Shovel Knight (Nintendo 3DS)

A Nintendo 3DS foi o sistema que me acompanhou ao longo das minhas férias. E o título escolhido foi nada mais nada menos que este Shovel Knight, um jogo de acção em 2D com visuais retro e uma jogabilidade refinada, que muito bem me entreteve nas últimas duas semanas. Foi um jogo desenvolvido pela Yacht Club Games, um estúdio pequeno mas com muita experiência em jogos de acção 2D, pois foi fundado por membros da WayForward, que já haviam trabalhado em títulos como Shantae, Contra 4, ou Aliens: Infestation. O meu exemplar foi comprado no início de 2022 na Mr. Zombie por 35€.

Jogo com caixa, manual e papelada. Infelizmente tudo em francês.

A história leva-nos a controlar o intrépido Shovel Knight, assim apelidado por a sua arma ser nada mais nada menos que… uma pá! Em conjunto com a sua companheira de longa data, Shield Knight, decide explorar a Tower of Fate e, após interagirem com um amuleto, o herói é expelido da torre e a mesma é selada, deixando a sua companheira lá aprisionada. Anos passam e surge uma nova ameaça no reino: a Enchantress assola estas terras, auxiliada por uma série de outros cavaleiros da Order of No Quarter. Ao ouvir rumores de que a torre onde a sua companheira se encontra está uma vez mais aberta, Shovel Knight parte então numa nova aventura para a resgatar.

O ecrã de baixo serve de acesso rápido aos vários power ups que vamos desbloqueando.

No que toca às mecânicas de jogo, considerem Shovel Knight um jogo de acção em 2D sidescroller, com influências notórias de títulos como Castlevania, Mega Man ou mesmo The Legend of Zelda II, particularmente no seu combate e exploração, mas também influências de títulos bem mais recentes, como é o caso de Dark Souls. Shovel Knight foi também desenhado como se de um jogo de NES se tratasse, o que é bastante patente nos seus audiovisuais, mas também nas mecânicas de jogo. Isto porque apenas os botões A e B são utilizados, assim como o Start e Select, tal como num comando de NES. Um dos botões faciais serve para saltar, enquanto o outro é utilizado para atacar e, tal como em Castlevania, para usar uma arma ou item especial precisamos de pressionar para cima e atacar, depois de seleccionar esse mesmo item num dos menus. A progressão é feita através de níveis independentes entre si, podendo ser revisitados ao explorar um mapa-mundo, tal como em Super Mario Bros. 3. Os níveis estão também repletos de segredos e passagens secretas, muitas delas requerendo o uso desses mesmos itens, como é o caso de um que nos permite efectuar uma espécie de air dash, ou outro que nos concede invencibilidade temporária para conseguirmos atravessar uma série de espinhos. Todos estes itens usam magia, que vai sendo regenerada à medida que coleccionamos itens para o efeito.

O que não faltam aqui são referências a outras séries de videojogos!

Para além dos níveis “normais”, o jogo possui também algumas cidades que podem ser exploradas, onde certos NPCs nos poderão dar desafios adicionais, minijogos para cumprir, bem como vender novo equipamento e power ups em certas lojas. A unidade monetária são os tesouros que vamos encontrando à medida que exploramos os níveis e é aqui que entram as mecânicas de Dark Souls: sempre que morremos, renascemos no último checkpoint desbloqueado, mas sem uma parte considerável do dinheiro amealhado. Para o recuperar teremos de revisitar a sala onde morremos anteriormente, mas caso morramos novamente, perde-se todo esse dinheiro que ainda não tenha sido recuperado. Para uma dose extra de desafio poderemos ainda destruir checkpoints, recebendo dinheiro extra como recompensa. Ainda assim, apesar de Shovel Knight possuir alguns segmentos de platforming mais exigentes ou combates de maior intensidade, a dificuldade pareceu-me bastante equilibrada.

Visualmente é um jogo excelente. A sua estética remete imediatamente para os clássicos de acção e plataformas da geração de 8 bits, embora com uma performance naturalmente muito superior à das consolas da época, assim como cenários bastante mais detalhados e sprites muito bem animadas. Os níveis atravessam uma grande variedade de cenários, desde pura fantasia medieval, passando por muitos outros mais temáticos, como não poderia deixar de ser: uma fase aquática, um nível coberto de gelo ou outro situado num cemitério, piscando completamente o olho à estética dos Castlevania. A banda sonora é igualmente excelente, consistindo numa série de músicas chiptune que muito bem casam com a estética de cada nível. A faixa do nível explodatorium ficou-me na memória durante dias!

