A rapidinha de hoje é sobre um jogo de golfe que resulta de uma interessante parceria entre a Accolade e a Konami, pois o jogo foi originalmente lançado pela Accolade para uma série de diferentes computadores, tendo recebido posteriormente conversões para algumas consolas, entre as quais esta versão da NES que foi publicada pela Konami. O meu exemplar foi comprado a um particular algures em Janeiro por 10€.
Jogo com caixa e manual
Este é então um jogo com o “patrocínio” do golfista Jack Nicklaus e é teoricamente baseado nos seus 18 buracos preferidos distribuídos pelos diferentes courts de golfe usados nos campeonatos até então. E teremos dois modos de jogo distintos, o stroke play e o skins. Tanto num modo de jogo como no outro vamos jogar ao longo dos tais 18 buracos, mas o objectivo do stroke play é terminar o conjunto dos 18 buracos com menos tacadas que os oponentes. Já no modo skins cada buraco tem uma recompensa monetária e vence-a quem conseguir completar cada buraco com menos tacadas. Caso um dos buracos termine empatado, o dinheiro desse buraco transita para o buraco seguinte, mas sinceramente não sei o que acontece caso isso aconteça no último buraco.
Antes de cada partida temos uma vista de cima do próximo buraco que iremos competir
A nível de jogabilidade é o que esperariam de um jogo de golf desta época. O d-pad é usado para, antes de cada tacada, definir a direcção da mesma (esquerda-direita) ou escolher qual o taco a usar (cima-baixo). No caso de termos seleccionado a opção de beginner, o CPU já escolhe automaticamente qual o melhor taco a usar, e a informação da distância máxima que cada taco pode alcançar é também apresentada no ecrã. Já no modo expert, essa é uma informação que já nos cabe a nós saber, ou pelo menos lá teremos de espreitar o manual. Mas uma vez decidida a direcção e o taco a usar é tempo de pressionar o botão A, que irá activar a habitual barra de energia onde devemos voltar a pressionar o botão A a dois tempos, o primeiro para definir a potência da tacada, o segundo para definir a sua precisão. De resto contem com os obstáculos do costume como árvores, corpos de água ou areia, bem como a direcção e força do vento que aparece também indicada no ecrã.
Graficamente é um jogo bastante simples, mas a interface dá-nos toda a informação que precisamos. O resto é práctica!
A nível audiovisual, sempre achei piada a este tipo de jogos em sistemas mais modestos como é o caso da NES ou da Master System, pois o CPU precisa de alguns segundos para calcular e renderizar o cenário à nossa volta. São gráficos bastante simples, porém funcionais. Já a nível de som, o jogo até que tem uma ou outra música bastante agradável (e suspeito que tal tenha sido responsabilidade da Konami) mas durante as partidas apenas ouvimos o ruído das tacadas e pouco mais.
Portanto este Jack Nicklaus é então um jogo de golfe tecnicamente muito simples, mas também possui uma jogabilidade bastante completa, pelo menos para um sistema de 8bit como a NES não se poderia pedir muito mais.
Não sei porque levei tanto tempo para escrever este artigo, visto que já tinha terminado este jogo por aí em 2003. Mas o que é certo é que ficou esquecido ao longo de todos estes anos desde que comecei o blogue já há 10 anos atrás! Foi depois do último The Games Tome, onde celebramos os 35 anos da série The Legend of Zelda que me lembrei que não tinha escrito nada deste jogo nem do Twilight Princess ainda. Mas no caso do Twilight Princess vou esperar mais uns tempos pois tenho o seu remaster para a WiiU que irei jogar em breve. Sinceramente já não me recordo quando, onde e quanto custou este meu exemplar do Wind Waker pois já o comprei há muitos anos atrás. Mas não foi neste exemplar onde terminei o jogo, mas sim num emprestado por um colega da escola secundária, que incluía também o disco extra com a Master Quest do Ocarina of Time. Tenho de arranjar esse versão um dia destes!
