Panzer Dragoon: Remake (Nintendo Switch)

Neste fim de semana tive por cá uma Nintendo Switch emprestada de um colega de trabalho que a quer vender. Muito provavelmente irei acabar por ficar com ela, ainda assim quis testá-la. Olhando para os jogos de Switch que já tinha comprado, quis escolher um jogo curto para fazer esse test drive e este remake do Panzer Dragoon foi o candidato ideal. Lançado originalmente em 1995 como um título de lançamento da consola de 32bit da Sega no Ocidente, este Panzer Dragoon era sem dúvida um jogo com um conceito e visuais bastante originais e que deu origem a algumas sequelas nos anos seguintes, também para a Saturn, incluindo o fantástico RPG Panzer Dragoon Saga. Apesar de um novo lançamento para a Xbox anos mais tarde (Panzer Dragoon Orta) e um remake do primeiro jogo na PS2 (série Sega Ages 2500 exclusiva do Japão) a série acabou por depois cair no esquecimento. Eis que em 2019, do nada, se anuncia que um novo remake do primeiro Panzer Dragoon estava a ser trabalhado para a Nintendo Switch, produzido e publicado por empresas polacas que adquiriram a licença da Sega para produzirem um remake. O jogo acabou posteriormente por sair em múltiplas plataformas, algumas ainda com lançamento físico, como é o caso do meu exemplar, comprado algures no ano passado no site da Forever Limited por cerca de 40€.

Jogo com caixa, stickers, papelada e um cartão com uma arte bonita (e um número de série no verso)

Tal como o original, este é então um shooter tri-dimensional onde apesar de seguirmos um caminho pré-determinado, temos de enfrentar uma série de inimigos que nos vão atacando por todos os lados. Montados nas costas de um dragão, somos levados a um estranho mundo, onde após um grande cataclismo que quase dizimou toda a população do planeta, as rélicas de uma grande civilização do passado começam aos poucos a serem descobertas por um império que se tornava cada vez mais impiedoso e poderoso. Nós encarnamos então no papel de um jovem que estava simplesmente a fazer uma caçada, quando se vê envolvido num confronto entre dois dragões e seus “cavaleiros”. Um deles é ferido mortalmente e pede-nos que continuemos a sua missão, pelo que herdamos então o belíssimo dragão azul e branco e lá teremos de lutar contra toda uma série de forças imperiais e outras estranhas criaturas ao longo de sete distintos níveis.

É sempre um prazer voltar ao estranho mundo de Panzer Dragoon!

O esquema de controlo por defeito mimica os controlos originais da Saturn. O analógico esquerdo ou direccionais servem tanto para controlar o movimento do dragão como da sua mira, com os botões de cabeceira a servirem para virar a câmara de 90 em 90º e os botões A e B a servirem para disparar. Um deles serve apenas para que a nossa personagem dispare a sua arma de fogo, o outro pode ser mantido pressionado e, ao apontar a mira para uns quantos inimigos é possível fazer lock-on a vários alvos. Ao largar posteriormente o botão, faz com que o dragão dispare uma série de raios laser teleguiados. Os níveis seguem caminhos pré-determinados onde apenas temos uma breve janela onde nos podemos mover pelo ecrã e assim desviar de eventual fogo inimigo, mas dominar o movimento do dragão e alternar os ângulos da câmara são fulcrais para o sucesso. Alternadamente poderemos também optar por um esquema de controlo moderno, introduzido neste remake e que torna realmente as coisas mais fáceis. Aqui o analógico esquerdo serve na mesma para controlar o dragão (ainda dentro dos limites impostos pelo caminho), enquanto o direito controla a mira. Os gatilhos disparam e os botões de cabeceira servem na mesma para alternar a câmara da mesma forma. Confesso que esta parte ainda me atrapalhou um pouco, mas o maior controlo sobre o movimento do dragão é de facto uma vantagem, especialmente nos níveis mais avançados, onde os inimigos são mais numerosos, agressivos e os bosses também mais complicados.

