Wolfenstein: The New Order (PC)

Em 2009 a Raven Software, com a devida autorização e licenciamento da id Software lançou Wolfenstein, um jogo pela primeira vez na série desenvolvido primariamente com as consolas em mente. É um jogo que incorpora elementos dos first person shooter da velha guarda com jogabilidade moderna, como a vida regenerativa, mas também a possibilidade de carregar todas as armas connosco. Tinha também certos elementos de open world. No entanto o resultado final não foi propriamente o mais apelativo e o jogo acabou por se tornar um fracasso comercial. Durante alguns anos não se voltou a ouvir mais falar em Wolfenstein, mas na verdade coisas estavam a acontecer em background: em 2009 é formado um novo estúdio na Suécia, MachineGames, formados por ex-funcionários da Starbreeze Studios, que já haviam trabalhado em FPS como os Chronicles of Riddick ou o reboot do Syndicate que ainda tenho de jogar. Esse estúdio conseguiu, após contactos com a Bethesda, Zenimax e finalmente, a id Software, que o desenvolvimento de um novo Wolfenstein fosse aprovado e o resultado desse trabalho vê a luz do dia em 2014. E devo começar por dizer que a MachineGames fez um excelente trabalho ao revitalizar a série! O meu exemplar foi comprado na Amazon algures neste ano por pouco mais de 20€, sendo uma compilação que traz este The New Order e a sua expansão standalone The Old Blood, que estou a jogar actualmente e irei escrever sobre ela separadamente. Aproveito também para mostrar um item promocional que me foi oferecido por um amigo algures em 2014/2015, uma banda sonora do jogo!

Creio que podemos considerar este novo Wolfenstein como mais um reboot da série. Inicialmente decorre em 1946, onde na História já o conflito da segunda grande guerra havia terminado, mas neste novo universo de Wolfenstein a mesma ainda perdurava. Para além disso, os nazis estavam perto de a vencer! Entretanto coisas acontecem ao nosso BJ Blazkowicz que fica num estado vegetativo, voltando a ganhar a sua consciência apenas no ano de 1960! Aí as coisas ficaram muito piores pois os nazis conseguiram vencer a guerra ao terem descoberto a bomba atómica primeiro que os aliados e depois de detonarem uma bomba atómica em plena Nova Iorque, os Estados Unidos finalmente capitulam. O mundo é então inteiramente governado pela máquina de guerra nazi que, em conjunto com a sua tecnologia de ponta, consegue também dizimar practicamente toda a resistência. Practicamente toda, excepto um grupo restrito onde iremos naturalmente fazer parte e digamos que a campanha nos coloca uma vez mais no encalço de Wilhelm “Deathshead” Strasse, o líder de uma divisão da SS responsável por todos os avanços tecnológicos que levaram à Alenanha nazi a vencer a guerra. Deathshead é finalmente apresentado como um grande vilão, assim como outras figuras importantes do regime com as quais iremos interagir ao longo de toda a história.

Muitos dos nazis que vamos combater parecem autênticos Darth Vaders

No que diz respeito à jogabilidade, esta vai buscar um pouco de tudo o que alguma vez fez parte do universo de Wolfenstein. É na mesma um first person shooter com mecânicas de velha guarda, na medida em que iremos poder carregar todo um arsenal de armas, que por sua vez poderão receber diversos upgrades à medida que os vamos descobrindo enquanto exploramos os níveis. A vida é regenerativa apenas em pequenos intervalos, com a restante a ter de ser recuperada através de medkits. A furtividade, apesar de opcional, é uma vez mais introduzida em diversos pontos do jogo, onde poderemos usar um sistema de covers para nos escondermos e atacar inimigos silenciosamente, quer através de combate corpo-a-corpo, quer através de pistolas com silenciadores. Os alvos mais importantes a abater nessas alturas são os oficiais, que podem fazer soar alarmes e chamar reforços. Por outro lado, se quiserem ter uma abordagem mais à Rambo, também o podem fazer e o jogo também nos oferece certos incentivos para tal, como a possibilidade de disparar duas armas em simultâneo e sim, usar duas metralhadoras ao mesmo tempo para dizimar nazis é muito reconfortante. Ou mesmo usar duas shotguns, algo bem mais útil para combater inimigos maiores e melhor protegidos com espessas armaduras. Felizmente medkits e munições vão sendo algo comuns, pelo que usar ambas as abordagens é igualmente divertido!

