Warhammer 40000: Space Marine (Sony Playstation 3)

Voltando à Playstation 3 vamos ficar com um jogo da Relic que usou a propriedade intelectual Warhammer para criar um jogo de acção na terceira pessoa e o resultado foi este Space Marine. E o que aqui temos é um híbrido entre um jogo de combate corpo-a-corpo visceral, com um shooter na terceira pessoa. O meu exemplar foi comprado numa Worten algures em Junho de 2013 por 6.90€.

Jogo com caixa, manual e papelada

Neste jogo encarnamos em Titus, capitão dos soldados de elite dos Ultramarines, que são enviados ao planeta de Graia, que tinha sido invadido por forças de Orks e lá teremos de ajudar os militares locais a repelir a invasão. Mas o destacamento dos Ultramarines não corre bem e lá chegamos à superfície com um pequeno esquadrão com mais 2 Ultramarines que nos irão acompanhar ao longo de grande parte do jogo. Eventualmente coisas acontecem e não serão apenas os Orks que teremos de defrontar, mas deixo para quem for jogar que descubra!

Estes Ultramarines são autênticos tanques de guerra!

Como referi acima, este é um híbrido entre um hack and slash com combates corpo-a-corpo viscerais e super violentos, com elementos de shooter. Nós estamos equipados com uma arma melee (inicialmente uma catana que é rapidamente substituída por uma motoserra) bem como uma arma de munição infinita. À medida que vamos avançando no jogo iremos ter acesso a diferentes armas tanto melee como armas de fogo, sendo que poderemos carregar constantemente 4 armas de fogo distintas, mais uma melee. Nos combates corpo-a-corpo vamos tendo a possibilidade de desencadear diferentes combos viscerais e, um pouco como na série God of War, à medida que causamos dano há uma barra de energia que se vai enchendo e uma vez cheia podemos activar o Fury Mode que, durante alguns segundos, nos permite desencadear golpes ainda mais poderosos, bem como disparar em câmara lenta e ter assim uma maior precisão.

É muito satisfatório dizimar todos estes Orks!

Titus e os restantes Ultramarines possuem uma armadura pesada, pelo que não são propriamente os soldados mais ágeis do mundo. No entanto, com o botão X podemos rebolar pelo chão para nos esquivarmos, bem como com o botão L3, podemos correr, o que também pode ser usado para posteriormente desencadear alguns golpes corpo-a-corpo poderosos e que poderão deixar os nossos inimigos atordoados e mais vulneráveis. Titus possui duas barras de vida que devemos considerar. A primeira corresponde à energia da armadura e esta é auto regenerativa, logo que consigamos estar alguns segundos sem sofrer dano. Mas se a energia da armadura se esgotar, a barra de vida começa também a diminuir com o dano sofrido e esta não é auto regenerativa. Para voltar a ganhar vida temos três hipóteses: a primeira é morrer que recomeçamos o último checkpoint com a vida no máximo. A segunda é, durante os combates corpo-a-corpo, atordoar inimigos e executá-los ao pressionar o botão O, se bem que durante a animação das execuções estamos vulneráveis a sofrer dano também. A última forma de regenerar vida é activarmos o Fury Mode, que faz com que a barra de vida também se vá regenerando enquanto temos esse modo activo.

No canto inferior esquerdo temos uma barra de energia que, uma vez cheia, nos permite activar o Fury Mode, onde conseguimos desferir golpes ainda mais mortais e regenerar a nossa barra de vida!

Ocasionalmente temos também a possibilidade de usar um jetpack, que nos permite saltar nas alturas e lançarmo-nos disparados para o chão, causando dano de impacto a todos os inimigos à nossa volta. E o jogo vai-nos atirando com hordas e hordas de inimigos para defrontar, e é mesmo satisfatório andar ali a esventrar Orks a torto e a direito. Mas a dificuldade vai aumentando com a introdução de inimigos mais poderosos e que nos obrigam a escolher bem que armas utilizar em cada confronto, até porque as munições nalguns desses confrontos mais exigentes não são tão abundantes assim. De resto é um jogo de acção competente, se bem que bastante linear nos seus ambientes: são imensos corredores e ocasionalmente algumas áreas mais abertas para confrontos mais numerosos.

