Fantastic Dizzy (Sega Master System)

Vamos a mais uma rapidinha, desta vez para a Master System e a um jogo que já cá trouxe a sua versão para a Mega Drive, nomeadamente na compilação que também traz o Cosmic Spacehead. Apesar de a versão Mega Drive ser largamente superior nos seus audiovisuais, todo o conceito base do jogo, e diria mesmo, todo o seu conteúdo, está também aqui presente nesta versão Master System, pelo que não me irei alongar muito neste artigo. O meu exemplar veio de um amigo meu no passado mês de Novembro através de uma troca de jogos repetidos.

Jogo com caixa

Portanto este é então um jogo de aventura com grande foco na exploração e backtracking, pois para salvar a Daisy das garras do feiticeiro Zaks teremos de percorrer os cenários, coleccionar itens e usá-los em pontos chave para obter outros itens e/ou desbloquear passagens. Isto tudo com um slot fixo de 3 itens apenas que podemos carregar, o que nos irá obrigar ocasionalmente a pousar algum item que carregamos para apanhar um novo. Isto terá os seus problemas pois o mundo de Fantastic Dizzy é bastante vasto, labiríntico e facilmente podemos esquecer-nos onde deixamos as coisas, para não dizer que também muitas vezes não é óbvio o que temos de usar e onde. O platforming também não é o melhor pois os saltos de Dizzy exigem muita precisão e o mundo está repleto de inimigos e obstáculos que teremos de evitar. Felizmente, ao contrário dos Dizzy clássicos da década de 80, não temos aqui 1-hit kills, mas sim uma barra de vida que nos deixará aguentar com alguns golpes, tornando a experiência menos frustrante. Também espalhados pelos cenários estarão 250 estrelas que deveremos também coleccionar para desbloquear o final do jogo. Não havendo qualquer possibilidade de gravar o progresso no jogo, teremos de o terminar de uma assentada, pelo que a emulação e o conforto dos save states serão uma preciosa ajuda. Ocasionalmente teremos também alguns mini jogos para ganhar vidas extra, ou outros segmentos “não platforming” para completar como descer um rio num barril. Aqui também teremos inimigos para evitar e estrelas para coleccionar.

No ecrã de inventário podemos ler uma descrição da área onde nos encontrarmos bem como seleccionar o item que queremos usar ou largar

A nível audiovisual, este Fantastic Dizzy foi um jogo que teve as suas origens na NES, tendo sido posteriormente convertido para outros sistemas, entre os quais a Master System. Já o original da NES sinceramente sempre o achei bastante agradável graficamente, e esta versão acaba por não ficar nada atrás. Os gráficos apesar de aparentemente manterem o mesmo nível de detalhe, acabam por ser mais coloridos, incluindo também o ciclo dia/noite. Esta versão Master System possui também músicas bem agradáveis, apesar do calcanhar de Aquiles desta consola sempre ter sido o seu velhinho PSG. As versões 16-bit, particularmente a da Mega Drive, são no entanto largamente superiores tanto a nível gráfico como de som.

Graficamente é um jogo bem detalhado, embora o layout labiríntico do seu mundo irá causar alguma confusão

Portanto o Fantastic Dizzy é um daqueles jogos que envelheceu um pouco mal. Apresenta um mundo bastante vasto a explorar e isso sinceramente é bom, mas fica a desejar principalmente pelo facto de não podermos gravar o nosso progresso. Mas felizmente que ao menos reduziram alguma da frustração de títulos anteriores ao introduzir uma barra de vida que nos deixa aguentar com alguma pancada. Basicamente, para os fãs de jogos do Dizzy, irão certamente gostar deste capítulo, já quem não esteja familiarizado com a série muito provavelmente irá sentir todas estas frustrações. Ainda assim, a implementação deste jogo para a Master System parece-me ter ficado muito boa, embora a versão Mega Drive seja graficamente muito superior.

Izzy’s Quest for the Olympic Rings (Sega Mega Drive)

Na primeira metade dos anos 90, especialmente após o tremendo sucesso de jogos como Sonic the Hedgehog, os jogos de plataformas em 2D com mascotes eram bastante populares, com inúmeras empresas a tentar também a sua sorte, com exemplos como Bubsy, Awesome Possum ou Aero the Acrobat, ou mesmo empresas comerciais como a 7-UP e os seus Cool Spot ou a Mc Donalds com o Global Gladiators. Um jogo que ninguém pediu foi precisamente este Izzy’s Quest for the Olympic Rings que protagoniza nada mais nada menos que a mascote dos Jogos Olímpicos de Atlanta ’96. O meu exemplar foi comprado a um amigo meu em Setembro deste ano por 10€.

