X-Men Mutant Academy 2 (Sony Playstation)

O artigo de hoje é mais uma rapidinha, uma breve análise ao X-Men Mutant Academy 2, que embora seja melhor que o primeiro, confesso que continuo preferir de longe os fighters da Capcom do universo X-Men e/ou Marvel. Mas já lá vamos! O meu exemplar foi-me oferecido por um colega de trabalho, jutamente com mais alguns outros jogos de Playstation, algures em Abril de 2016.

Jogo com caixa, manual e papelada

Este é mais um jogo de luta 1 contra um no universo X-Men, mas com gráficos e jogabilidade em 2.5D, ou seja, tanto as personagens como os cenários são renderizados em 3D poligonal, mas a jogabilidade é toda mantida num plano 2D. A nível de modos de jogo temos exactamente os mesmos que o anterior, com os tradicionais modos arcade e versus, bem como o tutorial (Academy) onde o Professor Xavier nos explica detalhadamente as mecânicas de jogo. O modo de jogo que resta é o Survival que também dispensa apresentações, pois coloca-nos a enfrentar combates contínuos e apenas dispomos de uma só vida, pelo que o objectivo é o de aguentar o máximo de confrontos possível.

O elenco de personagens disponíveis é bem mais completo desta vez

Mesmo a nível de dificuldade, algumas das mecânicas base se mantiveram, como o facto de termos não uma, não duas, mas sim três barras de energia separadas que se vão enchendo à medida que vamos distribuindo pancada e, uma vez cheias, desbloqueiam a possibilidade de desencadear um golpe especial. Cada barra de energia enche a ritmos diferentes, pelo que as que demoram mais a encher são as que nos permitem desencadear os golpes especiais mais fortes. Também tal como na sua prequela é possível transferir a barra de energia de uma para outra e a nível de controlos, o esquema mantém-se também idêntico, com os botões faciais e R1/R2 a servirem para despoletar socos e pontapés, fracos, médios e fortes. Já os botões L1 e R1 ficam com os Counter e Throws.

Continuamos com as 3 barras de specials e poedmos transferir a energia de umas paras as outras

Mas confesso que este jogo ficou bem mais agradável que o seu predecessor, na minha opinião. Não só os combates são mais fluídos, como há uma maior variedade de golpes, incluindo combos aéreos, bem como uma maior variedade de personagens disponíveis! Mesmo a nível audiovisual, as personagens continuam bem detalhadas, mas desta vez os cenários são mais interessantes e fazem mais sentido tendo em conta o universo X-Men. Mas, no fim do dia, continuo de longe a preferir os fighters da Capcom. Ainda assim devo dizer que este Mutant Academy 2 até que foi uma agradável surpresa visto que não fiquei assim tão impressionado com o primeiro.

X-Men: Mutant Academy (Sony Playstation)

Voltando às rapidinhas na PS1, vamos ficar agora com o X-Men Mutant Academy, um jogo de luta em pseudo 3D sobre o universo X-Men, lançado algures durante o ano de 2000 para a Playstation e Gameboy Color. A versão PS1 foi desenvolvida pela Paradox Development, que para além de ter criado mais alguns títulos com a IP dos X-Men e outros de Wrestling, fizeram também o Mortal Kombat Shaolin Monks que planeio cá trazer em breve. O meu exemplar foi-me oferecido por um amigo meu numa das nossas idas a uma feira de velharias, é apenas o disco, pelo que um dia que me apareça uma versão completa a bom preço, irei certamente substituir.

Apenas o disco solto, para já

Antes de abordar a jogabilidade propriamente dita, convém referir os modos de jogo disponíveis. Pois bem, temos o Arcade, Versus e Survival que dispensam apresentações, pois o primeiro é aquele modo de jogo básico onde seleccionamos uma personagem e iremos defrontar todas as outras, enquanto o segundo é o que permite multiplayer para 2 jogadores andarem à pancada. O Survival é um modo de resistência, onde apenas com uma vida teremos de defrontar o máximo de oponentes possível, com a nossa barra de vida a regenerar ligeiramente entre cada confronto. O modo Academy é basicamente o modo de treino do jogo, onde podemos tanto optar por treinos livres, ou por treinos com objectivos, onde somos levados por um tutorial que nos explica as mecânicas de jogo.

