Onimusha 3 Demon Siege (Sony Playstation 2)

Já há bastante tempo que tinha este Onimusha 3 em backlog e nestes últimos dias lá me decidi finalmente em jogá-lo a sério, depois de uma primeira tentativa algures em 2013/2014, quando arranjei este meu exemplar algures em local indeterminado e preço também, apesar de ter sido certamente muito barato. Lembro-me de na altura o ter começado a jogar por curiosidade (sempre achei piada ao facto do Jean Reno protagonizar uma das personagens principais) e apesar de estar a gostar, não o queria jogar sem antes terminar os seus antecessores.

Jogo com caixa, manual e papelada diversa

Enquanto o Onimusha 2 nos colocou no papel de uma nova personagem, o samurai Jubei, este terceiro capítulo volta a colocar-nos no papel de Samanosuke, o protagonista do primeiro jogo, onde uma vez mais iremos lutar contra as forças demoníacas dos Genma, lideradas pelo tirano Nobunaga. E o início do jogo coloca-nos mesmo perto de defrontar Nobunaga uma vez mais, embora as coisas não corram lá muito bem. É que quando Nobunaga se prepara para nos desferir um golpe fatal, eis que surge um portal que nos transporta para… Paris… em 2004! As forças demoníacas de Genma vêm atrás e a cidade parisiense é atacada, com muitas baixas civis. É aqui que entra Jacques Blanq, um membro da polícia local que se vê envolvido nesses combates e, pouco depois de se cruzar com Samanosuke, Jacques acaba também por ser teletransportado, mas para o Japão, mais precisamente para o mesmo período do próprio Samanosuke. Aliás, é transportado para uns dias antes, pelo que Jacques acaba inclusivamente por conhecer e colaborar com o próprio Samanosuke dessa linha temporal. Sim, as coisas ficam um pouco confusas, mas ao longo do jogo iremos alternar entre ambas as personagens e períodos temporais.

A introdução de Jean Reno foi precisamente para cativar o público europeu, que aparentemente tinha sido o território onde Onimusha 2 vendeu pior.

No que diz respeito às mecânicas de jogo, este herda as mesmas mecânicas bases do seu antecessor. É na mesma um jogo de acção com ângulos de câmara fixos à semelhança dos Resident Evil clássicos e tal uma personagem como a outra vão ter acesso a diversas armas brancas, cada qual com um ataque mágico distinto. Ao derrotar os inimigos estes vão deixando várias esferas de energia que podem ser absorvidas pelo artefacto mágico que tanto Samanosuke como Jacques possuem. Estas podem servir para nos regenerar parcialmente a barra de vida, magia, onimusha ou no caso das mais comuns, as vermelhas, servem como uma espécie de pontos de experiência, que podem ser posteriormente trocados para melhorar cada uma das nossas armas e armaduras. Há pouco mencionei a barra de Onimusha, e esta, quando cheia, permite-nos transformar, se bem que temporariamente, numa forma mais poderosa. De resto o sistema de combate também me parece ser mais complexo, ao introduzirem um sistema de counters e criticals que requerem precisão no timing em que defendemos ou atacamos.

O jogo continua bem voltado para a acção e as armas que ambas as personagens vão ganhando dão-lhes também uma jogabilidade diferenciada

Samanosuke e Jacques possuem habilidades ligeiramente diferentes. As armas de Samanosuke estão mais voltadas para o combate próximo, embora também tenhamos acesso a um arco e flechas (estas com munições limitadas) para melhor alcançar inimigos mais longínquos. Já as armas de Jacques são baseadas em chicotes, o que nos permite atacar com mais algum alcance, bem como alcançar zonas que Samanosuke não conseguiria alcançar, ao usar o chicote para balançando por entre plataformas. Sim, vão haver certas alturas onde teremos de explorar a mesma zona mas em diferentes alturas no tempo e o progresso de uma personagem terá de ser desbloqueado pela outra e vice-versa. Para além disso, temos ainda uma outra personagem jogável, a Michelle, namorada de Jacques. Ela é militar, pelo que nas poucas vezes que a temos de controlar, ela não possui quaisquer habilidades mágicas, mas terá acesso a diferentes armas de fogo modernas. De resto, tal como nos seus predecessores e Resident Evil clássicos, teremos de explorar cada área afincadamente e ocasionalmente resolver um ou outro puzzle para progredir.

