Mr. Bones (Sega Saturn)

Bom, a equipa que criou este Mr. Bones de certeza que andavam a tomar substâncias ilícitas, pois é certamente dos jogos mais criativos da era 32bit. Infelizmente poderia ser bem melhor no gameplay, mas no fundo acaba por ser um jogo bem à frente do seu tempo. Mas já lá vamos! O meu exemplar foi comprado há uns meses atrás numa Cash Converters que o colocou à venda por 30€ no seu site. Felizmente estava a ver o site na altura em que o colocaram à venda, pelo que nem pensei duas vezes.

Jogo completo com caixa, manuais e papelada

O jogo começa por mostrar o seu antagonista, DaGhoulian, um vampiro que descobriu magia negra capaz de reanimar esqueletos. DaGhoulian, equipado com uma bateria toda high-tech, começa por tocar uma série de ritmos que vão reanimando centenas de esqueletos, no cemitério à volta do seu castelo. DaGhoulian planeia usar o seu exército de esqueletos, com olhos vermelhos reluzentes para controlar o mundo! Mas um esqueleto é completamente diferente dos outros, com os olhos azuis e consciência/vontade própria. Esse é o nosso protagonista, Mr. Bones! Sentindo que algo não está bem, DaGhoulean começa por ordenar todos os esqueletos para o destruir e assim começamos o jogo, a fugir pelo cemitério.

Apesar de na sua essência este ser um jogo de plataformas 2D, na verdade é muito mais que isso

Após 2 ou 3 níveis de plataformas no cemitério, onde vamos enfrentando vários esqueletos, acabamos por finalmente escapar para uma floresta, onde encontramos uma cabana com um velhote cego, a tocar ritmos de blues / rock. É cego mas pressente a nossa presença, convida-nos a entrar e dá-nos uma guitarra e quando voltamos à acção estamos completamente rodeados de esqueletos! Qual a saída? Tocar um solo de guitarra até que os consigamos converter a todos para o nosso lado! Estão a ver a criatividade?? As coisas vão ficando ainda mais estranhas, com vários níveis em FMV, solos de bateria, uma viagem ao reino subterrâneo de Lilliput, onde temos de salvar os seus pequenos habitantes de serem raptados por aranhas gigantes entre muitas outras bizarrices. Já para não falar no nível em que temos de combater um esqueleto cyborg… a contar piadas!

Um solo de guitarra para converter as forças do mal? Porque não? Pena é que os controlos não sejam intuitivos

Na sua essência, este é um jogo de plataformas 2D, mas todos os níveis possuem algo de diferente entre si. Algumas coisas em comum: Mr. Bones é um esqueleto e se sofrer algum dano pode ir perdendo alguns dos seus ossos, perdendo assim alguma mobilidade e agilidade. Por exemplo, se perder as duas pernas, já practicamente nem consegue saltar. Se perder as mãos, não pode usar os seus poderes mágicos de “sugar” a vida das outras criaturas e assim as destruir definitivamente. Para além dos ossos, temos também uma barra de vida no canto superior direito do ecrã que diz “MR. BONES” em ossos, perdendo ossos à medida em que vamos sofrer dano. Podemos recuperar vida ao apanhar objectos azuis brilhantes, ou ao sugar a vida dos inimigos. Por outro lado também podemos ir recuperando os ossos do nosso esqueleto ao apanhando-os como se power ups se tratassem.