Jogo com manuais e papelada
Ora o meu interesse com a GameCube foi despertado desde que vi uma mini-revista da francesa Joystiq sobre a Nintendo SpaceWorld de 2000 (ou terá sido a de 2001?) onde a consola foi revelada ao público pela primeira vez. Algumas demos técnicas foram apresentadas que demonstravam o poderio gráfico da pequena consola da Nintendo e uma delas era precisamente um combate épico entre Link e Ganondorf que fez as delícias dos fãs. E eis que mais tarde é apresentado este Wind Waker com visuais completamente diferentes ao que tinha sido mostrado antes na SpaceWorld, com Link novamente uma criança e uns gráficos muito cartoonish com recurso a técnicas de cel shading. Isto deixou muitos fãs furiosos e eu confesso que inicialmente também fiquei um bocadinho desapontado. Mas a verdade é que depois de o ter jogado, rapidamente passou a ser o meu The Legend of Zelda favorito até ao momento!
Eventualmente temos alguns minijogos que podemos participar e bom… alguns NPCs são hilariantes!
Este é então uma sequela directa do Ocarina of Time, mais precisamente da timeline do Link adulto, onde Ganondorf é derrotado. Mas uma série de anos após esses eventos, Ganondorf volta e desta vez não há nenhum herói vestido de verde que lhe tenha feito frente. Com Hyrule prestes a ser destruída, os deuses lá do sítio decidem intervir e basicamente causam um dilúvio divino, inundando todo o planeta e a civilização que sobreviveu passou a viver nos topos das montanhas que são agora pequenas ilhas. Ainda assim o mito de um herói que outrora salvou o mundo perdura e sempre que um rapaz chega a uma certa idade há a tradição de se vestir de verde. E é o que acontece com este Link, que no dia do seu aniversário lá teve de se vestir de verde contra a sua vontade. E o que potencialmente seria um dia tranquilo rapidamente se transforma em pesadelo, pois coisas acontecem e a sua pequena irmã acaba por ser raptada por um pássaro gigante! Link irá então juntar-se a um grupo de piratas e tentar resgatar a sua irmã de uma sinistra fortaleza no oceano. Quando lá chegamos reparamos que algo de muito errado se está a passar e aparentemente Ganondorf está de volta!
O design de alguns inimigos ficou muito bem conseguido, assim como a parte furtiva da primeira dungeon
E este é então um Zelda muito distinto dos seus predecessores precisamente pelos seus oceanos! Aqui não há Eponas, mas depois da primeira dungeon conseguimos um pequeno barco falante que nos irá ajudar na aventura e navegar pelos oceanos, ao explorar as inúmeras ilhas que possuem pequenas vilas, dungeons e muitos segredos a descobrir. Como o subtítulo indica, em Wind Waker vamos também manipular o vento. Em vez de uma Ocarina como nos títulos da Nintendo 64, Link está agora munido de uma batuta de maestro e teremos uma vez mais de aprender diferentes melodias que nos darão habilidades distintas, como manipular a direcção para onde sopra o vento, e como temos um barco à vela, isso será fulcral para explorar os oceanos. De resto é um jogo com controlos algo semelhantes aos da Nintendo 64, com os botões X, Y e Z a poderem ter diferentes itens assignados, enquanto o botão B serve para atacar, o R para defender e o L para activar o lock on nalgum inimigo específico. O botão A possui um uso algo genérico e o segundo analógico controla a câmara.
Eventualmente adquirimos a habilidade de ligar a Game Boy Advance para algumas habilidades opcionais
Tal como nos outros Zeldas em 3D teremos várias dungeons para explorar onde teremos de usar aprimoradamente os diferentes itens e melodias que aprendemos para o Wind Waker, não só para ultrapassar alguns obstáculos, bem como auxiliar nos combates e nos inúmeros puzzles que teremos de enfrentar. Mas nem só de dungeons vive um Zelda e a quantidade de sidequests e conteúdo escondido neste jogo é estonteante! Ao navegar pelos oceanos (que terão sempre alguns perigos como inimigos para atacar ou pequenas fortalezas ou ilhas para explorar) iremos também encontrar inúmeros tesouros no fundo do oceano e este jogo tem mapas para tudo! Mapas para encontrar tesouros valiosos, mapas para encontrar submarinos para explorar, mapas para as ilhas que tenham fadas que nos conferem habilidades opcionais mas que dão um jeitaço enorme, entre outros! Uma funcionalidade que não cheguei a experimentar na altura em que joguei este Wind Waker foi precisamente a sua integração com a Gameboy Advance, pois ainda não tinha o cabo de ligação entre os dois sistemas. Basicamente algures ainda relativamente no início do jogo encontramos o Tingle que nos dá um item que desbloqueia essa funcionalidade e, uma vez conectada a Game Boy Advance podemos chamar o Tingle para nos auxiliar nalguns pontos do jogo, a troco de algumas rupees. Era uma maneira de haver algum multiplayer cooperativo pois o segundo jogador controlaria precisamente o Tingle e activava as habilidades que achássemos necessário.