Visualmente é um jogo com uma pixel art muito bem detalhada, que tenta emular jogos 8bit.

Tudo isto faz parte do conteúdo base presente no cartucho. Mais tarde, quando já tinha começado a escrever este artigo, apercebi-me de que a Yacht Club Games, ao longo de cinco anos, lançou uma série de DLCs gratuitos que expandiram bastante o conteúdo disponível e a maior parte desses DLCs estava também disponível na 3DS sob a forma de actualizações ao jogo base. Desde que mudei de casa que não havia voltado a ligar a minha Nintendo 3DS à Internet, pelo que esse conteúdo adicional me passou completamente ao lado. No entanto, assim que o fiz, foi-me imediatamente dada a opção de descarregar todo esse conteúdo adicional.

O primeiro DLC é Plague of Shadows, onde controlamos o vilão Plague Knight, numa história alternativa que decorre paralelamente ao jogo principal. O objectivo é construir uma poção mágica que torne Plague Knight na criatura mais forte do mundo, sendo que para isso precisará de recolher as essências dos restantes cavaleiros da Order of No Quarter, incluindo a da própria Enchantress. Plague Knight controla-se de maneira distinta da de Shovel Knight, podendo efectuar um duplo ou triplo salto e atirando poções explosivas como arma principal. Apesar desta maior agilidade e alcance dos seus ataques, a experiência não é necessariamente mais fácil, bem pelo contrário. Os níveis são essencialmente os mesmos, mas com ligeiras modificações para melhor acomodar este novo esquema de controlo. E as possibilidades de customização são tremendas, com diferentes trajectórias, raios de explosão e outras habilidades que poderemos alternar assim que as tivermos desbloqueado.

O jogo está repleto de desafios de platforming mais exigentes, mas para além de podermos perder dinheiro, não há perigos de game over. Practice makes perfect!

Specter of Torment é o segundo DLC e é uma prequela da história principal, onde controlamos Specter Knight, acabado de ser recrutado pela Enchantress e com a missão de recrutar os restantes cavaleiros para se juntarem à sua causa. Os níveis serão então versões algo diferentes do que já conhecemos, com gráficos ligeiramente diferentes e uma banda sonora remisturada a acompanhar. A jogabilidade continua empolgante e Specter Knight demarca-se pela sua capacidade de escalar paredes e de efectuar uma espécie de air dash ao atacar inimigos ou outros objectos em pleno voo. Naturalmente que também teremos muitas habilidades para desbloquear e coleccionáveis para encontrar!

King of Cards é o último DLC disponível nesta versão e é igualmente uma prequela, onde o protagonista é o próprio King Knight e que conta a história da sua ascensão. As mecânicas de jogo são distintas na medida em que King Knight não ataca com armas brancas, mas sim através de uma mecânica de dash, que lhe permite também fazer ricochete nos inimigos ou paredes e depois rodopiar sobre si mesmo, causando dano vertical enquanto cai. Também aqui teremos inúmeras novas habilidades e equipamento para desbloquear, mas o que mais demarca este DLC é a introdução de um mini-jogo de cartas coleccionáveis que é parte integral da história aqui apresentada.

Sprites grandes e bem animadas, adoro!

Também em conjunto com King of Cards, a Yacht Club Games disponibilizou um último DLC, Shovel Knight Showdown, mas este não está disponível na 3DS. Showdown é essencialmente um modo multijogador local, algo que nativamente a 3DS não suportaria. O mesmo acontece com o modo cooperativo, presente na versão base de outras plataformas, mas ausente aqui. A versão 3DS possui, no entanto, algumas outras particularidades face às restantes. Para além do suporte ao 3D, existe também integração com o StreetPass, que inclui uma arena exclusiva que sinceramente não consegui experimentar. Quem mais anda com uma 3DS na rua hoje em dia? Não necessariamente exclusivo da versão 3DS, mas também presente aqui, há ainda suporte a figuras amiibo que permite desbloquear conteúdo adicional.

Em suma, Shovel Knight é um jogo de acção em 2D sidescroller bastante competente e divertido, tanto nas suas mecânicas de jogo como na narrativa bem-humorada e em todas as interacções que poderemos ter com os vários NPCs que se irão cruzar connosco. O facto de a Yacht Club Games ter suportado o jogo durante tantos anos com conteúdo adicional disponibilizado gratuitamente, mesmo em sistemas mais modestos como a Nintendo 3DS, é algo simplesmente de louvar. Hoje em dia diria que talvez a versão Switch seja a compra mais acertada, devido a já incluir em cartucho a maior parte deste conteúdo adicional e muito mais. Na verdade, todas as versões possuem algo de ligeiramente diferente entre si, pelo que versões para outros sistemas poderão também ser interessantes de coleccionar.