O jogo mantém por defeito o mesmo esquema de controlo do lançamento original, embora exista a opção de usar controlos mais modernos

Para além do esquema moderno de controlo este remake traz também algumas manobras adicionais ao dragão. Pressionar duplamente numa direcção faz com que o dragão se desvie rapidamente nessa direcção. Se estivermos prestes a perder uma vida com a nossa barra de vida no vermelho, a mesma combinação de botões faz antes um “barrel roll” e, se mantivermos o botão de disparo pressionado antes dessa manobra, conseguimos fazer lock on a todos os inimigos no ecrã! De resto, uma vez terminado o jogo e independentemente do modo de dificuldade escolhido é-nos revelado um código de batota que permite desbloquear o menu “Pandora’s Box”. Aqui temos, para além de um selector de níveis e outras batotas como invencibilidade, uma galeria de arte com vários desenhos conceptuais daquele mundo, as suas criaturas e estranha tecnologia. Pena que não sejam scans de grande qualidade.

Apesar de ser uma versão bem mais bonita que o lançamento original, ainda acho que em certos aspectos poderia ser um pouco mais polido

Já de um ponto de vista técnico e artístico, é inegável a originalidade do mundo que nos foi apresentado no Panzer Dragoon original. Um mundo desolado, porém repleto de criaturas e tecnologia tão bizarras, a começar pela própria forma dos seus dragões que está muito longe da convencional. Isso associado a uma cutscene de abertura de cerca de 7 minutos com poucos diálogos, mas num dialecto inventado propositadamente para este jogo sempre tornaram esta série como única no que diz respeito ao seu design e direcção artística. A Saturn não é a melhor consola do mundo para jogos em 3D e já na altura a Team Andromeda fez o melhor que conseguiu para representar a sua visão artística daquele mundo tão estranho. Este remake possui gráficos muito melhores naturalmente, mas ainda assim acho que o jogo merecia uma equipa mais experiente para trabalhar neste remake. Não tirando nenhum valor ao esforço da MegaPixel Studio, que se vê perfeitamente que foi um trabalho de amor à série, mas acho que visualmente o jogo poderia estar ainda mais polido. Mas isto também pode ser o factor Switch a falar e o jogo ficar muito melhor no PC ou nas outras consolas, confesso que ainda não conheço bem o que a consola híbrida da Nintendo é ou não capaz de fazer. A banda sonora do original (composta pelo falecido Yoshitaka Azuma) era fantástica, com vários temas orquestrais arrepiantes e outros com uns toques de música electrónica e essa está também aqui presente. Para além disso, temos também a possibilidade de ouvir uma reinterpretação da mesma banda sonora agora a cargo de outra compositora, Saori Kobayashi, que também produziu as bandas sonoras de títulos como o Panzer Dragoon Saga e Orta.

Portanto este é um lançamento que, apesar de achar que os visuais (e de certa forma os controlos) poderiam ser um pouco mais polidos e trabalhados, não deixei de gostar bastante da experiência. Não me queixo do facto de ser um jogo curto, pois o original de Saturn também já o era, mas acho que também poderiam ter incluído ainda mais algum conteúdo adicional. Apesar de achar 40€ um preço um pouco caro para o que o jogo tem (para mim 20/30€ seria o sweet spot) não quis deixar de o comprar, quanto mais não seja para dar os sinais certos à Forever Limited. Isto porque eles também tinham anunciado que estariam a trabalhar no remake do Panzer Dragoon II, mas passado algum tempo nunca mais se ouviu falar no projecto. Espero que ainda aconteça!

