Section-Z (Nintendo Entertainment System)

Vamos lá voltar à actividade mais regular aqui pelo blogue já que nos últimos tempos não tem havido muito tempo para jogar, mas com esta semana de férias já me vou vingar bem. O primeiro jogo que vos trago é este Section-Z da NES, uma adaptação de um jogo arcade do mesmo nome, lançado originalmente pela Capcom em 1985. Esta versão NES sai dois anos mais tarde e com algumas diferencas substanciais na sua jogabilidade. O meu exemplar foi comprado em lote em conjunto com um amigo meu algures em Fevereiro deste ano, o jogo nem chegou a 10€.

Cartucho solto

Este é então um shmup, mas com a particularidade de ser um jogo de progresso não linear e com uma forte vertente de exploração. Nós controlamos um astronauta armado cuja missão é difícil, mas simples: infiltrar-se numa base alienígena e destruí-la de forma a prevenir uma invsasão da Terra. A versão original arcade estava dividida em 5 níveis, cada nível com 5 (ou 6) secções, todas elas “numeradas” com uma letra do alfabeto. O objectivo era claro o de chegar à secção Z e destruir o boss final. Aqui o jogo foi dividido antes em 3 níveis, mas cada um possui 20 secções que poderemos explorar! Tal como referi acima a exploração é não linear pois tipicamente no final de cada corredor poderemos decidir qual dos caminhos queremos explorar a seguir. No entanto nem sempre todos os caminhos estão disponíveis, alguns portais de teletransporte devem apenas ser utilizados após destruirmos certas centrais de energia e se os tentarmos usar antes do tempo lá perdemos uma vida. Pelo meio também poderemos encontrar certas salas secretas onde poderemos regenerar parte da nossa barra de energia ou mesmo ter acesso a certos power ups especiais.

Tendo em conta que os inimigos surgem de todos os lados, a possibilidade de dispararmos em ambas as direcções é benvinda

No que diz respeito aos controlos estes são simples, os botões faciais A e B servem para disparar para a direita e esquerda respectivamente, o d-pad serve para nos movimentarmos pelos cenários e o select para seleccionar a arma que queremos utilizar. Os power ups que encontramos podem ser itens que nos restaurem alguma energia, outros que nos melhoram a agilidade, as tais armas novas entre outros mais especiais: sempre que derrotamos um boss este recompensa-nos com um power up que nos aumenta a barra de energia e enquanto explorarmos os cenários poderemos também encontrar algum equipamento especial, as shells. Estas podem ser poderosos mísseis ou bombas que causam dano em todos os inimigos no ecrã, mas temos de ter alguma atenção ao usá-las pois cada vez que o fazemos perdemos 4 pontos de energia. Para as usar temos de pressionar os botões A e B em simultâneo até surgir no ecrã o equipamento que queremos utilizar, depois temos de o apanhar e usar um dos botões faciais para o disparar. Como podem ver este Section-Z é um shmup bastante diferente do habitual mas é também um jogo bastante desafiante pois os inimigos podem-se tornar bastante agressivos e numerosos e é também algo fácil nos perdermos por tantos corredores idênticos.

As secções 00 são salas secretas onde tipicamente poderemos encontrar alguns power ups especiais ou regenerar parte da nossa barra de energia

No que diz respeito aos audiovisuais este é um jogo simples: os cenários não têm lá muito detalhe e todo o jogo se passa dentro da tal base alienígena, que tanto tem corredores que mais se assemelham a cavernas, como outros bem mais high-tech. Não existe também uma grande variedade de inimigos e bosses. Por outro lado, as músicas até que são bastante agradáveis.

Antes de atravessar certos portais temos de garantir que destruimos primeiro os geradores que os controlam

Portanto este Section-Z é um shmup interessante da Capcom por toda a sua veia de exploração e, apesar de ser uma conversão arcade esta versão NES acaba por ser também substancialmente diferente do original, principalmente pela forma como teremos muito mais corredores distintos a explorar.

Batman (PC Engine)

Vamos voltar à PC Engine para mais uma adaptação do filme de 1989 do Batman. Só a Sunsoft conseguiu a proeza de lançar várias versões para diferentes consolas, incluindo a original de NES, uma versão Game Boy, outra para a Mega Drive e esta para a PC Engine, com a particularidade de serem todas distintas entre si. Infelizmente este lançamento PCE ficou-se apenas pelo Japão o que não se entende, pois o jogo está practicamente todo em inglês. O meu exemplar foi comprado a um particular algures em Setembro de 2022 por cerca de 65€.