A nível audiovisual, sinceramente até gostei do jogo. Eu ainda não conheço assim tão bem o lore da série Warhammer (o único jogo que tinha jogado até agora foi o Fire Warrior) mas adoro o design das personagens e dos seus edifícios. O universo Warhammer tem a particularidade de fundir temas sci-fi com fantasia medieval, e o resultado final é muito interessante na minha opinião. Só tenho mesmo é pena que o design dos níveis se resuma aos tais corredores e áreas abertas, muitas vezes rodeados de escombros. A qualidade gráfica é bem aceitável para um jogo desta geração e também não tenho nada a apontar ao voice acting que é mesmo competente. For the Emperor!

Adoro o design deste universo! Pena que a maioria dos seus videojogos sejam de estratégia!

Portanto estamos aqui perante um jogo de acção que é perfeitamente competente no que representa, mas com potencial para ser melhor. A adopção de um sistema de cover seria uma boa ajuda nalguns confrontos onde os inimigos estão longe, muito bem armados, e não temos grande abrigo, o que vai resultar em muito dano sofrido desnecessariamente. O sistema de combate é agradável, mas por vezes senti que o jogo não respondia bem aos comandos, especialmente em momentos de maior aperto! Mas como um todo até que gostei do jogo e do papel do protagonista o Capitão Titus. A maneira como terminou deixou antever uma sequela mas que infelizmente esta nunca se chegou a materializar, até porque a THQ faliu pouco tempo depois.

Root Letter (Sony Playstation Vita)

O artigo de hoje é mais uma visual novel / jogo de mistério e aventura, com algumas semelhanças com a série Phoenix Wright, pois eventualmente, em cada capítulo, teremos de interrogar uma pessoa específica e até lá temos de recolher pistas que possam ser usadas como provas para confrontar essas pessoas. O meu exemplar foi comprado a um particular há uns anos atrás, creio que me custou uns 10€.

Jogo com caixa

O jogo decorre inteiramente na cidade de Matsue no Japão, onde encarnamos num jovem adulto que busca conhecer finalmente a sua penpal dos tempos da secundária, 15 anos depois do seu último contacto. O que é um penpal? Um(a) amigo(a) por correspondência! A única pista que o protagonista tem para descobrir a Aya Fumino, são precisamente os seus colegas da escola secundária que ela foi mencionando nas suas cartas. Mas todos os amigos de Aya que vamos descobrindo e interagindo, nenhum quer sequer remexer em acontecimentos do seu passado e vão estar constantemente na defensiva, até porque vamos descobrindo aos poucos que a história por detrás do desaparecimento de Aya começa a fazer cada vez menos sentido.

A interface é bastante simples, embora nem todas as acções estejam disponíveis logo de início

Lá teremos então de explorar a cidade de Matsue exaustivamente, questionar pessoas e recolher evidências para que posteriormente possamos confrontar os amigos de Aya, um a um, e se tivermos sucesso iremos desvendar um pouco do mistério de Aya de cada vez. A acompanhar a aventura e todos os diálogos que vamos ler, teremos uma interface baseada em menus que nos irá permitir realizar uma série de acções. Ao escolher “Move” podemo-nos movimentar por diferentes áreas do mesmo local onde estamos ou visitar o mapa e visitar locais que já tenhamos desbloqueado. A opção Check permite-nos investigar o cenário em busca de pistas, a opção Ask permite interrogar pessoas à nossa volta, já a opção Inventory permite-nos consultar o inventário e seleccionar algum item e usá-lo com alguma pessoa. A opção Think serve para nos dar algumas dicas do que devemos fazer em seguida (e em certas alturas é mesmo obrigatório usá-la para avançar na história), já o Guidebook deve ser consultado algumas vezes para descobrir onde ficam certos locais (ficando posteriormente disponíveis no mapa). Por fim temos a opção smartphone, que é onde podemos gerir os saves e as opções gerais.

As escolhas que tomamos como respostas às cartas de Aya são o que definem o final que iremos alcançar

Durante os interrogatórios principais, onde devemos ter algum cuidado para fazer as perguntas certas e usar os itens certos como prova do nosso raciocínio, também iremos por vezes activar o “max mode“. Aqui vemos uma frase em destaque no ecrã e um medidor de energia a aumentar, sendo que cada vez que este ultrapasse um certo limite a frase muda também ficando cada vez mais intensa! Uma vez mais teremos de escolher a frase certa para avançar no interrogatório, mas felizmente aqui parece-me que podemos falhar as vezes que quisermos e ainda bem que assim é porque a partir de certo ponto no jogo o tal medidor de energia vai estar constantemente a subir/descer e fica mais difícil escolher a frase que queremos no timing certo. Sinceramente achei uma mecânica de jogo um pouco desnecessária! Os “OBJECTION!” do Phoenix Wright eram bem mais simples!