Vamos encontrar mapas que indicam a posição de tesouros valiosos nalgum quadrante do mapa
Graficamente este é sinceramente um jogo belíssimo para a altura em que saiu e diria que envelheceu muito bem, mesmo nos dias de hoje. O jogo possui um design visual muito característico e as expressões faciais das personagens fazem-nos mesmo criar uma certa empatia com as mesmas em que nenhum outro Zelda até à data tinha conseguido! Mesmo o design dos inimigos achei muito criativo e o jogo possui também alguns efeitos de luzes dinâmicas algo impressionantes para a época. As músicas vão sendo bastante calmas, quando estamos a navegar pela imensidão dos oceanos e as águas estão calmas, mas rapidamente mudam para temas mais tensos quando as coisas começam a mudar de figura. Só tenho pena que a banda sonora não seja orquestrada, algo que só veio a acontecer em pleno no Skyward Sword. Vamos ter aqui algumas belas melodias (adoro aqueles temas mais calmos e acústicos), mas os temas mais épicos precisavam de um tratamento mais orquestral para terem ficado realmente bons.
Portanto devo reafirmar uma vez mais que este é o meu The Legend of Zelda preferido até à data. Tanto que depois de ter visto recentemente um pouco do seu gameplay para me reavivar algumas memórias, fiquei cheio de vontade de o jogar novamente e vou tentar comprar o seu remaster em HD para a WiiU que me parece estar visualmente ainda melhor!
Um dos platformers que tinha aqui por jogar na Nintendo DS era precisamente este Wario: Master of Disguise, um jogo muito diferente dos Wario Land que estava habituado! E conforme irei detalhar em seguida, é um jogo competente, mas não tão bom assim quanto isso, infelizmente. Tanto que foi lançado em 2007 e até a agora a Nintendo não voltou a experimentar a mesma fórmula! O meu exemplar foi comprado algures em Novembro de 2016, creio que numa CeX mas não me recordo quanto custou, foi certamente barato.
Jogo com caixa, manual e papelada
Ora o jogo leva-nos inicialmente a acompanhar o Wario, enquanto assistia a um programa de televisão. Nesse programa víamos as aventuras do Silver Zephyr, um ladrão galã que se preparava para assaltar um cruzeiro de luxo. Roído de inveja, Wario cria um aparelho que lhe permite entrar no programa televisivo onde vai ele tentar ser um ladrão de sucesso e roubar o protagonismo de Silver Zephyr. Ora quando Wario entra em cena a primeira coisa que rouba é a varinha mágica do Silver Zephyr, que é na verdade um ser vivo chamado Goodstyle e é capaz de dotar Wario de diferentes disfarces que lhe darão diferentes habilidades. E assim começa uma caça ao tesouro, com a rivalidade de Silver Zephyr e outros ladrões que iremos eventualmente conhecer!
Sempre que apanhamos um novo disfarce temos um tutorial que nos explica como executar as suas habilidades
Este é então um jogo de plataformas com um grande foco na exploração e na resolução de alguns puzzles, pois à medida que vamos avançando no jogo iremos desbloquear diferentes disfarces que por sua vez nos darão diferentes habilidades que teremos memso de usar para progredir no jogo, seja ao resolver alguns puzzles, ou ultrapassar obstáculos até então intransponíveis. O disfarce inicial é o do Purple Wind, a alcunha de ladrão do Wario. É um disfarce que não tem nenhuma habilidade especial, mas é onde Wario é mais ágil e pode dar os seus encontrões típicos para atacar inimigos. Outro disfarce é um de astronauta onde, para além de saltarmos de forma algo mais flutuante, estamos equipados de uma pistola laser, outro disfarce transforma-nos num pintor que pode desenhar blocos que servirão de plataforma ou mesmo para pressionar interruptores fora do nosso alcance, ou um dragão pesado mas capaz de cuspir fogo, entre vários outros disfarces!
