Downtown Nekketsu Koushinkyoku: Dokodemo Daiundoukai (Nintendo Game Boy)

Vamos ficar agora com uma rapidinha para o Game Boy clássico, para um título que nunca saiu do mercado japonês. Na verdade este jogo foi lançado originalmente para a NES algures em 1990 como Downtown Nekketsu Koushinkyoku: Soreyuke Daiundoukai e que por sua vez foi uma sequela do Downtown Nekketsu Monogatari, conhecido no ocidente como River City Ransom, um divertido beat ‘em up com algumas ligeiras mecânicas de RPG. Mas ao contrário desse jogo, estes Downtown Nekketsu Koushinkyoku são uma espécie de “olimpíadas da escola secundária”, o que neste universo Kunio-kun se traduz sempre com muita porrada envolvida. O meu exemplar veio de uma flea market algures no passado mês de Outubro.

Cartucho solto

Pelo que entendi (infelizmente não existe qualquer patch de tradução para inglês desta versão) o objectivo é, depois de seleccionar a equipa/personagem que queremos controlar, levá-la a vencer uma série de competições distintas, que se dividem em eventos de pancadaria pura e outros que envolvem também corridas e os controlos são ligeiramente distintos entre ambos. Os controlos comuns consistem no d-pad a servir para movimentar a nossa personagem, assim como os botões A e B em simultâneo para saltar. Nos eventos de pancadaria o botão A serve para socos, enquanto o B para pontapés. Já nos eventos de corrida um dos botões faciais serve para mandar cotoveladas em quem estiver atrás de nós, enquanto o outro serve para empurrar quem estiver à nossa frente. Infelizmente estes controlos invertem-se mediante a direcção em que a nossa personagem estiver virada, o que sinceramente sempre me incomodou e é algo recorrente em certos jogos da Technos Japan.

Infelizmente a versão GB não recebeu nenhum patch de tradução

Bom, e que eventos temos então para competir? Um é uma corrida pelo mundo de Nekketsu Downtown / River City, onde o objectivo é o de chegar em primeiro lugar e poderemos andar à pancada com as outras personagens para atrapalhar o seu progresso. Teremos de percorrer a escola, cidade, nadar no esgoto (sim, isso), entre vários outros locais! Existe um outro evento semelhante, mas sem scrolling de ecrã e sem penalizações para os jogadores que ficarem atrás, visto que a acção apenas transita para o ecrã seguinte quando todos os participantes terminarem o desafio actual. Já nos eventos de pancadaria temos um Battle Royale, que é nada mais nada menos que uma arena com 4 personagens à pancada e vence o que sobreviver no final. Um outro envolve um grande pão e o objectivo é ser o jogador que consegue comer o pão até ao fim. Naturalmente que devemos também andar à porrada uns com os outros e evitar que os adversários comam o pão todo. O último evento aqui disponível é um bomb tag, onde uma das personagens é seleccionada à sorte para carregar uma bomba, cuja pode ser passada para outras personagens quando as mesmas vão ao chão. Naturalmente vence quem sobreviver e o coitado que levar com a bomba perde imediatamente todos os seus pontos de vida, inclusivamente quem estiver muito próximo de si também. Estes dois últimos eventos supostamente são exclusivos da versão Game Boy, com a versão NES original a incluir um outro evento que não foi para aqui trazido.

Visualmente é um jogo interessante embora por vezes seja difícil distinguir as personagens

Visualmente o jogo é interessante tendo em conta as capacidades do Game Boy original. Os cenários vão sendo bem diferenciados e detalhados tendo em conta que decorrem maioritariamente em zonas urbanas, mas a minha única razão de queixa é que por vezes é um pouco difícil de distinguir as personagens, particularmente quando estas estão bem próximas umas das outras. As músicas e efeitos sonoros são agradáveis, nada a apontar neste departamento.

Mesmo nos eventos de corrida podemos apanhar armas e andar à porrada!