Yoshi’s New Island (Nintendo 3DS)

Voltando à Nintendo 3DS, foi agora a vez de jogar Yoshi’s New Island, lançado originalmente algures em 2014 nas diversas regiões. Trata-se de um jogo que segue as mecânicas base introduzidas em Yoshi’s Island: Super Mario World 2 e posteriormente expandidas na sua sequela directa, Yoshi’s Island DS. Curiosamente, tal como o seu antecessor da Nintendo DS, o desenvolvimento foi terceirizado para um estúdio relativamente recente, a Arzest, nascida das cinzas da Artoon, responsável também pelo predecessor. Já o meu exemplar, não consigo precisar quando o comprei. Recordo-me apenas de o ter adquirido selado, numa feira de velharias na zona Norte, por 7,5€. Tratavam-se de excedentes de stock do El Corte Inglés espanhol, não faço ideia como é que a senhora teve acesso a esse material, mas ao longo de alguns anos ainda lhe comprei vários jogos nessas condições.

Jogo com caixa e papelada diversa. Tanta papelada e nada de manual…

A história decorre algures entre os eventos do Yoshi’s Island original e Yoshi’s Island DS. Os bebés Mario e Luigi estavam a ser transportados pela cegonha até aos seus pais, mas esta engana-se e acaba por deixá-los na casa errada. Ao aperceber-se do erro, tenta corrigir a situação, mas acaba por ser emboscada pelo feiticeiro Kamek, que consegue raptar Luigi. Já Mario cai numa ilha, onde reencontra o clã Yoshi, que uma vez mais se propõe a ajudá-lo a reunir-se com o seu irmão.

Ao contrário da versão DS, onde os dois ecrãs eram utilizados para renderizar o nível, aqui apenas o ecrã de cima é utilizado para isso. Como apenas o ecrã superior tem a capacidade do efeito 3D, essa decisão compreende-se.

No que toca às mecânicas de jogo, estas mantêm-se muito próximas das do original da Super Nintendo. Sempre que Yoshi sofre dano, perde o bebé Mario, que fica a flutuar no ecrã, sendo necessário recuperá-lo rapidamente antes que seja levado por Kamek ou pelos seus minions. Yoshi pode continuar a engolir e cuspir inimigos, ou devorá-los para os transformar em ovos, que por sua vez podem ser atirados com controlo na trajectória, servindo tanto para atacar como para recolher itens fora de alcance ou resolver pequenos puzzles. A principal novidade está na introdução de inimigos gigantes que, ao serem devorados, produzem ovos igualmente gigantes. Estes permitem não só explorar zonas subaquáticas com maior precisão, como também, ao serem lançados, possuem um elevado poder destrutivo, sendo capazes de destruir partes do cenário e revelar passagens ou itens previamente inacessíveis, um efeito semelhante ao Mega Mushroom introduzido em New Super Mario Bros.

Tal como os seus antecessores, a exploração é recompensada ao desbloquear níveis secretos e de bónus

Tal como nos seus predecessores, os níveis oferecem bastante conteúdo para explorar, com passagens secundárias, segredos e diversos coleccionáveis. Estrelas, moedas vermelhas, flores sorridentes e medalhas douradas recompensam a exploração e, quando reunidos na totalidade, desbloqueiam níveis bónus, secretos ou especiais. Nestes últimos, Yoshi transforma-se em diferentes veículos, como carrinhos de mina, helicópteros, balões, submarinos, entre outros. É precisamente aqui que surge outra das principais novidades: o uso dos sensores de movimento da consola. Estes segmentos são controlados através da inclinação da Nintendo 3DS, algo de que, pessoalmente, não sou grande fã, já que nem sempre oferecem a melhor resposta. Outra diferença face ao seu predecessor directo da Nintendo DS prende-se com o uso dos ecrãs: apesar de a Nintendo 3DS possuir dois, apenas o ecrã superior é utilizado para a acção, enquanto o inferior serve para apresentar informação adicional, como o progresso nos coleccionáveis. Tal deve-se ao facto de apenas o ecrã superior permitir o uso do efeito 3D.

Tal como nos seus predecessores, Yoshi vai-se poder transformar num veículo em certas secções. Infelizmente, no entanto, essas são controladas totalmente pelos sensores de movimento.