Sempre que encontramos um tesouro temos de jogar um mini jogo que usa o touch screen da DS. Neste caso temos de pintar uma figura com as cores correctas e dentro do tempo limite
Agora, este é também um jogo com grande foco no touch screen da Nintendo DS e para algumas coisas confesso que ficou um pouco chato. Para alternar entre cada disfarce temos de desenhar um pequeno padrão à volta do Wario. Por exemplo, para activar o fato de astronauta temos de desenhar um capacete à volta do Wario, enquanto que para activar o disfarce de dragão temos de desenhar uma cauda e por aí fora. Sinceramente é giro no início, mas depois só queremos é que houvesse alguma tecla de atalho! Outra coisa um pouco chata é que cada vez que encontramos um baú de tesouro temos de passar num mini jogo para resgatar o seu conteúdo! Mini jogos como sliding puzzles, pintar figuras, unir pontos para formar outra figura, esmagar um certo número de baratas, etc. São mini jogos um pouco parvos como é normal no universo Wario, mas não são tão divertidos quanto os do WarioWare. E temos de os resolver sempre que abrimos um baú novo…
Este é um jogo com grande foco na exploração e teremos de usar todas as habilidades ao nosso dispor para ultrapassar obstáculos
A nível audiovisual, é um jogo competente pois apresenta níveis bastante diversificados entre si e com um grau de detalhe considerável. Os inimigos são por vezes bastante bizarros também, como golfinhos musculados, ou gorilas flatulentos! O típico humor de casa-de-banho marca uma vez mais então a sua presença, o que não é necessariamente algo mau! De resto, nada a apontar aos efeitos sonoros e às músicas que são agradáveis, cumprem o seu papel, mas também não são propriamente memoráveis.
Portanto este Wario não é um mau jogo, mas está longe do brilhantismo dos Wario Land ou do absurdo dos WarioWare. Se não tivesse tanto foco no touch screen se calhar seria mais agradável! Em suma, não é de estranhar que a Nintendo não tenha revisitado este conceito nos anos que se seguiram!
É indiscutível que Metroid foi um dos jogos mais importantes que a Nintendo criou, apesar de nunca ter tido a mesma atenção dada a outras franchises da companhia, como o universo Mario ou The Legend of Zelda. Ainda assim, durante a sexta geração de consolas, foi o período em que a saga recebeu mais carinho com os fantásticos Metroid Prime e Metroid Prime 2 da GameCube ou o Metroid Fusion para a Gameboy Advance que já seguiu uma fórmula mais tradicional. O outro jogo lançado nesse período foi precisamente este Metroid: Zero Mission que é nada mais nada menos que um remake do Metroid original da NES. E que belo remake! O meu exemplar foi comprado no OLX algures durante o mês de Janeiro, tendo-me custado 5€ e muito tenho a agradecer a quem me avisou, pois foi realmente um óptimo negócio!
Cartucho solto
Ora como referi acima, este é um remake do primeiro Metroid, onde Samus Aran tem como missão explorar o planeta Zebes e defrontar os Space Pirates, que procuravam usar os Metroids, organismos vivos com um metabolismo muito peculiar, como armas biológicas para quem lhes fizesse frente. Mas enquanto a premissa é a mesma, há muita coisa a mudar face ao original. Para começar, temos muitos mais power ups (que tinham sido introduzidos anteriormente no Super Metroid) como os super mísseis, speed booster ou power bombs. A acompanhar esses power ups teremos muitas mais áreas secretas e power ups escondidos. Ainda na jogabilidade, este jogo, face ao original, permite-nos também agachar e disparar na diagonal, o que dará muito jeito em certas situações, assim como um mapa que pode ser consultado a qualquer momento. Mas a maior novidade está mesmo numa inteiramente nova área de jogo que desbloqueamos após derrotar a Mother Brain. Enquanto que na versão NES o jogo terminaria ali, aqui a nave de Samus acaba por ser atacada por Space Pirates mal descolemos de Zebes, e acabamos por nos despenhar uma vez mais naquele planeta. Mas agora sem o seu Power Suit, e munidos apenas de uma pistola que paralisa temporariamente os inimigos. E lá teremos de nos infiltrar numa nave repleta de Space Pirates e explorar novas ruínas da civilização Chozo, onde eventualmente iremos recuperar todos os nossos poderes e não só. Isto foi uma autêntica surpresa quando joguei este Metroid Zero Mission pela primeira vez em emulação!
