Dynamite Headdy (Sega Mega Drive)

Dynamite HeaddyDe todos os jogos da excelente Treasure, este é porventura aquele mais comum de se encontrar por estas bandas. E não deixa de ser um óptimo jogo, repleto de acção e algumas bizarrices tipicamente japonesas, bem como eu gosto. O protagonista é o Headdy, uma marioneta cuja habilidade é a capacidade de trocar de cabeça, com cada cabeça a servir de power up distinto. É um jogo excelente e desafiante quanto baste! O meu exemplar foi comprado há uns meses atrás num bundle de vários jogos de Mega Drive, tendo-me ficado por cerca de 5€.

Dynamite Headdy - Sega Mega Drive
Jogo com caixa e manual multilingue

A história deste jogo é algo confusa, pois infelizmente a versão ocidental foi bastante modificada face à original nipónica. Uma dessas alterações foi precisamente a remoção de todo o diálogo, o que faz com que deixemos de saber muito bem o que andamos para ali a fazer. Tudo o que entendemos sem os diálogos é que os backgrounds parecem feitos de cartão o que indica estarmos numa peça teatral, o que é algo que se vai confirmando ao longo de todo o jogo, temos um gato chamado Trouble Bruin que nos está constantemente a atacar, enfiado nos seus robots gigantes e parece que teremos de enfrentar no fim uma espécie de imperador maléfico, para resgatar uma “headdy fêmea“. Se jogarmos a versão japonesa (felizmente existe um patch de tradução para inglês) então já dá para entender um pouco melhor o que se está a passar.

O nível de bónus consiste em acertar com algumas bolas de basquetebol num dos cestos que circulm pelo ecrã. No fim é-nos galardoado um número para um PIN que nos desbloqueia o final secreto
O nível de bónus consiste em acertar com algumas bolas de basquetebol num dos cestos que circulm pelo ecrã. No fim é-nos galardoado um número para um PIN que nos desbloqueia o final secreto

Mas Dynamite Headdy é acima de tudo um jogo de acção, e isso é o que não falta por cá. Se gostaram de Gunstar Heroes, aqui é dado um maior foco ao platforming, mas bosses, criaturas gigantescas e níveis bizarros é coisa que não falta. As habilidade de Headdy fazem lembrar de certa forma o Ristar, que lançava as suas mãos para agarrar objectos e atacar inimigos. Headdy faz o mesmo com a cabeça, inclusivamente para subir em plataformas. Os power ups que vamos encontrando conferem então outras habilidades a Headdy, como a possibilidade de escalar paredes, “disparar” 3 cabeças em diferentes direcções (o spread shot de Contra, por exemplo), outro com “rapid fire”, outro que é essencialmente um escudo de fogo, outro que nos deixa bastante pequenos, sendo possível esgueirar por passagens estreitas entre vários outros, como uma bomba capaz de causar dano a tudo no ecrã, ou parar o tempo para os inimigos durante alguns segundos ou mesmo dar-nos invencibilidade temporária.

Este foi um dos bosses modificados na versão ocidental. É pena, a boneca de porcelana era muito melhor com aqueles olhos creepy
Este foi um dos bosses modificados na versão ocidental. É pena, a boneca de porcelana era muito melhor com aqueles olhos creepy

O design dos níveis e dos bosses é algo que a Treasure sempre nos habituou bem e neste Dynamite Headdy as coisas não são diferentes. Tudo para além de estar bem detalhado (e as referências teatrais serem uma constante), os próprios níveis vão sendo algo diversificados, com a segunda zona a apresentar rotações de plataformas tecnicamente impressionantes para uma Mega Drive, ou mesmo aquele capítulo onde o jogo se torna num shmup só mesmo porque sim. Os bosses como sempre são bastante originais e bizarros, embora infelizmente alguns tenham sido modificados desde a versão japonesa. As músicas são bastante catchy e viciantes também! Em suma, mais um excelente jogo da Mega Drive e felizmente é um daqueles que se pode encontrar razoalvelmente bem. Recomendado!

