Heavyweight Champ (Sega Master System)

Voltando agora para a Master System, vamos visitar este Heavyweight Champ que era um daqueles jogos que sempre me despertou curiosidade em miúdo, depois de ver um screenshot num daqueles catálogos de jogos que tipicamente vinham incluídos nalguns jogos da Master System. O meu exemplar foi comprado a um amigo meu no passado mês de Março por 5€.

Jogo com caixa e manual

No entanto, este Heavyweight Champ possui uma história curiosa. O primeiro título que a Sega lança com esse nome é um jogo arcade de 1976, ainda num hardware assente em circuitos de eletrónica discreta e sinceramente pouca informação consegui encontrar sobre o mesmo, para além de parecer muito primitivo. Em 1987 sai um novo jogo arcade com o mesmo nome, este já no mítico hardware System-16. Este era um jogo bem detalhado para a época, onde a câmara se posicionava nas costas do lutador que representamos. Em 1991 temos este Heavyweight Champ para a Master System em solo europeu e no Brasil, um jogo com o mesmo nome, mas com jogabilidade diferente dos seus antecessores arcade. Mas um ano antes, em 1990 este mesmo jogo sai nos Estados Unidos sob o nome de James “Buster” Douglas Knockout Boxing, pois nessa altura a Sega tentava obter patrocínios de personalidades conhecidas em todos os seus jogos de desporto. Também em 1991 sai na Game Gear, exclusivamente no Japão, uma versão de Heavyweight Champ. Agora a parte mais curiosa disto tudo é que em 1992 a Acclaim lançou, para uma série de diferentes consolas, um jogo chamado George’s Foreman KO Boxing. As versões Master System e Game Gear desse jogo são, nada mais nada menos que um reskin deste Heavyweight Champ. E de bónus, mais uma curiosidade: a Mega Drive também recebeu um James “Buster” Douglas Knockout Boxing que é na verdade um reskin do Final Blow da Taito, um título arcade que a empresa nipónica converteu para a Mega Drive, tendo saído inclusivamente no Japão sob esse nome de Final Blow em 1990. Outra curiosidade? A versão Mega Drive desse James Douglas sai cá na Europa sob esse nome. Porque não fizeram o mesmo com a versão Master System? Não faço ideia.

Foram screenshots como este que me deixaram fascinado em miúdo!

Mas vamos para o jogo em si. Aqui nós encarnamos num lutador de boxe fictício (ao contrário da versão norte americana que protagonizava o tal James Douglas) e o objectivo vai ser o de vencermos uma série de combates, contra oponentes cada vez mais poderosos. Os controlos até têm o que se lhe diga, pois o jogo é apresentado numa perspectiva lateral. Os botões 1 e 2 servem portanto para dar socos com o punho esquerdo ou direito, respectivamente, enquanto o d-pad pode servir para nos movimentarmos pela arena (esquerda ou direita) ou para defesa, ao bloquear a cabeça ou o corpo (cima ou baixo, respectivamente). Combinações de botões faciais com o d-pad poderão servir para desencadear outros tipos de golpes como uppercuts. Caso mantenhamos os botões 1 e 2 pressionados em simultâneo, poderemos ver, na parte baixa do ecrã uma barra de energia a encher-se e quando estiver no máximo, soltamos os botões e vemos a nossa personagem a despoletar um super soco, capaz de tirar de uma vez uma percentagem considerável da barra de vida do oponente. Nota que os oponentes podem fazer o mesmo connosco! Apesar de todas estas possibilidades, no fim de contas isto acaba por ser um button masher e esperar que consigamos acertar mais golpes do que o adversário.

