Sega Saturn

Esta é uma consola de culto, apesar de ter sido uma das grandes responsáveis pelo declínio da Sega como fabricante de consolas. Apesar de ser um “wanted-item” para mim desde 1996, só em Setembro de 2010 é que finalmente comprei uma. Não desconhecia a plataforma, joguei Saturn várias vezes em casa de amigos meus em 1996-1998, e cheguei a ter uma emprestada durante umas semanas. Bons tempos… Felizmente comprei um modelo impecável com caixa, adquirido no miau.pt. A consola que comprei corresponde ao modelo de 2a geração europeu:

Sega Saturn Box
Caixa Sega Saturn PAL - uma beleza!
O conjunto
Fora da caixa

A Sega Saturn foi lançada originalmente no final de 1994 no Japão e em Maio e Julho de 1995 nos mercados Americano e Europeu respectivamente. Pouco tempo antes, a Sega tinha lançado um autêntico aborto para o mercado chamado 32x, cujo nome de código era Sega Mars. Esse acessório era mais um add-on para a Sega Mega Drive, tornando a mesma numa máquina de 32Bit, e seria um “cheirinho” do que a Saturn viria a ser. Ora como a Saturn estava anunciada para sair pouco tempo depois, os jogadores optaram por ignorar mais um add-on para a Mega Drive e esperar pela máquina a sério. Convém referir que a Sega na altura era um autêntico monstro no mercado, na medida em que dava suporte a imensas plataformas. A saber: Mega Drive, Mega CD, 32x, Game Gear, Master System (nalguns mercados), Nomad (nalguns mercados também) e tinham projectos para mais 3 consolas. A 32x era a Sega Mars, Neptune seria uma Mega Drive com 32x incorporada, Saturn e Jupiter. Saturn e Jupiter eram para ser equivalentes entre si, mas uma com suporte a CD e a outra com cartuchos. Que confusão Sega! O falhanço da 32x levou a Sega a cancelar a Neptune e a Jupiter, focando-se então na Saturn.

Sega Neptune
Sega Neptune

Ora a Saturn desde cedo que ficou conhecida por ter um hardware demasiado complexo, com 2 processadores centrais, 2 processadores gráficos, mais uma panóplia de processadores e microcontroladores para o som, drive de CD-ROM e demais periféricos. Hoje em dia o paralelismo de processamento é algo comum com processadores multi-core. A arquitectura da Sega Saturn é algo diferente, pois apesar de ter 2 processadores, eles não trabalham “ao mesmo tempo”. Como partilham a mesma BUS, acedem a memória em intervalos diferentes. Para piorar as coisas, muita da programação teve de ser feita em assembly, o que é um autêntico inferno para um hardware complexo. Quem já programou em assembly sabe do que falo. Esta foi a principal razão pela qual a Sega Saturn acabou por fracassar, principalmente nos mercados ocidentais. A Playstation surgiu na mesma altura e apesar de aparentemente ter um hardware equivalente em poder de processamento (embora bem menos complexo) oferecia ferramentas de desenvolvimento bem mais agradáveis para as produtoras. Isto aliado a um preço mais baixo, uma campanha de marketing bastante agressiva, erros grosseiros da Nintendo (não incluir suporte a CD na N64), melhores contratos com as produtoras, levaram à Playstation ser o sucesso que foi, bem como a sua sucessora.

Ainda a nível técnico, o hardware da Playstation para além de ser mais simples permitia renderizar alguns efeitos gráficos nativamente como transparências por exemplo, bem como compressão de vídeo. Na Saturn isso tinha de ser feito por software, daí muitas cut-scenes na Saturn não terem a mesma qualidade do que as da PS1. Enquanto a Nintendo 64 não saía para o mercado, era frequente dizer-se que os gráficos da PS1 eram melhores, mas a verdade é que isso se devia à complexidade enorme em programar para a Saturn. Desafio-vos a ir ao youtube e pesquisar “Shenmue Sega Saturn”. O que vão ver é renderizado em tempo real numa Saturn. Mas programar assim é uma tarefa hercúlea e é perfeitamente normal que os produtores que não tenham o “know-how” que os estúdios da própria Sega tinham conseguissem tirar resultados assim tão impressionantes. Contudo, a Saturn brilhou no 2D, onde practicamente todos os jogos 2D são mais fluídos do que as versões PS1.

