Dark Cloud (Sony Playstation 2)

Recentemente fui desafiado pelos meus colegas do TheGamesTome a jogar mais um título da minha colecção, que já estava em backlog há muitos anos. A escolha foi nada mais nada menos que este Dark Cloud, um action RPG muito peculiar e lançado também ainda no início do ciclo de vida desta consola. É também o primeiro jogo da Level 5, que viria a desenvolver mais uns quantos RPGs e outros jogos não só na PS2, mas em muitos outros sistemas até aos dias de hoje. O meu exemplar foi comprado numa CeX algures em Novembro de 2016, aquando de uma longa viagem de trabalho à cidade de Belfast, na Irlanda do Norte. Custou-me 18 libras. E como sempre quando trago cá um artigo da rubrica Backlog Battlers do nosso podcast, deixo-vos cá o vídeo dessa mesma edição, onde me poderão ouvir a falar deste jogo.

O jogo leva-nos então a encarnar no jovem Toan, habitante da aldeia de Norune que havia sido destruída por um poderoso e maléfico génio, que por sua vez havia sido libertado por um grande império distante que ambicionava controlar o mundo. No entanto, Toan encontra o Fairy King, que lhe diz ter poderes para restaurar a sua aldeia e os seus habitantes, mas para isso teremos de recolher toda uma série de esferas mágicas espalhadas numa caverna ao lado da sua aldeia. E iremos ter de fazer o mesmo nas aldeias/cidades vizinhas, o que nos irá também fazer avançar na narrativa e eventualmente lá teremos de enfrentar o tal génio.

Jogo com caixa, manual e papelada

Dark Cloud é um jogo muito peculiar, com elementos ligeiros de RPG e de um roguelike, mas também de “city builder” visto que vamos ter bastante liberdade de restaurar as diferentes localizações que vamos encontrando. Mas vamos por partes e focarmo-nos primeiramente na exploração e combate. Ora as dungeons que exploramos são aleatórias e o objectivo principal é sempre o de encontrar uma chave que nos permita desbloquear a saída para o nível seguinte, sendo que entre níveis temos sempre a possibilidade de regressar à aldeia/cidade mais próxima para gravar o progresso no jogo ou comprar reabastecer os nossos mantimentos e retomar a exploração da dungeon no novo nível que desbloqueamos, ou revisitar um dos antigos, que uma vez mais será completamente aleatório. Até aqui tudo bem, mas este Dark Cloud é um jogo algo complexo nas primeiras vezes em que o jogamos devido às restantes mecânicas de jogo. Isto porque temos de ter em conta não um, mas três diferentes barras de energia: os nossos pontos de vida, pontos de vida da arma equipada e a sede. Sim, o jogo obriga-nos a ter sempre água à mão para não corrermos o risco de desidratação, o que nos irá diminuir os nossos pontos de vida.

O génio causador de toda esta destruição. Quaisquer semelhanças com o Majin Boo são mera coincidência

Em relação às armas, como já devem ter compreendido, estas têm uma duração limitada, pelo que também devemos ter isso em consideração e comprar vários itens que as reparem. E isso é fundamental neste jogo, pois uma arma que se parta desaparece para sempre do nosso inventário, excepto a arma por defeito de Toan (e de outras personagens que eventualmente iremos desbloqueando). Isto para mim foi a parte mais aborrecida do jogo, especialmente nos primeiros níveis pois as armas acabam por sofrer dano muito rapidamente. De resto, à medida que exploramos as dungeons vamos poder encontrar também toda uma série de itens ou armas adicionais. Muitos dos itens que encontramos são objectos “anexáveis” às nossas armas, que lhes poderão conferir melhores atributos como agilidade, ataque, resistência, aumentar danos elementais ou contra certos tipos de inimigos. À medida que vamos combatendo (e garantindo que as nossas armas não se partem), estas vão ganhando pontos de experiência. Quando a barra de pontos de experiência da arma equipada estiver cheia, poderemos evoluí-la e a parte interessante é que o primeiro item equipado na arma é também absorvido pela mesma quando esta sobe de nível, herdando assim os seus atributos. Por outro lado, evoluindo as mesmas armas e os seus atributos consecutivamente, podemos eventualmente conseguir fazer uma de duas coisas: evoluir a arma para outra melhor, ou transformá-la num objecto anexável, que retém a maioria das suas propriedades originais, tornando-se assim num “customizável” poderoso para uma outra arma que queiramos evoluir rapidamente. Sim, são conceitos um pouco confusos e inicialmente eu também estava com alguma dificuldade em os absorver a todos, mas eventualmente lá se fez o “clique”.

É fortemente aconselhado trancar a câmara nos inimigos para os combater

De resto, o combate em si é todo em tempo real e ao explorar com cuidado, conseguimos na maior parte das vezes lutar apenas contra um inimigo de cada vez, o que é bastante útil visto que poderemos trancar a câmara nos inimigos e assim conseguir melhor evadir dos seus ataques e explorar as suas fraquezas. Para além de Toan, iremos desbloquear 5 outras personagens diferentes, cada qual com diferentes armas equipáveis e habilidades, sendo que metade das personagens usam armas que disparam projécteis, já a outra metade (incluindo Toan), usa apenas ataques corpo-a-corpo. Cada personagem possui também algumas habilidades que nos permitem atravessar certas zonas nas dungeons. Por exemplo, Xiao, a primeira personagem que se junta a nós, consegue saltar pequenos abismos enquanto que Goro, a personagem seguinte que se junta a nós, pode usar as suas armas para abrir certos tipos de passagens e por aí fora. Convém também referir que cada nível das dungeons possui também uma “porta traseira”, que nos dá acesso a zonas completamente opcionais, mas com inimigos muito mais fortes (que nos dão mais experiência) e itens mais raros. Mas tal como muitos roguelikes, tudo é aleatório e nem sempre conseguimos encontrar as chaves que nos desbloqueem essas zonas secretas.

Os níveis das dungeons podem ou não ter alguns locais com água. Se as tiverem são extremamente importantes pois podemos restabelecer os nossos níveis de água e de vida ali sem qualquer custo.

O outro objectivo principal da exploração das diferentes dungeons é o de collecionar todas as atla, as tais esferas mágicas que retêm as casas, objectos e habitantes das diferentes aldeias/cidades que iremos explorar. As casas, seus objectos e habitantes podem então serem restaurados e interagindo com os habitantes poderemos também ouvir alguns dos seus pedidos. Por exemplo, certas pessoas preferem estar longe/perto de outras, já outras querem estar em locais elevados, perto de água, entre outros pedidos. À medida que vamos restaurando as aldeias/cidades e também atender aos pedidos dos seus habitantes vamos sendo recompensados com tesouros espalhados pelas localidades e também dentro dos edifícios que vamos restaurando. É com estas recompensas que poderemos encontrar muitos dos itens raros que podem fortalecer as nossas personagens, desde aumentar a sua defesa, pontos de vida e a barra de sede de cada uma. Portanto reconstruir as cidades e garantir que cumprimos a vontade dos seus habitantes é também uma prioridade a ter em conta!

Cada nível tem também uma entrada secreta para uma zona opcional onde os inimigos são muito mais fortes e as recompensas maiores, mas precisam de itens próprios para serem desbloqueados e esses, tal como seria de esperar, são aleatórios.

