A Plague Tale: Innocence (Sony Playstation 4)

Depois de várias pessoas me terem recomendado este Plague Tale, fui espreitando o mercado até que me aparecesse um exemplar a bom preço, o que finalmente acabou por acontecer em Janeiro, tendo-o comprado na Amazon por cerca de 20€. Inspirado por The Last of Us ou Brothers: A Tale of Two Sons, este é um jogo com um grande foco na narrativa, que irá explorar a relação entre dois jovens irmãos a quem lhes é retirado tudo, em plena epidemia da Peste Negra que assolou a Europa no século XIV.

Jogo com caixa

A história leva-nos a controlar principalmente a jovem Amicia de Rune, a filha mais velha de um casal nobre algures em França. E depois de uma caçada que não correu muito bem, a Inquisição invade a sua propriedade com o objectivo de levar Hugo, o seu muito frágil irmão mais novo. Com a Inquisição a matar todos os que se atravessam à sua frente Amicia acaba por se por em fuga com o seu irmão e com o decorrer do jogo iremos não só procurar vingança, mas também entender as motivações por detrás da Inquisição e o porquê de Hugo ser um alvo.

A furtividade é um dos focos da jogabilidade. Inicialmente o melhor é mesmo passar despercebidos e evitar confrontos, pelo que teremos de usar algumas manobras de distracção

E a única arma que temos é uma fisga, pelo que ao longo de toda a aventura teremos de ter uma abordagem mais furtiva quando enfrentamos soldados. Mas não são só outros humanos adultos que temos de ter cuidado ao longo do jogo, mas também as ratazanas em grande número que surjem em zonas escuras e devoram tudo por onde passam. E estamos apenas munidos de uma fisga, pelo que devemos evitar confronto sempre que possível, ao mover nas costas dos soldados, atirar pedras ou outros objectos para os distrair e passar despercebidos, mas quando o confronto é inevitável lá temos de usar a fisga para uns headshots bem colocados. Mas o jogo tem também um grande foco na alquimia e iremos ganhar novas habilidades com o decorrer da história. Podemos criar projécteis flamejantes capazes de acender fogueiras (muito útil para atravessar zonas infestadas com ratazanas), projécteis que causam enorme desconforto em soldados com armadura, fazendo-os retirar o seu capacete, deixando-os vulneráveis a um headshot. Ou criar projécteis capazes de apagar fogueiras, criando armadilhas para as ratazanas devorarem inimigos, entre outros com funcionalidades interessantes e que deixo que os jogadores as descubram!

As ratazanas são mortais e surgem em grandes números e em zonas escudas mas têm medo do fogo, teremos de usar isso como vantagem ao atravessar zonas infestadas

Outro dos focos deste jogo, para além da sua exploração e eventuais puzzles que tenhamos de resolver, está precisamente na alquimia e sistema de crafting. À medida que vamos explorando os cenários à nossa volta, iremos encontrar reagentes e outros materiais que não só nos permitem criar as tais munições especiais que referi acima, mas também fazer alguns upgrades à fisga e ao equipamento de Amelie. Os primeiros tornam a fisga mais precisa, eficiente e silenciosa, já os outros podem aumentar a capacidade de armazenamento de reagentes, materiais ou mesmo simplificar o processo de crafting para upgrades futuros. Portanto, depois de limpar cada zona de inimigos, investi também bastante tempo para explorar todos os seus recantos e encontrar o máximo de materiais possível, bem como alguns coleccionáveis que poderemos também encontrar.

Ocasionalmente teremos alguns puzzles para resolver onde a cooperação é a chave do sucesso

Para além de uma boa jogabilidade, outro dos pontos fortes deste jogo está precisamente na sua narrativa e as comparações com títulos como The Last of Us ou Brothers: A Tale of Two Sons não são nada descabidas. Não só teremos de cooperar com as habilidades das diferentes pessoas à nossa volta que eventualmente nos ajudam na aventura, bem como teremos um grande foco na narrativa e no desenvolvimento da relação entre Amelie, Hugo e as restantes personagens que se juntam a nós, mas particularmente na relação dos irmãos Amelie e Hugo. Para além disso teremos excelentes momentos de acção, dignos de uma grande produção como precisamente os jogos da Naughty Dog nos bem habituaram!

Temos também um sistema de crafting que não só nos permite criar algumas das munições especiais, mas também melhorar o nosso equipamento

Visualmente é também um jogo excelente. Não é segredo que adoro representações da era medieval, sejam em jogos de fantasia, ou com mais algum realismo. E aqui neste Plague Tale a Asobo conseguiu apresentar uma fina linha entre realismo e fantasia, apresentando-nos um mundo medieval muito opressor, não só pela praga que dizimou milhões de pessoas no século XIV, mas também pela constante ameaça de uma Inquisição sem escrúpulos. É um jogo com uma apresentação muito bem conseguida, tanto nos cenários, como no voice acting ou mesmo a nível técnico, como os excelentes efeitos de luz, ou detalhe gráfico nas personagens e cenários à nossa volta.

Nem sempre dá para usar uma jogabilidade mais furtiva, por vezes temos até bosses para derrotar!

Portanto este A Plague Tale é de facto um excelente jogo. Uma óptima surpresa vinda de um estúdio francês que sinceramente desconhecia por completo, até porque muito se focaram em desenvolvimento de videojogos licenciados ou de outros géneros que pessoalmente não me interessam como foi o caso do Fuel ou mesmo da sua surpreendente participação no desenvolvimento do Microsoft Flight Simulator 2020. Sinceramente não espero que criem uma sequela directa deste jogo pois seria estragar a narrativa que tão bem construiram aqui, mas irei certamente segui-los com mais atenção quando voltarem a criar algo novo.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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