O leque de lutadores disponíveis é algo limitado e os vilões têm de ser desbloqueados ao jogar o modo arcade

Ora este é então um jogo de luta de 1 contra 1 mas, embora possua gráficos em 3D poligonal, a sua jogabilidade é ainda em 2D. A nível de controlos, temos os botões faciais a servirem para desferir socos ou pontapés ligeiros ou médios, com os restantes botões de cabeceira a servirem para desferir os golpes fortes, counters ou throws. Para além disso devemos também ter em conta as 3 barras de energia no fundo do ecrã, que se vão enchendo mediante a nossa performance ao longo dos combates. Estas servem para despoletar 3 tipos distintos de specials quando estiverem cheias: os Supers, Stringed Supers e X-Treme Supers. Cada uma destas barras quando cheias permitem-nos usar alguns dos golpes mais poderosos de cada personagem, mas, no caso dos X-Treme, encher a barra não é suficiente. Uma vez a barra cheia temos de pressionar o botão X repetidamente durante alguns segundos e só depois o X-Treme fica desbloqueado, mas claro que estamos sujeitos a levar com dano durante esse tempo! Aparentemente também é possível transferir a energia de uma barra de special para as outras, o que é uma funcionalidade interessante, mas mais uma vez não tão trivial de executar no calor da batalha.

Cada x-men possui as suas habilidades específicas, mas os diferentes specials não são assim tão intuitivos

A nível audiovisual, é um jogo com cenários e personagens modeladas em 3D poligonal, mas mantém uma jogabilidade em 2D, conforme já referi acima. As personagens, para uma PS1, até que estão bem modeladas, mas já os cenários sinceramente achei-os muito desinspirados! O mesmo posso dizer para as músicas e restantes efeitos sonoros ou o ligeiro voice acting que cada personagem possui. Entendo perfeitamente o apelo de jogos em 3D poligonal, mas sinceramente prefiro de longe os visuais 2D dos jogos da Capcom. Até porque esses são bem mais fluídos e com uma jogabilidade mais intuitiva. Aqui achei o sistema de combate um pouco lento até.

Cada personagem tem direito a cutscenes CGI mas as mesmas são um bocado desinspiradas, particularmente em personagens como o Beast

Mas pronto, o X-Men Mutant Academy até deve ter feito algum sucesso pois gerou duas sequelas directas. O Mutant Academy 2 é um jogo que também tenho na colecção, após ter sido oferecido por um colega de trabalho há uns valentes anos atrás, pelo que também o irei jogar a ver no que a Paradox evoluiu face ao primeiro jogo. Lançaram posteriormente o X-Men: Next Dimension para as consolas da geração seguinte mas para já não me sinto com grande vontade de o comprar. A ver se o Mutant Academy 2 me fará mudar de ideias! Existe também uma versão Gameboy Color deste jogo, que é naturalmente muito mais simplificada.

Killzone: Mercenary (Sony Playstation Vita)

Depois de ter jogado o Resistance Burning Skies não deixei a PS Vita de lado e peguei pouco depois no Killzone Mercenary, mais um first person shooter de uma das principais séries que a Sony produziu nos últimos anos. Produzido pela Guerrilla Cambridge, que eram anteriormente conhecidos como Sony Computer Entertainment Cambridge e nos trouxeram jogos como os Medievil ou C-12 Final Resistance, este acaba por ser mais um FPS que, embora curto, é muito competente. O meu exemplar sinceramente já não me recordo onde e quando o comprei, creio que foi um dos jogos que veio incluido com a PS Vita que comprei há uns anos atrás a um particular.

Jogo com caixa e folheto promocional

A história deste Killzone leva-nos a encarnar num grupo de mercenários que vão ter de cumprir uma série de missões típicas de forças especiais, durante o longo confronto entre os Hellghast e a ISA, tanto quando os Hellghast invadiram o planeta Vekta, bem como quando as forças ISA ripostaram e levaram a guerra ao planeta Helgan. Começamos por servir ao lado das forças ISA, mas eventualmente a nossa personagem acaba também por ser recrutada para cumprir uma série de missões ao lado dos Hellghast, o que é uma novidade na série!