Os bosses possuem agora muito mais detalhe!
Graficamente o jogo recebeu também um belo update. Os cenários e inimigos estão agora bem mais detalhados, algo muito próximo do nível de detalhe visto no Super Metroid. Quando finalmente encontramos os Metroid, e vemos também os cadáveres de todos os Space Pirates que entretanto mataram, causou mesmo um impacto positivo! A banda sonora também possui agora mais qualidade, embora sinceramente nem sempre tenha gostado do resultado final. Algumas faixas ficaram com uma sonoridade algo “à capela” que nem sempre assenta lá muito bem. Por outro lado vamos tendo direito a várias cutscenes que vão expandindo a história de Samus.
A existência de um mapa é uma grande ajuda, até porque nos identifica salas com segredos!
E como se não bastasse, este Zero Mission é também um jogo repleto de extras. Ao terminá-lo em qualquer dificuldade desbloqueamos uma versão do Metroid original, bem como o modo Hard. Chegando ao fim do jogo a nossa performance é avaliada com base no tempo que levamos a completá-lo bem como a quantidade de itens coleccionados, o que nos levará a desbloquear diferentes imagens de Samus Aran no final, que podem posteriormente ser consultadas na galeria. Ao “linkar” este jogo com o Metroid Fusion, desbloqueamos também algumas imagens adicionais desse mesmo jogo, inclusivamente algumas que aparentemente tinham saído na versão Japonesa do Fusion mas não nas ocidentais.
Na nova área de jogo, começamos por estar bastante indefesos, pelo que uma abordagem mais furtiva é obrigatória!
Portanto devo dizer que fiquei muito agradado com este Metroid Zero Mission. O primeiro Metroid, apesar de ser um jogo revolucionário para a sua época, acho sinceramente que merecia um remake que lhe fizesse justiça, não só a nível audiovisual, mas também para melhorar alguns dos seus controlos mais antiquados. Agora se era mesmo necessário terem incluído tanto power up novo (opcional!) e novas salas secretas quando estes não existiam no jogo original? Sinceramente já é um tema que acho que vai ao gosto de cada um. Pessoalmente adorei o facto de ter mais conteúdo, especialmente as novas áreas exploradas após derrotar a Mother Brain e aquele segmento de jogo onde a abordagem mais furtiva era obrigatória!
Depois do sucesso do primeiro Breath of Fire, a Capcom não perdeu tempo em produzir uma sequela, que foi também lançada originalmente na Super Nintendo. No entanto, ao contrário do primeiro jogo, este acabou também por receber um lançamento em solo europeu, mas o seu preço proibitivo obrigou-me antes a explorar diferentes alternativas. E felizmente que, anos mais tarde, a Capcom resolveu converter este jogo também para a Gameboy Advance cujo meu exemplar foi comprado algures em Outubro/Novembro no ano passado no eBay e creio que me custou algo à volta das 25 libras.