Mas tecnicismos à parte, vamos ao que realmente interessa em qualquer consola. Os jogos! A Saturn é um autêntico monstro de Arcade. A grande maioria dos jogos de sucesso são conversões de hits da Sega nas Arcades como Daytona USA, Sega Rally, Virtua Fighter, Virtua Cop, Manx TT, etc. Existem também outros jogos de renome como Panzer Dragoon, Nights, Clockwork Knight, Deep Fear, Burning Rangers, entre vários outros multiplataforma de interesse como os originais Tomb Raider e Resident Evil. Infelizmente outra coisa que falhou redondamente foi a política da Sega of America, que barrou muitos jogos japoneses de qualidade por acharem que não fariam sucesso no Ocidente. Infelizmente, um jogo japonês que não receba lançamento americano, muito dificilmente recebe lançamento europeu, sendo assim nós também acabamos por perder devido à idiotice de outros. No Japão, ironicamente a Sega Saturn foi uma consola de sucesso. Mesmo depois do lançamento de Final Fantasy VII para a PS1 as vendas da Saturn continuaram sólidas durante algum tempo, o que lhe foi garantindo vários óptimos jogos que infelizmente não sairam cá. Não apenas RPGs, dating sims e alguns shooters que dificilmente saíriam no ocidente, mas também vários jogos de luta da Capcom e SNK como o Street Fighter Alpha 3, que até hoje os fãs indicam como sendo a versão caseira mais fiel à Arcade. Querem uma ideia do que se ficou pelo japão? Grandia, Lunar Silver Star e Eternal Blue, X-men vs Street Fighter, Marvel Super Heroes vs Street Fighter, Dead or Alive, Radiant Silvergun, Cotton 2, Castlevania Symphony of the Night (com conteúdo extra face à versão PS1), Sakura Taisen, as 2 últimas partes do Shining Force III, entre muitos outros. Ena, obrigado Sega of America e Europe, por terem feito tanta asneirada. Os últimos jogos no ocidente sairam em 1998, enquanto que no Japão foram saíndo até 2000, altura em que a Dreamcast já estava a todo o vapor em todos os mercados. A Sega com tanta derrapagem desde a Mega Drive foi perdendo a confiança dos consumidores e o final da história já todos nós sabemos.

Uma outra característica interessante da Sega Saturn é a capacidade de jogar online. O conceito não é propriamente novo, existiram serviços online para a Mega Drive e a SNES, mas pouca gente os conhece. Nos Estados Unidos foi disponibilizado um serviço de nome NetLink, que permitia surfar a internet, bem como jogar alguns jogos online. Jogos como Duke Nukem 3D, Sega Rally, Daytona USA e Virtual On receberam versões com suporte online. No Japão o serviço tinha o nome de SegaNet Xband e jogos como Virtua Fighter Remix, Worldwide Soccer 98, Sega Rally, Daytona USA, entre outros, também tinham a componente online. Na Europa, ficamos a ver navios, como sempre.

Saturn com modem Netlink

Concluindo, a Sega Saturn, para quem for um jogador hardcore é um aparelho a comprar, principalmente pelo mercado japonês que é bem mais vasto que o ocidental. É uma máquina que apesar de ter muitos jogos com um 3D manhoso devido ao seu hardware dos infernos, é como se fosse uma NeoGeo 3D. Jogar em casa clássicos como Daytona USA, Sega Rally, Virtua Fighter 2, entre muitos outros jogos Arcade…não tem preço. Para jogos de aventura, RPG, plataforma, desporto, também tem alguns bons títulos, mas nesse quesito a PS1 e N64 levaram a melhor.

Billy Hatcher and the Giant Egg (Nintendo GameCube)

CapaUma das razões que me levaram em 2002, escolher a GameCube como a minha consola da geração anterior, foi o apoio da Sonic Team. Eu sempre fui grande fã da Sega e Nintendo old-school, e se a Sega não tivesse anunciado o fim prematuro da consola há uns tempos, provavelmente até teria comprado a Dreamcast, era bem mais barata e vinha com bastantes jogos (mas isso é outra história que poderá ser contada quando fizer uma análise ao hardware da Nintendo GameCube). Um dos jogos que a Sonic Team lançou foi este Billy Hatcher and the Giant Egg, em 2003. Comprei este jogo por uma pechincha no ano passado, no eBay UK e está impecável.

caixa
O jogo completo

Comprei o jogo meio “às cegas” porque nunca o tinha jogado antes, nem mesmo ver uns vídeos decentes do jogo em acção, conhecia-o de ver algumas imagens na net quando o mesmo foi anunciado. Eu gosto de jogos de plataformas e a Sonic Team para o bem ou para o mal, é um estúdio de renome nessa área.

