Ranger X (Sega Mega Drive)

Produzido pelo desconhecido estúdio GAU Entertainment, este Ranger X é um óptimo shooter que acabou por se revelar uma excelente surpresa, principalmente a nível técnico, pois consegue puxar os limites da Mega Drive sem recurso a hardware adicional. O meu exemplar foi-me oferecido por um particular algures no passado mês de Dezembro. Mas assim que encontrar uma versão mais completa deste jogo e a um bom preço, não a vou deixar escapar, pois este Ranger X assim o merece.

Apenas cartucho.

A história é simples e envolve uma guerra interplanetária qualquer, da qual nós fazemos parte, estando equipados de um poderoso mecha de nome Ranger-X, mas também com o suporte de outros veículos, como um monociclo todo high-tech ou uma nave maior que também nos irá acompanhar em alguns níveis. Mas a primeira coisa que vos devo mesmo dizer é que os controlos deixam muito a desejar, pois não são assim tão intuitivos. O jogo suporta comandos de 6 botões, que por si só já nos dá um pouco mais de controlo, mas ainda assim as coisas não são tão intuitivas quanto poderiam ser. Senão vejamos: Ranger-X é um mecha, onde o botão direccional serve para o movimentar pelo ecrã. Ao carregar no direccional para cima, activamos um propulsor que nos deixa voar durante algum tempo (isto porque eles sobreaquecem ao fim de alguns segundos, pelo que teremos de o usar com alguma precaução). Os botões faciais servem para disparar a arma standard para a esquerda ou direita (botões A e C respectivamente), enquanto que carregar o botão B serve para disparar a arma especial que temos equipada.

Antes de cada nível temos uma pequena cutscene em 3D vectorial que nos mostram os alvos a abater

Há pouco referi que vamos tendo alguns veículos de suporte em algumas missões. É verdade, temos o Indra, um monociclo que podemos montar e pilotar, mas cuidado com o uso do direccional para cima, pois faz com que saiamos do mesmo. Se quisermos usar a mota para saltar então teremos de deixar o botão direccional pressionado para baixo, o que não faz muito sentido. Com o comando de 6 botões as coisas também não melhoram muito, o que é pena pois as mecânicas de jogo têm muito potencial e mereciam outro esquema de controlo. O outro veículo de suporte é uma nave espacial maiorzinha mas que infelizmente não temos muito controlo sobre ela. A sua função principal está em providenciar suporte aéreo enquanto combatemos à superfície, pois está equipada com poderosos lasers. Mas independentemente do veículo em questão, quando “entramos” neles, temos a possibilidade de alternar entre armas especiais, algumas que vamos também encontrando ao longo do jogo.

Ranger X é um jogo intenso. Logo no primeiro nível somos presenteados com uma cidade a ser bombardeada em plano de fundo

E aqui entra a parte do combate, que a meu ver está muito original e bem conseguida. Ranger-X possui uma arma normal com munições ilimitadas mas que não causa muito dano. O uniciclo possui uns projécteis de energia teleguiados que dão jeito, a nave possui poderosos lasers que nos dão suporte aéreo, mas a mesma é muito lenta. Ou seja, quando estamos “sozinhos” temos mesmo de nos safar com estas armas especiais, mas cuja utilização vai-nos custando energia, que pode ser medida numa barra de energia que temos no fundo do ecrã. A outra barra de energia é a do próprio Ranger-X ou dos seus veículos de suporte. Bom, não temos munições extra nem medkits que nos regeneram a vida, então como fazemos para sobreviver? Bom, as armas especiais são carregadas através de energia solar/luz, pelo que a menos que estejemos às escuras (vai haver alturas em que isso vai acontecer), a energia reservada para as armas especiais vai-se regenerando lentamente. Depois ao longo do jogo (principalmente nos primeiros níveis) vamos tendo algumas centrais de energia, que nos convertem a energia das nossas armas especiais em energia para os escudos da nossa armadura. Visto que o scrolling é livre, ou seja, podemos voltar atrás no mesmo nível sempre que quisermos, é uma questão de voltar a estas centrais e recarregar os escudos. Depois vamos começar a encontrar apenas pequenas centrais que servem de pick up, regenerando os nossos escudos com a energia que tivermos armazenada para as armas especiais, mas apenas os podemos usar uma vez. Portanto, estas armas especiais, que por sua vez são bastante variadas desde bolas de fogo, minas, vários tipos de raios laser e outros projécteis, alguns teleguiados ou persistentes, acabam mesmo por ser uma das mecânicas chave para o sucesso. O facto de o jogo ter um scrolling livre, permitindo-nos deslocar para qualquer sítio, também tem um papel chave no combate e evasão do fogo inimigo.

Os bosses são muito bem detalhados, na sua maioria

De resto, ainda nas mecânicas de jogo, resta-me só refererir como é a estrutura dos níveis. Inicialmente temos uma pequena cutscene em pseudo 3D que nos mostra o aspecto de inimigos/infrastruturas que serão os alvos a abater no nível. Começando o nível propriamente dito, na parte superior do ecrã, no centro, temos um pequeno radar que nos indica quantos desses alvos ainda nos falta destruir, bem como a sua posição. Resta-nos portanto explorar os níveis ao máximo, sobreviver a todos os inimigos que se atravessam à nossa frente, onde inclusivamente por vezes temos até de resolver alguns pequenos puzzles para desbloquear passagens. Uma vez destruidos todos os alvos, então sim, lá enfrentamos o boss do nível.

A nível gráfico este jogo está muito bem conseguido, como referi logo no primeiro parágrafo, e repleto de pequenos detalhes deliciosos. Logo no primeiro nível, no meio de todo o caos, vemos em plano de fundo uma outra batalha a decorrer. Os efeitos de parallax scrolling na maioria dos níveis estão também muito bem conseguidos, o que lhes dá uma sensação de profundidade incrível. Efeitos de luz dinâmicos estão também aqui presentes, como no nível onde jogamos na floresta: se estivermos abaixo da copa das árvores, a iluminação é escura, enquanto que ao voarmos acima desse nível, o ecrã fica logo mais claro. Existem vários exemplos de luz dinâmica e acho que é um detalhe interessante e bem conseguido, até tendo em conta as mecânicas de “carga” que o jogo incute. Antes de cada nível temos também uma pequena introdução com modelos poligonais, que nos mostram quais os alvos que teremos de abater. É verdade que são apenas estruturas com vectores, mas ainda assim o resultado final também é interessante. Aparentemente este é também um dos videojogos que conseguiu ultrapassar o limite teórico de cores em simultâneo no ecrã que a Mega Drive consegue apresentar (64), a verdade é que os gráficos estão sim muito bem detalhados e coloridos. De resto, as músicas são bastante agradáveis também, bem como os efeitos sonoros que cumprem bem o seu papel.

Já disse que os efeitos de paralaxe neste jogo são mesmo qualquer coisa de fabuloso?

Portanto este Ranger-X é para mim, sem dúvida, uma das pérolas escondidas da Mega Drive, pecando unicamente no esquema de controlo utilizado não ser o mais intuitivo. Numa era de indies, ports e remakes de material retro, gostava de ver a Sega a pegar novamente neste jogo.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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