Chrono Trigger (Nintendo DS)

Foi no final de 1998 que descobri o mundo da emulação e desde essa altura o meu mundo mudou: nunca tive muitos videojogos e consolas desde a minha infância, pelo que a emulação serviu para eu finalmente conseguir jogar à vontade muitos dos títulos para sistemas como a Mega Drive ou Super Nintendo sem ter de os ir jogar a casa de amigos. Poucos anos depois, com a massificação de internet de banda larga, rapidamente comecei a ter acesso a CDs (e mais tarde DVDs) com centenas de ROMs para os mais variadíssimos sistemas. Na altura não gostava de RPGs pelo que quando via um jogo desse género, avançava para a ROM seguinte. Com a febre do Pokémon também na mesma época decidi experimentar o Pokémon Yellow por emulação (saudoso No$GB) e adorei! Quando me apercebi que os RPGs por turnos tinham mecânicas de jogo similares, lá me decidi a experimentar algum RPG mais a sério. Uma pesquisa rápida na internet por melhores RPGs da era 16-bit, 3 nomes vinham constantemente à baila: Chrono Trigger, Final Fantasy VI e Phantasy Star IV. Comecei o CT e PS4 em simultâneo e fiquei agarrado a ambos, mas rapidamente decidi encostar o PS4 para começar a série pelo início, pelo que o Chrono Trigger teve a honra de ser o primeiro jRPG (que não um Pokémon) que alguma vez joguei! O lançamento original da SNES nunca chegou a sair na Europa, sendo também um jogo muito procurado por coleccionadores. Anos mais tarde a Square relança o jogo na PS1, onde uma vez mais os europeus ficaram de fora até que, em 2008/2009 sai também uma versão para a Nintendo DS que já saiu, finalmente, em território europeu. O meu exemplar foi comprado a um particular que se desfez de toda a sua colecção da Nintendo DS, algures em 2017. Ficou-me a um preço bem agradável na altura, creio que algo em torno dos 20€.

Jogo com caixa, manual e papelada

E o que torna este jogo tão especial? Tal começa logo pelas suas origens! Posso estar enganado, mas creio ter sido esta a primeira colaboração entre a Squaresoft e a Enix, pois todo o jogo foi idealizado por 3 nomes importantíssimos na indústria: Hironobu Sakaguchi, um dos criadores de Final Fantasy, Yuji Horii, o mentor por detrás de Dragon Quest e Akira Toriyama, criador de Dragon Ball e que por sua vez sempre foi também o artista por detrás da arte dos Dragon Quest. E o resultado final foi de facto brilhante: Chrono Trigger é um excelente jRPG com uma narrativa muito bem conseguida, personagens carismáticas e um sistema de combate bem apelativo, conforme irei detalhar de seguida.

Logo no início somos questionados se queremos usar o touch screen para os inputs e auto-map, ou uma experiência mais old school. O active time battle pode também ser desactivado.

A história leva-nos a encarnar na personagem de Crono, um jovem habitante da vila de Truce, reino de Guardia. É o ano 1000 e o reino organizou a Millennial Fair, uma festa pomposa, para celebral tal ocasião. Somos acordados pela nossa mãe que nos informa que Lucca, nossa amiga de infância, está prestes a desvendar a sua mais recente invenção na feira (qualquer paralelismo com a Bulma é mera coincidência ou não) e somos convidados a assistir. Assim que lá chegamos acabamos por nos cruzar com Marle, uma jovem rapariga que também por lá se procurava divertir e acaba por nos acompanhar no resto das festividades. Poderemos inclusivamente participar nalguns mini jogos nessa altura, mas eventualmente lá vamos assistir à invenção de Lucca: uma máquina capaz de teletransportar qualquer pessoa do ponto A ao ponto B. Claro que seremos a cobaia para experimentar tal geringonça mas tudo corre bem. Marle entusiasma-se e quer também experimentar, mas no seu caso já não teve tanta sorte. Por algum motivo quando Marle usa a máquina abre-se um portal que a leva para destino desconhecido. Não tendo outra alternativa, vamos atrás dela e vemos que somos no entanto transportados no tempo, mais precisamente para 400 anos no passado, por altura em que o reino de Guardia travava uma feroz guerra contra um exército de monstros liderados por um poderoso feiticeiro. Sem querer revelar muito mais, digamos só que por motivos de força maior iremos ter também de viajar para outros períodos temporais, onde conheceremos mais personagens carismáticas que se juntam a nós e a trama vai-se desenrolando de tal forma que teremos mesmo de salvar o mundo de uma poderosíssima ameaça que vai surgindo.