Portanto este até que é um jogo divertido, apesar dos controlos espelhados nos segmentos de corridas me irritarem um pouco. A versão NES é a original e essa inclui um patch de tradução preliminar que pelo menos tem os menus traduzidos. No entanto aparentemente essa mesma edição acabou por ser oficialmente traduzida (com muitos mais outros títulos Kunio-kun que outrora foram exclusivos nipónicos) na compilação DOUBLE DRAGON & Kunio-kun Retro Brawler Bundle, cuja chegou a receber um lançamento físico na Limited Run Games e que me passou completamente despercebido. Ainda nos anos 90, a Technos lançou também uma versão para a PC Engine CD que, para além dos visuais melhorados, voice acting e música CD audio, inclui também inúmeras cut-scenes. Parece-me ser uma versão bem interessante, mas infelizmente duvido que venha a receber algum patch de tradução tão cedo.

Gris (Nintendo Switch)

Tempo de voltar às rapidinhas para um videojogo indie na Switch. Produzido pelos espanhóis Nomada Studio, formada por ex-funcionários da Ubisoft que desejavam produzir um videojogo independente, este Gris é um interessante jogo de plataformas que apesar de simples nas suas mecânicas de jogo, a sua direcção artística e a narrativa repleta de momentos de “story don’t tell” tornam-no numa experiência muito agradável. O meu exemplar foi comprado na Amazon algures em Junho deste ano por cerca de 25€.

Jogo com caixa e um pequeno livro com arte.

Há muita coisa da narrativa que o jogo não nos conta mas à medida que o vamos experienciando começamos a entender um pouco o que é que de facto se está ali a passar. Digamos que encarnamos numa jovem rapariga chamada Gris que acorda na palma da mão de uma gigante estátua e depois de tentar cantar apercebe-se que não tem voz, com a estátua a desmoronar-se e Gris a cair num mundo completamente desprovido de cor. À medida que vamos explorando o mundo à nossa volta iremos gradualmente restaurar algumas das suas cores e o significado da tal estátua vai-se tornando mais claro.

Visualmente este jogo ficou qualquer coisa de extraordinário!

A nível de mecânicas as coisas são super simples, particularmente no início, pois o direccional serve para movimentar Gris pelo ecrã e um dos botões faciais para saltar. O objectivo é o de ir explorando os cenários, em busca de pequenos pontos luminosos que se assemelham a estrelas e estes vão ser necessários para progredir no jogo, resolver certos puzzles ou até desbloquear algumas novas habilidades. Por exemplo, um dos primeiros obstáculos que encontramos é um abismo que não conseguimos atravessar. No entanto, se coleccionarmos os dois pontos luminosos que estão espalhados nessa área, quando voltamos a esse abismo os dois pontos formam uma mini-constelação, cuja linha que os une pode ser utilizada como ponte. Ou, tal como referi acima, esses pontos servem também para desbloquear novas habilidades que por sua vez serão igualmente necessárias para ultrapassar certos puzzles e obstáculos que o jogo nos irá apresentar em seguida. A primeira habilidade que desbloqueamos é a capacidade de Gris se transformar num bloco super pesado com o pressionar de um outro botão. Mais à frente ganhamos a habilidade de executar um duplo salto, a possibilidade de nos transformarmos automaticamente numa criatura aquática sempre que entremos em zonas submersas ou, por fim, a habilidade de cantar, que devolve uma certa vida ao mundo que nos rodeia. Um detalhe interessante é que se formos às opções e consultarmos os controlos, apenas as habilidades que tenhamos desbloqueadas aparecem lá mapeadas.

Ocasionalmente o jogo introduz algumas mecânicas interessantes que nem sempre são bem exploradas. Por exemplo esta criatura que nos segue imita os nossos movimentos e teremos de usar tal para resolver alguns puzzles

Todas estas habilidades serão necessárias tanto em certos desafios de platforming como nalguns puzzles mais convencionais e mesmo sendo este um jogo curto e onde aparentemente é impossível alcançar um game over, não deixam de ser alguns desafios agradáveis. Particularmente se o quisermos completar a 100% pois existem uns itens coleccionáveis que estão muitas vezes escondidos ou em zonas de difícil acesso e onde deveremos utilizar todas estas novas mecânicas de jogo para os conseguir coleccionar. Se os coleccionarmos a todos, poderemos visitar uma área secreta e desbloquear uma pequena cutscene que nos conta um pouco mais do passado de Gris. Claro que quando isso acontece já nós sabemos bem o que se está por ali a passar, mas não deixa de ser um desafio interessante.

