Urban Chaos (Sony Playstation)

Apesar de ser um antecessor do Urban Chaos: Riot Response, este primeiro Urban Chaos nada tem a ver com o FPS frenético da Playstation 2 e Xbox. É um jogo inteiramente diferente, desenvolvido pela já extinta Mucky Foot Productions, que por sua vez foi fundada por ex-funcionários da Bullfrog de Peter Molyneux. O meu exemplar foi comprado na extinta Player do Gaiashopping, algures em Março de 2019 e creio que me custou uns 7€.

Jogo com caixa e manual

Este é então um jogo de acção na terceira pessoa que conta como protagonista principal uma mulher negra e polícia que irá combater o gangue dos Wild Cats que andam a semear o caos e terror pela sua cidade. À medida que vamos avançando na história, também nos vamos apercebendo que os Wild Cats não estão a agir sozinhos e existe uma grande conspiração por detrás das suas acções. E com a cutscene inicial a mostrar premonições do final do mundo de Nostradamus, é expectável que as coisas fiquem um pouco WTF lá para o final do jogo.

Ora os primeiros níveis que temos acesso são tutoriais básicos de movimento, combate e condução de veículos. Apenas somos obrigados a fazer o nível bronze de cada tutorial, mas se fizermos também os níveis seguintes acabaremos por desbloquear uns níveis extra onde jogamos com um dos bandidos. Mas adiante, terminando os tutoriais iremos começar a explorar o jogo mais a sério. E isto é essencialmente um proto open world, na medida em que em cada nível temos uma secção da cidade para explorar como quisermos! E se apenas queremos seguir com a missão em frente, basta seguir os indicadores no nosso radar, mas se por outro lado quisermos perder algum tempo a explorar os cenários, iremos não só encontrar mais bandidos para lutar e/ou prender, bem como algumas missões adicionais que de outra forma não poderiam ser jogadas. Podemos interagir com os NPCs que por lá habitam (e que por vezes possuem diálogos acções bizarras) bem como conduzir os veículos que por lá andem na rua. Não temos toda a cidade para explorar de cada vez como nos Grand Theft Auto e similares, mas para um jogo de 1999 está de facto muito à frente.

Este é um jogo quase open world, onde podemos explorar livremente grandes porções da cidade

O problema, como já poderiam adivinhar, são os controlos que não envelheceram nada bem, bem como o controlo de câmara. O botão X serve para saltar, o quadrado e triângulo para atacar ou disparar, enquanto o botão círculo vai sendo aquele botão de multi funções, pois tanto serve para interagir com o cenário e personagens, bem como para correr ou agachar. O botão L1 leva-nos para uma perspectiva em primeira pessoa mas estacionária, já o R1 serve para fazer lock-on nalgum oponente ou NPC durante os combates. Já os L2 e R2 servem para manipular a câmara, o que nem sempre nos ajuda. Mesmo sendo um jogo que já tem suporte aos analógicos do comando Dualshock, apenas o analógico esquerdo é usado para movimento e o controlo de câmara usado pelos botões L2 e R2 deixa também muito a desejar. E mesmo nos tiroteios, apesar do R1 dar uma grande ajuda ao fazer lock-on nos inimigos mais próximos, nem sempre a câmara acompanha, pelo que acabamos por dar alguns tiros no escuro e as munições não são propriamente abundantes neste jogo. E tendo também em conta que cada nível é grandinho e sem possibilidade de gravar o nosso progresso no jogo durante os níveis, torna as coisas ainda mais frustrantes. Especialmente quando temos de explorar o topo de edifícios e por algum problema de controlo lá caímos no chão, morremos e temos recomeçar tudo de novo.

Infelizmente os controlos não envelheceram nada bem, mesmo nos segmentos de condução

Outra das coisas que devemos ter em conta, particularmente se quisermos sobreviver tempo suficiente é que ao explorar bem os níveis, iremos encontrar alguns power ups que nos vão melhorar de forma permanente alguns dos nossos stats. Uns melhoram as nossas defesas, outros a nossa força em lutas corpo-a-corpo, outros melhoram a fadiga, permitindo-nos correr durante mais tempo e finalmente outro power up vai-nos melhorar a pontaria com armas de fogo. São dezenas destes itens espalhados ao longo dos níveis e vão mesmo dar jeito nos níveis mais perto do final do jogo, onde teremos de enfrentar bandidos muito bem armados e em maior número, pelo que é mais uma boa recompensa de explorar bem os mapas antes de completar as missões principais.