Virtual Hydlide (Sega Saturn)

Virtual HydlideNa PUSHSTART nº 59 (quarta revista nossa em edição física), contribuí com uma análise a um jogo algo obscuro e peculiar do catálogo da Sega Saturn, o Virtual Hydlide. Apesar de ser a última iteração de uma das mais antigas séries de RPGs japoneses, a mesma sempre passou debaixo do radar de nós ocidentais, mas também verdade seja dita, pelo menos os Hydlides que chegaram cá ao ocidente sempre foram algo medianos. Apesar de não poder partilhar para já o artigo na íntegra, eventualmente, se algum dia disponibilizarmos o material exclusivo da edição de papel para o site, este artigo será actualizado. Entretanto o meu exemplar foi comprado a um particular por 6€, já há uns valentes meses atrás.

Jogo com caixa
Jogo com caixa

Essencialmente, o que foi dito deste jogo é que é um RPG com algumas mecânicas de jogo bem old-school e que sinceramente até nem me desagradam, no seu conceito, mas a jogabilidade e principalmente os visuais que tentam ser foto realistas com sprites digitalizadas num mundo em 3D é que deixaram bastante a desejar.

 

Empire of Steel (Sega Mega Drive)

Empire of SteelContinuando pelas rapidinhas, vou agora escrever um breve artigo de um shmup bem interessante para a Mega Drive, quanto mais não seja pela sua temática e apresentação visual como um todo. Estou a referir-me ao Empire of Steel, originalmente desenvolvido pela japonesa Hot-B e publicado no ocidente pela Flying Edge, subsidiária da Acclaim especializada na publicação de jogos em consolas da Sega. O meu exemplar veio há uns meses atrás da Cash Converters de Alfragide, estando completo e em bom estado. Não me lembro ao certo de quanto custou, mas creio que terá sido algo entre os 8 e os 12€.

Empire of Steel - Sega Mega Drive
Jogo completo com manuais e caixa. Já disse que sempre gostei desta capa?

Em Empire of Steel, uma vez mais somos o último recurso para libertar uma grande população de um imperador tirano. A piada está em todo o setting steampunk que prepararam e a forma como as cutscenes de abertura e de briefing de cada missão são apresentadas. Estas últimas são apresentadas como um filme do início do século XX, finais do século XIX se tratasse, em sepia, e com um framerate propositadamente baixo. Os visuais em si levam-nos a um mundo repleto de alta tecnologia algo primitiva, com montes de máquinas a vapor, balões, ou enormes zeppelins que acabam também por servir de bosses.

Motorhead empire? Mas eu não quero lutar contra o Motorhead empire! Porque não lhe chamaram Ana Malhoa Empire ou algo do género?
Motorhead empire? Mas eu não quero lutar contra o Motorhead empire! Porque não lhe chamaram Ana Malhoa Empire ou algo do género?

Entre cada nível (excepto na recta final onde os níveis são passados todos a seguir uns aos outros) temos a hipótese de escolher um de dois diferentes veículos para jogar. Uma pequena avioneta, bastante veloz mas mais susceptível ao dano que pode receber, ou um zeppelin maiorzinho, mais lento, mas com uma armadura melhor. A jogabilidade é também interessante, pois apesar do jogo ser em scrolling contínuo (que pode ser em várias direcções ou velocidades consoante o nível em questão), temos a liberdade de disparar para a esquerda ou direita (botões B ou C respectivamente). O A fica para as habituais Super Bombs, capazes de infligir dano em todos os oponentes no ecrã. Os outros power ups podem consistir em vidas extra, regeneração de parte da nossa barra de energia, pequenas naves adicionais que nos auxiliam no poder de fogo, ou pontos de experiência que fazem as nossas armas principais subirem de nível e ficarem mais poderosas.