Este é sem dúvida o nível mais frustrante devido ao gelo ser escorregadio e nem sempre o percurso a seguir ser o mais óbvio

Depois temos as tais variações. Há níveis de plataformas onde temos de nos desenrascar com menos ossos, inclusivamente teremos de passar para o nível seguinte só com um número certo de ossos, como apenas uma perna e um braço, por exemplo. Temos níveis de perseguições onde temos de nos esquivar de troncos que estão a descer uma montanha de forma descontrolada, temos níveis quase em primeira pessoa onde Mr. Bones tem de nadar por uns túneis cheios de obstáculos, ou níveis com platforming mas com diferentes ângulos de câmara, como os do lago gelado que são vistos de cima, de baixo! Mais perto do final do jogo existe um nível muito parecido ao Asteroids da Atari, e temos os tais níveis rítmicos como o solo de guitarra ou bateria, que infelizmente só perdem por a jogabilidade não ser tão intuitiva como deveria. Por exemplo, o solo de guitarra obriga-nos a seguir uma série de riffs e leads, sendo que cada melodia está associada a um botão que devemos deixar pressionado até o lead terminar, sendo logo encadeado de seguida por outro botão. Isto vai muito na base da tentativa erro, o que infelizmente estraga um pouco o flow do jogo.

Ocasionalmente lá enfrentamos uns bosses interessantes

O solo de bateria já é mais simples, sendo que temos 4 kits de baterias em cada uma das direcções. Aqui o jogo é mais um “Simon Says”, pois cada vez que uma das baterias piscar a vermelho, basta manter o botão direccional pressionado nessa direcção até que uma outra bateria comece a piscar, obrigando-nos a mudar. Outro nível que ganharia muito mais se tivesse outra abordagem é o do stand up comedy. Aqui vamos tendo de contar anedotas compostas por 3 frases, sendo que cada frase está assossiada a um botão diferente. Enquanto estamos a contar a anedota, temos um esqueleto cyborg a andar na nossa direcção, quando acertamos nas 3 frases pela ordem certa e contamos a anedota, o monstro anda uma série de passos para trás, permitindo-nos assim a progredir (lentamente) no nível. Creio que seria muito mais interessante se houvesse um menu de selecção de frases no ecrã e iamos construindo a anedota à medida. Assim é mais uma vez um esquema de tentativa erro que nos pode sair caro.

Tecnicamente este jogo tem detalhes impressionantes para a Sega Saturn. Como este jogo de sombras e transparências!

Tecnicamente é um jogo interessante, mas poderia certamente ser mais polido. Os níveis são todos em 2D com sprites e backgrounds digitalizados, mas acho que as imagens de fundo poderiam ter uma maior resolução. Às vezes também dá-me a ideia que o jogo teria muito mais a ganhar se fosse num 2D puro, mas ao ver níveis como os Rolling Logs, Big Bones (mais um extremamente bizarro), ou Underwater Ride, dá para entender bem o porquê desta abordagem. Depois o próprio Mr. Bones deve ser mesmo um modelo 3D pois temos níveis com diferentes perspectivas e zooms. Ainda na parte técnica, este jogo tem uma série de pormenores muito interessantes. Todos sabemos que a Saturn possui um hardware muito peculiar e não suporta de forma nativa por hardware alguns efeitos gráficos como transparências, sombras e luzes. Mas este Mr. Bones está cheio de transparências como os fantasmas do The Valley, ou o fantástico jogo de sombras do nível Shadow Monster.

Cutscenes em FMV com personagens mal caracterizadas? Check!

No que diz respeito do som, bom esse é certamente um dos pontos fortes do jogo. O Mr. Bones é uma personagem cheia de personalidade, a banda sonora está repleta de guitarradas blues rock que me agradam bastante, e o jogo possui uma série de cutscenes em CG também muito bem conseguidas. Não é por acaso que o jogo vem em dois CDs!

Portanto este Mr. Bones é na minha opinião um jogo essencial em qualquer biblioteca Sega Saturn. Pena que seja caríssimo nos círculos habituais e que tenha caído no esquecimento. De todos os jogos da Saturn, este é para mim um dos que mais merecia um remake para as consolas modernas. Acho que seria um sucesso!d

Baku Baku (Sega Saturn)

Continuando pelas rapidinhas, vamos agora ficar com o Baku Baku, um puzzle game da Sega que possui as suas origens nas arcades, tendo recebido uma conversão para sistemas como a Saturn, PC, Game Gear e até a velhinha Master System por cortesia da Tec Toy no Brasil. O meu exemplar foi comprado algures no início do ano numa feira de Velharias, custou-me à volta de 7€.

