Call of Duty: WWII (Sony Playstation 4)

Ultimamente não tenho tido muito tempo para jogar, pelo que depois do Yakuza 4 quis jogar um título mais curto e mesmo assim ainda demorei bastante até o conseguir terminar. Refiro-me claro a este Call of Duty WW2 de 2017, onde quase 10 anos depois, a Activision volta ao tema da segunda guerra mundial, depois dos Call of Duty World at War e Final Fronts de 2008. O meu exemplar foi comprado numa Cex algures em Dezembro passado por 12€.

Jogo com caixa e papelada

Este artigo irá focar-se inteiramente no modo campanha, visto que a série Call of Duty sempre apresenta modos multiplayer bastante robustos e competitivos, mas nem sequer os ousei experimentar. Também como em muitos outros jogos da série, temos aqui também um modo zombies de multiplayer cooperativo, algo que também não experimentei. A campanha então foca-se inteiramente no teatro de guerra Europeu, detalhando toda uma série de batalhas desde o desembarque da Normandia no dia D, culminando na batalha onde os aliados conquistam a única ponte ainda disponível para atravessar o rio Reno e assim conseguirem finalmente penetrar o território Alemão. Practicamente toda a aventura irá levar-nos a encarnar no papel de Ronald Daniels, um soldado da primeira divisão de infantaria norte-americana. Nalguns momentos iremos no entanto controlar outras personagens como condutores de tanques, aviões ou até uma membro da resistência francesa.

Uma das novidades aqui introduzida é o facto de vários nossos colegas terem habilidades próprias que poderemos tirar partido, como pedir medkits, munições ou assinalar posições inimigas para ataques de artilharia

A jogabilidade tem no entanto algumas particularidades interessantes. A primeira e mais notória é mesmo o facto de o jogo já não ter um sistema de vida regenerativa, requerendo o uso de medkits para nos curarmos. No entanto, ao contrário de first person shooters da velha guarda, continuamos a poder carregar apenas duas armas de fogo, bem como dois tipos de granadas, tanto de fumo, como de fragmentação. De resto, como já referi acima ao longo da maior parte da história vamos jogar no papel do mesmo soldado, mas este está na sua maior parte das vezes acompanhado pelos restantes membros do seu pelotão, que nos podem auxiliar de várias formas. Um dos nossos colegas pode-nos dispensar medkits, outro munições, outro granadas, outro consegue assinalar os inimigos à nossa volta, aparecendo em seguida com maior relevo e por fim temos também um colega que nos dá granadas de fumo colorido, que podem ser utilizadas para sinalizar equipas de artilharia que ataquem aquele local. Estas habilidades vão sendo “recarregadas” com o tempo e basta nos aproximarmos da personagem respectiva e pressionar o direccional para cima para activar a tal habilidade de suporte.

Nalguns momentos do jogo, particularmente quando equipamos armas sniper podemos usar o focus, que nos permite, durante alguns segundos, abrandar o tempo

Vamos ter também alguns níveis mais focados na acção furtiva, onde teremos de nos esgueirar território inimigo sem sermos detectados. Como em muitos jogos furtivos do género, sempre que um inimigo nos vê, surge um indicador visual acima das suas cabeças e que se vai enchendo gradualmente enquanto nos mantivermos a descoberto. Se chegar ao máximo, o indicador muda a cor para vermelho e é lançado um alerta que irá chamar mais forças inimigas para o local. Há um nível relacionado com a libertação de Paris onde encarnamos numa mulher da resistência francesa e que, disfarçada de militar nazi, nos infiltramos no quartel-general nazi de Paris. Aí temos de ter algum cuidado em não chamar muito à atenção e ocasionalmente poderemos até ser interrogados por alguns oficiais que nos pedem os documentos e nos fazem algumas questões. Pareceu mesmo que estava num filme de espiões! De resto, tirando estas particularidades, contem este jogo como um first person shooter bastante sólido na sua jogabilidade e mecânicas.

