Urban Chaos (Sony Playstation)

Apesar de ser um antecessor do Urban Chaos: Riot Response, este primeiro Urban Chaos nada tem a ver com o FPS frenético da Playstation 2 e Xbox. É um jogo inteiramente diferente, desenvolvido pela já extinta Mucky Foot Productions, que por sua vez foi fundada por ex-funcionários da Bullfrog de Peter Molyneux. O meu exemplar foi comprado na extinta Player do Gaiashopping, algures em Março de 2019 e creio que me custou uns 7€.

Jogo com caixa e manual

Este é então um jogo de acção na terceira pessoa que conta como protagonista principal uma mulher negra e polícia que irá combater o gangue dos Wild Cats que andam a semear o caos e terror pela sua cidade. À medida que vamos avançando na história, também nos vamos apercebendo que os Wild Cats não estão a agir sozinhos e existe uma grande conspiração por detrás das suas acções. E com a cutscene inicial a mostrar premonições do final do mundo de Nostradamus, é expectável que as coisas fiquem um pouco WTF lá para o final do jogo.

Ora os primeiros níveis que temos acesso são tutoriais básicos de movimento, combate e condução de veículos. Apenas somos obrigados a fazer o nível bronze de cada tutorial, mas se fizermos também os níveis seguintes acabaremos por desbloquear uns níveis extra onde jogamos com um dos bandidos. Mas adiante, terminando os tutoriais iremos começar a explorar o jogo mais a sério. E isto é essencialmente um proto open world, na medida em que em cada nível temos uma secção da cidade para explorar como quisermos! E se apenas queremos seguir com a missão em frente, basta seguir os indicadores no nosso radar, mas se por outro lado quisermos perder algum tempo a explorar os cenários, iremos não só encontrar mais bandidos para lutar e/ou prender, bem como algumas missões adicionais que de outra forma não poderiam ser jogadas. Podemos interagir com os NPCs que por lá habitam (e que por vezes possuem diálogos acções bizarras) bem como conduzir os veículos que por lá andem na rua. Não temos toda a cidade para explorar de cada vez como nos Grand Theft Auto e similares, mas para um jogo de 1999 está de facto muito à frente.

Este é um jogo quase open world, onde podemos explorar livremente grandes porções da cidade

O problema, como já poderiam adivinhar, são os controlos que não envelheceram nada bem, bem como o controlo de câmara. O botão X serve para saltar, o quadrado e triângulo para atacar ou disparar, enquanto o botão círculo vai sendo aquele botão de multi funções, pois tanto serve para interagir com o cenário e personagens, bem como para correr ou agachar. O botão L1 leva-nos para uma perspectiva em primeira pessoa mas estacionária, já o R1 serve para fazer lock-on nalgum oponente ou NPC durante os combates. Já os L2 e R2 servem para manipular a câmara, o que nem sempre nos ajuda. Mesmo sendo um jogo que já tem suporte aos analógicos do comando Dualshock, apenas o analógico esquerdo é usado para movimento e o controlo de câmara usado pelos botões L2 e R2 deixa também muito a desejar. E mesmo nos tiroteios, apesar do R1 dar uma grande ajuda ao fazer lock-on nos inimigos mais próximos, nem sempre a câmara acompanha, pelo que acabamos por dar alguns tiros no escuro e as munições não são propriamente abundantes neste jogo. E tendo também em conta que cada nível é grandinho e sem possibilidade de gravar o nosso progresso no jogo durante os níveis, torna as coisas ainda mais frustrantes. Especialmente quando temos de explorar o topo de edifícios e por algum problema de controlo lá caímos no chão, morremos e temos recomeçar tudo de novo.

Infelizmente os controlos não envelheceram nada bem, mesmo nos segmentos de condução

Outra das coisas que devemos ter em conta, particularmente se quisermos sobreviver tempo suficiente é que ao explorar bem os níveis, iremos encontrar alguns power ups que nos vão melhorar de forma permanente alguns dos nossos stats. Uns melhoram as nossas defesas, outros a nossa força em lutas corpo-a-corpo, outros melhoram a fadiga, permitindo-nos correr durante mais tempo e finalmente outro power up vai-nos melhorar a pontaria com armas de fogo. São dezenas destes itens espalhados ao longo dos níveis e vão mesmo dar jeito nos níveis mais perto do final do jogo, onde teremos de enfrentar bandidos muito bem armados e em maior número, pelo que é mais uma boa recompensa de explorar bem os mapas antes de completar as missões principais.

A nível audiovisual não é um jogo muito bom. Não há uma grande variedade de NPCs e mesmo os que há não estão lá muito bem detalhados. A cidade em si também não está nada de especial, mas tendo em conta que é um jogo quase open world a correr numa Playstation já leva pontos por isso e dá para entender a razão pela qual o mundo não pode ser mais detalhado, pois tudo é carregado para a memória da consola antes de começar cada nível. Já no que diz respeito ao som, bom, existe uma quantidade considerável de voice acting. Os diálogos não são propriamente bons, mas confesso que ainda dei umas risadas com algumas das situações mais caricatas que fui encontrando.

Podemos tornar as lutas mais curtas ao pressionar para cima e quadrado, o que irá mandar os oponentes para o chão e depois com o círculo podemos algemá-los. Não esquecer de os revistar depois com o mesmo botão!

Este Urban Chaos foi lançado também para o PC e Dreamcast, mas não cheguei a jogar nenhuma dessas outras versões. Presumo que a versão Dreamcast seja mais bonita graficamente mas também tenha o mesmo problema a nível de controlos que esta, até porque a Dreamcast apenas possui um analógico. Certamente que a versão PC será a melhor versão do jogo e ainda hoje pode ser comprada em algumas plataformas como o GOG.com. Em suma Urban Chaos foi um jogo muito ambicioso para o seu tempo, sendo quase um open world em 3D como o Grand Theft Auto, mas lançado uns dois anos antes que o próprio GTA3. No entanto também não envelheceu nada bem, com os seus maus controlos, câmara e gráficos algo monótonos.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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