Jogo com caixa e manuais

Este é um puzzle game daqueles de combinar blocos coloridos, misturando diferentes animais e comida. Por exemplo, os blocos azuis podem ser pequenos ossos ou a figura de um cão, os verdes são canas de bambu e pandas, os amarelos são macacos e bananas e os vermelhos são coelhos e cenouras. A ideia é então ir juntando os animais e a comida da mesma cor, de forma a que os animais comam os blocos da mesma cor que lhes estejam adjacentes. Vão caindo 2 blocos coloridos de cada vez, sendo que nos cabe a nós escolher como os vamos colocar no ecrã. À medida em que vamos fazendo alguns blocos desaparecer, a gravidade trata de puxar os restantes para baixo, podendo desencadear algumas reacções em cadeia que como habitual nos dão mais pontos e também enviam muito lixo para o ecrã do adversário. Como sempre, em jogos deste género o primeiro que encher o ecrã de blocos perde e na vertente arcade vamos jogando contra vários oponentes controlados pelo CPU, ou contra oponentes humanos na vertente multiplayer. Para além do modo arcade que nos coloca frente a frente com algumas personagens pré-definidas, temos também o Ranking Mode, onde o objectivo é o de “limpar” o máximo de níveis possível, sendo que o tempo que demoramos e o número de reacções em cadeia contam bastante para a pontuação final.

Cada vez que há um match entre animal e comida, vemos as cabeças dos animais a mastigarem os blocos respectivos

De resto a história por detrás deste Baku Baku é muito simples. Algures num reino, a princesa lá do sítio tem tantos animais de estimação que o rei e o seu ministro decidem que é altura de arranjar alguém para tomar conta de tanta bicharada. Lançam então um concurso público para quem quiser se tornar no Zookeeper oficial do reino, sendo que temos então 2 concorrentes, a jovem Polly e o Gon (perceberam a referência??), que têm de defrontar uma série de oponentes antes de ficarem com o emprego.

No que diz respeito aos audiovisuais, é um jogo com gráficos com um 3D muito primitivo, que faz até lembrar de certa forma jogos como os do Clockwork Knight. No entanto, não deixam de ser gráficos coloridos e com um certo charme que não se perdeu ao longo destes anos. As músicas são por norma sempre bastante festivas e agradáveis de se ouvir, o que acaba por se conjugar muito bem com a natureza super viciante deste jogo.

Os gráficos possuem um certo charme com o seu 3D primitivo

Portanto, uma pequena pérola para todos os que gostam de puzzle games e possuem uma Sega Saturn. Até admira como é que a Sega ainda não ressuscitou esta série, quanto mais não fosse para mobile.

Jaguar XJ220 (Sega Mega CD)

A série Lotus Turbo Challenge é talvez a mais bem sucedida série de corridas do Commodore Amiga. E como tal foram surgindo alguns imitadores, entre os quais este Jaguar XJ220 da Core Design. E como uma grande parte dos estúdios europeus que desenvolviam jogos para o Commodore Amiga acabavam por os converter para as consolas da Sega, isso foi o que também aconteceu com este jogo. O meu exemplar foi-me oferecido por um particular, quando lhe comprei uma Mega CD II no final do ano passado.

Jogo com caixa

Aqui dispomos de vários modos de jogo, entre os quais o Grand Prix, World Tour e Free Practice. Este último é auto-explanatório, serve para praticarmos as nossas habilidades em qualquer um dos circuitos. Os outros dois já são mais competitivos e muito parecidos entre si, mas com algumas diferenças. O Grand Prix é o típico modo campeonato, onde iremos participar numa série de corridas em diferentes países, com direito a volta de qualificação e tudo. Como habitual, o que conta é chegar ao final da temporada e ter mais pontos que os adversários e em corridas com maior número de voltas, temos também de ter em atenção o nível de combustível e ir às boxes quando necessário.

