Ristar (Sega Game Gear)

Voltando às rapidinhas, vamos ficar com mais uma adaptação para a Game Gear de um jogo lançado originalmente na Mega Drive. O original foi um óptimo jogo de plataformas, embora já tenha saído algo tarde no ciclo de vida da Mega Drive, pelo que não teve tanto sucesso como os Sonic que lhe antecederam. Esta versão Game Gear é muito similar a nível de mecânicas à versão 16bit, embora os níveis sejam muito mais simplificados. Ainda assim recomendo uma leitura rápida à versão Mega Drive, pois não me irei alongar muito neste artigo. O meu exemplar veio de um grande bundle comprado a um particular algures em Julho, pelo que o preço unitário ficou bem em conta.

Apenas cartucho

A história e mecânicas de jogo são muito similares à versão 16bit. Ristar consegue esticar os seus longos braços, apanhando inimigos pelo ar e mandar depois uma cabeçada, derrotando-os. Para além disso podemos agarrar plataformas longínquas, para nos ajudar no platforming, bem como subir/descer escadas ou rodopiar em postes, para que depois consigamos sair disparados a alta velocidadee voar temporariamente. Temos também uma série de itens para apanhar, como as estrelas que a cada 100 nos dão uma vida extra, ou outros power ups, escondidos em baús. Estes podem ser itens que nos regenerem a barra de vida, ou mesmo invencibilidade temporária! De resto, tal como na versão Mega Drive vamos percorrer uma série de planetas, cada qual com temáticas diferentes entre si, inclusivamente aquele mundo musical, onde teremos alguns puzzles para resolver.

Ristar herda todas as abilidades da versão original

Graficamente é um jogo muito colorido, embora se notem alguns slowdowns em zonas com mais movimento. Os níveis estão bastante detalhados para uma plataforma 8bit, embora sejam muito mais simplificados quando comparados com a versão 16bit, o que seria expectável. As músicas são agradáveis, mesmo com o chip de som a ser o grande calcanhar de Aquiles da Master System e Game Gear, mas uma vez mais, a versão Mega Drive é superior.

Portanto, este Ristar para a Game Gear é um bom jogo de plataformas, e a Sega conseguiu fazer um scale down bastante competente ao desenvolver esta versão 8bit. Mas ao contrário dos Sonic 1 e Sonic 2, que são inteiramente diferentes das suas versões 16bit, este Ristar acaba por ser uma mera conversão, que por muito mérito que tenha, a versão 16 não deixa de ser largamente superior.

The Immortal (Sega Mega Drive)

Quando comecei a explorar melhor a biblioteca da Mega Drive graças à emulação, um dos jogos que sempre me despertou alguma curiosidade foi precisamente este The Immortal, publicado pela Electronic Arts, mas com as suas origens em computadores como o Apple II GS ou MS-DOS. O que tinha gostado desde cedo era precisamente o aspecto sinistro dos cenários e personagens, no entanto a jogabilidade confusa e elevado nível de dificuldade, acabei por não lhe prestar mais atenção. Entretanto muitos anos se passaram e hoje em dia já consigo apreciar melhor jogos com jogabilidade arcaica e/ou complexa, pois vejo os jogos com “uma lupa” e tento encaixar-me no que havia na época. Mas, como sempre, já estou a divagar, pelo que vamos ao que interessa. O meu exemplar foi comprado a um amigo meu no mês passado, tendo-me custado algo em torno dos 5€.

Jogo com caixa e manual

Neste jogo encarnamos num feiticeiro anónimo, perdido numa sala de uma dungeon qualquer. Ao explorar a sala é que vamos descobrindo que raio lá estamos a fazer: o nosso mentor, o velho feiticeiro Mordamir, está aprisionado algures nos níveis subterrâneos da masmorra e temos de o salvar. Pelo meio vamos interagindo com outras personagens, bem como vamos tendo sonhos premonitórios que vão desenrolar um pouco mais a história e descortinar aos poucos alguns dos mistérios. Temos vários níveis pela frente, todos eles repletos de inimigos e inúmeras armadilhas que nos causam a morte imediata caso caiamos nelas. Os inimigos mais comuns são os goblins e os trolls, que se encontram em guerra uns com os outros, sendo até possível formar uma aliança com uma das raças, mediante as nossas acções ao longo do jogo.