O jogo até que possui algumas animações interessantes

Tal como nos combates reais, vencemos o oponente se o conseguirmos mandar ao chão e ele ficar lá estatelado depois da contagem até 10 do árbitro. Nessa altura, se o oponente se levantar, ambos os lutadores recuperam um pouco de energia e voltam à pancada até o tempo se esgotar. Felizmente se formos nós os infelizes a ir ao tapete, não precisamos de fazer nada para que a personagem se levante, isso é automático. No final de cada round os árbitros dão-nos uma pontuação que poderá ser usada como critério de desempate caso a luta se prolongue por 12 rondas sem um vencedor por KO. No final de cada combate, e mediante a nossa performance, vamos recebendo alguns pontos que poderemos distribuir em diferentes categorias, melhorando assim a nossa personagem. P é para power, representando a força, R é para recovery, representando a capacidade de recuperar vida entre rounds ou knock-downs e por fim F corresponde a footwork, ou seja a nossa agilidade em deslocarmo-nos pela arena. Por fim podemos também melhorar a categoria S, que representam a quantidade de vezes que poderemos usar os “super socos” em cada combate. Pessoalmente, apostei as fichas todas na força e resiliência!

No final de cada combate vitorioso poderemos melhorar as stats da nossa personagem

Graficamente até que é um jogo bem competente para uma Master System. Não é por acaso que um mísero screenshot me tenha fascinado em miúdo! As arenas são idênticas entre cada combate, mas estão bem representadas perante as limitações da Master System. As sprites dos lutadores também estão bem representadas e mesmo nas pequenas cutscenes entre rondas o jogo mostra artwork distinta para cada lutador. As músicas também são, surpreendentemente, bastante agradáveis, tendo em conta uma vez mais as limitações impostas pelo sistema no som.

Portanto este é um jogo que acaba por ser bastante interessante, mais pela sua história, desenvolvimento e múltiplas versões aliadas a licenciamento de celebridades, do que propriamente pela sua jogabilidade que, apesar de ter algumas boas ideias, acaba por cansar rapidamente. Estou curioso no entanto em comparar melhor esta versão com a que lhe sucedeu, a do George Foreman’s KO Boxing!

Predator 2 (Sega Master System)

Vamos agora voltar à Master System para uma das suas muitas adaptações de filmes de Hollywood para videojogos. Mas esta é, na verdade, uma segunda adaptação. A primeira foi lançada originalmente em 1990 para PC e uma série de microcomputadores como o Spectrum, Commodore 64, Amiga ou Atari ST e era um jogo inspirado em títulos como Operation Wolf. Em 1992 foram lançadas adaptações inteiramente novas para as consolas da Sega, publicadas pela Acclaim/Arena, com as versões 8/16bit a serem algo diferentes entre si. Este meu exemplar foi comprado a um amigo meu no passado mês de Março por 5€.

Jogo com caixa e manual

Pensem neste Predator 2 como um shooter com uma perspectiva vista de cima, algo como um Commando ou Mercs, mas com sidescrolling horizontal e automático. Controlamos então o polícia Harrigan, tal como no filme, mas aqui o foco está quase a 100% em confrontos contra traficantes de droga. Ocasionalmente lá temos de fugir da mira laser do Predator que vai surgindo ao longo dos níveis e a partir do quarto nível lá vamos ter de enfrentar alguns predadores também. O último nível, já passado numa nave alienígena, já teremos de enfrentar apenas predadores e naturalmente, o último boss será também um predador.

Estes sacos brancos aparentemente contêm drogas e ganhamos pontos se as apreendermos. Mais à frente temos uma granada de mão.

O objectivo de cada nível é o de salvar um certo número de reféns e claro, sobreviver às dezenas de bandidos que nos vão atacando. Os controlos são simples, com o botão 1 para disparar a arma de fogo actualmente equipada e o botão 2 para ir alternando de armas, se entretanto as tivermos apanhando. A arma que temos por defeito é uma pistola que apesar de não ser potente, tem munições infinitas. Ao longo do jogo poderemos encontrar metralhadoras, uma caçadeira com o three shot spread, granadas entre outras, embora estas armas já tenham munições limitadas. No último nível poderemos também apanhar armas dos predadores! Na parte inferior do ecrã vemos uma série de informação útil como a pontuação, número de vidas que nos restam, a arma seleccionada e respectivas munições e à direita de tudo vemos 3 caras que representam reféns. O predador, com a sua mira laser, tanto nos tenta atingir a nós, como aos desgraçados dos reféns (dava jeito era que ele acertasse nos bandidos) e caso o predador mate 3 reféns é game over. Acima, vamos a nossa barra de vida que rapidamente se esvazia.

