Klax (Sega Master System)

It’s the nineties and there’s time for Klax! Esta era a catchphrase que víamos em cada iteração deste jogo, que foi lançado originalmente pela Atari Games nas arcades em 1990. Começou por ser um follow up do Tetris, cujo licenciamento na altura estava envolto em grande polémica. Entretanto 30 anos se passaram e sinceramente Tetris continua a ser um jogo amplamente superior pela sua simplicidade. Ainda assim, nos anos 90 foram saindo imensas versões caseiras deste jogo, entre as quais esta para a Master System, que deu entrada na minha colecção após ter sido comprada a um amigo no passado mês de Janeiro.

Jogo com caixa e manual

Deixem-me lá ver se consigo explicar bem o conceito do Klax. Temos uma passadeira roalnte onde vários blocos coloridos vão rebolando desde o fundo do ecrã até ao final da mesma, com um abismo no fim onde as peças caem, a menos que as apanhemos com uma plataforma que se move horizontalmente no final da passadeira. Essa plataforma recebe então os blocos e, através de qualquer dos botões faciais do comando da SMS, podemos largar o mesmo na área de jogo no fundo do ecrã, que é basicamente uma grelha com capacidade de 5 por 5 blocos. A ideia é então formar linhas (os tais Klax!) com 3 ou mais blocos da mesma cor, sejam estas horizontais, verticais ou diagonais. A plataforma que apanha os blocos, pode aguentar também com até 5 blocos empilhados, sendo que os últimos a serem apanhados, ficam no topo da pilha e são também os primeiros a serem depositados na grelha de jogo. Esta é uma mecânica interessante se quisermos esperar por receber um bloco de determinada cor, antes de o depositar na grelha de jogo. O d-pad possui ainda outras funcionalidades, ao pressionar para baixo aceleramos o ritmo das peças a rolar, ao pressionar para cima atiramos as peças que temos na plataforma de volta para a passadeira. Isto não é assim tão recomendado a menos que saibam bem o que estão a fazer, pois as peças atiradas desta forma rebolam de volta muito mais rápido e se deixarmos cair demasiadas peças no abismo temos um game over.

Infelizmente a escolha das cores para os blocos deixa muito a desejar

Ao todo, Klax tem 100 níveis, onde cada nível possui diferentes desafios. Uns pedem-nos para formar um certo número de Klax para limpar o nível, outros obrigam-nos a alcançar um número mínimo de pontos, outros são o modo Survival, onde nos obrigam simplesmente a encaixar um certo número de peças, tendo de fazer alguns Klax para manter a área de jogo o mais limpa possível. Por fim temos desafios que nos obrigam a fazer um certo número de Klax horizontais e o mais difícil, fazer Klax diagonais. Alguns destes desafios são mesmo complicados, pois as peças facilmente começam a acumular e temos um game over quando deixamos cair um certo número de blocos no abismo ou enchemos a nossa área de jogo, como no Tetris. Felizmente o jogo ocasionalmente nos deixa avançar uma série de níveis, mas mesmo assim é muito desafiante chegar até ao nível 100. Eu não tive paciência para tanto.

A nível audiovisual, a área de jogo vai mudando os seus backgrounds ocasionalmente. Começamos por uma zona com um parque de estacionamento e lojas em plano de fundo, outra no espaço, outra com uma mão humana gigante a segurar a passadeira rolante. Nas opções temos a possibilidade de alterar a paleta de cores dos blocos, mas sinceramente todas elas são más. Não sei o que se passou aqui, a Master System consegue fazer jogos bem mais coloridos que isto, e num jogo onde é importante que as peças sejam facilmente distinguíveis entre si, é um grande fail. Os efeitos sonoros não são nada de especial e por defeito a música está desactivada. Se a activarmos nas opções também não ganhamos nada de especial com isso.

Ao longo do jogo os backgrounds vão mudando

Portanto este Klax até que é um jogo de puzzle interessante, mas é bastante desafiante. É possível fazer combos e tal, mas requer muito mais esforço e uma curva de aprendizagem (e domínio) bem maior que muitos outros puzzle games que surgiram após o Tetris, como Columns ou Puyo Puyo. Acho que a simplicidade acaba por ser bem mais importante num puzzle game deste género. De resto, existem imensas versões deste Klax, e a da Mega Drive do ponto de vista audiovisual é bastante superior, pelo que se quiserem mesmo experimentar o Klax, recomendo antes essa versão pois é também de fácil acesso.