O que me leva a tocar nos audiovisuais desta entrada da série. O jogo tenta replicar o estilo visual inspirado em desenhos a lápis de cor introduzido pelos títulos anteriores. No entanto, a conjugação desse estilo com o efeito 3D não resulta particularmente bem. Com o 3D ligado, não senti o efeito de profundidade esperado. Já com o 3D desligado, a imagem acaba por parecer algo “deslavada”, sem o detalhe e a vivacidade que caracterizavam as versões da Super Nintendo e da Nintendo DS. O que é pena, pois há uma boa variedade de cenários ao longo da aventura. Já no que diz respeito ao som, contamos novamente com uma banda sonora calma, com influências de jazz, à semelhança dos seus predecessores.

O jogo possui também um modo multiplayer que sinceramente nem sequer cheguei a experimentar.

Em suma, Yoshi’s New Island é um competente jogo de plataformas 2D, mas que me deixou com sentimentos algo mistos. A adaptação ao hardware da Nintendo 3DS implicou concessões visuais que acabam por o tornar menos apelativo do que os seus antecessores. Apesar de a jogabilidade se manter sólida, a inclusão obrigatória de controlos por movimento em certas secções também não me agradou particularmente. Entretanto, Yoshi continuou a marcar presença nas consolas da Nintendo, com Yoshi and the Mysterious Book previsto para a Nintendo Switch 2 ainda este ano. Ainda assim, já passaram mais de 10 anos desde o último Yoshi’s Island, e acredito que o hardware actual da Nintendo seria mais do que capaz de suportar um novo título com o mesmo estilo artístico, mas com um nível de detalhe muito superior ao que aqui encontramos.

Metroid Prime: Federation Force (Nintendo 3DS)

Depois do óptimo trabalho que fizeram com Luigi’s Mansion 2, chegou a vez do estúdio canadiano Next Level Games pegar noutra propriedade intelectual da Nintendo: a série Metroid. Também com a Nintendo 3DS como plataforma-alvo, este é um first-person shooter com um forte ênfase na vertente cooperativa, embora seja igualmente possível jogá-lo a solo. No entanto, o jogo não foi bem recebido nem pela crítica, nem pelos fãs, o que explica a sua vertiginosa queda de preço pouco tempo após o lançamento. Recordo-me de o ter comprado novo, numa Worten, por cerca de 10€, algo raro em títulos publicados pela Nintendo.

Jogo com caixa e papelada

A história coloca-nos na pele de um space marine anónimo incumbido de testar uma nova tecnologia militar ao serviço da Federação: a utilização de mechs em missões de combate. Inicialmente, exploramos em missões arqueológicas os três planetas de Excelcion, Bion e Talvania, aparentemente abandonados. No entanto, rapidamente nos apercebemos de actividade dos Space Pirates, que claramente estão a tramar algo. O resto do jogo é então passado a investigar os seus intentos e a eliminar a ameaça que representam para a galáxia. O nome de Samus Aran é mencionado com frequência e, por vezes, teremos até contacto directo com a mais famosa mercenária da galáxia, embora nem sempre da forma que se esperaria.

O ecrã táctil dá-nos informações como o mapa, objectivos a cumprir e indicações visuais do equipamento secundário que dispomos e sua quantidade.

No que toca às mecânicas, estamos perante um first-person shooter sem qualquer elemento de metroidvania, dado que cada missão decorre num mapa reduzido e independente. A exploração continua a ter algum destaque, com coleccionáveis escondidos e a ocasional presença de puzzles que precisamos de resolver para avançar, mas o foco principal é, sem dúvida, o combate. Em termos de jogabilidade, os marines dispõem de um canhão que dispara projécteis de energia (com possibilidade de carregar o disparo para maior dano), mas não têm acesso aos power-ups tradicionais da série Metroid. As excepções são os mísseis e super-mísseis. Os restantes power-ups consistem em kits de reparação (para regenerar a vida do jogador ou de veículos a proteger), projécteis elementais (fogo, gelo, electricidade), escudos ou engodos para distrair inimigos, entre outros.

Este foi nitidamente um jogo pensado no multiplayer cooperativo visto que alguns bosses são autênticas esponjas.

Antes de cada missão, podemos escolher os itens que levamos connosco, sendo que alguns adicionais podem ser encontrados durante a missão. É necessário ter em atenção a carga máxima permitida, que vai aumentando à medida que progredimos ou através de mods. Estes mods são uma das componentes centrais do jogo: existem dezenas espalhados pelos níveis e, quando equipados, conferem melhorias como aumento de dano, maior resistência, maior capacidade de carga, entre outras. Para quem joga a solo, o jogo disponibiliza de imediato o mod Lone Wolf, exclusivo para esse modo. Este dobra o dano infligido e reduz para metade o dano sofrido, um reforço essencial para compensar a ausência de aliados. Além disso, é dos poucos (ou mesmo o único) mod indestrutível, uma vez que os restantes se podem perder após falhas nas missões. Por omissão só podemos equipar um mod, mas à medida que progredimos desbloqueamos mais dois espaços adicionais. Também jogando sozinho podemos equipar 3 drones que nos acompanham e disparam automaticamente sobre inimigos nas nossas proximidades. São uma ajuda, mas não tanto visto que causam pouco dano.