O max mode foi talvez a mecânica de jogo que gostei menos

Já a narrativa em si, sinceramente até a achei interessante, pois a história vai ficando cada vez mais bizarra à medida que vamos progredindo no jogo. E temos vários finais distintos para alcançar e a maneira como avançamos para cada final prende-se com as escolhas que tomamos nas respostas que supostamente demos às cartas da Aya no passado. Os primeiros 8 capítulos pertencem ao ramo principal da história e é aí que fazemos essas escolhas, já os 2 capítulos seguintes pertencem ao ramo do final que alcançamos. Felizmente, uma vez terminado o jogo pela primeira vez, é possível avançar de capítulo em capítulo até ao oitavo, assim que fizermos as novas escolhas de respostas às cartas. E os finais são bastante distintos entre si, uns bem mais bizarros que outros!

A opção check permite-nos investigar os cenários mais a fundo em busca de novas pistas

A nível audiovisual é um jogo muito distinto. As personagens têm um aspecto um pouco mais realista e não tanto anime, bem como todos os cenários que visitamos aparentam mesmo ser localizações reais da cidade de Matsue e estão representados de uma forma muito realista também. Dá mesmo vontade de visitar aquele sítio! Temos também voice acting para todas as personagens excepto para o protagonista que encarnamos e as vozes estão, naturalmente, em japonês. Já a banda sonora também achei agradável, sendo composta maioritariamente por melodias muito calmas, mas também mais tensas ou enérgicas quando o momento chama.

Portanto devo dizer que até gostei deste Root Letter, apesar de não ter gostado lá muito de um ou outro dos finais que poderemos desbloquear. A história é interessante e o mistério vai-se adensando à medida que avançamos no jogo! Este Root Letter foi também lançado para a PS4 e PC no Steam, se bem que mais tarde a Kadokawa Games produziu uma versão melhorada chamada Root Letter: Last Answer. Aparentemente essa versão, para além de ter conteúdo adicional na história, tem também cenas gravadas com actores reais. Acho interessante, mas não conto recomprá-lo, pois não me agradou tanto quanto o Steins;Gate, onde acabei por mais tarde comprar a sua versão Elite.

Marvel vs Capcom (Sony Playstation)

Durante a década de 90, a Capcom era uma máquina de produzir jogos de luta 2D, todos eles com muita qualidade. Mas para além dos inúmeros Street Fighter e novas IPs como a série Darkstalkers, a Capcom também lançou uns quantos jogos de luta do universo da Marvel e, a partir do X-Men vs Street Fighter começou também a explorar melhor os crossovers entre universos da Marvel e da própria Capcom. Este Marvel vs Capcom é o terceiro desses crossovers, mas o primeiro que reúne personagens de universos mais abrangentes, tanto da Marvel, como da Capcom. Mas infelizmente, também tal como os seus predecessores, a versão Playstation acabou por ser uma conversão que, por limitações de hardware, viu uma boa parte das suas mecânicas de jogo alteradas. O meu exemplar foi comprado algures em Novembro de 2016 numa das minhas idas à feira da Vandoma no Porto, por 5€.

Jogo com caixa e manual

A primeira vez que joguei o Marvel vs Capcom foi sem dúvida marcante! Joguei-o na Dreamcast, creio que na FNAC do Norte Shopping algures em 2000. E os seus gráficos vibrantes, aliados a uma jogabilidade incrivelmente fluída e frenética deixaram-me com água na boca! Esta versão PS1 não é um mau jogo de todo se o analisarmos isoladamente, mas tal como os seus predecessores, a versão original arcade (e a conversão Dreamcast) assentavam numas mecânicas de tag team, onde teríamos de escolher representar duas personagens e poderíamos alternar entre ambas durante os combates. Devido à reduzida quantidade de memória RAM na primeira Playstation, para além desta versão ter sofrido alguns cortes nas animações, todo o conceito de tag team teve também de ser descartado. Continuamos a seleccionar 2 personagens, mas a segunda personagem irá apenas ser invocada nalguns golpes especiais.

Neste jogo temos imensas personagens não jogáveis que podemos invocar para nos ajudar com uns specials!