Jogo com caixa e manual embutido com a capa

Mas enquanto os outros jogos dos sistemas acima referidos eram 2D sidescrollers, na PC Engine a Sunsoft decidiu tomar uma abordagem bastante diferente. Se tivesse de usar um termo de comparação, uma das escolhas mais óbvias seria mesmo o Doraemon: Meikyuu Daisakusen para o mesmo sistema, pois temos vários níveis cada vez mais labirínticos para explorar, os inimigos devem ser derrotados em dois tempos, se bem que em breves segundos voltarem a surgir no nível de qualquer das formas. Para detalhar, atacamos os inimigos com os nossos batarangs, para que eles fiquem atordoados por alguns segundos. Se lhes dermos um encontrão enquanto estão confusos saem disparados do ecrã, mas pouco tempo depois voltam a surgir em acção, tal como referi acima.

O objectivo de cada nível varia entre as zonas que visitamos. Por exemplo, no museu teremos de limpar uma série de pinturas vandalizadas dentro do tempo limite

O jogo está dividido em várias zonas, cada uma com um conjunto de níveis, tais como a cidade de Gotham, um museu de arte, uma fábrica de produtos químicos, entre outros. O objectivo de cada nível vai no entanto depender da zona onde estamos. Por exemplo, na primeira visita às ruas de Gotham teremos de apanhar uma série de objectos suspeitos que estão espalhados pela cidade, já quando visitamos o museu teremos de limpar uma série de quadros que foram vandalizados pelos bandidos que por lá circulam. Já na tal fábrica o objectivo é o de encontrar uma série de cruzes vermelhas e plantar lá explosivos. Naturalmente, à medida que vamos avançando no jogo os níveis vão ficando cada vez mais labirínticos e com mais obstáculos, assim como os inimigos mais rápidos e agressivos. Cada vez que sofremos dano perdemos uma vida, mas poderemos também encontrar toda uma série de power ups que nos ajudarão na aventura, como botas que nos permitem andar mais rápido, relógios que extendem o tempo limite para completar o nível, power ups para podermos atirar mais batarangs em simultâneo, entre outros!

Um pormenor interessante nas ruas de Gotham: o Batman apenas pode atravessar a rua na passadeira. Ninguém está acima da lei!

Não existe no entanto uma grande variedade de inimigos e níveis, pois apesar de termos 48 níveis (+1) ao todo, estes estão distribuídos por 4 zonas, pelo que as coisas se podem tornar um pouco repetitivas com o tempo. A grande excepção está no nível final, o tal quadragésimo nono, onde teremos pela primeira vez uma série de bosses para enfrentar, culminando num confronto contra o Joker, tal como no filme. É uma mudança de ares muito benvinda, mas preferia que tivessem incluido mais um ou outro boss, pelo menos entre zonas. Sem contar então com essa falta de variedade de cenários e inimigos, visualmente o jogo é bem colorido e detalhado, tendo em conta perspectiva vista de cima que utiliza. Entre cada zona teremos também direito a pequenas cut-scenes bem impressionantes pelo seu nível de detalhe. Por outro lado, se os efeitos sonoros não são nada do outro mundo, a banda sonora é excelente e aí a Sunsoft fez mesmo um óptimo trabalho, uma vez mais.

Entre zonas vamos tendo algumas curtas, porém bem detalhadas cut-scenes

Portanto este Batman da PC Engine preza pela sua originalidade quando comparado com as outras versões da Sunsoft para os restantes sistemas. É um jogo sólido e bem divertido, apesar de se poder tornar algo repetitivo e o se não tivessem deixado todos os bosses para o último nível isso poderia ajudar.

Power Stone (Sega Dreamcast)

O jogo de hoje leva-nos à Dreamcast para um dos muitos jogos que a Capcom decidiu lançar nessa plataforma. Afinal este Power Stone é um jogo de luta em 3D bastante original para a época e o seu lançamento original nas arcades tinha como base o hardware Naomi da Sega, com uma arquitectura bastante semelhante à da própria Dreamcast, pelo que uma conversão para essa consola era algo óbvio de se fazer. O meu exemplar foi comprado a um amigo meu no passado mês de Abril por cerca de 25€.

Jogo com caixa e manual

A história leva-nos algures ao final do século XIX, onde um conjunto de personagens de todo o mundo parte em busca da power stone, um cristal capaz de dar bastante poder a quem o possuir. Já o tipo de jogo em si, já referi acima que é um jogo de luta em 3D, mas é também bastante diferente de um Virtua Fighter ou um Tekken. Aqui nós podemo-nos movimentar livremente pelas arenas e usar os seus objectos como armas de arremesso, bem como poderemos também encontrar outras armas brancas, de fogo, ou mesmo vários outros power ups, como itens que nos regenerem parcialmente a barra de vida, por exemplo. Também espalhadas ao longo das arenas vão surgir vários cristais coloridos. A cada cristal que apanhemos ficaremos um pouco mais fortes, até que caso coleccionemos os 3 cristais transformamo-nos numa forma mais poderosa e, durante um tempo limitado, poderemos desferir uma série de poderos golpes especiais. Podemos também arrancar à pancada eventuais cristais que o nosso oponente já terá coleccionado! É quase então um party fighter, com uma jogabilidade simples porém bastante empolgante e divertida.