Ocasionalmente temos também alguns puzzles para resolver, como o de guiar estas esferas para certos buracos no cenário

E quanto aos controlos? Nas 3DS “normais”, o jogo recorre a uma combinação dos botões tradicionais com o sensor de movimento para mover a câmara, sendo necessário pressionar o botão R para o activar. As acções principais, como saltar, disparar, alternar entre armas secundárias e utilizá-las, são feitas com os botões faciais. O lock-on está atribuído ao botão L. Já nas New 3DS, existe um esquema de controlo alternativo mais confortável: os dois analógicos (Circle Pad e nub) servem para movimentar a personagem e a câmara, L para saltar e ZL para lock-on. O botão R serve para disparar, enquanto o ZR activa o equipamento secundário. As restantes funções mantêm-se nos botões faciais, mas a troca entre armas secundárias pode ser feita com o botão X, situado próximo do nub, tornando este esquema o mais ergonómico disponível.

Por fim, convém também mencionar que o jogo inclui diversas recompensas adicionais, como skins meramente cosméticas que podemos aplicar ao mech da nossa personagem. A maioria destas é desbloqueada com o progresso normal no jogo, embora algumas apenas fiquem disponíveis mediante o uso de figuras amiibo, as quais podem também conceder certos mods exclusivos. Para além disso, Federation Force inclui um modo de jogo totalmente distinto: Metroid Prime: Blast Ball. Não cheguei a experimentá-lo, por isso não me vou alongar, mas trata-se, em essência, de uma espécie de futebol futurista, com equipas de três mechs contra três. Em vez de chutar a bola com os pés, temos de lhe disparar, sendo que aparentemente existem também power-ups específicos a considerar durante os jogos.

Mods são chips que melhoram as nossas habilidades e podem ser equipados antes de cada missão. O Lone Wolf é dos melhores, mas apenas pode ser equipado se jogarmos sozinhos.

No que diz respeito aos gráficos, estes são tecnicamente bastante competentes, com um bom nível de detalhe na geometria dos cenários e dos inimigos. No entanto, há dois aspectos que merecem destaque negativo. O primeiro prende-se com a falta de variedade ambiental: praticamente todas as missões decorrem nos mesmos três planetas: Excelcion, um mundo gelado; Bion, o seu completo oposto, repleto de actividade vulcânica e rios de lava; e Talvania, um gigante gasoso onde apenas exploramos instalações militares e industriais. A repetição de ambientes acaba por tornar a progressão menos estimulante do que poderia ser. O segundo problema está ligado à direcção artística: todas as personagens possuem cabeças desproporcionadamente grandes, num estilo super deformed típico de certas séries de animação japonesa. Esta decisão, segundo consta, foi tomada para facilitar a identificação visual das personagens durante o jogo, tendo em conta o ecrã reduzido da Nintendo 3DS. Ainda assim, o resultado final é, para mim, bastante decepcionante, já que se afasta radicalmente da estética habitual da série Metroid, marcada por um estilo mais sóbrio e realista. A banda sonora, por sua vez, é competente e agradável, embora composta maioritariamente por faixas orquestrais, uma mudança clara face aos tons mais ambientais, opressivos e solitários que caracterizam tradicionalmente a série. Tendo em conta o foco de Federation Force na acção e na cooperação, compreende-se esta escolha, ainda que, mais uma vez, contribua para reforçar a sensação de afastamento face à identidade clássica da série.

Metroid Prime Blast Ball é um outro modo de jogo que até teve direito a uma demo própria. Sinceramente nem o experimentei.

Em suma, embora não considere Metroid Prime: Federation Force tão mau quanto a opinião pública generalizada o pinta, é inegável que carrega um peso difícil de justificar: o de ter Metroid Prime no título. As mecânicas diferem substancialmente das que a série nos habituou e basta recordar o competente Metroid Prime Hunters, na Nintendo DS, como exemplo de uma abordagem portátil que, ainda assim, respeitava mais de perto a identidade da série. Aqui, a aposta num multiplayer cooperativo como pilar central da experiência não é algo que me agrade particularmente. É verdade que o jogo pode ser completado integralmente a solo, mas mesmo com o auxílio de drones e mods que potenciam as nossas capacidades, a experiência torna-se por vezes frustrante. Há secções com picos de dificuldade algo desequilibrados, seja pela intensidade do fogo inimigo, seja pela resistência desmesurada de alguns bosses, visivelmente pensados para confrontos com quatro jogadores em simultâneo. Para além disso, existem algumas escolhas na direcção artística que não me agradaram, como já mencionei acima. Portanto, como uma experiência portátil, até seria um jogo interessante para partidas rápidas caso a dificuldade fosse melhor balanceada para quem jogue sozinho.