Shadow of the Beast (Sega Master System)

Voltando às rapidinhas na Master System, vamos ficar agora com um jogo onde já cá trouxe duas das suas conversões, nomeadamente a versão ZX Spectrum e da Mega Drive, que já é mais próxima do original Amiga. Para a Master System, cuja conversão ficou a cargo da TecMagik, estes decidiram mudar algumas coisas nas mecânicas de jogo base. Algumas foram boas ideias, outras nem por isso. O meu exemplar foi comprado no início de Dezembro na Feira da Vandoma no Porto por 15€.

Jogo com caixa e manuais

Ora o que temos então de novo? A principal novidade está num sistema de inventário, que nos permite ir coleccionando os itens e usá-los mais tarde, como chaves para abrir portas, poções mágicas de efeitos diversos, ou mesmo outros itens especiais como uma tocha, uma arma e uma espécie de jetpack que necessitaremos de usar nalguns níveis em específico. A ideia até que é boa, mas poderia estar melhor implementada, pois o inventário é muito limitado e a gestão poderia ser melhor. Isto porque para apanhar um item basta tocar-lhe, e se por um lado algumas poções podem ter efeitos benéficos como regenerar parte da barra de energia ou dar invencibilidade temporária, muitas outras possuem efeitos adversos como trocar os controlos ou perder parte da barra de vida. Portanto não só podemos apanhar itens que não queremos, como depois não temos forma de os tirar do inventário a não ser usá-los. Também temos de ter cuidado para não gastar itens chave antes do tempo!

Graficamente é uma versão bem competente para a Master System, com sprites grandes, detalhadas e alguns efeitos de parallax scrolling

Os controlos também poderiam ser melhores. Tal como nas outras versões, este é um jogo difícil, pois os inimigos surgem rapidamente das margens do ecrã, com pouca margem para reagir e na maior parte do jogo a única arma que temos são os punhos, pelo que teremos de ter um timing muito perfeito para conseguir atacar os inimigos correctamente. Por vezes é mesmo impossível não sofrer dano. Ora este é um daqueles jogos em que o D-Pad para cima serve de botão de salto, o que sinceramente não é uma boa ideia num jogo tão exigente quanto este. Os botões faciais servem para atacar e lançar o menu com o inventário. Sinceramente eu colocaria o inventário no menu de pausa, libertando esse botão para os saltos. É que quando lançamos o inventário o jogo acaba por ficar pausado de qualquer das formas…

Nem todas as poções que encontramos têm efeitos positivos

Mas adiante, a nível gráfico é uma conversão também notável. As sprites são grandes e bem detalhadas, especialmente os bosses, que possuem um design muito interessante, se bem que practicamente não têm animações nenhumas. Os níveis “ao ar livre” possuem um interessante efeito de paralaxe, sendo que de resto acabam por ser algo aborrecidos, pois apenas temos de andar de um lado para o outro, defendendo-nos de ataques inimigos e esquivando de obstáculos. As músicas são bastante agradáveis, a TecMagik conseguiu fazer um excelente trabalho com o chip limitado da Master System e só nos faz pensar no quão bom seria se a Sega tivesse lançado a Master System com suporte ao som FM, tal como o fez no Japão.

De resto esta acaba então por ser uma interessante adaptação do clássico da Psygnosis. A Master System, como um modesto sistema 8bit, acaba por ser algo impressionante do ponto de vista técnico. A inclusão de um sistema de inventário é benvinda, mas a sua execução, assim como os controlos, poderiam ser muito melhores.

Running Battle (Sega Master System)

Continuando pelas rapidinhas, mas desta vez na Master System, o jogo que vos trago agora é algo curioso, pois nunca o vi à venda por cá em Portugal, mas até que é bastante comum noutros países como o Reino Unido. Ainda assim é um jogo fraquinho, já na altura da sua comercialização deve ter sido um jogo algo barato, pelo que não entendo como nunca o vi por cá. O meu exemplar foi comprado juntamente com mais 5 jogos a um particular no facebook algures no mês passado, tendo-me ficado a pouco mais de 6€ cada.

Jogo com caixa

Como não tenho o manual deste jogo, e aparentemente é pena pois dizem que até está bem feito, temos de esperar alguns segundos no ecrã  título para que apareça uma parede de texto, cheia de erros de inglês, a contar-nos o que se passa. Basicamente, algures numa grande metrópole, existe um poderoso gang que tomou conta de parte da cidade, governando-a com terror. Essa zona tornou-se tão violenta que nem a polícia lá vai, sendo apelidada de Dark Zone. O nosso protagonista é um jovem polícia que decide então ir lá fazer justiça com as suas próprias mãos, enfrentando todos os bandidos de forma a vingar-se da morte do seu colega que tinha lá ido primeiro meter o bedelho.