A nível audiovisual não é um jogo muito bom. Não há uma grande variedade de NPCs e mesmo os que há não estão lá muito bem detalhados. A cidade em si também não está nada de especial, mas tendo em conta que é um jogo quase open world a correr numa Playstation já leva pontos por isso e dá para entender a razão pela qual o mundo não pode ser mais detalhado, pois tudo é carregado para a memória da consola antes de começar cada nível. Já no que diz respeito ao som, bom, existe uma quantidade considerável de voice acting. Os diálogos não são propriamente bons, mas confesso que ainda dei umas risadas com algumas das situações mais caricatas que fui encontrando.

Podemos tornar as lutas mais curtas ao pressionar para cima e quadrado, o que irá mandar os oponentes para o chão e depois com o círculo podemos algemá-los. Não esquecer de os revistar depois com o mesmo botão!

Este Urban Chaos foi lançado também para o PC e Dreamcast, mas não cheguei a jogar nenhuma dessas outras versões. Presumo que a versão Dreamcast seja mais bonita graficamente mas também tenha o mesmo problema a nível de controlos que esta, até porque a Dreamcast apenas possui um analógico. Certamente que a versão PC será a melhor versão do jogo e ainda hoje pode ser comprada em algumas plataformas como o GOG.com. Em suma Urban Chaos foi um jogo muito ambicioso para o seu tempo, sendo quase um open world em 3D como o Grand Theft Auto, mas lançado uns dois anos antes que o próprio GTA3. No entanto também não envelheceu nada bem, com os seus maus controlos, câmara e gráficos algo monótonos.

Resistance Burning Skies (Sony Playstation Vita)

Voltando à série Resistance para aquele que até agora foi o último capítulo na série. Produzido pela Nihilistic, os mesmos que lançaram o Call of Duty Black Ops Declassified precisamente para a mesma plataforma (e aparentemente no mesmo ano!) este acaba por ser um FPS bem mais interessante que o outro que desenvolveram. O meu exemplar foi comprado numa CeX aqui na zona do Porto, mas sinceramente já não me recordo quando nem quanto custou, apenas que foi a 10€ ou menos.

Jogo com caixa e folheto informativo

Já desde 2014 que não jogava nada desta série, pelo que pouco me lembrava a não ser que era um FPS onde lutávamos contra aliens e até tinham umas armas catitas. E depois de reler as minhas análises aos jogos da PS3, parece-me que este Resistance da PSVita decorre antes ou durante os eventos do Resistance 2, pois mostram o início do ataque da ameaça Chimera nos Estados Unidos, no início da década de 50. Tanto o Resistance 2 como 3 também se passavam em solo americano, mas o conflito já ia de vento em popa por lá! O nosso protagonista é um bombeiro de Nova Iorque que responde a um pedido de emergência para apagar um incêndio numa central eléctrica local e quando lá chega depara-se com os Chimeras a atacar e todo o caos que surge. A partir daí, o objectivo principal é sobreviver, reunir com a sua família e pelo caminho dizimar todos os Chimeras que nos apareçam pela frente. E sendo nós um bombeiro, ocasionalmente teremos também de salvar algumas pessoas de incêndios.

Alguns inimigos são mais complexos e temos mesmo de nos focar nos seus pontos fracos

No que diz respeito à jogabilidade, esperem uma vez mais por um arsenal diversificado e onde poderemos carregar todas as armas de uma vez só. Para além disso, todas as armas têm modos secundários de fogo, como um lança granadas acoplado numa metralhadora, a possibilidade de criar escudos, ou de redireccionar o nosso fogo para um alvo que tenha sido tagado anteriormente. Todos esses modos de fogo secundários são activados usando o touch screen, o que sinceramente até acaba por resultar bem em quase todas as armas. E sempre que vamos necessitar de alguma dessas habilidades especiais, o jogo faz questão de pausar a acção e mostrar-nos um vídeo tutorial a mostrar como se activam essas funcionalidades. Para além disso, sempre que uma arma equipada e a sua funcionalidade secundária possa ser usada, temos sempre uma indicação visual mínima no ecrã a informar de que forma o touch screen é utilizado para a usar. Granadas e os ataques melee com o machado são também despoletados ao pressionar os seus ícones no ecrã táctil e sinceramente também é algo que resulta bem.