Ocasionalmente temos alguns bosses para enfrentar mas o combate é mais puzzle do que outra coisa

Visualmente este jogo é mesmo qualquer coisa. Todo ele é um jogo de plataformas/puzzle em 2D, mas a direcção artística é fantástica, seja na representação do mundo que vamos explorando e as diferentes zonas com várias temáticas, seja nas pequenas (ou grandes!) criaturas com as quais vamos interagindo ao longo do jogo de uma forma ou de outra. E a visão artística foi aqui de uma maneira tecnicamente irrepreensível, pois já há uns bons anos em que as consolas conseguem representar mundos a duas dimensões com um nível de detalhe muito bom. Parece um desenho animado! As músicas são também muito agradáveis, sendo compostas particularmente por melodias relaxantes e atmosféricas, se bem que com algumas transições para momentos de maior tensão, como é o caso dos “bosses” que iremos eventualmente enfrentar.

Portanto este Gris é um jogo indie que recomendo vivamente que o experimentem. A menos que sejam coleccionadores como eu dão preferência a lançamentos físicos sempre que seja possível e razoável, seguramente que o conseguem encontrar em plataformas digitais no PC a preços bem mais em conta, particularmente em alturas de campanhas como a que iremos ter nos próximos meses.

Alien Breed Special Edition 92 (Commodore Amiga)

Vamos voltar ao Commodore Amiga para mais um clássico. Lançado originalmente em 1991 pela Team 17 (que viria mais tarde a fundar a série Worms), Alien Breed era um shooter com uma perspectiva vista de cima e inúmeras influências retiradas dos filmes Alien, tal como a forma dos aliens que vamos defrontando inicialmente como dos próprios facehuggers que são iguais aos dos filmes. Nem sei como a 20th Century Studios não os processou! Entretanto no ano seguinte a Team 17 lança esta “Special Edition 92”, um lançamento budget que é na verdade uma espécie de expansão do primeiro jogo, incluindo no entanto mais níveis (12) que os seis do lançamento original. O meu exemplar veio do Reino Unido, trazido por um amigo meu algures no passado mês de Setembro e nem chegou a 4 libras.

Jogo com caixa, disquetes e manual

A história leva-nos ao longínquo ano de 2191, onde a humanidade evoluiu imenso na exploração do espaço. Nós controlamos um (ou dois caso joguemos em multiplayer) soldados que recebem a missão de investigar uma estação espacial que há muito deixou de transmitir qualquer informação ou sinais de vida. E de facto quando lá chegamos encontramos a base completamente invadida por extraterrestres super agressivos, pelo que em vez de salvar o que quer que seja, a nossa missão irá passar por ameaçar a ameaça extraterrestre e acabar por a destruir por completo. Toda esta exploração será feita ao longo de 12 andares, cada um o seu próprio nível e onde poderemos ter objectivos diferentes, seja o de destruir uma série de objectivos ou simplesmente o de sobreviver e encontrar a passagem para o nível seguinte.

Publicidades a outros jogos da Team 17? Sim vamos ver alguma

A jogabilidade é simples, com os controlos principais a levarem-nos a usar o joystick para movimentar a personagem e o seu botão de acção a disparar a arma que tenhamos equipada no momento. Existem no entanto algumas teclas de “suporte” que necessitamos de usar no teclado, como é o caso da tecla de espaço para interagir com terminais, a tecla M para activar/desactivar mapa caso o tenhamos comprado ou a tecla ALT para alternar a arma equipada. Para além das influências notórias dos filmes Alien, eu diria que o jogo tem também uma forte influência de títulos como o Gauntlet. Isto porque todos os níveis são bastante labirínticos, os aliens não param de fazer respawn, embora não ataquem em números tão elevados quanto no Gauntlet, e teremos também de encontrar múltiplas chaves que servirão para abrir as inúmeras portas que iremos atravessar.

Quaisquer semelhanças com os xenomorfos mais conhecidos do cinema não são mera coincidência

Explorar os níveis com cuidado é então obrigatório e poderemos também encontrar inúmeros itens, como as já faladas chaves, munições, itens regenerativos, vidas extra ou dinheiro. Ocasionalmente poderemos encontrar uma série de terminais que nos ligam ao sistema Intex, onde para além de podermos consultar informações úteis como os objectivos do nível actual e o seu mapa, temos também uma autêntica loja onde poderemos gastar o dinheiro que vamos amealhando ao explorar os níveis. Este pode então ser usado para comprar novas armas ou outras utilidades como conjuntos de chaves, vidas extra ou mapas portáteis. A versão original do Alien Breed ainda nos permitia jogar um clone de Pong, mas essa funcionalidade foi aqui retirada desta versão. De resto convém também mencionar que é um jogo bem desafiante, precisamente pelo facto de os inimigos estarem constantemente a renascer, o jogo ter os seus momentos sádicos com armadilhas como vidas extra falsas e claro, a natureza labiríntica dos níveis. É que muitas vezes depois de cumprirmos o objectivo do nível é activada uma sequência de auto destruição, onde teremos de navegar novamente pelo labirinto com poucos segundos para chegar à sua saída.

