra interna, com 10 Biliões de Yenes desaparecidos, o “Padrinho” do clã assassinado, e disputas entre famílias para a liderança. Kazuma é apanhado no meio deste alvoroço, que só aumenta quando descobre uma menina de 9 anos de nome Haruka, a qual terá de proteger a todo o custo.

screenshot

Kazuma e Haruka. Nas cut-scenes as personagens têm mais detalhe, principalmente na sua animação facial.

De facto, a história deste jogo na minha opinião é o seu forte. Mas passemos à jogabilidade. Yakuza passa-se num distrito fictício de Tóquio – Shinjuku – que por sua vez é bastante influenciado pelo distrito real Kabukicho e as suas “red light“. Kazuma – a partir de um certo ponto do jogo – pode explorar livremente toda esta área da cidade, desde ir aos locais certos para prosseguir na história, bem como andar literalmente a pastar, ir aos bares de acompanhantes, casinos ilegais, centros Arcade, fazer side-quests, ou simplesmente andar à pancada nas ruas com Yakuzas e outros gangsters aleatórios que nos vão desafiando. Este modo aventura tem um problema, a câmara fixa na maior parte dos casos. Quando passamos para o modo batalha, já temos algum controlo da câmara. Este modo batalha é provavelmente aquilo que as pessoas mais se queixam neste jogo. Isto porque o controlo de Kazuma é bastante rígido, quase “Tank Controls”. Os combos são bastante mecânicos e demorados – um exemplo de comparação é os golpes de espada dos Hunters em Phantasy Star Online – lentos, e com uma direcção quase constante. Isto acaba por deixar várias vezes Kazuma e os seus adversários a dar vários pontapés e murros na atmosfera. Existe a possibilidade de fazer “Lock-on” aos inimigos, mas está mal-executado e muitas vezes Kazuma nem fica bem “alinhado” com o alvo, o que pode acabar por resultar em combos inúteis, mais uma vez. No início os inimigos não são muito agressivos, não há problema, mas lá para o final existem alguns bosses que põe mesmo os nossos reflexos (e paciência!) à prova. Ainda assim, o combate tem várias coisas boas, como a possibilidade de uso de armas, desde armas brancas, armas de fogo, passando por uma infindade de objectos nas ruas/bares/etc como cadeiras ou sinais de trânsito. Cada inimigo derrotado dá pontos de experiência que podem ser usados para aprender novos golpes e habilidades, para além de fortalecer Kazuma. Novos golpes também podem ser aprendidos de outras formas, é uma questão de estarem atentos às personagens e side quests que vão surgindo. Para além disto, existem várias side-quests que, apesar de não serem obrigatórias, são bastante úteis pois recompensam com pontos de experiência preciosos, bem como dinheiro. Mini-jogos é coisa que não falta, com jogos de casino como Slot Machines, Roulette e Blackjack, um “Batting Center” para dar umas tacadas de Baseball, bem como uma série de coisas semi-pornográficas para fazer, tais como visitar um clube de strip, engatar miúdas em bares de acompanhantes (uma espécie de dating-sim) e receber massagens suspeitas por uma massagista avantajada. Não existe nudez, mas a “mensagem” está implícita. Não sou um grande fã de dating-sims, mas em Yakuza foi algo sub-aproveitado. Digo isto pois não há grande incentivo a fazê-lo, gasta-se imenso tempo e dinheiro para pouca recompensa. Mas não interessa.

Screenshot

A primeira rua que exploramos no jogo. O mapa no canto inferior esquerdo mostra os locais que podemos visitar.

Passando para os visuais, os mesmos não são grande coisa, mas aceitáveis numa PS2. As personagens estão minimamente aceitáveis, mas esperem por muitos “serrilhados” na mesma. Ao passear pela cidade vão ver que as pessoas que nos rodeiam muitas vezes estão com um detalhe horrível, mas realmente num jogo sand-box numa PS2 não se pode pedir muito melhor. Grande parte do jogo é passada a ver cut-scenes cinematográficas, a maior parte com o próprio motor gráfico do jogo, outras com animações em CG. Mas a qualidade das CGs é tão foleira (lembra os tempos de PS1 e Saturn), que acabo por preferir as in-game. Para além de gráficos medianos que nitidamente ficariam muito melhor num hardware superior, Yakuza tem imensos loadings. Viajar pela cidade acaba por se tornar um pouco enfadonho por vezes, pela acção ser interrompida sempre que abandonamos uma secção da cidade para fazer o loading da seguinte. A nível de som gosto da banda sonora do jogo. As faixas mais rockeiras funcionam bem nas cenas de pancadaria, e a música mais contida na exploração da cidade. Já o voice acting, tenho reacções mistas. Até que bem competente, mas a Sega cometeu o erro de regravar as vozes para inglês nas releases ocidentais. Não deixa de ser estranho vaguear pelas ruas cheias de publicidade e sinais em japonês e sermos abordados por gangsters com vozes do ghetto “Yo muthafucker!”. Felizmente nos jogos seguintes a Sega teve o bom senso de manter o voice acting original e utilizar as legendas como tradução. Para os jogadores PAL, uma coisa que recomendo bastante é para os que tiverem televisões minimamente modernas que joguem o jogo na opção “NTSC”, ou seja com a frequência de 60Hz. Muitos jogos que saem por cá não são optimizados para as televisões PAL e acabam por ser um pouco mais lentos. Em Yakuza nota-se bastante a diferença de fluidez de movimentos num sinal e no outro.

Screenshot

Porrada!

Como conclusão, devo dizer que de todos os jogos que joguei até agora na PS2 (e ainda me faltam jogar muitos mesmo dos que já comprei), o Yakuza foi dos jogos que mais gozo me deu jogar. Mesmo tendo gráficos medianos, e um sistema de batalha algo rígido, a excelente história, a atenção ao detalhe, as missões paralelas e o prazer de vaguear numa baixa de Tóquio virtual tornam este jogo num dos meus preferidos da plataforma. Nunca fui um grande fã de jogos como Grand Theft Auto, talvez devido ao exagero e mesmo por retratar o mundo do crime norte-americano. O mundo dos Yakuza sempre me  pareceu mais apelativo, talvez pelas suas raízes e pelo código de honra que muitos seguem. Isso e todo o submundo de Tóquio associdado. Apesar de ser um jogo violento, não chega aos exageros totais de séries como GTA, embora Yakuza também seja um pouco irrealista ao tornar as pessoas muito resistentes a tiros de armas de fogo, mas hey, é um videojogo. Yakuza tornou-se numa série de sucesso no mercado oriental, mas por cá tem-se tornado mais despercebida. Ao menos os jogos principais têm saído por cá, o que já não é mau.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
Esta entrada foi publicada em PS2, SEGA, Sony. ligação permanente.

2 respostas a Yakuza (Sony Playstation 2)

  1. Pingback: Yazuka 2 (Sony Playstation 2) | GreenHillsZone

  2. Reno Dc diz:

    sou fan total de shenmue e de yakusa,th yakusa 1 e 2 japas originais,3 e 4 americanos ,o dead souls,o 5 digital e o do psp,me falta o 0,o 5 e 6 em midia digital elogo conseguirie,amu

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.