No final de cada nível temos um boss que é tipicamente uma autêntica esponja de balas

O jogo é difícil, principalmente porque a nossa personagem não tem frames de invencibilidade sempre que somos atingidos. E a partir do nível 3, onde os bandidos começam a ser mais agressivos e literalmente correm para a nossa posição, é muito fácil perder uma vida em meros segundos, pelo que teremos de ser ainda mais ágeis e estar em constante movimento. E claro, no final de cada nível temos sempre um boss que é uma autêntica esponja de balas, mas com inimitos normais a fazerem respawn constantemente. Mas vamos poder também encontrar itens para nos ajudar. A maioria são itens que sinceramente nem dá para entender muito bem o que são, mas depois de os apanhar apercebemo-nos que são drogas e estas apenas contribuem para a nossa pontuação. De resto, para além das armas acima mencionadas poderemos também encontrar coletes à prova de bala que nos regeneram a barra de vida na totalidade e medkits que nos dão vidas extra.

Os 3 pontos vermelhos representam a mira laser do predador e temos que os evitar, bem como salvar eventuais reféns que possam estar na sua mira

Graficamente até que é um jogo competente e os níveis vão ser todos em áreas urbanas como ruas, estações de metro ou esgotos excepto o último nível que já é numa nave alienígena como referi acima. A maior parte dos inimigos são também bandidos humanos e o jogo até que possui uma boa performance sem sprite flickering considerando que muitas vezes temos vários inimigos ou projécteis no ecrã em simultâneo. As músicas são também agradáveis, tendo em conta as limitações do sistema e soam muito ao típico que estúdios europeus produziam para micro computadores 8bit como é o caso do Commodore 64.

Portanto este Predator 2 até que é não é um mau jogo de acção, embora a sua dificuldade acima da média o penalize um pouco (pelo facto de não termos frames de invencibilidade). A versão de Game Gear é muito similar, sendo no entanto penalizada pelo ecrã menor e a versão de Mega Drive, apesar de possuir o mesmo conceito de base, é tecnicamente mais avançada e apresenta os níveis já numa perspectiva isométrica.

Alex Kidd: High-Tech World (Sega Master System)

O Alex Kidd foi uma das tentativas da Sega nos anos 80 de criar a sua própria mascote para fazer concorrência ao Mario da Nintendo. Enquanto que o seu primeiro jogo, Alex Kidd in Miracle World, era um jogo de plataformas competente e com alguma originalidade, não chegou a ter o mesmo sucesso que o Super Mario Bros. da concorrência. A série Alex Kidd veio a receber mais uns quantos jogos nos anos 80 e inícios de 90, curiosamente todos eles bastante diferentes entre si. Este High Tech World é de longe o mais diferente, sendo primariamente um jogo de aventura. E isto acontece porque na verdade, no Japão, este jogo foi lançado como sendo Anmitsu Hime, uma adaptação de um anime de mesmo nome. Como o anime não era nada conhecido fora do Japão, a Sega decidiu relançar o jogo no ocidente, trocando-lhe o protagonista pelo Alex Kidd e adaptando um pouco da sua história. O meu exemplar foi comprado a um particular no passado mês de Janeiro por 12€.

Jogo com caixa

Nós controlamos o jovem Alex Kidd que descobre que na aldeia mais próxima abre uma nova arcade com jogos da Sega. Cheio de vontade para ir jogar umas partidas de Out Run, Hang On ou Space Harrier, teremos de percorrer todo o castelo onde nos encontramos para obter um mapa que nos indique a posição da arcade, arranjar forma de escapar do castelo e viajar até à aldeia. Tudo isto tem de ser feito antes das 17:00, hora em que o centro arcade fecha. Começamos o jogo às 9:00 em ponto, pelo que teremos de nos despachar.

A exploração do castelo é como um jogo de aventura gráfica, onde teremos de interagir com inúmeros objectos, pessoas e resolver alguns pequenos puzzles.