A história está muito bem contada e faz-nos sempre querer jogar um pouco mais! A nostalgia que esta cena me deu!

Mas não é só a narrativa que é cativante neste jogo: o seu sistema de batalhas também o é. Estas não são aleatórias, os inimigos estão presentes no ecrã e apenas alguns dos confrontos serão forçados, a maioria poderão ser evitados se assim o quisermos. Já dentro das batalhas em si, o jogo utiliza por base o active time battle introduzido pela primeira vez no Final Fantasy IV. Ou seja, apesar de serem batalhas por turnos, estes são bem mais dinâmicos pois a ordem pela qual os intervenientes atacam está directamente relacionada com os seus stats. E para além disso, mesmo quando é o nosso turno e temos de escolher que acções tomar, o “contador” não pára e os inimigos podem-nos atacar! As acções que podemos tomar são as habituais, podemos atacar directamente, usar técnicas especiais onde se incluem magias, usar itens ou tentar fugir do conflito. No final de cada batalha somos recompensados com dinheiro e experiência, mas também tech points, que servem para as personagens que estão na party aprender novas habilidades. A parte interessante destas habilidades é que nem todas são habilidades de uso individual por cada personagem, mas também poderemos aprender combos que requeiram duas ou três personagens em simultâneo! O facto de os inimigos se movimentarem pelo ecrã durante as batalhas também é importante pois muitas destas habilidades podem atingir mais que um inimigo em simultâneo, particularmente as que têm uma área circular de impacto, ou aquelas onde atacamos numa linha.

Os ataques especiais que precisam de mais que uma personagem foi outra das novidades a meu ver bastante originais!

Visualmente é um jogo muito interessante tendo em conta que temos de nos lembrar que o seu lançamento original era de Super Nintendo. E para um jogo de Super Nintendo temos na mesma algumas sprites bem detalhadas e animadas, para não falar da grande diversidade de cenários que iremos explorar, também todos eles muito bem detalhados. Muitos dos golpes especiais que vamos aprendendo têm também bonitos efeitos gráficos que eram impressionantes na época da SNES e não ficaram nada mal no pequeno ecrã da Nintendo DS. Por outro lado, as músicas são também excelentes e teremos também direito a várias cutscenes anime em certos pontos fulcrais da história que haviam sido introduzidas no relançamento da Playstation e felizmente foram mantidas nesta versão da DS.

Tal como na versão PS1, esta versão DS traz também as cutscenes anime do senhor Akira Toriyama

Portanto este é um excelente RPG com personagens carismáticas, uma narrativa fantástica que nos vai querer deixar sempre a jogar um pouco mais para ver o que irá acontecer em seguida e um sistema de combate empolgante e original. Já a versão original de SNES se apresentava como um jogo com uma boa longevidade, quanto mais não fosse pela introdução do New Game Plus e dos diferentes finais distintos que poderíamos alcançar. Esta versão DS inclui ainda mais conteúdo adicional: novas dungeons e sidequests para explorar, um novo final para descobrir e até uma vertente multiplayer com o modo Arena of the Ages. Não cheguei a explorar este modo de jogo, mas aparentemente teríamos a possibilidade de treinar monstros e colocá-los à pancada uns com os outros – quaisquer semelhanças com Pokémon não são mera coincidência.

Rygar (Nintendo Entertainment System)

O Rygar começou como um jogo de acção producizo pela Tecmo e lançado originalmente nas arcades em 1986. Múltiplas conversões para sistemas distintos se seguiram, incluindo um lançamento exclusivo japonês para a Master System que um dia até gostaria de arranjar. Mas é de longe a versão NES a mais bem reconhecida e nessa plataforma a Tecmo decidiu lançar um jogo diferente, melhor adaptado para a realidade dos videojogos caseiros em consolas. O meu exemplar foi comprado a um amigo meu algures no passado mês de Fevereiro tendo-me custado uns 7€.