A nível audiovisual este jogo é ainda consideravelmente simples. Não há uma grande variedade de cenários (são 6 ao todo) e os inimigos apesar de serem algo variados são também bastante simples no seu detalhe e o mesmo acontece nas localidades que exploramos/restauramos. A música é no entanto bastante agradável. Nada de especial a apontar aos efeitos sonoros do jogo, mas senti a falta de um voice acting. Sendo este um jogo onde passamos a maior parte do tempo a explorar dungeons (e iremos repetir vários níveis só para evoluir as armas das nossas personagens), não tem assim tanto diálogo quanto isso pelo que seria interessante haver algum voice acting. Tal foi a minha surpresa quando no fim do jogo vemos algumas pessoas a serem creditadas por dar a sua voz, pelo que pelo menos na versão original japonesa acredito que o voice acting exista, mas acabou por não ser incluído nesta versão europeia. Visto que este jogo é multi-lingua nos seus textos, aceitaria de bom grado as vozes originais em japonês! No entanto aparentemente as versões ocidentais deste Dark Cloud incluem alguns melhoramentos e conteúdo adicional não existente no lançamento original, como é o caso da Demon Shaft, uma dungeon opcional desbloqueável no fim do jogo.

Dark Cloud é um jogo com muitas mecânicas e subsistemas complexos, mas felizmente as primeiras horas de jogo vão ter vários tutoriais que nos ajudam.

Portanto este Dark Cloud é um jogo interessante por todos os diferentes conceitos que apresenta. É no entanto um jogo também algo frustrante e complexo, particularmente nas primeiras horas de jogo, enquanto não nos habituamos a todas estas mecânicas de jogo aqui introduzidas. Abastecer com mantimentos certos como alimentos, água e acima de tudo itens que reparem as armas será mandatório, mas no início do jogo dificilmente temos dinheiro suficiente para manter um inventário saudável. De resto, o Dark Cloud foi disponibilizado em 2015 na PS4 em forma digital, com upscales gráficos, troféus e outras novas funcionabilidades. Para além disso, deu também origem ao Dark Chronicle, seu sucessor espiritual lançado dois anos depois. Estou curioso em ver como a Level-5 evoluiu as mecânicas e conceitos nessa sequela!

Apollo Justice: Ace Attorney Trilogy (Sony Playstation 4)

Nas últimas semanas voltei à série Ace Attorney da Capcom para jogar mais uma das compilações que têm vindo a sair nos últimos anos para vários sistemas actuais. Esta compilação em específico foca-se na segunda trilogia Ace Attorney, com o jovem advogado Apollo Justice (e não só) como um dos principais protagonistas. Visto que o primeiro dos jogos desta trilogia, o Apollo Justice: Ace Attorney, lançado originalmente ainda para a Nintendo DS, é um jogo que já tinha jogado no passado, irei-me focar nos dois títulos restantes, assim como algum eventual conteúdo adicional aqui incluído.

Compilação com caixa, folhetos e disco

Independentemente dos jogos aqui incluídos nesta compilação, as mecânicas de jogo base são as mesmas de sempre para esta série. Nós encarnamos então num advogado de defesa (ou mais visto que a equipa de Phoenix Wright vai aumentando) com o objectivo de ilibar o nosso cliente de acusações de homicídio. Cada caso está tipicamente dividido em duas fases distintas, que poderão ou não acontecer mais que uma vez: investigação e julgamento. Na primeira teremos de explorar vários cenários (tipicamente os locais do crime) e falar com diversas pessoas, em busca de provas e/ou testemunhos que possam ilibar o nosso cliente e revelar o verdadeiro culpado por detrás dos crimes. Na fase dos julgamentos, vamos debater com os procuradores da acusação e questionar testemunhas, em busca de contradições e inconsistências nos seus testemunhos, uma vez mais para ilibar o nosso cliente e encontrar o verdadeiro culpado.

O Dual Destinies introduz-nos uma nova personagem a juntar-se à equipa de Phoenix Wright e Apollo Justice

Assim sendo, o segundo título desta compilação é o Phoenix Wright: Ace Attorney – Dual Destinies, lançado originalmente em 2013 para a Nintendo 3DS (e que nunca havia chegado a ser lançado em formato físico no ocidente nesse sistema). A grande novidade diria que está na inclusão de mais uma personagem para a equipa de Phoenix Wright, a jovem advogada Athena Cykes, que por sua vez nos traz algumas novas mecânicas de jogo. Enquanto o Phoenix tem a habilidade de usar uma magatama para conseguir identificar que pessoas lhe estão a esconder coisas, o Apollo tem a habilidade de analisar linguagem corporal e assim identificar quando as pessoas estão a mentir, a Athena tem também algo de novo. Para além de advogada, Athena estudou também psicologia e visto que tem um sentido de audição extremamente apurado, ela consegue então sentir discrepâncias entre o tom de voz das pessoas e aquilo que estão na realidade a sentir. Durante os julgamentos iremos colocar isto à prova várias vezes, em busca de contradições e inconsistências entre os testemunhos e aquilo que eles realmente sentem. A outra novidade está na inclusão de vários DLCs no lançamento original de 3DS e que estão felizmente incluídos nesta compilação. Para além de roupas extra para as personagens principais, existe também um novo caso para jogar e que, apesar de não ter ligação directa com a história principal que se vai desenrolando nos 5 casos normais, este até que acabou por ser uma boa surpresa. É que vamos ter de provar a inocência de uma orca no assassinato de um dono de um parque aquático!

Athena tem formação em psicologia e teremos de usar os seus talentos para procurar inconsistências entre os testemunhos e os sentimentos que realmente experienciaram

O terceiro jogo desta trilogia é o Phoenix Wright: Ace Attorney – Spirit of Justice também lançado originalmente para a 3DS em 2016 e tal como o seu percursor, o lançamento físico havia-se ficado apenas pelo Japão! Phoenix Wright viaja para o longínquo e exótico país de Khura’in a fim de visitar a sua amiga Maya Fey (sua assistente na primeira trilogia) que lá se encontrava a treinar para se tornar a líder do seu clã, enquanto Apollo e Athena permaneceram em casa. Khura’in é um lugar exótico nos costumes dos seus habitantes, mas também extremamente penalizador para advogados de defesa. Isto porque caso alguém seja considerado culpado de um crime, o advogado que defenda essa mesma pessoa, será também condenado à mesma pena que o seu cliente. Os procuradores e os próprios juízes são bastante severos e autoritários e quando acusam alguém, essa pessoa é declarada culpada muito rapidamente. Uma das razões pelas quais isso acontece é porque uma médium espiritual é chamada no início de cada julgamento para realizar um ritual muito peculiar: invocar o espírito do falecido e assistir às suas últimas memórias antes de ter sido assassinado. Naturalmente, teremos de utilizar isto em nosso favor e procurar quaisquer inconsistências entre as memórias do falecido e a interpretação que lhes é dada pela acusação. A parte interessante é que todos 5 sentidos são reflectidos nesse ritual, pelo que para além do que o falecido viu antes de morrer, temos também de ter em conta outros sentidos como cheiros, ruído ou tacto. E essa é a principal novidade nas mecânicas de jogo aqui introduzidas.

No Spirit of Justice são nos introduzidas as últimas memórias das vítimas e uma vez mais teremos de procurar inconsistências entre a interpretação dada pela acusação e o que é visível.

O jogo está então dividido uma vez mais em 5 casos distintos, sendo estes divididos entre os casos defendidos pelo Phoenix Wright no reino de Khura’in e os defendidos por Apollo Justice e Athena Cykes no seu país de origem. Infelizmente, ao contrário dos títulos anteriores onde haveriam algumas ligações entre os casos mais importantes, aqui os casos defendidos por Phoenix e os restantes advogados inicialmente não têm grande ligação para a “história” principal, embora os dois últimos casos já estejam bastante relacionados entre si e tornaram-se bastante épicos até! De resto, tal como no percursor, o lançamento original de 3DS recebeu vários DLCs como roupas adicionais para as personagens principais, um caso extra para ser resolvido e algumas pequenas histórias extra. Nesta compilação foram incluídos alguns dos DLCs de vestimentas adicionais, bem como o tal caso extra, que sinceramente não achei tão bom quanto o DLC do jogo anterior.