Graficamente é um jogo excelente. Facilmente o melhor graficamente que joguei até agora na PSVita

A jogabilidade é a típica de um FPS como os Killzone. Apenas podemos carregar duas armas mais explosivos e algum equipamento especial, bem como a vida é auto regenerativa. Mas sendo este um jogo de mercenários, tudo gira à volta do dinheiro e se quisermos usar outras armas ou equipamento, teremos de o comprar. Ocasionalmente encontramos alguns terminais que nos dão acesso a um mercado de armas, onde não só poderemos comprar armas e equipamento novos, bem como alternar entre as armas que eventualmente já tenhamos comprado. Ao longo das missões vamos poder infiltrar território inimigo, que tipicamente não estão cientes da nossa presença. Nessa altura poderemos optar por uma abordagem mais furtiva, ao usar armas silenciosas, combate corpo-a-corpo e evitar sistemas de vigilância de forma a passarmos despercebidos. Caso um soldado inimigo dê pela nossa presença, irá alertar todos os outros pelo que já teremos mais trabalho pela frente.

Todas as acções que façamos são recompensadas com dinheiro, mesmo que seja apanhar as munições dos soldados inimigos!

De resto este é um jogo bastante fluído, e nota-se bem que tem um certo foco no multiplayer, pois mesmo durante a campanha vamos ganhando pontos de experiência/ dinheiro sempre que matemos algum inimigo, com bónus adicionais para headshots e afins. E de facto o jogo possui um modo multiplayer que aparentemente ainda possui os servidores activos, mas não o experimentei. A campanha single player é muito curta, mas o jogo tenta aumentar a sua longevidade ao incluir a possibilidade de jogar as missões que já tenhamos completado sob contratos diferentes, os covert, demolition e precision. Aqui poderemos ter uma série de objectivos secundários, bem como a escolha de armas/equipamento a usar será mais restrita. Para além disso, independentemente do tipo de missão que vamos tendo, em cada nível temos também 6 documentos de inteligência para encontrar se quisermos. Mas ao contrário de outros FPS onde os documentos estão literalmente escondidos ao longo dos níveis, aqui temos de trabalhar mais para os obter. Sempre que encontramos um oficial inimigo (que aparece assinalado de forma diferente no mapa), se conseguirmos nos aproximar dele sem ser detectados, podemos despoletar um interrogatório, que é na verdade uma pequena sequência de Quick Time Events onde os torturamos para nos dar informações. Já outros documentos estão estão guardados em terminais, que podemos hackear para obter essa informação. O hacking é apresentado na forma de alguns puzzles que temos de resolver rapidamente, ao descodificar uma série de figuras.

As sequências de hacking são resolvidas ao “limpar” a imagem central ao fazer matching com as imagens laterais. A solução deste puzzle seria usar as imagens dos cantos inferiores esquerdo e direito.

A nível audiovisual, devo dizer que este jogo foi uma bela surpresa. Ainda não estava muito à vontade com a Playstation Vita, mas devo dizer que de todos os jogos que já joguei para a portátil da Sony (e ainda foram poucos), este é sem dúvida o que tem os melhores gráficos 3D. Os níveis estão muito bem detalhados, tanto nas personagens como inimigos, bem como nos efeitos especiais de luz e outras partículas. A nível de som, nada de especial a apontar, o voice acting é bem competente. Só tenho pena que a narrativa não seja tão boa quanto nos jogos principais, mas não se pode ter tudo.

Portanto devo dizer que até gostei bastante deste Killzone. É verdade que é um jogo curto, mas surpreendeu-me pela positiva ao incluir várias abordagens e caminhos alternativos para ir cumprindo os objectivos que nos vão surgindo e a nível de controlos também se joga bem, mesmo com a PS Vita a não ter tantos botões como um comando da PS3 ou PS4. E mesmo sendo um jogo curto, para quem o quiser completar a 100% irá certamente ter muito mais trabalho, ao coleccionar os 6 documentos de inteligência em cada nível e rejogar as mesmas missões nos modos covert, demolition ou precision.

A Plague Tale: Innocence (Sony Playstation 4)

Depois de várias pessoas me terem recomendado este Plague Tale, fui espreitando o mercado até que me aparecesse um exemplar a bom preço, o que finalmente acabou por acontecer em Janeiro, tendo-o comprado na Amazon por cerca de 20€. Inspirado por The Last of Us ou Brothers: A Tale of Two Sons, este é um jogo com um grande foco na narrativa, que irá explorar a relação entre dois jovens irmãos a quem lhes é retirado tudo, em plena epidemia da Peste Negra que assolou a Europa no século XIV.