Cartucho solto

O jogo coloca-nos no papel de Rygar, um guerreiro armado com uma arma não muito convencional (um disco com lâminas que mais parece um yo-yo quando o usamos) e que vê o seu mundo de Argool invadido por uma série de criaturas estranhas. Naturalmente que teremos de salvar a situação. E enquanto o original arcade era um jogo de acção linear e dividido por vários níveis, esta adaptação para a NES é algo inteiramente diferente: aqui não há níveis, todo o mundo pode ser explorado livremente e, apesar de a nossa arma ser sempre a mesma ao longo de todo o jogo, poderemos coleccionar alguns itens que nos darão acesso a áreas diferentes. É mais um protometroidvania da década de 80, até porque o jogo possui também alguns elementos ligeiros de RPG.

Apesar das suas semelhanças iniciais com a versão arcade, rapidamente nos apercebemos que estamos perante uma aventura diferente

Os controlos são simples, com um botão para saltar e outro para atacar com o yo-yo. No entanto se decidirmos pausar o jogo vemos muita mais informação. O quadro da esquerda apresenta-nos alguns stats da nossa personagem que, apesar dos seus nomes estranhos, correspondem ao nosso ataque (tone) e defesa (last). A secção mind vai-se enchendo (até um limite de 7) à medida que vamos apanhando alguns itens próprios. A ideia é podermos gastar esses mind points ao usar diferentes magias, nas categorias ilustradas no quadro à direita (power up, attack & assail, recover) que correspondem a tornar-nos mais fortes por tempo limitado, lançar um ataque mágico ou recuperar toda a nossa barra de vida). Em baixo temos espaço para alguns diferentes itens e equipamento que poderemos descobrir à medida que vamos jogando.

Pena que os NPCs sejam todos iguais. Não sei é o que estes representam, sendo assim tão grandes.

Ocasionalmente até poderemos falar com alguns NPCs, que ou nos recompensam com algum item, ou nos dão alguma dica para progredir na aventura. Pena no entanto que sejam todos iguais! De resto poderemos também encontrar itens que nos aumentam a barra de vida e o objectivo é mesmo a exploração daquele mundo. Os itens que iremos encontrar vão-nos permitir alcançar zonas previamente inatingíveis, como a habilidade de usar a corrente da nossa arma como corda e subir/descer abismos, ou mesmo usá-la como slide entre plataformas. Pena que no entanto não exista nenhuma maneira de gravar o nosso progresso, nem mesmo com passwords.

Como não poderia deixar de ser teremos também alguns bosses para enfrentar

A nível audiovisual é ainda um jogo simples, até porque é um lançamento de 1987 e nessa altura ainda não se tinha explorado bem todas as potencialidades da máquina de 8bit da Nintendo. Ainda assim, o jogo até que tem alguma variedade nos seus cenários, quanto mais não seja por termos zonas em sidescroller 2D e outras com uma perspectiva vista de cima (à lá Zelda). Mas lá está, não contem ainda com visuais muito bem detalhados como um todo. Por exemplo, do mesmo ano acho de longe o Castlevania como um título mais apelativo! Por outro lado, as músicas até que são bem agradáveis e cativantes, particularmente as das primeiras zonas.

Portanto este Rygar é um jogo muito interessante. Certas empresas começaram a aperceber-se cedo que o mercado doméstico é diferente do arcade e em casa, não havendo a necessidade de se colocar sempre mais uma moedinha na consola, o público também começava a apreciar jogos mais extensos e com uma maior componente de aventura. Foi precisamente isso que a Tecmo fez ao adaptar este Rygar para a Famicom/NES e o resultado, ainda longe de estar perfeito, não deixa de ser de ser bastante interessante!

Professor Layton and the Miracle Mask (Nintendo 3DS)

A série Professor Layton foi das que mais gostei de jogar na Nintendo DS. Apesar de ser direccionada para um público casual pois a sua jogabilidade está inteiramente assente na resolução dos mais variadíssimos puzzles que possam imaginar, a sua direcção artística e valores de produção no geral sempre foram fantásticos, especialmente considerando o hardware mais limitado onde corriam. Este Professor Layton and the Miracle Mask é o quinto jogo da saga, segundo da segunda trilogia e o primeiro a sair para a Nintendo 3DS, algures em 2012. O meu exemplar sinceramente já não me recordo nem quando, nem onde o comprei, mas lembro-me que não foi caro.