Como é habitual, ocasionalmente poderemos conduzir certos veículos como um tanque Sherman

Focando-nos agora nos audiovisuais, foi um prazer jogar este jogo. Isto porque a geração de consolas da PS4 e Xbox One já tinham um poderio gráfico bastante bom, o que permitiu à Sledgehammer produzir um videojogo sobre a segunda guerra mundial com visuais excelentes. Logo no primeiro nível do desembarque da Normandia deu bem para ver o quanto caótico aquele desembarque foi e as dificuldades que muitos soldados aliados tiveram de ultrapassar logo naquelas primeiras horas. Em suma, todo o jogo está graficamente muito bom e que nos leva a atravessar várias cidades em ruínas, a imponente e ainda intacta cidade de Paris e várias paisagens mais naturais como florestas e montanhas ao longo de várias estações do ano. No que diz respeito à banda sonora esta é, como seria de esperar, mais épica e orquestral, o que se adequa bem aos combates que vamos ter de travar ao longo da campanha. O voice acting está óptimo e a história tem uma boa dose de drama à mistura (às vezes até demais), mas como um todo achei este um jogo muito bem conseguido.

Visualmente o jogo está fantástico e Paris não foi esquecida

Portanto foi um prazer voltar a jogar um Call of Duty que decorra na segunda guerra mundial. Uma pena a campanha em si ser bastante curta e practicamente inteiramente focada naquele grupo de soldados norte-americanos. Felizmente no entanto não foi necessário voltar a esperar tanto tempo por mais um jogo desta série neste conflito, pois em 2021 tivemos o Vanguard que planeio comprar e jogar em breve.

Tintin: Prisoners of the Sun (Nintendo Game Boy)

Prontos para mais uma rapidinha, desta vez a um exclusivo europeu de Game Boy. Nos anos 90 muitos dos videojogos baseados em personagens de banda desenhada franco-belga para as consolas eram desenvolvidos/publicados pela Infogrames, pelo que muitos destes lançamentos acabaram por se tornar exclusivos. Este Prisoners of the Sun, que suponho que seja baseado no mesmo livo de banda desenhada (O Templo do Sol em Português) é um jogo de plataformas/aventura lançado originalmente em 1997 com uma versão para a Super Nintendo também. O meu exemplar foi-me oferecido por um amigo algures em Fevereiro!

Cartucho alemão, jogo multi-língua.

A história anda à volta da descoberta de uma múmia da cultura Inca e que detinha aparentemente uma poderosa maldição. Ora maldição ou não, o que é certo é que certas pessoas que interagiram de certa forma com a múmia começaram a desaparecer, tal como é o caso do professor Girassol, pelo que Tintin, Milú e Haddock lá partem para mais uma aventura em busca de salvarem o professor.

Tal como o seu predecessor, tudo nos magoa. Alguns níveis permitem-nos alternar entre dois planos para evadirmos de alguns inimigos

Supsotamente este jogo é uma versão simplificada da versão de Super Nintendo (que eu ainda não joguei) e o mesmo acontecia com a versão Game Boy do Tintin in Tibet. E por sua vez este jogo é também muito parecido com o seu predecessor nalgumas das suas mecânicas, na medida em que teremos de explorar vários níveis e desviarmo-nos de inúmeros obstáculos e inimigos, sendo que não temos nenhuma forma de atacar. Um dos problemas do Tintin in Tibet era o facto de haver um tempo limite bastante apertado para terminar muitos dos níveis, que por sua vez também se tornariam cada vez mais complexos. Felizmente, tirando apenas algumas excepções, não temos de nos preocupar com o relógio. No entanto tal como referi acima, o Tintin não pode atacar, pelo que este é um jogo onde teremos mesmo de nos desviar de tudo e mais alguma coisa.

Entre níveis a história vai avançando com algumas imagens da banda desenhada

Existe no entanto uma grande variedade de níveis e suas mecânicas. Temos vários níveis de plataformas tradicional, no entanto outros são pseudo-3D, pelo que nos poderemos movimentar entre o background e foreground livremente, precisamente para evitarmos alguns obstáculos ou inimigos que patrulham aquela área. Muitas vezes teremos também alguns elementos de aventura e interagir com alguns NPCs assim como procurar alguns itens que os mesmos pretendam para que nos desbloqueiem o caminho ou resolver pequenos puzzles. Temos níveis em que o ecrã se desloca automaticamente e assim temos de nos desviar de perigos constantes, um nível de perseguição de carros, outro em que temos de escapar de uma avalanche, outro em que conduzimos uma canoa por um rio repleto de jacarés e obstáculos entre muitos outros exemplos. Originalidade não lhe falta, pelo menos!

