Eliminate Down (Sega Mega Drive)

Vamos voltar agora para a Mega Drive para um excelente título no seu catálogo e que até há bem pouco tempo apenas estava disponível para as “elites” do coleccionismo, pois é um jogo exclusivo japonês (e coreano também, na verdade) mas a um preço demasiado alto. Eis que este ano a retro-bit relançou-o pelo que acabou por ficar disponível a um preço bem mais em conta, pelo menos para quem o conseguiu encomendar, o que foi o meu caso, tendo o meu exemplar me chegado às mãos algures em Julho deste ano.

Jogo com sleeve exterior, caixa e manual. Excelente qualidade como é habitual na retro-bit.

E este jogo é um shmup horizontal desenvolvido pela Aprinet, um pequeno estúdio nipónico bastante obscuro e há muito tempo fora destas lides. Na verdade até já cá tinha trazido um jogo do seu cardápio, o Nakajima Satoru Super F-1 Hero, que na verdade nada tem a ver com o género deste jogo. Os controlos aqui são simples, com o botão B a servir para disparar (podemos activar também um modo rapid-fire) e os botões A e C a servirem para circular as diferentes armas que temos equipadas. Faz lembrar as mecânicas do Hellfire, de certa forma. A nossa nave está então equipada com diversas armas logo de início, uma que foca o poder de fogo frontal, outra que dispara projécteis à nossa retaguarda (e suas diagonais) e uma outra que dispara mísseis nas 4 diagonais, sendo que esses mísseis seguem as superfícies assim que entram em contacto com as mesmas. Com inimigos e obstáculos a surgirem de todas as direcções, é então esperado que rodemos estas diferentes armas regularmente, o que é mais fácil dito que feito, naturalmente.

Eliminate Down é um shmup horizontal bem desafiante, mas igualmente repleto de acção

De resto, independentemente de qual a arma que temos equipada no momento, a nossa nave dispara sempre uns pequenos projécteis para a frente também. E como não poderia deixar de ser temos também toda uma série de power ups a ter em conta. Os do tipo P aumentam o poder de fogo das nossas armas “especiais”, enquanto os do tipo E melhoram a arma que está constantemente equipada. Por fim temos também itens do tipo B, bem mais raros e que são na verdade escudos capazes de absorver algum dano. E como seria de esperar, o jogo vai-se tornando bastante desafiante, com inúmeros inimigos a surgirem no ecrã vindos de várias direcções, com ataques rápidos e agressivos, assim como outros ocasionais obstáculos que teremos de ultrapassar. Felizmente ao perder uma vida recomeçamos imediatamente no mesmo sítio, com a penalização de perder algum do poder de fogo amealhado. Já se precisarmos de gastar um continue, então somos convidados a jogar o mesmo nível de novo.

Se há coisa que não falta aqui são bosses e mid bosses

A nível audiovisual este é um jogo excelente e foi então uma boa surpresa. Apesar de os níveis não apresentarem cenários originais (espaço, cavernas, estações espaciais gigantes ou aqueles níveis mais orgânicos à lá R-Type), estão repletos de momentos bonitos, como aquele em que voamos à superfície de um planeta, logo na recta final do primeiro nível. Os inimigos vão sendo também bastante variados e os bosses são particularmente grandes e bem detalhados! Nada de especial a apontar aos efeitos sonoros que cumprem o seu papel, já a banda sonora também foi bastante do meu agrado. Estão a ver a banda sonora pesada do Thunder Force IV? É no mesmo espírito, embora tenha ocasionalmente alguns momentos mais calmos e nada descabidos.

O jogo está repleto de bonitos momentos visuais, pena que não vamos poder prestar muita atenção!

Portanto este Eliminate Down acabou por se revelar uma óptima surpresa e agora é insistir com a retro-bit para que consiga fazer o mesmo com outros títulos raros ou em grande demanda da Mega Drive como é o caso do MUSHA, já que a M2 conseguiu ficar com os direitos da série Aleste.

Puggsy (Sega Mega CD)

Tempo de voltar às rapidinhas para um jogo de Mega CD que apesar de ser um jogo bastante interessante e me despertar um grande sentimento de nostalgia por ser um jogo que joguei bastante com amigos meus na minha infância, na verdade já cá trouxe no passado a versão Mega Drive, a tal que já havia jogado na minha infância/adolescência. Assim sendo, este artigo irá-se focar principalmente nas diferenças que esta versão traz. O meu exemplar foi-me trazido do reino unido por um amigo meu algures no passado mês de Dezembro, tendo-me custado menos de 30 libras.