Armadilhas mortais em todo o sítio!

A nível de jogabilidade, bom, este é um jogo com uma perspectiva isométrica, pelo que temos uma jogabilidade pseudo-3D. Os inimigos e algumas armadilhas estão visíveis no ecrã, pelo que  temos de nos movimentar com cuidado. Poderemos também abrir baús e inspeccionar cadáveres para obter itens que vão ficando associados no nosso inventário. Temos itens mágicos como livros e pergaminhos que podemos equipar para usar magias on the fly, como é o caso do feitiço fireball, que caso seja disparado e acertemos em cheio num inimigo, conseguimos destruí-lo sem recorrer ao combate corpo-a-corpo. No entanto, quando temos de combater, a perspectiva muda para uma perspectiva de terceira pessoa, com a câmara posicionada nas costas do feiticeiro, deixando de ter qualquer acesso ao inventário. Aqui os controlos já são um pouco confusos pelo que convém ler o manual com muita atenção.

Infelizmente o sistema de combate é bastante confuso, sem necessidade

Basicamente temos 2 tipos de ataques, podemos atacar com a nossa varinha mágica com golpes frontais através do botão A, bem como executar ataques “cortantes”, usando o D-Pad para a esquerda e/ou direita para atacar nessa direcção. Por outro lado também podemos e devemos de nos esquivar dos ataques inimigos, usando para isso o botão C em conjunto com o D-pad numa direcção para nos desviarmos correspondentemente. Para além disso, temos no lado de cada intereveniente 2 barrinhas que vão aumentando ou diminuindo. As barras amareladas correspondem às barras de vida de cada interveniente. À medida que vamos atacando, vamos ver uma outras barras cinzentas a começar a crescer. Essas são as barras de fatiga. A ideia passa então muitas vezes por conseguir nos desviarmos dos ataques inimigos até que eles fiquem exaustos, para que depois consigamos nós atacar sem grande oposição. Mas nem sempre é fácil acertar com os timinigs dos controlos para conseguir encadear bem os ataques/desvios. Ao menos apenas enfrentamos um inimigo de cada vez! Podemos recuperar a vida assim que encontrarmos uma sala com uns fardos de palha, que nos permitem dormir um bocado e assim regenerá-la. Também sempre que conseguimos passar um nível é-nos fornecida uma password que podemos usar posteriormente para reiniciar o jogo a partir desse ponto.

Num jogo como este nem sempre é boa ideia remexer em todo o sítio, ou mesmo usar os itens errados na hora errada

A nível audiovisual, graficamente acho este jogo muito competente, com gráficos bem detalhados, óptimas animações, e acima de tudo muito gore. Todas as mortes (tanto as nossas como as dos nossos oponentes) são bastante sangrentas e gráficas, o que dá uma motivação extra para explorar todos os recantos desta aventura. As músicas sinceramente não são más de todo, mas a versão NES na minha opinião acaba por ter músicas mais cativantes. Agora claro, essa versão para além de ter visuais não tão bem detalhados, é também muito menos violenta.

Dynamite Headdy (Sega Game Gear)

Continuando pelas rapidinhas na Game Gear, o jogo que cá trago hoje é a segunda (e última) conversão que a Treasure alguma vez lançou para sistemas 8 bit, neste caso a Game Gear. Dynamite Headdy foi um interessante e frenético jogo de acção lançado originalmente na Mega Drive, com um foco bem maior no platforming quando comparado com outros jogos contemporâneos da Treasure, como o Gunstar Heroes ou Alien Soldier. O meu exemplar foi comprado a um colega meu por 5€ algures no mês passado.

Jogo completo com caixa e manual

Infelizmente esta acaba por ser uma conversão que tenta ser o mais fiel possível ao original, mas a Game Gear simplesmente não consegue dar o mesmo tipo de performance que a Mega Drive. É de louvar o esforço da Treasure, pois o jogo está muito bonito para uma consola 8bit, mas os níveis foram bastante simplificados, assim como os seus bosses.

