Metroid Prime 2 Echoes (Nintendo Gamecube)

Metroid Prime 2 Echoes

O Metroid Prime original é dos jogos mais emblemáticos da consola cúbica da Nintendo. Pelo menos para mim foi um dos grandes motivos de ter mergulhado de cabeça na plataforma da Nintendo da geração passada. O Metroid Prime, a meu ver, foi um jogo que teve uma transição practicamente perfeita de uma jogabilidade 2D sidescroller para uma experiência em 3D, ainda por cima numa perspectiva de primeira pessoa, mantendo a vertente de exploração, o sentimento claustrofóbico e apresentando cenários variados e muito bem desenvolvidos. Uma sequela era inevitável e o Metroid Prime 2 teria uns sapatos bem grandes para calçar, face às inovações do anterior. O produto final é igualmente um jogo com muita qualidade, porém com uma ou outra inovação que arrancou reacções diferentes por parte dos fãs. A minha cópia foi adquirida algures em 2000 e troca o passo no miau.pt. Não me recordo quanto me custou, mas suponho que não terá sido acima dos 20€.

Metroid Prime 2 Echoes - Nintendo Gamecube

Jogo completo com caixa, manual e demais papelada

A história decorre logo após os eventos do primeiro jogo, em que a substância misteriosa Phazon continua a ter um papel crucial. Samus Aran recebe uma missão no planeta Aether, onde uma unidade de Marines lá tinha aterrado anteriormente por estarem em perseguição de um grupo de Space Pirates que se deslocou para lá. Quando os encontra, os Marines já estavam mortos, contudo voltam à vida possuídos por uma substância misteriosa e atacam Samus. Depois lá se vem a saber que o planeta Aether, originalmente habitado pela raça pacífica Luminoth sofreu um terrível acidente uns bons anos antes, em que um meteoro carregado de Phazon colidiu com o planeta, contaminando o mesmo com a substância misteriosa e abrindo uma espécie de rift inter-dimensional, para uma dimensão sombria do mesmo planeta e habitada por uma raça agressiva chamada Ing. Ora os Ing trataram de invadir o mundo dos Luminoth, e isso conjugado com a presença dos Space Pirates, Phazon (e Dark Samus), Metroids e companhia, está a receita completa para mais uma aventura.

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Menu inicial simples, mas estiloso

A jogabilidade segue os padrões estabelecidos no primeiro jogo. Embora os jogadores que estejam habituados a outros FPS em consolas possam estranhar o facto de se disparar não com um dos triggers, mas sim com um botão frontal, a verdade é que o esquema de controlo acaba por ser bastante intuitivo e bem agradável de se jogar. Muita gente se queixa que o comando da Gamecube com a sua distribuição de botões pouco ortodoxa não seja adequada, já eu pertenço à facção que acha o mesmo comando excelente, bastante ergonómico e com os botões bem posicionados, dando maior destaque às acções principais. Ora o joystick analógico esquerdo serve para movimentar Samus pelos cenários, embora não seja possível olhar em todas as direcções em movimento, sendo necessário para isso clicar no botão R quando Samus se encontra parada. Esse seria o ponto negativo nos controlos, mas a Retro Studios compensou ao incluir um mecanismo de lock-on, à semelhança do jogo anterior. É verdade que existendo esse lock-on torna o jogo bem mais fácil, mas prefiro isso a controlos menos dinâmicos ou precisos. Ainda assim, muitos inimigos têm padrões de comportamento diferentes, exigindo alguma técnica para os derrotar, o lock-on não basta. O analógico direito (C-Button) serve para escolher em tempo-real qual das armas poderemos usar. Começamos inicialmente apenas com o beam standard, mas com o decorrer do jogo iremos desbloquear mais 3. Os beams são importantes quer para abrir certas portas, quer para derrotar inimigos com fraquezas diferentes. Os visores são outra parte fulcral dos Metroid Prime, sendo seleccionados através do D-Pad. O visor normal é o visor de combate, onde podemos fazer lock-on aos inimigos. Metroid Prime 2, apesar de Samus ir interagindo com uma ou outra personagem de vez em quando, a sua complexa história é contada através de logs, que podem ser lidos pelo scan visor, pesquisando dessa forma o cenário ou os inimigos, coleccionando assim muita informação que pode ser acedida posteriormente nos menus. Os restantes 2 visores permitem a visualização de inimigos ou objectos que de outra forma não poderiam ser detectados. Items também existem em abundância, incluindo o regresso dos mísseis, salto duplo, a capacidade de Samus se enrolar sobre si mesma numa bola, podendo largar bombas e executar saltos precisos – jump bombing. Ao longo do jogo vamos obtendo vários outros items que expandem as capacidades de Samus, quer novas armaduras, expansões de munição ou energia, novas morph balls com habilidades diferentes (por exemplo a Spider Ball que permite que Samus role sobre paredes/tectos/superfícies específicas). O Metroid Prime 2 marca também o regresso do Screw Attack, a capacidade de Samus se enrolar sobre si mesma após um duplo salto, criando um poderoso ataque dessa forma. Também através dessa habilidade é possível executar saltos precisos escalando paredes, algo que será mesmo necessário nas partes finais do jogo.