É muito estranho ver um samurai numa cidade de Paris moderna, mas sinceramente gostei do resultado desta experiência

No que diz respeito aos audiovisuais, o destaque para mim sempre foi a cutscene inicial em CGI, que era de uma qualidade incrível para a época e estava muito bem feita. O facto de o jogo envolver viagens no tempo e decorrer tanto no Japão feudal como numa Paris moderna, deu-lhe também uma grande diversidade de cenários. Para além de florestas, cidades e castelos japoneses, iremos também explorar o arco do triunfo, a catredal de Notre Dame, o castelo do mont Saint Michel e claro, a torre Eiffel. Os cenários estão bem detalhados e apesar de o jogo herdar os ângulos de câmara fixos, desta vez os cenários não são imagens pré-renderizadas mas sim completamente em 3D poligonal e o resultado final acaba por ser bem satisfatório. O detalhe das personagens principais, sempre foi algo que me impressionou bastante pela positiva nesta série e aqui o resultado final foi também bem satisfatório. O voice acting é bem competente, Jean Reno deu a voz à sua personagem e a personagem de Samanosuke é também interpretada por um conhecido actor japonês, embora aqui não ouvimos a sua voz porque infelizmente a Capcom não nos deu nenhuma opção para activar o voice acting original japonês. As vozes em inglês até que estão bem competentes, mas num jogo com origens e influências nipónicas tão acentuadas, manter as vozes em japonês seria mais autêntico digo eu. Até porque há inclusivamente algum diálogo em francês, pelo menos até que chega ao ponto em que “magicamente” as personagens entendem-se e os diálogos passam a ser todos em inglês daí em diante.

O sistema de upgrades é muito similar ao seu antecessor

Portanto devo dizer que gostei bastante deste Onimusha 3. Apesar de existirem alguns spin offs como um título da GBA que ainda não me apareceu na colecção e um jogo de luta algo desnecessário, esta série tinha sido idealizada como uma trilogia e este terceiro capítulo fecharia bem a série, a meu ver. Acho que a Capcom foi ousada ao pegar numa série, tão baseada em folclore e factos históricos japoneses e misturá-la com o mundo ocidental moderno, mas no fim de contas acho que o resultado final foi bem positivo. Apesar dos planos iniciais para uma trilogia, isso não impediu a Capcom de lançar uma outra sequela, já em 2006, também para a Playstation 2. Aparentemente muita coisa mudou na jogabilidade desse último jogo, mas isso será tema para um artigo futuro.

Wolfenstein: Youngblood (Sony Playstation 4)

Depois de ter jogado o Wolfenstein II: The New Colossus no PC chegou finalmente a vez de jogar aquele que, até à data é o último jogo da série. Isto claro, sem contar com o Wolfenstein: Cyberpilot que saiu na mesma altura que este mas como é um spin-off que requer um capacete VR para ser jogado, devo deixá-lo de parte. Mas enquanto os Wolfenstein anteriores que foram também produzidos pela MachineGames eram first person shooters com uma jogabilidade brutal, mecânicas de jogo da velha guarda e uma narrativa excelente, este Youngblood acaba por ser uma desilusão ao apresentar-se como um jogo Co-Op e com algumas mecânicas de MMORPG que acabam por prejudicar bastante a sua jogabilidade, pelo menos no início. O meu exemplar sinceramente já não me recordo quando o comprei. Creio que foi numas campanhas da Worten, talvez numa black friday com o jogo a custar-me menos de 10€.

Jogo com caixa e papelada. Esta edição traz um código que supostamente nos permite convidar um amigo para jogar todo o jogo connosco.