O Jaguar XJ220 é o único carro “real” que poderemos conduzir. Todos os outros são fictícios mas inspirados em marcas e modelos reais, como os Ferriri

O World Tour é também um modo campeonato, onde para além de tentarmos chegar ao fim com mais pontos do que a concorrência, temos de ter mais atenção no budget. Isto porque temos a liberdade de escolher onde correr a seguir, mas temos de ter em conta o custo de toda a logística. Se começarmos o campeonato em Inglaterra, se calhar fica mais em conta a corrida seguinte ser em França e não no Brasil, e por aí fora. Antes de avançar com a escolha da pista temos ainda a opinião do nosso contabilista que nos pode sugerir o destino seguinte. Depois no final da corrida, mediante a nossa performance e se batermos em alguém ou alguma coisa, teremos também de reparar o carro, desde a chapa, até aos pneus e mais variadas peças. Tudo isto custa dinheiro, pelo que convém ir terminando cada corrida o acima possível da tabela classicativa, para a recompensa monetária ser maior. Infelizmente apenas podemos reparar o nosso carro, não podemos comprar upgrades o que é pena. Depois temos também o modo para 2 jogadores e ainda um track editor que nos permite construir a nossa própria pista, mas confesso que não experimentei nem um nem outro.

O sprite scaling neste jogo até que está bastante convincente!

A jogabilidade não é nada do outro mundo, é a de um jogo de corridas típico da era 16bit. Por vezes sente-se alguma dificuldade nas curvas, pelo que upgrades ao carro eram mesmo benvindos! De resto, a nível técnico é também um jogo com altos e baixos. Por um lado está cheio de menus e interfaces bonitas (para a altura, claro), como por exemplo o próprio menu de substituição de peças, que nos permite ver o carro (e as peças que vamos substituir) de várias perspectivas. Por outro lado, nas corridas em si o jogo peca pelos cenários não terem mais detalhe e cores mais vívidas (embora isso também seja em parte culpa do hardware). As pistas em si vão tendo vários desníveis como nos jogos da série Lotus ou Outrun, mas as imagens de fundo a partir de uma certa linha do horizonte deixam de ter qualquer detalhe e passam a ter uma cor sólida de fundo, o que não fica bem. Os carros não são nada de especial a nível de detalhe gráfico, mas não eram muitos os jogos de corrida dessa época que se lembravam de colocar as luzes do travão a acender sempre que travávamos.

O menu de reparação de peças até que está interessante, principalmente pela animação fluída do Jaguar no fundo do ecrã

Por outro lado, das poucas vantagens gráficas que a Mega CD trouxe perante a Mega Drive foi mesmo um suporte nativo a sprite rotation e scaling, sendo que este último está bem implementado neste jogo. Tal como no OutRun, as sprites das bordas da estrada aumentam de tamanho de forma fluída e com detalhe, dando uma melhor sensação de velocidade. As músicas são no formato CD-Audio e aparentemente fornecidas pela JVC. No entanto, não as achei nada de especial, algumas são mesmo daquelas músicas típicas de elevador só para entreter. Mas podia ser pior!

Portanto este Jaguar XJ220 acabou por ser um jogo que me surpreendeu um pouco pela positiva, por ter alguns detalhes interessantes. Por outro lado, a jogabilidade merecia estar muito melhor refinada e um sistema de upgrades nos carros acho que faria sentido.