Jogo com caixa, papelada e um extenso manual. Algo raro na 3DS, muito menos um manual europeu a cores

A segunda trilogia de Layton é uma prequela à trilogia original, iniciando-se 3 anos antes dos eventos de Professor Layton and the Curious Village. Neste Miracle Mask encarnamos uma vez na equipa liderada pelo Layton, professor de arqueologia, Emmy, sua assistente e o jovem Luke, seu aprendiz. Após Layton receber um pedido de ajuda de Angela, sua amiga de infância, estes deslocam-se à metrópole de Monte D’Or, uma cidade erguida do nada no meio do deserto e que muito tem vindo a enriquecer ao longo dos anos. Mas esse progresso corre sérios riscos de ruir, com o aparecimento do “Masked Gentleman”, um vilão que aparentemente teria cometido vários “milagres” de maneira cada vez mais espalhafatosa, como transformar pessoas aleatórias em estátuas, tal como presenciamos assim que chegamos pela primeira vez à cidade. Muitos das mais ilustres figuras de Monte d’Or são também velhos conhecidos de Layton, pelo que invariavelmente a trama estará ligada a vários acontecimentos do seu passado. Para além de explorar essa cidade, teremos alguns capítulos específicos que já decorrem no passado e na pequena aldeia de Stansbury, onde controlamos um Professor Layton bem mais jovem.

A componente de aventura obriga-nos a explorar bem todos os cenários e falar com todas as personagens que nos aparecem

No que diz respeito à jogabilidade, a sua essência mantém-se muito semelhante à dos seus predecessores. Temos portanto aquela componente de aventura onde iremos explorar os mais variados cenários, falar com diversas personagens e clicar em vários locais aleatórios em busca de alguns segredos como as hint coins ou puzzles escondidos. Invariavelmente para progredir na história teremos de resolver toda uma série de puzzles que tanto podem ser mais baseados em lógica e a sua solução por processo de eliminação, outros mais interactivos onde teremos de manobrar diferentes objectos para chegar à solução, por exemplo. Já não jogava um Professor Layton desde o Spectre’s Call que o joguei algures em 2013 e devo dizer que ou eu estou completamente destreinado para estes puzzles, ou achei muitos deles bem mais desafiantes que os jogos anteriores. De qualquer das formas, mediante as hint coins que poderemos vir a descobrir poderemos também activar uma série de dicas que nos podem ajudar a resolver todos esses puzzles. E apesar de a esmagadora maioria dos puzzles serem opcionais, ou seja, apenas são activados quando falamos com alguém ou interagirmos com certos objectos nos cenários, existem vários checkpoints ao longo da história onde o nosso progresso no jogo é travado se não tivermos resolvido um número mínimo de puzzles.

Alguns dos puzzles obrigam-nos mesmo a pensar fora da caixa!

Para além de todos esses puzzles, existem também uma série de mini-jogos que iremos desbloquear e que são inteiramente opcionais. Um deles consiste em treinar um coelho de circo, ensiná-lo vários truques e usar essas acções que ele aprende em várias pequenas peças de teatro. Noutro temos de organizar objectos numa prateleira de loja, de forma a que quando um cliente compre um item, seja “encorajado” a comprar todos os outros. Outro ainda são os circuitos onde teremos de guiar, em segurança, um robot mecânico para a sua saída. E claro, mesmo depois de terminarmos o jogo, poderemos desbloquear toda uma série de puzzles adicionais, alguns que requerem que terminemos também os mini jogos mencionados acima, bem como os tais puzzles diários, que seriam 365 puzzles adicionais que seriam desbloqueados diariamente. Existe muito conteúdo neste jogo para quem o quiser completar ao 100%.