Vamos começar como sempre pela história: a série Wolfenstein, particularmente desde o reboot introduzido com o Wolfenstein The New Order segue uma realidade alternativa: como seria o mundo se a Alemanha nazi tivesse ganho a segunda-guerra mundial? Particularmente com uma Alemanha extremamente poderosa a nível militar e tecnológico. Ambos os predecessores decorrem então maioritariamente nos anos 60, onde B.J. Blazkowicz se junta a vários grupos de resistência, tanto na Europa como nos Estados Unidos, e limpa o sebo a centenas de nazis. São jogos que possuem alguns vilões notáveis e várias cutscenes tensas e sádicas que só nos dão ainda mais vontade de os derrotar! Este Youngblood já se passa na década de 80 onde controlamos as filhas do Terror Billy, Jessie ou Sophia Blazkowicz que viajam dos Estados Unidos para Paris em busca do seu pai. Lá iremos nos juntar a um grupo de resistentes que vivem nos imensos subterrâneos das catacumbas da cidade e invariavelmente teremos também mais um ou outro vilão para derrotar, mas a narrativa está longe do brilhantismo dos seus predecessores.

A primeira missão passa-se a bordo de um Zeppelin gigante e serve como uma espécie de tutorial das mecânicas básicas de jogo que teremos pela frente. Para além disso é a única área do jogo que não poderemos visitar posteriormente.

Já no que diz respeito à jogabilidade, as mecânicas base dos seus antecessores estão todas lá: podemos equipar todo um arsenal de diferentes armas, o jogo oferece-nos a possibilidade de adoptar uma abordagem mais furtiva ou entrar mesmo a matar à Rambo, inúmeros coleccionáveis e claro, medkits e armaduras são também necessários para irmos sobrevivendo. O facto de este ser um jogo cooperativo, existem também uma série de mecânicas pensadas para esse efeito: cada uma das irmãs poderá ter equipada uma pep action, ou seja, gestos motivacionais que dão algumas vantagens a ambas, como causar muito mais dano durante alguns segundos, regenerar parcialmente (ou totalmente) as barras de vida, armadura, entre outros. Naturalmente que estas acções têm um período de cooldown para não serem abusadas. Há também pequenos puzzles que nos obrigam a colaborar, mas tendo em conta que joguei sozinho (com a outra irmã a ser controlada pelo CPU) estes foram apenas simples tarefas de abrir portas ou pressionar botões em simultâneo.

As pep actions são uma das novidades aqui introduzidas e prendem-se às mecânicas de cooperação. Cada uma das irmãs possui uma diferente habilidade que poderá ser usada ocasionalmente para ajudar ambas em momentos de maior aperto

Até aqui tudo bem, mas entram depois as mecânicas de RPG. Ao matar inimigos vamos ganhando pontos de experiência e dinheiro. Os primeiros fazem com que subamos de nível e fiquemos fisicamente mais fortes, já o dinheiro pode ser gasto em diversos upgrades para cada uma das armas que vamos coleccionando, assim como diferentes habilidades. E que habilidades são essas? Para além de coisas como extender permanentemente o nosso limite de vida ou armadura, podemos também desbloquear coisas como: usar duas armas em simultâneo ou usar armas pesadas como as Laserhammer ou Dieselhammer que muito jeito dão. E isto eram habilidades que nos jogos anteriores poderíamos fazer normalmente!! As armas pesadas dão um grande jeito para combater bosses ou inimigos mais poderosos e aqui estamos muito fracos inicialmente, pelo menos até conseguirmos fazer o grind suficiente para comprar uma série de habilidades necessárias. Mesmo para quem quiser optar por uma jogabilidade mais furtiva, existem certas habilidades que terão de ser compradas para tornar a nossa tarefa mais fácil.

Sendo este um jogo cooperativo e algo open world, introduziram também várias mecânicas de RPG. Pena que os inimigos também façam level scaling no entanto.