Jogo com caixa e manual
Esta aventura é uma sequela directa do seu antecessor, embora tal só venha a ser confirmado mais tarde. E começamos a narrativa a acompanhar o jovem Ryu (que não é o mesmo protagonista do primeiro jogo apesar das suas semelhanças e nome) enquanto procura pela sua pequena irmã que tinha ido passear para junto do que aparenta ser o esqueleto de um dragão gigante. Entretanto coisas acontecem, Ryu dorme uma soneca e quando regressa à sua aldeia já ninguém se recorda dele nem da sua família, que entretanto também desapareceram sem deixar rasto. Abandonado, Ryu acaba por fazer um novo amigo chamado Bow, mais coisas acontecem e o jogo avança uns anos para a sua adolescência, onde Ryu e Bow trabalham como rangers numa cidade vizinha. A história vai-se desenrolando lentamente a partir daí, pois Bow eventualmente arranja sarilhos e cabe ao Ryu provar a sua inocência. Ao explorar as nações vizinhas vamos conhecendo caras novas, resolver uma série de problemas até que eventualmente a narrativa começa a afunilar mais para as actividades suspeitas de uma nova religião, que tenta impor a sua crença perante todas as outras. É aí que nos vamos começar a aperceber de quais serão os reais vilões neste segundo jogo.
Tal como no primeiro Breath of Fire as batalhas são por turnos e apresentadas numa perspectiva isométrica
Este Breath of Fire II herda muitas mecânicas de jogo do seu antecessor. Estamos uma vez mais perante um JRPG clássico com encontros aleatórios e batalhas por turnos, onde durante as batalhas a câmara transita para uma perspectiva isométrica e as sprites das personagens aparecem com maior detalhe. De resto, o tipo de acções que podemos desencadear em batalha são semelhantes, até na inclusão do botão Auto que irá certamente ajudar no grinding. Também tal como o seu predecessor, ao longo deste jogo iremos recrutar uma série de companheiros para a nossa causa, todos eles de raças diferentes e com habilidades que nos podem auxiliar na exploração. Jean, um sapo, pode-se transformar em sapo gigante e explorar zonas subaquáticas, bem como atravessar lagos e riachos. Sten, um macaco consegue esticar os seus braços tal como o Dhalsim do Street Fighter e permite-nos atravessar alguns penhascos. Spar, um homem-planta, permite-nos atravessar florestas densas e por aí fora. Mas o que é mais interessante é que todos eles possuem passados misteriosos que teremos de explorar e sinceramente acabei por os achar bem mais cativantes como personagens que a maioria do elenco do primeiro jogo.
O jogo possui também um ciclo de vida e noite
Uma das características mais originais do primeiro Breath of Fire estava no facto de uma das suas personagens, o ladrão Karn, poder-se fundir com outras personagens da nossa party, criando personagens muito mais fortes. Aqui não temos nenhuma personagem com essa habilidade nativa, mas eventualmente vamos ter a oportunidade de usar o sistema de Shamanization, que permite resultados idênticos. Aliás, uma das sidequests mais interessantes deste jogo é o facto de fundarmos a nossa própria cidade, evolui-la e convencer alguns NPCs a irem para lá viver, que irão eventualmente abrir lojas com itens poderosos para comprar. Outros dos NPCs que vão para lá viver são shamans com diferentes alinhamentos elementais e é com esses que poderemos tentar fundir as diferentes personagens, o que dá um grande número de combinações com resultados variáveis. Sem dúvida um conceito interessante!
Pescar? E porque não?
De resto a nível audiovisual não é um jogo muito diferente do seu predecessor, pelo menos no que diz respeito ao motor de jogo. Há no entanto uma maior variedade de cenários e o design dos inimigos está melhor conseguido, na minha opinião. Ainda assim a conversão para a GBA padece das mesmas limitações do anterior: a paleta de cores não me parece tão rica, o inventário ainda possui uma grande limitação no número de caracteres de cada item, tornando-os algo confusos e a qualidade das músicas também sofreu um pouco. Mas ao menos achei as músicas deste jogo um pouco mais agradáveis que no anterior! De resto temos novos retratos para cada personagem bem como algumas imagens anime que ocasionalmente surgem no ecrã em certas cutscenes chave.
Portanto devo dizer que até gostei deste Breath of Fire. Confesso que inicialmente não estava a gostar muito, mas a narrativa e os diferentes backgrounds de cada nova personagem foram ficando cada vez mais interessantes com o tempo! Ainda está longe dos grandes clássicos da era 16bit, mas acho que é um jogo que vai crescendo e a parte final ficou muito bem conseguida na minha opinião.