Champions World Class Soccer (Sega Mega Drive)

Continuando pelas rapidinhas, mas agora na Mega Drive, hoje trago-vos por cá mais um videojogo de futebol. Desenvolvido pela Flying Edge, uma subdivisão da Acclaim, este jogo foi lançado em 1994, sendo que na Europa foram saindo versões com capas, manuais e label do cartucho completamente distintas entre si. A mais popular de se encontrar por cá é a que está na imagem acima do jogo, mas no Reino Unido a Acclaim conseguiu os direitos sobre o nome e imagem de Ryan Giggs, jogador muito popular na altura. Já a versão francesa tem toda a equipa do PSG como destaque, mas a nível de conteúdo parecem-me todas as versões idênticas. A versão que trago hoje é precisamente a do Reino Unido, que foi comprada algures em Novembro na loja Games n Stuff, tendo custado uns 6€, salvo erro. Se um dia vier a arranjar mais alguma das versões irei meramente actualizar este post.

Jogo com caixa e manual, versão patrocinada pelo Ryan Giggs

A nível de modos de jogo não temos lá muitas opções, ou jogamos uma partida amigável, seja sozinhos ou contra o CPU, ou entramos num torneio de selecções nacionais semelhante aos Mundiais, com uma fase de grupos e depois uma série de eliminatórias até à final. Na fase de grupos, ainda apanhamos o sistema de receber apenas 2 pontos em caso de vitória.

Apenas temos selecções nacionais para escolher, incluindo a portuguesa

As mecânicas de jogo são relativamente simples, com os botões a servir de passe, remate ou tackle e troca de jogador, no caso de estarmos na posse de bola ou não. A nível de customizações, podemos optar por definir a duração das partidas, activar ou desactivar faltas, foras de jogo e o controlo dos guarda-redes, que pode ser automático, semi automático (o guarda redes apenas defende automaticamente) ou completamente manual, o que sinceramente não recomendo. Antes de cada partida podemos apenas alterar a formação táctica da equipa e pouco mais. E se por um lado as mecânicas de jogo são relativamente simples na teoria, infelizmente no campo a sua implementação não foi de todo a melhor, a começar precisamente na lentidão que os jogadores se arrastam pelo campo.

Entre cada partida e nos intervalos temos direito a uma intervenção do comentador desportivo

A nível audiovisual, bom, o jogo até tem alguns detalhes interessantes, como o ecrã do apresentador televisivo que vai dando os seus comentários entre cada partida. Não é algo completamente original, pois existem vários videojogos da EA Sports com a mesma abordagem, mas não deixa de ser interessante. O campo de futebol até que é colorido e com algum detalhe, com o público bem visível e as publicidades habituais ao pé das linhas. Mas na parte do som o jogo deixa muito a desejar. As músicas apenas existem no ecrã título e menu inicial, durante o resto do jogo apenas ouvimos os ruídos do público e outros sons aleatórios, que sinceramente não são nada apelativos. Até as celebrações dos golos são tão fatelas…

A perspectiva do jogo é horizontal, com um radar no canto superior direito que indica a posição de cada jogador

Portanto sinceramente este Champions World Class Soccer é um jogo de futebol muito mediano. Existe uma grande variedade de jogos de futebol na Mega Drive, muitos deles melhores que este, pelo que não há grande razão para escolherem este jogo quando quiserem jogar uma partida rápida de futebol à moda dos 16bit.

Strider II (Sega Master System)

Continuando pelas rapidinhas, vamos cá ficar com mais um jogo da Master System, cuja versão Game Gear já cá trouxe no passado. O infame Strider II, desenvolvido pela Tiertex e publicado pela U.S. Gold, uma sequela não oficial (se bem que devidamente licenciada pela Capcom), desenvolvida pela mesma equipa que converteu o Strider original para uma série de microcomputadores diferentes. Quando converteram esta sua sequela para as consolas da Sega, o jogo acabou por sofrer um redesign de forma a assemelhar-se mais ao original mas regra geral o jogo acabou por ter muita má fama. Já cá trouxe a versão Game Gear no passado, tempo agora para abordar brevemente a versão Master System que foi a única que joguei na minha infância. O meu exemplar veio de um bundle de jogos Master System que comprei a um particular no Facebook, que me ficou a pouco mais de 6.50€ por jogo.