A compilação traz vários extras, incluindo uma extensa banda sonora

A nível audiovisual, o Apollo Justice é muito similar aos jogos da primeira trilogia, visto que este foi ainda um lançamento original de Nintendo DS. As personagens e cenários continuam em 2D, embora tenham sido redesenhadas e são apresentadas numa maior resolução. Os outros dois jogos da trilogia já foram lançados originalmente para a Nintendo 3DS, pelo que a Capcom “modernizou” os gráficos para um 3D algo simples. Sinceramente prefiro a arte original em 2D, mas visto que a 3DS é uma portátil com a particularidade de renderizar imagens em três dimensões num dos seus ecrãs, é compreensível que a Capcom queira ter tirado partido dessa funcionalidade. Ainda assim, as personagens continuam com um aspecto bastante cartoon e as suas animações continuam hilariantes, particularmente as das bizarras testemunhas com as quais nos iremos cruzar, portanto mantiveram toda a identidade da série. Já no que diz respeito as efeitos sonoros, estes são os mesmos de sempre nos 3 jogos, com os diálogos a serem acompanhados de bips, excepto nas interjeições habituais como os clássicos “objection!” que já são acompanhados por vozes. A excepção vai para o Spirit of Justice, que possui alguns diálogos chave narrados. Para além disso vamos tendo várias cut-scenes em momentos chave do jogo, particularmente nos títulos da 3DS. A banda sonora vai sendo bastante eclética e agradável ao longo da trilogia, embora para mim a do Spirit of Justice seja a melhor.

Gosto sempre de ver a arte do jogo em mais detalhe e felizmente temos aqui uma galeria para isso mesmo.

De resto, a compilação traz também algum conteúdo adicional. Para além dos DLCs dos jogos 3DS acima mencionados, temos também muito artwork que poderemos explorar, acesso a banda sonora e rever as cutscenes dos 3 jogos. Temos também um pequeno estúdio de animações onde poderemos criar pequenas sequências, mas não perdi muito tempo com isso. Um modo história onde a narrativa se desenrola sem qualquer input da nossa parte também existe, assim como activar a funcionalidade de “consultar” o nosso assistente caso tenhamos alguma dificuldade nos julgamentos.

Para quem não quiser ter mesmo trabalho nenhum e apenas apreciar a história é possível activar uma opção para esse efeito!

Portanto cá está mais uma óptima compilação da série Ace Attorney, que eu tanto gosto pelos seus casos bizarros e personagens bem humoradas. Tenho mesmo de agradecer à Capcom o esforço que tiveram em trazer os jogos desta série em formato físico, tanto para a Nintendo Switch, como para a Playstation 4. Os lançamentos originais ora estavam a ficar caríssimos, ora nem sequer haviam saído fisicamente fora do Japão! No momento de escrita deste artigo, a compilação Ace Attorney Investigations Collection acaba também por sair (e pela primeira vez com um lançamento físico europeu na PS4), pelo que também deverei jogar esses jogos daqui a uns meses.

Namco Museum 50th Anniversary (Sony Playstation 2)

Vamos voltar às compilações para mais um trabalho da Digital Eclipse, que já muitas outras compilações de jogos retro nos foram trazendo ao longo dos anos. Este título em particular, como o seu nome indica foi lançada originalmente em 2005 (embora só tenha cá chegado à Europa um ano depois) no ano em que a Namco faria 50 de existência como empresa. Esta compilação traz-nos então vários dos clássicos produzidos pela empresa nipónica para arcades, particularmente os do final da década de 1970 e anos 1980. Tendo sido mais uma compilação produzida pela Digital Eclipse, as minhas expectativas eram razoavelmente altas, mas infelizmente este não é um dos seus melhores trabalhos. O meu exemplar foi comprado a um amigo meu algures em Março de 2023.

Jogo com caixa e manual

Vamos então, muito brevemente, escrever sobre cada jogo desta compilação, visto que não são assim muitos. O jogo mais antigo aqui presente é o Galaxian (de 1979!), um dos muitos jogos que surgiram após o sucesso de Space Invaders. Afinal, o propósito do jogo é similar, pois controlamos uma nave que apenas se pode mover no eixo horizontal e temos uma série de criaturas alienígenas para combater, que também se movem na horizontal. A grande diferença é que várias dessas criaturas vão saindo da sua formação e fazer voos picados e mais agressivos para nos atacarem, antes de voltarem à sua posição original. Quanto mais tempo passa, mais frequentes e agressivas são as investiduras e o objectivo é o de destruir todas as criaturas inimigas, passando então para o nível seguinte onde tudo se repete. Este jogo deu depois origem ao Galaga de 1981, onde as mecânicas de jogo base são muito idênticas. As principais diferenças é que no início de cada nível, as criaturas inimigas vão-nos fazendo alguns voos rasantes antes de entrarem a formação, o que também nos dá a opção de destruir umas quantas no início. A formação inimiga em si é bem mais dinâmica e temos de ter em atenção às criaturas roxas, que são capazes de disparar um raio capaz de capturar a nossa nave, deixando-nos com menos vida. Caso isso aconteça, a nossa nave perdida junta-se à formação inimiga, mas a mesma pode ser recuperada quando a criatura roxa que a detém nos atacar. Se a destruirmos dessa forma, a nave capturada junta-se à nossa nave que controlamos, ficando nós com a controlar 2 naves ao mesmo tempo, o que nos duplica o poder de fogo, mas também nos deixa mais vulneráveis ao fogo inimigo. É uma óbvia mecânica de risco/recompensa, pelo que este Galaga é também mais um grande clássico. Um dos desbloqueáveis desta compilação é a versão arcade do Galaga 88 (que eu não cheguei a desbloquear), mas que um dia destes irei arranjar a sua versão PC-Engine e nessa altura lá falarei um pouco mais do jogo.

Infelizmente, mesmo a nível de apresentação, esta compilação poderia ter sido um pouco melhor trabalhada.

Passando agora a bola para outro clássico, obviamente que o Pac-Man está também aqui representado, na sua versão arcade de 1980. Já cá falei desse jogo várias vezes noutras versões, pelo que não me irei alongar aqui. O Ms. Pac-Man de arcade está também aqui presente, embora seja curioso que esse jogo não foi originalmente desenvolvido pela Namco, mas sim pela Midway, empresa que distribuiu as arcades Pac-Man nos Estados Unidos. Eventualmente a Namco assumiu esse jogo como “oficial”, pelo que está também aqui representado. Por fim, o segundo jogo desbloqueável desta compilação é também a versão arcade do Pac-Mania de 1987, cujas versões Mega Drive e Master System também já foram cá trazidas.

Como não podia deixar de ser, o Pac-Man é um dos jogos obrigatórios. O Ms Pac-Man também entrou e o Pac-Mania pode ser desbloqueado.

Mas voltando a 1980, o Rally-X é outro dos clássicos arcade da Namco aqui presente. É um outro jogo influenciado pelo Pac-Man, na medida em que temos um labirinto para percorrer, mas com várias diferenças consideráveis, a começar pelo labririnto que é bem maior e não cabe todo no ecrã e o facto de controlarmos um carro em vez de um smiley amarelo. O objectivo é então o de percorrer esse labirinto e coleccionar as 10 bandeiras amarelas por lá espalhadas. Temos no entanto de nos esquivar de uma série de carros vermelhos que nos começam a perseguir, assim como de várias rochas também espalhadas nos labirintos. O combustível é também limitado e do lado direito do ecrã temos um mostrador do combustível restante, assim como um ecrã tipo radar com a posição das tais bandeiras amarelas e dos carros que nos perseguem. Em 1981 sai o Bosconian que também aproveita o conceito deste tal radar, embora já seja um shmup. Mas ao contrário dos Galaxian/Galaga, aqui já nos podemos mover livremente pelo ecrã e o objectivo é o de destruir várias bases espaciais inimigas, assim como uma série de outras naves inimigas mais pequenas que vão sendo lançadas pelas bases para nos atacarem directamente. O radar à direita do ecrã mostra a posição dos inimigos que teremos de destruir e outra das particularidades do jogo é o facto de a nossa nave disparar projécteis frontais e traseiros respectivamente.

