Mais uma rapidinha para a Master System, se bem que desta vez este artigo será meramente indicativo. Isto porque o primeiro Wimbledon para a Master System faz parte da compilação Gamebox: Série Esportes, lançada originalmente pela a Tectoy no mercado Brasileiro mas que também chegou cá a Portugal através dos portuguese Purples. Já na altura tinha feito uma análise ao Wimbledon por aí, pelo que recomendo que espreitem esse artigo.
Jogo com caixa e manual
O meu exemplar standalone deste jogo foi comprado numa loja alemã, por alturas de descontos de Black Friday. Ficou-me por 4€ mais portes, que se diluiram bem com os restantes jogos que acabei por comprar lá.
Continuando pelas rapidinhas, vamos cá ficar com mais um jogo da Master System, cuja versão Game Gear já cá trouxe no passado. O infame Strider II, desenvolvido pela Tiertex e publicado pela U.S. Gold, uma sequela não oficial (se bem que devidamente licenciada pela Capcom), desenvolvida pela mesma equipa que converteu o Strider original para uma série de microcomputadores diferentes. Quando converteram esta sua sequela para as consolas da Sega, o jogo acabou por sofrer um redesign de forma a assemelhar-se mais ao original mas regra geral o jogo acabou por ter muita má fama. Já cá trouxe a versão Game Gear no passado, tempo agora para abordar brevemente a versão Master System que foi a única que joguei na minha infância. O meu exemplar veio de um bundle de jogos Master System que comprei a um particular no Facebook, que me ficou a pouco mais de 6.50€ por jogo.
Jogo com caixa
Neste jogo encarnamos então num outro ninja, que aparentemente tem de resgatar uma princesa de um outro imperador e tirano, mas noutro planeta que não a terra. Tal como o Strider original, o nosso ninja Hinjo é bastante atlético, podendo fazer saltos acrobáticos, escalar paredes, ou mesmo deslizar pelo chão de forma a desviar-se de projécteis que nos sejam atirados. Temos uma barra de vida e a possibilidade de atirar com shurikens infinitas (o que ê uma benção), algo que teremos de ter bem em conta, pois os inimigos surgem de todos os lados e os níveis também nos apresentam uns quantos obstáculos capazes de nos tirar dano. Na parte superior do ecrã vemos alguma informação, como a nossa barra de vida, ou uns pontos brancos do lado direito. Estes têm a ver com um escudo que podemos activar, que será tão mais resistente quanto os pontos brancos que tivermos. Felizmente que encontraremos alguns power ups que nos permitem restabelecer ambos os níveis.
O escudo é útil especialmente contra os bosses
Graficamente até que é um jogo bem detalhado para uma Master System, embora a sua performance seja sofrível, pois está repleto de abrandamentos. Na altura também não tinha reparado, mas apesar de o design dos níveis me parecer idêntico entre a Master System e Game Gear, na verdade há diferenças nas sprites, que na Game Gear foram modificadas de forma a se adaptarem melhor face ao pequeno ecrã. Aqui na Master System tudo é maior e os níveis parecem ter um pouco mais de detalhe. As músicas não são nada de especial confesso, mas como foi um jogo que joguei bastante quando era mais novo, ainda me lembrava de as ouvir, pelo menos as dos primeiros níveis, portanto se calhar nem são tão más assim.
A princesa que resgatamos no fim, ali com uns pixeis marotos
Quando era miúdo lembro-me deste ser um jogo bastante difícil e de não ter passado do segundo nível, hoje em dia já sei que é preciso jogar de forma cautelosa (mas não tão cautelosa assim pois temos um tempo limite em cada nível) e usar bem as habilidades de Strider, spammar shurikens, e os escudos nos confrontos contra os bosses. Não é um jogo tão bom quanto o Strider original, mas para uma Master System, e tirando a parte da performance, até nem me parece ser um mau jogo de todo, sinceramente.