De que se trata Billy Hatcher and the Giant Egg? Ora, o nosso herói Billy Hatcher é um menino que é transportado para um mundo de fantasia onde vivem galinhas falantes, povo esse que foi invadido por um bando de corvos maléficos que, com base em magia negra conseguem ter a aparência de outros animais bem mais ferozes e perigosos. Sim, a história não faz sentido, mas isto é um jogo de plataformas todo colorido e cutxi-cutxi, não é suposto fazer muito sentido.  A música título é tão idiota, tão idiota que até é viciante e cheguei a andar durante algum tempo a cantarolar “la-la-la-la”.

Ora passando para o jogo em si: O Billy por si só é fraco. Não consegue atacar os inimigos, não consegue correr, etc. Apenas quando segura um ovo, é que tem o poder de atacar e fazer várias manobras com o mesmo ovo. Os inimigos derrotados largam frutas que só conseguimos “apanhar” com o ovo, essas frutas servem para fazer o ovo crescer até estar pronto a eclodir. Existem dezenas de diferentes ovos, cada um contendo items e animais diferentes. Esses animais podem ajudar o Billy a fazer várias coisas, desde atacar inimigos, activar objectos no cenário, ou mesmo poderão servir para levar o Billy às costas, embora sinceramente não tenha visto grande utilidade nisso. Uma coisa que achei curiosa foi as várias “influências” que foram buscar ao Mario 64/Sunshine. O mundo é dividido em várias zonas, cada uma contendo várias missões, decorrendo no mesmo mapa, mas com ligeiras modificações, cada nível é terminado quando se apanha um “emblema” especial, à semelhança das Stars em Mario. Existem também moedas especiais que podem ser coleccionadas, à semelhança das blue coins nos jogos do Mario. Na verdade, em Billy Hatcher também existem blue e red coins, mas servem para uns determinados tipos de níveis. A estrutura dos níveis é a seguinte: Na primeira missão de cada zona deve-se encontrar o galo/galinha chefe daquela região. É um ovo dourado que após o libertar deve-se procurar as frutinhas de modo o fazer eclodir. A dificuldade é que esses ovos dourados partem ao primeiro toque de um inimigo, ao contrário dos normais que partem ao 3º toque. A segunda missão é sempre encontrar o Boss da respectiva área e derrotá-lo. As restantes missões são aparentemente opcionais em quase todas as zonas. Existem sempre missões em que se tem de resgatar 8 galinhas feitas prisioneiras, outras para derrotar 100 inimigos, outras em que temos de coleccionar um determinado número de blue ou red coins, missões para resgatar os 3 amigos do Billy, etc. Existem no total 7 zonas, cada uma com 8 missões (5 para o Billy e uma para cada um dos 3 amigos que podem ser desbloqueados ao longo do jogo), o que perfaz um total de 56 níveis.

Agora a parte pior: a jogabilidade. Eu literalmente acabei de completar as missões todas deste jogo e foi uma autêntica prova de fogo à minha sanidade mental. Para completar o jogo mesmo a 100%, ainda teria de coleccionar todas as moedas, descobrir todos os ovos e mini-jogos (existem alguns mini-jogos que podem ser desbloqueados para se jogar na GBA) e completar TODAS as missões com um rank S (o máximo). No way Jose, não o vou fazer. O jogo começa bem, uma pessoa habituando-se aos controlos vai fazendo as primeiras missões à vontade, até que se chega a um ponto em que as coisas complicam mesmo. A Sonic Team desde os Sonic Adventure na Dreamcast que tem uma estranha fixação por abismos sem fundo. Um descuidozinho e ops, lá se vai o Billy para o c******. Preparem-se para isto acontecer muitas, muitas vezes, e os 1ups não são abundantes. E muitas das vezes quando se cai ao abismo tem-se de recomeçar o nível num sítio bem lá atrás, onde se tem de fazer muitas manobras arriscadas novamente. Muito, muito chato, principalmente quando existem partes em que se tem de fazer saltos ao milímetro de precisão, e isso abunda por aí. Outra coisa que achei chata é o facto de ser muito frequente ao subir uma pequena “ravina” através dum truque com o ovo (é a única maneira de o fazer), o ovo ficar preso na ponta da ravina e o Billy cair ao chão. Se não houver mais ovos na área, não há nada a fazer senão esperar que o ovo que ficou preso volte a ficar disponível no seu local de origem. Isso também me aconteceu muitas vezes, infelizmente.

screen
Uma das partes "frustrantes" (por acaso esta até é bem simples)

Bottomline, gostam de jogos de plataforma? Têm uma GameCube ou Wii? Acham que eu sou é um mariquinhas que não consegue jogar jogos de plataforma decentemente? Não custa nada experimentar. Aqui em Portugal raramente o vejo à venda por menos de 20€, mas no ebay é comum arranjar por menos de metade. Se vos aparecer uma oportunidade de o comprar baratinho força nisso. Mas preparem-se para muitas horas de frustrações.