Galaga, um jogo tão simples, porém tão viciante!

1982 traz-nos mais uns quantos clássicos arcade da Namco que estão também aqui representados. Um dos mais importantes (pelo menos para o género dos shmups) é o Xevious, cuja versão NES já cá trouxe no passado. No mesmo ano tivemos também o Dig Dug, um videojogo muito peculiar. Aqui controlamos uma criatura que vai construindo túneis subterrâneos à medida que nos vamos movendo pelo cenário. O objectivo é o de destruir todos os inimigos presentes no ecrã e podemos fazê-lo de duas formas: Dig Dug está munido de uma bomba de ar que pode ser atirada para a sua frente. Se apanhar algum inimigo, podemos usar a bomba de ar para os ir enchendo, se bem que temos de ficar imóveis (e dessa forma vulneráveis) enquanto os vamos enchendo de ar. Se conseguirmos ar suficiente, os inimigos rebentam que nem balões. Se nos mexermos, a bomba de ar solta-se dos inimigos e estes vão lentamente esvaziando, até que se possam mover outra vez. A segunda forma que temos de atacar os inimigos é inerente aos cenários, pois temos também algumas rochas presentes no solo que podem ser “desenterradas” e caso caiam sobre os inimigos matam-nos. No entanto nós também podemos cair nessa mesma armadilha. Uma vez derrotados todos os inimigos, passamos para o nível seguinte onde repetimos este processo, com a dificuldade a aumentar consecutivamente.

Pole Position foi um jogo muito revolucionário para 1982.

1982 foi também o ano de um outro jogo revolucionário, o Pole Position. Foi um dos primeiros, senão mesmo o primeiro, videojogo arcade de corridas com uma câmara posicionada na traseira do carro e, acompanhado de um hardware bastante poderoso para a época, os seus gráficos não deixaram ninguém indiferente. Foi uma grande pedrada no charco e a sua fórmula visual acabaria por se tornar num standard de muitos outros jogos de corrida que lhe seguiram. O jogo em si é simples, onde temos apenas um circuito para competir, mas com a obrigação de cumprir primeiro uma volta de qualificação para depois competir contra os restantes oponentes. Este clássico foi seguido pelo Pole Position II, lançado no ano seguinte, que utiliza a mesma fórmula, mas acrescenta mais 3 circuitos jogáveis e melhora ligeiramente os gráficos.

Quaisquer semelhanças que o Flicky da Sega tenha com este jogo são mera coincidência. Ou não.

Segue-se depois o Mappy de 1983, cuja versão Famicom joguei bastante nos anos 90 nas clones que muito se viam por aí. Nós aqui controlamos um rato polícia que tem de recolher toda uma série de objectos roubados por um gangue de ratos, que também nos vão perseguindo ao longo dos níveis. Entre os vários corredores temos alguns trampolins que podemos usar para os alcançar, sendo que temos de ter em atenção em não saltar demasiadas vezes seguidas no mesmo trampolim visto que este pode romper. Os gatos que nos perseguem também não nos podem causar dano enquanto lá saltamos! Nos corredores temos também portas que apenas podem ser abertas do lado do seu puxador e que podem atordoar os inimigos ou, no caso das portas coloridas, lançarem umas ondas electromagnéticas que derrotam os inimigos que vão no nosso encalço. Uma vez recolhidos todos os objectos no nível, saltamos para o seguinte, com a dificuldade a ir aumentando consecutivamente.

O Sky Kid é um dos poucos jogos desta compilação que eu nunca tinha ouvido falar!

Esta compilação não traz nenhum jogo de 1984, pelo que o seguinte é um título de 1985, o Sky Kid, embora fosse um jogo que eu desconhecesse por completo. Basicamente é um shmup horizontal onde controlamos uma pequena avioneta e ao contrário de outros jogos do mesmo género, ao mover o avião pelo ecrã, mudamos também a sua orientação e direcção dos disparos! De resto os níveis seguem todos uma estrutura semelhante. A primeira parte leva-nos a combater uma série de inimigos terrestres e aéreos, enquanto que na segunda parte devemos aproximarmo-nos da superfície, apanhar uma bomba, combater mais inimigos e bombardear um objectivo principal, seja uma base inimiga ou um navio. A recta final leva-nos a aterrar numa pista de aterragem e repetimos o processo no próximo nível. O único jogo de 1986 desta compilação é o primeiro Rolling Thunder, um excelente jogo de acção mas também bastante desafiante com a quantidade absurda de inimigos que vamos encontrando. Em Rolling Thunder temos tipicamente 2 planos de acção onde vamos podendo alternar, um no chão, outro superior, bem como toda uma série de portas onde também nos poderemos esconder temporariamente para nos evadirmos do fogo inimigo ou até recuperar algumas munições. De resto, para além dos Galaga 88 e Pac-Mania já brevemente mencionados acima, o único outro jogo original de 1987 é nada mais nada menos que o Dragon Spirit, um shmup vertical cuja versão PC-Engine também já cá trouxe no passado.

Este foi dos primeiros jogos que terminei no MAME, mas mesmo com save states foi um martírio!

De resto, esta compilação traz muito pouco de conteúdo adicional. Visto que todas as versões aqui presentes são arcade, poderemos customizar alguns dos parâmetros que os operadores das máquinas tinham a possibilidade de fazer, como alterar a dificuldade, número de vidas por crédito entre outros parâmetros. Infelizmente, ao contrário do excelente trabalho que a Digital Eclipse tem vindo a fazer em compilações recentes, não temos nenhum outro conteúdo bónus a não ser os tais jogos extra que poderão ser desbloqueados. Para uma compilação intitulada de Namco Museum, de museu tem muito pouco. As compilações Namco Museum originais de PS1, produzidas pela própria Namco, já incluíam muito conteúdo bónus como flyers, manuais, entre outros itens promocionais da época. Aliás, todas essas compilações eram exploradas como uma visita a um museu autêntico, pelo que se perdeu aqui uma boa oportunidade de se ter celebrado melhor os 50 anos da Namco.

Daemon Summoner (Sony Playstation 2)

Depois de uma longa ausência relacionada com picos de trabalho e um longo e merecido período de férias, é tempo de voltar à carga e vamos recomeçar as escritas com um jogo que não é lá muito bom, mas eu já deveria saber disso antes de o ter comprado pois é um dos muitos jogos que a Midas publicou para este sistema. Ao menos seguramente o comprei bastante barato, embora já não me recorde quando e onde o terei feito.

Jogo com caixa e manual

Este é um first person shooter que decorre em Londres em plena época Victoriana no ano de 1888, onde nós encarnamos numa espécie de caçador de vampiros que procura vingança pela sua esposa ter sido transformada num vampiro. Iremos então percorrer as ruas de Londres (e não só) em busca dos vampiros que a tornaram nessa abominação, mas vamos também enfrentar várias outras criaturas como lobisomens, zombies ou outras criaturas demoníacas.

Esta besta é a nossa primeira arma, pena que demore 5 segundos entre cada disparo! Mas ao menos, se continuarmos a andar para trás não sofremos dano.

