Titan Wars (Sega Saturn)

Continuando pelos shooters no espaço, o jogo que cá trago agora é o Titan Wars (também conhecido em solo americano como Solar Eclipse). Produzido pela Crystal Dynamics, este é um shoooter em 3D mas on-rails, muito inspirado por clássicos como StarFox, mas tentando ser bem mais sério que o clássico da Nintendo. Se é bom o suficiente para passar o teste do tempo, isso já será mais discutível, mas já veremos. O meu exemplar foi comprado algures no final de Fevereiro numa loja por cá no Porto. Custou-me cerca de 15€.

Jogo com caixa e manuais

O jogo coloca-nos no papel de forças armadas terrestres que são enviadas para as luas de Saturno, onde uma colónia de extracção de minério envia um pedido de ajuda. Chegando lá, vemos que todas as defesesas da colónia estão activas e em modo de ataque, obrigando-nos desde logo a combater. À medida que vamos avançando no jogo a trama também se vai desenrolando, com a situação a apertar-se cada vez mais para o grupo de pilotos que vão sendo os protagonistas do jogo.

Tal como no Starfox, também temos os nossos colegas a dialogarem connosco ao longo das missões

O jogo faz lembrar bastante o Starfox. Por um lado pela sua temática e jogabilidade, sendo um shooter 3D com uma perspectiva nas traseiras da nave, onde somos levados ao longo de caminhos pré-determinados, embora tenhamos alguma liberdade de movimento e escolher caminhos alternativos. Para além disso, todos os pilotos vão falando entre si ao longo das missões, o que enriquece bastante a narrativa. Mas voltando à jogabilidade, temos à nossa disposição armas normais, especiais e alguns movimentos como os barrel rolls, usando os botões L ou R para o efeito. De forma a suster o fogo inimigo (por vezes temos mesmo muitos inimigos para destruir), temos um escudo com vários níveis de energia que podemos monitorizar no ecrã. Esses níveis de energia podem ser restabelecidos ao encontrar power-ups para o efeito, caso o nível de energia dos escudos cheguem a zero, por emergência toda a energia que tínhamos alocada a armas especiais é transferida para os escudos.

Apesar dos backgrounds até serem bonitos, o pop-in dos cenários estraga tudo!

As armas especiais são disparadas ao mesmo tempo que os canhões laser tradicionais que estão equipados na nossa nave. Existem diferentes armas especiais, com diferentes habilidades como o tracking de inimigos ou que se espalhem pelo ecrã. O poder destas armas pode ser incrementado à medida que vamos apanhando power-ups para o efeito, enchendo também a barra de energia das armas especiais. Para além disso temos também outros power ups que podemos apanhar, incluindo vidas extra, invencibilidade ou invisibilidade temporárias. E ainda temos os mísseis, cuja munições podem ser apanhadas até um máximo de 9 unidades.  Este ataque despoleta um disparo de uma poderosa barreira de mísseis, muito útil quando estivermos a combater bosses.

Também temos diferentes armas e power-ups para coleccionar, que nos podem ajudar nalguns segmentos específicos

Passando para os audiovisuais, infelizmente as coisas aqui já não são assim tão boas. O jogo é renderizado num 3D ainda algo rudimentar, com um número muito baixo de polígonos, texturas com pouco detalhe, e um pop-in grotesco, com os cenários a serem practicamente construídos à nossa frente. É estranho estamos a ver uma bonita paisagem de Saturno no fundo do ecrã, quando subitamente essa paisagem é tapada por uma enorme montanha que surge do nada.

Por outro lado o jogo está repleto de cutscenes em full motion video com actores reais! Claro que a representação nem sempre é a melhor, mas isso faz parte, era a “fruta da época!”. Temos cutscenes entre cada nível, para além dos diálogos que vão surgindo ao longo dos níveis, que já foram referidos acima.

Contem com muitas cutscenes em FMV!

Portanto, este Titan Wars apesar de possuir mecânicas de jogo sólidas, na sua parte audiovisual acabou por não resistir lá muito bem ao teste do tempo, com os seus gráficos 3D algo rudimentares, com baixa resolução e efeitos de luz e sombras muito básicos. No entanto, para quem for fã de shooters no espaço e de jogos com FMV, então este não deixa de ser um título a experimentar!