Jogo com caixa

A história leva-nos a controlar principalmente a jovem Amicia de Rune, a filha mais velha de um casal nobre algures em França. E depois de uma caçada que não correu muito bem, a Inquisição invade a sua propriedade com o objectivo de levar Hugo, o seu muito frágil irmão mais novo. Com a Inquisição a matar todos os que se atravessam à sua frente Amicia acaba por se por em fuga com o seu irmão e com o decorrer do jogo iremos não só procurar vingança, mas também entender as motivações por detrás da Inquisição e o porquê de Hugo ser um alvo.

A furtividade é um dos focos da jogabilidade. Inicialmente o melhor é mesmo passar despercebidos e evitar confrontos, pelo que teremos de usar algumas manobras de distracção

E a única arma que temos é uma fisga, pelo que ao longo de toda a aventura teremos de ter uma abordagem mais furtiva quando enfrentamos soldados. Mas não são só outros humanos adultos que temos de ter cuidado ao longo do jogo, mas também as ratazanas em grande número que surjem em zonas escuras e devoram tudo por onde passam. E estamos apenas munidos de uma fisga, pelo que devemos evitar confronto sempre que possível, ao mover nas costas dos soldados, atirar pedras ou outros objectos para os distrair e passar despercebidos, mas quando o confronto é inevitável lá temos de usar a fisga para uns headshots bem colocados. Mas o jogo tem também um grande foco na alquimia e iremos ganhar novas habilidades com o decorrer da história. Podemos criar projécteis flamejantes capazes de acender fogueiras (muito útil para atravessar zonas infestadas com ratazanas), projécteis que causam enorme desconforto em soldados com armadura, fazendo-os retirar o seu capacete, deixando-os vulneráveis a um headshot. Ou criar projécteis capazes de apagar fogueiras, criando armadilhas para as ratazanas devorarem inimigos, entre outros com funcionalidades interessantes e que deixo que os jogadores as descubram!

As ratazanas são mortais e surgem em grandes números e em zonas escudas mas têm medo do fogo, teremos de usar isso como vantagem ao atravessar zonas infestadas

Outro dos focos deste jogo, para além da sua exploração e eventuais puzzles que tenhamos de resolver, está precisamente na alquimia e sistema de crafting. À medida que vamos explorando os cenários à nossa volta, iremos encontrar reagentes e outros materiais que não só nos permitem criar as tais munições especiais que referi acima, mas também fazer alguns upgrades à fisga e ao equipamento de Amelie. Os primeiros tornam a fisga mais precisa, eficiente e silenciosa, já os outros podem aumentar a capacidade de armazenamento de reagentes, materiais ou mesmo simplificar o processo de crafting para upgrades futuros. Portanto, depois de limpar cada zona de inimigos, investi também bastante tempo para explorar todos os seus recantos e encontrar o máximo de materiais possível, bem como alguns coleccionáveis que poderemos também encontrar.

Ocasionalmente teremos alguns puzzles para resolver onde a cooperação é a chave do sucesso

Para além de uma boa jogabilidade, outro dos pontos fortes deste jogo está precisamente na sua narrativa e as comparações com títulos como The Last of Us ou Brothers: A Tale of Two Sons não são nada descabidas. Não só teremos de cooperar com as habilidades das diferentes pessoas à nossa volta que eventualmente nos ajudam na aventura, bem como teremos um grande foco na narrativa e no desenvolvimento da relação entre Amelie, Hugo e as restantes personagens que se juntam a nós, mas particularmente na relação dos irmãos Amelie e Hugo. Para além disso teremos excelentes momentos de acção, dignos de uma grande produção como precisamente os jogos da Naughty Dog nos bem habituaram!

Temos também um sistema de crafting que não só nos permite criar algumas das munições especiais, mas também melhorar o nosso equipamento

Visualmente é também um jogo excelente. Não é segredo que adoro representações da era medieval, sejam em jogos de fantasia, ou com mais algum realismo. E aqui neste Plague Tale a Asobo conseguiu apresentar uma fina linha entre realismo e fantasia, apresentando-nos um mundo medieval muito opressor, não só pela praga que dizimou milhões de pessoas no século XIV, mas também pela constante ameaça de uma Inquisição sem escrúpulos. É um jogo com uma apresentação muito bem conseguida, tanto nos cenários, como no voice acting ou mesmo a nível técnico, como os excelentes efeitos de luz, ou detalhe gráfico nas personagens e cenários à nossa volta.

Nem sempre dá para usar uma jogabilidade mais furtiva, por vezes temos até bosses para derrotar!