Jogo com caixa, manuais e papelada

A história é simples: nós controlamos a mascote Izzy em busca dos 5 anéis do conhecido emblema olímpico, que haviam sido roubados por alguns vilões. E este é um jogo de plataformas bastante típico, onde o objectivo é o de descobrir a saída de cada nível, sendo que teremos imensas plataformas e obstáculos para ultrapassar, inimigos para combater e itens para coleccionar. Os controlos são relativamente simples, com os 3 botões faciais do comando da Mega Drive a servirem para saltar, embora tenhamos 2 tipos de salto diferentes. O salto em que Izzy rodopia no ar é a única forma que temos de atacar os inimigos, já o outro salto é mais longo, permite-nos alcançar plataformas mais altas ou longínquas, mas estamos indefesos caso contactemos com algum inimigo a meio do salto. Felizmente que existe uma barra de vida, barra de vida essa que vai sendo preenchida à medida que vamos coleccionando as medalhas olímpicas espalhadas pelos níveis, felizmente há bastantes.

Ao longo dos níveis Izzy vai-se podendo transformar e temporariamente adquirir novas habilidades, como voar numa asa-delta

O jogo possui muitos outros itens e power ups, alguns servem unicamente para aumentar a pontuação, outros dão-nos vidas ou continues extra, invencibilidade temporária, ou destroem todos os inimigos presentes no ecrã, para além das tais medalhas já referidas acima. Ocasionalmente vamos encontrar também uns power ups que nos transformam temporariamente noutras formas, como um foguetão, um jogador de baseball, um arqueiro, entre outros. Estas formas alternativas vão tendo também ataques diferentes que podem ser usados para defrontar mais facilmente alguns inimigos. De resto é um jogo que não só nos encoraja a coleccionar o máximo destes coleccionáveis, bem como terminar cada nível o mais rapidamente possível, de forma a desbloquear níveis bónus que decorrem no espaço. Estes são desafios de platforming um pouco mais exigentes, ou então somos transformados num foguetão e teremos de percorrer o nível quase como um shmup vertical se tratasse. Desbloquear e completar os níveis de bónus é importante pois dois dos anéis olímpicos que temos de coleccionar apenas se encontram algures por lá. De resto é um jogo de plataformas com uma implementação algo mediana. A detecção de colisões não é a melhor, ocasionalmente temos alguns abrandamentos quando o ecrã fica cheio de coisas a acontecer.

Um detalhe interessante é o de podermos ver as animações de Izzy nas opções

A nível audiovisual sinceramente também o achei um pouco mediano nesse aspecto. É verdade que a variedade de transformações de Izzy dão-lhe uns toques de originalidade, mas confesso que não sou o maior fã do design dos níveis, nem dos cenários. Em particular o mundo da lava, onde tudo é castanho ou vermelho e amarelo e por vezes as paredes e plataformas não são bem reconhecíveis. As músicas até que nem são desagradáveis de todo, dando sempre aquela sensação de banda sonora de cartoon, mas não são propriamente memoráveis.

Temos dois tipos de salto diferentes, sendo que o mais longo não nos permite atacar os inimigos

Portanto este Izzy é mais um daqueles jogos de plataforma 2D genéricos típicos dos anos 90, tendo ficado esquecido no meio de muitos outros. O conceito até que é original, pois não conheço mais nenhum videojogo cujo protagonista seja uma mascote de jogos olímpicos, mas o facto de o jogo em si ser medíocre também não ajudou em nada. Existe também uma versão para a SNES que sinceramente não joguei, mas não me parece ter grandes diferenças face a esta.