Na sua essência, o jogo herda as mesmas mecãnicas do original, na medida em que Headdy é uma marioneta com uma cabeça descartável, que pode sair disparada do seu corpo, não só para atacar os inimigos, mas tal como Ristar, para se agarrar nalguns objectos e assim ajudar no platforming. Temos uma série de power ups que substituem temporariamente a cabeça normal do Headdy por uma outra com diferentes habilidades, tais como um martelo que é capaz de causar mais dano, outros que nos aumentam a agilidade, dão invencibilidade temporária, etc.

Este é possivelmente um dos jogos mais coloridos que a Game Gear tem na sua biblioteca

Graficamente é um jogo bastante colorido e bem detalhado tendo em conta que corre numa consola portátil com uma baixa resolução. A Treasure tentou manter o mesmo feeling do original, ao tentar apresentar o jogo como se um espectáculo de teatro se tratasse, até porque em cada nível temos umas cortinas a abrir e nalguns outros níveis os cenários notam-se bem que tentam imitar cenários de teatro. Apesar de ser um jogo bonito para a Game Gear, alguns bosses estão inclusivamente muito bem detalhados para uma consola 8bit, tiveram de cortar muita coisa da versão Mega Drive (expectável), e infelizmente não é um jogo tão fluído quanto o original. As músicas também não são tão boas, mas isso também seria de certa forma expectável.

Apesar de mais simples e curtos, os níveis mantiveram os mesmos níveis de bizarro

Portanto este Dynamite Headdy não é um mau jogo de todo, até acho que no geral foi um óptimo esforço pela Treasure em converter o mesmo para um sistema tecnicamente muito mais modesto. Mas não deixa de ser uma conversão do Dynamite Headdy de 16 bit e não um jogo novo adaptado à realidade da Game Gear, pelo que assim a versão Mega Drive acaba sempre por ser superior, tornando esta obsoleta à nascença. Existe também, embora exclusivamente no Brasil, uma conversão para a Master System por intermédio da Tectoy, pelo pouco que vi pareceu-me idêntica, embora corra numa resolução maior, e a nível de cores não é tão boa.

Cyber Speedway (Sega Saturn)

Continuando pelas rapidinhas, o jogo que cá trago agora é um racer para a Sega Saturn que confesso que me passou completamente ao lado, e é um exclusivo! 1995 foi um ano em cheio para os fãs de jogos de corrida futuristas, com o Hi-Octane de Peter Molyneux, o fantástico Wipeout da Psygnosis (se bem que a Sega Saturn apenas o recebeu no ano seguinte), e aparentemente também tivemos este Cyber Speedway, da japonesa NexTech, os mesmos produtores de Ranger-X para a Mega Drive. O meu exemplar foi comprado num bundle bem grandinho de jogos e consolas algures no mês passado, pelo que me ficou a um preço bem em conta.

Jogo com caixa e manual

A história envolve uma maneira alternativa que uma série de povos arranjaram para por fim às suas guerras intergalácticas. Em vez de desperdiçarem milhões de vidas e recursos em guerras, porque não organizar antes um campeonato de corridas a alta velocidade nos vários planetas afectados? É essa a premissa deste jogo, algo que é bastante notório nas cutscenes entre corridas no modo história.

A única arma que podemos usar são mísseis simples

Antes de passarmos ao modo história, temos também o Free Run, que nos permite participar em corridas individuais seja contra o CPU, contra um amigo ou contra o relógio. No modo história podemos antes de mais seleccionar o grau de dificuldade de standard ou advanced. Aqui iremos percorrer em pistas ao longo de circuitos em seis planetas, sendo que a Terra é sempre o primeiro. Se jogarmos no modo Standard, não temos acesso ao último planeta, o Armasatelles. Os restantes circuitos também diferem mediante o nível de dificuldade escolhido. Antes de começar cada partida no modo história vamos tendo algumas cutscenes um pouco constrangedoras com outros NPCs, incluindo os nossos oponentes aliens e alguns conselhos do nosso mecânico, que nos indica quais seriam as melhores settings para a nossa nave no circuito que aí vem.

Os circuitos urbanos atéque são graficamente interessantes

A nivel de jogabilidade, as coisas são simples, com um botão para acelerar, outro para travar e um outro para disparar mísseis, que podem ser coleccionados ao longo das pistas. Os restantes botões faciais do comando da Saturn servem para alternar entre os ângulos de câmara e os botões de cabeceira servem para usar os boosts esquerdo e direito respectivamente. É com recurso a esses boosts que temos de fazer as curvas apertadas sem ter de perder muita velocidade, mas nem sempre isso é tão fácil assim. De resto  temos também de ter em atenção os nossos escudos durante as corridas, pelo que não convém ter muitos acidentes, e tentar fugir do fogo inimigo ou outras armadilhas deixadas nos cenários.