Continuando pelas rapidinhas vamos voltar à Master System e abordar um dos seus poucos RPGs disponíveis na sua biblioteca. Originalmente desenvolvido pela ASCII e a desconhecida Kogado para uma série de computadores japoneses como Haja no Fuuin, tendo sido posteriormente convertido para a Famicom e Master System. Mas apenas a versão Master System chegou ao ocidente, fruto talvez do seu reduzido catálogo de jogos deste género. O meu exemplar foi comprado em Setembro, numa viagem de trabalho que fiz a Paris e onde deu tempo para visitar as lojas da Boulevard Voltaire, tendo-me custado 20€.
Jogo com caixa
A história leva-nos como não poderia deixar de ser a um mundo fantasioso, onde um ser demoníaco voltou a invadir a terra, inundando-a de monstros. Nós somos um dos heróis de uma profecia qualquer, pelo que teremos de encontrar os outros 3 companheiros da profecia, os Miracle Warriors, bem encontrar também mais umas três chaves interdimensionais que nos deixam entrar na dimensão do vilão (ou melhor dizendo, vilã) e defrontá-lo. Claro que convém também fazer uma série de sidequests e encontrar o melhor equipamento disponível para cada personagem, pelo que teremos muito trabalho pela frente.
Lá terá de ser…
Tal como muitos RPGs old school, o ecrã está dividido da seguinte forma: na parte inferior temos no lado esquerdo os pontos de vida e de experiência de cada personagem. Ao lado direito algumas informações como o dinheiro disponível, ervas regenerativas, dentes de inimigos derrotados (que pode ser usado para trocar por dinheiro ou itens especiais nas diversas aldeias) e os pontos de carácter. Estes últimos são os nossos pontos de karma, pois nas batalhas nem sempre aparecem bandidos ou monstros para combater, também podemos encontrar viajantes, vendedores e monges inocentes que, ao atacá-los irá influenciar negativamente a nossa reputação, algo que pode barrar a nossa entrada nalgumas aldeias.
As batalhas são sempre um contra um em cada turno, mesmo quando temos mais que um elemento no grupo
Na parte superior do ecrã, do lado direito, temos o mapa seja do overworld, cavernas ou cidades/aldeias. Do outro lado temos a vista principal que nos mostra as paisagem de onde estamos, ou no caso de transitar para uma batalha, mostra o nosso oponente. Bom, pelos screenshots eu sempre pensei que este fosse um RPG jogado na primeira pessoa, mas infelizmente não é bem assim, pois esse ecrã muda muito, muito pouco, apenas as cores tendo em conta o tipo de solo que estamos a pisar e pouco mais. As aldeias possuem quase sempre o mesmo ecrã, e as batalhas têm um ecrã típico para cada tipo de terreno.
Falando nas batalhas, aqui as mecânicas também são um pouco diferentes do habitual, pois apesar de serem por turnos, mesmo que tenhamos mais que um elemento na nossa party, apenas um pode atacar de cada vez, escolhido por nós no início de cada turno. As acções que podemos tomar, no entanto são as habituais como atacar, fugir, usar itens mágicos como as tais ervas regenerativas ou ataques mágicos. Podemos também invocar alguns feitiços (assim que os desbloquearmos) ou tentar falar com os oponentes. O equipamento que podemos encontrar é algo limitado, assim como a sua durabilidade, tendo de visitar ferreiros nas aldeias para os reparar. Ou se juntarmos fundos suficientes podemos contratar um desses ferreiros para nos acompanhar, reparando o nosso equipamento constantemente.
Infelizmente é um jogo que engana muito nos screenshots, pois acaba por deixar um pouco a desejar na apresentação
A nível audiovisual, bom confesso que como referi acima, estava à espera de algo mais na apresentação, principalmente na exploração do mundo e aldeias/castelos e afins. Ao menos temos um número considerável de diferentes monstros, com poucas palette swaps entre si. As músicas, apesar de poucas, são agradáveis e ainda bem, pois as vamos ouvir durante muito tempo. A versão japonesa possui suporte ao FM Sound, com uma banda sonora muito melhor.
Portanto este Miracle Warriors é um RPG ainda muito primitivo, que me decepcionou um pouco na sua apresentação e em algumas mecânicas. Tem no entanto alguns detalhes interessantes como o tal sistema de karma. Recomendado apenas para os entusiastas de RPGs da velha guarda, pois mesmo a nível de narrativa, este é um jogo de poucas palavras.