Luigi’s Mansion 2 (Nintendo 3DS)

Durante estas minhas pequenas férias, trouxe comigo a Nintendo 3DS e decidi finalmente dedicar algum tempo a Luigi’s Mansion 2, sequela de um dos títulos de lançamento da Nintendo GameCube. Ao contrário do original, o desenvolvimento desta continuação ficou a cargo de um estúdio norte-americano, a Next Level Games, que já havia colaborado com a Nintendo em jogos como Mario Smash Football, ou Punch-Out!! para a Wii, entre outros títulos do universo da empresa. A relação entre ambas viria a consolidar-se ao ponto de a gigante nipónica adquirir o estúdio no início de 2021. Quanto ao meu exemplar de Luigi’s Mansion 2, confesso que já não me lembro bem de quando ou onde o comprei, apenas sei que foi há vários anos e por um preço baixo.

Jogo com caixa, papelada e folheto com instruções básicas

A premissa é simples: o Professor E. Gadd, o excêntrico cientista por detrás do equipamento de caça-fantasmas do primeiro jogo, encontrava-se a estudar os espectros que habitam os edifícios devolutos do vale de Evershade quando o vilão do Luigi’s Mansion original escapa da sua prisão, destrói a Dark Moon e passa a controlar os fantasmas da região, tornando-os subitamente hostis. Qual a solução? Para seu grande desagrado, Luigi é mais uma vez convocado por E. Gadd e acaba por aceitar a missão. Cabe-nos, então, explorar os diversos edifícios assombrados em busca dos fragmentos da Dark Moon e, eventualmente, enfrentar quem está por detrás destes estranhos acontecimentos.

A atmosfera spooky scary está toda lá uma vez mais!

No que diz respeito à jogabilidade, esta herda muitas das mecânicas introduzidas na prequela. Luigi está munido de um aspirador que serve não só para caçar fantasmas, mas também para interagir com os cenários: podemos aspirar cortinas ou tecidos que escondam segredos, accionar ventoinhas e ventiladores, ou desbloquear passagens ocultas. A ponta do aspirador funciona igualmente como lanterna, cujo feixe pode ser carregado (mantendo o botão A pressionado) para emitir um clarão que atordoa momentaneamente os fantasmas, deixando-os vulneráveis para serem aspirados. Cada fantasma possui uma determinada quantidade de pontos de vida, que vão diminuindo à medida que os sugamos. Ao puxarmos o analógico na direcção oposta à do movimento do fantasma, conseguimos reduzir a sua barra de vida mais rapidamente, numa mecânica que recorda o acto de “pescar” inimigos. Mais adiante, desbloqueamos também uma luz negra, capaz de revelar objectos escondidos no cenário e, por vezes, até fantasmas Boos. Estes últimos, caso sejam todos encontrados, desbloqueiam níveis de bónus. O dinheiro que vamos amealhando ao longo da aventura permite-nos ainda melhorar o nosso equipamento.

O ecrã tactil pode ser uitilizado para interagir com o mapa e ver os objectivos de cada nível

Quanto aos controlos, o botão B permite correr, enquanto o X é utilizado para interagir com determinados objectos. O botão Y activa a luz negra e o A serve para carregar o clarão da lanterna. O botão R é utilizado para aspirar, ao passo que o L serve para soprar. Para direccionar o aspirador verticalmente, seja para cima ou para baixo, teremos de recorrer também aos botões X e B, que ajustam a altura da “boca” do dispositivo. Não é uma solução perfeita, especialmente considerando que a Nintendo 3DS não é das consolas mais ergonómicas para sessões prolongadas, mas trata-se da melhor configuração possível dentro das limitações do sistema. Importa ainda referir que o jogo recorre aos sensores de movimento em determinadas secções, seja para manipular a câmara, seja em minijogos específicos. Um exemplo recorrente são as passagens estreitas, onde temos de usar o giroscópio da consola para equilibrar Luigi. Na prática, o ideal é mesmo pousar a 3DS numa superfície plana para ultrapassar estas sequências com maior precisão.