Os controlos não são assim tão maus quanto isso, com os analógicos a servirem para controlar o movimento e a câmara, sendo que o L3 e R3 servem para agachar e ampliar a mira, respectivamente. O R1 serve para disparar, R2 para atirar lanternas como se fossem cocktails Molotov, já os restantes botões de cabeceira têm usos mais particulares e alguns sinceramente nem entendi bem (até o manual não é claro neste aspecto). Os botões faciais servem para ataques corpo-a-corpo (triângulo), recarregar a arma equipada (quadrado), mudar de arma (circulo) e interagir com objectos ou escalar certos obstáculos (X).

Infelizmente não há uma grande variedade de criaturas, mas os lobisomens são das mais perigosas.

Infelizmente no entanto a jogabilidade é francamente má. O sistema de detecção de colisões é péssimo, com inimigos exactamente iguais a precisarem de um número diferente de tiros na mesma zona do corpo para serem derrotados. Mas o que leva a cereja no topo do bolo é o facto de os inimigos não nos conseguirem atacar enquanto nós andamos para trás. Tendo em conta que os níveis são grandes, com espaços amplos ou inúmeros corredores idênticos, conseguimos passar uma grande parte do combate sem sofrer qualquer dano se utilizarmos este truque. Para além de ser muito habitual os inimigos ficarem também presos em esquinas ou outros obstáculos. O segundo nível é uma excepção, na medida em que o temos de completar sem sermos detectados, pelo que o combate aí está completamente fora de questão, resultando num game over imediato. Mas mesmo aí o jogo é bastante inconsistente, pois podemos passar muito perto de alguns inimigos sem que nada aconteça, ou não termos ninguém próximo de nós e mesmo assim sermos descobertos, obrigando-nos a repetir o nível. É de longe a parte mais frustrante do jogo, mas uma vez ultrapassado esse obstáculo, mais umas 2 horinhas em cima e temos o jogo terminado. Sim, Daemon Summoner é muito curto.

O detalhe gráfico de alguns inimigos até que está bastante bom!

A nível audiovisual o jogo até tem os seus méritos. Os inimigos, apesar de não serem muito variados, estão muito bem detalhados para um jogo da PS2. Já os níveis, apesar de alguns efeitos de luz ou meteorológicos interessantes, não são nada de especial. Isto porque dentro dos mesmos níveis, não há uma grande variedade nas texturas, muitas vezes temos corredores labirínticos intermináveis e dois dos níveis até se repetem em fases distintas do jogo. A música título até é bastante boa, orquestral e com uns toques que se adequam perfeitamente ao clima mais de “terror” que o jogo tenta transparecer. O voice acting é bastante competente, mas pena que fora das cutscenes, a voz da nossa personagem esteja a um volume bastante baixo quando comparado com o do ruído ambiente, pelo que nem sempre se entende bem o que o homem está para ali a dizer.

Portanto este Daemon Summoner é um jogo com imensos problemas e que dá mesmo a sensação de ser um produto inacabado e apressado para sair para o mercado. E aparentemente, depois de alguma investigação na internet, parece que foi mesmo esse o caso, com o mesmo a ter sido desenvolvido por um estúdio independente britânico e que atravessou sérias dificuldades financeiras. O que aqui temos é um produto com 3 meses de desenvolvimento e com uma equipa de elevada rotação. O pouco que se conseguiu fazer nesse período de tempo já me parece bastante bom e o que aqui temos é um jogo que tinha potencial para ser bastante superior.

SNK 40th Anniversary Collection (Sony Playstation 4)

No seguimento da Sega Mega Drive Ultimate Collection, apeteceu-me ir jogando mais uma compilação retro e a escolhida acabou mesmo por ser esta colectânea lançada originalmente na Nintendo Switch em 2018 e no ano seguinte para os restantes sistemas. Foi uma colectânea trabalhada pela Digital Eclipse (que acabei de saber que era a mesma Backbone que trabalhou na compilação da Sega acima mencionada) tendo eles trabalhado também na excelente TMNT: The Cowabunga Collection que já cá trouxe no passado. O meu exemplar foi comprado numa loja cá no norte do país há uns bons meses atrás.

Compilação com disco. Podia ter vindo com mais qualquer coisa!

A compilação foi lançada originalmente para a Switch com suporte a 14 jogos no total, com o lançamento noutros sistemas a introduzir 11 novos jogos (cujos poderiam ser descarregados sem custos para os donos da versão switch) trazendo o total para 25 jogos sendo que a versão Xbox traz ainda um outro jogo exclusivo para essa versão, o Baseball Stars da NES. Sinceramente não acho que se tenha perdido grande coisa. Desses 25 jogos, 2 deles são exclusivos da NES/Famicom, os restantes são arcade mas alguns deles possuem também versões NES / Famicom para serem jogadas. Todos os jogos aqui presentes suportam save states, rewind e algumas customizações adicionais, desde várias opções de vídeo ou mesmo alterar algumas das opções de jogo no caso dos títulos arcade. Para além de todos estes jogos temos também uma secção de museu, onde poderemos ver pequenas apresentações sobre todos os jogos da SNK lançados entre 1979 e 1990, excepto claro os jogos do sistema Neo Geo. Para além disso temos também acesso a vários scans de folhetos arcade e artwork e outros materiais promocionais da SNK dessa geração. Por fim temos também acesso a umas quantas banda sonoras de jogos desta compilação.

Se há coisa que eu acho que a Digital Dreams acertou, foi na maneira como a arte dos jogos SNK está integrada com todos os menus

Falando um bocadinho de todos os jogos aqui presentes e irei mencioná-los por order alfabética, visto que é a única opção de ordenação que temos disponível, infelizmente. Começamos então pelo Alpha Mission, que é um shmup de 1985 e que vai buscar muitas inspirações ao Xevious, nomeadamente a possibilidade de dispararmos projécteis ar-ar para atacar outros inimigos aéreos e ar-terra para alvos terrestres. À medida que vamos avançando poderemos apanhar toda uma série de power ups que nos melhoram as armas existentes ou aumentam a nossa barra de energia que surge no fundo do ecrã. Temos também outros power ups que nos permitem transformar a nossa nave, que por sua vez contém armas super poderosas que vão consumindo essa barra de energia. Existem várias transformações diferentes com diferentes habilidades associadas e como devem calcular é um jogo bastante desafiante por todos os inimigos no ecrã que se tornam cada vez mais agressivos e numerosos à medida que vamos avançando no jogo. Visualmente é um jogo repetitivo, pois não há grande variedade de cenários. A versão NES está também aqui presente mas não perdi muito tempo com a mesma, sendo uma adaptação bem mais modesta do original arcade. Uma vantagem da versão NES é o facto de termos de pausar o jogo e seleccionar qual das transformações que queiramos activar, logo que as tenhamos coleccionado. Na versão arcade teremos de fazer isso em tempo real, o que é mais desafiante.

Os extras incluem pequenas apresentações de todos os jogos da SNK pré-Neo Geo, alguns documentos adicionais e bandas sonoras para ouvir

O Athena é um jogo de plataformas de 1986 onde controlamos uma princesa de mesmo nome. Começamos por jogar de bikini e apenas munidos de um pontapé, mas à medida que vamos explorando, derrotando inimigos e apanhar diversos power ups, poderemos equipar diferentes armas e armaduras que Athena passa a usar. Os níveis vão sendo variados, atravessando diferentes florestas, montanhas, cavernas ou até zonas subaquáticas onde Athena se transforma em sereia para melhor as atravessar. Não é um jogo do outro mundo, mas até que é um platformer interessante quanto mais não seja por oferecer alguma não linearidade na exploração, o que não era muito usual para a data. É bem melhor que a versão NES que está aqui também incluída, embora essa seja uma versão que gostaria um dia destes de arranjar para a colecção.

Em cada jogo podemos optar pela versão ocidental ou japonesa, assim como as suas versões NES, caso existam.