Portanto este A Plague Tale é de facto um excelente jogo. Uma óptima surpresa vinda de um estúdio francês que sinceramente desconhecia por completo, até porque muito se focaram em desenvolvimento de videojogos licenciados ou de outros géneros que pessoalmente não me interessam como foi o caso do Fuel ou mesmo da sua surpreendente participação no desenvolvimento do Microsoft Flight Simulator 2020. Sinceramente não espero que criem uma sequela directa deste jogo pois seria estragar a narrativa que tão bem construiram aqui, mas irei certamente segui-los com mais atenção quando voltarem a criar algo novo.

Sega Ages 2500 Vol 32 Phantasy Star Complete Collection (Sony Playstation 2)

Uma das iniciativas mais interessantes que a Sega lançou para reavivar todo o seu espólio retro foram os lançamentos da Sega Ages 2500 para a Playstation 2. Em 33 lançamentos diferentes, lançaram para o mercado algumas conversões, remakes dos seus clássicos ou compilações de séries completas como Space Harrier, Wonder Boy / Monster World, Fantasy Zone ou esta compilação da saga clássica Phantasy Star. Claro que a maioria destes lançamentos se ficaram pelo Japão e, pelo menos no caso dos remakes, os resultados finais foram algo díspares na sua qualidade. Alguns títulos ficaram pior que os originais, enquanto outros até ficaram bem interessantes. No ocidente acabamos por receber alguns desses remakes na compilação SEGA Classics Collection que planeio trazer cá em breve também. Entretanto este meu exemplar foi comprado algures em Junho do ano de 2020 no eBay. Não foi barato, mas foi um presente de aniversário que quis dar a mim mesmo!

Compilação com caixa, manual e papelada diversa que não ficou na foto

Mas então o que contém esta compilação? Bom, temos os quatro Phantasy Star clássicos mais alguns títulos secundários que foram saíndo originalmente para a Game Gear ou para o serviço online Mega Net da Mega Drive. Todos esses jogos estão em japonês, mas eu joguei versões emuladas com patches de tradução para inglês já há muitos anos atrás. Este artigo irá incidir precisamente nesses jogos secundários, pois já cá trouxe os da série principal. Se quiserem ler a minha opinião sobre os Phantasy Star principais, podem fazê-lo ao seguir os respectivos links: Phantasy Star, Phantasy Star II, Phantasy Star III, Phantasy Star IV.

As Phantasy Star II Text Adventures são pequenos jogos de aventura, altamente baseados em texto, que contam pequenas histórias de cada personagem do Phantasy Star II, alguns anos antes dos acontecimentos narrados nesse jogo

E vamos começar por abordar brevemente as Phantasy Star II Text Adventures. Como o nome indica, são aventuras gráficas ao estilo japonês, foram lançadas originalmente no serviço online Mega Net da Mega Drive, onde os seus clientes poderiam descarregar pequenos jogos que ficavam armazenados num cartucho próprio para o serviço. Dos vários títulos lançados nesse serviço, temos 8 aventuras gráficas que narram pequenas histórias que mostram um pouco mais do background das diferentes personagens intervenientes no Phantasy Star II. Mais tarde estes jogos tiveram também um lançamento físico para a Mega CD, divididos em duas compilações distintas que incluíam vários jogos deste serviço online.

Ocasionalmente teremos de defrontar alguns inimigos e o dano causado/sofrido é calculado através do lançamento de dados

Não vou detalhar os 8 jogos separadamente, pois todos possuem histórias diferentes, mas partilham todos das mesmas mecânicas de jogo, inspirados em muitos outros jogos de aventura nipónicos, onde na parte inferior do ecrã vemos o texto com os diálogos e descrição do mundo à nossa volta, do lado direito temos o menu com as diferentes acções (move, look, take, use, drop), enquanto que o resto do ecrã está dividido em 2 janelas que mostram alguns gráficos, sendo uma delas o protagonista. Em cada uma dessas opções surge uma interface com as direcções onde nos podemos mover ou no caso das outras opções, menus com os objectos ou personagens com os quais podemos interagir. E sendo jogos de aventura teremos de explorar bem os cenários, falar com pessoas e adquirir uma série de itens de forma a progredir no jogo! O grande twist desta fórmula está precisamente nas batalhas, pois em certos pontos do jogo teremos mesmo alguns combates para enfrentar. E aqui o jogo retém alguns elementos de RPG, pois são batalhas por turnos, onde devemos atacar com alguns dos itens que entretanto vamos encontrando. O dano causado é que é algo aleatório, pois é calculado através do lançamento de dados, mesmo à velha guarda! De qualquer das formas são elementos muito ligeiros de RPG, não há qualquer level up e os combates não são assim tão frequentes, mas temos de nos preocupar em não deixar que a nossa personagem morra, pelo que teremos de encontrar também maneiras de nos regenerar a barra de vida após combates.