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Já disse que os gráficos são muito bons?

Dessa forma Metroid Prime 2 Echoes herda grande parte das mecânicas do jogo anterior, oferecendo um inventário vasto que implica diferentes jogabilidades. Tal como todos os outros Metroid, também neste existe uma forte componente de exploração e backtracking. Muitas vezes vemos em salas portas ou secções que são de momento inacessíveis, obrigando-nos a retornar lá mais tarde quando adquirimos alguma nova habilidade. Mas o que realmente diferenciou este jogo do anterior foi a inclusão das 2 dimensões, algo como foi feito em The Legend of Zelda A Link to the Past para a SNES, com a inclusão de um Dark World. O mundo de Metroid Prime 2 é vasto, e existem 2 versões do mesmo mundo que temos de explorar, embora com pequenas diferenças. O Dark World é um mundo inóspito, repleto de criaturas hostis e tóxico para Samus Aran. Em grande parte do jogo temos de ter cuidado em não estar exposto à “escuridão” durante muito tempo, ou a energia disponível começa a baixar. Existem várias bolsas de luz espalhadas por Dark Aether, onde é seguro permanecer. Muitos fãs não gostaram desta mecânica de jogo, já eu gostei bastante, pois é a parte do jogo em que apresenta combates e puzzles mais desafiantes. Para além da exploração, a resolução de puzzles também é algo comum nos Metroid Prime e aqui não é excepção. Infelizmente o Metroid Prime original apresentava melhores incentivos ao coleccionar todos os logs e items escondidos pelo jogo, onde se incluia uma versão do Metroid original da NES para ser jogado. Aqui desbloqueamos uma série de artworks, bandas sonoras e alguns níveis para o multiplayer.

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As zonas com uma bolha clara são seguras, protegendo o jogador do ambiente tóxico de Dark Aether

A inclusão de multiplayer é outra das grandes novidades neste jogo, mas infelizmente a Nintendo não aproveitou a inclusão online que já se fazia sentir em grande força na Xbox, ou mesmo com o pioneirismo da Dreamcast e primeiros passos que se fizeram sentir na PS2 pela altura. O multiplayer é então em split-screen até 4 jogadores, algo que não cheguei a experimentar, pois do meu grupo de amigos de então, mais ninguém tinha o cubo da Nintendo. Mas apresentando brevemente, este modo de jogo conta com apenas 2 vertentes, um deathmatch tradicional e um modo Bounty, onde o objectivo é coleccionar moedas que podem ser espalhadas ao atingir os oponentes. Existem uma série de power-ups espalhados pelos níveis que podem ser utilizados, conferindo aos jogadores as mesmas habilidades do jogo normal. Infelizmente não existem muitas opções de customização, bem como existem poucas arenas (4 mais 2 secretas, desbloqueadas no single player). É uma pena a Nintendo não ter aproveitado o online nesta sua consola, mesmo sendo um jogo simples neste aspecto, poderia ser uma mais valia para quem o tivesse comprado.

O aspecto audiovisual continua grandioso. É impressionante como em pouco tempo a Retro Studios conseguiu mais uma vez apresentar um mundo vasto, repleto de pequenos detalhes, com uma estrutura complexa, oferecendo ao jogador a sensação de estar a explorar um mundo desconhecido, repleto de localizações épicas e hostis. Os gráficos são muito bons, dos melhores que a Gamecube tem para oferecer. Mais uma vez os loadings são quase imperceptíveis, sendo mascarados pela animação de abertura de portas, ou viagens em elevadores. Os inimigos têm um design muito bom, sendo bastante detalhados. Os bosses existem e como sempre apresentam-se bastante imponentes. Grande parte da dificuldade deste jogo está mesmo em derrotar os bosses, que exigem reflexos rápidos e reconhecimento de padrões de comportamento, mesmo à moda antiga. A banda sonora continua excelente, assentando perfeitamente nas diferentes atmosferas que o jogo proporciona. O mesmo pode ser dito para os efeitos sonoros no geral, que continuam com muita qualidade.

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Um dos imponentes bosses

No fim de contas, para quem gosta dos jogos Metroid, repletos de exploração, backtracking e conteúdo escondido, gostou do jogo anterior onde as novas mecânicas 3D foram apresentadas, certamente irá gostar deste jogo. A inclusão do Light/Dark World pode ser vista como um ponto negativo por algumas pessoas, mas a excelente jogabilidade que, apesar de intuitiva é muitas vezes exigente para a resolução de alguns puzzles, aliados a um aspecto audiovisual de excelente qualidade, tornam no Metroid Prime 2 num dos melhores jogos que a Gamecube tem para oferecer, tal como a sua prequela. Na minha opinião o ponto menos bom é a inclusão do multiplayer que, apesar de benvinda, apresenta bastantes limitações. Se não tiverem Gamecube não tem problema, pois o jogo foi relançado para a Nintendo Wii, permitindo os controlos de movimento que o Wiimote trouxe. Esta saga Prime é concluída precisamente na Nintendo Wii, sendo até aos dias de hoje um dos grandes incentivos que tenho para comprar a consola da Nintendo. Um dia.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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