Desert Strike (Sega Master System)

Desert Strike
Caixa Desert Strike Master System

Lembram-se no início dos anos 90 onde Electronic Arts era sinónimo de qualidade e inovação? Desert Strike é definitivamente um jogo que entra nessa categoria. Criado por Mike Posehn para a Sega Mega Drive, foi um sucesso imediato, tendo sido posteriormente convertido para várias outras plataformas. Uma delas foi a Sega Master System, tendo a conversão ficado ao cargo da Domark que por sua vez a relegou para o seu estúdio interno “The Kremlin”. Estes “The Kremlin” foram responsáveis por várias conversões de software para a Master System, como o Prince of Persia de Jordan Mechner, por exemplo, bem como a versão de Game Gear deste mesmo jogo.

Desert Strike é uma óptima simbiose entre simulação militar e acção mais descomprometida. Contextualizado na guerra do Golfo dos inícios dos anos 90, somos introduzidos a um ditador lunático de um país do Médio Oriente (inspirados em Saddam Hussein) em vias de iniciar um conflito internacional. A bordo de um helicóptero AH-64 Apache das Forças Armadas dos E.U.A. somos postos à prova de modo a colocar um fim nos planos do general.

Durante o jogo é-nos incumbido executar várias ordens, sejam de resgate de prisioneiros de guerra, soldados desaparecidos em combate, destruição de vários alvos militares, escolta de VIPs, etc. As missões estão bem pensadas e seguem alguma lógica, tanto na atribuição, como na ordem de execução das mesmas. Antes de entrar “à Rambo” nas bases inimigas, convém destruir os radares e as centrais energéticas, reduzindo assim a capacidade de retaliação do inimigo. A componente estratégica não se fica por aqui, sendo que as munições e o combustível não são limitados, pelo que têm de ser bastante racionados. Uma coisinha que eu sempre gostei foi que, sempre que se pausasse o jogo, veríamos para além das estatísticas do nível e do helicóptero, tínhamos um mapa e uma série de descrições com figuras ligadas às missões, veículos inimigos ou até items como munições.

Desert Strike
Screenshot do jogo

Quem conhecer as versões superiores 16Bit e PC, irá ficar impressionado com a qualidade da conversão do jogo na Master System.  Quase todo o conteúdo está lá. Todos os inimigos e edifícios com um bom grau de detalhe, todas as missões. A nível de som é que não se pode fazer milagres, toda a gente sabe que o som na Master System (e mesmo na Mega Drive) não é grande espingarda, comparando com as consolas da concorrência. Graficamente mantém-se a perspectiva isométrica, de modo a simular um efeito 3D. A nível de jogabilidade simplificou-se as coisas um pouco devido ao comando da Master System ter menos botões. O botão 1 serve para disparar a metralhadora pesada, o botão 2 serve para disparar os mísseis Hydra (projécteis de média “potência” explosiva, mas com uma taxa de disparo muito elevada), e os botões 1+2 ao mesmo tempo para disparar os escassos mísseis Hellfire (bastante potentes, porém lentos).

A minha cópia do jogo foi-me oferecida por um amigo de infância num dos meus aniversários, juntamente com o Global Gladiators (um dia destes falarei sobre ele). São ambos os jogos em 2ª mão e não trazem o manual, infelizmente. Fora isso estão em óptimo estado.

Desert Strike SMS
A minha cópia do jogo

Infelizmente a Master System não recebeu mais nenhum jogo da saga “Strike”, enquanto a “prima” Game Gear recebeu também conversões das sequelas Jungle Strike e Urban Strike (também disponíveis na Mega Drive, SNES, PC, etc). A série “Strike” viria a receber ainda mais 2 jogos nomeadamente o Soviet Strike e o Nuclear Strike, já na era dos 32/64bit.

Após o Nuclear Strike, e sem contar com o gorado “Future Strike” que nunca chegou a ver a luz do dia com esse nome, não se ouviu mais falar na série até 2002, altura em que converteram o primeiro jogo da saga para a Game Boy Advance. Infelizmente até à data nada mais se falou da série.

Concluindo, Desert Strike é um óptimo jogo para quem gosta de dar uns tiros, mas também com um twist de estratégia militar. Apesar de gostar muito da versão da Master System, recomendaria que jogassem as versões superiores de 16Bit ou PC/Amiga. Se não tiverem essas versões disponíveis, ainda assim ficam com um bom jogo entre mãos.