Jogo com caixa e manual embutido com a capa.

Como já referi na versão de Mega Drive, este Puggsy é um muito interessante puzzle platformer, onde ao longo de dezenas de níveis teremos de procurar a saída dos mesmos, sendo que para isso deveremos interagir com muitos dos itens que poderemos vir a encontrar. Desde soluções simples como construir escadinhas com os objectos uns em cima dos outros, passando por puzzles bem mais complexos e inteligentes onde teremos de utilizar as habilidades inerentes desses objectos, bem como interagir com alavancas, interruptores, e muitos outros. Puzzles que utilizem o sistema de física deste jogo podem também ser encontrados e tal como na versão Mega Drive existem inúmeras saídas secundárias que nos levam a níveis extra e que poderemos descobrir se assim o desejarmos.

Uma das principais novidades desta versão é a inclusão de novos bosses

O que traz então esta versão Mega CD de diferente? Nos controlos temos uma novidade muito bem-vinda: aqui deixa de ser necessário carregar para baixo depois de saltar, quando quisermos atacar um inimigo ao saltar para cima deles. Basta apenas saltar! Temos também aqui presente um novo modo de jogo, o Time Trial, onde o objectivo é o de derrotar os bosses no menor tempo possível. De resto, contem com alguns bosses novos e exclusivos desta versão, assim como músicas em formato CD Audio e várias cut-scenes em CGI ao longo de todo o jogo. Um dos novos bosses inclusivamente é todo ele uma cut-scene em CGI em plano de fundo. Naturalmente que a qualidade desses full motion videos não é a melhor, mas para um sistema com as limitações da Mega CD nesse campo, e para um jogo de 1993, nem ficaram nada más. A banda sonora é também bastante eclética nos seus géneros musicais e bastante agradável de se ouvir no geral.

A outra são as várias cut-scenes em CGI e a banda sonora em CD audio!

Em suma, o Puggsy é um jogo bastante interessante como um todo e esta versão Mega CD é de facto a versão definitiva do mesmo, por todo o conteúdo extra aqui presente, e os controlos ligeiramente mais simplificados também são um ponto a seu favor. Ainda assim, para quem já tiver servido da versão Mega Drive, a menos que apanhem uma boa oportunidade com a versão Mega CD, o conteúdo extra não justifica o preço (bem) mais caro de hoje em dia desta versão CD.

Striker (Sega Mega Drive)

Vamos voltar às rapidinhas para um jogo de futebol na Mega Drive, desta vez com o Striker dos britânicos da Rage Software. A série Striker é bastante confusa de documentar, devido aos vários jogos que foram saído durante os anos 90, muitos deles com nomes semelhantes mas sendo jogos bastante distintos entre si. O lançamento original é o do Commodore Amiga em 1992 e na Super Nintendo o jogo é também conhecido por vários nomes, incluindo o Eric Cantona Football Challenge, ou o World Cup Striker, uma sequela. Nos sistemas da Sega, o Ultimate Soccer é também uma adaptação do Striker e por fim, em 1995, tivemos um novo jogo chamado de… Striker! Confusos? O meu exemplar veio de uma CeX por 10€ algures no mês passado.

Jogo com caixa e manual

No que diz respeito aos controlos estes são simples, com o botão A a servir para rematar (podendo ainda direccionar o remate com efeitos de after touch recorrendo ao direccional) e os botões B e C servem para fazer diferentes tipos de passe. Se não estivermos em controlo da bola, o botão C serve para rasteirar o adversário. Se usarmos um comando de 6 botões, o X Y e Z servem para alternar entre 3 diferentes câmaras de jogo: uma perspectiva algo oblíqua, quase 3D, uma perspectiva vista de cima à lá Sensible Soccer ou outra lateral. Com o comando de 3 botões também podemos alternar entre estas câmaras ao pressionar o botão Start e o A, B ou C em simultâneo. Já no que diz respeito aos modos de jogo, como é habitual temos vários, mas também como é habitual nos jogos de futebol da Rage, todos esses modos de jogo (e não só) estão representados como ícones, o que nem sempre é fácil de entender. Podemos então jogar partidas amigáveis, campeonatos, torneios, pontapés de penálti ou customizar as equipas aqui presentes. São centenas de equipas aqui presentes, incluindo as da primeira divisão do campeonato português, mas como o jogo não tem qualquer licenciamento, os nomes dos clubes e seus jogadores estão algo adulterados. Infelizmente, pelo menos nas equipas portuguesas, os uniformes também não têm nada a ver com a realidade. De resto a jogabilidade até que é bastante fluída e agradável de se jogar e temos muitas possibilidades de customização nas opções, desde a severidade dos critérios de arbitragem, tipo de relvado ou até condições metereológicas. Mas uma vez mais, tudo através de ícones, o que nem sempre é simples de entender.