Nesta parte do jogo vamos literamente andar às cabeçadas se não tivermos reflexos rápidos
Nesta parte do jogo vamos literamente andar às cabeçadas se não tivermos reflexos rápidos

Graficamente, conforme já referido, é um jogo interessante pela temática steampunk industrial que a Hot-B conseguiu introduzir. Os backgrounds são simples, mas gostei particularmente dos céus avermelhados do terceiro nível, Sky District Zektor. A música é também algo fora do comum e agradou-me bastante. Mas infelizmente, aqui e ali (mais vezes do que gostaria) é notório algum slowdown, que de certa forma até pode ajudar a desviar melhor do fogo inimigo. Parece que não conseguiram aproveitar todo o blast processing da Mega Drive!

Concluindo, acho este um jogo bastante interessante e desafiante quanto baste para qualquer fã de shmups que se preze. O que não fazia a mínima ideia é que aparentemente o jogo foi posteriormente convertido para a Gameboy Advance e inclusivamente trazido para mais tarde para a  3DS em algumas regiões. Estou genuinamente curioso em ir cuscar como estas versões mais recentes se comportam!

Dynamite Dux (Sega Master System)

Dynamite DuxA rapidinha de hoje leva-me de volta a uma das minhas consolas preferidas, a Sega Master System. E o jogo que cá trago hoje é mais uma adaptação de um jogo arcade da Sega, lançado durante os anos 80, curiosamente pelo estúdio AM2, de Yu Suzuki que também nos trouxe clássicos como Out Run, Hang On, Virtua Fighter ou Shenmue. Naturalmente a versão Master System é bastante inferior ao original, mas não deixa de ser uma adaptação interessante. O meu exemplar foi comprado a um particular por algo entre os 8 e os 10€, sinceramente já não me recordo bem.

Dynamite Dux - Sega Master System
Jogo em caixa

Na verdade isto é um beat ‘em up que se resume ao cliché do costume: A nossa namorada é raptada por um vilão qualquer e teremos de andar a distribuir pancada em tudo o que se mexa até a resgatarmos. Mas felizmente a Sega fugiu um pouco a esse cliché numa série de coisas. Em primeiro lugar, o nosso protagonista é transformado num pato azul, os inimigos que enfrentamos são completamente doidos e bizarros e para além de distribuirmos pancada podemos também apanhar algumas armas e usá-las à vontade, como metralhadoras, bombas ou até bazucas que dão um jeitaço. Infelizmente para nós, a partir de um certo nível os nossos inimigos também as usam, pelo que atacar de longe pela calada deixa de ser uma opção. No final de cada nível temos também de enfrentar um boss, como não poderia deixar de ser. Estes bosses geralmente estão divididos em diferentes partes desconexas que podem ser atacadas individualmente e eventualmente desaparecem, ou então podemo-nos focar logo em atacar “a cabeça” sendo que corremos mais riscos em sofrer dano.

Os inimigos são bastante bizarros e originais
Os inimigos são bastante bizarros e originais

O maio defeito é talvez o facto de não ser um jogo muito difícil, principalmente se tirarmos vantagem das armas que podemos apanhar. Bin (a nossa personagem na forma de pato) tem uma barra de energia generosa o suficiente para podermos sofrer algum dano e apesar de termos apenas 3 vidas, podemos sempre continuar no início do nível em que estamos, caso as esgotemos. O outro defeito notável é a falta de um modo multiplayer cooperativo, como existe no original de arcade.

A nível de audiovisuais acho que é um jogo excelente, muito colorido, com inimigos bem originais e bizarros e cenários variados e bem detalhados que tanto nos lembram o Japão feudal, os subúrbios de cidades modernas ou outras zonas mais rurais. Mas claro que se compararmos esta versão com a original arcade, que corre na placa System 16, largamente superior às capacidades da Master System e até algo superior à própria Mega Drive, então claro, esta versão fica muito aquém. As músicas também achei bastante boas, embora este seja um daqueles jogos que, algures escondido no seu código na ROM, possui músicas que usam o FM-Unit que oficialmente nunca saiu fora do Japão. E essas músicas têm ainda muito mais qualidade.