Para além da versão 16bit deste Bruce Lee Story que por acaso já cá trouxe, na sua encarnação para a Mega Drive, a Virgin produziu também versões 8bit do mesmo, que sairam para a Master System e Game Gear. Mas se por um lado a versão mais robusta é um jogo de luta com uma mecânicas de jogo algo estranhas e repletas de particularidades, esta versão 8bit possui mecânicas completamente diferentes, sendo uma mistura entre plataformas e beat ‘em up. Mas já lá vamos. O meu exemplar foi comprado algures no passado mês de Outubro, tendo vindo de um bundle considerável de jogos e consolas que comprei a meias com um amigo.
Jogo com caixa e manuais
O jogo leva-nos uma vez mais por uma viagem na vida de Bruce Lee, tal como o filme. Vamos atravessar vários dos cenários que vimos no jogo da Mega Drive, mas naturalmente com menos detalhe. Ña sua essência este é um jogo de plataformas onde o botão 1 serve para saltar e o 2 para atacar, e usando-os em conjunto com o D-pad podemos saltar mais alto ou descer de plataformas, bem como usar diferentes socos e pontapés. Pressionando os 2 botões faciais em simultâneo permite-nos fazer um flying kick. Mas para além do platforming, temos a parte da pancada, que como podem ver, podemos desferir diversos golpes diferentes aos inimigos que nos aparecem à frente. Mas para além disso temos outras particularidades típicas de beat ‘em ups, como a necessidade ocasional de derrotar todos os inimigos no ecrã para poder avançar.
Esta versão 8bit mistura o conceito de platforming e beat ‘em up, mas infelizmente não o faz muito bem
Ao longo do jogo teremos diversas plataformas para saltar, obstáculos para ultrapassar (como as serras giratórias no segundo nível) e inimigos para combater, incluindo um boss no final de cada nível. Ao longo do jogo vamos encontrando vários itens para coleccionar (na verdade temos de os atingir para ficar com eles, não basta tocar-lhes), muitos destes apenas servem para nos aumentar a pontuação, enquanto outros nos podem restaurar parcialmente ou totalmente a barra de vida, dar vidas extra, ou um outro que nos aumenta temporariamente o dano que podemos inflingir nos adversários. Para além disso, ocasionalmente podemos encontrar alguns objectos especiais que, uma vez atingidos, deslizam pela superfície, derrotando todos os oponentes que se atravessarem no seu caminho. É o que acontece nos barris de óleo do primeiro e terceiro nível, ou os blocos de gelo do segundo.
Graficamente é um jogo colorido e com algum detalhe nos níveis, mas acho que as personagens poderiam ser melhor trabalhadas
A nível audiovisual sinceramente acho que este jogo poderia ser melhor. As sprites são muito pequenas, com poucos detalhes e animações e, apesar do jogo até ser colorido quanto baste, sinceramente acho que o design dos níveis e a sua arte poderia ter sido melhor aproveitada. No que diz respeito ao audio, bom, aqui também temos um jogo que nos deixa algo a desejar, pois os efeitos de som não são nada de especial e as músicas… bom, temos uma música no ecrã título – que não é nada má – e outra se conseguirmos chegar ao fim. Ao longo do jogo propriamente dito não temos qualquer música, algo que não se entende e só dá a sensação de estarmos a jogar algo inacabado.
Portanto, estaa versão 8bit do Dragon: A Bruce Lee Story acaba uma vez mais por ser um jogo algo mediano. Por um lado acho que a Virgin fez bem em decidir fazer um jogo completamente diferente nas consolas 8bit, por outro, a sua implementação acaba por não ser a melhor, uma vez mais. É um jogo bem mais jogável que a versão 16bit, é certo, mas a sua apresentação deixa muito a desejar.