Como é habitual nos jogos de futebol da Rage, todas as opções são representadas por ícones, o que se por um lado é bonito, por outro nem sempre é fácil de entender o que significam.

A nível audiovisual sinceramente acho este jogo bem competente, a perspectiva oblíqua, característica de jogos de futebol da Super Nintendo devido ao efeito mode 7, está aqui bem representada e independentemente da perspectiva utilizada, a acção é sempre fluída, o que é bom. Os gráficos são coloridos e com alguns detalhes interessantes, como é o caso das animações das faltas: sempre que uma é assinalada pelo árbitro, surge no canto inferior esquerdo do ecrã um retrato da equipa, com um círculo assinalado sobre o jogador que cometeu a falta! De resto a nível de som este é também um jogo competente, com as partidas a resumirem-se ao ruído e cânticos do público, bem como os sons da bola a ser pontapeada de um lado para o outro. As músicas são agradáveis, mas apenas as ouvimos nos menus entre partidas.

A perspectiva oblíqua até que resulta bastante bem e o jogo é visualmente bem apelativo.

Portanto este Striker para a Mega Drive é um jogo de futebol bastante sólido até, com uma boa jogabilidade, fluidez de jogo, muitas equipas disponíveis sendo que poderemos customizar até um máximo de 64 equipas, tornando-as mais próximas (ou não) da realidade.

Taz-Mania (Sega Game Gear)

A versão Mega Drive do Taz-Mania foi um dos primeiros jogos que joguei em emulação algures antes da viragem do milénio. Não é um platformer incrível mas dava para divertir e a Sega acabou por lançar versões para os seus 3 principais sistemas da época, com a particularidade de serem todas diferentes entre si. A versão Master System mantém muitas das mecânicas de jogo a troco de visuais bastante inferiores e depois temos esta versão Game Gear, que consegue ser ainda pior na minha opinião. O meu exemplar foi-me vendido por um amigo meu por cerca de 5€ algures no mês passado.

Jogo com caixa e manual

Ora bem, de relance a história e mecânicas de jogo são muito similares entre si, pois o objectivo é o de encontrar um ovo gigante e a nível de controlos temos um botão para saltar e um outro para rodopiar. No entanto rapidamente nos apercebemos que há aqui várias mecânicas distintas das outras versões. O botão 2 salta, enquanto que o botão 1 serve para rodopiarmos, mas devemos pressionar o mesmo botão para deixar de rodopiar. Para além disso, sempre que rodopiamos vamos perder alguma vida com o tempo e, apesar de sermos invencíveis contra dano de inimigos enquanto rodopiamos, o facto de perdermos vida constantemente enquanto o fazemos derrota o propósito da mecânica. Causar dano nos inimigos é feito ao saltar-lhes em cima e podemos usar os rodopios para aumentar o nosso alcance, se bem que temos de estar atentos à nossa barra de vida uma vez mais e ir comendo todos os itens de comida que eventualmente iremos encontrar. Os controlos para os saltos são infelizmente bastante maus também!

A frustração começa logo no primeiro nível, ao descobrir que rodopiar nos custa vida.

O jogo possui no entanto alguma variedade na sua jogabilidade. Temos muitos níveis em que estamos a ser perseguidos por alguma coisa ou alguém e o objectivo é apenas o de chegar ao fim do nível em segurança. O segundo nível é a adaptação de Game Gear do nível do minecart da versão Mega Drive e é uma vez mais uma questão de memorizar os caminhos seguros e os obstáculos. O quinto nível é o único com um confronto contra um boss (se bem que com mais controlos como sempre) e o nível seguinte é um nível onde Taz rouba penas a um kiwi e temos de atravessar uma série de obstáculos num nível 100% aéreo, onde precisamos de pressionar o botão 2 constantemente para Taz bater as suas “asas”. O problema? Claro, isto faz-nos perder vida, pelo que temos de ter em atenção às pequenas nuvens amarelas que nos fazem regenerar a nossa barra de vida.