As cutscenes são imagens estáticas não muito boas e com péssimo voice acting

A nível audiovisual, é certo que o jogo não tem um design tão bonito quanto o Wipeout, aliás, poucos o tinham. Mas ainda assim os circuitos são bastante distintos entre si, com detalhe, a fluidez pareceu-me aceitável assim como a sua draw distance. As cutscenes é que são muito más, não só no design dos NPCs, como pelo facto de serem imagens estáticas e o voice acting ser terrível. As músicas são practicamente todas rock e até que soavam bem. Curiosamente este é mais um dos exemplos da Sega of America mudar as bandas sonoras de alguns jogos nesse continente, pelo que a versão norte-americana possui músicas inteiramente diferentes. Sinceramente prefiro a banda sonora original.

Portanto este Cyber Speedway foi um jogo que me passou completamente ao lado na altura em que saiu, e se calhar percebe-se o porquê. Está longe de ser perfeito, mas também não me parece tão mau quanto isso, no entanto foi completamente obfuscado pela série Wipeout que é bastante superior em todos os aspectos.

Arrow Flash (Sega Mega Drive)

Voltando às rapidinhas na Mega Drive, o jogo que cá trago hoje é mais um dos muitos shmups na biblioteca da consola de 16bit da Sega. A primeira vez que o joguei foi depois de ter descoberto o admirável mundo novo da emulação, algures em 1998. Na altura sempre achei piada à cutscene inicial de abertura do jogo e eventualmente lá acabei por conseguir comprar uma cópia do jogo. O meu exemplar foi comprado a um particular no mês passado de Julho,  tendo-me custado cerca de 15€ se bem me recordo.

Jogo com caixa

É possível que o jogo seja uma espécie de sucessor do Transbot, devido ao facto da nossa nave se poder transformar entre um mecha e uma nave espacial propriamente dita. Fora isso, podemos coleccionar diferentes tipos de power ups que nos dão acesso a diferentes armas, bem como um conjunto de até 3 naves adicionais que viajam connosco e nos dão mais poder de fogo. Alternar entre a forma de robot e nave permite que o nosso padrão de disparo seja um pouco diferente, para além de que na forma de robot estamos mais susceptíveis a fogo inimigo, enquanto que na forma de nave temos mais velocidade horizontal. Como não podia deixar de ser, temos também diferentes poderes especiais, os tais arrow flash, que diferem se disparados em cada forma. Na forma de nave, este poder especial permite-nos disparar 5 poderosos raios laser em simultâneo, enquanto na forma de mecha deixa-nos envolvidos numa chama que nos dá invencibilidade temporária, podendo albarroar as naves inimigas e causando-lhes bastante dano.

No final do primeiro nível vemos uma nave gigantesca a despenhar-se num planeta. Seria interessante haver mais eventos épicos desses

Estes poderes especiais podem ser consumidos de duas formas, seleccionáveis nas opções antes de começar o jogo. Por um lado podem ser usados de forma limitada ao pressionar o botão C, sendo que poderemos encontrar munições extra ao apanhar certos power ups. O outro modo é de uso ilimitado, embora não cause tanto dano assim e obriga-nos a manter o botão C pressionado durante alguns segundos para conseguir “carregar” o ataque. De resto, é um shmup simples, porém competente na sua jogabilidade.

Os bosses poderiam estar um pouco melhor detalhados

A nível audiovisual confesso que, tirando as cutscenes inicial e final, fiquei um pouco desiludido. Isto porque os níveis não tão bem detalhados quanto isso e o design dos inimigos não é o melhor. Estava à espera de mais mechas! As músicas são na sua maioria rock, o que à partida me agradaria, mas não é bem esse o caso, pelo menos nas músicas dos primeiros níveis.

Portanto, este Arrow Flash acaba por ser um shmup competente a nível de jogabilidade, mas na minha opinião teria potencial para ser muito melhor, se tivessem investido um pouco mais na sua apresentação geral.