Jogo com caixa

Neste jogo encarnamos então num outro ninja, que aparentemente tem de resgatar uma princesa de um outro imperador e tirano, mas noutro planeta que não a terra. Tal como o Strider original, o nosso ninja Hinjo é bastante atlético, podendo fazer saltos acrobáticos, escalar paredes, ou mesmo deslizar pelo chão de forma a desviar-se de projécteis que nos sejam atirados. Temos uma barra de vida e a possibilidade de atirar com shurikens infinitas (o que ê uma benção), algo que teremos de ter bem em conta, pois os inimigos surgem de todos os lados e os níveis também nos apresentam uns quantos obstáculos capazes de nos tirar dano. Na parte superior do ecrã vemos alguma informação, como a nossa barra de vida, ou uns pontos brancos do lado direito. Estes têm a ver com um escudo que podemos activar, que será tão mais resistente quanto os pontos brancos que tivermos. Felizmente que encontraremos alguns power ups que nos permitem restabelecer ambos os níveis.

O escudo é útil especialmente contra os bosses

Graficamente até que é um jogo bem detalhado para uma Master System, embora a sua performance seja sofrível, pois está repleto de abrandamentos. Na altura também não tinha reparado, mas apesar de o design dos níveis me parecer idêntico entre a Master System e Game Gear, na verdade há diferenças nas sprites, que na Game Gear foram modificadas de forma a se adaptarem melhor face ao pequeno ecrã. Aqui na Master System tudo é maior e os níveis parecem ter um pouco mais de detalhe. As músicas não são nada de especial confesso, mas como foi um jogo que joguei bastante quando era mais novo, ainda me lembrava de as ouvir, pelo menos as dos primeiros níveis, portanto se calhar nem são tão más assim.

A princesa que resgatamos no fim, ali com uns pixeis marotos

Quando era miúdo lembro-me deste ser um jogo bastante difícil e de não ter passado do segundo nível, hoje em dia já sei que é preciso jogar de forma cautelosa (mas não tão cautelosa assim pois temos um tempo limite em cada nível) e usar bem as habilidades de Strider, spammar shurikens, e os escudos nos confrontos contra os bosses. Não é um jogo tão bom quanto o Strider original, mas para uma Master System, e tirando a parte da performance, até nem me parece ser um mau jogo de todo, sinceramente.

Mortal Kombat II (Sega Game Gear)

Voltando às super rapidinhas e à Game Gear, vamos ficar com mais uma adaptação do clássco jogo de luta, Mortal Kombat II, sendo esta muito semelhante à versão Sega Master System que eu já cá trouxe no passado. O meu exemplar foi comprado a um particular no OLX no passado mês de Novembro, tendo-me custado 10€.

Jogo com caixa, manuais e papelada. Versão norte-americana distribuída oficialmente pela Ecofilmes

Como já referido, esta é uma versão idêntica à Master System, com o mesmo número de lutadores, as mesmas fatalities, mas com uma resolução de ecrã inferior em virtude de correr numa consola portátil. A outra grande diferença nesta versão está nos controlos, pois aqui o botão Start não pausa o jogo, mas sim serve para bloquear, enquanto que na Master System teríamos de pressionar os botões 1 e 2 em simultâneo para o mesmo. Sinceramente acho mais importante a possibilidade de pausar o jogo.

Portanto esta é mais uma conversão modesta do clássico da Midway, embora para a altura, no que diz respeito ás versões portáteis, esta acaba por me parecer a melhor versão quando comparada com a Game Boy.

Universal Soldier (Sega Mega Drive)

A Ballistic era uma subdivisão da Accolade, onde ambas, nos primeiros anos da década de 90, lançaram uma série de videojogos de forma não oficial para a Mega Drive, com caixas e cartuchos próprios, tal como a Electronic Arts. Mas ao contrário da última, onde rapidamente chegaram a um acordo com a Sega, o processo com a Accolade acabou por se tornar litigioso, o que fez com que muitos destes jogos fossem mais tarde retirados das lojas. Alguns foram posteriormente relançados num lançamento standard e legitímo. O meu exemplar foi comprado algures no passado Julho, tendo vindo de um pequeno bundle que comprei no Reino Unido por um preço bem em conta.