Sonic the Hedgehog (Sega Master System)

Sonic 1 capa
Sonic the Hedgehog (capa Sega Master System)

Na primeira crítica deste blog, apresentei a minha primeira consola, a Sega Master System III Compact. Esta consola traz um jogo embutido na consola, o Sonic the Hedgehog, tendo sido este o meu primeiro jogo. No ano passado comprei no miau.pt uma cópia física deste jogo, infelizmente não veio com o manual, mas complementei com o manual que vinha com o Sonic da consola.

Enquanto a Sonic Team se preparava para lançar para a Mega Drive aquele que provavelmente é o jogo mais importante da sua carreira, a Sega relegou para o estúdio independente Ancient Corp. a versão 8-bit do Sonic the Hedgehog. A Ancient é uma companhia liderada por Yuzo Koshiro, uma personalidade bem conhecida na indústria devido aos milagres que fez com o chip de som da Mega Drive (vão ouvir as músicas dos Streets of Rage).

A versão 8-bit saiu também em 1991, uns meses depois do seu “primo” de 16Bit, para as consolas Sega Master System e Game Gear. A versão Game Gear saiu em todos os mercados, enquanto que a Master System, por já estar nas horas da morte em quase todo o lado excepto na Europa e Brasil, saiu para esses 2 mercados e também para os Estados Unidos, onde foi o último jogo da Master System lançado oficialmente por lá. O Japão ficou de fora. As versões Master System e Game Gear são idênticas, diferindo apenas na resolução bem como alguns pequenos detalhes.

A nível de performance, a Master System é nitidamente uma geração atrás da Mega Drive, o jogo é bem mais simples e lento. Ainda assim, é um dos melhores jogos da consola. Fica a faltar os loops e o design de níveis mais “insano” que a versão 16bit é conhecida, mas isso foi corrigido no Sonic 2. Este jogo é constituído por 6 zonas, algumas delas também presentes na versão Mega Drive. Cada zona tem 3 actos, 2 de exploração e um de boss.

Green Hills zone, é a primeira zona em ambas as versões, famosa pela sua flora verdejante e rocha quadriculada (não é por acaso que escolhi este nome para o blogue…). Segue-se a Bridge Zone, uma zona ligeiramente semelhante à Green Hills onde se sobe um rio ao longo de uma série de pontes. Entra-se de seguida na Jungle Zone, que como o nome indica é uma zona passada na selva. É uma das zonas mais elaboradas do jogo, principalmente o 2º acto, onde se tem de subir uma enorme cascata.

Em seguida mais uma zona igualmente presente na Mega Drive. A Labyrinth Zone, uma área inteiramente subaquática passada nas ruínas de um templo qualquer. Quem já não disse montes de vezes “f0d@-se, fiquei sem ar!”? E eis que se chega à “civilização”, com uma zona altamente industrializada chamada “Scrap Brain”. Mais uma zona igualmente presente na Mega Drive, onde teremos de escapar a vários perigos “tecnológicos”. A zona final é a Sky Base Zone. Mais uma zona inédita na versão 8-bit, é uma espécie de “aeródromo”, onde está localizado um Zeppelin do Dr. Ivo Robotnik. É sem dúvida a zona mais complicada do jogo. No primeiro acto temos de ter cuidado com uma série de cabos electrificados que dão choque a cada intervalo de tempo, tendo em conta que muitas vezes tem de se deslocar em plataformas móveis sobre as quais não temos nenhum controlo, é normal perder algumas vidas aí. No 2º acto já não há toda essa “trovoada”, mas é um acto sem qualquer “ring”, o que quer dizer que cada erro é fatal. O boss final deu-me algum trabalho em derrotá-lo nas primeiras vezes, mas depois de se lhe apanhar o jeito é simples.

Os níveis seguem uma progressão lógica, consegue-se perceber bem a transição das diferentes zonas, onde um riacho em Bridge Zone se transforma num enorme rio em Jungle Zone e num templo aquático em Labyrinth Zone. À semelhança da versão Mega Drive o jogo dá a sensação de se passar todo ao longo de um dia, onde em Green Hills Zone é de manhã e vai entardecer progressivamente até chegar à Sky Base Zone, onde é “escuro como o breu”.

Ao contrário das versões 16bit, em quase todas as versões 8bit dos jogos de plataforma do Sonic (e neste não é excepção), as esmeraldas fazem algum sentido ao serem coleccionadas. Aqui, as esmeraldas não fazem parte de níveis de bónus, elas estão espalhadas pelos níveis e têm de ser encontradas (1 por zona). Mas isso não quer dizer que não existem níveis de bónus neste jogo, existem sim e são uns níveis bastante coloridos repletos de molas e outros obstáculos semelhantes às máquinas de “pinball”. Estes níveis servem para adquirir montes de anéis, vidas e continues.