O objectivo da primeira parte do jogo será então o de explorar o castelo, falar com os seus habitantes e explorar os cenários, de forma a que consigamos recolher as 8 peças do mapa. Por vezes teremos de realizar algumas tarefas como passar num exame escolar, adivinhar os nomes das criadas lá do castelo, telefonar e pedir uma pizza ou um item que restaura um papel queimado para a sua forma original. Mas o castelo tem também as suas armadilhas (como apanhar um choque eléctrico ou cair por umas escadas partidas), pelo que poderemos chegar a um game over caso nos descuidemos. Após completar o mapa teremos de arranjar forma de sair do castelo, o que nos obrigará a mais alguma exploração adicional. Quando conseguimos finalmente escapar, o jogo atribui-nos uma password e avançamos para a fase seguinte.

Uma das tarefas que temos de completar é um teste escolar. Algumas perguntas são de cultura geral, outras de cultura geral da SEGA!

O nível seguinte é um nível de platforming clássico, onde teremos de atravessar uma floresta repleta de ninjas e outras criaturas, com um dos botões faciais a servir para saltar, o outro para que Alex Kidd atire shurikens. Tal como no Miracle World, basta sofrermos dano uma vez para ser game over. Os inimigos que vamos matando vão largando dinheiro que poderemos e deveremos coleccionar pois assim que chegamos à aldeia vemo-nos perante mais uma zona de aventura. O objectivo aqui é o de arranjar um passe que nos permita atravessar um checkpoint de segurança. Pelo caminho podemos visitar várias casas e lojas, falar com os seus habitantes e comprar/vender itens. Haverá várias maneiras de arranjar o passe, incluindo algumas acções que nos levam a um game over. Por exemplo, na loja de livros podemos comprar um livro que nos ensina a falsificar um passe e na loja de penhores poderemos comprar uma impressora. Nas casas ao lado poderemos falar com um indivíduo algo suspeito que nos cria o passe falso mas se tentarmos atravessar o checkpoint os guardas apercebem-se que o passe é falso e prendem-nos, levando a um game over. Após esta fase teremos ainda mais um nível de plataformas e só depois é que chegamos ao final do jogo. Qualquer game over a seguir a sair do castelo obriga-nos a recomeçar desde o nível de plataformas na floresta, até porque essa é a única altura onde nos é atribuída uma password.

Entre as zonas de aventura teremos níveis de platforming

Graficamente este é um jogo muito simples. É curioso que tanto o castelo e a aldeia tenham um aspecto muito de Japão tradicional (o facto de temos ninjas a atacar-nos nos níveis de plataformas também) e isso deve-se ao jogo original, Anmitsu Hime, ter como protagonista uma princesa japonesa em tempos (creio eu) antigos. No entanto vamos poder ver TVs, computadores e claro, o tal centro arcade se conseguirmos chegar ao fim do jogo, o que é um contraste algo estranho. Por outro lado, as músicas também não são nada de muito especial, sinceramente e curiosamente este é mais um título em que mesmo a versão japonesa para a Mark III não possui suporte ao som FM.

Guardas inúteis que nem reconhecem o coitado do Alex Kidd que é só o príncipe lá do sítio

Portanto este é sem dúvida o jogo Alex Kidd mais bizarro que existe (pelo menos contando apenas com os que chegaram até ao ocidente). Como jogo de aventura é algo simples e vai-nos obrigar a muita tentativa/erro, pelo menos durante o nível do castelo, até entendermos qual a ordem dos acontecimentos que teremos de seguir para obter as peças do mapa. A maior não linearidade do nível da aldeia agradou-me mais como jogo de aventura. Entendo o porquê da Sega ter lançado o jogo no ocidente para diversificar o número de jogos de aventura no catálogo da Master System e o facto de terem substituído a personagem principal pelo Alex Kidd, para chamar um pouco mais à atenção. No entanto o produto final acaba por ser um pouco estranho. O Spellcaster é, a meu ver, um melhor híbrido entre um jogo de aventura e acção. Para quem quiser jogos puramente de aventura e ainda dos anos 80, temos uma conversão do primeiro King’s Quest ou Where in the World is Carmen Sandiego, embora nenhum tenha saído em solo europeu, infelizmente. O Japão também recebeu uns quantos exlusivos, que gostaria de cá trazer um dia.