Segue-se o Beast Busters de 1989. Este é um light-gun shooter algo parecido com o Operation Wolf, com a distinção de sermos nós contra várias hostes de zombies e outras criaturas mutantes, assim como ser um jogo que suportava multiplayer para até 3 jogadores em simultâneo. Tal como o Operation Wolf no entanto, é um jogo bastante desafiante na medida em que vamos ser atacados constantemente e é practicamente impossível não sofrer dano. Para além disso as munições são limitadas, pelo que teremos também de ir apanhando power ups para as restabelecer (balas de metralhadora e diversos tipos de granadas). Bem mais raros são no entanto os itens que nos regeneram a barra de vida, pelo que esperem por perder uns quantos créditos aqui. No entanto é um jogo que ganha pontos pela sua violência extrema e pelo design original de várias das criaturas que vamos combater. Infelizmente a banda sonora não é grande coisa e embora eu não o tenha referido até agora, tal é comum em todos os jogos que já mencionei aqui até agora.

Cada jogo pode ser jogado com diversos filtros visuais e resoluções

O título seguinte é o Bermuda Triangle de 1987, mais um shmup vertical exclusivo das arcadas mas com um conceito interessante. É um jogo onde vamos viajando para trás no tempo, começando por combater no algures no século XVI, regredindo nível após nível até ao ano de 981 em pleno antigo Egipto. De qualquer das formas as mudanças de época apenas se reflectem nos cenários, pois todos os inimigos são naves futuristas. É também um jogo com mecânicas fora do comum na medida em que é um twin-stick shooter, com ambos os analógicos a serem utilizados para controlar a nossa nave e a direcção de disparo respectivamente. Os restantes botões servem para disparar ou para alterar a disposição das naves satélite que vamos apanhando. O jogo possui uma barra de energia que quanto maior estiver, mais forte se torna a nossa nave, por outro lado esta é também bastante grande, tornando-se difícil esquivar de todo o fogo inimigo. É também um jogo curioso na medida em que todos os níveis começamos por seguir em frente, para depois andar o caminho todo de marcha-atrás, seguindo em frente novamente até ao boss.

Segue-se o Chopper I de 1988 e até ver nunca houve nenhum Chopper II, portanto o nome do jogo é algo curioso. É mais um shmup vertical, embora este seja mais simples nas suas mecânicas. Tal como o nome indica, controlamos um helicóptero militar e o objectivo é o de derrotar todo um exército inimigo sendo que vamos tendo uma série de power-ups para apanhar que nos auxiliarão nesse desafio. Uns aumentam o nosso poder de fogo e dão-nos ainda o extra de ter mísseis teleguiados, enquanto podemos também acumular um máximo de 4 specials que poderão ter efeitos diferentes entre si e que podem ser usados com um botão próprio. De resto é um jogo com gráficos coloridos e bem detalhados e uma banda sonora que apesar de algo discreta não me pareceu nada má de todo.

O Beast Busters foi a primeira grande surpresa desta compilação, sendo um light gun shooter bastante violento e bem detalhado

O Crystalis é para mim um dos maiores destaques desta compilação, visto ser um dos poucos exclusivos de NES que a SNK produziu. É também um jogo de 1990, lançado originalmente no Japão meras semanas antes da Neo Geo, plataforma sobre a qual a SNK se passou a focar inteiramente desde então. É também o jogo mais recente desta compilação. E este Crystalis é nada mais nada menos que um RPG de acção que até é bastante competente no que faz. Decorre num mundo pós-apocalíptico, embora já deva ter passado tanto tempo que os vestígios da “nossa” civilização já nem são visíveis. Nós encarnamos numa personagem anónima, um suposto cientista que acorda do seu “crio-sono” 100 anos após a tragédia e à medida que vamos explorando, vamo-nos apercebendo que um vilão anseia novamente dominar o mundo. A nível de mecânicas este é um RPG de acção onde vamos ganhando experiência e dinheiro à medida que vamos derrotando inimigos. A primeira faz com que subamos de nível e assim possamos ficar mais fortes, enquanto o dinheiro serve para ser gasto em lojas, sejam em itens como equipamento diverso. As espadas que vamos coleccionando dão dano elementar e adquirindo certos itens mágicos permitem-nos também desencadear alguns ataques mágicos capazes de causar bem mais dano, bem como abrir certas passagens no mapa. Os controlos são simples com um botão para atacar e outro para utilizar algum item que tenhamos eventualmente equipado. É um jogo bastante competente nas suas mecânicas, gráficos e possui uma banda sonora bastante boa para um jogo 8bit. A única coisa que me chateou um pouco é o facto de existirem inimigos com resistência total a certos elementos, o que nos obriga, em certas dungeons, a estar constantemente a mudar de espada.

Uma óptima maneira de termos o Crystalis na colecção sem ter de pagar com órgãos

Depois do Crystalis segue-se um dos jogos mais antigos desta compilação, o Fantasy de 1981. É um jogo arcade extremamente simples nas suas mecânicas pois apenas temos o joystick para controlar a nossa personagem que procura resgatar a sua namorada. E o jogo tem 8 níveis, muitos deles eles com jogabilidades bem distintas entre si, onde ora teremos de escapar de certos inimigos ou obstáculos durante algum tempo/distância, escalar plataformas num nível que certamente terá sido influenciado pelo Donkey Kong ou outros níveis onde teremos de derrotar certos inimigos para resgatar a Cherri. De acordo com o “museu” desta compilação, este é dos primeiros jogos arcade a ter um fim, o que é uma curiosidade interessante. Ah, e tem várias vozes digitalizadas, o que também não deveria ser assim tão comum para 1981.

Um jogo com Che Guevara e Fidel Castro como protagonista nunca poderia ser chamado assim nos Estados Unidos. Mas foi mais uma boa surpresa!

Depois viajamos novamente para 1987 para este Guerilla War e escrever sobre este jogo antes do Ikari Warriors é uma injustiça pois foi seguramente influenciado pelo mesmo. É então um shooter com uma perspectiva vista de cima onde sozinhos (ou com um amigo) teremos um autêntico exército para combater, assim como resgatar uns quantos reféns para pontos de bónus adicionais (ou subtraídos caso os matemos por acidente). Tal como o Ikari Warriors este é um twin stick shooter, na medida em que um dos analógicos controla o movimento enquanto o outro controla a direcção de fogo. É um jogo curto, porém repleto de acção e violência e até podemos conduzir tanques! Um detalhe curioso sobre este jogo é que o mesmo é conhecido como Guevara no seu lançamento original nipónico e controlamos nada mais nada menos que Che Guevara ou Fidel Castro. Compreende-se o porquê do nome do jogo ter sido alterado no território americano. De resto a versão NES está aqui também incluída e esta, ao contrário do Ikari Warriors, até que é uma conversão bem competente no sistema da Nintendo!

A introdução de várias versões NES sempre que aplicável (e variantes Famicom) foi uma boa adição… mas ali o Time Soldiers de Master System sentiu-se discriminado.

O jogo que se segue é então o famoso Ikari Warriors de 1986, um dos muitos clones de Commando que foram surgindo ao longo dos anos. É um daqueles jogos inspirados em filmes como o Rambo II onde sozinhos (ou com um amigo) teremos uma selva para atravessar e um autêntico exército inimigo para enfrentar. É também um twin stick shooter, onde poderemos disparar a nossa metralhadora ou atirar granadas. Para além disso, poderemos também conduzir tanques que esses já têm uma barra de vida que poderá ser restabelecida ao apanhar itens com gasolina. Usar os tanques com perícia é chave para o sucesso, visto que os inimigos surgem às dezenas, explosões por todo o lado e ter a capacidade de sofrer algum dano é imprescindível. Temos também a versão NES que infelizmente é uma conversão não muito bem sucedida.