Os bosses estão divididos entre "cabeça" e outras partes do corpo desconexas
Os bosses estão divididos entre “cabeça” e outras partes do corpo desconexas

Em suma, este Dynamite Dux acaba por ser um jogo muito interessante, e o legado de Bin the Duck não foi esquecido pela Sega. A personagem Bean the Dynamite do Sonic the Fighters é inspirada nesta e no próprio Fighters Megamix para a Sega Saturn também o podemos desbloquear.

 

Strider Returns (Sega Game Gear)

Strider ReturnsNão, este não é o excelente e difícil Strider 2 da Capcom que acabou por sair para a Playstation. Algures na primeira metade da década de 90 a U.S. Gold detinha os direitos da série no ocidente, pelo que decidiram tomar a liberdade de desenvolver eles mesmos uma sequela não oficial. E sendo a U.S. Gold um estúdio britânico, então acabaram por ser lançadas versões para todas as consolas da Sega no mercado, bem como os computadores mais populares por estas bandas, desde os velhinhos C64 e ZX Spectrum até ao Amiga e PC. Joguei bastante isto na minha infância, a versão de Master System, que tinha sido emprestada por um colega de turma lá na escola. Eventualmente chegou o cartucho da Game Gear às minhas mãos que é essencialmente o mesmo jogo e depois lá o encontrei completo na Cash Converters de São Sebastião em Lisboa por 12€ e acabei por trazer.

Jogo completo com caixa, manuais e papelada
Jogo completo com caixa, manuais e papelada

E este Strider Returns é também um jogo difícil como os restantes da série, mas infelizmente não pelas melhores razões. O original da arcade e a sua sequela verdadeira são jogos difíceis como lixo, mas a sua jogabilidade é óptima e é apenas a nossa perícia que é posta à prova. Aqui infelizmente já não é tanto assim, já que a jogabilidade deixa um pouco a desejar (não é um jogo tão fluído assim) e o design no geral também não é o melhor. Há inimigos que é impossível não receber dano (como umas máquinas que atiram com bombas em várias direcções de uma rajada só) ou outros que explodem vindos do nada. Felizmente temos uma barra de vida que nos permite levar com algum dano, bem como há vários power ups a apanhar, incluindo uns que nos regeneram vida. Mas também não podemos perder tanto tempo assim a explorar os níveis já que temos um tempo limite para os completar e não é lá muito longo. De resto, o herói (que não é o Hyriu mas sim um tal de Hinjo cuja missão é a de resgatar uma princesa do vilão do costume) possui na mesma as habilidades atléticas do seu predecessor, como os saltos mortais e os ataques de espada com um alcance considerável. É também possível escalar algumas superfícies e temos à nossa disposição um número ilimitado de shurikens.

O protagonista continua acrobático, pena que no geral o design deixe um pouco a desejar
O protagonista continua acrobático, pena que no geral o design deixe um pouco a desejar

No que diz respeito aos audiovisuais, a versão Mega Drive é naturalmente superior às versões Master System/Game Gear. Ainda assim não posso dizer que os gráficos sejam maus de todo a nível de detalhe em si, apenas acho que o design dos níveis e da maioria dos inimigos que são meramente máquinas genéricas é que poderiam ser melhores. Naturalmente também que a versão Game Gear sai um pouco prejudicada pela resolução de ecrã ser menor. As músicas, poucas, são também bastante repetitivas.

De vez em quando lá temos pequenas cutscenes destas
De vez em quando lá temos pequenas cutscenes destas

Mas ainda assim, com todos os seus defeitos, não consigo dizer que este Strider Returns seja um jogo péssimo. É uma desilusão simplesmente pelos originais da Capcom serem estupidamente bons.