Nova Iorque, 1951, uma invasão alienígena

Os níveis são bastante lineares, embora se procurarmos bem iremos encontrar espalhados pelos mesmos documentos secretos (que sinceramente não acrescentam grande coisa ao jogo) e também alguns materiais alienígenas que nos permitem fazer upgrades a todas as nossas armas e isso sim, já é bem mais interessante. De resto é uma campanha muito curta, tendo uns 6 níveis ao todo e se não fosse por alguns bosses ou confrontos mais exigentes no último nível, teria terminado o jogo em muito menos tempo. Possui também uma vertente multiplayer, que invariavelmente não experimentei. Mesmo que quisesse aparentemente os servidores já foram desligados pelo que só nos sobra mesmo o curto modo campanha.

A nível audiovisual, bom, eu ainda não me sinto muito conhecedor da biblioteca da PS Vita e das suas capacidades, mas devo dizer que não fiquei lá muito surpreendido com o grafismo do jogo. O Uncharted Golden Abyss, pelo menos no detalhe dado às personagens principais e suas animações continua a ser o melhor jogo da Vita que joguei (pelo menos a nível gráfico). Este não está nada de especial, mas possui gráficos que cumprem bem o seu papel. Sempre achei piada ao jogo se passar num mundo distópico na década de 50, com um misto entre tecnologia retro e high tech, como os VTOLs e toda a tecnologia dos Chimera, claro. No que diz respeito ao som, cumpre bem o seu papel e o voice acting é competente.

Entre cada nível vamos tendo cutscenes com artwork deste género que nos vão contando o avanço da história

Portanto este Resistance Burning Skies é um FPS curto, linear, mas divertido, sobretudo pela grande variedade de armas que podemos usar, bem como todas as habilidades secundárias que estas vão tendo. E sendo um FPS curto, ao menos não é insultuosamente curto como o Call of Duty que esta Nihilistic também produziu.

The 25th Ward: The Silver Case (Sony Playstation 4)

Depois de ter jogado o The Silver Case do Suda51 e ter ficado muito intrigado com a sua história bizarra e mecânicas de jogo não convencionais, fiquei também com vontade de jogar a sua sequela. O original havia sido lançado originalmente em 1999 para a Playstation, tendo recebido uma remasterização e localização para inglês anos mais tarde. Este 25th Ward começou por ser lançado como um jogo mobile exclusivamente no mercado japonês algures em 2005, tendo acabado também por receber uma remasterização e localização para inglês anos mais tarde. O meu exemplar veio também do eBay, algures em Janeiro e creio que também me custou algo à volta dos 12€.

Jogo com caixa

Sinceramente nem sei muito bem como abordar a história, pois já o Silver Case abordava uma sociedade algo distópica com um (ou mais) serial killers envolvidos e também uma forte conspiração política por detrás. Este jogo já decorre uns anos após os eventos do jogo anterior na nova 25th Ward, um novo distrito urbano (que presumo que se refira a Tóquio) mas com governo independente e que uma vez tenta controlar os seus habitantes. A história do primeiro Silver Case era contada através de duas narrativas em paralelo, mas nesta sequela temos não duas, mas três narrativas diferentes para explorar. A primeira que podemos explorar, e diria a principal, é o arco Correctness, onde uma vez mais encarnamos num observador silencioso e acompanhamos a aventura de um conjunto de detectives que vão investigar uma série de mortes misteriosas num grande complexo habitacional. Quando terminarmos o quinto capítulo do arco Correctness desbloqueamos os outros dois. O Matchmaker leva-nos na companhia de 2 agentes da Federal Adjustment Bureau, uma organização governamental secreta que tem a tarefa de “ajustar”, ou seja, eliminar, habitantes indesejáveis e o outro arco de história é, uma vez mais, o Placebo. Aqui encarnamos novamente no antigo repórter Tokio Morishima que, embora esteja agora amnésico, irá também investigar os acontecimentos estranhos que por lá estão a decorrer. E nos primeiros capítulos de cada um destes arcos, a narrativa irá incidir sobre os mesmos acontecimentos, mas com perspectivas diferentes. Já nos restantes, cada narrativa irá evoluir de forma independente e abordar outros temas.