Silpheed (Sega Mega-CD)

Continuando pelas rapidinhas, o jogo que cá trago agora é a versão para a Mega-CD do Silpheed, da Game Arts. A Game Arts é um estúdio japonês que começaram a sua carreira em meados da década de 80 a produzir videojogos para o vasto mercado de computadores nipónicos. A partir da década de 90 iniciam uma parceria estratégica com a Sega, lançando a maioria dos seus jogos para consolas da Sega. Este Silpheed acabou até por ser um remake, visto que o jogo tinha saido inicialmente para vários computadores diferentes em 1986. O meu exemplar foi comprado no mês passado numa loja online, tendo-me custado 15€ salvo erro.

Jogo com caixa e manuais

Na sua génese, este jogo usa o mesmo cliché de sempre: há uma guerra no espaço e a esperança da humanidade recai no uso de uma nave experimental, a Silpheed, para combater esta ameaça e salvar o nosso planeta. O que distingue este jogo dos demais está precisamente no uso de gráficos poligonais em 3D e no seu sistema de power-ups. Inicialmente apenas combatemos com um modo de disparo simples, para a frente. À medida que vamos amealhando pontos, vamos desbloqueando novos modos de disparo para o canhão esquerdo e direito, que podem ser seleccionados entre cada nível. O mesmo acontece para os powerups especiais.

Antes de cada nível podemos escolher quais as armas ou itens especiais queremos equipar. Claro que temos de os desbloquear primeiro.

Os outros modos de disparo que vamos desbloqueando para cada canhão consistem em spread shots num arco de 120º para a esquerda ou direita, dependendo da asa em que os equipemos, outro que permite disparar projécteis em forma de V, atingindo mais naves inimigas que surjam à nossa frente, ou um outro modo de disparo com projécteis teleguiados. Sendo possível equipar diferentes armas em cada asa, dá para termos configurações muito invulgares em shmups. Os power ups opcionais consistem em diferentes tipos de escudos ou bombas que causam dano a mais que um inimigo ao mesmo tempo. Estes podem ser usados mediante a energia que tivermos disponível. Essa energia é gasta também sempre que sofremos dano, mas pode ser regenerada ao causar dano nos inimigos. Para além destes power ups que podemos equipar antes de cada nível, temos também outros que podem ser apanhados ao longo do jogo que nos dão pontos extra, um boost de energia ou recuperam alguns “pontos de vida” da nossa nave, por exemplo.

O que está a acontecer em background é sempre épico!

Mas claro, a coisa que mais salta à vista quando começamos o jogo são mesmo os seus gráficos impressionantes para a data, com o jogo a apresentar um (relativamente) grande número de polígonos no ecrã ao mesmo tempo, sem o jogo sofrer qualquer abrandamento com isso. Claro que aqui há truque! Na verdade a Mega CD apenas está a renderizar os polígonos da nossa nave, das naves que podemos destruir e de alguns asteróides ou outros pequenos obstáculos. Tudo o resto são clips de vídeo que estão a correr em background, criando a ilusão que está tudo a ser renderizado em real time. Para além disso existe um sistema de detecção de colisões com o que está a ser passado em filme, mas isso também acaba por ser um problema.

É pena que os bosses não sejam naves mais possantes.

Isto porque a acção que decorre em background é tão épica, com naves gigantescas a serem obliteradas em pedacinhos a qualquer instante, que por vezes se torna difícil distinguir entre o que está a decorrer no fundo e nos é inofensivo, do que realmente nos pode afectar. Isto e toda a confusão de balas, por vezes não é muito fácil distingui-las! De resto, a nível de som, também é um jogo muito bem conseguido. Ao longo da aventura vamos ouvindo comunicações rádio de nossos colegas que nos vão dando indicações de como sobreviver nos níveis e a banda sonora mantém a adrenalina sempre em cima!

Portanto, embora as comparações que por vezes se fazem a jogos como o StarFox não serem de todo justas pois a maior parte deste 3D é um mero truque, este Silpheed não deixa de ser um caso interessante em mostrar como se poderia realmente tirar partido das capacidades da Mega CD.

Shinobi III: Return of the Ninja Master (Sega Mega Drive)

Gostam do Revenge of Shinobi para a Mega Drive mas acham-no duro que nem cornos? Este Shinobi III é a sua sequela directa e é um jogo melhor em todos os aspectos! Facilmente um dos melhores jogos de acção da era de 16bit. O meu exemplar foi comprado algures em Julho de 2016, numa das minhas idas à feira da Vandoma no Porto. Custou-me na altura 15€, felizmente que o reseller que chegou antes de mim não conhecia o jogo e achou caro, pelo que eu não dei hipótese.