O grafitti da Sega é capaz de ser o detalhe gráfico mais interessante em todo o jogo

Começamos então nas ruas da Dark Zone, onde depressa vemos que este jogo possui algumas mecânicas de beat ‘em up, embora seja completamente 2D. Com um botão para saltar, outro para atacar, vamos poder desferir socos e pontapés mediante se usamos o d-pad ou o botão de salto em simultâneo. Ao longo do jogo poderemos encontrar diversos power ups, desde diferentes armas como revólveres ou espingardas que possuem munição limitada. Outros power ups consistem em medkits que nos regeneram a vida, vidas extra, ou outros que nos dão poderes temporários, como força extra, ou mais velocidade (e invencibilidade também), mas apenas por breves segundos. No final de cada nível teremos sempre um boss para confrontar, onde tipicamente já não temos armas de fogo para usar, pelo que os combates ficam mais intensos.

Os diálogos para além de serem maus e com erros, ainda temos de adivinhar quem diz o quê

Agora, a performance do jogo deixa muito a desejar. As animações dos inimigos são muito más e por vezes parece que estamos a ver um filme em stop motion, com as sprites a deslocarem-se pelo ecrã aos “bocadinhos” de cada vez. Os cenários também não são nada de especial, começando pelas ruas lá do sítio e o resto do jogo já é todo passado dentro de edifícios, que por sua vez não são lá muito bem detalhados. As músicas, para não variar, também não são nada de especial.

Portanto este Running Battle é um jogo medíocre na biblioteca da Master System. Os diálogos estão repletos de erros ortográficos, a performance do jogo é francamente má e mesmo no que diz respeito aos audiovisuais também não estamos a perder grande coisa.

 

Dynamite Duke (Sega Master System)

Voltando à Master System e às rapidinhas, o jogo que cá trago hoje é uma adaptação arcade, por parte da Sega de um jogo desenvolvido originalmente por uma outra empresa algo desconhecida, a Seibu Kaihatsu. Dynamite Duke acaba por ser uma sequela espiritual de Dead Angle, também convertido pela Sega para a Master System. Mas ao contrário desse jogo, este Dynamite Duke acabou também por ser convertido para a Mega Drive, cujo artigo recomendo a sua leitura. O meu exemplar foi comprado no passado mês de Novembro após ter sido comprado como um bundle de 6 jogos de Master System a um particular no facebook, tendo-me ficado cada jogo algo acima dos 6€.

Jogo com caixa e manual

Ou seja este é um shmup que se assemelha de certa forma aos lightgun shooters, mas sendo controlado inteiramente pelo d-pad, sendo que vemos sempre as costas do protagonista, e uma mira no ecrã, desta vez sem qualquer transparências. Ou seja, com o D-pad vamos não só movendo a mira pelo ecrã, bem como o protagonista em si, o que é muito importante para nos esquivarmos de projécteis e golpes inimigos. Ocasionalmente ao disparar sobre alguns objectos poderemos apanhar certos power ups, desde medkits que nos regeneram parcialmente a barra de vida, upgrades para a arma como rapid-fire, ou outras armas com munição limitada, ou power ups especiais que ficam registados na barra superior do ecrã como Ds grandes. Estes são super ataques capazes de causar dano em todos os inimigos presentes no ecrã, podendo ser despoletados ao manter o botão de soco pressionado tempo suficiente até o Duke começar a brilhar.

Entre o Duke ter o torso transparente ou ser completamente opaco prefiro o último

Agora, o segundo botão da Master System serve para Duke dar socos (na Mega Drive temos ainda um outro botão para dar pontapés), mas estes só surgem efeito contra inimigos que nos apareçam ao mesmo nível de Duke no ecrã. No original arcade e na conversão para a Mega Drive, ao longo dos níveis vão surgindo ocasionalmente inimigos próximos de Duke, onde podemos usar estes golpes melee. Aqui estes remetem-se apenas nos combates contra os bosses, que habitualmente vão alternando entre o background e o foreground.

No que diz respeito aos audiovisuais, bom as coisas aqui são bem mais simples que no original arcade e mesmo na conversão para a Mega Drive, a começar por esta versão possuir menos níveis. Ainda assim, os níveis acabam por ser coloridos e com um bom nível de detalhe, dentro dos possíveis. As músicas não são nada do outro mundo, mas também não são desagradáveis ou irritantes, até se ouvem bem.