Dizer que a narrativa é bizarra é pouco

Tal como no Silver Case original, cada um destes arcos foi escrito por pessoas diferentes, com Goichi Suda a escrever o arco Correctness, o Placebo é escrito pelo mesmo autor do Placebo no primeiro Silver Case e para o Matchmaker há também um novo escritor. Todos têm o seu quê de bizarro, mas o Correctness é de longe o mais bizarro. Tanto que por vezes nem nos conseguimos aperceber se encarnamos no tal observador silencioso, ou num dos outros dois detectives que iremos acompanhar mais de perto. O Placebo, é uma vez mais o que faz mais sentido pelo menos nos primeiros capítulos, enquanto a narrativa vai abordando os mesmos acontecimentos.

Não é só a narrativa que é absurda. Por vezes a jogabilidade também nos surpreende como alguns segmentos que satirizam os RPG

De resto, no que diz respeito às mecânicas de jogo, este continua a ser uma aventura gráfica / visual novel na primeira pessoa, mas com mecânicas de jogo não muito convencionais. Todos os menus com as acções que podemos escolher são apresentados na forma de poliedros ou prismas que podemos rodar livremente e cada face representa uma acção como mover, falar, observar, consultar o inventário, entre outros, sendo que nem sempre todas as acções estão disponíveis e nem sempre as acções fazem sentido. Por exemplo, o comando look que deveria ser apenas o de observar, muitas vezes é o que despoleta diálogos e faz com que a narrativa avance. Quando temos de nos deslocar e explorar os cenários, isto também é feito numa perspectiva de primeira pessoa, onde os destinos aparecem nas extremidades do ecrã e podemos seleccionar para onde queremos ir com o d-pad. Naturalmente que teremos também bastantes puzzles para resolver, alguns bastante simples como inserir códigos PIN ou passwords onde a parte mais chata é a de escolher cada caracter ao rodar poliedros complexos em que cada face do poliedro corresponde a um dos caracteres. Para números até se faz bem, mas quando são letras, sinceramente é tempo desnecessário que perdemos ao rodar e rodar até encontrar a letra pretendida. Nestes puzzles de passwords, muitas vezes as pistas estão escritas em itens que carregamos pelo que os deveremos inspeccionar anteriormente, já noutros as pistas vão sendo dadas através dos diálogos, pelo que convém ir apontando sempre que algumas palavras ou números surjam salientados no ecrã. É que para um jogo com fortes mecânicas de visual novel, não nos dá qualquer possibiliade de consultar diálogos passados, nem de avançar texto já lido caso queiramos rejogar algum capítulo.

Muitos dos puzzles obrigam-nos a inserir códigos e passwords. Mas quando são letras, navegar pelo poliedro até encontrar a letra pretendida é um bocado chato

No que diz respeito à parte audiovisual, é um jogo que tem visuais muito peculiares, tal como o seu predecessor. As imagens que representam os cenários que apesar de serem estáticas, até vão sendo mais detalhados (visto que o jogo foi completamente refeito nesta versão), mas todos os intervenientes surgem, na maioria das vezes representados a preto-e-branco, com alguns tons de vermelho a salientarem-se também, pelas razões óbvias. No fundo do ecrã vamos tendo também algumas animações algo aleatórias como no primeiro Silver Case. Já no que diz respeito ao som, uma vez mais não há qualquer voice acting e os diálogos são sempre acompanhados daquele ruído irritante que parece saído de uma máquina de escrever. Já as músicas formam uma banda sonora até algo eclética possuindo na sua maioria temas jazz ou electrónica mais experimentais.

Visualmente é um jogo muito peculiar, mesmo ao estilo do Goichi Suda

Agora conhecendo o Suda 51, é claro que todas estas escolhas são propositadas, tanto na narrativa bizarra, obtusa e por vezes absurda, como nas mecânicas de jogo nada convencionais e audiovisuais muito peculiares. Tal como o primeiro Silver Case não vai ser um jogo que irá agradar a toda a gente. Eu próprio ainda nem sei muito bem o que pensar disto, a não ser que é um jogo muito estranho e não me deixou indiferente. Fica-me a faltar jogar o Flower, Sun and Rain da Nintendo DS que tem o repórter Tokio Morishima como protagonista, a ver se o apanho a um bom preço.