O que não falta é conteúdo adicional como diversos mini jogos diferentes

No que diz respeito aos gráficos, na sua essência este jogo mantém a excelência das suas animações que muito me fazem lembrar as animações clássicas de filmes europeus, embora se note um ou outro traço mais anime. Para além das várias cutscenes bem animadas e acima de tudo, diálogos narrados com um sotaque britânico exemplar, durante o jogo em si também poderemos ver algumas animações com as personagens modeladas em 3D. A Nintendo 3DS é um sistema mais capaz que o seu antecessor neste aspecto e, apesar de eu preferir de longe os visuais mais 2D (que mesmo assim resultam bem quando ligamos o efeito 3D do sistema), visto que os modelos 3D poligonais mantêm na mesma aquele aspecto de desenho animado, acabam por ser também satisfatórios. A música é uma vez mais também muito bem conseguida, com a banda sonora a ser bastante eclética e as músicas a manterem aquele feeling europeu dos anos 50/60.

As animações felizmente continuam excelentes!

Portanto este pareceu-me mais um óptimo jogo da série Professor Layton. A maneira como a série está montada é perfeita para pequenas sessões de jogo e irmos resolvendo um ou outro puzzle de cada vez. E para quem o jogar assim, apenas em sessões curtas, será mesmo um jogo bem duradouro pois teremos 150 puzzles ao todo, mais uma série de mini-jogos para explorar. A história é interessante com vários mistérios para desvendar e uma vez mais a narrativa e apresentação audiovisual estão excelentes. Fico contente por a Level-5 estar finalmente a trabalhar num novo jogo da série! Enquanto esse ainda não sai para o mercado, tenho ainda mais uns quantos para explorar na 3DS.

Star Trek: Deep Space Nine – Crossroads of Time (Super Nintendo)

Nunca fui o maior fã de Star Trek mas este jogo, apesar de longe de ser perfeito, até que foi uma interessante supresa. Se são fãs de jogos de acção/plataforma mais cinemáticos, que no caso das plataformas 16bit teve o seu auge no Flashback, posso-vos dizer que este jogo tem algumas semelhanças e foi isso que mais me chamou à atenção. O meu exemplar foi comprado em Dezembro do ano passado, foi-me trazido por um amigo meu que mo comprou numa loja francesa por 40€. Infelizmente veio sem manual!

Jogo com caixa e papelada

Para além dos filmes clássicos da saga Star Trek, é a série Star Trek New Generation que mais me recordo, pois essa chegou a passar em sinal aberto na TV portuguesa durante uns bons anos e ocasionalmente lá ia acompanhando alguns episódios. Este jogo é no entanto baseado na série Star Trek Deep Space Nine, da qual nunca tinha ouvido falar se não fosse por este mesmo jogo! É uma série com diferentes protagonistas e cuja história decorre a bordo não de uma nave espacial toda pipi como a Enterprise, mas sim a bordo de uma gigante estação espacial, a tal Deep Space Nine. Aparentemente a história da série anda à volta do conflito entre duas civilizações distintas, os Cardassians e os Bajor e é isso que também acaba por se trazido cá à baila. Nós controlamos Sisko, o comandante lá do sítio que começa a investigar uma intrusão de rebeldes Bajor na estação espacial e que plantam uma série de bombas para as destruir. À medida que vamos avançando na história, no entanto, a trama vai-se também adensando.

Nas fases de aventura teremos vários NPCs para falar e progredir com a história

Ora e este é então um jogo dividido em duas fases: aventura e acção. Na primeira, iremos percorrer os diferentes corredores e salas da DS9, onde poderemos falar com vários NPCs e ir avançando na história. Eventualmente lá poderemos começar uma missão “a sério” e é aí que entra aquela jogabilidade mais próxima de um Flashback. O direccional serve para controlar Sisko, para além de nos permitir subir/descer escadas, entrar em portas ou elevadores. O botão B serve para saltar, o A para controlar o movimento de certos elevadores ou plataformas móveis em conjunto com o direccional, o botão X para falar e o Y para usar o item que tenhamos eventualmente equipado, incluindo as armas ou os punhos para atacar, caso não tenhamos nenhum objecto seleccionado. Para escolher que itens usar temos os botões de cabeceira L e R para o efeito. De resto, tal como em jogos mais realistas como o Flashback, para saltar mais alto/longe teremos de ganhar balanço e podemos também segurar-nos nas extremidades de superfícies, ou mesmo agarrar-nos a certos objectos que nos permitem deslocar pelo tecto.