A janela mais à esquerda ocasionalmente mostra-nos alguns detalhes gráficos do que se passa à nossa volta

A nível audiovisual, estas aventuras de texto são extremamente simples. Estava a contar que houvesse maior detalhe gráfico, com imagens que ilustram os cenários à nossa volta ou as pessoas com as quais interagimos, mas isso acontece muito esporadicamente. Sempre que há batalhas, uma das janelas gráficas apresenta o nosso oponente, mas ilustrações de cenários só acontece muito esporadicamente e apenas nalgumas das aventuras específicas. De certa forma compreende-se pois estes eram jogos que teriam de ser descarregados digitalmente através de linha telefónica, logo nos inícios dos anos 90, portanto era imperativo que ocupassem o menor espaço possível. Por outro lado as músicas vão sendo variadas consoante a aventura e algumas até as achei bem agradáveis.

Phantasy Star Adventure possui as mesmas mecânicas base de outras aventuras, mas com maior detalhe gráfico

Em 1992 a Sega lança também o primeiro spinoff para a portátil Game Gear, em mais um lançamento que nunca saiu do Japão. Tal como as aventuras de texto da Mega Drive, este também é um lançamento que aborda os eventos do Phantasy Star II, colocando-nos no papel de um outro agente de Paseo na mesma altura em que o jogo principal decorre. E é também uma aventura gráfica, com as mesmas mecânicas de jogo das aventuras anteriores, seja nas acções move, look, talk, take, use, drop seleccionadas através de menus, seja nas batalhas que também têm o sistema de lançamento de dados dados que define o dano causado/recebido em batalhas. Mas ao contrário dos seus predecessores na Mega Drive, aqui há um maior detalhe gráfico, pois todas as áreas que exploramos e personagens que interagimos possuem uma imagem estática descritiva. No entanto, algumas das informações importantes como os nossos pontos de vida ou dinheiro, são apenas visíveis após navegar nalguns menus.

Phantasy Star Gaiden já é um RPG tradicional, mas muito simples

Por fim temos o Phantasy Star Gaiden que saiu também para a Game Gear algures em 1992. É uma sequela directa do primeiro Phantasy Star, decorrendo umas centenas de anos após os acontecimentos do primeiro jogo. Mas a acção não decorre no familiar sistema solar de Algo, mas sim no planeta distante de Copto, que foi colonizado por Alis, a heroína do primeiro jogo, após o final da primeira aventura. E começamos por encarnar na pele dos jovens Alec e Mina, que partem para descobrir o paradeiro do pai de Alec, que havia sido emboscado por bandidos numa terra longínqua. Eventualmente teremos um grande vilão para defrontar, mas a história deste jogo é muito simples.

Ao menos quando entramos em edifícios temos sempre um ecrã detalhado com diálogos

As suas mecânicas de jogo também são bastante simples, com batalhas aleatórias e por turnos, onde poderemos desencadear as acções habituais de atacar, defender, usar itens, magia ou escapar. Mas o maior problema deste jogo, para além da sua simples narrativa, é mesmo o encounter rate que é terrível. Muitas vezes saímos de uma batalha para dar um ou dois passos e entrar noutra! De resto, uma das mecânicas de jogo fora do comum em Phantasy Star é o facto de as magias terem de ser compradas e não aprendidas naturalmente com a evolução das personagens. A nível audiovisual é também um jogo muito simples, as aldeias, cidades e dungeons são practicamente todas iguais entre si, o design dos monstros não é nada de especial e as músicas para além de não serem muitas, não são propriamente cativantes. Em suma, o Phantasy Star original da Master System é de longe um jogo bem melhor em todos os níveis. E a Game Gear tem JRPGs clássicos mais interessantes também.

Portanto estamos aqui perante uma interessante compilação que irá certamente agradar aos fãs de Phantasy Star, pois inclui todos estes spin offs que são bem mais complicados de comprar nas suas versões originais. No entanto temos sempre a barreira linguística, pois são todos jogos bastante pesados em texto e todos estão em Japonês nesta compilação. Um outro detalhe que ficou por contar é que os jogos da Game Gear estão escondidos e têm de ser desbloqueados!