Alex Kidd in Miracle World (Sega Master System)

Já há muito tempo que gostaria de escrever um artigo sobre o primeiro Alex Kidd para a Master System, mas tenho estado sempre a guardar tal coisa para quando conseguisse comprar um exemplar físico do jogo para a colecção. Infelizmente os preços têm vindo constantemente a subir e, como tenho sérias dúvidas que este Alex Kidd alguma vez tenha sido lançado em formato standalone em Portugal, dificilmente o irei comprar tão cedo. E como muito recentemente joguei e terminei o remake Alex Kidd in Miracle World DX, achei por bem escrever algo sobre a versão Master System primeiro. A versão que tenho actualmente na colecção será então, naturalmente, a que veio incluída na memória de uma das minhas Master Systems. Já me passaram pelas mãos várias Master Systems com o Alex Kidd integrado, mas actualmente possuo-o numa MSII francesa com RGB, que foi comprada há uns 2, 3 anos atrás a muito bom preço e já com vários jogos a um particular. EDIT: recentemente encontrei um no UK a um preço interessante!

Jogo com caixa e manuais. O português acrescentei-o eu, porque sinceramente nunca vi este jogo à venda por cá, apenas junto com a Master System.

Ora este Alex Kidd foi a primeira resposta da Sega ao sucesso do Super Mario Bros. da Nintendo na medida em que também é um jogo de plataformas, mas possui bastantes peculiaridades na sua jogabilidade que também o diferenciam bastante da dupla de canalizadores da Nintendo. Para além disso, não contando com jogos de desporto, foi também o primeiro título que a Sega desenvolveu de raiz para a Master System, não possuindo quaisquer origens em versões arcade. E aqui controlamos o jovem Alex Kidd, um príncipe do reino de Radaxian que irá lutar contra as forças opressoras de Janken, libertar o reino e salvar os seus irmãos.

Ainda dizem que as imagens não têm sons! Não consigo olhar para este ecrã título sem a música começar logo a tocar na minha cabeça

A jogabilidade é inicialmente simples, com um botão para saltar e um outro para Alex usar os seus punhos e atacar inimigos, ou destruir alguns blocos. Tal como Super Mario Bros, alguns blocos especiais recompensam-nos com dinheiro ao serem destruídos, outros com pontos de interrogação podem esconder um power up, mas também poderão libertar um fantasma que nos persegue e, caso nos toque, lá perdemos uma vida. O platforming é exigente, pois Alex possui controlos algo escorregadios e qualquer contacto com um inimigo ou obstáculo como espinhos, fogo e afins faz-nos imediatamente perder uma vida. O alcance dos nossos ataques também não é assim tão grande quanto isso, pelo que teremos de jogar algo cuidadosamente. Ocasionalmente poderemos vir a controlar certos veículos como uma moto, um barco ou um pedicóptero capaz de disparar mísseis. Aí se sofrermos algum dano perdemos o veículo e não a vida, pelo que poderemos continuar o resto do nível a pé e poderemos inclusivamente até explorar áreas novas como o fundo dos oceanos.

O primeiro nível possui bastante scrolling vertical, um grande contraste com o Super Mario Bros

O dinheiro que vamos amealhando serve para ser gasto em lojas que poderemos visitar em certos níveis. Aí poderemos comprar não só alguns dos veículos que mencionei acima, mas também itens que nos dão invencibilidade ou levitação temporária, um escudo protector, vidas extra ou um anel mágico que nos permite disparar projécteis, entre outros. Esses itens ficam depois disponíveis para serem utilizados mais tarde recorrendo ao menu de pausa. Escusado será dizer que o seu uso de forma inteligente será muito precioso nos momentos mais exigentes de platforming sendo inclusivamente possível utilizar o poder de levitação para evitar o confronto contra o boss final! O que me leva ao que resta abordar na jogabilidade, os bosses que surgem em certos níveis. Alguns são bosses típicos que teremos de aprender os seus padrões de ataque e derrotá-los em combate, já outros levam-nos a jogos de pedra-papel-tesoura como é o caso de Janken e os seus generais, que por sua vez os defrontamos duas vezes. A primeira vez teremos apenas de os vencer num desafio de pedra-papel-tesoura, já a segunda vez que os defrontamos teremos também de os derrotar em combate normal, tal como o Janken no final. É uma mecânica de jogo muito particular, que veio mais tarde a ser utilizada também no Alex Kidd in the Enchanted Castle para a Mega Drive.