A narrativa tem vários momentos de tensão. Pela primeira vez conseguiram criar vilões que nos deixam o sangue a ferver!

No que diz respeito aos audiovisuais este é um jogo bem competente para a altura em que saiu (2014), usando o motor gráfico id Tech 5 (introduzido inicialmente no Rage em 2011, mais outro jogo que tenho em backlog). Mas o que mais impressiona é mesmo a estética apresentada nesta versão alternativa de 1960. Por um lado temos toda aquela imagem austera imposta pelo regime nazi, com edifícios massivos e suásticas em todo o lado, por outro também algumas influências estéticas da nossa década de 60 com um pingo de ficção científica, não fossem muitos dos soldados nazis parecerem storm troopers vestidos de negro, bem como todos os robots e cyborgs que iremos enfrentar como inimigos. Até a febre da exploração espacial da década de 60 está aqui representada, pois uma das missões que iremos fazer decorre nada mais nada menos que na Lua, numa base espacial nazi. Mas para além de toda uma estética bem montada, acho que, pela primeira vez, temos uma narrativa muito mais cuidada num jogo Wolfenstein. Blazkowicz vai sussurando muitos dos seus sentimentos à medida que vamos avançando na aventura e os vilões… bom, esses são apresentados como vilões a sério e que nos vão dar um especial prazer quando finalmente lhes conseguimos causar algum sofrimento! O voice acting é então bastante competente, onde naturalmente vamos ouvir muito alemão, pois nesta realidade alternativa a Alemanha nazi venceu a guerra. A banda sonora é bastante versátil, tanto temos temas rock / electrónica / industrial mais pesados para acompanhar os confrontos mais violentos, como outros temas acústicos ou mais atmosféricos e sinistros. Mas para manter a imagem daquela realidade alternativa da década de 60 onde a Alemanha nazi vence a guerra e domina o mundo, a MachineGames foi ainda mais longe. Introduziram uma editora musical fictícia, a Neumond Records, que inclui diversas canções pop/rock com influências dos anos 60, mas cantadas em Alemão, incluindo algumas covers de músicas conhecidas, como a House of Rising Sun dos Animals. Algumas destas músicas podem ser ouvidas em plano de fundo no jogo, já outras podem ser descobertas como coleccionáveis. Recomendo vivamente que pesquisem “Neumond Records” no google para as ouvirem! É mais um ponto para mostrar o quão longe a MachineGames foi para criar toda esta estética de uma realidade alternativa!

Eviscerar toda uma sala cheia de nazis a disparar duas metralhadoras ao mesmo tempo é super reconfortante!

Portanto este Wolfenstein The New Order foi uma excelente surpresa. Um grande jogo, principalmente após o Wolfenstein de 2009 que deixou algo a desejar. Excelente jogabilidade, uma narrativa mais cuidada, vilões a sério que nos dão mesmo vontade de os esventrar e todo o esforço que a MachineGames levou a cabo para criar toda uma realidade paralela nos anos 60, tornam este The New Order um óptimo first person shooter que voltou a revitalizar, e merecidamente, esta série fantástica. Felizmente não tivemos de esperar muito tempo por um sucessor e estou neste momento a jogar o The Old Blood, que brevemente irei também partilhar as minhas impressões.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
Esta entrada foi publicada em PC com as etiquetas , , . ligação permanente.

Uma resposta a Wolfenstein: The New Order (PC)

  1. Pingback: Wolfenstein: The Old Blood (PC) | GreenHillsZone

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.