O segundo Ikari Warriors é bastante diferente do seu predecessor a nível estético!

O Ikari Warriors II (também conhecido por Victory Road) é também um jogo de 1986 e apesar de se manter um twin stick shooter onde enfrentaremos dezenas de inimigos, muda radicalmente na sua apresentação e conceito. Isto porque iremos combater criaturas fantasiosas e os próprios cenários são bastante diferentes do habitual. Em vez de tanques temos armaduras e desta vez teremos também diferentes armas que poderemos vir a usar, incluindo uma grande espada que é também capaz de deflectir os projécteis inimigos. Sinceramente não gostei tanto deste jogo, apesar de algumas novidades terem sindo benvindas. A versão NES está também aqui disponível mas pouco a joguei. Felizmente nesta versão podemos “trancar” a nossa direcção de disparo ao manter o botão pressionado, o que já é uma grande ajuda perante a adaptação da prequela.

O Ikari Warriors III é um jogo de 1989, pelo que corre num hardware mais capaz e de certa forma é um regresso às origens, pelo menos a nível de ambiente. Uma ou duas pessoas numa selva e a defrontar um enorme exército! No entanto a jogabilidade é também bastante diferente dos anteriores, pois este jogo foca-se muito mais no combate corpo a corpo, como se um beat ‘em up se tratasse (embora seja jogado numa resolução vertical). Socos e pontapés, ocasionalmente lá poderemos encontrar facas ou metralhadoras (com munições muito limitadas), assim como poderemos tirar partido de alguns explosivos como barris de combustível ou simplesmente granadas que os inimigos nos atiram e poderemos devolver o presente se formos rápidos o suficiente. Visualmente o jogo é muito superior aos seus predecessores com sprites grandes e bem detalhadas, não estando nada longe daquilo que os primeiros jogos da NeoGeo nos ofereceram. Como tem sido habitual temos também uma versão NES aqui presente que é muito mais simplificada, embora tenha um nível extra.

Já o terceiro Ikari é mais beat ‘em up do que shooter mas gostei bem mais do que o segundo.

Segue-se o Iron Tank, o segundo jogo exclusivo da NES/Famicom desta compilação, também originalmente lançado em 1988. Este jogo é influenciado pelo TNK III das arcadas, que por sua vez é um precursor do primeiro Ikari Warriors (seria muito mais fácil manter uma linha condutora se a compilação permitisse ordenar os jogos por ano de lançamento…). Ora o jogo em si até não é mau, mas os seus controlos requerem habituação. Isto porque o direccional controla o tanque e os botões A e B controlam as suas armas (metralhadora e canhões, respectivamente). Mas ao pressionar o botão A em simultâneo com uma direcção, passamos a disparar exclusivamente nessa direcção, enquanto poderemos movimentar o tanque noutra direcção totalmente diferente. Visto que iremos atravessar vários segmentos onde seremos atacados de todos os lados, isto é uma técnica que teremos rapidamente de dominar. De resto temos vários power ups para apanhar sob várias letras. Os mais comuns são os E, que nos restabelecem energia. V é rapid fire, F são munições capazes de atravessarem superfícies, B são munições explosivas e L de longo alcance. R são reservas de combustível e por fim temos o ponto de interrogação, uma super arma capaz de destruir todos os inimigos no ecrã. Todas estas funcionalidades possuem usos limitados e podem ser activadas/desactivadas num menu próprio. Alguns outros detalhes interessantes deste jogo é a sua não linearidade repleta de caminhos alternativos e as comunicações por rádio, onde frequentemente nos chamam de “Snake”.

O jogo que se segue é o Munch Mobile de 1983. É um jogo bastante original na medida em que controlamos um carro com olhos e braços. Em níveis de scrolling automático a ideia é a de percorrermos o percurso em segurança, sem sair da estrada e evitar todos os obstáculos que iremos cada vez mais encontrar. Os braços servem para apanhar itens como comida, dinheiro ou combustível que se encontram espalhados nas bermas da estrada. O dinheiro apenas nos dá pontos, a comida também mas se conseguirmos depositar os restos em caixotes do lixo também espalhados pela estrada mais pontos ganhamos ainda. O combustível é para nos permitir continuar a jogar, visto que teremos de ir reabastecendo várias vezes ao longo de cada nível.

No meio de tanto (twin stick) shooter, não se pode dizer que a SNK não tenha aqui alguns jogos bastante originais no seu conceito. O Munch Mobile é um deles.

O Ozma Wars é o jogo mais antigo desta compilação, tendo sido lançado em 1979! Como muitos jogos arcade dessa época, não existe qualquer final, pelo que o objectivo é mesmo o de sobreviver o máximo que conseguirmos e fazer a melhor pontuação possível. E este é um shooter como muitos jogos o eram depois do sucesso do Space Invaders da Taito. Mas os inimigos são bem mais móveis e dinâmicos. A nossa vida é representada por um número com energia que vai diminuindo constantemente e ainda mais de cada vez que somos atingidos. Ocasionalmente lá aparece a nossa nave mãe para nos reabastecer de energia. E é isto, um jogo simples nas suas mecânicas.

Segue-se o Paddle Mania de 1988, sendo este mais um jogo bastante original no seu conceito. Inicialmente parece um jogo de ténis, mas na verdade é muito mais que isso. Apesar de controlarmos um tenista, o objectivo é na verdade o de marcar golos na baliza inimiga e evitarmos sofrermos golos também. No final do tempo, quem tiver marcado mais avança para a fase seguinte. E o curioso deste jogo é que não vamos só enfrentar outros tenistas, mas também adversários curiosos como equipas de vólei, lutadores de Sumo, surfistas ou até atletas de natação sincronizada! É bastante engraçado!

Apesar de a imagem não lhe fazer justiça, o Paddle Mania até é um jogo bem engraçado. Afinal não é qualquer um que mistura ténis, futebol e nos coloca a competir contra lutadores de sumo ou equipas de natação sincronizada!

O jogo que se segue é o P.O.W.: Prisoners of War, um beat ‘em up de 1988. Como o nome do jogo indica nós somos um prisioneiro de guerra e, depois de escaparmo-nos da nossa cela, lá teremos de enfrentar todo um exército uma vez mais, até que consigamos finalmente escapar e evacuados para segurança. Apesar de não ser um jogo que reinventa a roda, tem bonitos visuais e os controlos ainda nos permitem fazer umas quantas coisas. Originalmente apenas teríamos 3 botões de acção para socos, pontapés e saltos, mas nesta versão conseguimos assignar botões para acções que originalmente requeriam mais que um botão pressionado em simultâneo, como é o caso das cabeçadas ou socos para trás. Também temos uma versão NES que é apenas single player, não nos permite executar todo o tipo de golpes, mas possui novos inimigos, bosses, armas e power ups.

Prehistoric Isle, o boss final é qualquer coisa a nível de detalhe! Passava facilmente por um jogo Neo Geo.

O Prehistoric Isle é mais um shmup, embora este seja horizontal. É um jogo lançado em 1989 e controlamos um pequeno avião que explora uma ilha perdida no triângulo das Bermudas. Ilha essa que está pejada de dinossauros e homens das cavernas que nos atacam incessantemente. A mecânica interessante aqui é a de podermos equipar um satélite que voa à nossa volta e manipular a posição em que o mesmo nos acompanha, para além de podermos apanhar toda uma série de power ups que tornam o nosso avião mais poderoso ou mais rápido. É um jogo com gráficos bem competentes (como é o caso de todos os títulos de 1989 que joguei nesta compilação) e uma banda sonora também muito agradável. Um dos melhores desta compilação, sinceramente.