Ao explorar os níveis iremos encontrar diversos itens

No que diz respeito aos audiovisuais, este é um jogo interessante apesar de não ter uma grande variedade de cenários, pois o jogo passa-se inteiramente a bordo de uma gigante estação espacial. Ainda assim, a acção está constantemente acompanhada de efeitos sonoros atmosféricos no lugar de música, o que acaba por contribuir bem para o clima tenso. Temos alguns clipes de voz digitalizada com bastante qualidade e ouvir constantemente uma voz a avisar “destruction imminent” enquanto desesperadamente procuramos a saída do nível acaba por resultar muito bem. As músicas apenas existem em certos momentos como no ecrã título ou transições entre níveis e apesar de serem poucas em número são bastante agradáveis e bem conseguidas. O Alien Breed original possuía ainda uma disquete extra só para animações e cutscenes especiais, mas tal infelizmente não foi incluído nesta edição, até porque foi um lançamento barato e tal é até admitido nos créditos finais pela própria Team 17.

O dinheiro que juntamos pode ser usado para comprar novas armas ou outras utilidades

Portanto o Alien Breed é de facto um interessante jogo de acção para os sistemas Amiga e é fácil entender o porquê de ter tido bastante sucesso nos anos 90. Apesar de desafiante e por vezes frustrante, não deixa de ser um óptimo jogo de acção e a Team 17 conseguiu produzir inúmeras sequelas ao longo dos anos, incluindo autênticas maravilhas tecnológicas como eram os Alien Breed 3D, pois os Commodore Amiga nunca foram sistemas com hardware apropriado para videojogos poligonais. Anos mais tarde a Team 17 lançou também um reboot em 2009, trazendo a série para a modernidade, embora a recepção dos fãs e crítica já não tenha sido a melhor. Tenho essa “nova” trilogia algures na minha conta GOG para jogar um dia.

Silent Hill (Sony Playstation)

É verdade. Até agora nunca tinha jogado nenhum Silent Hill. Há uns meses atrás decidi que na altura do Halloween deste ano ia finalmente pegar nessa série, começando pelo seu primeiro jogo na Playstation e lá o fiz. E que jogão é! Apesar de não ter sido o primeiro survival horror a ser lançado, Resident Evil foi um jogo importantíssimo na popularização do género que lhe trouxe muitos imitadores. Mas apenas 3 anos após esse lançamento, a Konami conseguiu apresentar um outro survival horror com um foco muito maior na atmosfera de terror e mesmo passados todos estes anos, Silent Hill continua a ser um jogo tão assustador e bem conseguido como em 1999. O meu exemplar foi comprado há muitos anos atrás, no antigo site leilões.net. Custou-me 7.5€, veio dos Açores e tinha chegado em excelente estado!

Jogo com caixa, manuais e papelada diversa

A história leva-nos a encarnar no papel de Harry Mason, um cidadão norte-americano perfeitamente comum que estava a viajar para a pequena cidade de Silent Hill com a sua filha adoptiva (Cheryl Mason) para umas pequenas férias. Mas mesmo quando estavam prestes a entrar na cidade, Harry sofre um acidente automóvel e quando volta a si descobre que a sua filha está desaparecida, partindo imediatamente no seu encalço. Mas a pequena cidade de Silent Hill, envolta numa névoa permanente e aparentemente desprovida de qualquer presença humana, rapidamente começa a mostrar as suas verdadeiras cores: estranhas e grotescas criaturas atacam, ocasionalmente somos transportados para uma outra dimensão ainda mais opressora e os poucos NPCs que ocasionalmente vamos conhecendo ainda mais contribuem para todo o mistério.

Apesar dos perigos que corremos, vamos ter vários edifícios que poderemos explorar livremente, alguns contém valiosas provisões!