A versão Playstation possui então os seguintes modos de jogo: arcade e versus para 2 jogadores que naturalmente dispensam apresentações, um modo de treino onde poderemos treinar os golpes de cada lutador e o modo crossover que, tal como na versão Playstation do Marvel Super Heroes vs Street Fighter, permite combates com tag team, mas com lutadores espelhados entre si. Por exemplo, se seleccionarmos o Ryu e Venom, iremos enfrentar as sprite swaps dessas mesmas personagens. Tudo isto devido às limitações de RAM da Playstation. Mas indo um pouco mais a fundo nas mecânicas de jogo em si, este é um jogo de luta incrivelmente frenético, com imensos golpes especiais e visualmente muito apelativos a serem despoletados a todo o tempo! Uma das funcionalidades que aqui foram introduzidas é o Duo Team Up Attack, onde durante um curto período de tempo, podemos controlar 2 personagens em simultâneo, permitindo atingir combos estratosféricos! Mas nesta versão Playstation, uma vez mais devido a limitações de hardware, a segunda personagem que controlamos é sempre um sprite swap do nosso oponente, o que é um pouco estranho. Outra das funcionalidades que foram algo modificadas na versão Playstation é o Special Assist. Nas versões arcade e Dreamcast, cada jogador possuía um convidado especial aleatório, que poderia aparecer no ecrã ao despoletar algum ataque especial, aqui na Playstation antes de cada partida temos de escolher se queremos usar o sistema de Partner Heroes, ou Special Heroes. O primeiro permite-nos escolher a tal personagem secundária que nos originais seria o nosso parceiro de tag team, já escolhendo a opção Special Heroes é que nos é assignado aleatoriamente o tal parceiro que pode também ser invocado em certos golpes especiais.

Não há como negar, este é um jogo muito vistoso!

A nível de personagens jogáveis, a memória pregou-me uma grande partida pois era capaz de jurar que haviam mais personagens jogáveis! Podemos escolher de entre 15 personagens do universo Marvel e Capcom, onde do lado da Capcom destaco Megaman, Strider Hyriu, Morrigan, Captain Commando e Jin (do jogo Cyberbots) como as personagens novas, fora do universo Street Fighter. Para além das 15 personagens, poderemos desbloquear mais umas 7 personagens mas a maioria são sprite swaps, excepto a Roll (do universo Mega Man) e o boss Onslaught (que possui animações fantásticas, já agora). Já do lado dos tais “Special Helpers”, o leque é bem maior (21 personagens!), incluindo nomes como o Arthur da série Ghouls n’ Ghosts ou de jogos ainda mais obscuros da Capcom! Do lado da Marvel, também temos algumas personagens não muito comuns nestas andanças como a Jubilee dos X-Men, ou as portentosas Sentinels.

Das personagens desbloqueáveis, apenas a Roll e Onslaught é que não são sprite swaps de outras personagens

A nível audiovisual este é um jogo excelente. Aparentemente os cortes nas animações foram feitos mais nos specials mais vistosos, deixando a acção “normal” o mais fluída possível. E a verdade é que, mesmo apesar de todas as restrições e alterações de mecânicas de jogo que esta versão sofreu devido às limitações de hardware, não deixa de ser um jogo de luta extremamente competente. As personagens possuem sprites muito bem detalhadas e os cenários também são bastante variados entre si, e sempre com pequenos detalhes muito interessantes! Sempre gostei do design gráfico deste tipo de jogos e o Marvel vs Capcom não desilude nesse departamento. Já no que diz respeito ao som, a banda sonora que o acompanha também é bastante agradavel, se bem que eu, tal como referi nos crossovers anteriores, acabo por preferir sempre aqueles temas com influências mais rock, o que felizmente ainda são umas quantas!

Assassin’s Creed IV: Black Flag (Sony Playstation 4)

Lançado em 2013, Assassin’s Creed IV mantém o seu foco no território norte-americano, mas desta vez uns bons anos antes das aventuras de Connor no Assassin’s Creed III, até porque controlamos nada mais nada menos que Edward Kenway, seu avô. E com as batalhas navais introduzidas no seu antecessor até tiveram sucesso, a Ubisoft decide dedicar esta aventura precisamente aos piratas nos mares das Caraíbas. Foi um jogo lançado numa altura de transição de gerações de consolas, com versões para as consolas principais de ambas as gerações. Originalmente até tinha comprado a versão PS3, mas acabei mais tarde por trocar por uma versão PS4, já não me recordo quando nem onde, mas foi certamente barata.