Marsupilami (Sega Mega Drive)

Voltando às rapidinhas e à Mega Drive, o jogo que cá trago hoje é um interessante misto entre plataformas e puzzle game, com o Marsupilami como protagonista. Marsupilami é um estranho mamífero, muito forte e com uma cauda bem comprida, que teve as suas origens na banda desenhada de Spirou e Fantasio. O meu exemplar foi comprado há uns meses atrás na feira da Vandoma do Porto. Creio que me custou uns 3/4€, estando completo e em óptimo estado.

Jogo completo com caixa e manuais

A história não é nada de complexo. O Marsupilami e um pequeno elefante seu amigo foram levados por caçadores e vendidos a um circo. A certa altura o Marsupilami lá se consegue escapar, liberta o elefante e juntos têm de voltar às selvas da Amazónia (se bem que nunca vi um elefante na Amazónia, mas it’s videogame logic).

Na sua essência, este é um jogo de plataformas onde controlamos o Marsupilami e para além de o fazer saltar e atacar (com a cauda), temos também de encaminhar o elefante em segurança até à saída do nível. Para isso teremos de usar uma série de habilidades com a sua cauda. No topo do ecrã temos um inventário de 4 quadradinhos no topo do ecrã, onde poderemos coleccionar habilidades para o Marsupilami e usá-las para ajudar o elefante. Por exemplo, para ajudar o elefante a subir plataformas, podemos apanhar a  habilidade de usar o rabo do Marsupilami como escadas. Por outro lado, se forem plataformas mais altas, podemos usar o rabo do Marsupilami como guindaste. Ou usar o rabo como martelo para destruir alguns obstáculos! As possibilidades são imensas.

O rabo do Marsupilami é usado para muitas coisas, principalmente para ajudar o elefante a atravessar alguns obstáculos

Por outro lado, o elefante é o ser mais burro de todo o sempre e sem dúvida o que mais frustração causa no jogo. Ele está constantemente a andar da esquerda para a direita, mudando de direcção se bater numa parede, se for atacado por um inimigo ou pela nossa cauda. Conseguimos imobilizá-lo temporariamente ao apanhar uns frutos e deixá-los no chão, fazendo com que ele pare por uns segundos para o comer. Pouco depois começa a andar novamente. Tendo em conta que por vezes temos de enfiar o elefante em plataformas elevatórias, mantê-lo sossegado até o elevador chegar e durante a viagem para não cair, temos de estar constantemente a atacar o elefante com a nossa cauda, fazendo-o mudar de direcção rapidamente, acabando por não sair muito longe. O jogo só teria a ganhar se pudessemos ordenar o elefante para parar quieto num sítio, assim sendo torna-se um pouco frustrante. Até porque temos um tempo limite para terminar cada nível, embora existam alguns powerups que nos extendam o tempo, pode não ser suficiente. Também temos powerups que nos regeneram a barra de energia.

O elefante anda sempre sozinho até encontrar uma parede ou inimigo, aí muda de direcção

Graficamente é um jogo muito colorido, com níveis bem detalhados e músicas agradáveis. Os níveis vão sendo variados, atravessando diferentes paisagens urbanas como um circo, os arredores de uma cidade e várias outras paisagens mais naturais como florestas, as montanhas dos Alpes, ou selvas da américa do sul. As personagens possuem um traço muito característico da banda desenhada do Spirou e Fantasio, o que também me agrada bastante.

Graficamente é um jogo competente, com os inimigos a herdarem o look cómico da BD e série de animação

Portanto este é um jogo de plataformas com alguns conceitos bem interessantes de puzzling. No entanto não deixa de ser também um pouco frustrante a parte de encaminhar o elefante, é algo que poderia facilmente ter sido corrigido na altura, o que é pena.