No que diz respeito aos controlos, confesso que inicialmente me custou um pouco voltar aos tank controls do passado, mas ao fim de algum tempo lá me voltei a habituar. Os controlos são então os seguintes: o direccional ou analógico esquerdo servem para controlar a personagem, com os tank controls a obrigarem-nos a que a personagem ande em frente quando pressionamos para cima, para trás ao pressionar para baixo e as direcções a rodarem Harry em ambos os sentidos. Os botões faciais servem para interagir com objectos/atacar (X), o quadrado para correr, triângulo para consultar o mapa a zona onde estamos (se o tivermos encontrado, claro) e o círculo para ligar/desligar a lanterna. Os botões L1 e R1 servem para strafing lateral, o L2 para posicionar a câmara nas costas de Harry e R2 para activar a postura de ataque, onde poderemos posteriormente atacar com o X. Start pausa e Select abre o menu onde poderemos explorar o nosso inventário, utilizar itens regenerativos, mudar de armas, entre outros. O ecrã de opções possui algumas opções escondidas e uma delas deu um grande jeito: alternar entre andar ou correr por defeito, o que eu acabei por fazer, pois sempre que possível, particularmente em áreas largas, fugia dos inimigos para conservar munições.

Como noutros survival horrors da mesma época, teremos de explorar bem os cenários em busca de objectos que nos ajudam a desbloquear certos caminhos. Alguns puzzles também.

E sim, conservar munições e itens regenerativos continua a ser uma das preocupações que teremos de ter em conta. Existem diversas armas que poderemos vir a encontrar, desde melee como facas, tubos metálicos ou machados, bem como diversas armas de fogo com munições limitadas. Há inimigos que são complicados de os atingirmos com armas brancas (aquelas criaturas voadoras particularmente), pelo que ir alternando de arma consoante as munições que temos e avaliar se cada combate vale a pena ou não, é um exercício que terá de ser feito recorrentemente. É que ocasionalmente teremos também alguns bosses para defrontar e convém ter munições e itens regenerativos suficientes para os enfrentar. De resto, lá teremos de ir explorar os cenários em busca não só de mantimentos mas também objectos como chaves ou outros que nos irão a resolver uma série de puzzles, que por sua vez nos darão acesso a novas áreas a serem exploradas.

Estas criaturas foram removidas da versão europeia do jogo por presumivelmente se assemelharem demasiado com crianças

Mas é mesmo na atmosfera que este Silen Hill brilha. A própria vila de Silen Hill coberta de nevoeiro, que é tipicamente utilizado em videojogos desta geração para mascarar a curta draw distance, acaba no entanto por fazer todo o sentido aqui, até porque oculta também uma série de perigos que inevitavelmente nos irão surpreender. O som que nos acompanha está repleto de ruído estático, sirenes ou campainhas que tocam ininterruptamente, particularmente quando temos inimigos nas nossas imediações. Ocasionalmente iremos transitar entre a dimensão “real” e uma outra ainda mais macabra, onde no lugar de solo alcatroado e paredes normais, todas as superfícies são substituídas por um metal bastante oxidado e muitas vezes adornado com decorações macabras: corpos mutilados pregados à parede, poças de sange por razão nenhuma, entre outros. O design dos inimigos é também bastante original, embora as enfermeiras ainda tenham um aspecto bem mais humano do que as que nos foram introduzidas nas sequelas. A versão europeia é ligeiramente censurada, pois há um inimigo (dos primeiros a aparecer) que parece uma criança deformada, tendo sido substituída por outro inimigo mais grotesco que apenas surge mais tarde nas outras versões. E essa tal outra dimensão é ainda bem mais escura, o que nos obriga a utilizar a lanterna para conseguirmos ver alguma coisa. No entanto a lanterna é também um chamariz para os inimigos, pelo que também aí devemos ter algum cuidado enquanto a usamos. Portanto, toda esta conjugação de factores tornam o Silent Hill num jogo que nos coloca constantemente numa atmosfera bastante tensa e de puro terror. E sim, mesmo sendo um jogo de PS1, com gráficos em 3D poligonal algo primitivos, não deixa de ser excelente na atmosfera que cria.

Esta dimensão alternativa está muito bem conseguida! E o design das várias criaturas que vamos enfrentando! Estas enfermeiras então ganham papel de destaque nos jogos seguintes!