Jogo com caixa e manual multilinguas

Aqui controlamos uma vez mais o ninja Joe Musashi, na sua luta contra o clã de crime organizado Neo Zeed, que uma vez mais está a tramar das suas. Uma vez mais iremos atravessar várias zonas de um Japão futurista e combater os guerreiros do grupo Neo Zeed e travar os seus líderes.

Todas as habilidades do Revenge of Shinobi estão aqui presentes e mais algumas!

Na sua essência, o jogo herda as mesmas mecânicas de jogo do Revenge of Shinobi, com o ninja a poder dar saltos duplos, atacar com a espada ou shurikens e usar magias – Ninjitsus. Estas são também as mesmas que no jogo anterior, como magias que nos dão invencibilidade temporária, ataques de fogo que atingem todos os inimigos no ecrã, ou um ataque suicida bastante poderoso, mas a custo de uma das nossas vidas. Mas agora somos um ninja ainda mais hábil, capaz de saltar entre paredes (algo que temos de dominar nos últimos níveis) e de usar um dash-kick, um poderoso ataque aéreo que nos vai ser bastante útil.

Acção non-stop, até a cavalo!

Este Shinobi III é na mesma um jogo desafiante, embora não tão difícil quanto o primeiro. Ainda assim é um jogo repleto de momentos de acção pura, com muitos sub-bosses para enfrentar e alguns segmentos com bastante adrenalina, como a parte em que montamos um cavalo, ou surfamos com uma prancha toda futurista, enquanto temos muitos outros ninjas para combater. Nesse aspecto é um jogo bem mais dinâmico e com bosses ainda mais memoráveis.

O design dos bosses é sem dúvida um dos pontos altos do jogo

No que diz respeito ao audiovisuais, esta é também uma obra prima. Graficamente é um jogo excelente, com níveis muito bem detalhados e variados entre si. Há uma vez mais uma interessante dicotomia entre o Japão antigo e o futurista, ao atravessar bosques ancestrais e/ou edifícios tradicionalmente japoneses, com as grandes metrópoles ou indústrias futuristas do Japão. Os gráficos estão muito bem detalhados, principalmente as lutas contra os bosses que estão fenomenais. No que diz respeito à música e efeitos sonoros, estas também são excelentes. Os efeitos sonoros, nada a apontar. Já a música, esta esteve mais uma vez a cargo do mestre Yuzo Koshiro e uma vez mais não desapontou. A música tem sempre um ritmo acelerado, que se enquadra perfeitamente na acção! As melodias são uma vez mais uma mistura de rock com melodias tradicionais japonesas que se adequam perfeitamente ao estilo de jogo.

Surf, essa técnica ninjitsu ancestral

Portanto reafirmo, este Shinobi III é um dos melhores jogos de acção da era 16bit que deve mesmo ser jogado! Pena ser um jogo caro, pois merece figurar em qualquer colecção de Mega Drive que se preze.

Chuck Rock II: Son of Chuck (Sega Master System)

Voltando à Master System e às rapidinhas, o jogo que cá trago hoje é a adaptação para esta consola da sequela do Chuck Rock da Core Design, um jogo de plataformas com a temática da idade da pedra, desenvolvido originalmente para o Commodore Amiga, tendo sido posteriormente convertido a uma grande panóplia de outros sistemas. E nesta sequela a mesma ordem de ideias manteve-se, o que mudou foi o protagonista, mas já lá vamos! O meu exemplar foi comprado no mês passado numa das Cash Converters. Ficou-me por 12€.

Jogo com caixa

Neste jogo Chuck Rock foi raptado e quem o tenta salvar é nada mais nada menos que o seu filho de 6 meses! Na sua essência, este é um jogo de plataformas tradicional, com um botão para atacar e outro para saltar. Enquanto Chuck usava a sua barriga para atacar, o seu filho felizmente está equipado com um taco de madeira, que nos permite alcances ligeiramente superiores. De resto, as mecânicas de jogo são simples, temos de procurar a saída em cada nível, atravessando uma série de obstáculos e combatendo alguns inimigos pelo caminho. A nossa arma, para além de atacar também serve para interagir com os cenários em algumas situações, como a de “arrastar” pedras sobre espinhos, de forma a que consigamos alcançar algumas plataformas que de outra forma seriam inatingíveis. Isso ou interagir com alguns animais como um tigre ou uma tartaruga!