Marvel Super Heroes vs Street Fighter (Sony Playstation)

E a saga dos crossovers continuava! Após o lançamento do X-Men vs Street Fighter, que colocavam os X-Men da Marvel à porrada com as personagens do Street Fighter, a Capcom decidiu lançar uma sequela com mais personagens, principalmente do lado da Marvel, não se limitando aos X-Men apenas. O jogo saiu originalmente nas arcades em 1997, com uma versão para a Sega Saturn (que infelizmente se ficou apenas pelo Japão) a sair no ano seguinte e em 1999 a Playstation acabou também por receber uma conversão. O meu exemplar veio junto de um Marvel vs Capcom 2 que comprei numa das minhas idas à feira da Ladra em Lisboa, algures por volta de 2014/2015? O MvsC2 custou-me 2€, este disco vinha lá dentro também. Naturalmente que gostaria de arranjar um exemplar mais completo, mas não me posso mesmo queixar tendo em conta os preços a que o jogo anda actualmente.

Apenas disco

Infelizmente esta conversão para a Playstation levou com o mesmo tipo de cortes que o seu predecessor. É que para além deste ser um fighter frenético com grande enfâse num sistema de combos e golpes especiais, é também um jogo com tag-team, onde seleccionamos duas personagens e podemos alternar entre as mesmas durante os combates. Isto na versão original e para a Sega Saturn também, claro. Na Playstation, apesar de termos de seleccionar dois lutadores na mesma, não há cá tag team nenhum, o segundo lutador assiste-nos apenas na execução de alguns ataques especiais, tal como aconteceu na versão PS1 do X-Men vs Street Fighter.

Não se deixem enganar pelo painel de lutadores, pois existem imensas personagens secretas e desbloqueáveis

Para compensar, a Capcom decidiu, uma vez mais, colocar alguns modos de jogo adicionais exclusivos para esta versão. Para além dos modos arcade (battle), versus e treino, temos também o hero battle e crossover. O primeiro é uma espécie de endurance, onde seleccionamos se queremos representar o lado Street Fighter ou Marvel e em seguida quais as duas personagens a controlar. Depois lá teremos de enfrentar todos os oponentes do lado contrário! Já o modo Crossover é o único que permite realmente haver mecânicas de tag team, mas com a limitação de apenas defrontarmos versões espelhadas das personagens que escolhemos. Por exemplo, se escolhermos o Ryu e Wolverine, iremos enfrentar o Wolverine e Ryu com as suas sprite swaps. É uma maneira de apenas carregar 2 personagens e todas as suas animações para a RAM em vez de 4…

Os golpes especiais vistosos sempre foram muito apelativos para mim

De resto é um jogo de luta bastante sólido como já mencionei. O ritmo de jogo é bastante frenético como é habitual e todos aqueles combos e golpes especiais são um mimo de se ver! O leque de personagens é consideravelmente maior em relação aos jogos anteriores, apresentando-nos um total de 18 personagens do universo Marvel e Street Fighter, com mais umas 8 personagens desbloqueáveis, se bem que algumas são variantes de personagens existentes como é o caso do U.S. Agent, Armored Spider-Man ou Evil Sakura. Algo que também convém referir é que esta versão PS1 inclui também um Gallery Mode, onde poderemos ir desbloquear artwork e as cutscenes finais de cada personagem. É um extra interessante!

Esta versão até pode ter as suas limitações técnicas, mas não deixa de ser um fighter divertido, bonito e competente

No que diz respeito aos audiovisuais esperem pela habitual qualidade da Capcom desta era: cenários e personagens totalmente em 2D mas muito bem detalhados, se bem que a versão PS1 tem os habituais cortes nas animações em relação às outras versões. Mas ainda assim o resultado não é nada mau, pecando apenas pelo original (e versão Saturn) serem algo superiores na sua performance! A nível de som também nada a apontar, os efeitos sonoros são bem convincentes e as músicas agradáveis, se bem que eu prefiro aqueles temas mais rock.

Chronicles of the Sword (Sony Playstation)

A Psygnosis lançou muitos jogos excelentes ao longo dos anos. Desde os seus primórdios nos tempos do Commodore Amiga até ao lançamento das consolas 32bit onde, principalmente na Playstation, vimos bons jogos como a série Wipeout, G-Police, F1, entre outros. Infelizmente este Chronicles of the Sword, apesar de ter sido publicado pela Psygnosis, está longe, muito longe de ser um bom jogo. O meu exemplar foi comprado numa feira de velharias algures em Agosto de 2020, creio que me custou uns 4€.