As arenas possuem imensos objectos interactivos que podem ser usados como arma de arremesso, bem como muitos itens que vão também surgindo para serem apanhados

Os controlos são também bastante simples: um botão para socos, outro para pontapés e um outro para saltar. O botão B tem a mesma funcionalidade de pressionar o botão de soco e pontapé em simultâneo, que é usado para apanhar/atirar itens. Os botões de cabeceira são atalhos para o salto+soco ou salto+pontapé, que por sua vez são as combinações necessárias para desencadear os power fusions, os tais specials super poderosos e capazes de causar imenso dano. Sempre que temos os 3 cristais na nossa posse transformamo-nos numa forma mais poderosa como já referi, podendo desencadear power drives (simplesmente ao pressionar os botões de soco ou pontapé), o que faz diminuir a nossa barra do special mais rapidamente, ou então poderemos desencadear os todos poderosos power fusions, se bem que ao usar estes fazem com que toda a restante barra de special se gaste de uma vez só, pelo que devem ser usados de forma algo estratégica para melhor tirar partido da nossa forma mais poderosa.

Apesar de as personagens estarem renderizadas em 3D não deixam de ter um aspecto muito de desenho animado

Visualmente é um jogo interessante, pois todas as personagens possuem um aspecto cartoon e muitas delas parecem mesmo retiradas daquela época como é o caso do Falcon, aviador britânico ou o Jack, um assassino insano cujas semelhanças ao Jack o Estripador não são mera coincidência. Cada arena vai também buscar um pouco das influências de cada personagem e como um todo este é um jogo graficamente bem conseguido, pelo menos para os padrões de 1999. Nada de especial a apontar aos efeitos sonoros que são bem competentes e como é habitual nos jogos de luta da Capcom desta era, todas as personagens vão tendo alguns parcos diálogos em Japonês. A banda sonora é também bastante agradável e algo eclética nos diferentes estilos musicais.

Coleccionando os 3 cristais coloridos disponíveis permite-nos transformar temporariamente numa forma bem mais poderosa e desencadear golpes especiais bastante fortes

Portanto este Power Stone é um jogo de luta com mecânicas de jogo simples, porém bem divertido, uma espécie de um Super Smash Bros. mas com uma jogabilidade inteiramente em 3D. Esta versão da Dreamcast não inclui no entanto nenhum extra de relevo (a não ser talvez a possibilidade de se desbloquearem os bosses, que sinceramente não sei se é possível fazer na versão original), pelo que contem apenas com o modo arcade e versus para dois jogadores. No entanto o potencial está lá, pelo que a Capcom não tardou em lançar uma sequela e essa sim, já com caos a 4 jogadores.

NBA Action ’95 (Sega Mega Drive)

Vamos a mais uma super rapidinha, desta vez para mais um jogo desportivo da Mega Drive. Como uma resposta à série NBA Live da Electronic Arts, a Sega começou os NBA Action na sua linha Sega Sports para a Mega Drive algures em 1994, sendo este o seu segundo jogo. Apesar de nunca ter jogado o seu predecessor, presumo que sejam jogos completamente diferentes, pois foram produzidos por estúdios distintos. O meu exemplar foi comprado algures em Abril na vinted por 5€.

Jogo com caixa e manual

No que diz respeito aos modos de jogo, aqui temos várias opções desde jogar uma partida amigável, ou uma temporada inteira, algo que eu não experimentei mas aparentemente até era consideravelmente avançada, permitindo-nos comprar/vender jogadores também. O campo de jogo é-nos apresentado numa perspectiva vertical e os controlos são relativamente simples com o botão A para correr, o botão B para passar a bola caso estejamos na posse da mesma, ou para trocar de jogador no caso contrário. O botão C tipicamente serve para tentar encestar ou saltar, dependendo também do contexto.

Os menus até que são bem bonitos e o jogo possui também as devidas licenças para conter equipas e jogadores reais da época

Apesar de todas as possibilidades de customização principalmente no modo temporada, já no que diz respeito aos audiovisuais confesso que não fiquei assim tão agradado quanto isso. As músicas, que apenas existem nos menus e afins, não são nada de especial. Durante as partidas apenas ouvimos os ruídos da bola a bater no chão, o ruído das sapatilhas dos jogadores a resvalar no pavimento, que é aqui representado com um som algo irritante, o ruído do público e as tiradas do comentador desportivo. A maneira como o ruído do público e os comentários desportivos se vão encadeando uns nos outros não é nada natural, mas também temos de nos lembrar que esta é uma consola de 16bit e o reduzido número de canais de áudio que a consola tem também não dá para fazer milagres. Os comentários são também simples frases que se vão repetindo, mas aparentemente é a voz de um conhecido comentador de basquetebol norte-americano na época, pelo que poderá ter sido um ponto interessante para esse público.