Jogo com caixa de cartão e manual

O Universal Soldier foi um filme de acção com Jean Claude Van Damme como protagonista, onde este era um super soldado modificado, uma espécie de um cyborg. Mas na verdade este jogo não foi lançado originalmente como Universal Soldier, mas sim como Turrican II, uma série de jogos de acção lançados originalmente para o velhinho Commodore 64 (Rainbow Arts) e Amiga (Factor 5). O primeiro Turrican já havia sido convertido e lançado para a Mega Drive através da Accolade/Ballistic, mas por algum motivo a empresa norte-americana decidiu transformar o port desta sequela num jogo baseado num popular filme de acção, certamente com a expectativa que venderia mais. Talvez tenha funcionado nos Estados Unidos, mas na Europa o nome Turrican já teria bem mais peso. Sinceramente, preferia que mantivessem o jogo original tal como estava.

Com esta adaptação paraa filme, algumas sprites foram trocadas, como estes soldados aleatórios

Turrican, na sua essência, é uma série de jogos de acção/plataformas em 2D, repletos de níveis labirínticos e a acção non-stop de Contra, com imensos inimigos a surgirem por todos os lados e o herói com um poderoso arsenal de armas à sua disposição. Os controlos são relativamente simples, com o botão A para disparar, B para saltar e C para usar uma arma especial, que lança um ataque que causa dano em todos os inimigos presentes no ecrã. Pressionando baixo + B faz com que a personagem se enrole sobre si mesmo (tal como Samus Aran), transformando-se numa bola com espinhos, sendo que, tal como Samus, pode plantar bombas com o botão A. Este é então o botão standard para ataques, onde para além de tudo isto, se estivermos numa pose normal, imóveis e mantivermos o botão pressionado, activamos o “chicote”, que pode ser disparado em múltiplas direcções.

Como devem ter adivinhado, teremos imensos power ups também para apanhar, desde upgrades à nossa arma principal, itens que nos regenerem a barra de vida, vidas extra ou invencibilidade temporária. Também podemos encontrar uma série de diamantes que são os coleccionáveis deste jogo, pois para além de nos darem mais ponto, a cada 50 que encontremos ganhamos um continue, até um máximo de 5 em simultâneo.

Temos imensos power ups para apanhar, alguns dão upgrades às armas bem úteis em certas situações

A nível audiovisual é um jogo minimamente competente, a série Turrican apesar de ter sido muito bem sucedida nos computadores Commodore Amiga, foi no velhinho Commodore 64 que a mesma foi concebida. Portanto fica sempre a sensação de estarmos perante um jogo 8bit muito musculado! As sprites não são muito grandes e os níveis não são muito coloridos, apesar de possuirem um ou outro detalhe interessante como efeitos de paralaxe, ocasionalmente. Não são os gráficos mais bonitos da Mega Drive, mas são funcionais. De resto, nesta adaptação, para além de terem alterado algumas sprites face ao Turrican II (nomeadamente a do protagonista e alguns inimigos e bosses), aparentemente a versão original possuía 3 níveis com mecânicas de shmups, níveis esses que foram descartados nesta versão. No entanto esses níveis foram substituídos por outros níveis inéditos desta versão, embora não tenham o mesmo detalhe dos restantes. As músicas por outro lado são bastante agradáveis, embora por vezes temos músicas demasiado calmas para todo o caos que vivemos no ecrã.

É uma estúpidez, mas nesta versão temos de lutar contra alguns Dolph Ludgrens gigantes.

Portanto este Universal Soldier acaba por ser um bom jogo de acção, no entanto não deixa de ser uma mutilação do Turrican II, cuja decisão de transformar numa adaptação de um filme que nada tinha a ver, foi completamente questionável. Ainda assim é melhor que não haver Turrican II de todo na Mega Drive.