Ao menos para além das 5 missões que compõem a história principal, vamos tendo toda uma imensidão da cidade de Paris para explorar e muitas missões secundárias para cumprir. Estas são a melhor forma que temos para ir ganhando a experiência e dinheiro necessários para conseguir ir desbloqueando as habilidades (e melhorar as armas) para nos aproximarmos mais à experiência de jogo dos seus predecessores. Mas mesmo existindo um sistema de experiência que vá evoluindo a nossa personagem, não quer dizer que áreas de Paris que exploremos inicialmente no jogo passem a ser um passeio no parque, pois todos os inimigos têm também um sistema de level scaling que vai acompanhando o nível da nossa personagem. Para além disso, tendo em conta que joguei sozinho, a própria inteligência artificial da irmã não é grande coisa e muitas vezes atrapalha mais do que ajuda, ao tapar-me o ângulo de tiro ou revelar-se para uma série de inimigos quando eu estava a tentar ser mais sneaky. Para além disso, a possibilidade de um head shot não ser suficiente para matar um inimigo sem qualquer capacete, ou mesmo a necessidade de despejar quase um clip inteiro de uma metralhadora para qualquer inimigo básico obrigou-me mesmo a diminuir um nível na dificuldade standard do jogo.

Os combates continuam brutais e a acção intensa como sempre, pena é que muitas das habilidades básicas de outros jogos tenham aqui de serem desbloqueadas!

Já no que diz respeito aos audiovisuais este é mais um jogo muito bem competente. Os inimigos vêm em todos os tamanhos e feitios e a cidade de Paris está bem representada, misturando os seus edifícios típicos com toda aquela arquitectura opressora da máquina de guerra nazi. Aliás, mundo que aqui exploramos não é um mundo inteiramente aberto, mas sim um conjunto de diferentes áreas acessíveis através de túneis de metro que estão interligados entre si. Dá mesmo a ideia de ser uma visão próxima daquilo que a Raven pretenderia fazer com o Wolfenstein de 2009 e falharam miseravelmente. De resto, e sendo este um jogo dos anos 80, até a sua banda sonora captura perfeitamente muita da música mais synth pop/rock que se fazia na época. No entanto tal como referi acima, acho que a narrativa deste jogo ficou muito aquém das expectativas e a personalidade das irmãs Jess e Soph são mesmo as de adolescentes histéricas que muito me irritou. Faltaram mesmo aquelas cutscenes mais tensas ou até os momentos mais bizarros dos outros jogos, o que de certa forma até se entende dada a natureza mais open world deste jogo.

A cidade de Paris até que está bem representada, com toda a sua arquitectura clássica misturada com a imagem nazi e muitos vibes dos anos 80 também.

Portanto e para concluir, apesar de todas as minhas críticas devo dizer que até gostei deste jogo. Mas começou a acontecer apenas a partir da sua segunda metade, pois já tinha evoluído minimamente a minha personagem com habilidades básicas que já faziam parte dos jogos anteriores e assim consegui melhor desfrutar da experiência. Mas tal não deveria ser necessário em primeiro lugar! E jogando com um amigo de maneira cooperativa deve ser bem mais interessante, de facto. Mas ainda assim, com os outros jogos com uma jogabilidade excelente logo de início e acima de tudo uma narrativa bem mais empolgante, este Youngblood fica uns bons furos abaixo dos seus predecessores.

Area 51 (Sony Playstation 2)

Tempo de voltar à Playstation 2 para mais um first person shooter que tinha aqui em backlog. Produzido pela Midway (não confundir com o jogo arcade de 1995 publicado pelos mesmos nas consolas da época), este é um jogo cujo maior factor publicitário era mesmo o de possuir voice acting do David Duchovny, Marylin Manson e mais alguns actores não tão famosos. Sinceramente não me recordo nem onde, nem quando o comprei, muito menos quanto terá custado. Mas foi seguramente barato, abaixo dos 5€.

Jogo com caixa, manual e papelada

Apesar do talento de voz de vários nomes conhecidos, sinceramente não achei a história nada de especial. O jogo coloca-nos no papel de Ethan Cole, membro de uma unidade de reacção rápida de elite, que havia sido chamada para conter uma contaminação nos laboratórios secretos da Area 51. Um poderoso vírus capaz de transformar os humanos que contamina, tornando-os em criaturas grotescas, porém poderosas, está rapidamente a contaminar todas as instalações secretas. À medida que o jogo vai progredindo há toda uma teoria de conspiração que também se vai desenrolando, envolvendo os Illuminati e claro, os aliens cinzentos que figuram na capa do jogo.