A jogabilidade é bastante rápida, embora eu não seja o maior fã desta câmara vertical

Vá lá que ao menos o jogo é bastante fluído! Ainda assim, para quem quiser um jogo de basquetebol mais de simulação, para já a série NBA Live da EA parece-me de longe a melhor opção na Mega Drive.

The Flash (Sega Master System)

Vamos a mais um breve artigo que infelizmente o tempo para jogar não tem sido muito nos últimos dias. Este The Flash é um jogo baseado no super herói mais rápido da DC Comics, o Flash. Confesso que conheço muito pouco da personagem nem sei quanta fama tinha nos anos 90, mas teve fama suficiente para a Probe ter desenvolvido um videojogo seu para a já velhinha Sega Master System, algures em 1993. Infelizmente não é um jogo tão bom quanto isso. O meu exemplar foi comprado a um amigo meu no passado mês de Maio por 10€.

Jogo com caixa e manual

Este é um jogo de acção/plataformas em 2D onde controlamos um super herói que como já referi acima é bem conhecido pela sua velocidade. Infelizmente os níveis que a Probe aqui colocou não são lá muito propícios a velocidade, pois o perigo espreita em cada esquina, sejam com inimigos, sejam com espinhos ou outros obstáculos que nos causam dano se lhes tocarmos. Infelizmente os saltos também são bastante escorregadios, o que também não ajuda muito. Os controlos são relativamente simples com o d-pad a movimentar a personagem e os botões faciais para atacar ou saltar. O ataque normal, caso não pressionemos nenhuma direcção em simultâneo, faz com que o Flash active um dos seus super poderes capaz de causar dano a inimigos que estejam muito próximos de nós. Pressionando o botão de ataque enquanto nos movemos faz com que Flash rodopie bastante rápido e assim possa também causar dano aos inimigos, embora não seja invulnerável perante outro tipo de dano, como os já referidos espinhos.

O jogo até que começa de uma maneira bem promissora, com uma óptima cutscene que apresenta o símbolo da Sega. Pena que estejam apenas a reaproveitar os cenários das lutas contra os bosses

O objectivo de cada nível é simples: o de encontrar a sua saída. Mas antes disso temos ainda de encontrar um interruptor que a desbloqueie e o facto de os níveis serem tendencialmente labirínticos, juntamente com os controlos demasiado escorregadios, resultam numa experiência um quanto frustrante. Durante a exploração poderemos também encontrar várias caixas que, após destruídas, nos permitem encontrar uma série de power ups (ou armadilhas!) como fatias de pizza que nos regenerem parcialmente a barra de vida, escudos temporários, mais tempo para terminar o nível, vidas extra ou simplesmente itens que nos aumentam a pontuação, tal como os inúmeros ícones do The Flash que iremos encontrar ao longo de todos os níveis. De resto, o jogo está dividido em 6 episódios, cada um com vários níveis sendo que no último temos sempre um confronto contra um boss, o The Trickster, que há-de ser um vilão conhecido dentro do universo do The Flash. Infelizmente, no entanto, os bosses são todos idênticos, mudando apenas os seus padrões de ataque de episódio para episódio!

Os primeiros níveis ainda vão tendo um design mais aberto e um bom nível de detalhe, mas rapidamente as coisas mudam para níveis bem labirínticos

Graficamente o jogo até que começa de uma forma promissora, com uma pequena cutscene que apresenta o emblema da Sega. Claro que isso perde todo o encanto pois é a mesma sequência de estrada que jogamos sempre que enfrentamos um boss, que por sua vez é sempre idêntico, tal como já referi acima. O jogo começa (e termina) com uma cutscene animada para um sistema 8bit e entre níveis temos também uma série de pequenas cutscenes muito idênticas entre si, mudando apenas o texto e pouco mais. Os níveis até que têm algum detalhe, mas poderiam ser bem melhores, não fosse a Probe querer impingir aquele design labiríntico à força. Por outro lado as músicas são excelentes, tendo muito daquele charme próprio da cena europeia dos micro computadores dos anos 80 e 90.

Porque é que o vilão é um presidente de câmara sinceramente não faço ideia

Portanto este The Flash é um jogo que acaba por desiludir bastante. Os controlos são maus e os níveis ganhariam muito mais se tivessem um design mais aberto e menos labiríntico, até porque a nossa personagem consegue ser bastante rápida. No entanto, com os níveis mais fechados, repletos de inimigos, obstáculos e uns controlos que deixam muito a desejar deixam a experiência bastante frustrante. A falta de variedade dos bosses é também um ponto bem negativo a meu ver.