Ocasionalmente teremos alguns NPCs para interagir também

A nível audiovisual este até é um jogo bem conseguido para um sistema tão limitado tecnicamente como é o Game Boy. Existe uma grande variedade de cenários, desde urbanos, rurais, cavernas, rios e montanhas. Até um nível com um foco mais furtivo a bordo de um navio! E tudo vai estando a um nível de detalhe interessante tendo em conta as limitações do sistema. Entre níveis vamos tendo também algumas imagens que vão prosseguindo a história, pena no entanto que não tenham nenhuma música a acompanhar… particularmente porque a música é muito boa! Facilmente o ponto mais forte deste jogo para mim o que foi algo bastante surpreendente.

Alguns anos mais tarde, em 2000, sai uma versão Game Boy Color em tudo idêntica, mas a cores

Portanto este jogo do Tintin é um título não tão frustrante como o seu predecessor e pareceu-me ter ainda mais variedade de níveis e mecânicas de jogo. Fiquei curioso em jogar um dia destes a versão de Super Nintendo que imagino que graficamente esteja incrível. De resto, para além de uma versão PC que nunca tinha ouvido falar, este jogo acabou por ser relançado alguns anos mais tarde na Game Boy Color. Essa versão é em tudo semelhante a esta mas com cor!

Yakuza 4 (Sony Playstation 3 / Playstation 4)

Continuando pela série Yakuza/Like a Dragon, chegou agora a vez de finalmente jogar este Yakuza 4. E tal como no seu predecessor, este foi um jogo saído inicialmente e em exclusivo para a Playstation 3, tendo posteriormente recebido uma versão remastered disponível nas consolas da geração seguinte e foi precisamente essa versão remastered que acabei por jogar. A minha versão PS3 foi comprada em Março de 2013 numa Mediamarkt por 20€, lembro-me de ter visto o jogo 10€ mais barato no ano seguinte no mesmo local, mas ainda assim tinha achado um bom preço. A versão remastered veio precisamente na Yakuza Remastered Collection que comprei em pre-order em 2020 para a PS4.

Jogo com caixa, manual e papelada

Ao contrário do Yakuza 3 que teve originalmente um processo de localização para o ocidente bastante atribulado, de tal forma que a versão PS3 chegou a ter muito conteúdo opcional removido. Felizmente na sequela a Sega manteve o jogo largamente intacto perante o lançamento original (excepto a inclusão do mini-jogo Answer X Answer mas sinceramente acho que não se perdeu muito ali) e esta versão remastered também manteve a mesma linha. A única diferença relevante desta versão remastered é o facto de um actor diferente dar a cara a uma das personagens principais. Isto porque o actor original viu-se envolvido num escândalo de consumo de drogas e, mesmo depois de ter sido declarado inocente, acabou por abandonar a carreira de actor e a Sega neste remaster lá mudou a sua aparência para outro actor. No Japão estes escândalos são levados muito a sério!

Edição limitada da remastered collection com sleeve exterior de cartão, caixa de cartão desdobrável com uma arte interessante, um pequeno manual, autocolante e uma caixa vazia do Yakuza 5 para a PS3, cujo lançamento físico ocidental nunca se concretizou.

A história decorre então um ano após os acontecimentos do terceiro jogo e pela primeira vez na série jogamos com alguém que não o Kiryu. Na verdade este jogo tem a particularidade de ter 4 personagens jogáveis, sendo eles: Shun Akiyama, um excêntrico agiota que empresta largas quantias dinheiro a qualquer pessoa sem taxas de juro logo que estas passem num teste à sua escolha, Taiga Saejima, o bro de Majima e cujo background é revisitado no Yakuza 0, Masayoshi Tanimura, um detective de Kamurocho e finalmente o Kiryu. Cada personagem vai ter uma secção do jogo inteiramente dedicada a ela e com 4 capítulos cada, sendo que teremos também um capítulo final (que por sinal é excelente) que nos obriga a jogar com toda a gente novamente. Não me vou alongar muito com a história, mas digamos que tudo começa com um assassinato entre membros de facções rivais dos Yakuza. Cada personagem começa por ter todo um subplot próprio, mas rapidamente todas as coisas se começarão a interligar umas com as outras e a narrativa vai evoluindo de um simples homicídio para uma grande conspiração que irá envolver muitas caras novas e outras já conhecidas da série. Para além do capítulo final que achei excelente, props também para o capítulo do Saejima. Depois de ter visto o que Majima sofreu nos eventos pré-Yakuza 0, fiquei contente por esta personagem ter sido introduzida. Sem grandes spoilers, Saejima estava no corredor da morte à espera de ser executado, após ter cumprido 25 anos de pena por um crime grave e o seu primeiro capítulo será passado precisamente para escapar da sua prisão! Em suma, a narrativa continua interessante e sempre com coisas novas e plot twists a acontecer, como é habitual nesta série.