Durante vários meses foi o único jogo que eu tive e já lhe perdi a conta das vezes que o acabei. Uma curiosidade é que o final do jogo nas suas versões cartucho e embutido na consola é ligeiramente diferente. Na versão cartucho, após a pontuação é mostrado este ecrã onde aparece uma imagem do Sonic a cantar. Ora, eu na minha inocência de criança, após terem-me dito que aparecia esse ecrã final cheguei a estar cerca de meia hora a olhar para o ecrã da pontuação a ver se isso acontecia…

Sonic 1 Credits
Ecrã final dos créditos

Concluindo, para quem gosta dos Sonic clássicos, as versões 8bit geralmente também são bastante boas e esta não é excepção. Peca apenas por uma jogabilidade mais lenta e com menos manobras “mirabolantes” que se encontram presentes noutras iterações da série, como Sonic 2 e Sonic Chaos. As músicas são muito boas (Yuzo Koshiro style). Este jogo encontra-se também disponível na Virtual Console da Nintendo Wii, e, na versão Game Gear, nalgumas compilações como Sonic Mega Collection Plus para Xbox e PS2, ou no Sonic Adventure DX para Gamecube.

Sega Master System III Compact (Portuguese Purple)

Inaugurando então este espaço, começo pelo item que muito provavelmente me é o mais querido.

É nada mais, nada menos do que a consola Sega Master System, a minha primeira consola (e única durante muitos anos). Recebi-a no Natal de 1996, presente dos meus avós maternos. Nessa altura eu andava a pedir a toda a gente que me oferecesse uma SEGA pelo Natal. Claro que a “finesse” seria ter uma Sega Saturn, um autêntico colosso (nessa altura ainda pouca importância se dava à Playstation por cá). Os meus pais iam-me oferecer uma Saturn nesse mesmo Natal, mas como os meus avós se anteciparam, eles lá acharam que era a mesma coisa e fiquei com a Master System. Fiquei um bocadinho frustrado quando soube, mas o que eu queria mesmo era uma Sega e esta ainda trazia o Sonic 1 na memória, para mim já era motivo de alegria.

MSIII pt - box
A minha MSIII - caixa
Master System III Compact
A minha MSIII - consola

Como vêm nesta foto esta edição não é uma edição normal, a caixa púrpura e o número “III” no nome da consola parecem algo fora do comum. Na verdade esta versão da consola é uma versão que foi lançada exclusivamente em Portugal, bem como uma série de jogos com a capa púrpura que mais tarde falarei nos mesmos. Para falar um pouco de como surgiu este modelo, vou fazer um pequeno resumo da história da Sega Master System no geral. Este artigo é bastante longo, pelo que se não quiserem ler a retrospectiva sobre a Master System e queiram ver directamente informações deste modelo, saltem para a segunda metade do artigo.

Como alguns fãs hardcore da Sega sabem, a Master System com o nome que a conhecemos foi lançada em 1986, mas o seu hardware já vem desde 1983, sofrendo várias mutações entretanto. Na verdade, o “avôzinho” da Master System chama-se SG1000, e foi a primeira consola alguma vez lançada pela Sega, em 1983 no Japão. Saiu no mesmo dia em que saiu uma outra consola de nome Family Computer, ou Nintendo Entertainment System, como seria mais tarde conhecida no ocidente (adivinhem quem ganhou a disputa).

Sega SG1000

Primeiro modelo SG1000

A SG1000 teve um sucesso moderado principalmente nalguns mercados da Ásia e Nova Zelândia. Ainda no ano de 1983, motivada pelo sucesso de computadores como MSX no Japão a SEGA decide lançar uma versão modificada da SG1000 de nome SC3000, um computador semelhante ao MSX,com retrocompatibilidade completa com os jogos da SG1000, bem como um editor BASIC e vários acessórios. Um add-on interessante tem o nome SF7000, contendo memória RAM extra, portas série e paralela, slot de disquetes de 3″. Este add-on permitiu a muitos programadores caseiros desenvolver os seus próprios jogos, gravando-os em disquetes de 3″ (diferentes das comuns 3.5″).