Ocasionalmente teremos algumas cutscenes em CGI que avançam a história

No que diz respeito às mecânicas de jogo, estas são ainda as de um FPS da velha guarda, na medida que vamos poder apanhar várias armas distintas e mantê-las todas no nosso arsenal. Pistolas, metralhadoras, shotguns, sniper rifles e claro, armas alienígenas são alguns dos exemplos. Podemos ainda usar alguns pares de armas em simultâneo, como a metralhadora e shotgun, embora de forma apenas temporária. Para além de um scanner que eventualmente teremos de utilizar para desbloquear o progresso no jogo (e descobrir também vários documentos secretos), o grande factor diferencial na jogabilidade é o facto de nós eventualmente ficarmos também infectados (desculpem lá o pequeno, porém necessário spoiler) e quando isso acontece iremos também ter a possibilidade de alternar entre a forma humana e mutante. Na forma mutante ficamos mais poderosos, embora não possamos usar armas de fogo. Temos no entanto dois poderes, um que nos regenera a vida, outro que pode contaminar os inimigos. Cada vez que usemos estas habilidades temos também uma barra de energia que se vai gastando, sendo que essa pode ser regenerada ao atacar inimigos na forma mutante, interagir com certos cadáveres com uma grande carga viral ou, tal como a barra de vida, também poderemos encontrar alguns itens para o efeito. Outra utilidade da forma mutante é o o facto de termos uma visão melhorada que salienta a posição dos inimigos, incluindo os soldados que usam camuflagem invisível.

O jogo começa de forma algo tranquila, incluindo um tutorial disfarçado

Para além do modo história, o jogo teria também uma forte componente multiplayer. Para além de multiplayer local em split screen, este jogo oferecia também partidas online, mesmo na versão da Playstation 2. Mas não cheguei a experimentar nem um nem outro e duvido que os servidores oficiais ainda estivessem sequer activos. De resto para além dos segredos que poderemos descobrir ao longo do jogo e alimentam ainda mais as teorias da conspiração lá introduzidas, vários outros extras como pequenos trailers ou making of podem também ser desbloqueados, o que é sempre interessante.

As criaturas que iremos enfrentar e eventualmente também nos transformar

A nível audiovisual é um jogo competente para uma PS2, mas longe do brilhantismo do Black. Tendo em conta que todo o jogo se passa na Area 51, não há uma grande variedade de níveis. A sua maioria decorre em laboratórios ou zonas mais industriais/militares muito parecidos entre si, embora ocasionalmente ainda encontremos algumas surpresas, como um cenário de estúdio da primeira viagem à Lua, só mesmo para meter sal na ferida. Os últimos níveis já são todos passados em bases com tecnologia extra-terrestre, o que lhes dá um aspecto bem distinto dos restantes. Kudos também para o Easter egg da máquina arcade do Area 51 da Atari de 1995, que como já referi acima, foi publicado para as consolas pela própria Midway também. O voice acting traz-nos várias vozes conhecidas como também já referi. Mas mesmo assim, não o achei nada de empolgante. A própria voz do David Duchovny é usada principalmente a narrar a introdução de cada capítulo e sinceramente não achei a narrativa nada de empolgante. A banda sonora também me passou um pouco ao lado, pois pouco ficou na memória.

Algumas armas podem ser usadas aos pares, embora apenas temporariamente.

Portanto este Area 51 é um FPS bem competente, embora sinceramente me arrependa de não ter antes comprado a versão PC, não só por ter melhores gráficos, mas também pelo suporte ao rato e teclado que acaba por fazer toda a diferença. Ainda tive de perder algum tempo nesta versão a ajustar os melhores valores de sensibilidade dos analógicos para o deixar o mais fluído possível. De resto é um jogo que apesar de algumas boas ideias (como a capacidade de nos transformarmos num mutante com poderes distintos), a sua narrativa é bastante aborrecida, particularmente tendo em conta que possui alguns actores profissionais a dar a sua voz.