Chakan The Forever Man (Sega Mega Drive)

Voltando à Mega Drive, vamos ficar agora com mais um dos seus jogos de acção. Por acaso, por mais uma vez já cá trouxe a versão 8bit do mesmo jogo, lançada para a portátil Game Gear, que aborda as mesmas mecânicas de jogo, mas com um resultado mais modesto. O meu exemplar foi comprado a um particular no reino unido, tendo vindo num pequeno bundle de vários jogos para a Mega Drive algures em Julho. Custou-me à volta de 10 libras se bem me recordo.

Jogo com caixa e manual

Aqui encarnamos uma vez mais no herói amaldiçoado Chakan. Este era um poderoso guerreiro que nunca havia perdido um combate na sua vida. Na sua arrogância resolve fazer uma aposta com a própria Morte onde, se a vencesse num duelo, ganharia a imortalidade. E de facto ganhou a sua batalha e ficou imortal, mas a um custo muito grande: Agora Chakan deve servir a própria Morte e derrotar uma série de demónios, só depois poderá ganhar o seu descanso.

Visualmente é um jogo muito sombrio, gostei bastante!

Somos largados num hub onde poderemos entrar em diversos portais e explorar diferentes mundos. Cada mundo possui 3 níveis, onde no final de cada nível teremos sempre um boss para derrotar, sendo que o boss principal desse mundo ficará no terceiro nível. Apesar de Chakan possuir uma barra de vida, na verdade ele é imortal, pelo que “morrermos” num nível, acabamos por ser cuspidos de volta para fora do portal e convidados a tentar de novo. Temos também um tempo limite para completar os 3 níveis de cada mundo, caso falhemos esse tempo limite, teremos de recomeçar o mundo do zero. Chakan começa o jogo com as suas espadas duplas (que podem ser direccionadas enquanto atacamos com o D-Pad), salto duplo e a capacidade de rolar sobre si mesmo, ambas habilidades bastante úteis e que teremos de as usar com mestria. Mas ao longo do jogo poderemos adquirir novas armas que nos conferem diferentes habilidades, como um martelo que permite mandar abaixo algumas paredes, uma ceifa para “cortar” algumas superfícies como as teias de aranha, ou um gancho que nos permitirá balancear entre plataformas.

As diferentes poções que vamos apanhando podem ser misturadas para dar efeitos distintos

Ao longo do jogo podemos também ir coleccionando uma série de poções que representam um interessante sistema de alquimia. Ao misturar estas poções podemos adquirir efeitos como regeneração da barra de vida, aumentar a altura dos seus saltos, ou imbutir as suas armas com dano elemental. Ora todas estas mecânicas de jogo são bastante interessantes e convém que nos habituemos depressa a tirar todas as vantagens das mesmas. Isto porque o jogo é bastante difícil, temos inimigos em todo o lado, bastantes obstáculos para evitar e mesmo que joguemos de uma forma mais cautelosa, é muito fácil sofrer dano e acabarmos por ser cuspidos de volta para o hub world. As coisas ficam ainda mais complicadas depois de termos ultrapassado os primeiros 3 mundos que supostamente decorrem em “planos terrestres”, pelo que deveremos explorar 4 mundos elementais, todos com demónios ainda mais ferozes.

Claro que teremos vários bosses para defrontar

A nível audiovisual, é um jogo que me deixa com sentimentos mistos. Por um lado até gosto do seu grafismo, apresenta um 2D relativamente bem detalhado, com níveis muito sinistros e repletos de temas e inimigos infernais, o que me agrada e acaba por resultar bem. Por outro lado acho as músicas horríveis, mesmo algumas delas tendo uma temática mais rock que à partida seria algo que me agradaria. Mas as “guitarras” são demasiado estridentes e incomodativas. É uma pena.

Portanto este Chakan é um interessante jogo de acção/plataformas e a meu ver teria todo o potencial para uma eventual sequela num estilo mais metroidvania. A sua não linearidade no progresso do jogo, o sistema de alquimia e as armas que nos conferem diferentes habilidades, permitindo-nos explorar cada nível mais a fundo, são todas boas fundações para um jogo neste subgénero. Mas sendo Chakan baseado numa banda desenhada algo obscura, a nível de licenciamento deverá ser mais complexo algum dia vermos uma sequela deste jogo.