Sim, o nível das minas está também nesta versão

A nível audiovisual este é outro jogo bastante fraco. Por um lado tem gráficos melhores que a versão Master System (o que por si só não é dizer muito), por outro lado a performance do jogo é atroz. Já no que diz respeito ao som… bom, nem sei o que dizer aqui. É de longe o jogo com pior banda sonora que já joguei tanto numa Game Gear como na Master System (ambos os sistemas partilham do mesmo chip de som). É tão mau que no ecrã de créditos ninguém toma crédito por isso, mas não há como fugir que terá sido a própria NuFX.

Portanto esta versão Game Gear do Taz-Mania é um jogo francamente mau que recomendo apenas aos mais ávidos coleccionadores. Nenhum das versões da Sega é incrível, mas a versão Mega Drive é de longe a melhor. A versão Master System (curiosamente desenvolvida a pedido da Sega Japan para o mercado Europeu) acaba por ser bem melhor que esta versão portátil e a Sega of America, depois de ter visto isto, deveria ter tido alguma vergonha na cara e ou adiar este lançamento até ficar mais polido, ou simplesmente reaproveitar a versão Master System, que seria uma conversão consideravelmente simples de fazer e o desastre não seria tão mau.

Ms. Pac-Man (Sega Mega Drive)

Vamos continuar pelas rapidinhas, desta vez com a Mega Drive para a conversão deste sistema do Ms. Pac-Man, um jogo originalmente desenvolvido pela Midway (que detinha os direitos do Pac-Man nos Estados Unidos) à revelia da própria Namco (criadora do Pac-Man), sendo que esta acabou mais tarde por comprar os direitos deste Ms. Pac-Man e até acabaram eles mesmo por desenvolver algumas das suas conversões. Um bom exemplo disso é precisamente este lançamento europeu para a Mega Drive. As versões Master System e Genesis foram lançadas pela Tengen em 1991, enquanto que a versão europeia da MD já sai na Europa só em 1995, já com a Namco como referência. E a razão pela qual este artigo é uma rapidinha é porque já cá trouxe no passado uma breve análise à versão Master System, que por sua vez é bastante competente. O meu exemplar veio de uma CeX no passado mês de Julho, estando em muito bom estado.

Jogo com caixa e manuais

Tal como na versão Master System, aqui dispomos de vários modos de jogo, desde o tradicional de 1 jogador, 2 jogadores alternados ou 2 jogadores em simultâneo, que pode ser jogado tanto de forma competitiva como cooperativa. Também tal como na versão Master System, este Ms. Pac-Man tem a opção de activarmos o Pac-Booster que nos permite andar pelos labirintos a altas velocidades. De resto, o objectivo é o mesmo de sempre, percorrer os labirintos e comer todos os círculos que por lá estão espalhados, enquanto fugimos de uma série de fantasmas coloridos que nos perseguem. Os círculos maiores quando comidos enfraquecem os fantasmas durante alguns segundos, sendo que poderemos aproveitar esse tempo para os devorar para amealhar mais pontos. Ocasionalmente vão surgindo vários outros itens como diferentes frutos e outras comidas que podem também ser apanhados para obter mais pontos. Para além dos labirintos disponíveis no modo arcade, o jogo possui também outros conjuntos de níveis como labirintos mais pequenos sem scrolling vertical, outros bem maiores e os labirintos “strange” que possuem por vezes padrões de labirinto mais incomuns.

Estas versões da Tengen são mais que meras conversões e acrescentam alguns novos modos de jogo e labirintos

De resto a nível audiovisual este é um jogo muito simples como seria de esperar visto que o original arcade é de 1981. Ocasionalmente temos pequenas cut-scenes entre níveis que mostram como é que a Ms. Pac-Man e Pac-Man se conheceram, apaixonaram e constituíram família, o que é sempre um detalhe engraçado. Os efeitos sonoros são extremamente simples como é típico nos Pac-Man clássicos e as músicas são pequenas melodias que vamos ouvindo ocasionalmente como nos menus e durante as já referidas cut-scenes.

De resto a jogabilidade é o que se espera de um Pac-Man clássico

Portanto esta versão do clássico Ms. Pac-Man é mais uma sólida conversão do clássico da Midway mas que acrescenta também uma boa quantidade de conteúdo adicional como diferentes labirintos, a habilidade do Pac-Booster ou diferentes modos de jogo multiplayer.