Gungrave (Sony Playstation 2)

Vamos finalmente voltar à Playstation 2 para um jogo que há muito tinha em backlog e desta vez lá me decidi a pegar nele. Produzido pela Red Entertainment (a mesma empresa por detrás de séries como Bonk’s/ PC Kid, os RPGs Far East of Eden ou mesmo a série Sakura Wars) este Gungrave é um jogo de acção na terceira pessoa com conceito algo bizarro e uns visuais bem originais, até porque teve a colaboração de artistas por detrás de séries manga/anime como Trigun ou Oh! My Goddess. O meu exemplar sinceramente já nem me recordo onde terá sido comprado, nem quanto custou. Apesar de possuir um talão da compra original de uma loja alemã, é uma versão inteiramente em inglês.

Jogo com caixa, manual e papelada

A história leva-nos a uma metrópole fictícia e controlar uma personagem bem bizarra, a começar pelo seu nome: Beyond the Grave. E este é uma espécie de um cyborg, ressuscitado após ter sido brutalmente assassinado pelo seu suposto melhor amigo (Harry Mc Dowell) há 15 anos atrás. Tanto Harry como Brandon (o nome original da nossa personagem) eram membros de uma organização mafiosa e o motivo de Brandon ter sido assassinado irá eventualmente ser revelado durante as cutscenes. Basicamente 15 anos se passaram, Beyond the Grave está de volta e o objectivo é o de derrotar toda uma série de bandidos dessa organização e assim salvar uma jovem rapariga de 15 anos, invariavelmente ligada ao seu passado.

Visualmente o jogo é bastante original, mas tecnicamente fraco devido à reduzida draw distance que tem

Bom a jogabilidade é no mínimo original. Grave enverga duas pistolas gigantes e o jogo leva-nos numa série de apenas 6 níveis, mas estes repletos de inimigos que teremos de destruir. Começando pelos controlos, o quadrado é o botão principal para se disparar, enquanto que o círculo nos permite correr (sem poder disparar ao mesmo tempo) e o X nos permite saltar ou, se usado em conjunto com o direccional, permite-nos saltar em câmara lenta nessa direcção e nesse curto período disparar bem mais rapidamente. Os botões L1 servem para fazer lock-on ao inimigo mais próximo ou strafing, caso não tenhamos nenhum na mira, enquanto que o L2 nos permite dar uma volta de 180º. Já se pressionarmos o L3 podemos andar um pouco mais rápido e disparar ao mesmo tempo e o R1 é um ataque corpo-a-corpo de curto alcance, com Grave a pegar no enorme caixão que carrega e o usar como arma.

O jogo tem uma curva de aprendizagem algo exigente que nos pune nos níveis de dificuldade mais avançados. Temos continues ilimitados, mas com sérias penalizações na nossa pontuação

Temos também um sistema de combos que é incrementado de cada vez que acertemos em alguém ou nalgum objecto destrutível, podendo inclusivamente o seu contador chegar às centenas, visto que os cenários têm sempre alguns objectos destrutíveis precisamente para conseguirmos chegar a combos elevados. E para que servem estes combos? Bom, com cada combo bem sucedido vamos incrementar uma barra de energia que, sempre que a mesma se completa, nos desbloqueia um golpe especial, os Demolition Shots, que poderemos usar posteriormente recorrendo ao botão de triângulo. O primeiro demolition shot que temos disponível consiste no Grave usar um lança rockets que está convenientemente escondido no seu caixão. No entanto, à medida que vamos avançando no jogo e mediante a nossa performance e avaliação no final de cada nível, iremos desbloquear outros demolition shots diferentes que podem ser alternados num menu de pausa. De resto convém também referir que Grave possui um escudo e uma barra de vida. O primeiro é restaurado automaticamente ao fim de alguns segundos sem sofrer dano. Já quando este se esvazia, começamos mesmo a perder vida.

O facto de os cenários possuirem tantos objectos destrutíveis não é por acaso. Tais servem para manter o nosso contador de combos sempre activo!