Durante o combate temos de garantir que equipamos os Phasers para atacar os inimigos

Até aqui tudo bem. O meu problema com o jogo é o facto de por vezes termos alguns tempos limite que são bastante injustos, principalmente para quem esteja a começar e ainda não conhece bem as mecânicas de jogo e o layout dos níveis, que vão sendo cada vez mais labirínticos. Por exemplo, logo na primeira missão temos de procurar uma série de bombas espalhadas pelos cenários. Estas aparecem visíveis num radar no topo/centro do ecrã e quando nos aproximamos da sua localização estas estão também bem visíveis no ecrã de jogo. Quando as apanhamos vemos que temos um tempo limite de cerca de 20 segundos para nos vermos livres das mesmas em segurança. Para isso temos de procurar um “ejection tube” e depositá-las lá antes do tempo se esgotar. O que é um ejection tube? Bom, depois de morrer lá descobri que são umas colunas com um buraco oval atravessado por feixes de energia. Na fase seguinte do nível lá teremos mais umas quantas bombas para descobrir e desactivá-las da mesma forma. A diferença é que elas são agora mais difíceis de descobrir por vários motivos. Para além disso, somos informados que temos um tempo limite de 3 minutos para as descobrir e desarmar todas, caso contrário é game over. E o nível torna-se bem mais labiríntico e complexo também! Mesmo para quem conhecer bem o jogo, 3 minutos é um tempo que não nos dá lá muita margem de manobra. É que para além de andarmos perdidos, temos de ir continuamente alternando de item em item para ajudar ou na exploração, ou no combate, quando inimigos surgem, o que também por vezes atrapalha o fluxo da acção. E isto é só um exemplo, existem outros similares noutras alturas. Felizmente no fim de cada nível dão-nos uma password, pelo o que me parece é que a ideia é mesmo a de repetir cada nível até o termos bem memorizado. Tirando isso, o jogo até que me pareceu bem original e a Novotrade ainda tentou dar-lhe alguma variedade. Há um nível que é um shmup autêntico e ocasionalmente poderemos controlar outras personagens, incluindo uma criatura capaz de se transformar.

Estes tempos limite apertados foram de longe o que mais me chateou!

No que diz respeito aos audiovisuais, sinceramente até gostei do jogo. Como nunca vi a série, não sei o quão fiéis os gráficos estão, mas para quem gosta de ficção científica, irá certamente apreciar os gráficos de alguma forma, pois teremos várias naves espaciais ou pelo menos secções bem distintas entre si para explorar, todas com visuais high-tech, mas também alguns zonas de um planeta próximo. Não existe no entanto uma grande variedade de inimigos, são quase todos humanóides, máquinas e ocasionalmente um ou outro animal como morcegos gigantes. Ainda assim achei um jogo graficamente bem detalhado e a banda sonora é também bastante enérgica e agradável. Creio no entanto que a versão Mega Drive tenha sido a versão original pois para além de o jogo ter sido publicado pela Novotrade e esta ter sempre tido uma certa afinidade com a Sega (são os criadores de Ecco the Dolphin, por exemplo), a versão Mega Drive possui alguns bonitos efeitos e animações nas cutscenes que não estão aqui presentes na versão Super Nintendo. No entanto esta versão SNES possui gráficos mais coloridos e uma banda sonora mais limpa.

Pelo meio ainda se lembraram de fazer um nível tipo shmup!

Portanto este Star Trek até que foi uma interessante surpresa. Não estava de todo à espera de encontrar um jogo algo influenciado pelo Flashback no seu conceito, mas infelizmente é um jogo que teria potencial para ser muito melhor. Alguns níveis são bastante injustos no tempo limite que temos para os completar, mas o facto de ter um grande foco na narrativa e vários diálogos com NPCs foi algo que me agradou.