A exploração está repleta de puzzles, muitos deles bastante imaginativos

Uma das maiores críticas ao Luigi’s Mansion original foi a sua curta duração, algo que é consideravelmente melhorado nesta sequela. Em vez de uma única mansão, teremos agora cinco edifícios distintos para explorar, cada um com múltiplos níveis. Estes níveis não apenas apresentam áreas diferentes, como podem sofrer alterações entre visitas. Por exemplo, o segundo edifício é composto por duas torres dedicadas ao estudo e cultivo de plantas; à medida que avançamos, o crescimento descontrolado da vegetação vai transformando o espaço, afectando tanto o seu aspecto visual como as possibilidades de exploração. Como referi acima, o jogo está repleto de segredos e elementos coleccionáveis, incluindo os fantasmas Boos, cuja captura total desbloqueia um nível extra em cada “mundo”. Existe ainda um modo multiplayer cooperativo, que, no entanto, não cheguei a experimentar.

Luigi’s Mansion 2 continua repleto de charme e daquela atmosfera Halloween que tão bem caracterizou o primeiro jogo.

Visualmente, este é, a meu ver, um jogo muito bem conseguido. Do ponto de vista estritamente técnico, confesso que ainda não estou totalmente familiarizado com os limites gráficos da Nintendo 3DS, mas o resultado aqui é bastante competente. Os diferentes edifícios que exploramos são distintos entre si e apresentam cenários bem detalhados. As texturas têm uma boa qualidade, tendo em conta a resolução da portátil, e os modelos poligonais oferecem um nível de detalhe mais do que adequado. No entanto, mais do que o aspecto técnico, é na atmosfera que o jogo realmente brilha. Esta remete-nos de imediato para o imaginário de filmes de animação inspirados no Halloween, com ambientes assombrados cheios de charme e pequenos toques de humor visual. O jogo está repleto de detalhes deliciosos, como o próprio Luigi a cantarolar, nervosamente, a melodia principal enquanto explora, ou as constantes interrupções do Professor E. Gadd, que nos contacta através de um “telemóvel” improvisado a partir de uma Nintendo DS modificada. A banda sonora é igualmente eficaz, com composições discretas mas evocativas que reforçam a tal atmosfera típica de Halloween, alternando entre o mistério e o tom ligeiramente cómico. Quanto ao trabalho sonoro, como é habitual nos jogos da Nintendo, não encontramos vozes completas, mas sim pequenas frases, interjeições e sons característicos que, ainda assim, conseguem transmitir com clareza as emoções e intenções das personagens.

Portanto, este Luigi’s Mansion 2 revelou-se uma excelente surpresa. É um jogo que não só herda e aprimora as mecânicas introduzidas pela prequela, como ganha pontos adicionais por oferecer uma maior longevidade, com conteúdo opcional e um modo multiplayer. Entretanto, em 2024, a Nintendo lançou um remaster deste mesmo título para a Nintendo Switch. Como já possuía o original de 3DS na minha colecção, optei por não adquirir esta nova versão, mas, ao que tudo indica, o remaster inclui melhorias gráficas e de controlos, o que o torna, à partida, na forma mais acessível e refinada de jogar o título nos dias de hoje. Ainda assim, a versão 3DS continua a ter o seu encanto, até precisamente por suportar o efeito 3D, que, apesar de não ser essencial, confere alguma profundidade adicional aos cenários.

New Super Mario Bros. 2 (Nintendo 3DS)

Ao longo das últimas semanas tenho jogado, de forma intermitente, este New Super Mario Bros. 2, numa tentativa de reduzir o meu backlog de jogos para a 3DS. O apagão de ontem deu uma bela ajuda, pois felizmente com a consola bem carregada, ainda foi a tempo de me permitir terminar o jogo! Este é, portanto, mais um sólido título de plataformas em 2D do Mario, embora, aquando do seu lançamento, tenha sido alvo de algumas críticas por reutilizar bastante conteúdo introduzido em New Super Mario Bros. Wii. Mas como já não pego nesse título da Wii há mais de dez anos, para mim foi como se tudo fosse novo. O meu exemplar julgo ter sido comprado a um particular há uns anos, embora já não consiga precisar o valor, mas terá sido seguramente acessível.

Jogo com caixa e papelada

A história é algo que, sinceramente, não vale muito a pena perder tempo a explicar. Adivinhem: a princesa Peach foi novamente raptada, desta vez pelos Koopalings de Super Mario Bros 3 (curiosamente os mesmos de New Super Mario Bros. Wii, o que começa a justificar algumas das críticas). Cabe-nos, portanto, salvá-la mais uma vez, atravessando uma série de níveis até chegar ao castelo, onde a princesa será invariavelmente levada pelo Koopaling seguinte para o próximo mundo.