Até aqui tudo bem, o jogo tem os seus bonitos momentos e a acção é de facto insana, com inúmeros inimigos a surgirem de todos os lados. Os controlos têm uma certa curva de aprendizagem, sendo que truques como o strafing, disparar mais rápido quando saltamos em câmara lenta, ou simplesmente se pressionarmos furiosamente o quadrado sem mais nenhum botão faz com que o Grave dispare em poses cada vez mais over the top e causando assim mais dano. Mas de longe há coisas que poderiam ser melhoradas. Grave é lento, o que até faz algum sentido visto que possui duas armas gigantes e carrega um caixão consigo, pelo que aprender aqueles truques acima referidos é essencial. O que me chateia mais é mesmo não haver nenhum controlo de câmara, com o segundo analógico a ser então completamente deixado de lado e isto é sem dúvida o que mais atrapalha no jogo.

Com a colaboração de vários artistas conhecidos da cena manga/anime, esperem também por várias cutscenes animadas ao longo do jogo

Já no que diz respeito aos visuais, estes são bastante originais, embora tecnicamente ainda sejam bastante fracos. Os 6 níveis que vamos poder explorar vão tendo cenários bastante variados entre si, pois apesar de serem todos em zonas urbanas, vamos poder explorar diferentes partes da cidade, seus edifícios, fábricas ou mesmo fazer uma pequena viagem num comboio, por exemplo. A direcção artística é excelente, pois como referi logo no primeiro parágrafo este jogo teve a colaboração de alguns artistas de manga/anime notáveis da indústria, resultando em personagens originais e bem detalhadas assim como os próprios cenários têm um grafismo próximo do cel shading que resulta bem para o estilo de jogo. No entanto, num ponto de vista meramente técnico, este jogo parece por vezes de uma geração anterior. O campo de visão é muito reduzido, abusando bastante daquele típico “efeito de nevoeiro” que era muito comum em jogos 3D na geração anterior. Imaginem uma sala ampla e bem iluminada mas onde não conseguem ver nada uns 5 metros à vossa frente e à medida que vão caminhando essas zonas vão ficando iluminadas. Tendo em conta que foi o primeiro jogo que eles produziram para a Playstation 2, o não conhecimento das capacidades da consola talvez seja a razão pela qual tecnicamente este jogo deixe a desejar. De resto nada a apontar no som: o voice acting está integralmente em japonês como manda a Lei e a banda sonora é cativante e bastante eclética, tendo até algumas músicas mais jazzy e que me fizeram lembrar o Cowboy Bebop.

O lock on é um dos nossos melhores amigos, mas se o inimigo estiver longe não funciona

Portanto este Gungrave é um jogo bastante original, tanto no seu conceito, como nos seus visuais. No entanto a falta de controlo da câmara é para mim um problema sério e que prejudica bastante a sua jogabilidde. Do ponto de vista técnico, apesar da originalidade e irreverência dos seus visuais, apresenta também alguns problemas que lhe retiram algum valor. Ainda assim foi uma experiência positiva e fico muito curioso a ver como o jogo evoluiu na sua sequela, que aparenta pelo menos ser bem maior que este.

Beyond a Steel Sky (Sony Playstation 4)

Ora cá está um jogo que não estava nada à espera. O Beneath a Steel Sky foi um dos muitos jogos de aventura gráfica que os britânicos Revolution Software produziram ao longo da sua carreira e recentemente resolveram revisitar essa franquia ao produzir uma sequela inédita, lançada algures no ano passado. O meu exemplar foi comprado na worten algures por altura das promoções da Black Friday 2022, tendo-me custado algo em torno dos 20€ depois dos descontos.

Jogo com sleeve exterior, steel book, papelada, autocolantes e um código de descarga da banda sonora

O jogo decorre 10 anos após os eventos da sua prequela onde Robert Foster, depois de ter escapado de Union City, decide voltar a viver no deserto em comunidades mais pequenas e ter uma vida pacata e humilde. E é precisamente num desses momentos de descontração com os seus co-habitantes que surge um robot gigante e rapta Milo, uma criança que estava simplesmente entretida a pescar. Determinado em salvar a criança e resgatá-la de volta para a sua família, Robert segue o trilho deixado pelo robot no deserto que o leva invariavelmente de volta à Union City. Depois de ultrapassar alguns percalços que nos impediam de entrar na cidade, Robert vê esta muito diferente desde a sua última aventura. Union City é agora uma cidade próspera e com toda a sua população aparentemente feliz. No entanto rapidamente nos apercebemos que essa felicidade tem um preço na liberdade individual. A sociedade é altamente monitorizada e manipulada através do sistema informático MINOS, que por sua vez substitui o LINC da primeira aventura.