Portanto sim, adorei jogar este Silent Hill e de facto concordo perfeitamente com o que se vai ouvindo sempre que o jogo é trazido à baila: a sua atmosfera aterradora e foco num terror mais psicológico é sem dúvida o grande diferenciador perante outros survival horrors da mesma época. E mesmo sendo um jogo com quase 25anos, continua a ser excelente naquilo que faz. Muito curioso para jogar o Silent Hill 2, que para muitos fãs é o seu preferido da série.

Hellfire (Sega Mega Drive)

Vamos voltar às rapidinhas na Mega Drive e aos shmups para mais um jogo da Toaplan, o Hellfire! Este é dos poucos shmups horizontais que eles produziram, mas possui também uma série de mecânicas interessantes e claro, picos de dificuldade insana. O meu exemplar foi comprado a um amigo meu no passado mês de Setembro e custou-me algo entre os 20/25€.

Jogo com caixa e manual

Ora e o que difere este Hellfire dos demais jogos do género? É sem dúvida a sua jogabilidade. Os controlos são simples, com o direccional a mover a nave pelo ecrã, o botão A para disparar (o autofire pode ser activado nas opções) e o C é usado para disparar o special, um poderoso tiro de canhão (estes com munição limitada) capaz de atravessar os inimigos, logo capaz de causar dano em vários em simultâneo. Sobra então o botão B que tem consigo a tal inovação nas mecânicas de jogo. Esse botão serve então para direccionar as nossas armas normais para disparar em frente, disparar para trás, disparar em simultâneo para cima ou baixo ou disparar nas 4 diagonais em simultâneo. Um detalhe interessante é que cada direcção escolhida muda a cor da nave e dos disparos para cor-de-rosa, amarelo, verde ou azul respectivamente. Naturalmente que à medida que vamos jogando vamos efrentar inimigos vindos de múltiplas direcções e vários padrões de movimento e ataque, que nos irão encorajar fortemente a alternar entre estas várias direcções de disparo.

Na versão MD não só os disparos mudam de cor consoante a sua direcção, mas a nave também, o que acaba por ajudar um pouco

E claro, temos também uns quantos power ups para apanhar. Os ícones do tipo P servem para fortalecer a nossa arma normal, que passa inicialmente a disparar um feixe mais potente, passando para disparar múltiplos feixes em simultâneo. Os ícones do tipo S servem para aumentar a nossa velocidade de movimento, enquanto que os B servem apenas para nos dar pontos de bónus. Também poderemos no entanto encontrar um escudo, vidas extra, munições para o canhão especial e uma option, um satélite que voa ao nosso lado e que tem aqui também um papel distinto. Este não serve para aumentar o nosso poder de fogo (pelo menos directamente) nem servir de escudo. Na verdade não temos qualquer controlo dessa pequena nave, que vai vagueando pelo ecrã em busca de inimigos, albarroando-os e causando-lhes dano dessa forma. De resto convém sempre sublinhar os picos de dificuldade típicos de um jogo da Toaplan. Temos apenas 2 níveis de dificuldade: easy (que não é necessariamente fácil) e hard, sendo que para alcançar o final verdadeiro temos no entanto de terminar o jogo numa dificuldade secreta, mais difícil ainda.

O design de alguns inimigos até que é bastante interessante. A nave da direita costuma recompensar-nos com power ups

No que diz respeito aos gráficos, este é um shmup bem competente, embora esteja longe de um Thunder Force IV nesse aspecto. O jogo está dividido em 6 níveis, todos com paisagens bem distintas, passando então tanto por batalhas em pleno espaço como em enormes estações inimigas, bem como florestas, selvas ou até um deserto com certas pirâmides e inimigos de influência egípcia. Gosto do design da nave e de alguns inimigos! Os níveis também vão tendo um bom nível de detalhe e as músicas são bastante agradáveis.

Portanto estamos aqui perante mais um shmup bem competente, com algumas mecânicas de jogo interessantes e uma dificuldade acima da média, como a Toaplan nos habituou. A versão Mega Drive é uma conversão bastante competente do original arcade, embora por vezes os cenários não sejam tão fiéis à versão original. Convém também mencionar que existe uma versão para a PC Engine CD que devido a sair nesse formato teve direito a uma cutscene de abertura anime bem detalhada e uma banda sonora toda em CD Audio. Dizem também que é uma versão muito mais fácil…