A única diferença notável a nível de conteúdo para a versão remastered é a nova cara e voz de Tanimura, visto que o actor original foi envolvido num escândalo que o levou a desaparecer da praça pública

No que diz respeito à jogabilidade, esperem pelo habitual dos Yakuza clássicos. Temos toda uma secção de Tokyo para explorar livremente e, para além de avançar na história temos toda uma série de sidequests e mini jogos que são completamente opcionais para completar se assim o desejarmos. Casinos ilegais, arcades da Sega (infelizmente sem nenhum clássico conhecido), pescar, jogar golfe, bowling, mandar umas tacadas de baseball, engatar miúdas em clubes ou participar em torneios de luta ilegais são apenas alguns dos passatempos que teremos acesso. O sistema de combate é muito similar ao do Yakuza 3, na medida em que o quadrado é o botão principal de ataque, o triângulo para golpes mais poderosos (incluindo as famosas heat actions), o círculo serve para agarrar/atirar outros oponentes ou objectos espalhados pelas ruas, L1 para bloquear, R1 para nos focarmos apenas num inimigo em específico. Os analógicos controlam o movimento e câmara. Cada personagem pode ter equipada até um máximo de 3 armas cujas podem ser utilizadas em combate ao pressionar uma certa direcção no botão direccional. De resto, vencer combates, comer em restaurantes e acima de tudo cumprir sidequests dá-nos pontos de experiência e de cada vez que subimos de nível poderemos evoluir a nossa personagem e aprender novas técnicas. Algumas técnicas precisam de treinos especiais, sendo que cada personagem possui um mestre distinto que as pode ensinar.

Cada personagem possui técnicas de combate próprias, embora os controlos sejam idênticos

Como seria de esperar, no entanto, cada personagem possui diferentes estilos de luta. O Akiyama é bastante ágil e ataca principalmente com pontapés, já o Saejima é um tanque fortíssimo mas é bastante lento nos seus golpes e requer muito os “charging attacks“, ou seja, manter o botão triângulo pressionado durante alguns segundos após um combo de golpes normais. Infelizmente isto não resulta muito bem e nalguns combates mais desafiantes (o boss da prisão é horrível) vão se tornar algo frustrantes. Saejima, sendo também um prisioneiro que foge da prisão, terá também de ter cuidados acrescidos quando explora Kamurocho e evitar qualquer contacto com polícia, o que também nos pode frustrar um pouco. O Tanimura é também uma personagem ágil e o seu sistema de combate é mais focado em agarrar inimigos bem como um sistema de parrying que os deixa vulneráveis a um contra ataque. Jogar com o Kiryu foi um prazer, porque felizmente a maior parte das suas habilidades são fáceis de desbloquear e acaba por ser uma personagem bem mais directa no seu combate. Cada personagem tem também um “mini-jogo/sidequest” próprio. O Akiyama sendo um gajo rico, naturalmente que tem também um clube nocturno. Então temos aqui um mini jogo de recrutar e treinar miúdas giras para trabalharem lá no clube, o Hostess Maker, que já conhecia do Yakuza 3. O Saejima tem o Fighter Maker onde ajudamos um dojo a treinar jovens lutadores, onde teremos de lhes criar um plano de treino e levá-los a alguns combates regulares para que melhorem a sua técnica, força, resistência física, entre outros parâmetros. O Tanimura e o Kiryu têm uma side quest mais simples. O Tanimura sendo um polícia irá receber pedidos de ajuda por rádio que podemos investigar ou não. Investigar resulta sempre numa luta ou perseguição e uma recompensa monetária no final. Já o Kyriu tem uma série de gangues de rua para combater e derrotar.

Visualmente já o original de PS3 era uma boa evolução perante o Yakuza 3. Para além dos modelos poligonais das personagens serem mais avançados, as texturas, efeitos de luz e partículas eram também superiores.