Renegade foi talvez o primeiro beat ‘em up em pseudo 3D, que nos permitia mover livremente pelo ecrã enquanto defrontamos várias ondas de bandidos. Acaba então por ser um importante percusor de Double Dragon (também desenvolvido originalmente pela Technos Japan), Final Fight e Streets of Rage. Esta versão Master System já foi lançada algo tardiamente na consola, 6 anos após o lançamento original, em 1993. Aparentemente a conversão ficou a cargo da Natsume, que por sua vez já tinha feito um bom trabalho com a versão Master System do Sagaia, pelo que fiquei entusiasmado com esta conversão. O meu exemplar foi comprado no mês passado de Outubro, onde comprei a meias com um amigo meu um lote considerável de jogos e consolas lá para os lados de Lisboa.
Jogo com caixa e manual
Em Renegade a história segue a mesma trama cliché de muitos outros videojogos: Um gang de bandidos raptou a nossa namorada e temos de a resgatar, distribuindo muita lenha pelo caminho. Na verdade, no lançamento original japonês a história (e todo o aspecto do jogo, desde as personagens e cenários que atravessamos) são algo diferentes, com o protagonista a ser um estudante da escola secundária e os gráficos possuem um design mais japonês e condizente dessa realidade. Este Renegade é então o primeiro jogo da série de Kunio-Kun, que nos trouxe vários beat ‘em ups como River City Ramson ou mesmo jogos desportivos como os Super Dodgeball, ou Nintendo World Cup. Muitos desses jogos ficaram-se apenas no Japão e os poucos que sairam no ocidente eram adulterados para um público mais ocidental.
Até me habituar minimamente aos controlos, vi muitas vezes este ecrã
A nível de jogabilidade sinceramente sempre achei que este jogo possui controlos demasiado estranhos. Quando estamos voltados para a esquerda, um botão dá socos em frente e o outro pontapés para trás. Se mudarmos de direcção e voltar para a direita, os botões mudam, com o primeiro agora a dar pontapés para trás e o outro socos em frente. Como se isto já não fosse confuso o suficiente, por muito que nos movimentemos pelo ecrã, Kunio faz “lock” ao inimigo mais próximo, mantendo-se voltado para ele independentemente da direcção em que nos desloquemos. Depois temos algumas combinações de botões para saltar, correr e afins. Bom, sinceramente isto para mim é desnecessariamente complicado. Se por um lado Renegade foi um pioneiro do género, tanto nas arcades como mesmo na Famicom/NES, em 1993 a Natsume poderia e deveria ter adoptado um esquema de controlo mais tradicional. Afinal já tinhamos no mercado jogos como Final Fight ou Streets of Rage II.
No final de cada nível temos sempre um novo boss para derrotar
A nível audiovisual, tal como referi acima o jogo é algo diferente consoante jogamos a versão ocidental ou japonesa, o que no caso da Master System não existe. A Technos achou boa ideia remodelar o jogo um pouco à imagem do filme The Warriors, visto que a temática também envolvia gangs e lutas de rua, e isso é bem notório principalmente logo no primeiro nível onde começamos numa estação de metro que parece muito ocidental. Os níveis seguintes vão sendo variados, no segundo nível até temos uma parte em que conduzimos uma moto e temos de atacar os oponentes, também em motas, até que estes caiam. O terceiro nível coloca-nos a combater um gang inteiramente feminino e o último nível, bom esse é mais chato pois vamos tendo salas onde defrontamos todos os inimigos anteriores, incluindo os bosses, e um labirinto de portas para explorar. Optar pela porta errada pode-nos deixar num loop ou mesmo mandar de volta para o nível anterior. De resto, os gráficos até que são bastante coloridos e bem detalhados, esta versão acaba por ser bem mais bonita que a conversão da NES. As músicas também são agradáveis, mas aí acabo por preferir o chiptune da NES.
Portanto este Renegade acaba por ser um port bastante interessante do original arcade, apesar de ser tardio. E precisamente por ser uma conversão tardia, os seus controlos confusos e desnecessariamente complicados é algo que não se entende. Uma coisa é a Technos ter sido pioneira dentro do género e introduzido um esquema de controlo que acharam na altura ser o melhor. Outra coisa é ser 1993 e ainda ter de jogar um beat ‘em up assim.