A nossa barra de energia é medida pelo nível de leite no biberão do canto superior esquerdo e pode ser restabelecida ao procurar mais biberões!

Tal como os Flintstones, o mundo de Chuck Rock decorre numa pré-história alternativa, com uma sociedade muito avançada como a nossa em tempos modernos. Portanto esperem por visitar localizações como subúrbios citadinos, zonas algo industriais, entre outras mais naturais como florestas, rios e vulcões. No final de cada zona temos um boss para defrontar e tipicamente o nível seguinte é diferente dos restantes, com um foco em corridas em vez de platforming. A nível audiovisual é um jogo colorido e muito bem detalhado para uma Master System, embora seja perfeitamente notório que o jogo nas suas versões 16bit tenha potencial para ser muito melhor. Isto porque aqui várias animações foram cortadas e os backgrounds são mais simplificados. Ao menos, ao contrário da versão Master System do jogo anterior, este já vem com música, que apesar de não ser nada de especial, também não incomoda e dá para entreter.

Devilish (Sega Game Gear)

Voltando às rapidinhas, o jogo que cá trago hoje é uma interessante revisão do conceito de jogos como Arkanoid ou Breakout. É também notório por ser o primeiro videojogo que a Genki produziu, estúdio esse que nos trouxe mais tarde séries como Tokyo Xtreme Racer ou os RPGs Jade Cocoon. O jogo que estou a falar é nada mais nada menos que este Devilish, cujo meu exemplar foi comprado no mês passado por 10€.

Jogo com caixa

Este é então na sua essência um Arkanoid mais robusto e sidescroller, com uma temática de dark fantasy. Aqui controlamos não uma barra mas sim duas e o objectivo é ir destruindo os blocos/inimigos presentes no ecrã, através de uma bola que vai tabelando entre as nossas barras, as paredes e os blocos/inimigos que toque. Claro que no meio disto tem de haver uma história rebuscada, onde as duas barras que controlamos são na verdade um príncipe e uma princesa que foram amaldiçoados por um vilão que invadiu o seu reino…

Este é um arkanoid bem robusto, mas ainda tinha potencial para ser melhor.

Apesar de já ter descrito muito brevemente as mecânicas de jogo, há aqui algumas nuances a ter em conta: controlamos as 2 barras ao mesmo tempo, sendo que a inferior apenas se pode mover para a esquerda e direita. Por outro lado a outra barra pode-se mover em qualquer direcção, logo que não desça mais que a barra inferior. Para além disso, e como o scrolling vai alternando entre o horizontal e vertical, ao pressionar o botão 2 podemos usar as 2 barras numa formação especial de ângulo de 90º, o que pode dar jeito em algumas situações. Para além disso temos um curto intervalo de tempo para completar cada nível, pelo que temos de ir abrindo caminho para a saída do nível o mais rápido possível, não é necessário ter de destruir todos os blocos e inimigos que nos apareçam à frente. Felizmente existem também uma série de outros power-ups que nos podem ajudar, como é o caso de bolas de fogo que conseguem perforar todos os blocos que toque, em vez de fazer logo ricochete, ou outra bola “bomba” que rebenta uma série de blocos de uma vez. Outros power ups incluem tempo ou vidas extra, pelo que é sempre bom perder algum tempo a explorar cada nível. Mas não muito, pois cada nível está dividido em várias fases, incluindo lutas contra bosses, e o relógio nunca pára.

O que mais gostei no jogo é mesmo a sua direcção de arte. Fez-me lembrar o Dragon’s Fury!

Graficamente é um jogo bem detalhado, embora poderia ser um pouco melhor nas suas animações. Ainda assim, o setting de dark fantasy é algo que sempre me agradou e aqui não poderia deixar de ser diferente. As músicas, nada de especial a apontar, não ficam na memória, mas não desgostei de as ouvir.

Portanto este até que é um jogo original e interessante e pelos vistos teve sucesso suficiente para uma sequela, que acabou por sair antes para a Mega Drive, mas infelizmente não na Europa.