No que diz respeito aos audiovisuais, o Yakuza 4 original é um título da PS3, pelo que utiliza o mesmo motor gráfico do seu antecessor. Ainda assim notei algumas melhorias nos modelos poligonais, particularmente os das personagens principais e principalmente quando vemos alguma cutscene onde os mesmos estão mais aproximados. A cidade de Kamurocho está também mais bem detalhada e com melhores efeitos de luz, particularmente à noite. A versão remastered foi toda uspcaled para 1080p e tirando a maior resolução não parece ter havido grandes melhorias gráficas. O voice acting é inteiramente em japonês como é habitual e parece-me muito bom, até porque o pessoal da Ryu Ga Gotoku Studios tem investido em actores minimamente famosos no Japão para dar a cara e voz às personagens principais. A banda sonora é também bastante eclética, com músicas com melodias calmas de piano, outras mais jazzy e claro, quando temos de andar à porrada muitas vezes toca uma música mais rock e enérgica. Eu adoro rock e metal, mas confesso que as músicas desse estilo neste jogo em particular não me agradaram tanto.

Subir de nível faz com que possamos desbloquear novas habilidades. Combater, comer em restaurantes ou completar sidequests são tudo exemplos de actividades que nos dão experiência.

Portanto este Yakuza 4 é mais um título bem decente da série Yakuza / Like A Dragon. A introdução de novas personagens jogáveis foi muito benvinda, embora o Saejima seja um pouco mais frustrante de controlar nos combates e durante a exploração normal também ter de fugir à polícia constantemente. De resto, apesar das novas personagens, infelizmente a Sega não investiu muito em novos locais para visitar. A esmagadora maioria do jogo é passada em Kamurocho que já é mais do que familiar nesta altura. Outras localizações como a tal prisão que escapamos com o Saejima ou as praias de Okinawa onde Kiryu vive são zonas que visitamos apenas em certas fases da história. De realmente novo temos aqui toda uma série de subterrâneos e terraços para explorar em Kamurocho, no entanto estas novas áreas não são assim tão vastas quanto isso e não acrescentam muito ao jogo em si, o que é pena.

F1 World Championship Edition (Sega Mega Drive)

Vamos continuar na Mega Drive e nas rapidinhas para um jogo de Formula 1 bastante competente. Publicado pela Domark, este F1 Worlf Championship é um sucessor do F1, herdando as mesmas mecânicas de jogo e o motor gráfico, que havia também sido utilizado no Kawasaki Superbikes, também publicado pela Domark. O meu exemplar foi comprado a um amigo meu no passado mês de Fevereiro a um preço bastante agradável, tendo em conta que este é um jogo que tem encarecido.

Jogo com caixa

Tal como o seu predecessor, este é um jogo devidamente licenciado pela FIA pelo que podem contar com toda uma série de pilotos, equipas, fabricantes e circuitos que presumo que retratem a época 1994-1995 do desporto motorizado. Não sou nenhum especialista, é possível que faltem licenças de algum piloto mais famoso como foi o caso do seu predecessor, mas pelo menos reconheci ali o nome do “nosso” Pedro Lamy. No que diz respeito aos modos de jogo temos 3 opções: campeonato, knockout e practice. O último dispensa apresentações, é um modo de jogo que nos permite practicar em qualquer um dos circuitos aqui disponíveis. O knockout é um modo de jogo para um jogador apenas, onde somos desafiados a terminar acima de um certo lugar em cada corrida e por fim, o Championship que é o modo carreira.

No modo campeonato podemos seleccionar em que circuitos queremos participar e qual a sua ordem

Aqui podemos escolher que equipa e piloto queremos representar da época de 1994, sendo que poderemos também renomear o nosso piloto. Podemos também optar por escolher se queremos competir em todos os circuitos disponíveis ou não, assim como alterar a sua ordem. Cada corrida propriamente dita é precedida da fase de qualificação e tanto num como no outro poderemos customizar ligeiramente o nosso carro. Durante as corridas temos de ter em atenção ao nível de combustível pelo que ocasionalmente teremos também de visitar as boxes para reabastecer o carro. O modo campeonato é também possível de ser jogado com dois jogadores em simultâneo, embora não o tenha experimentado. Já no que diz respeito aos controlos as coisas são simples, com o direccional a servir para guiar e engatar mudanças e os botões faciais para acelerar ou travar.