Apesar de não considerar que o jogo tenha personagens muito carismáticas, gostei particularmente da personalidade incutida a alguns dos robots com os quais temos de interagir

No que diz respeito às mecânicas de jogo, pensem neste título como uma aventura gráfica moderna, onde nos poderemos mover livremente por uma série de áreas e teremos de falar com pessoas, coleccionar e usar itens e resolver uma série de puzzles para progredir. Uma das novidades aqui introduzidas é a possibilidade de fazer hacking a certos robots e outros equipamentos electrónicos. Por exemplo, alguns podem ser tão simples como aldrabar um sistema de autenticação de uma porta, ao trocar a ordem de “abrir e/ou fechar porta” consoante o utilizador for ou não autorizado. Muitos desses puzzles serão no entanto bem mais desafiantes, exigindo a interacção de vários desses componentes em cadeia para que consigamos alcançar o nosso objectivo. Por exemplo, a parte de ir “buscar inspiração” para um poema leva-nos por uma cadeia de diferentes acções que não serão muito óbvias à primeira. De resto, também tal como no Beneath a Steel Sky teremos a oportunidade de nos aventurar dentro do próprio sistema informático MINOS, desta vez sem puzzles frustrantes, mas não deixando de ser segmentos de jogo bastante originais.

Os puzzles mais interessantes são aqueles onde teremos de fazer hacking a vários equipamentos ou robots e trocar algumas das suas funcionalidades.

No que diz respeito aos audiovisuais, este é sem dúvida um prato misto. Por um lado graficamente o jogo possui cenários bem detalhados e eu sempre gostei do aspecto futurista, mas também algo steampunk do original. Aqui os robots são um misto entre designs mais limpos e futuristas ou outros mais “retro futuristas” tal como no primeiro jogo. O meu problema é mesmo com o detalhe das outras personagens humanas. O jogo não tenta ser ultra realista, com os gráficos a terem um tom mais próximo da banda desenhada (inclusivamente é assim que a cutscene de introdução nos é apresentada), mas as caras das personagens humanas são mesmo hit or miss. Algumas acho bem conseguidas, outras são tão, tão feias que nem sei o que é que os artistas tinham em mente! Entendo perfeitamente que este jogo é um esforço de um estúdio mais pequeno e apresentar visuais bem detalhados de um jogo 3D exige muito esforço e dedicação, mas a diferença de qualidade tão abismal em certas personagens é mesmo algo que não consigo compreender. Até os pequenos bugs que enfrentei para mim são completamente irrelevantes face a essa desproporção na arte das personagens. Por exemplo, em diálogos a câmara aproxima-se dos seus intervenientes, mas muitas vezes ambas as personagens ficam parcialmente cortadas do ecrã. Ou os NPCs sem rotinas de movimento alternativas, pois também me aconteceu nos diálogos ter um NPC a constantemente a tentar passar por cima de mim, ao invés de dar a volta. São pequenas coisas que tendo em conta o budget do jogo não têm grande relevância. Por outro lado gostei bastante do voice acting. Sim, nem todas as personagens são tão fortes quanto as principais, mas gostei particularmente do tom jovial e bem humorado que muitos dos robots possuem nas suas vozes, desde o tom exageradamente educado de um certo robot mordomo, passando para o sarcasmo que já conhecemos do Joey.

Explorar o interior de um poderoso sistema informático é algo que marca também o seu regresso neste jogo

Portanto, apesar dos seus desequilíbrios a nível artístico e uma ou outra aresta por limar, devo dizer que fiquei agradavelmente surpreendido com este jogo. Para quem gostou do seu antecessor irá sem dúvida apreciar esta inesperada sequela e, mesmo sabendo que está longe de ser um jogo brilhante, fiz questão em comprar este jogo em tempo útil para dar os sinais certos à Revolution: quero mais aventuras gráficas!