SC3000
SC3000
SF7000
SF7000

Infelizmente ainda hoje se tem alguma dificuldade em emular este sistema. A Sega desde cedo que teve a “mania” de lançar updates e add-ons para os seus sistemas, não foi apenas com a Mega CD e 32x. Após a SG1000, alguns modelos diferentes do SC3000, o add-on SF7000, em 1984 a SEGA lança uma nova versão da SG1000, de nome SG1000II ou “Mark II”. A nível de hardware é idêntica à SG1000 original, podendo correr todos os jogos dos sistemas anteriores (à excepção do BASIC e Music), tendo também lançado um teclado adicional para jogar as aplicações de SC3000 que requeressem teclado. Um outro add-on interessante foi o lançamento do Sega Card Catcher, que permitia às consolas da SEGA existentes lerem jogos num formato “cartão” +/- do mesmo tamanho de um cartão de crédito.

SG1000II
SG1000II ou Mark II
Card Game
Jogo em formato Card Game

Em 1985, é finalmente lançada no japão a primeira consola idêntica à Master System, de nome Sega Mark III. Esta consola tem um hardware mais avançado face às suas predecessoras e o Card Catcher estava agora embutido na consola, mantendo ainda a retrocompatibilidade com o software anterior.

Sega Mark III
Sega Mark III

A Nintendo FamiCom, foi lançada em 1985 no mercado americano, com um estrondoso sucesso (muito por culpa do jogo Super Mario Bros.), e a Sega  tenta entrar no mercado ocidental com um redesign da Sega Mark III, de nome Sega Master System (finalmente!!). A consola é idêntica à sua vertente japonesa, excepto no formato dos cartuchos. Como tal é fisicamente incompatível com o software japonês (Mark III e o legado SG1000/SC3000).

Master System
Primeiro modelo ocidental da Sega Master System
Comparação de cartuchos JAP/EUA/EUR
Comparação de cartuchos JAP/EUA/EUR

Um acessório interessante são os óculos 3D, que permitiram jogar alguns jogos com um efeito 3D, algo arcaico nos dias de hoje, mas um feito impressionante na segunda metade dos anos 80.

Em 1987, sai no Japão uma versão actualizada da Master System, com o chip FM embutido no sistema (permitia melhor som nalguns jogos). Esse chip foi também lançado como add-on para a anterior Mark III. Os ocidentais ficaram a ver navios…

A consola da Nintendo sempre teve um sucesso enorme na década de 80, quer no mercado japonês, quer no mercado ocidental. Isso deveu-se em grande parte a uma política monopolista por parte da Nintendo, em que as empresas que desenvolviam para a NES/Famicom eram obrigadas a lançarem os seus jogos em exclusivo para a consola da Nintendo, sendo que cada jogo permaneceria exclusivo num periodo de 3 anos. Todos os jogos que sairam no Japão e EUA para a Master System foram programados pela Sega, à excepção de 2 jogos no Japão que sairam pela Tecmo, e uns quantos no Ocidente, programados pela Activision e Parker Bros. Esta política monopolista da Nintendo, aliada a um mau marketing da Master System nos USA, a consola nunca teve a atenção devida e foi um flop comercial. Aliás, no Japão assim o foi desde 1983… em 1989 a Sega deixa de dar suporte à consola no Japão.

Contudo na Europa a consola sempre teve um grande sucesso, visto a NES não ter sido bem comercializada nalguns países. Ainda assim, nos anos 80 jogava-se muito por cá em computadores como o ZX-Spectrum ou o Commodore 64. Com a chegada da Mega Drive em 1990, o interesse dos gamers voltou-se novamente para as consolas em grande força, a Master System só teve a ganhar com isso. Nos EUA a Sega Genesis (Mega Drive americana) também teve um grande sucesso inicial, pelo que a Sega volta a apostar na Master System. Lançaram em todo o mercado Ocidental uma nova versão da consola intitulada Sega Master System II. É o design que se calhar os jogadores portugueses mais se familiarizam. Infelizmente com esta nova versão a Sega decide cortar várias features do sistema original de modo a embaratecer a produção. Foi-se o suporte a Card Games, consequentemente foi-se o suporte a jogos 3D (visto que os óculos usavam esta porta). Este modelo voltou a não ter sucesso nos EUA, pelo que a Sega em 1992 descontinuava oficialmente a Master System no mercado norte-americano.

Sega Master System II
Sega Master System II

Como referi anteriormente, na Europa foi um grande sucesso. Graças à Mega Drive, a SEGA alcançou acordos com várias produtoras ocidentais, sendo lançados imensos jogos para a Master System pela Electronic Arts, Virgin, Acclaim, Domark, etc. A Master System aguentou-se bem na Europa até ao lançamento da Sega Saturn em 1995.