Street Racer (Sega Saturn)

Jogos de corrida como Super Mario Kart foram bastante influentes, apesar desse jogo apenas ter recebido uma sequela vários anos depois, já para a Nintendo 64. Noutras plataformas foram surgindo outros clones, entre os quais este mesmo Street Racer, desenvolvido pela Vivid Image e publicado pela Ubisoft para uma série de plataformas entre as quais a Mega Drive, Super Nintendo, Playstation e claro, esta versão Sega Saturn. O meu exemplar, nomeadamente a caixa e manuais, foram-me oferecidos há muitos anos, por um amigo de infância mas que não encontrava o CD do jogo em lado nenhum. No mês passado um outro particular ofereceu-me o CD do jogo que ele tinha a mais e lá ficou a minha cópia completa.

Jogo com caixa e manuais

No fundo, este é mais um daqueles jogos de corrida cómicos e descontraídos, inspirado em parte por jogos como Mario Kart, na medida em que também teremos de nos desviar de obstáculos e podemos atacar os nossos oponentes seja através de socos ou tabefes, seja usando alguns power ups que podemos ir encontrando pelas pistas, como bombas de dinamite. Mas estes ataques apenas nos deixam ligeiramente atordoados por meros segundos, e tendo em conta que a inteligência artificial é muito peculiar, estes powerups de ataque podem não ser lá muito importantes. Passo a explicar: cada corrida no modo campeonato tem 10 voltas onde concorremos contra outros 7 participantes. Desses 7, há um que vai ser o nosso rival e vai andar mesmo taco-a-taco connosco, se chegarmos em primeiro ele chega em segundo, se chegarmos em segundo certamente que foi esse que chegou em primeiro. Todos os outros participantes apenas estão ali para empatar! Então estes powerups de  ataque são uma pequena ajuda mas não são determinantes para vencer corridas, ao contrário de jogos como o Mario Kart. Por outro lado também vamos adquirindo turbos e esses sim, se usados de forma inteligente servem para fazer a diferença. Ah, e os karts aqui saltam, algo que também dá jeito usar nas curvas mais apertadas.

O jogo possui uma mistura entre gráficos 2D e 3D

De resto temos várias personagens por onde escolher, cada qual com as suas vantagens ou desvantagem. Cada personagem possui pelo menos 3 circuitos diferentes, pelo que ao longo do modo campeonato vamos poder correr numa série de pistas. As pistas por outro lado não são lá muito compridas, daí também termos de correr 10 voltas de cada vez. Para além do modo campeonato podemos correr em multiplayer para até 8 jogadores com recurso ao multitap, mas sinceramente não cheguei a experimentar, nem sei como é que seria possível 8 jogadores em split screen. Temos ainda um modo arena onde é basicamente um deathmatch sobre rodas, mas a sua implementação não ficou nada de especial.

Podemos escolher vários ângulos de câmara, entre os quais um que se assemelha aos micromachines

A nível técnico, este é um jogo que mistura o 2D com o 3D. Os carros, personagens e pickups são todos sprites 2D, bem como alguns objectos no ecrã como palmeiras e outras plantas. Por outro lado as pistas já possuem vários cenários poligonais e este é dos poucos exemplos onde a versão Saturn apresenta um 3D mais detalhado do que a sua rival na Playstation. Muito provavelmente porque terá a versão principal a ser desenvolvida e a versão PS1 apenas um port. Temos aqui também vários ângulos de câmara, incluindo um visto de cima que nos faz lembrar jogos como os Micromachines. As músicas são bastante agradáveis, misturando o rock e electrónica com alguns elementos mais “regionais” mediante a pista que estamos a correr.

Multiplayer para 4 pessoas até entendo, mas para 8 deve ser grande confusão!

Portanto, este jogo até que é bastante agradável de se jogar embora seja um pouco frustrante a inteligência artificial não ser mais balanceada. Se tiverem na dúvida entre a versão Saturn ou PS1, este é daqueles poucos exemplos de jogos 3D (ou quase) em que a versão Saturn leva vantagem. Por outro lado se tiverem a oportunidade de experimentar as versões SNES ou Mega Drive, tentem obter as 2 pois são jogos muito diferentes entre si. Mas isso ficará para um eventual artigo futuro.