Jogo com caixa, manual (o que é raro num jogo PS4!) e papelada

Este Assassin’s Creed começa de uma forma algo diferente, pois Edward Kenway era mesmo um mero pirata e que, em busca de lucro fácil, acaba por envolver numa conspiração dos Templários e que, inedvertidamente acaba por enfraquecer a posição dos Assassinos da região. Eventualmente Edward consegue também o seu próprio barco, faz amizades com outros capitães piratas notáveis e começa também, aos poucos, a colaborar com a ordem dos Assassinos locais. Em paralelo há também uma trama a decorrer no presente, onde controlamos um funcionário da Abstergo que navega pelo Animus para explorar não as memórias dos seus antepassados, mas sim as memórias de uma certa personagem também muito importante naquele universo. Teoricamente a Abstergo (Entertainment) está a explorar essas memórias para criar filmes ou diversões de realidade virtual sobre aventuras de piratas, mas na verdade o que lhes interessa são informações cruciais de artefactos da tal primeira Civilização.

Havana é uma das várias cidades que iremos explorar

A nível de controlos, os mesmos foram ligeiramente modificados, a meu ver para melhor, no que diz respeito ao combate corpo-a-corpo, armas de fogo e o habitual parkour. As habilidades estão todas lá na mesma, mas simplificaram ligeiramente alguns dos seus controlos. O que gostei mais é o facto do sistema de notoriedade (nas cidades) ter sido eliminado. Agora podemos fazer asneiras quanto baste que para a nossa notoriedade baixar já não temos de andar a subornar pessoas ou rasgar cartazes de criminosos procurados, mas sim basta sairmos de cena, procurar um local isolado e esperar algum tempo até ficarmos completamente anónimos de novo. Já nas batalhas navais, que estão mais uma vez de regresso (ou não fosse este um jogo dedicado a piratas), quantos mais navios atacarmos, maior será a nossa notoriedade e, sendo esta suficientemente elevada, iremos também atrair navios de caçadores de piratas. Mas felizmente essa notoriodade também é fácil de ser reduzida.

Espalhados pelos oceanos podemos também encontrar náufragos que podemos adicionar à nossa tripulação ou carga perdida

De resto esperem pelas habituais mecânicas de um Assassin’s Creed, sendo este um jogo de mundo aberto, esperem por vários coleccionáveis para apanhar e missões secundárias para cumprir. A grande diferença está mesmo na sua magnitude, pois vamos ter algumas pequenas cidades para explorar, mas muitas outras ilhas desertas e localizações de interesse ao longo dos oceanos. Portanto, para quem quiser fazer todas as sidequests e apanhar todos os coleccionáveis, têm aqui muitas horas de jogo pela frente. O sistema de caça e crafting marca cá uma vez mais a sua presença, agora com a possibilidade também de caçarmos tubarões ou baleias em alto mar, mas não há um foco tão grande na caça como no jogo anterior. O que está também de volta é todo o sistema de trading que podemos gerir, ao criar uma frota de navios e levá-los em várias rotas comerciais, algo muito útil para fazer dinheiro extra, até porque todos os upgrades que podemos comprar para o Edward Kenway, a sua residência, ou mesmo o seu barco Jackdaw custam dinheiro e/ou outros recursos como madeira ou metais que teremos de obter ao assaltar outros navios. De todo este conteúdo opcional, o que não gostei nada foram as missões de exploração subaquática. Os controlos não são de todos os melhores os mares estão repletos de perigos como tubarões, medusas ou moreias, para além de estarmos constantemente pressionados pela falta de ar.

Sendo um jogo baseado em aventuras piratas, não podiam faltar mapas de tesouros escondidos!

A nível gráfico é um jogo que sofre por estar ali numa transição de gerações. Mesmo jogando-o numa Playstation 4, o salto gráfico não é ainda tão considerável assim, quando comparado com uma versão PS3 ou Xbox 360. Ainda assim é bastante competente e gostei bastante de explorar as Caraíbas. O jogo possui um sistema de meteorologia dinâmica e num minuto podemos estar a navegar em oceanos calmos, como noutro já podemos estar rodeados de tufões e ondas gigantes. E quando temos de enfrentar armadas e/ou fortes inimigos nestas condições? Gostei bastante! De resto, o voice acting é bastante competente e apesar de, na maior parte do jogo iremos enfrentar forças espanholas ou inglesas, há um certo ponto na história onde iremos enfrentar uma armada portuguesa. E apesar dos actores portugueses não terem sido propriamente os melhores, é agradável ouvi-los a falar uns com os outros em português de Portugal. Ou mesmo quando os combatemos, ouvir um “anda cá otário!” é delicioso.