Graficamente é uma versão mais simples, mas ainda assim a achei bem detalhada e colorida

Portanto este é um jogo de acção interessante e desafiante quanto baste, especialmente nos níveis mais avançados, que nos obrigam a estar constantemente a desviar do fogo inimigo mas também a posicionar a nossa mira para conseguirmos abater os soldados inimigos que atacam contra nós. Mas claro, havendo uma versão para a Mega Drive, que acaba por ser muito mais fiel ao original, esta versão Master System acaba por ser obsoleta à nascença, mas não deixa de ser um jogo de acção bem competente.

Gangster Town (Sega Master System)

Gangster Town é um light gun shooter, com suporte para a Sega Light Phaser, a light gun da Master System. Como muitos jogos desse género, principalmente nas consolas 8bit, acabaram por não envelhecer muito bem, principalmente com o dinamismo que se começou a incutir nesses jogos a partir da geração das 32bit, com Time Crisis, Virtua Cop ou House of the Dead. Ainda assim, apesar de ser um jogo simples, possui alguns detalhes interessantes que irei relatar mais à frente. O meu exemplar veio de um bundle de 6 jogos de Master System que comprei a um particular no facebook, tendo-me custado pouco mais de 6€ cada um.

Jogo com caixa

O jogo leva-nos algures aos anos 20, onde os gangster clássicos, de fato, chapéu e Tommy Guns nas mãos dominavam a cidade. Nós encarnamos no papel de um (ou dois se jogarmos com um amigo) agente federal emcumbido de derrotar o tal poderoso gang e os seus líderes, que surgem como bosses no final de cada nível.

Na perseguição inicial uma avioneta também se junta à festa para nos largar bombas

Inicialmente somos convidados a uma sessão de práctica, onde vamos tendo vários alvos a moverem-se pelo ecrã e lá teremos de os mandar abaixo. No final dessa sessão de práctica a nossa performance é avaliada no que diz respeito ao número de alvos atingidos, o rácio de tiros certeiros e o número de pontos. Depois lá somos largados na aventura em si, começando a perseguir um pequeno carro que se desloca a alta velocidade pela estrada, e cheio de bandidos lá dentro. Nem num número de circo faziam melhor! Findo esse nível, lá chegamos ás ruas da cidade, onde o jogo se assumirá como uma mais tradicional de galeria de tiros em scrolling, com inimigos a surgirem de todos os lados das ruas, saloon, night club, docas, etc. Entre cada nível a nossa performance é avaliada nos mesmos critérios já mencionados atrás, sendo que se superarmos os valores de referência em pelo menos 2 categorias, toda a nossa vida é regenerada e somos recompensados com um coração extra. Caso não o consigamos, então somos “curados” por um coração apenas. Ao longo do jogo poderemos encontrar, se tivermos sorte, alguns power ups que também nos regeneram a barra de vida. Ocasionalmente também jogamos alguns niveis de bónus onde temos várias paredes para destruir, em busca de uma chave que, no caso da encontrarmos somos recompensados com mais pontos.

Depois de matar os bandidos eles surgem como anjos em direcção ao Além. Mas podemos privá-los disso também

No que diz respeito aos gráficos, o jogo até tenta ter alguma variedade, precisamente com o primeiro nível a ser uma perseguição a alta velocidade e os restantes a alternarem entre ruas longas com scrolling, ou locais fechados. Existem alguns detalhes interessantes, como cada gangster que matamos se transformar num anjo e voar em direcção ao céu. Mas podemos negar-lhes essa viagem ao disparar sobre os anjos, não é obrigatório, mas dá-nos mais pontos. Por vezes também conseguimos fazer uns headshots, que resultam nos chapéus dos bandidos a voar. Ou por vezes vemos uma loiraça, a Lulu, a passear-se pelo ecrã e pode ser feita refém de um bandido, pelo que teremos de ter cuidado em não a atingir e eliminar o seu captor. Os níveis em si vão tendo partes do cenário que podem ser destruídos ou ficam com marcas, o que também é um detalhe interessante. Por exemplo, logo no primeiro nível podemos disparar sobre as rodas do carro, fazendo-as saltar fora e sermos recompensados com mais pontos. As músicas não são nada do outro mundo, mas também não as achei desagradáveis.

Ocasionalmente teremos alguns níveis de bónus onde poderemos arrecadar mais pontos

Portanto este Gangster Town até o achei um light gun shooter interessante. É difícil fazer algo dinâmico num sistema 8bit, muito limitado para jogos deste tipo, mas a Sega até que tentou, com os seus níveis algo diferenciados entre si e alguns detalhes interessantes como os que referi acima.