Ora, a Europa não foi o mercado de maior sucesso da Master System, mas sim o Brasil. A Master System foi lançada por lá através da Tec-Toy atingido um enorme sucesso. Durante anos foram feitos alguns jogos em exclusivo para o mercado brasileiro, sejam adaptações de jogos originais (Wonder Boy transformado na personagem de BD “Mônica”, por exemplo), como conversões de jogos da Game Gear (Virtua Fighter Animation, Mortal Kombat 3, FIFA, Sonic Blast…) conversões inteiramente novas, como o Street Fighter 2 ou alguns jogos rigorosamente novos. Alguns destes itens são dos mais procurados pelos coleccionadores hoje em dia.

A nível de hardware também houve muita variedade nesse mercado em particular, contudo há uma ou outra confusão com os primeiros modelos. A Master System II de lá, é na verdade um repack da Master System 1 original com o jogo Alex Kidd in Miracle World. Quando o redesign Master System II foi lançado por lá, teve de ser chamado Master System III. Ao longo dos anos 90 (e mesmo neste novo milénio) foram lançadas exclusivamente no Brasil várias novas versões da Master System, umas semi portáteis, outras com vários jogos na memória, etc. Actualmente é vendido no site da Tec-toy um modelo de nome Master System Evolution com 132 jogos embutidos.

Bem, após esta longa “introdução”, voltamos então para o assunto inicial isto é, o modelo da minha colecção. Esta Master System é na verdade uma adaptação da Master System III Compact lançada originalmente no mercado brasileiro. É uma adaptação a cargo da Ecofilmes, distribuidora oficial das consolas Sega em Portugal. O modelo Português não é exactamente igual ao Brasileiro. Para além da diferente caixa, o modelo Brasileiro tem a fonte interna, enquanto que o Português tem a fonte externa, idêntica à da Master System I/II e Mega Drive I.

MSIII Compact
Caixa original da MSIII Compact com Sonic 1 na memória
MSIII compact v2
Segunda caixa da mesma consola, ainda no mercado Brasileiro
MSIII pt - box
Novamente a minha caixa da edição portuguesa deste modelo

Com esta consola com uma caixa púrpura, foram também relançados em Portugal alguns jogos com uma caixa igualmente em tons de roxo, tendo sido anteriormente lançados em caixas “brancas” idênticas às restantes europeias. Foram também lançadas adaptações de alguns jogos da Tec Toy, nomeadamente os outrora exclusivos Sapo Xulé SOS Lagoa Poluída, GameBox: Série Esportes (aqui intitulada apenas Gamebox, contudo os nomes dos jogos na colectânea continuam os brasileiros – Super Futebol II em vez de World Cup Italia ’90 por exemplo).

Porque é que a Ecofilmes se decidiu a lançar toda esta colecção Master System em 1995, quando a Mega Drive estava em toda a força por cá e a Saturn a dar os primeiros passos, eu não sei. Mas ainda bem que o fizeram.

Meus caros, se alguns de vós possuirem este modelo, ainda com caixa, devo-vos dizer que possuem um dos modelos da Master System com maior procura pelos coleccionadores estrangeiros.

Se estiverem curiosos, aqui fica uma lista do software “Portuguese Purple”, como é conhecido lá fora:

Asterix and the Great Rescue
Bart Vs The Space Mutants
Cheese Catastrophe
Desert Speedtrap
Game Box (Great Volley, Super Futebol II, Wimbledon)
Indiana Jones e a Ultima Cruzada
Jurassic Park
The Jungle Book
The Lion king
My Hero
Road Rash
Sapo Xule: S.O.S. Lagoa Poluida
Sonic Spinball
Spiderman: Return of the Sinister Six
Transbot

A parte de trás da caixa da Master System III revela ainda um outro jogo:

“Taz in Escape From Mars”. Esta é uma das conversões exclusivas de software da Game Gear para o mercado brasileiro. Embora o jogo esteja aí listado, até hoje ninguém sabe ao certo da sua existência nas edições Portuguesas. Se algum de vocês o possui, entre em contacto comigo 😉

Caixa traseira MSIII
Parte traseira da minha caixa da Master System. Contém todas as Purple Releases conhecidas.

A Sega Master System, é assim na minha opinião uma das consolas mais fascinantes que já foram produzidas. É um paraíso para os coleccionadores, com imensas versões de hardware e software disponíveis no mercado. Ainda hoje se descobrem novas coisas, principalmente nos mercados obscuros da Coreia do Sul, de Taiwan e Hong-Kong.

Mais informação das “Purple Releases”:

http://Segacollect.blogspot.com/2008/09/portuguese-purple-releases.html

Informação do software e hardware da Master System no geral:

SG-1000
SC-3000
SG1000-II
Mark III
Card Games
Master System
Tectoy / Master System