Ms. Pac-Man (Sega Master System)

Ms. Pac-Man é um jogo lançado originalmente nas arcades e que possui uma origem curiosa. Foi lançado pela Midway, que detinha os direitos de distribuição das máquinas arcade do Pac-Man no ocidente, e isto à revelia da Namco, que acabaram por adquirir os direitos do jogo uns anos depois. Como até que foi um lançamento bem sucedido nas arcades, a Namco acabou por considerar este Ms. Pac-Man como um lançamento canónico na série e chegou inclusivamente a produzir algumas conversões anos mais tarde. Naturalmente, com todo este sucesso, o jogo acabou por receber inúmeras conversões para outros sistemas. No caso das consolas domésticas da Sega foi a Tengen que acabou por desenvolver as conversões e este meu exemplar da Master System veio cá parar à colecção após ter feito uma troca com um amigo algures em Novembro.

Jogo com caixa e manual

Na sua essência, Ms. Pac-Man tem o mesmo conceito do Pac-Man tradicional, na medida em que temos de percorrer uma série de labirintos, comer todas aquelas “bolachas” por lá espalhadas e, acima de tudo, evitar os fantasmas que nos perseguem. A menos que comamos uma daquelas bolachas maiores, aí já teremos alguns segundos de invencibilidade e que nos permitem ir atrás dos fantasmas e devorá-los para obter mais pontos. O jogo possui no entanto mais algumas particularidades que o diferem do original. A versão arcade incluía labirintos com layouts diferentes, novos power ups, bem como diferentes padrões de movimento dos fantasmas. De resto temos 32 níveis para completar, com a dificuldade em constante crescendo e os power ups com os efeitos cada vez mais reduzidos. Esta conversão para a Master System inclui ainda mais uma série de extras como algumas variações adicionais nos labirintos, bem como suporte a multiplayer para dois jogadores, com Ms. Pac-Man e o próprio Pac-Man a limparem os labirintos em simultâneo. Temos modos de jogo competitivos e cooperativos e, confesso que não os experimentei, mas acredito que até sejam divertidos.

Algumas das conversões para consolas apresentam modos multiplayer, o que é o caso desta versão que deixa o segundo jogador controlar o Pac-Man em simultâneo

A nível audiovisual é um jogo simples, mas eficaz. O original de arcade tem uma resolução não muito convencional, com proporções mais verticais. Esta adaptação para a Master System, de forma a manter a mesma proporcionalidade dos labirintos e personagens, não apresenta o labirinto completo no ecrã, obrigando assim a algum scrolling vertical. Sinceramente não me fez grande diferença, pois a área visível de jogo é sempre consideravelmente grande. Ocasionalmente vamos tendo algumas cutscenes entre níveis, que vão ilustrando a relação entre Pac-Man e Ms. Pac-Man, como se conheceram e até ao nascimento do Junior Pac-Man, sendo trazido por uma cegonha. São alguns detalhes engraçados que creio que já existiam no original arcade também. A nível de som é bastante minimalista, com algumas pequenas melodias a serem ouvidas entre os níveis, de resto temos apenas os típicos sons do Pac-Man a acompanhar a acção.

Ocasionalmente, vamos tendo algumas cutscenes entre níveis que mostram a história do casal Pac-Man

Portanto esta conversão do Ms. Pac-Man até que me pareceu bastante competente. A versão Mega Drive naturalmente possui um pouco de detalhe adicional nas sprites e melhor música e efeitos sonoros, mas sendo o Ms. Pac-Man um jogo tão primitivo, a sua adaptação para a Master System não ficou nada má.

Rambo III (Sega Mega Drive)

O Rambo III, para além de ser um dos mais icónicos filmes de acção da década de 80, foi também um dos primeiros jogos que joguei após ter descoberto o admirável mundo da emulação algures no final de 1998 (saudades do KGen98 e Genecyst). E apesar de existir também uma adaptação do Rambo III para a Master System, este é na verdade um jogo inteiramente diferente. O meu exemplar foi comprado numa CeX algures no mês passado de Novembro, tendo-me custado 15€.

Jogo com caixa e manuais

A versão Master System é um light gun shooter similar ao Operation Wolf, enquanto esta versão 16-bit já é um shooter similar a jogos como Ikari Warriors ou Commando. Curiosamente todos esses jogos tiveram como inspiração filmes como este Rambo ou Commando do tio Arnold. Mas enquanto jogos como Commando nos colocam num caminho linear, mas repleto de inimigos para enfrentar e com um boss no final, aqui há também um foco na sua exploração, isto porque numa grande parte dos níveis teremos de explorar bases inimigas e resgatar prisioneiros de guerra, ou destruir depósitos de munições.