Os blocos com pontos de interrogação podem conter power ups bons como vidas extra ou anéis mágicos mas também um fantasma que nos persegue e nos faz perder uma vida caso nos toque. É sempre um risco abrir uma!

Graficamente este é um jogo colorido e bem detalhado, principalmente tendo em conta que é um título de 1986, lançado ainda muito cedo no ciclo de vida da consola. Os níveis vão sendo variados, levando-nos a montanhas, florestas, cavernas, subaquáticos e castelos algo labirínticos. Os inimigos possuem todos um aspecto muito cartoon e as músicas, apesar de serem poucas, são bastante agradáveis. Curiosamente, o lançamento japonês não possui qualquer banda sonora alternativa que suporte o FM Sound Unit.

Alguns dos bosses levam-nos a confrontos de pedra-papel-tesoura. Algures no jogo poderemos encontrar um item que nos indica que combinação o nosso oponente vai usar. Ou então podemos simplesmente decorar, pois usam sempre a mesma combinação.

Portanto este Alex Kidd in Miracle World é um clássico da Master System, sendo um jogo de plataformas mas com várias mecânicas de jogo muito características. No entanto, é um jogo bastante exigente pelo seu platforming mais escorregadio e por essa razão, acho mesmo que o Super Mario Bros. acaba por levar melhor e resistir ao teste do tempo devido aos seus controlos bem mais precisos.

Golvellius: Valley of Doom (Sega Master System)

Voltando aos jogos da Compile, vamos ficar agora com um jogo que foi claramente inspirado pelo The Legend of Zelda da NES. Desenvolvido originalmente em 1987 pela Compile para o computador MSX, foi convertido pela própria Sega no ano seguinte para a Master System, sendo essa a versão que cá irei abordar hoje. O meu exemplar foi comprado algures em Dezembro a um particular por cerca de 20€, faltando-lhe infelizmente o manual.

Jogo com caixa

A história leva-nos a encarnar no jovem guerreiro Kelesis que visita o reino de Aleid e descobre que a princesa lá do sítio tinha sido raptada por um poderoso monstro, Golvellius. Claro que teremos de a salvar, mas antes de defrontar Golvellius teremos mais 7 bosses distintos para derrotar. Após conhecermos uma velhinha que nos dá a primeira espada e umas botas, somos levados a um pequeno nível em 2D sidescrolling introdutório, e depois lá chegamos ao tal Valley of Doom. Este sim, um mundo já mais aberto e com scrolling entre ecrãs nas 4 direcções, tal como no The Legend of Zelda original. Mas as semelhanças com Zelda começam a dissipar-se a partir daí, pois este Golvellius tem um foco muito maior na acção e no grinding.

Quaisquer semelhanças com o primeiro velhote que encontramos no TLoZ são mera coincidência. Ou não.

Ao longo de cada ecrã de jogo vamos descobrir uma série de entradas subterrâneas. Algumas dessas entradas abrem-se meros momentos após entrarmos no ecrã, outras são secretas e para as descobrir teremos ou de derrotar um certo número de inimigos naquele ecrã, ou atacar algum objecto como rochas ou árvores. E por detrás dessas entradas para cavernas poderão estar muitos NPCs distintos desde fadas que nos vão dando algumas dicas úteis (ou não!), velhinhas que nos vendem coisas, uma criatura redonda que nos regenera toda a barra de vida a troco de uns trocos, ou anjos e demónios que nos regeneram um pouco de vida a troco de dinheiro, ou nos dão algum dinheiro se o pagarmos com a nossa própria barra de vida. NPCs que nos dão passwords também poderão ser encontrados nessas cavernas. O que as velhinhas nos vendem podem ser equipamento como espadas, escudos ou botas, poções mágicas que nos extendem a barra de vida (mesma funcionalidade de um energy tank do Metroid) ou bíblias que nos aumentam a capacidade máxima de dinheiro que podemos carregar. E a forma como o jogo está construído vai-nos obrigar a um grinding constante por dinheiro, pois os inimigos que vamos encontrando rapidamente nos assolam tanto em número como em agressividade e vamos mesmo ter de comprar o melhor equipamento possível e as poções que nos extendem a barra de vida. No entanto, como o equipamento é geralmente bem mais caro do que o que podemos pagar no momento, as tais bíblias que nos extendem a quantidade de dinheiro que podemos carregar tornam-se também numa prioridade. Por isso, como cada inimigo não nos dá experiência mas sim dinheiro, esse grinding acabará por ser uma necessidade constante.