Foi bom descansar um pouco de shmups e twin stick shooters com este beat ‘em up!

A letra P termina com o Psycho Soldier de 1987, uma sequela espiritual do Athena lançado um ano antes. Isto porque uma das protagonistas é também chamada Athena, embora seja uma descendente da protagonista do primeiro jogo. É a mesma Athena da série King of Fighters, que neste jogo está também acompanhada pelo Sie Kensou, uma outra personagem do KOF. E este jogo é bastante diferente do seu predecessor, na medida em que é bem mais linear, o ecrã tem auto scrolling e frequentemente vamos atravessando áreas com 3 níveis de plataformas onde poderemos caminhar. Existem imensos power ups, com itens que nos melhoram os ataques normais e outras esferas que uma vez apanhadas começam a orbitar à nossa volta. Essas podem-nos proteger de algum dano inimigo, mas podem também serem utilizadas para ataque, consumindo uma barra de energia que vemos no fundo do ecrã. Outros itens podem-nos permitir transformar numa fénix com um ataque poderoso. Muitos power ups estão escondidos em paredes destrutíveis, uma das poucas coisas que este Psycho Soldier herda do Athena original. De resto, naturalmente que é um jogo bastante desafiante, mas confesso que não gostei tanto do jogo quanto isso. É também um lançamento notável por ter algumas músicas cantadas com vozes reais, bem como outras amostras de vozes digitalizadas com boa qualidade. E isso, para um jogo de 1987 há-de ter sido realmente impressionante.

Apesar de achar o Psycho Soldier mais aborrecido que o Athena, o engrish é real (e está longe de ser caso único nesta compilação). Terá também impressionado pelas vozes cantadas, embora quem tenha cantado em inglês não é fluente. Nem cantora.

Segue-se o SAR: Search and Rescue, mais um título de 1990 e mais um twin stick shooter que até achei bastante interessante. Fez-me lembrar o Alien Syndrome da Sega, embora muito mais sangrento e com criaturas bem mais diversas que iremos enfrentar, como aliens, zombies ou máquinas. No entanto ao contrário do que o seu nome indica, não andamos aqui a salvar ninguém… parece que se ficaram pela procura. O objectivo é então o de ir percorrendo uma série de níveis, enfrentando inimigos cada vez mais agressivos e numerosos, com bosses à nossa espera no final de cada área. Os controlos são simples, com um botão para disparar e outro para nos desviarmos, sendo que teremos à nossa disposição várias armas diferentes para coleccionar. Mais uma boa surpresa desta compilação, é um jogo que desconhecia completamente.

Search and Rescue, mais um twin stick shooter violento e uma boa surpresa

Em seguida voltamos ao ano de 1980 para o Sasuke vs Commander. Como devem calcular, este é um jogo bastante primitivo e eu diria que algo influenciado por títulos como Space Invaders ou Galaxian. Mas em vez de lutarmos contra naves inimigas, atacamos ninjas que se atiram do alto do ecrã na nossa direcção e também nos teremos de desviar dos seus projécteis. No final do nível somos levados para um nível de bónus onde teremos um inimigo mais poderoso para enfrentar dentro de um tempo limite. Se o conseguirmos derrotar, óptimo, caso contrário apenas não recebemos pontos extra e seguimos para o nível seguinte, onde todo este processo se repete, com a dificuldade a tornar-se cada vez maior.

Apesar de serem jogos bem mais simples, é muito interessante poder experimentar estes títulos do início dos anos 80/finais de 70.

Depois é altura de voltarmos ao ano de 1989 para o Street Smart, um jogo de luta da SNK bastante peculiar nas suas mecânicas. Basicamente pensem num jogo de lutas de rua como se um beat ‘em up se tratasse onde nos podemos movimentar livremente pelo cenário, mas com combates de um contra um. Temos botões de socos, pontapés e saltos, assim como a possibilidade de encadear os golpes uns nos outros com combos. Não é de longe um Street Fighter II ou mesmo um Fatal Fury, mas é um jogo interessante. De notar que a nossa barra de vida não é regenerada entre combates, assim como não vermos a barra de vida dos nossos oponentes. Apenas quando eles piscam a vermelho é que sabemos que estão próximos de serem derrotados.

Street Smart, talvez o primeiro jogo de luta de 1 contra 1 da SNK, embora seja muito diferente do que nos viria a habituar num futuro próximo

O jogo que se segue é um título de 1987, o Time Soldiers, que já cá trouxe no passado a sua versão de Master System. Esta versão é notoriamente bem melhor a nível audiovisual, estando muito melhor detalhada, embora a banda sonora não seja nada do outro mundo. É um twin stick shooter, controlando-se então muito melhor dessa forma e onde teremos de viajar no tempo para resgatar uns quantos colegas nossos. É um jogo com progresso não-linear, o que era também algo original para a época.

A versão arcade do Time Soldiers é bem superior à da Master System mas seria interessante ter cá essa versão também.

Depois regressamos ao ano de 1985 para o TNK III, mais um twin stick shooter e um predecessor da série Ikari Warriors, pois apesar de controlarmos um tanque, esse é conduzido nada mais nada menos pelo Ralf Jones, uma das personagens de Ikari Warriors. É também o jogo que inspirou o Iron Tank da NES, já aqui acima mencionado. A maior parte dos power ups mencionados na versão da NES também aqui existem, embora a sua utilização seja directa. É no entanto um jogo mais repetitivo pois os inimigos e cenários não são muito variados entre si, nem muito detalhados. A banda sonora é practicamente não existente.

Vanguard, um jogo de 1981 com scrolling horizontal, vertical e diagonal!

O próximo (e penúltimo) jogo desta compilação é o Vanguard de 1981, mais um shmup que acredito que tenha sido bastante interessante para a altura. É um jogo onde percorremos uma série de cavernas pejadas de inimigos e onde podemos disparar em 4 direcções, cada uma com um botão próprio. É quase um twin stick shooter portanto! Algumas vozes digitalizadas, mas muito simples a nível audiovisual como seria de esperar para um título de 1981. E como muitos jogos da época, não tinha qualquer final.

Por fim, a compilação termina com o World Wars, que é nada mais nada menos que uma sequela do Bermuda Triangle acima referido, e também lançada no mesmo ano de 1987. E claro, é na mesma um shmup vertical que mantém as mesmas mecânicas de jogo, mas em vez de viajarmos no tempo vamos viajando pelo mundo e derrotando inimigos. É também um twin stick shooter onde podemos direccionar o nosso fogo independentemente do movimento da nossa nave, que por sua vez é consideravelmente mais pequena, tornando a tarefa de esquivar do fogo inimigo mais fácil dessa forma.

O “documentário” da SNK mostra-nos mais alguns jogos que seriam interessantes de ter também nesta compilação. O Mechanized Attack é seguramente um deles. Quaisquer semelhanças com o Terminator são mera coincidência. Ou não.

E pronto, chegamos finalmente ao fim de uma óptima compilação que me deu a conhecer muito do trabalho que a SNK produziu nos seus anos pré-Neo Geo. Alguns já conhecia ou tinha jogado como é o caso do Athena, Crystalis ou o primeiro Ikari Warriors. Já outros foram completas e agradáveis surpresas, como é o caso do Beast Busters, Paddle Mania ou Search and Rescue. A emulação está fantástica e o conteúdo extra é satisfatório, embora sinta que se esta compilação tivesse sido produzida originalmente por um estúdio nipónico iriamos ter acesso a muito mais conteúdo bónus. Pena que nalguns jogos não tenham incluído também versões para outros sistemas, embora compreenda que isso já possa ter estado fora do orçamento. Em suma um bom trabalho da Digital Eclipse e um óptimo ensaio para o excelente trabalho que fizeram mais tarde com a TMNT: The Cowabunga Collection.