O combate continua brutal como sempre!

Portanto o meu balanço para este Assassin’s Creed IV Black Flag acaba por ser bastante positivo no final. Gostei da forma como a personagem Edward Kenway vai evoluindo com o tempo e é um jogo que nos apresenta de facto imensas coisas para fazer em paralelo à história principal. E navegar pelos mares das Caraíbas, descobrir ilhas desertas, ou simplesmente atacar navios aleatórios que se atravessavam no nosso caminho, foi de facto uma experiência muito agradável. Mas confesso que, perto do fim, já me estava a cansar um pouco. A minha ideia era pegar no Assassin’s Creed Rogue logo de seguida, mas acho que lhe vou dar um ou dois meses de intervalo.

Ridge Racer 2 (Sony Playstation Portable)

Há cerca de um ano atrás trouxe cá o primeiro Ridge Racer para a PSP, que acabou por se revelar uma excelente surpresa, pois apesar de não trazer conteúdo inteiramente novo, é um jogo de corridas muito competente, especialmente considerando que foi um título de lançamento da Playstation Portable. E então como se safou esta sequela? É o que veremos em seguida. O meu exemplar foi comprado algures em Dezembro de 2020 numa CeX do Porto, tendo custado 2€.

Jogo com caixa e manual

Ora o tal primeiro Ridge Racer da PSP era uma homenagem aos clássicos da série que saíram para a PS1 e Arcade, ao apresentar muitos dos circuitos existentes nessas versões, mas com gráficos melhorados e uma jogabilidade ainda mais intensa, com o uso ocasional de nitros para atingir velocidades ainda mais estonteantes! Este Ridge Racer 2 apesar de ser um excelente jogo de corrida arcade também, infelizmente acaba por desiludir ao trazer muito pouco conteúdio novo. Devia-se chamar qualquer coisa como Ridge Racer Remix ou algo do género! Aliás, já o primeiro da PSP é que deveria ter esse nome!

Como é habitual nos Ridge Racer, os carros são fictícios

Portanto temos aqui os mesmos modos de jogo do seu predecessor, com mais um ou outro adicional. O principal é o modo World Tour que, tal como no jogo anterior, consiste em conjuntos de pequenos campeonatos, sendo que cada campeonato é composto por um número variável de corridas individuais. Em cada corrida começamos sempre na última posição (12º lugar) e o objectivo é completar a corrida nos lugares cimeiros, pelo menos acima do limite para sermos qualificados para a corrida seguinte. À medida que vamos progredindo nesse modo de jogo, iremos desbloquear novos circuitos e carros que passarão a ficar desbloqueados nos restantes modos de jogo. E aqui temos o Arcade, Time Attack, mas também os novos Survival e Duel. O primeiro coloca-nos numa corrida onde quem termina a volta na última posição é eliminado e o Duel são, como o nome indica, corridas contra apenas um oponente, que tipicamente conduz muito melhor que os oponentes habituais nas restantes corridas. Existe também um modo de jogo multiplayer que sinceramente não experimentei.

Com os nitros é possível atingir velocidades estonteantes!

A nível visual, tal como o seu predecessor é excelente e sinceramente é um jogo de corridas que tem melhor aspecto que muitos outros da própria Playstation 2! Os cenários possuem um detalhe incrível, particularmente nas pistas à noite e em zonas urbanas. Efeitos como o rasto de luz dos faróis traseiros dos carros estão também muito bem conseguidos e os carros em si possuem detalhe considerável. Os dos nossos oponentes já possuem texturas um pouco piores, algo que é notório quando nos aproximamos deles. A nível de banda sonora, continua bastante eclética, com temas mais electrónicos, jazz, rock ou misturas de géneros que a meu ver resultam bem. É um jogo visualmente excelente mas lá está, não traz muito de novo face ao seu predecessor. Até os visuais nos menus e afins são idênticos!

Portanto este Ridge Racer 2 é mais um excelente jogo de corridas, especialmente para quem procura experiências mais arcade e não propriamente de simulação. Os nitros, que têm de ser usados de forma inteligente, permitem-nos atingir velocidades estonteantes e é um jogo que nos vai obrigar a practicar bastante até os drifts saírem perfeitos. Mas para quem tenha comprado o primeiro Ridge Racer e depois tenha comprado este por full price, acredito que tenha ficado desiludido pelo pouco conteúdo adicional que traz. Se não têm nenhum, recomendo vivamente a saltarem directamente para este.