Jogo com caixa, manual e 2 discos

Bem, mas vamos começar pelo básico. Chronicles of the Sword é um jogo de aventura point and click na terceira pessoa, com cenários pré renderizados em CGI e que se passa algures na mitologia Arturiana, colocando-nos no papel do jovem cavaleiro Gawain, que recebe uma importante missão de Arthur e Merlin (assim que o encontrarmos): a de derrotar a feiticeira Morgana. Sendo este um point and click, esperem pelas habituais mecânicas de jogo de coleccionar objectos, interagir e/ou combiná-los, bem como falar com várias outras personagens. Mas ao contrário de outros point and clicks da época, não temos maneira de alternar entre acções, temos então de nos guiar pelos diferentes cursores que o ponteiro vai-se transformando à medida em que o passeamos pelos cenários. Por exemplo, se passarmos o ponteiro por alguma porta ou extremidade do ecrã que indica um caminho para um novo ecrã, então o cursor muda de uma seta para pegadas. Se o passarmos por alguma personagem ou por algum objecto do cenário que possamos interagir, o cursor muda para uma seta vemelha. Quando estamos imóveis podemos também consultar o inventário e observar, seleccionar ou até combinar os itens que carregamos, embora o seu interface não seja o mais intuitivo.

Quando conversamos com alguém temos sempre várias opções de diálogo

Agora as coisas más, a começar pela jogabilidade. Este parece por vezes um daqueles jogos de hidden object, pois muitos dos objectos que precisaremos de apanhar para avançar no jogo estão de tal forma camuflados nos cenários que o ideal é mesmo o de percorrer o cursor quase pixel a pixel pelo ecrã e clicar sempre que o cursor mude para uma seta vermelha para ver no que vai dar. Para além de que muitas vezes os puzzles não fazem muito sentido mas isso já é habitual neste tipo de jogos. Depois também temos um comportamento algo irritante em que se usarmos um objecto errado nalgum sítio, o jogo não nos informa que tal combinação não é possível, mas sim o resultado acaba por ser sempre ouvir o mesmo comentário de termos interagido com esse local sem nenhum objecto equipado. De resto ocasionalmente teremos alguns segmentos de acção onde teremos mesmo de combater alguns oponentes, mas aqui os controlos são de tal forma maus que o melhor a fazer é mesmo ir às opções e mudar a dificuldade de normal para fácil. A única diferença que me tenha apercebido entre ambas as dificuldades (e pelo que refere no manual também) é que estas sequências de combate são automáticas – com animações muito más, mas acreditem que é melhor assim.

Bem este candeeiro nem estava assim tão escondido numa sala cheia de tons de castanho, acreditem que há muito pior.

Passando para os audiovisuais, bom aqui é que as coisas se tornam interessantes. Como referi acima, o jogo possui cenários pré-renderizados em CGI e, apesar de uma boa parte da crítica na altura ter apreciado os seus gráficos, sejamos sinceros, são muito maus. Os cenários são todos pré renderizados mas com imagens estáticas de baixa resolução e por vezes demasiado escuras, o que também ajuda a camuflar ainda mais os objectos que teremos de apanhar. Já o que dizer das cutscenes em CGI? É verdade que a tecnologia de vídeos CGI em 1996 ainda deixava muito a desejar no seu detalhe e fluidez quando comparado com o que a Squaresoft começou a apresentar poucos anos depois nos seus Final Fantasy, mas as cutscenes deste jogo são tão más, tão más, que até se tornam boas e foram dos melhores comic relief que o jogo apresentou. O que também é tão mau e bom ao mesmo tempo é o voice acting que é terrível e cheio de sotaques forçados em várias personagens. Aliás, o Merlin aqui é uma anedota, pois é tão bombado que até parece o Arnold Schwarzenegger e os seus diálogos são particularmente hilariantes.

A cutscene inicial é puro ouro de animação. Da esquerda para a direita temos Arthur, a sua esposa Guinevere, em baixo a nossa personagem Gawain e à direita o Merlin musculado, que na minha cabeça parece sempre que usa uma gravata.

Portanto este Chronicles of the Sword é um jogo muito mau, muito mau mesmo para quem grande apreciador de jogos de aventura point and click. Mas os seus péssimos audiovisuais, em particular nas cutscenes CGI e voice acting acabam por fazer valer a pena experimentar este jogo. Recomendo é que usem um guia pois a história é uma constante fetch quest e com objectos tão bem escondidos nos cenários, a procura será longa.