Ao usar o arco e flecha devemos manter o botão B pressionado durante algum tempo para o ataque ser mais poderoso

A nível de jogabilidade as coisas são simples. Rambo está munido de uma metralhadora com munição infinita e que podemos disparar livremente em 8 direcções com o botão C. Paralelamente à metralhadora vamos tendo também três armas especiais cujas podemos alternar livremente com o botão A, sendo essas uma faca que naturalmente também podemos usar infinitamente, bem como bombas que detonam após alguns segundos ou um arco e flechas explosivas. Podemos usar estas armas secundárias com o botão B, depois de as seleccinar com o A. As flechas explosivas, para maximizar o seu poder explosivo, devemos deixar o botão B pressionado durante alguns segundos para as “carregar”. De resto, e à medida que vamos matando inimigos, estes vão também deixando alguns itens que podemos coleccionar, desde flechas explosivas, bombas ou mesmo vidas extra que serão preciosas, pois cada dano que sofremos é uma vida perdida. Convém também mencionar que no final de alguns níveis teremos ainda uns segmentos especiais onde teremos de defrontar um boss. E aqui o jogo muda a sua perspectiva para as costas de Rambo onde, tal como no filme, teremos de disparar uma (ou mais) flechas explosivas bem carregadas e atingir um ou mais helicópteros ou tanques, sendo que teremos de nos desviar também dos seus projécteis.

O jogo muda de perspectiva nos confrontos contra os bosses

Graficamente é um jogo algo simples até porque foi lançado ainda no início do ciclo de vida desta plataforma. Vamos ter alguns níveis em plena selva, outros tantos em bases militares inimigas, tanto nos seus pátios exteriores, como nos seus interiores. É também um jogo curto, com 6 missões apenas, embora estas ainda nos irão dar algum trabalho até nos habituarmos bem às mecânicas de jogo. A nível e som, sinceramente não achei assim nada de especial. De resto, principalmente se o jogarmos em dificuldades mais avançadas, é um jogo que irá colocar um maior número de inimigos no ecrã em simultâneo e quando isso acontece, o jogo acaba por sofrer alguns abrandamentos.

O jogo até que segue de forma algo ligeira os acontcimentos do filme

De resto este Rambo III é um jogo curto, porém sólido e que irá agradar aos fãs de shooters do tipo Ikari Warriors, Mercs ou Commando. Para além da sua temática ser semelhante, a sua jogabilidade é também bastante simples como esses jogos, oferecendo na mesma um bom desafio até porque todos os disparos contam.

Golden Axe (Sega Master System)

A versão Mega Drive do Golden Axe a par do Revenge of Shinobi e Streets of Rage, é dos jogos que mais joguei com amigos meus quando era criança e naturalmente dos que me despertam um maior sentimento de nostalgia. Esse jogo, que teve as suas origens nas arcadas, acabou por ter sido convertido para uma grande panóplia de diferentes sistemas incluindo alguns concorrentes da própria Sega na altura. A Master System acabou também por receber uma conversão, mas infelizmente o resultado não foi de todo o melhor. O meu exemplar veio cá parar através de uma troca que fiz com um amigo neste mês de Novembro.

Jogo com caixa e manual

Então o que tem esta versão de tão mau perante a original? Não existe qualquer multiplayer, apenas podemos controlar o Ax-Battler (aqui chamado de Tarik), se bem que ao menos podemos escolher qual o tipo de magias que queremos utilizar, ou seja, apesar de controlarmos o bárbaro, poderemos escolher usar antes as magias da Tyris ou Gilius. Os níveis também são bem mais curtos perante o original e se por um lado as sprites até que são grandinhas e bem detalhadas, isso acaba por ter um grande custo: na sua performance. As sprites têm poucos frames de animação e o jogo acaba por perder muita fluidez por isso. Ao menos as músicas até que ficaram ok, tendo em conta que o velhinho PSG sempre foi o calcanhar de Aquiles da Master System.

Ao menos esta versão possui alguma arte não vista noutras versões. O Conan manada cumprimentos

Portanto este Golden Axe para a Master System, apesar de até ser bonitinho em screenshots, acaba por ser uma conversão que deixa muito a desejar, tanto pela falta do multiplayer, personagens jogáveis, mas acima de tudo pela sua performance atroz. O Streets of Rage, lançado vários anos depois na Master System, acaba por ser uma conversão mais capaz, apesar de também não ter suporte a multiplayer.