Em cima vemos a nossa barra de vida, em baixo, à esquerda, o número de “energy tanks” que ainda temos disponíveis

Outras entradas subterrâneas podem-nos levar a cavernas que invariavelmente nos vão levar ao boss da área onde estamos actualmente. Estes tanto podem ser níveis em 2D sidescroller (embora seja impossível voltar para a esquerda) com um botão para saltar e o outro para atacar, ou então podem ser níveis com scrolling vertical automático, quase como um shmup se tratasse. A cena é que tanto num como no outro por vezes temos de optar por um de vários caminhos alternativos e que podem se tornar num caminho sem fim. Felizmente podemos recomeçar cada dungeon, pelo que será uma questão de memorização dos caminhos a adoptar. Derrotando cada boss, temos ainda de voltar a procurar por uma velhinha algures no overworld que nos venderá um cristal e que servirá para desbloquear o acesso à área seguinte. Algum do equipamento que poderemos comprar geralmente são requisitos obrigatórios para alcançar alguns bosses como as botas que nos permitem atravessar água, a espada que nos permite partir rochas ou, mais tarde, as botas mágicas que nos permitem avançar sobre qualquer tipo de terreno, abrindo o mapa na sua totalidade.

A caminho de cada boss teremos de atravessar uma dungeon que poderá terá vários mini bosses. Algumas destas dungeons são também em 2D sidescroller, o que é o caso acima.

No que diz respeito aos audiovisuais este é um jogo colorido e bem detalhado, pelo menos tendo em conta que é um clone de Zelda e para os padrões de 1987/1988. As áreas a explorar vão tendo alguma variedade entre si, como desertos, florestas, pântanos, montanhas ou mesmo cemitérios mais tenebrosos. Os inimigos são tipicamente sprites pequenas, excepto os mini-bosses que poderemos encontrar nas dungeons a caminho dos bosses, que são igualmente grandes. Não deixa de ser um pouco estranho não haverem quaisquer casas e todos os NPCs viverem debaixo da terra, no entanto. Em relação à narrativa, a localização para inglês possui diálogos em inglês arcaico e medieval, e mesmo assim lá vamos tendo alguns erros gramaticais ocasionalmente, o que era muito comum para a época. Ainda assim, achei engraçado alguns dos diálogos serem completamente non-sense ou a forma como algumas velhinhas nos tratam se não tivermos dinheiro suficiente para comprar o que nos tentam vender. A banda sonora foi no entanto uma agradável surpresa, pois é bastante competente e agradável mesmo tendo em conta as limitações da Master System nesse campo. Um detalhe interessante é que a música do overworld vai sendo a mesma independentemente da zona que exploramos, mas muda sempre que compramos algum equipamento chave como escudo ou espada novos. De resto, claro que os nossos amigos japoneses levaram a melhor, pois este é um jogo que suporta o FM Sound Unit, com músicas de muito melhor qualidade.

Alguns NPCs possuem diálogos hilariantes, principalmente se recusarmos as suas “ofertas”

Portanto este Golvellius é um título interessante, um jogo claramente inspirado por The Legend of Zelda embora mais focado na acção. A necessidade de grinding excessivo para obter dinheiro é um dos seus pontos fracos, mas para um jogo de 1987/1988, esta seria certamente uma das melhores opções para quem quisesse jogar um RPG ou algo parecido nesta consola. De resto, apesar de o final indicar uma eventual sequela, isso infelizmente nunca se chegou a materializar. A Compile ainda produziu alguns títulos dentr do universo Golvellius para o universo MSX2, a começar por um remake deste jogo, mas uma sequela verdadeira aparentemente nunca chegou a ser lançada.