Com dois jogadores o ecrã fica bem mais apertado mas as informações estão todas lá

Visualmente este jogo é, tal como o seu predecessor, incrível! Isto porque os cenários possuem vários modelos poligonais muito básicos para as bancadas, pontes, túneis entre outras estruturas simples. Para além disso as sprites são grandes, bem detalhadas, os cenários de fundo também e o jogo possui também um sistema metereológico algo rudimentar. Tudo isto com uma óptima fluidez de jogo, o que é incrível numa consola de 1988 sem recorrer a nenhum hardware adicional (como foi o caso do Virtua Racing). As músicas são agradáveis, embora como seria de esperar apenas as ouvimos durante o ecrã título e menus entre corridas. Nada de especial a apontar aos efeitos sonoros.

Para um jogo com elementos de simulador esperava mais opções de customização

Portanto este é mais um óptimo jogo de corridas que dá bem para entreter durante alguns tempos. Para quem procura uma experiência mais de simulação este jogo ainda deixa a desejar, mas a fluidez das corridas e os seus bons visuais bem que compensam!

Xenon 2 Megablast (Sega Mega Drive)

Tempo de voltarmos às rapidinhas na Mega Drive para mais uma das várias conversões que o Xenon 2 recebeu para consolas. Já cá trouxe no passado a versão Master System que sinceramente achei francamente má, não só a nível de performance (o que de certa forma até é compreensível), mas também por todo o conteúdo cortado da versão original de Amiga. Esta versão Mega Drive apesar de ainda não ter todo o conteúdo da original, é bastante superior em todos os aspectos à coitada versão de Master System!

Jogo com caixa e manual

Portanto este é na mesma um shmup vertical onde iremos enfrentar toda uma série de estranhas criaturas. Ao longo dos seus 4 níveis (que desta vez sim, são completamente distintos entre si ao contrário da versão MS) iremos coleccionar toda uma série de itens largados pelos inimigos que vamos destruindo. A maior parte são créditos, ocasionalmente lá poderemos encontrar alguns corações que nos regeneram a barra de vida, itens que nos melhoram a velocidade da nave (must haves!) ou se tivermos muita sorte lá nos sai um power up a sério. Cada um dos 4 níveis terá dois bosses para enfrentar e sempre que destruímos um somos levados a uma loja onde poderemos comprar e vender power ups que tenhamos encontrado/comprado noutros níveis. Muitos destes itens são cumulativos, ou seja poderemos ter vários equipados em simultâneo, enquanto outros não o são e o jogo infelizmente não nos avisa disso até ser tarde demais.

A referência aos autores da banda sonora está bem evidente mesmo antes de o jogo começar. Pena no entanto que não tenha mais músicas.

Um outro detalhe interessante deste Xenon 2 é que se levarmos a nossa nave para o fundo do ecrã o mesmo começa a fazer scrolling para baixo, embora de uma forma mais lenta. Visto que alguns níveis terão bifurcações nos caminhos e algumas nos levam a becos sem saída, esta habilidade será necessária. Por outro lado continua a ser um jogo bastante difícil pelos inimigos numerosos, com padrões de movimento agressivos e nem sempre lá muito fáceis de prever. Felizmente que perder vidas não faz com que percamos todos os power ups amealhados, aparentemente apenas os de velocidade são perdidos, embora esses sejam bastante importantes porque por defeito a nossa nave move-se muito lentamente.

Esta versão Mega Drive é visualmente bem melhor trabalhada e mais próxima ao original de Amiga

No que diz respeito aos audiovisuais esta versão está muito mais próxima do original de Amiga e aqui sim, ao contrário da versão Master System temos uma variedade bem maior nos inimigos e os cenários estão com bastante mais detalhe, embora não sejam nada de absolutamente incrível. E sim, com tanto projéctil no ecrã por vezes pode tornar as coisas um pouco confusas. Felizmente que esta versão possui todos os bosses e mini bosses ao contrário da versão Master Sytem… excepto no quinto nível que continua ausente por algum motivo. Suspeito que para o jogo caber num cartucho de menor capacidade. Os efeitos sonoros não são nada de especial, já a música é bastante agradável. O problema é que temos apenas uma música para ouvir ao longo de todo o jogo e apesar de a mesma ser boa (uma adaptação de uma banda supostamente famosa no Reino Unido no final da década de 80), ao fim de algum tempo também acaba por aborrecer um pouco.

Portanto este Xenon 2 continua a ser um jogo, a meu ver, ainda muito longe da qualidade de títulos que várias empresas nipónicas nos traziam, embora possua alguns conceitos interessantes como todo o sistema de power ups. Se quiserem mesmo jogar uma versão deste jogo, presumo que o original de Amiga continue a ser a melhor versão, mas este da Mega Drive também não é nada mau.