O jogo pode também ser jogado de forma cooperativa, com um jogador a controlar o Mario e o outro com o seu irmão Luigi

No que diz respeito às mecânicas de jogo, estas mantêm-se fiéis à fórmula clássica dos títulos 2D do Mario, herdando, no entanto, várias das habilidades introduzidas nas suas aventuras em 3D, como o salto entre paredes ou o ground pound. A nível de power-ups, para além dos habituais cogumelos e flores que nos transformam em Super Mario, ou das estrelas que concedem invencibilidade temporária, regressam outros já familiares, como a folha que nos dá a forma de Tanooki, permitindo-nos voar temporariamente e originalmente introduzida em Super Mario Bros. 3. Temos também o regresso dos cogumelos gigantes, que nos tornam temporariamente invencíveis e permitem destruir partes do cenário, bem como o cogumelo miniatura, que reduz drasticamente o tamanho de Mario, possibilitando o acesso a passagens e tubos estreitos. Outro dos focos do jogo está na recolha de moedas, com alguns itens especificamente pensados para esse fim. Um dos novos power-ups coloca-nos um capacete em forma de bloco dourado, que vai largando moedas enquanto o tivermos activo. Já a flor dourada, também estreante neste título, permite-nos lançar projécteis mais potentes e destrutivos, rendendo ainda mais moedas por cada inimigo derrotado. Com tanta moeda disponível, é frequente atingirmos dezenas de vidas extra com relativa facilidade. Em vez de um super guia, o jogo introduz também um power-up adicional que surge após perdermos várias vidas no mesmo nível: uma folha de invencibilidade, que combina as habilidades do fato de Tanooki com a invencibilidade total da estrela. Esta permite atravessar o nível sem sofrer danos, sendo uma preciosa ajuda para quem enfrentar maiores dificuldades.

O que não falta aqui são maneiras de coleccionar moedas e com isso ganhar também vidas extra!

Tal como nos anteriores New Super Mario Bros., também aqui existem as habituais super moedas escondidas em cada nível. Estas podem depois ser utilizadas para abrir novos caminhos no mapa, que tanto podem dar acesso a diferentes casas do Toad, onde é possível obter power-ups ou vidas extra, como desbloquear níveis secretos. Esses níveis secretos também podem ser descobertos ao explorar cuidadosamente determinadas áreas, em busca de saídas alternativas. De resto, para além dos seis mundos principais, é ainda possível desbloquear três mundos adicionais. Este título inclui também modos cooperativos e um modo de jogo extra intitulado Coin Rush, uma espécie de desafio contra-relógio em que o objectivo é apanhar o maior número de moedas possível. Confesso que não os cheguei a experimentar, mas todo este conteúdo adicional é sempre bem-vindo para prolongar a longevidade do jogo.

Como também tem vindo a ser habitual, temos sempre a possibilidade de rejogar níveis anteriores e ocasionalmente até descobrir uns quantos segredos!

A nível audiovisual, podemos contar com um jogo bastante colorido e com níveis bem detalhados, tal como seria de esperar do Mushroom Kingdom, incluindo, claro, os característicos cogumelos gigantes que servem de plataformas. Encontramos também os habituais níveis subterrâneos ou subaquáticos e, para além disso, cada mundo inclui uma casa assombrada povoada por Boos, onde surgem pequenos puzzles a par dos desafios de plataformas. Os mundos principais apresentam ainda fortalezas e castelos, onde somos postos à prova em secções de platforming mais exigente, culminando sempre num confronto com um boss. Já os mundos extra limitam-se aos castelos. No que toca ao som, a banda sonora é bastante agradável, reciclando várias melodias típicas da série Super Mario, mas com arranjos novos e interessantes. Detalhes como os aplausos que ouvimos sempre que superamos um desafio são pormenores curiosos que conferem um toque de personalidade à experiência.

Visualmente é um jogo bastante agradável, embora reutilize muitos elementos do seu predecessor da Nintendo Wii

Estamos, portanto, perante um jogo de plataformas 2D bastante competente e divertido de jogar, tal como a série Super Mario Bros. sempre nos habituou. Apesar da boa variedade de cenários e de uma componente visual apelativa, é inegável que o jogo recicla muitos elementos do seu antecessor na Wii, tanto ao nível gráfico como sonoro, o que lhe valeu algumas críticas por parte do público e da imprensa. No entanto, como referi acima, tendo jogado ambos os títulos com um intervalo temporal considerável, essa repetição passou-me despercebida, resultando numa experiência sólida e agradável do início ao fim.